ALERGIAS AO LÁTEX...



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Transcrição:

ALERGIAS AO LÁTEX... UM PROBLEMA CADA VEZ MAIS PREOCUPANTE O látex, um componente da borracha natural produzido pela seringueira, é um produto com características especiais, por isso muito utilizadas em produtos hospitalares e laboratoriais, tais como luvas descartáveis, tubos, seringas, cateteres, roupas, bandagens, etc. Alguns usuários desses produtos podem desenvolver alergias às proteínas do látex, que vão desde reação alérgica discreta até reação fatal. COMPONENTES DO LÁTEX O látex da borracha natural é um produto processado e derivado da seiva leitosa da seringueira (Hevea braziliensis). O nosso maior produtor é o Estado de São Paulo. O látex produzido por células especiais é composto de diversas substâncias químicas, como lipídios, fosfolipídios (gorduras) e proteínas, estas as responsáveis pela sensibilização alérgica. Existem mais de 100 plantas capazes de produzir látex, mas poucas têm potencial para produzi-lo comercialmente como a seringueira. A seiva leitosa da seringueira começa o processo de estabilização, e para conservação do látex adiciona-se amônia. A seguir adiciona-se um antioxidante (fenilenodiamina) e os endurecedores (tiuram, carbamatos), os quais servem para dar as propriedades desejadas ao látex, que assim pode ser moldado em diferentes formas e tamanhos (bexigas, camisinhas, luvas...). O látex natural é diferente da borracha sintética, derivada do petróleo. Como a borracha sintética é diferente em composição, não apresenta risco aos indivíduos sensíveis ao látex. REAÇÕES ALÉRGICAS TARDIAS DERMATITE DE CONTATO:

a) Irritativa: uma pessoa pode apresentar irritação pelo uso de luvas de látex. As lesões se caracterizam por vermelhidão, secura e descamação nas mãos e, nos casos graves, vesículas (bolhas). Tais alterações também podem ser provocadas pelo suor e pela coceira embaixo da luva. Os resíduos de sabão ou de detergente em contato com a superfície cutânea prolongada também irritam e coçam. b) Alérgica: é uma resposta imune específica aos componentes adicionados ou naturais do látex. Esta resposta é conhecida como hipersensibilidade tardia. A dermatite alérgica eczematosa aguda do dorso da mão freqüentemente forma bolhas, as quais surgem em 48-96 horas após o uso de luvas de látex. A exposição repetida da pele ao látex a torna seca, descamativa e espessa. Os agentes provocadores da alergia são os aditivos químicos ou qualquer outra substância adicionada ao látex. As reações de contato irritante ou alérgica reduzem a barreira protetora da pele e aumentam a absorção de substâncias químicas e proteínas, aumentando o risco de uma pessoa tornar-se alérgica. REAÇÕES ALÉRGICAS IMEDIATAS As reações alérgicas imediatas são mediadas pelos anticorpos específicos da classe IgE antiproteínas do látex. Uma vez sensibilizada pelo látex, a pessoa pode desenvolver rinite, conjuntivite, urticária, angioedema, asma e, no caso grave, choque anafilático. Não é necessário o contato direto com produtos médicos para alguém se sensibilizar ao látex. As proteínas alergênicas ao látex são também absorvidas pelo talco das luvas, pois quando estas são batidas formam aerossol, que é inalado. A exposição direta do látex nas mucosas ou na superfície serosa também ocorre com o uso de cateteres ou de luvas usadas pelos médicos durante cirurgias, principalmente nas abdominais e urológicas. Reações anafiláticas graves têm ocorrido em pessoas sensibilizadas ao látex quando estas entram em contato com diferentes produtos vaginais e com luvas usadas em procedimentos médicos e tratamentos dentários.

REAÇÕES CRUZADAS Pessoas com alergia alimentar a banana, abacate, castanha, abricó, kiwi, mamão-papaia, maracujá, abacaxi, pêra, nectarina, ameixa, framboesa, melão, figo, uvas, batata crua, tomate e aipo também podem apresentar reação cruzada ao látex (Kurup et al, 1994). Alguns pacientes alérgicos ao látex poderão apresentar reações cruzadas com esses alimentos, enquanto outros não. Ownby e colaboradores (1994), avaliando 1000 doadores voluntários de sangue, identificaram 6,5% deles com anticorpos IgE antilátex específico e sem antecedentes alérgicos. AUMENTO DA PREVALÊNCIA As pessoas que trabalham em hospitais, clínicas e laboratórios médicos querem se proteger contra doenças infecciosas tais como as hepatites, a aids e outros agentes infecciosos. Pressupõe-se que o sangue e outros líquidos corpóreos humanos são potencialmente contagiosos e perigosos, por isso o uso de luvas de látex se tornou amplo. O resultado dessa política foi o aumento do número de funcionários e pacientes expostos aos produtos derivados do látex. INDENTIFICAÇÃO DE PACIENTES DE RISCO À ALERGIA AO LÁTEX O paciente que apresenta alergia ao látex deve documentar a ocorrência de reações aos produtos utilizados em cirurgia médica ou odontológica e aos produtos usados rotineiramente como luvas, roupas e brinquedos. As alergias mais comuns são dermatites de contato, urticária e angioedema, rinite, conjuntivite, asma e choque anafilático. Também os pacientes que apresentaram reações alérgicas/choque anafilático sem causa aparente em cirurgias, história de múltiplas cirurgias, reações a certos alimentos e história presente ou passada de doenças atópicas (asma, rinite e eczema) devem ser avaliados. PESSOAS A SEREM TESTADAS

Na pessoa a ser testada deve-se incluir o teste de sensibilidade aos aditivos da borracha e de reações alérgicas ao látex. Aditivos de borracha: pessoa com eczema ou dermatite de mãos expostas ao látex deve realizar consulta médica e os testes para documentar ou não a sensibilidade ao látex. Os testes mais apropriados nesses casos são os de contato in vivo, que são feitos e interpretados de acordo com técnica padronizada. O teste cutâneo imediato in vivo, feito e lido em 15-20 minutos, detecta anticorpos da classe IgE específico antilátex. Esse teste é feito na pessoa portadora de rinite, asma ou eczema. Teste de laboratório: é o exame in vitro para detectar anticorpos IgE no sangue de pacientes alérgicos ao látex. Este teste é feito quando os testes cutâneos imediatos forem considerados de risco ou quando os testes cutâneos não estiverem disponíveis. Consumidor dos seguintes alimentos, quando causam urticárias, coceira nos lábios e na garganta ou sintomas mais graves quando são ingeridos ou manipulados: Frutas que provocam reações do tipo imediato: Abacate Kiwi abacaxi Maçã Aipo Maracujá Ameixa Melão Avelã Nectarina Banana Papaia (mamão) Batatas (cruas) Pêra Castanha Pêssego Cenoura Tomates Cereja Uva damasco Figo Substâncias adicionadas ao látex que podem provocar dermatite:

Carba mix Etilenodiamina Imidazoldinil uréia mercaptobenzotiazol Mercapto mix Ortofenilenodiamina Tiuram mix Tricosan Látex da luva AS DÚVIDAS E PERGUNTAS DEVERÃO SER LEVADAS AO SEU ALERGISTA PARA ESCLARECIMENTO. IMPORTANTE As informações disponíveis no site www.alergiarespiratoria.com.br possui caráter informativo e educativo. No caso de consulta procurar seu médico de confiança para diagnóstico e tratamento. Dr. Luiz Carlos Bertoni Alergista - Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia (ASBAI) Membro - World Allergy Organization (WAO) CRM-PR 5779