R E S O L U Ç Ã O n.º 1061/05



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Transcrição:

TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DA BAHIA R E S O L U Ç Ã O n.º 1061/05 Estabelece normas para a apresentação da documentação mensal de receita e despesa e da prestação de contas anual das Autarquias e Fundações de direito público da administração indireta municipal, revoga a Resolução nº 218/92, e dá outras providências. O TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DA BAHIA, no uso de suas atribuições legais e com fundamento no disposto no art. 91, inciso II, da Constituição do Estado da Bahia, e no art. 33, 1º e 2º, da Lei Complementar n.º 6, de 6 de dezembro de 1991, R E S O L V E: CAPÍTULO I Da Documentação Mensal de Receita e Despesa Art. 1º As Autarquias e Fundações de direito público instituídas pelo Município, regidas pela Lei Federal n.º 4.320/64, sujeitas à fiscalização financeira e orçamentária deste Tribunal de Contas dos Municípios - TCM, remeterão as respectivas documentações mensais de receita e despesa à Inspetoria Regional IRCE, a que estejam jurisdicionadas, até o último dia do mês subseqüente àquele a que se refere, independentemente do seu encaminhamento à Prefeitura respectiva. Parágrafo único. Quando a documentação de que trata este artigo for encaminhada pelos Correios deverá ser postada até a data nele estabelecida, assegurada a entrega nas dependências da IRCE. Art. 2º Excepcionalmente, poderá o Presidente do TCM conceder prazo suplementar e improrrogável àquele fixado no caput do art. 1º desta Resolução de, 1

no máximo, 15 (quinze) dias corridos, à vista de solicitação fundamentada por escrito, protocolada neste TCM, antes do seu vencimento, não sendo conhecidos pedidos extemporâneos. Parágrafo único. O não encaminhamento da documentação prevista no art. 1º no prazo ali especificado ou naquele resultante da excepcionalidade prevista no caput deste artigo, quando facultada, implicará em realização de auditoria pelo TCM na entidade que descumpriu a obrigação legal. Art. 3º A documentação mensal de que trata o art. 1º deverá estar acompanhada de ofício firmado pelo Gestor, acondicionada em pasta apropriada, obedecendo seqüencialmente a numeração de página, contendo as seguintes peças: 1 - mensalmente: a) demonstrativo analítico de receita e despesa, expressando a movimentação orçamentária e extra-orçamentária, que deverá demonstrar os créditos adicionais, anulações de crédito e total da despesa autorizada, além da despesa orçada e efetivamente paga no mês e até o mês, a despesa empenhada no mês e até o mês, bem como a despesa empenhada e não paga a nível de elemento; b) demonstrativo das Contas do Razão analítico; c) documentos de receita, incluindo os decorrentes de transferências por parte da administração centralizada e de alienação de bens do patrimônio, acompanhados dos processos licitatórios, com os respectivos julgamentos; d) cópias dos convênios, dos avisos de créditos e dos contratos de qualquer natureza assinados no mês; e) originais dos processos de pagamento, com identificação das fontes de recursos, acompanhados dos respectivos processos licitatórios e contratos, quando pertinentes; f) relação, de forma seqüencial e crescente, contendo todos os números de processos de pagamento, discriminados por grupos de despesas orçamentária e extra-orçamentária, vinculando-os às notas de empenho, com histórico resumido, e discriminando-se os respectivos credores, identificados por CNPJ ou CPF, e valores; g) quadro demonstrativo de aplicação de recursos da entidade em contribuições, subvenções, auxílios, investimentos e inversões financeiras, mencionando os atos de autorização; h) cópias autênticas de decretos do Poder Executivo referentes a créditos adicionais e originais dos atos de alteração do Quadro de Detalhamento da Despesa - QDD; 2

i) cópias autênticas dos atos e deliberações que, emanados da administração superior da entidade, fixem os vencimentos de sua diretoria; j) relação das contas bancárias mantidas pela entidade com seus respectivos números, acompanhada de originais dos extratos, inclusive daquelas contas consideradas inativas, complementadas pelas conciliações bancárias, devidamente assinadas pelo Gestor, Gerente Administrativo Financeiro e Contador; k) demonstrativos das aplicações financeiras a qualquer título, acompanhados dos extratos bancários das respectivas contas; l) relação dos processos licitatórios, contendo a modalidade, número, data, objeto, licitante vencedor, bem como o número e a data dos contratos deles decorrentes; m) relação dos bens móveis adquiridos no mês, constando número do empenho, número do processo de pagamento, valor, credor e resumo descritivo, indicando-se, ainda, aquelas despesas que, embora não tenham sido pagas, já foram liquidadas. 2 - exclusivamente no mês de janeiro de cada ano: a) Lei Orçamentária; b) Plano de Contas analítico; 3 - exclusivamente no mês de dezembro de cada ano: a) duas vias da relação dos Restos a Pagar, discriminando-se os processados e não processados do exercício, incluindo-se os de exercícios anteriores porventura remanescentes, elencando-os por número de ordem, por número dos empenhos, dotação, valor e nome do credor, informando-se o número de inscrição no CNPJ ou CPF, fazendose constar a data do contrato e do empenho, e, se processados, a data da liquidação, indicando-se, ainda, aquelas despesas, liquidadas ou não, que por falta de disponibilidade financeira, deixaram de integrar os restos a pagar do exercício; 4 - no mês de janeiro do primeiro ano de gestão ou em caso de alteração do respectivo diploma: a) lei municipal relativa à concessão de diárias. 1º Os processos de pagamento de que trata a alínea e do item 1 deste artigo deverão conter: a) quando referentes a despesa relacionada a obras, identificação, no histórico, da destinação dos materiais adquiridos e serviços contratados; 3

b) quando decorrentes de convênio, identificação, no histórico, do nome da entidade conveniada, data da celebração e número do instrumento; c) recibos assinados, identificando-se o nome por extenso, CPF e RG do responsável pelo recebimento; d) identificação do responsável pela liquidação da despesa, citando nome, cargo e cadastro. 2º Os demonstrativos de receita e despesa e das contas do razão analítico, referentes ao mês de dezembro, deverão, necessariamente, ser apresentados em duas vias. 3º Todos os pagamentos deverão ser efetuadas mediante cheques nominativos, ordens bancárias ou transferências eletrônicas. Art. 4º Recebida a documentação pela IRCE, esta a analisará e elaborará relatório, solicitando esclarecimentos sobre a documentação e atos praticados, o qual será encaminhado ao Gestor, em diligência, mediante Notificação. 1º Recebida a Notificação, o Gestor terá o prazo máximo e improrrogável de 15 (quinze) dias corridos, a contar do seu recebimento, para responder à mesma, em documento elaborado em duas vias, fazendo-se juntar as peças que o notificado entenda necessárias, devidamente numeradas e rubricadas. 2º Após analise da resposta à Notificação, a IRCE cientificará o Gestor das conclusões do exame efetuado, não sendo admitidas novas manifestações quanto às mencionadas conclusões. Art. 5º Decorrido o prazo estabelecido no 1º do artigo anterior, não serão recebidas pela IRCE, ou por qualquer outra instância do TCM, respostas a diligências efetuadas via Notificação, salvo quando autorizadas pelo Presidente, em caráter excepcional. CAPÍTULO II Da Prestação de Contas Anual Art. 6º As Autarquias e Fundações de direito público instituídas e mantidas pelo Município encaminharão ao TCM, até 31 (trinta e um) de março do exercício seguinte àquele a que se refere, suas prestações de contas anuais, mediante ofício firmado pelo Gestor. Parágrafo único. As segundas vias dos documentos que constituem as prestações de contas das entidades referidas neste artigo comporão as contas do Poder Executivo e ficarão, juntamente com estas, à disposição de qualquer contribuinte, para exame e apreciação, na Secretaria da Câmara Municipal respectiva. 4

Art. 7º A prestação de contas anual de que trata o art. 6º deverá vir acompanhada de ofício firmado pelo Gestor, acondicionada em pasta apropriada, obedecendo seqüencialmente a numeração de página, devendo conter as seguintes peças: 1. resumo geral da receita (Anexo 02 da Lei Federal nº 4.320/64, atualizado pelo Adendo II à Portaria SOF 08/85); 2. natureza da despesa (Anexo 02 da Lei Federal nº 4.320/64, atualizado pelo Adendo III à Portaria SOF 08/85); 3. demonstrativo de programa de trabalho (Anexo 06 da Lei Federal nº 4.320/64, atualizado pelo Adendo V à Portaria SOF 08/85); 4. demonstrativo de funções, programas e subprogramas por projeto e atividade (Anexo 07 da Lei Federal nº 4.320/64, atualizado pelo Adendo VI à Portaria SOF 08/85); 5. demonstrativo da despesa por funções, programas e subprogramas (Anexo 08 da Lei Federal nº 4.320/64, atualizado pelo Adendo VI à Portaria SOF 08/85); 6. demonstrativo da despesa por órgãos e funções (Anexo 09 da Lei Federal nº 4.320/64, atualizado pelo Adendo VIII à Portaria SOF 08/85); 7. comparativo da receita orçada com a arrecadada (Anexo 10 da Lei Federal nº 8. comparativo da despesa autorizada com a realizada (Anexo 11 da Lei Federal nº 4.320/64): 9. balanço orçamentário (Anexo 12 da Lei Federal nº 10. balanço financeiro (Anexo 13 da Lei Federal nº 4.320/64) 11. balanço patrimonial (Anexo 14 da Lei Federal nº 12. balanço patrimonial do exercício anterior (Anexo 14 da Lei Federal nº 13. demonstração das variações patrimoniais (Anexo 15 da Lei Federal nº 14. demonstração da dívida fundada interna (Anexo 16 da Lei Federal nº 15. demonstrativo da dívida fundada externa (Anexo 16 da Lei Federal nº 16. demonstração da dívida flutuante (Anexo 17 da Lei Federal nº 5

17. inventário contendo relação com os respectivos valores de bens, créditos e importâncias constantes do ativo permanente, indicando-se a alocação dos bens e número dos respectivos tombamentos, acompanhado de certidão firmada pelo Gestor, Gerente Administrativo Financeiro e encarregado do controle do patrimônio, atestando que todos os bens da entidade (ativo permanente) encontram-se registrados no Livro Tombo e submetidos a controle apropriado, estando, ainda, identificados por plaquetas; 18. relação analítica dos elementos que compõem o ativo realizável; 19. relação analítica dos elementos que compõem os passivos financeiro e permanente. Tratando-se de restos a pagar não processados deverão ser discriminados por elemento de despesa, especificando a natureza do bem ou serviço; 20. termo de conferência de Caixa lavrado no último dia útil do mês de dezembro, por Comissão designada pelo Gestor; 21. original ou cópia autenticada legível de extratos registrando os saldos bancários do último dia útil do mês de dezembro, com as conciliações complementadas pelos extratos do mês de janeiro do exercício subseqüente; 22. comprovantes bancários de valores de receita transferidos à entidade pela Prefeitura ou outro órgão municipal, estadual ou federal; 23. cópias de contratos de operações de créditos, convênios e consórcios celebrados no exercício, acompanhados dos respectivos atos de autorização legislativa; 24. cópia do relatório de atividades da entidade encaminhado ao Prefeito; 25. demonstrativo contendo: a) o último lançamento da receita no Livro Caixa; b) o último lançamento da despesa no Livro Caixa; c) o último lançamento no Livro Diário. 26. relação dos Restos a Pagar, discriminando-se os processados e não processados do exercício, incluindo-se os porventura remanescentes de exercícios anteriores, elencando-os por número de ordem e dos empenhos, a dotação, valor e nome do credor, informando-se o número de inscrição no CNPJ ou CPF, fazendo-se constar a data do contrato e do empenho, e, se processados, a data da liquidação, indicando-se, ainda, aquelas despesas, liquidadas ou não, que por falta de disponibilidade financeira deixaram de integrar os restos a pagar do exercício; 6

27. cópia do relatório do controle interno dirigido ao Gestor, com um resumo das atividades do exercício, dando ênfase aos principais resultados; 28. prestação de contas dos recursos repassados a entidades civis mediante convênio, acordo, ajuste ou outro instrumento congênere, conforme disciplinado em Resolução deste Tribunal; 29. avaliação atuarial das entidades de Previdência; 30. processos de cancelamento de dívidas ativas e passivas; 31. processos de insubsistência ativa; 32. processos de encampação, com apropriação do ativo e do passivo; 33. prestações de contas dos Fundos Especiais porventura existentes, na forma prevista em Resolução deste Tribunal. CAPÍTULO III Das Disposições Finais. Art. 8º Ficam os Gestores obrigados a apresentar ao TCM a declaração de seu patrimônio, com os bens e valores dele integrantes atualizados até a data da sua investidura no cargo, e ao final da gestão. Art. 9º Cópia das deliberações emitidas em julgamento de contas de entidades descentralizadas deverá ser obrigatoriamente anexada ao processo de contas da Prefeitura correspondente. Art. 10. A Presidência do TCM poderá determinar que o exame e a análise da documentação mensal de receita e despesa das Autarquias e Fundações sejam efetivados nas sedes dessas entidades. Art. 11. A documentação de receita e despesa recolhida por prepostos do TCM, na hipótese de realização de auditoria, não sanará a falha decorrente do descumprimento do prazo previsto no art. 1º desta Resolução, nem dará ao Gestor quitação de sua responsabilidade, servindo apenas para os exames e confrontações necessários ao desempenho da fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial a cargo do Tribunal, nos estritos termos da Constituição e da lei. Art. 12. Até o dia 30 de março, impreterivelmente, deverão os Gestores retirar das dependências da IRCE respectiva a documentação de receita e despesa, sob pena de inobservância do dispositivo constitucional que reza sobre a disponibilidade pública das contas, regulamentado pelo parágrafo único do art. 54 da Lei Complementar nº 6/91. Art. 13. Os casos não previstos nesta Resolução serão decididos pelo Tribunal Pleno. 7

Art. 14. Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Art. 15. Revogam-se as disposições em contrário, especialmente a Resolução TCM nº 218/92 SALA DAS SESSÕES DO TRIBUNAL DE CONTAS DOS MUNICÍPIOS DO ESTADO DA BAHIA, em 26 de abril de 2005. Cons. Raimundo Moreira Presidente Cons. Paulo Virgilio Maracajá Pereira Andrade Netto Vice-Presidente Cons. Francisco de Souza Corregedor Cons. José Alfredo Rocha Dias Cons. Fernando Vita de Araújo Cons. Otto Alencar Cons. Substituto Oyama Ribeiro 8