MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO



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MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO, ORÇAMENTO E GESTÃO Secretaria de Gestão Pública Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal Coordenação-Geral de Elaboração, Orientação e Consolidação das Normas NOTA TÉCNICA Nº 72/2012/CGNOR/DENOP/SEGEP/MP ASSUNTO:Acumulação de Cargos SUMÁRIO EXECUTIVO 1. Trata-se de processo referente à acumulação de cargos da servidora pública XXXXXXXXXXXXXXXXXX, aposentada no cargo de Auxiliar Operacional de Serviços Diversos, classe S, padrão III, do quadro de Pessoal do Ministério da Saúde, com o cargo de Técnico em Enfermagem, classe D, padrão 101, do Quadro de pessoal da Universidade Federal do Ceará, ambos com jornada de trabalho de 40 horas semanais. ANÁLISE 2. O Departamento de Administração de Sistemas de Informações de Recursos Humanos Coordenação-Geral de Cadastro, desta Secretaria de Gestão Pública, encaminha o presente processo para manifestação quanto do entendimento daquela Superintendência/EFCE, vez que apesar da Portaria de nomeação está (sic)se referindo ao cumprimento de decisão judicial, a Ação não consta no processo apenas as considerações legais, e ademais as Notas Técnicas nºs 41 e 370/2011 dessa procedência, se referem ao acúmulo de dois cargos privativos de saúde, quando ativos. (fls. 43). 3. Ressalte-se que a Superintendência de Recursos Humanos da Universidade Federal do Ceará, por meio do Documento de fls. 33/41, concluiu pela possibilidade da acumulação dos cargos pela servidora em questão, razão pela qual encaminhou o processo àquele Departamento, tão somente para liberação sistêmica e com vistas à implementação da folha de pagamento. 4. Acerca da situação funcional da servidora, importa esclarecer o seguinte:

a) por meio da Portaria n 721, de 13 de setembro de 2011 (fls. 31/32), foi concedida sua aposentadoria voluntária integral, no cargo de Auxiliar Operacional de Serviços Diversos, classe S, padrão III, carga horária de 40 horas semanais, vinculado ao quadro de pessoal do Ministério da Saúde; b) solicitou exoneração do cargo de Auxiliar de Enfermagem, que ocupava no Hospital São José de Doenças Infecciosas do Estado do Ceará (fls. 30); c) por força da decisão judicial exarada no Processo n 2005.81.00.020337-8, após se submeter a concurso público Edital nº 51/2003/UFC, foi aprovada e nomeada para o cargo de Técnico em Enfermagem no quadro de pessoal da Universidade Federal do Ceará (fls. 47/48). 5. Pois bem. A dúvida do Departamento de Administração de Sistemas de Informações de Recursos Humanos Coordenação-Geral de Cadastro, desta Secretaria de Gestão Pública consiste, em suma, na possibilidade de acumulação de proventos decorrentes do cargo de Auxiliar Operacional de Serviços Diversos - AOSD - área de atendimento, com os vencimentos do cargo de Auxiliar de Enfermagem. 6. O primeiro aspecto a ser abordado se refere à possibilidade de acumulação do cargo de AOSD - área de atendimento, com cargo o de Auxiliar de Enfermagem. 7. A Constituição Federal de 1988, em seu art. 37, inciso XVI e alíneas, admite, em caráter excepcional, a acumulação remunerada de cargos, desde que em qualquer das hipóteses seja observado o pressuposto da compatibilidade de horários, verbis: XVI - é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de horários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) a) a de dois cargos de professor; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) b) a de um cargo de professor com outro técnico ou científico; (Incluída pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) c) a de dois cargos ou empregos privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamentadas; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 34, de 2001) XVII - a proibição de acumular estende-se a empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder público; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)

10. É vedada a percepção simultânea de proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts. 42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pública, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Constituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados em lei de livre nomeação e exoneração.(incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) 8. Sobre a matéria, a Lei n 8.112 de 11 de dezembro de 1990, assevera: Art. 118. Ressalvados os casos previstos na Constituição, é vedada a acumulação remunerada de cargos públicos. 1 o A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos e funções em autarquias, fundações públicas, empresas públicas, sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal, dos Estados, dos Territórios e dos Municípios. 2 o A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicionada à comprovação da compatibilidade de horários. 3 o Considera-se acumulação proibida a percepção de vencimento de cargo ou emprego público efetivo com proventos da inatividade, salvo quando os cargos de que decorram essas remunerações forem acumuláveis na atividade. 9. Vê-se, então, que a acumulação de cargos e proventos somente é permitida, desde que os cargos, empregos ou funções que se pretendem acumular sejam acumuláveis na atividade, condicionada à existência de compatibilidade de horários. 10. Especificamente sobre o cargo de AOSD área de atendimento, o extinto Departamento de Recursos Humanos do Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social INAMPS, por intermédio do PARECER Nº 346, de 1991, publicado no Diário Oficial da União de 22 de novembro de 1991, manifestou-se no sentido de que os servidores ocupantes do referido cargo exercem atividades análogas às dos demais profissionais de saúde. Tal entendimento baseou-se em análise das atribuições inerentes à classe C, as quais cumpre transcrever: 1. Colocar os pacientes em de exame. 2. Auxiliar na alimentação e deambulação de pacientes e atender seus chamados. 3. verificar a temperatura e a pulsação e executar banhos de leito em pacientes que não requeiram cuidados especiais. 4. Preparar a unidade de pacientes e o ambiente das salas de exames de curativos e de injeção. 5. Limpar e preparar o material para esterilização. 6. Encaminhar recipientes contendo sangue, urina, fezes, escarro, para exame de laboratório. 7. Transportar doentes para salas de operações ou enfermaria. 8.Transportar doentes trazidos em ambulância, ajudando o motorista inclusive na contenção de doentes agitados. 9. Remover cadáveres das enfermarias para o necrotério, colocando-os ba geladeira, se for o caso. 10. Levar os receituários à farmácia, conferir medicamentos e material de consumo procedentes de ínvio do almoxarifado, distribuindo-os pela enfermagem ou consultórios e ambulatórios. 11. Executar outras tarefas semelhantes.

11. Deste modo, a situação posta em análise, qual seja a acumulação de dois cargos de profissionais de saúde, AOSD área de atendimento e de Auxiliar de Enfermagem, encontra amparo no permissivo constitucional da alínea c do inciso XVI do art. 37. 12. No que tange à possibilidade de acumulação dos proventos do cargo de AOSD área de atendimento com os vencimentos do cargo de Auxiliar de Enfermagem, a Advocacia-Geral da União, ao analisar situação semelhante, assim se pronunciou nos termos do Parecer GQ nº 54, de XXX: 16. Assim, quando o servidor já se encontra aposentado em um dos cargos, o requisito da compatibilidade de horários perde a sua razão de ser, pois, por óbvio, não haverá jornada de trabalho a cumprir neste se não há mais o seu exercício pelo inativo. Nas palavras diretas do Ministro Bilac Pinto, nessa hipótese -perde o sentido o requisito da compatibilidade de horários- (AI nº 46.230/SC). 17. E não se diga que esse entendimento viola a premissa estabelecida pela Suprema Corte no julgamento do RE nº 163.204/SP, quando, repita-se, afirmou-se que -a acumulação de proventos e vencimentos somente é permitida quando se tratar de cargos, funções ou empregos acumuláveis na atividade, na forma permitida pela Constituição-, porque, se o servidor estivesse em atividade nos dois cargos que pretende acumular, somente o confronto efetivo e permanente entre as jornadas de trabalho previstas para ambos poderia definir a existência real de compatibilidade de horários, ou não, procedimento que, mesmo que aplicado ao servidor aposentado, gerará sempre o mesmo resultado, porque todo o seu tempo laboral está disponível para o exercício do cargo no qual ainda está em atividade. 18. Diante dos fundamentos aqui apresentados, está o Parecer nº AGU/GQ 145 a merecer revisão parcial para tornar sem efeito apenas a parte final de seu último parágrafo. Nesse sentido, considerando que o mesmo foi aprovado pelo Excelentíssimo Senhor Presidente da República e publicado no Diário Oficial da União nos termos do artigo 40 1º da Lei Complementar nº 73/93, a eventual aprovação superior da presente manifestação deverá estar atribuída da mesma eficácia. 24. Em conclusão, a acumulação de proventos e vencimentos somente é permitida quando se tratar de cargos, funções ou empregos acumuláveis na atividade, na forma permitida pela Constituição- (RE 63.204/SP), bem como nas demais situações previstas no 10 do artigo 37 da Constituição, não incidindo, porém, nessa situação, o requisito da compatibilidade de horários.

13. Deste modo, haja vista que os cargos ocupados pela servidora XXXXXXXXXXXXXX são acumuláveis na atividade, e que não é condição sine qua non, em face da aposentadoria no cargo de AOSD área de atendimento, que haja compatibilidade de horários, conclui-se pela possibilidade da acumulação dos proventos do referido cargo com os vencimentos do cargo de Auxiliar de Enfermagem. CONCLUSÃO 14. Diante do exposto, sugere-se a restituição dos autos ao Departamento de Administração de Sistemas de Informações de Recursos Humanos Coordenação-Geral de Cadastro, desta Secretaria de Gestão Pública, para ciência e adoção das medidas sistêmicas necessárias. À consideração superior. Brasília, 30 de março de 2012. ARTUR MAURICIO SEZERIN Estagiário/DIPCC/CGNOR/SRH/MP SEBASTIANA ALVES LOPES Chefe da Divisão De acordo. À consideração da Senhora Diretora do Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal. Brasília, 30 de março de 2012. ANA CRISTINA SÁ TELES D ÁVILA Coordenadora-Geral de Elaboração, Sistematização e Aplicação das Normas De Acordo. À consideração da Senhora Secretária de Gestão Pública. Brasília, 02 de abril de 2012. VALÉRIA PORTO Diretora do Departamento de Normas e Procedimentos Judiciais de Pessoal Aprovo. Encaminhe-se na forma proposta. Brasília, 03 de abril de 2012. ANA LÚCIA AMORIM DE BRITO Secretária de Gestão Pública