Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) 1



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Transcrição:

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) 1 Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa Introdução: Uma das declarações básicas dos Reformadores foi a respeito da suficiência da fé (Sola Fides) para a nossa justificação. A sua compreensão é que a nossa justificação é inteiramente pela graça de Deus através da fé, sem a necessidade de o- bras. Estudemos este assunto: 1. A Universalidade do Pecado: A Palavra de Deus nos fala de forma contundente que todos, sem exceção, pecaram, distanciando-se de Deus, estando perdidos, necessitando, portanto, de salvação. Esta é a convicção de Paulo:... todos pecaram e carecem da glória de Deus (Rm 3.23). A) PECADO COMO ALGO NIVELADOR: O pecado é o grande nivelador de toda a humanidade: todos pecaram; todos estão no mesmo nível; 2 não há lugar para arrogância ou supostas boas obras justificadoras (Rm 3.19-20). 3 Se todos pecaram, isso significa que nós também pecamos; se todos precisam de salvação, significa que nós também precisamos. Pecado não é algo peculiar a uns poucos, senão que permeia o mundo inteiro. 4 Na Oração do Senhor temos um indicativo de como o pecado é comum a todos os homens. O fato de Jesus ensinar a todas as pessoas a fazerem esta oração demonstra a universalidade do pecado; e para repetir esta oração se requer um sentido de pecado. 5 A Escritura nos fala que todos pecaram (Rm 3.23) e que o pecado nos fez cativos (Jo 8.34; Rm 6.20; 7.23 6 ), habitando em nós (Rm 7.17,20), 7 mantendo-nos sob o seu 1 Aula ministrada na Escola Dominical para as Classes de Homens, Senhoras e Jovens da Primeira I.P. de São Bernardo do Campo, São Paulo, em 21/10/07. 2 Ver: Francis Schaeffer, A Obra Consumada de Cristo, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003, p. 70. 3 Ora, sabemos que tudo o que a lei diz, aos que vivem na lei o diz para que se cale toda boca, e todo o mundo seja culpável perante Deus, visto que ninguém será justificado diante dele por obras da lei, em razão de que pela lei vem o pleno conhecimento do pecado (Rm 3.19-20). 4 João Calvino, Efésios, São Paulo: Paracletos, 1998, (Ef 2.2), p. 52. 5 W. Barclay, El Padrenuestro, Buenos Aires: La Aurora/ABAP, 1985, p. 118. 6...Em verdade, em verdade vos digo: todo o que comete pecado é escravo do pecado (Jo 8.34). Porque, quando éreis escravos do pecado, estáveis isentos em relação à justiça (Rm 6.20). Mas

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 2 domínio. Enfatizando este domínio do pecado sobre nós antes do novo nascimento, escreve:... Sou carnal, vendido à escravidão do pecado (Rm 7.14). A expressão vendido à escravidão, é uma tradução interpretativa de pipra/skw u(po\ ( pipráskõ hypó ), que significa ser vendido, estando por isso, sob o domínio do seu senhor. 8 Portanto, negar a nossa condição de pecadores, é negar a própria Palavra de Deus, que diz: Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso e a sua palavra não está em nós (1Jo 1.10). Não ser consciente de pecado algum é o pior pecado de todos. 9 B) A GRAVIDADE DO PECADO: É natural que os homens se inclinem prazerosamente para os ensinamentos que falam de suas virtudes e capacidade. 10 O homem é hábil em buscar uma capa e subterfúgio para seu pecado. 11 Ou, quem sabe, podemos nutrir até alguma noção sobre pecado, contudo, tendemos a pensar que isso é coisa praticada por pessoas ignorantes, deste modo, o conhecimento, por si só, nos liberta desta prática, supomos. Portanto, falar de pecado é algo que não encontra tão facilmente ouvidos prazerosos ou mesmo atentos. Daí, uma tendência comum é a tentativa de suavizar esta doutrina, mudando nomes, perspectivas ou simplesmente silenciado a respeito. Dentro de uma perspectiva mais, diria filosófica, tenta-se driblar a real questão através da amenização da realidade com a apresentação do perdão, como se a noção de perdão, por si só, trouxesse alívio, enquanto que a proclamação da realidade do pecado assustasse as pessoas, as afastassem da mensagem do E- vangelho. Pois bem, talvez isso seja assim no campo especulativo onde o pecado e o perdão são apenas conceitos vagos sobre os quais reflito através de uma análise fenomenológica, não me importando com a sua essência e fundamentação teológica. Deste modo, o que importa é a percepção subjetiva do conceito, não a veracidade e implicações dos fatos. Neste sentido, recordo-me a declaração de Erasmo de Roterdã (1466-1536): "Por certo são numerosos e fortes os argumentos contra a instituição da confissão pelo próprio Senhor. Mas como negar a segurança em que se encontra aquele que se confessou a um padre qualificado?". 12 vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros (Rm 7.23). 7 Neste caso, quem faz isto já não sou eu, mas o pecado que habita em mim. (...) Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que habita em mim (Rm 7.17,20). 8 É digno de nota que a palavra pipra/skw somente aqui é mencionada no sentido espiritual. Nas outras oito vezes em que ela ocorre no Novo Testamento (Mt 13.46; 18.25; 26.9; Mc 14.5; Jo 12.5; At 2.45; 4.34; 5.4), tem sempre o sentido de venda de algo material. 9 W. Barclay, El Padrenuestro, p. 118. 10 Cf. João Calvino, As Institutas, II.1.2. 11 João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Parakletos, 2003, Vol. 3, (Sl 105.6), p. 671. 12 Erasmo, Opera Omnia, Leyde, 1704, v, col. 145-6, Apud Jean Delumeau, A Confissão e o Perdão: As Dificuldades da Confissão nos Séculos XIII a XVIII, São Paulo: Companhia das Letras, 1991, p. 37. Em outro lugar, também indagou: Por que se dar ao trabalho de confessar seus pecados a outro ser humano apenas pelo fato de ser um sacerdote, quando pode confessá-los direta-

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 3 Por isso, entendemos que somente pela graça, através da Palavra, podemos ter uma clara consciência de nossa pecaminosidade ativa e concreta e de sua afronta a Deus. 13 Ter consciência do pecado significa reconhecer o quão urgentemente precisamos de perdão. O Evangelho só se torna subjetivamente necessário enquanto que na realidade ele é urgentemente necessário quando as pessoas percebem, por Deus, a sua necessidade. Enquanto isso não acontecer, ele soará sempre como algo descartável. Quando tratamos deste tema, devemos ter em mente que a questão primeira não é a quantidade ou intensidade de nossos pecados, mas, o fato de que pecamos e, diferentemente da compreensão de determinados pensadores humanistas, inclusive cristãos 14 ; a gravidade do pecado está no ponto de que todo pecado é primeiramente contra Deus, o eternamente santo, 15 que não tolera o mal (Hc 2.13). O que intensifica ainda mais a complexidade de nossa rebelião é o fato de rejeitarmos o Seu infinito amor plenificado em Jesus Cristo. 16 Schaeffer (1912-1984) coloca a questão nestes termos: mente a Deus? (Apud Alister E. McGrath, Teologia, sistemática, histórica e filosófica: uma introdução à teologia cristã, São Paulo: Shedd Publicações, 2005, p. 84). 13 É mister graça e iluminação espiritual para crermos que nossos pecados são um problema sério aos olhos de Deus, conforme a Bíblia nos diz. Precisamos orar para que Deus nos torne humildes e dispostos a aprender, quando estudamos esse tema (J.I. Packer, Vocábulos de Deus, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1994, p. 63. Ver também p. 70s). 14 Dentro desta perspectiva limitante do sentido do pecado, incluímos, entre outros, Cecil Osborne, que seguindo o pensamento de Erich Fromm (1900-1980) [ Pecado não se dirige primariamente contra Deus, mas contra nós mesmos (Erich Fromm, Psicanálise e Religião, 2ª ed. Rio de Janeiro: Livro Ibero-Americano, Ltda., 1962, p. 105). Do mesmo modo, ver a obra de Fromm, Análise do Homem, São Paulo: Círculo do Livro, (s.d.), 218p], escreveu: Pecado é essencialmente um erro contra si mesmo ou contra outro ser humano (Cecil Osborne, A Arte de Compreender-se a Si Mesmo, Rio de Janeiro: JUERP., 1977, p. 139). Do mesmo modo, esse conceito tem sido amplamente difundido por um discípulo de Norman Vincent Peale, Dr. Robert Schuller, que enfatiza: o pecado é uma ofensa psicológica a si mesmo (Vejam-se as pertinentes críticas a esta posição em: John MacArthur Jr., Sociedade sem Pecado, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2002, p. 78ss). 15 "O pecado envolve uma certa responsabilidade, por um lado, responsabilidade esta surgida da santidade de Deus, e, por outro lado, da seriedade do pecado como oposição à- quela santidade" (John Murray, Redenção: Consumada e Aplicada, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 1993, p. 29). Jamais compreenderemos o que o pecado realmente é, enquanto não a- prendermos a pensar nele em termos de nosso relacionamento com Deus (J.I. Packer, Vocábulos de Deus, p. 64). 16 O incrédulo despreza o amor de Deus. Se este amor fosse pequeno, seria um pecado pequeno ignorá-lo. Se é grande, é grande pecado rejeitá-lo. Mas o fato é que este amor é infinito. Isso faz da rejeição deste amor um pecado de proporções infinitas (R.B. Kuiper, E- vangelização Teocêntrica, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1976, p. 19). Como o amor de Deus é infinito, desprezar esse amor é pecado de proporções infinitas No entanto, é o que fazem aqueles que, por sua descrença, rejeitam o Filho de Deus, dom do Seu amor. (...) Rejeitar este amor é incorrer no banimento eterno da presença de Deus. Responder com fé e amor é herdar a vida eterna. Nada pode ser mais urgente do que a escolha de uma destas atitudes" (R.B. Kuiper, Evangelização Teocêntrica, p. 72).

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 4 Nós pecamos deliberadamente contra o santo de Deus; é por isso que a nossa situação é desesperadora. [...] O problema não está na quantidade de pecados que praticamos, mas em quem ofendemos. Nós pecamos contra um Deus infinitamente santo, que realmente existe. E, a partir do momento em que pecamos contra um Deus infinitamente santo, que realmente existe, nosso pecado é infinito. 17 O problema é que o pecado não nos deixa perceber as suas conseqüências; estamos totalmente alienados de Deus. 2. A Justificação: Jesus Cristo é o único que cumpriu perfeitamente a justiça divina. Portanto, somente nele podemos e de fato somos declarados justos. A graça nos justifica na justiça de Cristo. Não existe justificação sem a pessoa e obra de Cristo (Rm 3.24; Tt 3.7). 18 A justiça que nos justifica, portanto, não deve ser separada da pessoa de Cristo. Ela não consiste de um dom material ou espiritual que Cristo nos concede fora de Si mesmo, ou que nós podemos aceitar e receber sem que aceitemos e recebamos a pessoa de Cristo. Não há possibilidade de se desfrutar dos benefícios de Cristo sem que haja comunhão com a pessoa de Cristo e a comunhão com Cristo invariavelmente traz consigo os benefícios de Cristo. Para ser aceito diante de Deus, para ser livre de toda culpa e punição e para desfrutar da glória de Deus e da vida eterna, nós temos que ter Cristo, não algo dele, mas o próprio Cristo. 19 A justificação é o fundamento judicial da santificação; 20 aqui há uma mudança na nossa condição legal. Na justificação Deus nos declara justos, perdoando todos os nossos pecados, os quais foram pagos definitivamente por Cristo; por isso, já não há nenhuma condenação sobre nós; estamos em paz com Deus amparados pela justiça de Cristo (Vejam-se: Rm 5.1; 8.1,31-33). Na justificação Deus declara que já não há mais culpa em nós; aqui de fato passamos a ter vida; 21 mudamos da situação de um condenado que aguardava tristemente a terrível sentença condenatória para a condição de filho de Deus, na expectativa da sua majestosa herança (Rm 8.14-18). 22 É importante enfatizar que na justificação Deus não declara que o ímpio é santo; ele declara que, não 17 Francis Schaeffer, A Obra Consumada de Cristo, p. 75. 18 Ver: Michael Horton, União com Cristo. In: Michael Horton, org., Cristo o Senhor: A Reforma e o Senhorio da Salvação, São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2000, p. 105-106; Charles Hodge, Teologia Sistemática, p. 1115. 19 Herman Bavinck, Teologia Sistemática, São Paulo: Hagnos Editora, 2001, p. 499. 20 Veja-se: L. Berkhof, Teologia Sistemática, Campinas, SP.: Luz para o Caminho, 1990, p. 540. 21 Veja-se: George Whitefield, Cristo: Sabedoria, Justiça, Santificação, Redenção, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, (s.d.), p. 8. 22 Vd. J.I. Packer, O Conhecimento de Deus, São Paulo: Mundo Cristão, 1980, p. 121.

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 5 obstante sua pecaminosidade e indignidade pessoal, ele é aceito como justo com base no que Cristo fez por ele. 23 A justificação ocorre fora de nós, não produz nenhuma transformação espiritual em nosso ser; no entanto, é uma vocação incondicional à santificação, conforme a vontade de Deus. 24 A justificação nos livra da condenação do pecado. 3. A Fé Salvadora: Fé salvadora é um dom da graça de Deus, através do qual somos habilitados a receber a Jesus Cristo como nosso único e suficiente Salvador e, a crer em todas as promessas do Deus Triúno, conforme estão registradas nas Escrituras. Esta é a genuína fé cristã. Ela está enraizada no coração que foi regenerado por Deus. A fé salvadora é obra de Deus e é direcionada para Deus, através de Cristo (Hb 12.2; 1Jo 5.1-5). 25 Contudo, devemos observar que nós não somos salvos pela fé, mas sim por Cristo Jesus através da fé. O Catecismo Menor de Westminster (1647) na questão 86, assim define: Fé em Jesus Cristo é uma graça salvadora, pela qual o recebemos e confiamos só nele para a salvação, como ele nos é oferecido no Evangelho. Vejamos agora, algumas de suas características: A) ORIGINA-SE NO PRÓPRIO DEUS: A fé salvadora é produto da graça de Deus que age através da Sua Palavra registrada na Bíblia (At 3.16; 18.27; Rm 10.17; Ef 2.8; 6.23; Fp 1.29; Hb 12.2; Tg 1.18; 1Pe 1.23). É através da Palavra que Deus nos gerou espiritualmente, tornando-nos Seus filhos. 23 Charles Hodge, Teologia Sistemática, p. 1115. 24 É certamente verdade que somos justificados em Cristo Tão-somente pela misericórdia divina, mas é igualmente verdade e correto que todos quantos são justificados são chamados pelo Senhor para que vivam uma vida digna de sua vocação. Portanto, que os crentes aprendam abraçá-lo, não somente para a justificação, mas também para a santificação, assim como ele se nos deu para ambos os propósitos, para que não venham a mutilá-lo com uma fé igualmente mutilada [J. Calvino, Exposição de Romanos, São Paulo: Paracletos, 1987, (Rm 8.13), p. 274]. Ver também: João Calvino, Efésios, (Ef 2.10), p. 63. 25 Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus... (Hb 12.2). Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo é nascido de Deus; e todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido. 2 Nisto conhecemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e praticamos os seus mandamentos. 3 Porque este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos; ora, os seus mandamentos não são penosos, 4 porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé. 5 Quem é o que vence o mundo, senão a- quele que crê ser Jesus o Filho de Deus? (1Jo 5.1-5).

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 6 A fé salvadora exige conhecimento da Palavra de Deus. A fé é uma relação de confiança; como acreditar em alguém que não conhecemos? A fé consiste no conhecimento do Pai e do Filho pelo testemunho do Espírito (Jo 17.3/Jo 15.26; 16.13-14). A fé não consiste na ignorância, senão no conhecimento; e este conhecimento há de ser não somente de Deus, senão também de Sua divina vontade. 26 É impossível crer e nos relacionar pessoalmente com um Deus desconhecido. B) É DIRECIONADA PARA DEUS E À SUA PALAVRA: 1) DEUS PAI ATRAVÉS DO FILHO: Biblicamente falando, a fé salvadora é uma fé Teológica e, esta é Cristocêntrica. A teocentricidade da fé é cristocêntrica. Crer no Pai é o mesmo que crer no Filho (Jo 5.24; 12.44; 14.1; Mc 11.22; At 20.21; Rm 3.22, 26; 4.24; Gl 2.20; 1Pe 1.21; 1Jo 3.23). Sem Jesus Cristo o Pai continua inacessível a nós (Lc 10.22; Jo 8.12; 14.6; 1Tm 2.5; 6.16). Uma fé supostamente depositada no Pai sem a aceitação do Filho como Senhor e Salvador, não é a genuína fé bíblica: É impossível ter a Deus como Pai sem o Filho como irmão primogênito (Rm 8.29). 27 O objetivo final de nossa fé é Deus mesmo; mas vemos a Sua glória através de Cristo, o qual é o caminho divinamente designado para revelar a glória de Deus. 28 2) TODA A PALAVRA: O evangelho da vossa salvação é para ser crido (Ef 1.13). Por isso, a pregação cristã nada mais é do que a proclamação do Evangelho; o Poder de Deus para a salvação (Rm 1.16). A pregação (...) é o instrumento divino para a salvação das pessoas. 29 Sem a Palavra, Jesus se constitui no caminho desconhecido para o Pai (Jo 20.30-31/Jo 14.6). 30 26 J. Calvino, As Institutas, III.2.2. 27 Por meio da fé, Cristo nos é comunicado, através de quem chegamos a Deus, e através de quem usufruímos os benefícios da adoção [João Calvino, Efésios, (Ef 1.8), p. 30]. 28 John Owen, A Glória de Cristo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1989, p. 23. 29 Ph. J. Spener, Mudança para o Futuro: Pia Desideria, Curitiba, PR./São Bernardo do Campo, SP.: Encontrão Editora/Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião, 1996, p. 118. 30 Não há outro guia para a verdade, senão a Bíblia, na medida em que o Espírito nos ajuda a entendê-la (William Guthrie, As Raízes de Uma Fé Autêntica, São Paulo: PES., 1994, p. 14).

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 7 A Palavra de Deus reclama a nossa fé (Vd. Mc 1.15; Jo 5.45-47; 31 17.20; At 4.4; Rm 10.8,14,17; Ef 1.13; 1Tm 1.15; 4.9). 32 O que Deus revelou e prometeu é para ser crido (Rm 4.20). O que qualifica a genuína fé, não é simplesmente o ato de crer ou, a sua intensidade; mas sim, o seu foco: Jesus Cristo é o conteúdo, o substantivo da Promessa; por isso, crer no Evangelho, significa crer em Jesus Cristo (Mc 1.15/Rm 15.20; At 16.31). 33 Jesus Cristo conforme O conhecemos no Evangelho é a Palavra Final de Deus: Nele conhecemos o que Deus quer que saibamos e o que deseja que sejamos nesta vida. Todavia, se Deus não abrir o entendimento dos homens, eles jamais crerão, como nós também jamais teríamos crido um dia; por isso, a proclamação do Evangelho deve vir acompanhada da oração. 3) APÓIA-SE NO PODER E FIDELIDADE DE DEUS: O fundamento da fé é o Deus fiel: Aquele que a gerou e a sustenta (1Co 2.4,5; Hb 11.11; 1Pe 1.21). 34 A nossa fé encontra o seu amparo na veracidade e fidelidade de Deus. A fidelidade de Deus se revela nas Suas promessas, como expressão de Sua fidelidade a Si mesmo. "A fé verdadeira é aquela que ouve a Palavra de Deus e descansa em Sua promessa" 35 (Vejam-se: Rm 10.8,14,15,17; 1Co 15.1-2; Cl 1.23; Hb 4.2). As Escrituras nos desafiam a confiar em Deus, depositando no Deus soberano toda a nossa ansiedade. É importante que tenhamos sempre diante de nós a certeza de que o poder de Deus é algo concreto e real em nossa vida diária, no nosso sustento e preservação. Essa compreensão de fé deve guiar a nossa perspectiva da realidade e, consequentemente a nossa atuação no mundo. Calvino observa que as 31 45 Não penseis que eu vos acusarei perante o Pai; quem vos acusa é Moisés, em quem tendes firmado a vossa confiança. 46 Porque, se, de fato, crêsseis em Moisés, também creríeis em mim; porquanto ele escreveu a meu respeito. 47 Se, porém, não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras? (Jo 5.45-47). Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra (Jo 17.20). 32 Vd. J. Calvino, As Institutas, III.2.1. 33 A fé que nos traz à salvação é questão de querer a Cristo, ser levado a Ele, apoiar-se e ter confiança nele (William Guthrie, As Raízes de Uma Fé Autêntica, p. 26). 34 4 A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, 5 para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus (1Co 2.4-5). Pela fé, também, a própria Sara recebeu poder para ser mãe, não obstante o avançado de sua idade, pois teve por fiel aquele que lhe havia feito a promessa (Hb 11.11). Que, por meio dele (Jesus Cristo), tendes fé em Deus, o qual o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de sorte que a vossa fé e esperança estejam em Deus (1Pe 1.21). 35 J. Calvino, Exposição de Hebreus,(Hb 11.11), p. 318. Vejam-se também, Ibidem, (Hb 10.23), p. 270; João Calvino, Gálatas, São Paulo: Paracletos, 1998, (Gl 2.2), p. 49. A fé é um conhecimento firme e certo da vontade de Deus concernente a nós, fundamentado sobre a verdade da promessa gratuita feita em Jesus Cristo, revelada ao nosso entendimento e selada em nosso coração pelo Espírito Santo (J. Calvino, As Institutas, III.2.7). (Calvino explica detalhadamente esta definição a partir do Livro III, capítulo 2, seção 14ss). Ver: Juan Calvino, Sermones Sobre La Obra Salvadora de Cristo, Jenison, Michigan: T.E.L.L. 1988, Sermon nº 13, p. 156.

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 8 pessoas erram clamorosamente na interpretação da Escritura, deixando inteiramente suspensa a aplicação de tudo quanto se diz acerca do poder de Deus e em não descansar certas de que ele será também seu Pai, uma vez que fazem parte de seu rebanho e são partícipes de sua adoção. 36 4. Graça, Fé e Justificação: Graça pode ser definida como um favor imerecido, manifestado livre e continuamente por Deus aos pecadores que se encontravam num estado de depravação e miséria espirituais, merecendo o justo castigo pelos seus pecados 37 (Rm 4.4/Rm 11.6; Ef 2.8,9). 38 Calvino, diz que a graça é um antídoto contra a corrupção de nossa natureza. 39 Em outro lugar: O acesso à salvação a ninguém é vetado, por mais graves e ultrajantes sejam seus pecados. 40 A nossa salvação é decorrente do Pacto da Graça, através do qual Deus confiou o Seu povo ao Seu Filho para que Este viesse entregar a Sua vida por ele. Cristo deu a Sua vida em favor de todos aqueles que o Pai Lhe confiara na eternidade 41 (Is 42.6/2Tm 1.9; Jo 6.39; 42 17.1,6-26). Assim, todos os homens judeus e gentios tanto no Antigo como no Novo Testamento fo- 36 João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, Vol. 2, (Sl 46.7), p. 336. 37 Vejam-se outras definições em: A.W. Pink, Os Atributos de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1985, p. 69; Idem., Deus é Soberano, São Paulo: Fiel, 1977, p. 24; A. Booth, Somente pela Graça, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1986, p. 31; João Calvino, Exposição de Romanos, (Rm 5.15), p. 193; R.P. Shedd, Andai Nele, São Paulo: ABU., 1979, p. 15; W. Hendriksen, 1 y 2 Timoteo/Tito, Grand Rapids, Michigan: S.L.C., 1979, (Tt 2.11), p. 419; L. Berkhof, Teologia Sistemática, p. 74; W. Barclay, El Pensamiento de San Pablo, Buenos Aires: La Aurora, 1978, p. 154; L. Boettner, Predestinación, Grand Rapids, Michigan: S.L.C., [s.d.], p. 258; D.M. Lloyd- Jones, Por que Prosperam os Ímpios, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1983, p. 103; J.I. Packer, O Conhecimento de Deus, p. 120; Tom Wells, Fé: Dom de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1985, p. 101; Samuel Falcão, Predestinação, São Paulo: Casa E- ditora Presbiteriana, 1981, p.100-101; James Moffatt, Grace in the New Testament, New York: Ray Long & Richard R. Smith. Ind., 1932, p. 5; Wayne A. Grudem, Teologia Sistemática, p. 146, 147; John Gill, A Complete Body of Doctrinal and Practical Divinity, The Collected Writings of: John Gill, [CD- ROM], (Albany, OR: Ages Software, 2000), I.13. p. 195-196. 38 Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e sim como dívida (Rm 4.4). E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça (Rm 11.6). Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie (Ef 2.8,9). 39 João Calvino, Romanos, 2ª ed. São Paulo: Parakletos, 2001, (Rm 3.4), p. 111. 40 João Calvino, As Pastorais, São Paulo: Paracletos, 1998, (1Tm 1.15), p. 43. 41 Veja-se: John Gill, A Complete Body of Doctrinal and Practical Divinity, Arkansas: The Baptist Standard Bearer, 1989 (Reprinted), I.13. p. 83. [John Gill, A Complete Body of Doctrinal and Practical Divinity, The Collected Writings of: John Gill, [CD-ROM], (Albany, OR: Ages Software, 2000), I.13]. 42 Eu, o SENHOR, te chamei em justiça, tomar-te-ei pela mão, e te guardarei, e te farei mediador da aliança com o povo e luz para os gentios (Is 42.6). Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos (2Tm 1.9). E a vontade de quem me enviou é esta: que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia (Jo 6.39).

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 9 ram salvos pela graça. Assim declara o Apóstolo Paulo: Mas cremos que fomos salvos pela graça do Senhor Jesus, como também aqueles o foram (At 15.11). Mérito e graça são conceitos que se excluem: E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça (Rm 11.6). A graça divina e o mérito das obras humanas são tão opostos entre si que, se estabelecermos um, destruiremos o outro, conclui Calvino (1509-1564). 43 De fato, a graça tem sempre como pressuposto a indignidade daquele que a recebe. 44 A graça brilha nas trevas do pecado; desta forma, a idéia de merecimento está totalmente excluída da salvação por graça (Ef 2.8,9; 2Tm 1.9). 45 Não há mérito humano na fé. A Palavra de Deus nos ensina que a nossa salvação é por Deus, porque é Ele Quem faz tudo; 46 por isso, o homem não pode criar a graça, antes, ela lhe é outorgada, devendo ser recebida sem torná-la vã em sua vida (2Co 6.1; 8.1/1Co 15.10). Uma manifestação mais intensa da graça de Deus para conosco eqüivale um maior peso de culpa sobre nós, se porventura viermos a desprezá-la. 47 A graça de Deus abre o nosso coração, fazendo-nos ver a necessidade da salvação, passando a desejá-la ardentemente desde então; 48 a graça de Deus promove a paz em nosso coração através da nossa reconciliação com Deus (Rm 5.1; 2Co 5.18-21/Rm 1.7; 1Co 1.3; 2Co 1.2). Em paz com Deus, somos agenciadores desta paz a- través da proclamação do Evangelho (Sl 34.14; Mt 5.9; Rm 12.18; 2Co 13.11; Hb 12.14/2Co 5.20) e, também, através de nossa conduta. Agora vivemos na esfera do Reino da graça, estando sob a graça, num estado de graça, numa nova posição em Cristo (Rm 5.2; 6.14; Ef 1.20; 2.6; Cl 1.13). A Escritura nos ensina que somos declarados justos pela justiça de Cristo. Conforme vimos, a justificação nos transfere de uma condição de condenado para a de herdeiro de Deus (Jo 3.18; At 13.39; Rm 3.28,30; 5.1; Gl 2.16; 3.24/Rm 8.1,7). Na regeneração recebemos um coração novo, com uma santa disposição; na justifica- 43 J. Calvino, Exposição de Romanos, (Rm 11.6), p. 388. 44 Veja-se: A. Booth, Somente pela Graça, p. 13. 45 Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de o- bras, para que ninguém se glorie (Ef 2.8,9). Que nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sua própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos (2Tm 1.9). 46 "... Em sua inteireza a nossa salvação procede do Senhor. É sua realização. Ele mesmo a- presenta Sua noiva a Si mesmo porque ninguém mais pode fazê-lo, ninguém mais é competente para fazê-lo. Somente Ele pode fazê-lo. Ele fez tudo por nós, do princípio ao fim, e concluirá a obra apresentando-nos a Si mesmo com toda esta glória aqui descrita" [D.M. L- loyd-jones, Vida No Espírito: No Casamento, no Lar e no Trabalho, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1991, (Ef 5.27) p. 137]. Do mesmo modo acentua Murray: A salvação é do Senhor, tanto em sua aplicação como em sua concepção e realização (John Murray, Redenção: Consumada e Aplicada, p. 98). Vejam-se, R.B. Kuiper, El Cuerpo Glorioso de Cristo, Michigan: SLC., 1985, p. 169ss; 177ss.; C.H. Spurgeon, Sermões Sobre a Salvação, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1992, p. 12ss. 47 João Calvino, Gálatas, São Paulo: Paracletos, 1998, (Gl 4.9), p. 127. 48 A graça de Deus não só salva o homem: também mostra ao homem sua necessidade de ser salvo e introduz em seu coração o desejo de salvação (W. Barclay, El Pensamiento de San Pablo, Buenos Aires: La Aurora, 1978, p. 164).

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 10 ção Deus nos declara justos, perdoando todos os nossos pecados em Cristo. Já não há nenhuma condenação sobre nós; fomos reconciliados com Deus; estamos em paz com Deus respaldados pela justiça de Cristo (Vd. Rm 5.1; 8.1,31-33). O preço de nossa justificação, para nós gratuita, foi o sangue de Cristo Jesus. A nossa justificação é pela graça mediante a fé (Gl 3.11; Fp 3.9; Tt 3.4-7). "...A fé é o instrumento pelo qual o pecador recebe e aplica a si tanto Cristo como sua justiça". 49 A alegria espiritual é o resultado da nossa comunhão com Deus (Rm 5.1; 1Pe 1.6-9). 50 A alegria do Espírito é inseparável da fé, afirmou corretamente Calvino. 51 Aplicações Finais: 1) O pecado é universal: todos pecaram. O pecado nos aliena de Deus fazendonos caminhar em sentido oposto à Sua vontade. 2) A graça de Deus se manifesta em Cristo, Aquele que levou sobre Si os nossos pecados. Se Deus perdoasse o pecado sem contudo ministrar sua justiça, deixaria de ser Deus. A maravilha deste plano é que Deus, ao colocar os nossos pecados sobre Cristo e ao tratar deles punindo-os em Cristo, pode perdoar-nos e ainda ser justo. Ele puniu o pecado, não o esqueceu, não o ignorou. 52 3)A verdadeira fé é aquela que ouve a Palavra de Deus e descansa perseverantemente nas Suas promessas. 4) A fé salvadora é a boa obra do Espírito Santo em nós, baseando-se nos feitos do Pai e do Filho: A fé é resultado do ministério da Trindade em favor do Seu Povo. 5) É pela graça, mediante a fé, que tomamos posse da justiça de Cristo através da qual podemos dizer que já não há nenhuma condenação para nós: estamos em Cristo Jesus; portanto, em paz com Deus. Romanos 5.1-2: Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo; 2 por intermédio de quem obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes; e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus. Romanos 5.8-11: Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. 9 Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. 10 Porque, se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte do seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida; 49 Catecismo Maior de Westminster, Pergunta 73. 50 Quanto à desconfiança puritana do excesso de alegria, Vd. J.I. Packer, Entre os Gigantes de Deus: uma Visão Puritana da Vida Cristã, São José dos Campos, SP.: Fiel, 1996, p. 197-198. 51 João Calvino, O Livro dos Salmos, São Paulo: Paracletos, 1999, Vol. 2, (Sl 51.8-9), p. 436. 52 D.M Lloyd-Jones, Salvos desde a Eternidade, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2005 (Certeza Espiritual: Vol. 1), p. 53.

Justificados, pois, mediante a fé... (Rm 5.1) Rev. Hermisten 3/4/2008 3:11 11 11 e não apenas isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, por intermédio de quem recebemos, agora, a reconciliação. Romanos 8.1-4: Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. 2 Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte. 3 Porquanto o que fora impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, 4 a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Romanos 8.31-34: 31 Que diremos, pois, à vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós? 32 Aquele que não poupou o seu próprio Filho, antes, por todos nós o entregou, porventura, não nos dará graciosamente com ele todas as coisas? 33 Quem intentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem os justifica. 34 Quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós. São Paulo, 20 de outubro de 2007. Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa