O Olho - Funcionamento e Deficiências ANTONIO BORGES Noções de anatomia e fisiologia do sistema da visão O olho humano funciona como uma máquina fotográfica. Os raios de luz que o atingem são convergidos por duas lentes para serem focados na retina (área nervosa no fundo do olho, responsável pela captação das imagens). Essas duas lentes são a córnea, estrutura transparente localizada na parte mais anterior dos olhos com poder aproximado de 40 dioptrias (graus) e a outra é o cristalino, localizado no interior dos olhos com poder aproximado de 20 dioptrias. As duas juntas levam a formação da imagem sobre a retina. O cristalino pode, através da mudança de sua curvatura, modificar o ponto de foco para longe e perto, fenômeno denominado de acomodação. As imagens que chegam na retina são captadas por receptores de cores e formas chamados cones e bastonetes e enviadas ao cérebro através do nervo óptico, onde serão codificadas e interpretadas. A íris é a estrutura responsável pela cor dos olhos e através de seu fechamento ou abertura (semelhante ao diafragma da máquina fotográfica), regula a intensidade de luz que entra. [1]
Problemas visuais Apesar de não serem muitos os elementos do olho, basta que um deles não funcione para que seja caracterizado um problema visual. Por exemplo, as lentes podem ser levemente deformadas (o que produz o que chamamos de astigmatismo, em que a imagem se apresenta desigual), ou de curvatura exagerada para fora ou para dentro, fazendo com que a imagem não seja formada exatamente sobre a retina, mas à frente ou atrás dela (o que chamamos miopia ou hipermetropia). Pode ocorrer também um desalinhamento dos eixos dos dois olhos (o que chamamos de estrabismo). Felizmente, na atualidade, muitos problemas podem ser corrigidos através do uso de sistemas de lentes externas ao olho (óculos ou lente de contato), ou mesmo técnicas alternativas como ginásticas oculares. Mas há muitos problemas que não são solucionáveis tão facilmente: são esses os casos que conhecemos como "deficiências visuais". Problemas visuais mais comuns É fundamental que o professor se sinta capaz de detectar os problemas visuais mais comuns, encaminhando-o o aluno a um médico. Um aluno com problemas visuais será geralmente um aluno com baixo rendimento escolar. O professor deve ter total consciência de que, com muito mais freqüência que se imagina, o problema visual passa despercebido até mesmo pela família. Desta forma, ele deve fazer testes simples que permitem avaliar situações críticas, com todos os alunos e independentemente do grau escolar. Os testes mais simples consistem fundamentalmente em pedir para cada aluno descrever: um objeto distante; um desenho minúsculo ou um texto com letras bem pequenas; dar nome às cores de objetos verdes e vermelhos. As principais situações encontradas são: [2]
Conjuntivite é a inflamação da conjuntiva, que pode ser causada por muitas situaçoes, em especial: alergias; contaminação por água infectada por bactérias ou vírus, principalmente em praias e piscinas públicas; infecções oculares, o contágio ocorre por manipulação de material contaminado (como roupa ou secreções) proveniente de outras pessoas; quando corpos estranhos, como ciscos, entram nos olhos. O movimento das pálpebras e as lágrimas geralmente conduzem o cisco para o canto do olho, onde ele pode ser facilmente retirado, mas quando isso não acontece, só um médico deve removê-lo. Miopia - é um defeito da visão no qual a convergência final dos raios de luz que penetram pela córnea acaba ocorrendo num ponto à frente da retina. A pessoa míope tem dificuldade para ver de longe, mas enxerga bem de perto. Hipermetropia é um defeito da visão no qual a convergência final dos raios de luz que penetram pela córnea acaba ocorrendo num ponto atrás de retina. O resultado é o oposto da miopia: a pessoa enxerga mal de perto, e bem de longe. [3]
Presbiopia É como chamamos a diminuição da capacidade do olho de focalizar de perto em função da idade. Se inicia, na maioria das pessoas, a partir dos 40 anos. Astigmatismo é determinado por uma diferença entre a curvatura da porção vertical e a curvatura da porção horizontal da superfície anterior do olho, ou seja, da córnea. Às vezes, porém, as alterações na curvatura do olho características do astigmatismo são provocadas por acidentes ou doenças. Nistagmo Oscilações repetidas e involuntárias rítmicas de um ou ambos os olhos em algumas ou todas as posições de mirada, podendo ser originarias de labirintites, maculopatias ou catarata congênita, albinismo, e causas neurológicas entre outras. Estrabismo O estrabismo corresponde à perda do paralelismo entre os olhos, para dentro (convergente), para fora (divergente) ou verticalmente. Como compensação à visão dupla, provocada pela falta de alinhamento, um mecanismo cerebral produz uma "cegueira funcional" num dos olhos. Daltonismo É uma deficiência da visão das cores. Consiste na cegueira para algumas cores, principalmente para o vermelho e para o verde. Os daltônicos vêem o mundo em tonalidades de amarelo, cinza-azulado e azul. [4]
Deficiências visuais 1. Cegueira e visão subnormal. A caracterização mais abrangente distingue as deficiências visuais entre Cegueira e Visão Subnormal (também chamada de Baixa Visão), que são conceitos amplamente utilizados na educação especial, e que devem ser compreendidos perfeitamente por todos. Cegueira É considerado cego aquele que apresenta desde ausência de distinguir objetos através da visão, o que pode incluir ou não a perda da percepção luminosa. Sua aprendizagem se dará através da integração dos sentidos remanescentes preservados. Terá como principal meio de leitura e escrita o sistema Braille e os sistemas de computação com interface adaptativa, como o DOSVOX. Visão Subnormal ou Baixa Visão É considerado portador de baixa visão aquele que apresenta desde a capacidade de perceber luminosidade até o grau em que a deficiência visual interfira ou limite seu desempenho. Sua aprendizagem se dará através dos meios visuais, mesmo que sejam necessários recursos especiais, ou pelo uso do computador com interfaces adaptativas, incluindo especialmente sistemas de ampliação de tela e de síntese de voz. Deverá, no [5]
entanto, ser incentivado a usar seu resíduo visual nas atividades de vida diária sempre que possível, e também aprender a usar o sistema Braille. Na foto, vemos duas alunas do 3º ano do ensino médio com baixa visão, ambas iniciadas no BRAILLE e no DosVox, durante uma oficina de vivência na E.M. Altivo César. Elas são capazes de caminhar pela escola sem grande dificuldade, embora uma delas perceba melhor as portas e obstáculos físicos do que a outra. Ambas são incapazes de ler letras com corpo menor que 48. Elas preferem usar o computador nas suas tarefas escolares especialmente pela facilidade de interação com os professores e colegas. Mas a escola não disponibilizou computadores para elas durante esta oficina, e elas tiveram que usar um gravador e a escrita Braille para suas anotações. Tanto a cegueira total quanto a visão subnormal podem afetar a pessoa em qualquer idade. Bebês podem nascer sem visão e outras pessoas podem tornar-se deficientes visuais em qualquer fase da vida. A perda de visão pode ocorrer repentinamente de um acidente ou doença súbita, ou tão gradativamente que a pessoa atingida demore a tomar consciência do que está acontecendo. A deficiência visual também ocorre independentemente de sexo, religião, crenças, grupo étnico, raça, ancestrais, educação, cultura, saúde, posição social, condições de residência ou qualquer outra condição específica. A situação de pobreza, entretanto agrava imensamente as situações que poderiam ser minimizadas com atividades de prevenção, tratamento médico e acesso a informação. [6]
Causas mais freqüentes das deficiências visuais CAUSAS CONGÊNITAS Retinopatia da prematuridade - É o termo usado para designar as doenças degenerativas não inflamatórias da retina. No recém-nascido prematuro pode ocorrer a retinopatia da prematuridade, produzida pelo uso de oxigênio na incubadora que pode afetar o olho. As retinopatias mais freqüentes no adulto são: serosa central, por diabetes e por hipertensão arterial. Catarata congênita È o termo que se dá ao cristalino que se opacifica, e assim impede total ou parcialmente os raios de luz de chegarem à retina, prejudicando imensamente a visão. A catarata pode ser provocada por distúrbios senis mas existem formas congênitas, provocadas pela rubéola, infecções na gestação ou por fatores hereditários. Corioretinite por toxoplasmose na gestação inflamação da retina, membrana que é responsável pela captação da luz para transmissão ao nervo ótico. Retinose pigmentar A retinose pigmentar é uma degeneração progressiva dos fotorreceptores retinianos, que são as células sensíveis à luz. É mais comum na idade adulta. O paciente irá perceber alterações do seu campo visual, dificuldade de adaptação ao escuro (cegueira noturna) e diminuição da visão. É comum que a perda da visão ocorra de fora para dentro no campo visual, e a pessoa permaneça com visão central que vai diminuindo com o progresso da doença. Glaucoma congênito (hereditário ou por infecções) O glaucoma é uma alteração em que a pressão do líquido que preenche o globo ocular está anormalmente aumentada, além do que o olho pode tolerar. Quando essa pressão, chamada tensão intra-ocular, é maior do que o normal, aumenta consideravelmente o risco de que ocasione danos aos olhos. O glaucoma irá ocasionar lesão ao olho se não for tratado, pois a pressão intraocular aumentada comprometerá os vasos sangüíneos que nutrem as sensíveis estruturas visuais do fundo do olho e devido à falta de irrigação sangüínea adequada, as células da retina irão morrendo, provocando uma perda progressiva da visão e estreitamento do campo visual. Se o processo não for controlado, poderá levar à cegueira. [7]
CAUSAS ADQUIRIDAS Diabetes Deslocamento na retina Glaucoma Catarata Traumas oculares Degeneração senil Acidentes Situações causadas por violência ou pelo uso de armas. Doenças da córnea O Diabetes é caracterizado pelo mau funcionamento do pâncreas, órgão que produz a insulina que é responsável pelo metabolismo da glicose, das gorduras e das proteínas. A presença excessiva de açúcar no sangue, gera inúmeros danos a todo organismo, em especial à retina, provocando cegueira ao longo do tempo. Nos dias atuais a incidência de diabetes se constitui em grave problema de saúde pública no Brasil, dado o imenso número de pessoas que apresentam esta doença. Prognóstico, prevenção e tratamento das deficiências visuais A deficiência visual interfere em habilidades e capacidades e afeta não somente a vida da pessoa que perdeu a visão, mas também dos membros da família, amigos, colegas, professores, empregadores e outros. Entretanto, com tratamento precoce, atendimento educacional adequado, programas e serviços especializados, a perda da visão não significará o fim da vida independente e não ameaçará a vida plena e produtiva. A cegueira na infância é particularmente importante, seja pelos índices com que se apresenta nos países em desenvolvimento, seja por representar no futuro um encargo sócio-econômico muito grave. Principais formas de prevenção Vacinação da mulher contra rubéola Cuidado com animais domésticos (cães, gatos, galinhas) [8]
Detecção precoce das alterações visuais Triagem em berçário, creches e pré-escolas Observação de sinais, sintomas, posturas e condutas Aconselhamento genético Políticas públicas [9]