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RECURSO ESPECIAL Nº MG (2013/ )

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Dados Básicos. Ementa. Íntegra. Fonte: Tipo: Acórdão STJ. Data de Julgamento: 19/03/2013. Data de Aprovação Data não disponível

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STJ - O Tribunal da Cidadania NÚMEROS DE ORIGEM PARTES E ADVOGADOS PETIÇÕES. Fonte:

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Transcrição:

RECURSO ESPECIAL Nº 1.198.479 - PR (2010/0114090-4) RELATORA : MINISTRA NANCY ANDRIGHI EMENTA DIREITO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. DÉBITOS CONDOMINIAIS. CONDENAÇÃO JUDICIAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICE APLICÁVEL. INPC. 1. Discussão relativa ao índice de correção monetária a ser adotado para atualização de débitos de condomínio, objeto de condenação. 2. Esta Corte decidiu que não há ilegalidade ou abusividade na adoção do IGP-M para atualização monetária de débitos, quando esse índice foi eleito pelas partes. 3. Na hipótese, a convenção de condomínio não prevê qual índice deverá ser adotado para atualização de débitos. 4. A correção pelo INPC é adequada à hipótese, além de estar em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido da utilização do referido índice para correção monetária dos débitos judiciais. Precedentes. 5. Recurso especial desprovido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da TERCEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas constantes dos autos, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a). Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Sidnei Beneti, Paulo de Tarso Sanseverino e Ricardo Villas Bôas Cueva votaram com a Sra. Ministra Relatora. Brasília (DF), 06 de agosto de 2013(Data do Julgamento) MINISTRA NANCY ANDRIGHI Relatora Documento: 1251298 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 22/08/2013 Página 1 de 7

RECURSO ESPECIAL Nº 1.198.479 - PR (2010/0114090-4) RELATÓRIO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Cuida-se de Recurso Especial interposto por CONDOMÍNIO POUSADA QUATRO BARRAS, com base no art. 105, III, c, da Constituição Federal, contra acórdão proferido pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ/PR). Ação: de cobrança de despesas de condomínio, ajuizada por CONDOMÍNIO POUSADA QUATRO BARRAS contra EDSON GONÇALVES DE OLIVEIRA. Sentença: julgou procedente o pedido para condenar o réu ao pagamento das despesas condominiais vencidas a partir de fevereiro de 2001, acrescidas das taxas condominiais que se venceram no curso da ação, acrescidas de correção monetária pelo IGP-M, juros de mora de 1% ao mês e multa convencional de 10%, com redução para 2% a partir da vigência do Código Civil, descontado o valor depositado nos autos da ação de consignação em pagamento, além das custas e honorários advocatícios fixados em 10% sobre o valor da condenação. Acórdão: deu parcial provimento ao recurso de apelação interposto por EDSON GONÇALVES DE OLIVEIRA, para fixar como índice de correção monetária o INPC, nos termos da seguinte ementa (e-stj fls. 212/219): AÇÃO DE COBRANÇA CONDOMÍNIO PROCEDÊNCIA APELAÇÃO CARÊNCIA DE AÇÃO E INÉPCIA DA INICIAL. PRELIMINARES AFASTADAS CITAÇÃO NA AÇÃO DE CONSIGNAÇÃO EM PAGAMENTO, EM DATA POSTERIOR A Documento: 1251298 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 22/08/2013 Página 2 de 7

PROPOSITURA DA PRESENTE AÇÃO INADIMPLÊNCIA CARACTERIZADA INCIDÊNCIA DA CORREÇÃO MONETÁRIA, JUROS DE MORA E MULTA NOS TERMOS DO 3º DO ART. 12 DA LEI Nº 4591/64 E DA CONVENÇÃO DE CONDOMÍNIO UTILIZAÇÃO DO INPC COMO ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA AUSÊNCIA DE LITIGÂNCIA DE MÁ-FÉ- RECURSO PARCIALMENTE CONHECIDO E, NA PARTE CONHECIDA, PARCIALMENTE PROVIDO. Recurso especial: interposto por CONDOMÍNIO POUSADA QUATRO BARRAS com base na alínea c do permissivo constitucional (e-stj fls. 223/241), alega a existência de dissídio jurisprudencial entre o acórdão recorrido e os seguintes acórdãos: (i) proferido por esta Corte nos EDcl no REsp n.º 64.570/RS, que teria admitido válida a aplicação do IGP-M como índice de correção monetária para o reajuste de taxas condominiais; (ii) proferido pelo Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, nas apelações cíveis n.º 70015257777; n.º 70013054432; n.º 70005469515; n.º 70011382058; e n.º 70004828554, em sede das quais teria sido reconhecida a ausência de abusividade ou ilegalidade na aplicação do IGP-M para correção do valor das cotas condominiais, por se tratar de índice que melhor reflete a variação da moeda e repõe as perdas inflacionárias. Exame de admissibilidade: o recurso foi admitido na origem pelo TJ/PR (e-stj fls. 353/354). É o relatório. Documento: 1251298 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 22/08/2013 Página 3 de 7

RECURSO ESPECIAL Nº 1.198.479 - PR (2010/0114090-4) RELATORA : MINISTRA NANCY ANDRIGHI VOTO A EXMA. SRA. MINISTRA NANCY ANDRIGHI (Relatora): Cinge-se a controvérsia verificar se, na hipótese, está correto o índice de atualização monetária eleito pelo TJ/PR para corrigir o débito judicial correspondente a dívidas condominiais. I Do índice de correção monetária. Os acórdãos paradigmas apontados pelo recorrente reconhecem a possibilidade de aplicação do IGP-M para a atualização monetária dos débitos condominiais. Ademais, esta Corte, em diversos outros julgados, já decidiu que nenhuma ilegalidade ou abusividade existe na adoção do IGP-M para atualização monetária de débitos quando esse índice foi eleito pelas partes. Nesse sentido, confira-se: Contrato de compra e venda de imóvel. Renegociação da dívida. Índice de correção monetária. Abusividade. IGPM e INPC. 1. A opção das partes contratantes pelo IGPM, incluída a renegociação, não revela qualquer abusividade, sendo o índice eleito perfeitamente legal, de uso corrente, admitido pela jurisprudência da Corte em diversos julgados. 2. Recurso especial conhecido e provido. (REsp 403.028/DF, Rel. Ministro Carlos Alberto Menezes Direito, Terceira Turma, julgado em 12/12/2002, DJ 10/03/2003) No mesmo sentido: REsp 1352467, Rel. Min. Massami Uyeda, DJe Documento: 1251298 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 22/08/2013 Página 4 de 7

de 13.11.2012; AREsp 128089, Rel. Min. Massami Uyeda, DJe de 06.11.2012; AgRg no REsp 761275/DF, Rel. Ministro Luis Felipe Salomão, Quarta Turma, DJe 26/02/2009, entre outros. A peculiaridade da hipótese, contudo, reside no fato de que, segundo o Tribunal de origem, não existe nenhuma previsão na convenção de condomínio a respeito de qual índice deve ser utilizado para a atualização monetária dos débitos. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Sistema Nacional de Índices de Preços ao Consumidor - SNIPC efetua a produção contínua e sistemática de índices de preços ao consumidor, tendo como unidade de coleta estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionária de serviços públicos e domicílios (para levantamento de aluguel e condomínio). Por sua vez, os Índices Gerais de Preços da Fundação Getúlio Vargas registram as variações de preços de matérias-primas agropecuárias e industriais, de produtos intermediários e de bens e serviços finais, apresentando-se em três versões: Índice Geral de Preços - 10 (IGP-10), Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) e Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGP-DI), conforme o período de coleta das informações para cálculo do índice. Segundo a FGV, apesar de o IGP-M, quando foi concebido, ter tido como princípio ser um indicador para balizar as correções de alguns títulos emitidos pelo Tesouro Nacional e Depósitos Bancários com renda pós fixadas acima de um ano, posteriormente, passou a ser o índice utilizado para a correção de contratos de aluguel e como indexador de algumas tarifas como energia elétrica. Daí porque, de fato, não existe ilegalidade ou abusividade na sua adoção para correção de débitos condominiais, desde que, frise-se, tenha havido prévia pactuação das partes. Documento: 1251298 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 22/08/2013 Página 5 de 7

Não sendo essa a hipótese dos autos, verifica-se que a correção do débito pelo INPC, conforme determinado pelo acórdão recorrido, é adequada à hipótese, além de estar em consonância com a jurisprudência do STJ, no sentido da utilização do referido índice para correção monetária dos débitos judiciais. Nesse sentido: PROCESSUAL CIVIL E CIVIL. EXECUÇÃO. EMBARGOS DO DEVEDOR. HONORÁRIOS DE. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. ÍNDICES A SEREM ADOTADOS. JUROS MORATÓRIOS LEGAIS. CAPITALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. - A jurisprudência do STJ pacificou-se no sentido de que a atualização monetária dos débitos judiciais deve ser feita de acordo com os seguintes índices: IPC-IBGE, no período de março de 1989 a fevereiro de 1991, INPC-IBGE de março de 1991 a junho de 1994, IPC-r/IBGE de julho de 1994 a junho de 1995 e INPC-IBGE, a partir de julho de 1995. - Não se admite a capitalização anual dos juros moratórios legais porque não há previsão legal específica. Recurso especial parcialmente conhecido e provido. (REsp 775.383/RJ, de minha relatoria, TERCEIRA TURMA, julgado em 10/08/2006, DJ 30/10/2006, p. 301) PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ESCLARECIMENTOS. I - Na esteira da jurisprudência desta Corte, utiliza-se o INPC como índice de correção monetária de débitos judiciais em liquidação de sentença. II - Fixados os honorários advocatícios no percentual de 15% sobre o valor da causa, estes terão por base de cálculo o valor atualizado dos embargos à execução, incidindo a correção pelo INPC a partir da propositura da ação. Embargos de declaração acolhidos, com finalidade apenas aclaratória. (EDcl no REsp 506889/MT, Rel. Ministro CASTRO FILHO, TERCEIRA TURMA, julgado em 15/02/2005, DJ 14/03/2005, p. 321) Assim também: AgRg nos EDcl no REsp 1180886, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, DJe de 13.09.2012; EDcl no REsp 337094/MG, Rel. Humberto Gomes de Barros, Terceira Turma, DJ de 29.05.2006; EDcl no REsp 506889/MT, Rel. Min. Castro filho, 3ª Turma, DJ de 14.03.2005. Forte nestas razões, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial. Documento: 1251298 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 22/08/2013 Página 6 de 7

CERTIDÃO DE JULGAMENTO TERCEIRA TURMA Número Registro: 2010/0114090-4 PROCESSO ELETRÔNICO REsp 1.198.479 / PR Números Origem: 13122001 2859236 285923600 285923601 PAUTA: 06/08/2013 JULGADO: 06/08/2013 Relatora Exma. Sra. Ministra NANCY ANDRIGHI Presidente da Sessão Exmo. Sr. Ministro PAULO DE TARSO SANSEVERINO Subprocurador-Geral da República Exmo. Sr. Dr. JOSÉ BONIFÁCIO BORGES DE ANDRADA Secretária Bela. MARIA AUXILIADORA RAMALHO DA ROCHA AUTUAÇÃO ASSUNTO: DIREITO CIVIL - Coisas - Propriedade - Condomínio em Edifício - Despesas Condominiais CERTIDÃO Certifico que a egrégia TERCEIRA TURMA, ao apreciar o processo em epígrafe na sessão realizada nesta data, proferiu a seguinte decisão: A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a) Relator(a). Os Srs. Ministros João Otávio de Noronha, Sidnei Beneti, Paulo de Tarso Sanseverino e Ricardo Villas Bôas Cueva votaram com a Sra. Ministra Relatora. Documento: 1251298 - Inteiro Teor do Acórdão - Site certificado - DJe: 22/08/2013 Página 7 de 7