UNIDADE 2: O TÍTULO EXECUTIVO 1. CONCEITO Conforme depreendido da unidade anterior, observamos que, diferentemente da tutela cognitiva (ação/fase de conhecimento) a instauração da tutela executiva (ação/fase de execução) invade a esfera jurídica do devedor antes mesmo da instauração da triangulação processual (credor - Estado devedor), uma vez que o direito de promover a execução é previamente reconhecido pelo legislador ao estabelecer determinados documentos que representam, em tese, uma obrigação já líquida, certa e exigível: os títulos executivos. Art. 580 - A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível, consubstanciada em título executivo. Art. 618 - É nula a execução: I - se o título executivo extrajudicial não corresponder a obrigação certa, líquida e exigível (art. 586); 1.1. Fredie Didier O título executivo é muito importante para a execução. Sem ele não se pode aferir a causa de pedir, o pedido, nem a legitimidade, o interesse de agir, a possibilidade jurídica do pedido, enfim, pode-se dizer que o título executivo é onipotente : ele o documento indispensável para a propositura da execução e é com nele que todos os elementos da ação, as condições da ação, vários requisitos processuais etc. serão analisados. A cognição na execução recairá sobre o título e tudo o que dele possa ser extraído. (DIDIER. 2008, p. 145). 1.2. Cassio Scarpinella Bueno Toda execução pressupõe título executivo. Ele é, de acordo com doutrina amplamente vencedora, pressuposto necessário e suficiente para autorizar a prática de atos executivos. Necessário porque, sem título executivo, não há execução, aplicação do princípio da nulla executio sine titulo... Suficiente porque, consoante o entendimento predominante, basta a apresentação do título para o início dos atos executivos pelo Estado-juiz, independentemente de qualquer juízo de valor expresso acerca do direito nele retratado. (BUENO. 2013, p. 100). 2. NATUREZA JURÍDICA (FINALIDADE DO TÍTULO EXECUTIVO) 2.1. Teorias primitivas Para se estudar os títulos executivos é imprescindível passar pela análise das teorias criadas por Carnelutti e Liebman para demonstrar a natureza jurídica do instituto. 2.1.1. Teoria Documental (Francesco Carneluti) o título executivo é um documento e sua função precípua é a prova, perante o órgão judicial, de que o seu credor faz jus à tutela executiva. Seria um documento representativo da existência do crédito. Tal documento está previsto de una particular eficácia en el sentido de que atribuye a la situación jurídica que en el está representada, la certeza necesaria para que se la actúe mediante la ajecución forzada; basta ello para concluir que es um documento que hace prueba legal, o en otra forma, que es uma prueba legal. (CARNELUTI apud ZAVASCKI, 2000, p. 174). 2.1.2. Teoria Constitutiva (Enrico Tullio Liebman) o título executivo é um ato jurídico que incorpora a sanção processual de responsabilidade patrimonial imposta pela lei para o cumprimento de uma obrigação. O título é a fonte imediata, direta e autônoma da regra sancionadora e dos efeitos jurídicos dela decorrentes. (LIEBMAN apud ASSIS, 2008, p. 144). 2.2. Teoria vigente Ambas as teorias apresentadas são rechaçadas pela melhor doutrina moderna. 2.2.1. Inaplicabilidade da teoria documental - A primeira não pode ser utilizada, simplesmente porque afasta do conceito processual de prova, ao afirmar que o título tem a função de demonstrar um direito. Como se sabe, o direito não é objeto da prova, mas sim as alegações
quanto à matéria de fato. Assim, caso o título fosse uma prova, deveria haver tutela executiva na fase cognitiva. 2.2.2. Inaplicabilidade da teoria constitutiva Essa teoria foi rejeitada pelas reformas legislativas que alteraram o CPC. O título é um documento que comprova um ato jurídico extrajudicial ou uma decisão judicial, mas não basta a sua existência para a tutela executiva, é necessário que a ação/fase executiva estava devidamente documentada. 2.2.3. Teoria do ato jurídico o título executivo e um ato (ou fato) jurídico a que a lei e somente a lei atribui eficácia executiva, que consiste na aptidão para produzir o efeito de se fazer incidir sobre o devedor a responsabilidade patrimonial. A verdadeira função do título executivo liga-se com o interesse de agir... O título executivo tem a função de fazer presente este último elemento do interesse de agir in executivis. Havendo título executivo, será adequada a demanda de execução forçada do crédito alegado. O título executivo é, pois, responsável por tornar adequada a via executiva como instrumento de atuação da vontade concreta do ordenamento jurídico. (CÂMARA. 2013, p. 187). 3. REQUISITOS DO TÍTULO EXECUTIVO A redação original do CPC vigente trazia consigo a ideia de que o título executivo deveria ser líquido, certo e exigível para consubstanciar a tutela executiva. Após a reforma advinda com a Lei 11.382/2006, depreende-se da exegese do art. 580, do CPC, que a obrigação afirmada no título que deve ser liquida, certa e exigível. 3.1. Obrigação certa representa a existência da obrigação, ou seja, configura-se pela ausência de dúvida quanto a sua existência. 3.2. Obrigação líquida está ligada à ideia de quantificação. Assim, quando, além de manifesto e claro, não insurge a necessidade de outros elementos para a apuração do quantum, ação ou objeto a que recaia a obrigação, dizse que é líquida. 3.3. Obrigação exigível impõe que o cumprimento da obrigação por seu devedor seja imediata, sem qualquer condição ou termo para a sua resolução. Ademais, alguns títulos extrajudiciais possuem imitação temporal à sua exigibilidade (p. ex. cheque exigibilidade de 06 meses após o inadimplemento art. 59 da Lei 7.357/85). 4. TÍTULOS EXECUTIVOS EM ESPÉCIE - O título executivo é aquele fixado em numerus clausus pela lei. Não são admitidas interpretações ampliativas em relação aos títulos executivos: a lei diz (ou deve dizer) claramente quais são os atos ou fatos jurídicos considerados títulos executivos. Interpretar de maneira extensiva o rol dos títulos executivos é violar frontalmente a esfera de direitos do executado. O Código de Processo Civil (arts. 475-N e 585) e leis especiais relacionam taxativamente os títulos executivos, sendo defeso conceder eficácia executiva a qualquer outro fato ou ato. Os títulos executivos estão sujeitos à regra da tipicidade. Isso porque é sempre excepcional executar sem antes conhecer. 4.1. Títulos executivos judiciais (art. 475-N, CPC) caracterizam-se por terem sido constituídos perante o Poder Judiciário. 4.1.1. A sentença proferida no processo civil que reconheça a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia - é o primeiro título executivo judicial enumerado pela lei processual e o mais comum dentre as execuções do título judicial. Assim, para o cumprimento de sentença basta que a sentença (condenatória, declaratória ou constitutiva) reconheça obrigação a ser cumprida por uma parte em favor de outra, seja esta de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia. Obs.: Em se tratando da sentença proferida em processo de conhecimento, não há necessidade de aguardar o transito em julgado para o início dos atos executórios, basta que seja impugnada por um recurso sem efeito suspensivo para que possibilite a execução provisória (Ver item 5 desta unidade de ensino).
4.1.2. A sentença penal condenatória transitada em julgado Em se tratando da Teoria Geral do Processo e Jurisdição, como regra, se impõe a independência entre a responsabilidade criminal e a responsabilidade civil. A primeira advém da transgressão de um tipo penal, caracterizando um crime ou contravenção e da consequente aplicação da pretensão punitiva do Estado, por isso é consideradas direito público. Já a segunda é marcada pelo dano decorrente da transgressão de um direito juridicamente tutelado (ato ilícito), sem a prática do crime, que deverá ser reparado (indenização). Contudo, no caso da sentença penal condenatória há uma "interferência" de uma jurisdição em outra. Portanto, neste caso, foge-se à regra da autonomia. Isso ocorre porque este título executivo faz coisa julgada no cível quanto ao dever de indenizar o dano decorrente de conduta criminal. Caso seja ilíquida, deverá passar por prévio procedimento de liquidação de sentença (art. 475-A e ss., CPC). Art. 91 (CP) - São efeitos da condenação: I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano causado pelo crime; Art. 387 (CPP) - O juiz, ao proferir sentença condenatória: (...) IV - fixará valor mínimo para reparação dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido; a) Obrigatoriedade do trânsito em julgado para que ocorra o cumprimento de sentença, ao contrário da sentença cível, é indispensável o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, uma vez que pela presunção de inocência no direito penal, somente poderá produzir efeitos após se tornar definitiva. b) Ação indenizatória tramitando concomitantemente com a ação penal o juízo cível poderá determinar a suspensão do processo até o julgamento final na esfera penal (art. 110, CPC). Ocorre que essa suspensão não é obrigatória (RSTJ, 71:343). Assim, poderá uma ação penal tramitar de forma concomitante a ação indenizatória no juízo cível. Art. 110 - Se o conhecimento da lide depender necessariamente da verificação da existência de fato delituoso, pode o juiz mandar sobrestar no andamento do processo até que se pronuncie a justiça criminal. RSTJ, 71:343 - A suspensão do processo, na hipótese de que trata o art. 110 do CPC, é facultativa, estando entregue ao prudente exame do juiz, em cada caso, que deve ter em linha de conta a possibilidade de decisões contraditórias. Sentença penal de procedência transita em julgado servirá como elemento do reconhecimento da procedência no juízo cível, cabendo apenas a apuração do quantum indenizatório no cível. Sentença penal de improcedência transita em julgado não trará prejuízo à demanda cível, que ainda assim poderá reconhecer os elementos da responsabilidade civil, salvo no caso de absolvição por inexistência do fato. Sentença cível de improcedência e posterior sentença penal de procedência, ambas transitadas em julgado em que pese a divergência doutrinária, a melhor solução caberia na impossibilidade de execução da sentença penal, uma vez que esbarraria na coisa julgada cível, que julgou de forma específica a matéria de responsabilidade civil reconhecendo a inexistência do direito material de indenizar (SHIMURA, Sérgio Seiji. Título Executivo. São Paulo: Saraiva, 1997, p. 218). c) Inaplicabilidade em relação a terceiros importante esclarece que o cumprimento de sentença penal condenatória somente poderá correr em face daquele que foi condenado no processo penal, jamais contra terceiros, por não haver condenação. (P. ex. Delito de trânsito cometido por motorista de empresa, em que, caso a mesma não figure como réu no processo penal, não poderá indenizar os danos causados, sem um processo de conhecimento cível).
d) Citação do executado como o procedimento de cumprimento de sentença se impõe autônomo ao procedimento que reconheceu a condenação na esfera penal, impõe-se a citação do executado (art. 475-N, par. único). 4.1.3. A sentença homologatória de conciliação ou de transação, ainda que inclua matéria não posta em juízo - pressupondo a já existência de uma demanda, a conciliação (em audiência) ou transação (por iniciativa das partes) constitui um acordo realizado entre as partes, que deverá ser chancelada pelo juízo por uma sentença com resolução do mérito (art. 269, III, CPC), para por fim ao processo, bem como conceder força executiva à mesma. O objeto do acordo poderá ultrapassar os limites dos pedidos constantes da peça vestibular, sem imputar em sentença extra ou ultra petita. Caso não haja a homologação poderá no máximo configurar título executivo extrajudicial, caso preencha os seus requisitos. 4.1.4. A sentença arbitral trata-se do único título executivo judicial que não é constituído perante o Poder Judiciário, equipara-se a tal por força do art. 31 da Lei n. 9.307/96 (Lei de Arbitragem). Contudo, não há na lei dispositivo que conceda ao juízo arbitral competência executiva, assim o CPC apresenta a sentença arbitral como título desta natureza. Caso seja ilíquida, deverá passar por prévio procedimento de liquidação de sentença (art. 475-A e ss., CPC). Como o procedimento de cumprimento de sentença se impõe autônomo ao procedimento que reconheceu a condenação na esfera arbitral, impõe-se a citação do executado (art. 475-N, par. único). Art. 31 (Lei n. 9.307/96) - A sentença arbitral produz, entre as partes e seus sucessores, os mesmos efeitos da sentença proferida pelos órgãos do Poder Judiciário e, sendo condenatória, constitui título executivo. 4.1.5. O acordo extrajudicial, de qualquer natureza, homologado judicialmente - Para que o acordo extrajudicial seja submetido ao juiz, devem as partes promover tal pedido, que será processado como expediente de jurisdição voluntária em atendimento ao disposto nos art. 1.103 a 1.111, do CPC. Poderá envolver qualquer matéria, como direito trabalhista e de família, desde que seja levado ao juízo materialmente competente para homologá-lo. 4.1.6. A sentença estrangeira, homologada pelo Superior Tribunal de Justiça - A sentença estrangeira, que é uma decisão proferida fora do país, para que tenha eficácia executiva no Brasil, deverá ser homologada pelo Superior Tribunal de Justiça (competência modificada pela Emenda Constitucional n. 45/2004). Após o procedimento de homologação poderá ser executada perante um juízo federal de primeira instância (art. 109, X, CF). A execução deve obedecer às regras estabelecidas para a execução da sentença nacional da mesma natureza. Como o procedimento de cumprimento de sentença se impõe autônomo ao procedimento que reconheceu a condenação em tribunal estrangeiro, impõe-se a citação do executado (art. 475-N, par. único). 4.1.7. o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal - o formal de partilha é o instrumento da partilha formalizada decorrente de uma Ação de Inventário (ou arrolamento). Consiste em certidões ou cópias das principais peças do inventário e da partilha, extraídas pelo escrivão, valendo como título de aquisição dos bens pelo herdeiro. É um título executivo especial, posto que a sentença de partilha não tem efeitos condenatórios. Sua a força executiva atua exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal e a forma de execução depende da natureza dos bens pertencentes ao quinhão do exequente. Assim, o cumprimento de sentença se processará perante os próprios autos da Ação de Inventário. 4.1.8. A decisão que antecipa os efeitos da tutela e a executividade da medida em razão do risco de dano irreparável ou de difícil reparação o cumprimento da medida antecipatória se impõe, sobre risco de perecimento do bem da vida objeto da demanda. Apresar de preventivas, antecipadas e provisórias, são exequíveis.
4.2. Títulos executivos extrajudiciais (art. 585, CPC) caracterizam-se por serem constituídos sem a intervenção do Poder Judiciário. Não há, por exemplo, um prévio procedimento cognitivo (fase de conhecimento). Por tal motivo, a execução se promove em uma ação autônoma, pois se atribui idoneidade para possibilitar a deflagração direta de processo de execução. Por fim, não é dispensável salientar que os títulos executivos, para assim se caracterizarem, devem vir expressos em lei, seja na lei geral - o estatuto processual - seja em leis esparsas. O importante é que a lei assim os qualifique. Sem previsão legal, nenhum título terá, por si mesmo, índole executiva. 4.2.1. Títulos de crédito os títulos de crédito, também chamadas de títulos cambiais, têm a sua força executiva decorrente de leis próprias e tem seus elementos, características e requisitos previstos no Direito Cambial. São eles: cheque, nota promissória a letra de câmbio, a duplicata e a debênture. a) Cheque regulamentado pela Lei nº 7.357/85 e nos arts. 887 a 926 do CC. É uma ordem de pagamento a vista dada por um correntista (sacador) a um banco ou instituição assemelhada (sacado), quando possua fundo no mesmo, em favor próprio, de terceiros nomeado ou a sua ordem (nominal), ou ainda, ao portador. Não promovido o pagamento por falta de fundos ou outro motivo, aquele a quem se destina a ordem de pagamento pode promover a execução. Nessa caso, impõe-se a necessidade de apresentação do cheque ao sacado e a recusa do pagamento, para que seja proposta a demanda executiva. Conforme o art. 59 da Lei 7.357/85, sua exigibilidade é de 06 meses após o esgotamento do prazo de apresentação, que é de 30 (trinta) dias se o cheque é dado na mesma praça do pagamento, ou 60 (sessenta) dias se de outra praça. Nesse caso não será mais possível a via executiva, mas poderá levar-se a pretensão de recebimento do crédito ao judiciária pela ação de cobrança (conhecimento) ou pela ação monitória (procedimento especial). Sum. 299/STJ - É admissível a ação monitória fundada em cheque prescrito. Sum. 370/STJ - Caracteriza dano moral a apresentação antecipada de cheque prédatado. b) Nota promissória regulamentada genericamente pelos arts. 887 e ss do CC e pelo Decreto nº 2044/1908. Consiste em um título cambiário de promessa de pagamento em que seu emitente assume a obrigação, direta e principal, de pagar a soma constante do título. Sua pretensão executiva prescreve em 03 anos, sendo desnecessário o protesto para a execução. Nota promissória vinculada a contrato É possível que a nota promissória esteja vinculada a um contrato como garantia de cumprimento de uma obrigação de pagar quantia. Contudo, a jurisprudência tem firmado entendimento no sentido de que não há força executiva cambial se o contrato que a originou for desprovido de força executiva, pois se trata de um ato acessório (emissão da nota promissória) que não pode ter mais força que o principal (contrato). É o que ocorre com o contrato de abertura de crédito, analisado nas súmulas 233 e 258 do STJ. Sum. 233/STJ - O contrato de abertura de crédito, ainda que acompanhado de extrato da contracorrente, não é título executivo. Sum. 258/STJ - A nota promissória vinculada a contrato de abertura de crédito não goza de autonomia em razão da iliquidez do título que a originou. c) Letra de câmbio - regulamentada genericamente pelos art. 887 e ss do CC e pelo Decreto nº 2044/1908. Consiste em ordem indireta de pagamento pelo qual o sacador (criador da letra) promete fazer pagar por terceiro, pelo sacado, a soma cambial, e assumindo o encargo caso este não o faça. Assim, a letra de câmbio sem a assinatura do sacado (aceite) não constitui título executivo, ainda que protestada. Sua pretensão executiva prescreve em 03 anos, sendo desnecessário o protesto para a execução.
d) Duplicata - regulamentada pela Lei nº 5.474/68. É um título genuinamente brasileiro e decorre do pagamento a prazo por uma venda mercantil ou prestação de serviço decorrente da fatura. Assim, após devidamente faturada uma venda mercantil ou prestação de serviço, emitese a duplicata, que, com o aceite do devedor, torna-se o título executivo extrajudicial independentemente de protesto. Contudo, caso não seja aceita, deverá ser levada a protesto acompanhado do documento que comprove a remessa e entrega da mercadoria ou a prestação do serviço, caracterizando o aceite presumido. Somente assim se comprova o inadimplemento, possibilitando a propositura da ação de execução. No caso da prestação de serviço, deve ainda instruir a execução, cópia do contrato de prestação de serviço. Sua pretensão executiva prescreve em 03 anos. e) Debênture são títulos emitidos por sociedades anônimas no intuito de captação de recursos, que ao invés de tomar empréstimos financeiros, lança títulos que são adquiridos pelos investidores, que passa a ser credor da sociedade empresária. Assim, em pese as suas ações, podem promover ações de execuções para recebimentos dos créditos decorrentes das debêntures. 4.2.2. Escritura pública ou qualquer documento público assinado pelo devedor o negócio jurídico celebrado perante o tabelião (cartorário) será reduzido a escritura pública, firmando fé pública ao documento. Já o documento público é aquele firmado por autoridade pública (p. ex. notas de empenho, autorizações de despesas, etc.). A confissão de dívida celebrada por instrumento público e assinada pelo devedor é título executivo. 4.2.3. Documento particular assinado pelo devedor e por duas testemunhas toda e qualquer declaração subscrita pelo devedor reconhecendo uma obrigação (desde que líquida, certa e exigível) será título executivo, se firmada perante duas testemunhas, sem qualquer observância de forma (regularidade formal), devendo apenas observar a regra do art. 405 do CPC. Art. 405 - Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes, impedidas ou suspeitas. TITULO EXTRAJUDICIAL. TESTEMUNHAS (ART. 585, II, DO CPC). EXIGINDO A LEI PROCESSUAL, TANTO QUANTO A LEI SUBSTANTIVA (ART. 135, CC), APENAS QUE O DOCUMENTO SEJA ''SUBSCRITO'' PELAS TESTEMUNHAS, NÃO SÃO RECLAMADAS SUAS PRESENÇAS AO ATO. ESPECIAL PROVIDO. (RSTJ, 7: 433). 4.2.4. Instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, Defensoria Pública ou advogados dos transatores o termo de acordo firmado pelas partes, perante o MP, a Defensoria ou seus advogados, caso não seja levado a homologação perante o Poder Judiciário (hipótese em que será considerado título executivo judicial art. 475-N, V, CPC) será considerado título executivo extrajudicial, caso tenha por objeto obrigação líquida, certa e exigível, uma vez que assegura que a transação foi celebrada espontaneamente e que as partes tinham conhecimento de seu conteúdo e estavam de acordo com ele. 4.2.5. Contratos garantidos com hipoteca, penhor ou anticrese e a caução trata-se de cláusula acessória de garantia real, em que o credor terá preferência do recebimento da coisa, em caso de execução por mais de um credor. 4.2.6. Seguro de vida contrato pelo qual uma das partes (segurador) se o obrigado ao pagamento de determinada quantia (prêmio) a terceiro determinado (beneficiário) em caso de evento que leve a óbito a outra parte (segurado). O objeto do legislador foi facilitar o recebimento da indenização pelos beneficiários. Exclui-se os seguros de acidentes, ante a iliquidez da obrigação que será medida pela extensão dos danos.
4.2.7. Foro e laudêmio decorrem da enfiteuse, que é arrendamento por prazo longo ou perpétuo de terras públicas a particulares, mediante a obrigação, por parte do adquirente (enfiteuta), de manter em bom estado o imóvel e efetuar o pagamento de uma pensão (foro ou laudêmio), certa e invariável, em numerário ou espécie, ao senhorio direto (proprietário). Este, através de um ato jurídico, inter vivos ou de última vontade, atribui ao enfiteuta, em caráter perpétuo, o domínio útil e o pleno gozo do bem. Sua constituição ficou vedada pelo Código Civil de 2002, permanecendo apenas as constituídas anteriormente a sua vigência. Art. 2.038. Fica proibida a constituição de enfiteuses e subenfiteuses, subordinando-se as existentes, até sua extinção, às disposições do Código Civil anterior, Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, e leis posteriores. 4.2.8. Contrato de locação (e verbas acessórias) o contrato de locação, independentemente de firmado por testemunhas, da finalidade (comercial ou residencial), ou do prazo de duração, constitui-se título executivo, desde que escrito. A execução abrangerá os alugueres em atraso, correção monetária, juros de mora, multa estabelecida no contrato (cláusula penal) e demais verbas acessórias previstas no instrumento (taxa condominial, impostos, água, luz, etc.). a) Cotas condominiais: ação de execução ou ação de conhecimento: Pela parte final do art. 585, V, do CPC, pode-se deixar levar pelo erro de que as cotas condominiais seriam exequíveis pelo condomínio em relação aos condôminos. Somando-se ao disposto no 2º, do art. 12, da Lei nº 4.591/64 (dispõe sobre o condomínio em edificações e as incorporações imobiliárias) tal equívoco se torna mais contundente. O certo é que a jurisprudência e a doutrina não tratam como possível a escolha da via executiva pela falta de previsão legal, bem como pela iliquidez da obrigação, que varia mês a mês. Assim, busca-se a pretensão pela via cognitiva, por um procedimento de rito sumário, conforme previsto no art. 275, II, b, do CPC. Art. 585 Omissis: V - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; Art. 12 (Lei n. 4.591/64) - Omissis. 2º Cabe ao síndico arrecadar as contribuições competindo-lhe promover, por via executiva, a cobrança judicial das quotas atrasadas. Art. 275 - Observar-se-á o procedimento sumário: (...) II - nas causas, qualquer que seja o valor: (...) b) de cobrança ao condômino de quaisquer quantias devidas ao condomínio; 4.2.9. Crédito dos auxiliares da Justiça quando a remuneração do perito, de intérprete, ou de tradutor é fixada para a elaboração de uma ato processual probatório, o pagamento é feito nos próprios autos do processo. Ocorre o não pagamento não impõe a suspensão ou extinção do processo. Nessa hipótese é expedida uma certidão que será dotada e executividade. 4.2.10. Certidão da dívida ativa para que o Estado promova a execução de seus créditos tributários é necessária a sua inclusão na dívida ativa. A certidão positiva da dívida ativa é o elemento essencial da execução fiscal, regida pela Lei nº 6.830/80. 4.2.11. Outros documentos previstos em como título executivo não há título sem lei. Além dos previstos no CPC, a legislação especial prevê outros títulos executivos: cédulas hipotecárias de crédito industrial, rural ou comercial, prêmios dos seguros, decisões dos Tribunais de Conta que fixem multa ou débito e os contratos de honorários advocatícios.
5. EXECUÇÃO DEFINITIVA E PROVISÓRIA Consoante o artigo 475-I, 1º, e o artigo 587, ambos do Código de Processo Civil a execução poderá se instaurada de duas formas: a) definitiva, quando fundada em título executivo judicial e extrajudicial; b) provisória, enquanto a sentença (ou acordão) provisória estiver em pendência do julgamento de recurso sem efeito suspensivo ou sentença pendente apelação da sentença de improcedência dos embargos do executado, quando recebidos com efeito suspensivo (art. 739). Art. 475-I. Omissis. 1º É definitiva a execução da sentença transitada em julgado e provisória quando se tratar de sentença impugnada mediante recurso ao qual não foi atribuído efeito suspensivo. Art. 587 - É definitiva a execução fundada em título extrajudicial; é provisória enquanto pendente apelação da sentença de improcedência dos embargos do executado, quando recebidos com efeito suspensivo (art. 739). 5.1. Execução provisória da sentença (art. 475-O, CPC) a execução provisória far-se-á, no que couber, do mesmo modo que a definitiva. Instaura-se por iniciativa conta e responsabilidade do propenso credor, uma vez que ainda não houve o transito em julgado da sentença, podendo versar sobre obrigação de qualquer natureza (pagar, fazer ou dar). Art. 475-O. A execução provisória da sentença far-se-á, no que couber, do mesmo modo que a definitiva, observadas as seguintes normas: I corre por iniciativa, conta e responsabilidade do exequente, que se obriga, se a sentença for reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido; 5.1.1. Responsabilidade do exequente A ciência inequívoca do legislador da possibilidade de alteração do teor da sentença executada antes de seu trânsito em julgado, advindo do provimento recursal, está demonstrada no art. 475-O, I, do CPC. É absolutamente pacífico na doutrina que a responsabilidade daquele que move a execução provisória é objetiva (independe de dolo, culpa ou má-fé), no caso de reforma ou anulação da sentença exequenda. Assim, trazendo qualquer dano ao executado, impõe-se o dever de indenizar por parte daquele que optou pela via da execução provisória. Consoante a redação art. 475-O, II, do CPC a apuração dos danos e da respectiva indenização ocorrerá nos próprios autos, por liquidação. Art. 475-O. Omissis. II fica sem efeito, sobrevindo acórdão que modifique ou anule a sentença objeto da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidados eventuais prejuízos nos mesmos autos, por arbitramento; 5.1.2. A caução como garantia ao juízo No art. 475-O, III, verifica-se a exigência de caução para o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem alienação de propriedade. Dependendo da situação concreta convencendo-se o juiz de que o ato a ser praticado poderá resultar em prejuízo ao executado poderá exigir a prestação de caução. Há situações em que a caução será requerida após a efetivação do ato danoso, podendo o juiz, mesmo depois de efetivada a medida, suspenda a constrição até que o exequente preste caução idônea. A caução pode ser real (o exequente indica um bem se sua propriedade como garantia) ou fidejussória (um terceiro demonstra condições de garantir eventual dívida do exequente fiador judicial) e devendo ser idônea e suficiente. Assim o valor do bem ou do depósito a ser ofertado a título de caução precisará ser superior ao valor da execução, a fim de que possa suportar o principal, correção monetária e os juros. Art. 475-O. Omissis. II o levantamento de depósito em dinheiro e a prática de atos que importem alienação de propriedade ou dos quais possa resultar grave dano ao executado dependem de caução suficiente e idônea, arbitrada de plano pelo juiz e prestada nos próprios autos.
5.1.3. Dispensa da caução Os casos de dispensa de caução foram ampliados. O parágrafo 2º do artigo 475-O, após a redação conferida pela Lei nº 11.232 de 2005, admite a dispensa de caução em caso de verbas de natureza alimentar em valor de até 60 salários, quando o exequente estiver em situação de estado de necessidade. Também, será dispensada nos casos de créditos alimentares decorrentes de ilícito (responsabilidade civil), bem como, no caso inciso II do 2º do art.475-o, que se refere ao agravo de instrumento contra a decisão denegatória de seguimento de recurso extraordinário ou especial de que trata o art. 544 CPC, salvo quando da dispensa possa manifestamente resultar risco de grave dano, de difícil ou incerta reparação. 5.2. Execução provisória em título executivo extrajudicial (art. 587, CPC) a Súmula 317 do STJ, expõe que: É definitiva a execução de título extrajudicial, ainda que pendente apelação contra sentença que julgue improcedentes os embargos. Ocorre que a edição da referida súmula é anterior ao advento da Lei 11.382 de 2006, que trouxe mudanças significativas ao art. 587 do Código de Processo Civil. Se antes a jurisprudência havia afastado qualquer dúvida quanto a não aplicação do regime da execução provisória para a execução fundada em título extrajudicial; agora o legislador criou uma nova regra com o propósito de estender esse regime à hipótese específica de prosseguimento da execução de título extrajudicial quando pendente de julgamento a apelação interposta contra sentença de improcedência dos embargos recebidos com efeito suspensivo. Art. 587 - É definitiva a execução fundada em título extrajudicial; é provisória enquanto pendente apelação da sentença de improcedência dos embargos do executado, quando recebidos com efeito suspensivo (art. 739).