INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA FLUMINENSE CAMPUS CAMPOS CENTRO GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA EM SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES DANUSA DOS SANTOS RODRIGUES DOUGLAS BENTO FARIA JONATHAN PESSANHA DE ALMEIDA AZEVEDO TELEFONIA MÓVEL: EVOLUÇÃO E DEPENDÊNCIA CAMPOS DOS GOYTACAZES, RJ Abril de 2015
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA FLUMINENSE CAMPUS CAMPOS CENTRO GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA EM SISTEMAS DE TELECOMUNICAÇÕES DANUSA DOS SANTOS DOUGLAS BENTO FARIA JONATHAN PESSANHA DE ALMEIDA AZEVEDO TELEFONIA MÓVEL: EVOLUÇÃO E DEPENDÊNCIA Monografia apresentada ao Instituto Federal Fluminense - IFF Campus Campos Centro como requisito parcial para conclusão do curso Superior de Tecnologia em Sistemas de Telecomunicações. Orientadora: Suélly Lima dos Santos M.Sc. CAMPOS DOS GOYTACAZES, RJ Abril de 2015
TELEFONIA MÓVEL: EVOLUÇÃO E DEPENDÊNCIA Monografia apresentada ao Instituto Federal Fluminense - IFF Campus Campos Centro como requisito parcial para conclusão do curso Superior de Tecnologia em Sistemas de Telecomunicações. Aprovada em 09 de abril de 2015. BANCA EXAMINADORA Profª. Suélly Lima dos Santos, MSc (Orientadora) Instituto Federal Fluminense-IFF/Campos Campus Centro Profª. Claudia Boechat Seufitelli, MSc Instituto Federal Fluminense - IFF/Campos Campus Centro Prof. Wilton do Nascimento Ribeiro Instituto Federal Fluminense - IFF/Campos Campus Centro Profª. Cintia de Lima Rangel, MSc Instituto Federal Fluminense - IFF/Campos Campus Centro CAMPOS DOS GOYTACAZES, RJ 2015
iv AGRADECIMENTO Agradecemos, Ao nosso Deus a quem podemos contar sempre. Ao Instituto Federal Fluminense (IFF), pela infraestrutura e apoio na nossa formação. À professora e coordenadora do curso Suélly Lima dos Santos, pelo convívio, pelo apoio, pela compreensão e pela amizade. A todos os professores do curso, que foram tão importantes nas nossas vidas acadêmicas e no desenvolvimento desta monografia. Aos colegas de curso pelo convívio e apoio, neste período de estudo, e por incentivo para continuar até a conclusão do curso. A todos os que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização deste trabalho. Aos familiares e amigos pelo incentivo e pelo apoio constantes. Nosso agradecimento e profundo respeito a todos.
v O homem nasce livre e em toda parte ele é acorrentado. Muitas vezes um homem acredita ser o mestre de outros, o que o torna nada mais que um escravo. Como esta mudança ocorreu? Eu não sei. Como posso legitimá-la? Para esta questão eu espero conseguir dar uma resposta. Rousseau, O Contrato social.
vi RESUMO O processo evolutivo da telefonia móvel transformou a comunicação. Além da própria internet, a tecnologia móvel é a base da principal revolução tecnológica do século XXI. Ao permitir ao usuário se comunicar a qualquer momento em praticamente todo lugar, a mobilidade modifica a maneira de interação dos seres humanos, suas relações sociais, familiares, afetivas e profissionais. O objetivo desta monografia é apresentar os efeitos causados pela dependência do telefone celular devido à grande quantidade de recursos disponibilizados refletindo, às vezes, no convívio social, portanto, para realização desta pesquisa que identificará essa realidade, o resultado foi apoiado em forma de questionário fechado para usuários de telefonia móvel. Para obter informações a respeito do grau de utilização e dependência do serviço móvel celular, os resultados obtidos deste estudo servem de base de conhecimento e colaboram com o entendimento das características evolutivas da telefonia móvel e o impacto nas relações sociais dos usuários de forma mais abrangente, sendo verificado que grande parte dos usuários são afetados pela dependência chamada nomofobia, que trata-se da dependência excessiva do dispositivo móvel celular e Internet. Palavras-chave: Telefonia móvel celular. Evolução tecnológica. Dependência tecnológica. Mobilidade.
vii ABSTRACT The evolutionary process of mobile telephony has made communication. Besides its own internet, mobile technology is the basis of the principal technological revolution of the XXI century. By allowing the user to communicate at any time just about everywhere, mobility changes the way of interaction of human beings, their social, family, emotional and professional. The purpose of this monograph is to present the effects caused by cell phone dependence due to the large amount of available resources reflecting sometimes in social life, so for this research will identify this reality, the result was supported in a closed questionnaire for mobile phone users. For information about the degree of use and dependence of mobile services, the results of this study are the basis of knowledge and collaborate with the understanding of evolutionary features of mobile telephony and the impact on social relations of users more widely, and found that most users are affected by addiction called nomofobia, that it is the dependence on mobile phone and Internet. Keywords: Mobile telephony. Technological developments. Technological dependence. Mobility
viii LISTA DE FIGURAS FIGURA 01: Comunicação entre a ERB e a EM... 34 FIGURA 02: Quantidade de aparelhos que os entrevistados possuem... 55 FIGURA 03: Frequência de chamadas realizadas diariamente... 55 FIGURA 04: Quantidade de mensagens de texto (SMS) enviadas diariamente... 56 FIGURA 05: Frequência de acesso à Internet diariamente pelo aparelho... 56 FIGURA 06: Frequência de atualização de informações nas redes sociais... 57 FIGURA 07: Frequência de tempo sem acesso à Internet no aparelho... 57 FIGURA 08: Frequência de acesso à Internet no dispositivo em locais públicos... 58 FIGURA 09: Frequência anual de troca de aparelho... 58 FIGURA 10: Frequência de incômodo quando não é possível utilizar o aparelho.. 59 FIGURA 11: Utilização do aparelho para apoio no ambiente escolar... 59 FIGURA 12: Utilização do aparelho para apoio no ambiente profissional... 60 FIGURA 13: Importância de suporte à instalação de aplicativos no aparelho... 60
ix LISTA DE TABELAS TABELA 01: Principais funções dos aparelhos móveis... 36 TABELA 02: Tipos de fobia... 43
x LISTA DE SIGLAS 1G - Primeira geração de telefonia móvel. 2G - Segunda geração de telefonia móvel. 2,5G - Geração intermediária de telefonia móvel. 3G - Terceira geração de telefonia móvel. 4G - Quarta geração de telefonia móvel. 5G - Quinta geração de telefonia móvel. AMPS - Advanced Mobile Phone Services Sistema Avançado de Telefonia Móvel. ANATEL - Agência Nacional de Telecomunicações. ARFCN - Absolute Radio Frequency Channel Number - Número Absoluto de Canal de Radiofrequência. DAMPS - Digital Advanced Mobile Phone System - Sistema Avançado de Telefonia Móvel Digital. EDGE - Enhanced Data Rates for GSM Evolution - Taxas de Dados Ampliados para Evolução Global. GPS - Global Positioning System Sistema de Posicionamento Global. GSM - Global System for Mobile Communications Sistema Global para Comunicações Móveis). IMT-2000 - International Mobile Telecommunications2000 - Telecomunicação Móvel Internacional 2000. JTACS - Japan Total Access Communications Systems - Sistema de Comunicação de Acesso Total do Japão. PDA - Personal Digital Assistant Assistente Digital Pessoal. MMS - MultimediaMessaging Service Serviço de Mensagem Multimídia. NMT - Nordic Mobile Telephones system Sistema Nórdico de Telefones Móveis. SMS - Short Message Service Serviço de Mensagem Curta. TACS - Total Access Communication System Sistema de Comunicação de AcessoTotal. TDMA - Time Division Multiple Access Acesso Múltiplo por Divisão de Tempo. UIT - União Internacional de Telecomunicações.
xi SUMÁRIO AGRADECIMENTO...iv EPÍGRAFE...v RESUMO...vi ABSTRACT...vii LISTA DE FIGURAS...viii LISTA DE TABELAS...ix LISTA DE SIGLAS...x CAPÍTULO I INTRODUÇÃO...14 1.1.1 Objetivo Geral...15 1.1.2 Objetivo Específico...15 1.2 JUSTIFICATIVA...15 1.3 METODOLOGIA...16 1.4 CONSIDERAÇÕES INICIAS...16 1.5 DESCRIÇÃO DO PROBLEMA...17 1.6 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO...17 CAPÍTULO II TELEFONIA MÓVEL CELULAR...19 2.1 EVOLUÇÃO DA TELEFONIA MÓVEL CELULAR...19 2.2 PRIMEIRA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (1G)... 22 2.3 SEGUNDA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (2G)... 23 2.3.1TDMA... 24 2.3.2CDMA...24 2.3.3GSM... 25 2.4 GERAÇÃO INTERMEDIÁRIA (2,5G)... 26 2.4.1GPRS... 26 2.4.2 EDGE... 27 2.4.3 CDMA-2000 1X... 27
xii 2.5 TERCEIRA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (3G)... 28 2.5.1UMTS... 29 2.5.2 CDMA 1XEV-DO... 29 2.5.3 CDMA 1XEV-DV... 29 2.5.4 HSDPA/HSUPA... 30 2.6 QUARTA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (4G)... 30 2.7 QUINTA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (5G)... 32 2.8 REDE DE TELEFONIA MÓVEL... 32 2.8.1 Central de Comutação e Controle (CCC)... 33 2.8.2 Estação Rádio Base (ERB)... 33 2.8.3 Estação Móvel (EM)... 33 CAPÍTULO III SERVIÇOS E FACILIDADES DO TELEFONE CELULAR... 35 3.1 PRINCIPAIS SERVIÇOS DO TELEFONE CELULAR... 35 3.2 CONVERGÊNCIA TECNOLÓGICA: MOBILIDADE E INTERATIVIDADE... 37 3.2.1 Mobilidade... 37 3.2.2 Interatividade... 38 3.3 MÍDIAS DIGITAIS E APRENDIZAGEM (M-LEARNING): APROPRIAÇÃO DE TELEFONES CELULARES PARA O ENSINO APRENDIZAGEM... 41 CAPÍTULO IV NOMOFOBIA: DEPENDÊNCIA EXCESSIVA DO TELEFONE CELULAR... 43 4.1 CONCEITO DE FOBIA... 43 4.2 CONCEITO DE VÍCIO... 44 4.3 NOMOFOBIA: DEPENDÊNCIA EXCESSIVA DO TELEFONE CELULAR... 45 4.4 NATIVOS DIGITAIS X IMIGRANTES DIGITAIS... 50 4.4.1 Nativos Digitais... 50 4.4.2 Imigrantes Digitais... 51 CAPÍTULO V METODOLOGIA... 53
xiii 5.1 METODOLOGIA APLICADA... 53 5.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO... 54 CAPÍTULO VI CONSIDERAÇÕES FINAIS... 63 6.2 CONCLUSÃO DO QUESTIONÁRIO... 64 6.3 ESTUDO FUTURO... 67 CAPÍTULO VII REFERÊNCIAS... 68 APÊNDICE A... 73
12 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO Antigamente os telefones celulares eram utilizados apenas para comunicação por voz, pois possuíam poucos recursos e funções. Com a evolução da tecnologia foi incorporado nos dispositivos atuais novos recursos e serviços que permitem a utilização da Internet para troca de dados. O acesso aos serviços de telefonia móvel permite que as pessoas estejam conectadas virtualmente e tenham acesso às informações em todo canto do mundo. Como forma de romper barreiras nas transmissões de dados entre dispositivos que dispensem o uso de fios e cabos, surgem entre as chamadas Redes Sem Fio. Com a implantação e popularização da telefonia móvel, uma nova visão de mundo e comportamento foi definida, não apenas pela evolução que proporcionou, mas pela mudança na forma de se comunicar. A telefonia celular promoveu avanços que fazem parte do cotidiano das pessoas, tanto na comunicação, na disponibilização de serviços e na operabilidade e conforto que toda tecnologia proporciona (TAVARES, 2004). A constante evolução da telefonia móvel e disponibilização de novos recursos podem refletir numa dependência do uso do aparelho. Portanto este trabalho visa mostrar como o desenvolvimento dos sistemas de telefonia se tornou essencial à sociedade e o modo que a dependência da utilização do aparelho vem se tornando comum. Portanto, este trabalho explica o desenvolvimento da telefonia celular, de acordo com suas gerações, onde expõe alguns efeitos que podem desencadear uma dependência conhecida como nomofobia.
15 1.1OBJETIVOS 1.1.1 Objetivo Geral Identificar alguns efeitos que o aparelho celular pode oferecer à sociedade, em relação ao excesso de utilização. 1.1.2 Objetivos Específicos Mostrar como a utilização excessiva do telefone celular influencia na vida dos usuários e; Apontar como a evolução da telefonia móvel e seus recursos facilitam o cotidiano dos usuários através de diversos serviços. 1.2 JUSTIFICATIVA Com a evolução da telefonia móvel, as formas de comunicação são eficientes, sendo de grande valia para a disseminação de informações em escala global e de forma bastante ligeira. Em uma época de transformações, geradas pela crescente evolução tecnológica, é importante uma análise dos efeitos causados pelo crescimento da utilização da telefonia móvel e seus recursos. A comunicação móvel se reflete na sociedade, tornando-se um fenômeno de grande impacto social. Por estes motivos, o presente trabalho torna-se relevante, pois a escolha justifica-se pelo fato de as telecomunicações passarem pelo desafio de maximizar a contribuição com o desenvolvimento tecnológico, cultural e social.
16 1.3 METODOLOGIA De maneira geral, o trabalho de pesquisa se inicia pelo levantamento das bases bibliográficas para a coleta de informações, consultas em meios eletrônicos, periódicos técnicos, teses, dissertações, além de artigos científicos. Baseado numa análise qualitativa e quantitativa apoiada em questionários fechados (Apêndice A) com 40 usuários de telefone celular das operadoras Claro, Vivo, Tim, Oi que atuam na região Norte Fluminense, no qual a pesquisa foi realizada na cidade de Campos dos Goytacazes, RJ, com finalidade de identificar quais as facilidades e benefícios proporcionados e os possíveis efeitos que o dispositivo móvel pode gerar. Assim, a metodologia de um modo geral evoluiu de maneira significativa em relação aos critérios utilizados para a confecção desta pesquisa, uma vez que a mesma é um procedimento de aprendizagem e possui conjuntos de ações, que têm como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos. 1.4 CONSIDERAÇÕES INICIAIS Com o propósito de verificar a necessidade da telefonia móvel no cotidiano das pessoas e a interação com os recursos disponibilizados, propôs-se a realização de pesquisa para levantamento de informações sobre a frequência de utilização do aparelho pelos usuários, a forma de interação, tipos de serviços e aplicações. Logo, o estudo de caso foi realizado por meio de observações feitas no próprio ambiente escolar. É nele que transparece boa parte da experiência adquirida no contato com os usuários, com os colegas de curso, e com a orientadora, enfim, com todos os que de alguma forma depositaram e ampliaram os conceitos utilizados para a confecção deste trabalho.
17 1.5 DESCRIÇÃO DO PROBLEMA O tema telefonia móvel e sua influência nos parâmetros sociais é um assunto relevante e desafiador, uma vez que as características observadas como facilidade de comunicação, avanço tecnológico e convergência digital são bastante importantes. Neste âmbito, a comunicação atinge um nível que estimula as pessoas a aderirem à tecnologia e manter contato com mais frequência, interagindo de diversas maneiras, não somente com a conversa de voz e texto, mas também de forma multimídia. Logo, o problema deste trabalho é analisar os efeitos que o excesso do uso do aparelho móvel possa refletir no cotidiano do usuário aliado à necessidade de mobilidade e interatividade. 1.6 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Até o presente momento, foi feita uma introdução para que o leitor possa situar-se com os objetivos aqui traçados. Para um melhor entendimento do assunto abordado neste trabalho, será descrita a seguir a sequência da pesquisa sobre o conteúdo de cada parte do Capítulo. Este primeiro Capítulo apresentou as considerações iniciais, a descrição do problema da pesquisa, os objetivos que ressaltam sua importância e os pontos de motivação, a justificativa do tema para o desenvolvimento da pesquisa, a metodologia empregada e, por fim, a estrutura da obra em estudo. O Capítulo 2 explorará o histórico da telefonia móvel, além dos elementos básicos que compõem uma rede de Comunicação Móvel Celular, será descrito também, características das tecnologias das cinco gerações da telefonia móvel. No Capítulo 3 será apresentado os principais serviços disponibilizados nos telefones celulares, frutos da evolução através das gerações e da convergência tecnológica.
18 O Capítulo 4 descreverá como a evolução dos serviços de telefonia móvel pode interferir no convívio social dos usuários, seja no cenário da educação ou no cotidiano. Também serão apresentadas as situações causadas pela dependência da utilização do telefone celular (nomofobia). O Capítulo 5 descreverá a elaboração, aplicação e resultados de entrevista apoiada no questionário fechado, realizada com usuários de telefonia celular. O Capítulo 6 foi reservado para as considerações finais, além de direcionar a discussão para uma reflexão de continuidade em pesquisas e estudos para trabalhos futuros. Também apresentará as referências estudadas para a elaboração deste trabalho. Apresenta-se, no Apêndice A, o questionário aplicado aos usuários de telefone celular, tendo como resultado fundamental a conclusão deste trabalho.
17 CAPÍTULO 2 TELEFONIA MÓVEL CELULAR Neste Capítulo serão descritos alguns acontecimentos que influenciaram o desenvolvimento da telefonia móvel celular, assim como, contribuíram para o surgimento da mesma. Será abordada também, a composição básica do Sistema Móvel Celular. 2.1 EVOLUÇÃO DA TELEFONIA MÓVEL CELULAR Desde os primórdios da civilização, como na Grécia antiga, com o uso de sinais de fumaça como forma de comunicação, observa-se o desejo de comunicar-se livre de fios e aparatos (DIAS, 2001). A era da telefonia celular teve seu início efetivo nos anos 1990, quando o usuário podia obter o aparelho portátil embora suas dimensões iniciais fossem grandes (DIAS, 2001). Para a obtenção da portabilidade do aparelho celular, foi desenvolvido um sistema móvel sem fio, que permitiu a utilização do serviço móvel celular em qualquer lugar. O espectro de frequências, que constitui o meio de transmissão das redes móveis sem fio, precisa ser compartilhado entre os vários usuários do sistema. É sob este espectro que as técnicas de acesso múltiplo ao meio operam, garantindo um acesso compartilhado e com equidade para todos os terminais móveis (DIAS, 2001). As principais técnicas responsáveis pela divisão dos recursos de frequência em vários canais não interferentes possibilitando o acesso múltiplo dos usuários são FDMA (Frequency Division Multiple Access Divisão de Frequência por Múltiplo Acesso), TDMA (Time Division Multiple Access Divisão de Tempo por Múltiplo Acesso) e CDMA (Code Division Multiple Access Divisão de Código por Múltiplo Acesso). Vários padrões para a telefonia celular foram adotados em diferentes países e ficaram conhecidos como sistemas de 1ª Geração (1G), entre eles podem-se citar: o AMPS (Advanced Mobile Telephone System Sistema
20 Avançado de Telefonia Móvel) nos Estados Unidos, o TACS (Total Access Communications System Sistema de Comunicação de Acesso Total) no Reino Unido, o JTACS (Japan Total Access Communications Systems - Sistema de Comunicação de Acesso total do Japão) no Japão e o NMT (Nordic Mobile Telephones system Sistema Nórdico de Telefones Móveis) nos países do norte europeu (Dinamarca, Finlândia, Suécia e Noruega). Os sistemas de 1G utilizam a transmissão de dados no modo analógico e a técnica de acesso ao meio utilizada é a FDMA. Os principais problemas com esses sistemas eram a baixa qualidade e capacidade dos canais de comunicação e a incompatibilidade entre os diversos sistemas existentes. Depois da primeira Geração de sistemas móveis veio a 2ª Geração (2G) numa tentativa de ampliar a capacidade dos sistemas existentes. O sistema AMPS evoluiu para o DAMPS (Digital Advanced Mobile Phone System - Sistema Avançado de Telefonia Móvel Digital) que utilizava TDMA, também conhecido por IS-54 (Interim Standard - 54- Padrão Interino - 54). Como uma alternativa ao IS-54 surgiu nos Estados Unidos o IS-95 (Interim Standard 95 Padrão Interino - 95), ainda na primeira metade da década de 90 e utilizava o CDMA, aumentando a capacidade em relação aos sistemas existentes. O IS-54 foi sucedido pelo IS-136 (Ínterim Standard - 136 - Padrão Interino - 136). Portanto, em meados da década de 90 dois sistemas móveis digitais competiam nas Américas na faixa de 800 MHz (DIAS, 2001). Com a 2ª Geração de celulares foram introduzidos novos serviços de comunicação de voz, com maior qualidade e capacidade de transmissão, possibilitando atender um maior número de usuários e, também, foram criados serviços de envio de dados como o SMS (Short Messages Service Serviço de Mensagens Curtas) para transmissão de pequenos pacotes de dados. O SMS permite que o usuário envie e receba mensagens de texto de até 160 bytes 1 (DIAS, 2001). Ainda no início da década de 90 surgiu a 3ª Geração (3G) dos sistemas celulares, como proposta para o padrão global das comunicações móveis, com a disponibilidade de altas taxas de transmissão de dados possibilitando o suporte 1 Bytes: Sequência constituída de um número fixo de bits adjacentes, considerada como a unidade básica de informação, e cujo comprimento geralmente é constituído de 8bits, chamado de octeto.
21 a aplicativos multimídia e acesso à Internet. O IMT-2000 (International Mobile Telecommunications 2000 Telecomunicação Móvel Internacional para o ano 2000) está sendo desenvolvida pela ITU (International Telecommunication Union União Internacional de Telecomunicações). Esses sistemas, que já se encontram em uso no Japão, disponibilizam serviços de voz, dados, e aplicações multimídia sobre as redes sem fio. A ideia é que o IMT-2000 especifique uma família de padrões que disponibilize pelo menos taxas de 2 Mbps (Mega bits por segundo) em ambientes indoor, 384 Kbps em ambientes de baixa mobilidade, 144 kbps (Kilo bits por segundo) em ambientes outdoor (DIAS,2001). Na Europa, no Japão e na América do Norte, os sistemas de terceira Geração já são fornecidos aos usuários. Já no Brasil, no início da década de 70 foi implantado em Brasília um serviço anterior à tecnologia celular, contando com apenas 150 terminais sem fio. Em 1984, deu-se início à análise de sistemas de tecnologia celular que culminou na escolha do padrão americano AMPS1 como modelo a ser introduzido (foi implantado, também, em todos os outros países do continente americano e em alguns países da Ásia e Austrália). A primeira cidade a usar o serviço foi o Rio de Janeiro, em 1990, seguido por Brasília. Em São Paulo, considerado o último dos grandes mercados do mundo, o serviço móvel celular foi inaugurado em 1993. O Brasil continuou com o AMPS até que, em 1998, modernizou sua rede com sistemas digitais TDMA e CDMA (ANATEL, 2005). O grande avanço dos sistemas de telecomunicações da Tecnologia da Informação (TI), juntamente com a utilização de um novo tipo de componente de hardware, os dispositivos móveis, trouxe ao mundo a tecnologia wireless 2, denominada comunicação sem fio. E isso fez com que ocorresse em grandes inovações no setor wireless. De acordo com Amorim (2002), este tipo de tecnologia, com o passar dos anos e com as novas exigências do mercado, vem crescendo e possivelmente se tornará um dos meios mais utilizados, pois pode 2 Wireless: Sistemas de telecomunicações em que os sinais são transmitidos por ondas eletromagnéticas, dispensando o uso de fios proporcionado pela tecnologia wireless, as pessoas desfrutarão de informações adaptadas a seus hábitos e interesses.
22 propiciar diversas funcionalidades. Tudo isso em qualquer lugar ou a qualquer hora, através de dispositivos móveis. Ainda Amorim (2002) cita que a tecnologia wireless disponibiliza a portabilidade e a praticidade da informação independente do lugar, necessárias aos equipamentos portáteis. Perdendo a dependência de objetos fixos e viagens físicas, se utilizará as redes wireless para acessar dados onde e quando for necessário. Enfim, a tecnologia sem fio é um suporte para a computação móvel, que explora diferentes tecnologias de comunicação que serão inseridas tanto em ambientes computacionais fixos como móveis. 2.2 PRIMEIRA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (1G) Implementada na década de 80, a primeira Geração de telefonia celular foi marcada pelo uso de sistemas analógicos para telefonia celular e utilizava a tecnologia FDMA (Frequency Division Multiple Access - Múltiplo Acesso por Divisão de Frequência) com operação em 800 MHz. A tecnologia FDMA é um método de acesso ao canal que baseia-se na divisão da banda de frequência disponibilizada em faixas de frequência relativamente estreitas, 30KHz cada, as quais são denominadas canais e que são alocadas exclusivamente a um usuário durante todo o tempo de sua conexão (chamada). No Brasil e nos Estados Unidos, foi implantada a tecnologia AMPS (Advanced Mobile Phone Services Sistema Avançado de Telefonia Móvel). Era uma tecnologia com várias deficiências, que possibilitava somente realizar o tráfego de dados de voz e serviço de roaming 3 entre diferentes provedores de serviço (AURIMAR; PEREIRA e ALVES, 2009). No AMPS, a banda era dividida em canais de RF (Radio Frequência), em que cada canal consiste em um par de frequências de 30 KHz de banda, em que ³Roaming: Sistema que permite o cliente de uma empresa de telefonia móvel possa acessar e ser acessado pelo serviço móvel celular mesmo estando fora da área de abrangência da operadora. A operação ocorre automaticamente, sem que o usuário precise configurar o aparelho ou pedir o serviço à operadora.
23 uma faz a transmissão e a outra a recepção. Outra característica é que esse padrão utilizava modulação FM (Frequency Modulation Modulação de frequência) e era composto por 416 canais, sendo 21 para controle e o restante para voz. Esse canal de voz, ao ser alocado, permanecia dedicado somente à chamada durante toda a chamada. A cobertura da rede 1G era restrita devido à baixa capacidade de transmissão e a necessidade de várias antenas para que seja razoável a qualidade do sinal, tornando, assim, dispendioso o uso desse sistema sob o ponto de vista econômico. A primeira geração possuía um funcionamento analógico e era constituída por aparelhos relativamente volumosos. Tratava-se principalmente dos padrões AMPS que apareceu nos Estados Unidos em 1976 e foi o primeiro padrão de rede celular. Teve também a versão européia que ficou conhecida como TAC (Total Access Communication System Sistema de Comunicação de Acesso Total) e foi utilizado na Inglaterra, seguidamente na Ásia (Hong-Kong e Japão). As redes celulares de primeira Geração tornaram-se obsoletas com o surgimento de uma segunda Geração inteiramente numérica (TUDE, 2003). No Tópico 2.3 descreverá as tecnologias e técnicas da segunda Geração de telefonia móvel celular. 2.3 SEGUNDA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (2G) Com o sistema analógico chegando ao seu limite de capacidade, veio a necessidade de sistemas digitais. Dentre as vantagens sobre os analógicos destacam-se: a codificação digital de voz mais poderosa, maior eficiência espectral, melhor qualidade de voz, facilidade de comunicação de dados e a criptografia. O sinal passa a ser digital, mas a tecnologia de rede ainda é a comutação de circuitos, assim como na Primeira Geração.
24 2.3.1 TDMA (Time Division Multiple Access Múltiplo Acesso por Divisão do Tempo) Cada portadora TDMA possui a largura de 30KHz. Tem como característica a operação na frequência de 800MHz; a divisão dos canais de frequência em até 6 intervalos de tempo diferentes e o controle de interferências, com cada usuário utilizando um espaço específico. 2.3.2 CDMA Code Division Multiple Access Múltiplo Acesso por Divisão de Código) Diferente das tecnologias utilizadas até então, o CDMA defendia a técnica de espalhamento espectral (spread spectrum) na qual para um determinado canal, seria usada toda a largura de banda disponível (1,23MHz), muitas vezes maior do que necessária, a princípio, para a transmissão de um único sinal. Uma vantagem é que diversos assinantes podem utilizar a mesma banda simultaneamente, e a diferenciação entre cada assinante no sistema CDMA é feita por códigos especiais associados a cada transmissão, do Móvel para a Estação Base e da Estação Base para o Móvel. Cada ligação em andamento possui um código específico, não ocorrendo o uso do mesmo para ligações diferentes e permitindo a separação eficiente entre todas as chamadas que estão utilizando a mesma banda. A capacidade máxima alcançada depende, entre outros fatores, principalmente do controle de potência de cada chamada e dos sinais interferentes. Quanto menor a potência, maior é a capacidade (número de chamadas simultâneas) do sistema. Essa tecnologia opera nas frequências de 800 e 1900 MHz e compete diretamente com a Global System for Mobile Communications (Sistema Global para Comunicações Móveis).
25 2.3.3 GSM Foi desenvolvida na Europa e adotada em boa parte do mundo, seu diferencial é o uso de cartões de memória SIM 4 (Subscriber Identity Module Módulo de Identificação do Assinante) nos aparelhos, o que possibilita mobilidade terminal, ou seja, levar as características do assinante para outro aparelho ou rede GSM. Opera nas faixas de 850, 900, 1800 e 1900 MHz e utiliza uma combinação das técnicas de acesso FDMA e TDMA, onde uma portadora de Rádio Frequência do GSM ARFCN (Absolute Radio Frequency Channel Number - Número Absoluto de Canal de Radiofrequência) possui largura de banda de 200kHz que, por meio da técnica TDMA, é subdividida em oito intervalos de tempo. Dessa forma, até 8 conversações simultâneas compartilham uma única portadora ou canal de 2 x 200kHz. Diversos serviços foram disponibilizados com a tecnologia GSM. Dentre eles: SMS para mensagens de texto, GPRS (General Packet Radio Service Serviço de Rádio de Pacote Geral) para transmissão de pacotes de dados, encaminhamento de chamadas, bloqueio de chamadas recebidas ou efetuadas, chamada em espera, teleconferência e restrição da identificação da chamada (MOTA, 2009). São diversos os benefícios e a revolução que as tecnologias de segunda Geração proporcionaram ao mundo. No entanto, elas ainda estavam longe do que se realmente objetivava. No Tópico 2.4 será mostrado o surgimento das tecnologias digitais, na segunda Geração e meia, onde realmente passam a surtir efeitos e o verdadeiro sentido da comunicação móvel passa a ser entendido. 4 SIM: É um chip que carrega as informações da linha telefônica no aparelho celular GSM. O cartão SIM também identifica quem faz a chamada junto ao operador da rede móvel.
26 2.4 GERAÇÃO INTERMEDIÁRIA (2,5G) Neste Tópico, serão abordados os principais fatores que contribuíram para que a evolução dos sistemas celulares retardasse uma terceira Geração e partissem para uma Geração chamada de intermediária ou Geração 2,5. Seu grande diferencial foi uma técnica avançada de modulação que permitia a comutação por pacotes ao invés de circuitos, a mesma técnica de transmissão adotada pelo IP (Internet Protocol Protocolo de Internet) da arquitetura TCP/IP (Transmission Control Protocol/ Internet Protocol - Protocolo de Controle de Transmissão/ Protocolo de Internet). 2.4.1 GPRS É um serviço fornecido pelas operadoras que provê transmissão de pacotes, que oferece velocidades máximas de dados de 115kbps e um throughput (taxa de transferência) médio de 30 a 40kbps. Os dados são divididos em pacotes para transmissão, o que favorece os usuários, pois provê uma conexão permanente de dados e assim não há necessidade de entrarem no sistema cada vez que desejarem ter acesso a serviços de dados. A vantagem é que os usuários só pagam pelos dados e não pagam pelo tempo de permanência no ar em que se faz a conexão e nem pelo tempo de carregamento. O funcionamento do GPRS consiste no uso de canais TDMA inutilizados para transmissão de dados. Por utilizar comutação de pacotes, usuários podem utilizar o mesmo canal. Para multiplexação, utilizam-se para atribuição do canal, as técnicas FDMA e FDD (Frequency Division Duplex - Divisão de Frequência Duplex); para a comutação de pacotes, uma multiplexação estatística no domínio do tempo. Cada pacote tem tamanho constante (correspondente ao slot GSM). Para acesso ao meio, utiliza-se, para downlink, um protocolo que distribui os pacotes na ordem em que chegam a Estação Base; para uplink, utiliza-se o
27 protocolo S-ALOHA para reservar o canal durante a fase de contenção e o protocolo utilizado no downlink para transmissão dos dados. O padrão suporta conexões IPv4 e PPP (Point-to-Point Protocol), embora esta última geralmente não esteja disponibilizada pelas operadoras. O GPRS que permite a conexão da maior parte dos smartphones e celulares à Internet e atualmente, é o padrão que oferece a maior cobertura móvel para aparelhos de mão com acesso à Internet. 2.4.2 EDGE (Enhanced Data Rates for GSM Evolution - Taxas de Dados Ampliados para Evolução Global) A EDGE utiliza esquemas de modulação e correção de erros diferentes, possibilitando uma taxa de transmissão de dados maior (com limite teórico de 473,6 kbps utilizando 8slots - conector) e uma conexão mais confiável e robusta. EDGE possibilita a comutação de pacotes, ou seja, pode prover conexão a Internet. A implantação do sistema EDGE em infraestruturas GSM e GPRS é simples. O subsistema de rede não precisa de nenhuma alteração de software ou hardware; a Estação Base requer algumas atualizações e a instalação de transceivers 5 compatíveis com o padrão; os aparelhos, no entanto, precisam ser trocados. 2.4.3 CDMA-2000 1X É a evolução do CDMA One. Esta tecnologia abriu mercado para as altas taxas de velocidade de dados, hoje, disponíveis em todo o mundo e que oferecem aos consumidores e profissionais total conectividade sem fio. Sua velocidade teórica é de 153,6 Kbps. A nomenclatura CDMA diz respeito apenas à técnica de modulação usada na interface aérea de sistemas celulares e não 5 Transceiver: É um dispositivo que combina um transmissor e um receptor utilizando componentes de circuito comuns para ambas funções num só aparelho. Se esses componentes não forem comuns, esse aparelho designa-se transmissor-receptor.
28 quer dizer que sejam totalmente compatíveis entre si. Na maioria dos casos, os sistemas 2,5G são implementados diretamente sobre as redes 2G existentes. Como resultado, um sistema 2,5G não é uma rede comutada a pacotes pura. Na verdade, pacotes de dados são transmitidos sobre redes de circuitos comutados (DUSSAUX, 2010). A Geração intermediária apresentou o que os sistemas digitais móveis eram capazes, e o que poderia se esperar para a terceira Geração e para o futuro dessas tecnologias. A terceira Geração é mais complexa e marca de forma expressiva os recursos das tecnologias digitais, que serão abordadas no Tópico 2.5. 2.5 TERCEIRA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (3G) Essa Geração de redes celulares tem como objetivo oferecer serviços de dados com altas taxas de transmissão e trazem enormes evoluções frente aos sistemas anteriores. As especificações IMT-2000 (International Mobile Telecommunications for the year 2000 - Telecomunicação Móvel Internacional para o ano 2000) da União Internacional das Telecomunicações (UIT), definem as características do 3G e tem um elevado débito de transmissão, compatibilidade dos serviços móveis de terceira Geração com as redes de segunda, alto nível de transmissão de vídeo, videoconferência ou acesso à Internet. A qualidade de voz foi mais aprimorada, diversos serviços simultâneos foram aplicados como Serviço de Localização Global (GPS), a criptografia que é mais um obstáculo para as fraudes de chamadas, permite a transferência simultânea de voz e de dados numéricos a elevado débito e a autenticação de cada usuário (ALBERNAZ, 2011).
29 2.5.1 UMTS (Universal Mobile Telecommunications Service Serviço de Telecomunicações Móvel Universal) É baseada em IP e suporta voz e dados em pacotes oferecendo taxas máximas de transmissão de dados de até 2 Mbps e velocidades médias de 220-320 kbps em movimento. É uma tecnologia Tecnologia desenvolvida para prover serviços com altos níveis de consumo de banda, como streaming, transferência de grandes arquivos e videoconferências para uma grande variedade de aparelhos como telefones celulares, PDAs (Personal Digital Assistant Assistente Digital Pessoal) e laptops. A UMTS é compatível com a EDGE e a GPRS permitindo ao usuário sair de uma área de cobertura UMTS e ser automaticamente transferido para uma rede EDGE ou GPRS, dependendo de fatores como disponibilidade de rede e o consumo de banda do aplicativo (TUDE, 2004). 2.5.2 CDMA 1XEV-DO CDMA 1xEV-DO (Evolution, Data-Optimized Evolução, Otimização de Dados) é a tecnologia 3G do CDMA, que possui alta performance para transmissão de dados com picos de até 2,4 Mbps. A taxa de transmissão de dados teórica é de 24Mbps e taxa de transmissão média de 300 a 500kbps. Opera em 800 e 1900 MHz. Portadoras distintas são necessárias para dados e voz neste sistema. O enlace de subida permanece praticamente inalterado em comparação com o CDMA2000, mas no enlace de descida os usuários são multiplexados em tempo. 2.5.3 CDMA 1XEV-DV CDMA 1xEV-DV (Evolution, Data and Voice Evolução, Dados e Voz) é a segunda etapa na evolução do CDMA 1xEV, onde uma mesma portadora pode ser utilizada para voz e dados. A primeira, o 1xEV-DO, uma portadora de 1,25 MHZ é dedicada apenas para dados.
30 2.5.4 HSDPA/HSUPA O HSDPA (High Speed Downlink Packet Access Pacote de Acesso de Descarregamento de Alta Velocidade) e HSUPA (High Speed Uplink Packet Access - Pacote de Acesso de carregamento de Alta Velocidade) permite que as pessoas enviem e recebam e-mails com grandes anexos, joguem interativamente em tempo real, recebam e enviem imagens e vídeos de alta resolução, façam download de conteúdos de vídeo e de música ou permaneçam conectados sem fio a seus PCs no escritório tudo usando o mesmo dispositivo móvel. HSDPA refere-se à velocidade com a qual as pessoas podem receber arquivos de dados, o downlink. HSUPA refere-se à velocidade com qual as pessoas podem enviar arquivos de dados, o uplink (OLIVEIRA, 2006). No Tópico 2.6 serão abordadas as vantagens e tecnologias referentes à quarta Geração (4G). 2.6 QUARTA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (4G) Oferece diversos recursos e as principais vantagens da conexão 4G são as altas taxas de transferência de dados, que terão velocidade que atingem a casa das dezenas de megabits. Tem melhor qualidade do serviço, no sentido de que, mesmo em movimento, por exemplo, o sinal de Internet que uma pessoa receberá em seu smartphone ou modem não será drasticamente reduzido. As duas características básicas de uma rede 4G são o uso do Internet Protocol (IP) de modo que cada equipamento estará conectado à Internet e velocidades maiores, explicou Jesper Rhode, diretor de inovação em novos negócios da Ericsson para a América Latina. Ainda Jesper Rhode, a empresa, em testes já atingiu a banda de 160 Mbps em redes 4G. Mas, a princípio, a banda para o usuário final deve variar entre 20 Mbps e 40 Mbps (TAGIAROLI, 2010). Os usuários podem navegar pela Internet ou enviar e-mails usando notebooks com Pacote de Acesso de Download de Alta Velocidade (HSPA) integrado, substituir seus modems DSL (Digital Subscriber Line - Linha de Assinante Digital) fixos por modems HSPA e enviar e receber vídeo ou música usando terminais 3G. Com o LTE (Long Term Evolution - Evolução de Longo Prazo), a experiência do
31 usuário será ainda melhor, pois acrescentará novas aplicações, como Televisão interativa, blogs de vídeo móvel, jogos avançados e serviços profissionais. Nos itens sobre benefícios dos telefones celulares 4G com tecnologia LTE serão visto as facilidades disponibilizadas pelos telefones celulares 4G com tecnologia LTE. O LTE oferece vários benefícios para os consumidores e operadores, tais como: Desempenho e capacidade: fornecer taxas de pico downlink de pelo menos 100Mbit/s. A tecnologia permite velocidades acima de 200Mbit/s e a Ericsson já demonstrou taxas acima de 150Mbit/s. Além disso, a latência deverá ser inferior a 10ms. Efetivamente, isso significa que o LTE mais do que qualquer outra tecnologia já atende aos principais requisitos de 4G. Simplicidade: Suporta portadoras com largura de banda flexível, de menos 5MHz até 20MHz nos modos FDD (Frequency Division Duplex Duplexação por Divisão de Frequência) o TDD (Time Division Duplex Duplexação por Divisão de Tempo). Dez faixas de espectro pareadas e quatro não-pareadas foram, até o momento, identificadas pelo 3GPP (3rd Generation Partnership Project Terceira Geração de Parceria de Projeto) de para LTE e há mais faixas em discussão a serem adicionadas em breve. Assim, uma operadora pode introduzir LTE em faixas novas, onde for mais fácil posicionar portadoras de 10MHz ou 20MHz e, assim, implementar o LTE em todas as faixas. Em segundo lugar, produtos LTE terão diversos aspectos que simplificam a construção e gerenciamento das redes de próxima Geração. Por exemplo, aspectos como instalação plug-and-play (conexão e funcionamento automático), autoconfiguração e auto-otimização simplificarão e reduzirão o custo de implantação e gerenciamento da rede. Em terceiro lugar, o LTE será implementado em paralelo com redes de transporte e núcleo baseado em IP simplificados, nos quais a construção, manutenção e introdução de serviços são mais fáceis. Ampla variedade de terminais: além dos telefones móveis, computadores e dispositivos eletrônicos incorporarão módulos LTE. Como o LTE suporta handover e roaming para redes móveis existentes, todos
32 esses dispositivos podem ter cobertura de banda larga móvel onipresente desde o primeiro dia. Em resumo, as operadoras podem introduzir a flexibilidade do LTE para ir ao encontro dos objetivos de suas redes existentes, espectro e negócios para banda larga móvel e serviços multimídia (ALMEIDA, 2009). No Tópico 2.7 será vista a quinta Geração (5G) em desenvolvimento para futura implementação. 2.7 QUINTA GERAÇÃO DE TELEFONIA MÓVEL (5G) A quinta geração está apenas no estágio de desenvolvimento e pesquisa para ser implementada futuramente. O grande objetivo da tecnologia não é apenas aumentar a velocidade da conexão, mas melhorar todo o sistema para oferecer uma experiência mais fluida para os usuários. Com isso, mais aparelhos poderão se conectar à rede, que deverá ser muito mais rápida que o 4G atual. Barbosa (2013) afirma que o engenheiro de comunicações Mike Short informou que a rede 5G ainda vai demorar alguns anos para começar a ser utilizada comercialmente. Assim, espera que os primeiros aparelhos equipados para utilizar a tecnologia comecem a ser vendidos em 2022 no Reino Unido e até 2024 em outros países. Contudo, isso não significa que as redes 3G e 4G serão deixadas de lado, mas sim que novas opções passarão a ser utilizadas em longo prazo. 2.8 REDE DE TELEFONIA MÓVEL Uma rede de telefonia celular é composta basicamente de três elementos, Central de Comutação e Controle (CCC), Estação Rádio Base (ERB) e Estação Móvel (EM).
33 2.8.1 Central de Comutação e Controle (CCC) A Central de Comutação e Controle (CCC) interliga um conjunto de células, e é responsável, também, por gerenciar e controlar equipamentos das bases, fornecendo tecnologias de acesso e funções de processamento de chamadas e tarifação. O número de células cobertas por uma central varia de acordo com a necessidade. 2.8.2 Estação Rádio Base (ERB) São responsáveis pela alocação de canais e realização de chamadas entre os dispositivos de telefonia móvel e para isso, utilizam uma central de comutação. São formadas por um conjunto de transmissores, receptores, torres, antenas e pelo conjunto de controle, consistindo de uma unidade com microprocessador que controla e supervisiona as chamadas entre os telefones móveis. É também responsável por monitorar os níveis de sinais e o controle de handoff 6. 2.8.3 Estação Móvel (EM) É o terminal utilizado pelo assinante, onde a estação móvel é identificada por um MIN (Mobile Identification Number - Número de Identificação Móvel). O equipamento dispõe ainda de um Número de Série Eletrônico (ESN - Eletronic Serial Number). Na Figura 1 será ilustrado, de maneira simples, uma comunicação entre a Estação Rádio Base com o aparelho celular (Estação Móvel). 6 Handoff: É a passagem do controle de um assinante de uma ERB para outra conforme ele se movimenta. Associado a troca de ERB, ocorre a troca de canal pelo qual o assinante vai continuar sua conversa.
34 Figura 1: Comunicação entre a ERB e a EM. Fonte: Comunidade Wireless Brasil (2000). As estações móveis possuem transceptores (TX e RX) de voz e dados que se comunicam com as ERB s, através dos links direto e reverso por onde são trocadas mensagens como: pedido da EM para acessar um canal, confirmação de alocação do canal, mensagens de handoff da ERB para que a EM troque de canal, entre outros. Neste Capítulo foram vistos as 5 Gerações da telefonia móvel celular juntamente com sua estrutura física. O Capítulo 3 abordará os principais serviços e vantagens do telefone celular, bem como suas facilidades.
CAPÍTULO 3 SERVIÇOS E FACILIDADES DOS DISPOSITIVOS MÓVEIS Neste Capítulo serão descritos os principais serviços do telefone celular bem como suas facilidades de forma a mostrar a importância dos mesmos para a nova geração tecnológica. Devido à praticidade dos recursos da telefonia celular, a convergência tecnológica está cada vez mais presente no mundo, agregando recursos e reduzindo a quantidade de dispositivos no cotidiano das pessoas. 3.1 PRINCIPAIS SERVIÇOS DO TELEFONE CELULAR Segundo Cortoni (2006), os fabricantes não só estão criando produtos cada vez mais modernos e sofisticados, como também estão agregando recursos de outros equipamentos e mídias ao celular, o que vem sendo chamado de convergência tecnológica. Por meio do celular, além do conceito básico que é falar, também é possível enviar mensagens, jogar, assistir a programas de TV, tirar fotos, filmar, ouvir rádio, receber notícias, acessar Internet, entre outros. Portanto, com a chegada de uma geração tecnológica, esses recursos certamente serão ainda mais ampliados. Até alguns anos atrás as pessoas queriam o celular realmente para facilitar o contato entre aqueles que estavam distantes ou não, atualmente o celular é muito mais do que um simples meio de comunicação, e passou a ser para os usuários um meio de entretenimento também. A praticidade e a mobilidade são alguns dos atrativos do celular, como também a facilidade de compra e possibilidade de aproximação entre as pessoas, através várias formas de comunicação oferecidas pelo aparelho. Centenas de modelos e marcas são comercializadas e estão sempre evoluindo. Os aparelhos antigos se restringiam apenas a receber e originar chamadas, hoje com o avanço da tecnologia estes se tornaram uma ferramenta útil e
36 indispensável para a maioria da população. Os modelos mais recentes possuem convergência tecnológica de mídias digitais em um único dispositivo, além das aplicações básicas de um aparelho celular, acumula também diversos serviços de outros dispositivos como câmera, TV, tablet e ainda possui sistema operacional semelhante a um computador. Algumas das principais funções dos dispositivos móveis são vistos na Tabela 1. Tabela 1: Principais funções dos aparelhos móveis. SERVIÇOS SMS (Short Message Service): Disponibilidade para telefones celulares digitais enviar mensagens curtas. Bluetooth: Provê uma maneira de conectar e trocar informações entre dispositivos a curta distância. MP3 player: Compressão de áudio com perdas imperceptíveis ao ouvido humano. GPS: Conjunto de satélites para o posicionamento do cliente, conta com um sistema de informação eletrônico que fornece a um aparelho receptor móvel a posição do mesmo. FUNÇÕES Quando se deseja apenas dar um recado, sendo assim se gasta menos do que efetuar uma ligação. Troca de dados em alta velocidade sem tarifação. Possibilidade de ouvir músicas através do celular, ocupando pouco espaço na memória. Possibilidade de localização própria e de outras pessoas que possuem o mesmo serviço. Conforme visto na Tabela 1, com o avanço da tecnologia móvel, foram incorporadas mais funções aos aparelhos, além da comunicação por voz. Almeida (2011) afirma que atualmente existe a constante necessidade de agregar serviços e em uma menor quantidade de equipamentos, de forma que seja possível realizar diversas atividades com um único dispositivo. Com o processo de convergência tecnológica, diversos recursos estão sendo agregados ao telefone celular de forma a expandir sua funcionalidade e reduzindo a quantidade de dispositivos necessários para cada função, facilitando o cotidiano dos usuários.
37 No Tópico 3.2 será visto como a mobilidade e interatividade provenientes da convergência tecnológica podem promover novas experiências no campo da comunicação e relações interpessoais. 3.2 CONVERGÊNCIA TECNOLÓGICA: MOBILIDADE E INTERATIVIDADE 3.2.1 Mobilidade Desde a década de 90, a convergência dos recursos multimídias, oriunda da evolução da tecnologia digital, possibilitou a integração de texto, áudio, imagem e números numa mesma plataforma. Naquela época, devido ao crescimento do consumo de informações multimídia, a convergência tecnológica passou pela implantação e digitalização das informações. Desta forma, foi possível a integração de vários serviços e recursos na plataforma da telefonia móvel (SQUIRRA, 2005). Squirra (2005) afirma que convergência é a integração tecnológica em uma base comum, uma vez que mesmo os tipos da tecnologia serem distintos, elas permitem um princípio simples que é a comunicação direta entre usuários através de um conjunto de conexões em um meio não físico e sistemas de disponibilização e interpretações de informações. Desta forma, permitem trocas de grandes volumes de dados a partir de grande conjunto de interfaces que possibilitam o acesso à informação em tempo real, como acessar a internet no telefone celular. Sendo assim, entende-se que a convergência refere-se a mudanças no campo da tecnologia, no mercado, na cultura e na sociedade. Atualmente, o telefone celular é um aparelho de entretenimento multifuncional. Os dispositivos incorporaram imagem, música, vídeo, texto, e- mail, GPS e acesso à Internet o que permite aos usuários terem acesso à diversos recursos e manterem contato com outros usuários mesmo em movimento, devido à mobilidade proporcionada por este dispositivo (MANTOVANI, 2006).
38 O dispositivo móvel permite aos usuários usufruírem dos recursos disponibilizados com mobilidade, seja em casa, escola, trabalho ou andando nas ruas. O telefone celular faz parte do cotidiano de executivos e outros profissionais que necessitam de acesso às informações importantes constantemente e comunicação instantânea através de diversos recursos, além da conversação por voz, mas também a comunicação por e-mail, mensageiros instantâneos e redes sociais, por exemplo (JENKINS, 2009). Assim, a vida pessoal e profissional dos usuários está sendo impactada direta ou indiretamente. O telefone celular tornou-se um dos principais dispositivos móveis que possibilita suporte à Internet móvel. A participação dos usuários sofreu além de um aumento, uma mudança que possibilitou novas formas de comunicação além dos serviços básicos já utilizados como a conversação por voz e mensagem de texto (SMS) (JENKINS, 2009). 3.2.2 Interatividade Segundo Antunes (2011) interatividade refere-se a instâncias mais concretas, que podem ser a demonstração e o manejo de um equipamento, como um microcomputador e também dimensões mais complexas como a relação do indivíduo com o meio e o objeto do foco. Em linhas gerais, está ligada às novidades tecnológicas da informação, principalmente quando existem no procedimento de comunicação com o dispositivo e sua interface. Desta forma, com o relacionamento entre os usuários do serviço móvel celular é possível estabelecer através do aparelho, uma comunicação que agrega vários elementos da participação presencial, pois há a possibilidade de manipular a voz, o som do ambiente e a imagem dos envolvidos. Como mídia de socialização, em relação aos elementos que são inseridos nas mensagens, tais como: o tom de voz, a possibilidade de intervenção, apropriação e inserção (imagens, sons, vídeos, documentos, caracteres de expressão). Assim, configura-se uma interatividade de troca de experiências de cunho emocional, por exemplo, reforçado por recursos podem intensificar as emoções e
39 sentimentos, utilizando recursos audiovisuais como imagens e vídeos. (MANTOVANI, 2006). Straubhaar e LaRose (2004) afirmam que a tecnologia é um agente transformador e ocasiona impactos sociais. Do ponto de vista filosófico e tecnológico, uma corrente de teoria que busca entender a tecnologia indo além da necessidade como um estilo de vida, que ganha força com sua utilidade, onde possibilita relacionar a industrialização da telefonia móvel, com o pensamento de Aristóteles sobre a tecnologia, como ferramenta para o ser humano se realizar de forma plena. Merije (2012) afirma que o formato (design) e aplicações dos aparelhos celulares tiveram evoluções, como a reprodução de toques polifônicos e no formato digital MP3 com voz e instrumentos musicais simultaneamente, bem como o aumento do tamanho da tela e qualidade de resolução com milhões de cores e touchscreen (tela com sensibilidade ao toque). Com o avanço das gerações da telefonia móvel houve um crescimento das taxas de troca de dados, aumento e melhoria das conexões e velocidade de navegação na Internet e aparelhos com mais recursos. Segundo Sakfo & Brake (2010), foram acrescidos mais recursos de modo que a comunicação de dados, tais como: Os telefones celulares atuais possuem outras características além de fazer uma simples chamada telefônica. Os aparelhos celulares agora podem enviar mensagens de texto; realizar navegação na Internet; reproduzir música MP3; gravar memorandos; organizar informações pessoais, contatos e calendários; enviar e receber e-mails e mensagens instantâneas; gravar, enviar, receber e assistir a imagens e vídeos usando câmeras e filmadoras embutidas; executar diferentes toques, jogos e rádio; realizar push-to-talk (PTT); utilizar infravermelho e conectividade Bluetooth; realizar vídeo-chamadas e servir como um modem sem fio para um PC (SAFKO & BRAKE, 2010, p.266). Ferreira (2012) afirma que levando em consideração a diversidade de serviços e a convergência, os aparelhos celulares ofertam uma gama de recursos para o aprendizado. Possibilita o compartilhamento de ideias e informações, experiências, acesso a uma diversidade de serviços úteis e complementos didáticos audiovisuais, e até jogos. Segundo Merije (2012) a combinação de serviços dos telefones móveis e smartphones com os recursos da Internet possibilitaram acessar e compartilhar
40 conteúdo digital, que permite uma nova forma de aprendizado. Assim, os setores de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) desenvolvem recursos como softwares para uma adaptação de didática de conteúdo escolar através de dispositivos móveis. Fedoce e Squirra (2011) afirmam que as escolas de forma geral necessitam atentar-se para as inovações, uma vez que as formas de ensino e aprendizado passam por mudanças muito significativas, sendo que novas tendências estão determinando e concebendo os paradigmas pedagógicos, alterações relacionadas à difusão da Tecnologia da Informação (TI). Mülbert e Pereira (2011) afirmam que a inovação da tecnologia proveniente da evolução das telecomunicações vem possibilitando acesso a diversas formas de aprendizado. Assim, tornou-se possível a utilização de aparelhos móveis como os smartphones e tablets que possibilitam mobilidade para os mecanismos de educação ao invés de um microcomputador. Desta forma são criadas circunstâncias para o progresso de exercícios de ensino-aprendizagem com equipamentos móveis e portáteis. Tarouco (2004) elucida o método de ensino e aprendizagem, escolas e professores utilizam principalmente smartphones para apoio pedagógico no aprendizado móvel. A Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) junto à telefonia móvel está num processo contínuo de mudanças e isso reflete na alteração do cotidiano de vários segmentos na sociedade. Sendo assim, o segmento educacional também vem se adaptando a estas tecnologias, e desta forma ocorre o crescimento da interatividade e acessibilidade à informação (FONSECA, 2013). O Tópico 3.3 abordará como a inserção da tecnologia e mídias digitais aliadas aos telefones celulares e smartphones colabora para o processo de ensino-aprendizagem de forma e gerar novas experiências e intensificação do aprendizado, tornado o educando mais ativo neste processo.
41 3.3 MÍDIAS DIGITAIS E APRENDIZAGEM (M-LEARNING): APROPRIAÇÃO DE TELEFONES CELULARES PARA O ENSINO APRENDIZAGEM M-learnig ou mobile learning (aprendizado móvel) como concepção do aprendizado entregue ou suportado por aparelhos manuais portáteis smartphones, PDAs (Personal Digital Assistant) e diversos outros equipamentos portáteis que operam com o carregamento e manipulação de informação (MÜLBERT e PEREIRA, 2011). Para Fedoce e Squirra (2011) a difusão das mídias e tecnologias digitais foi capaz de conceber novas experiências na área da educação, como uma viagem virtual a uma cidade histórica ou um famoso museu de arte contemporânea, por exemplo, e desta forma as instituições escolares ganham novos recursos para a propagação do conhecimento. A forma de ensino onde o professor detém a informação e passa aos alunos esse conhecimento os quais recebem de forma passiva, logo abre espaço para o padrão de aprendizado, onde o aluno tem maior participação na própria formação, e muitas vezes buscam informações que lhe interessam por conta própria e compartilham com os educadores e os outros alunos da classe. Segundo Merije (2012), os aparelhos celulares e smartphones são os mais adequados para apoio no ensino escolar, sendo assim são mais acessíveis e não representam custos para as instituições escolares, pois são dispositivos de uso comum e que todos os alunos utilizam em locais diversos. Fonseca (2013) descreve o projeto Minha Vida Mobile MVMob idealizado por Wagner Merije e que está em desenvolvimento desde 2005, o qual qualifica alunos e professores para produzirem material audiovisual com a utilização de celulares e smartphones, gerando imagens e áudio. Segundo o realizador do projeto, Merije, as atribuições da proposta produzem atividades de interpretação, associação, classificação, ordenação, relação coletiva, emancipação, inventividade, em uma metodologia de combinação visual com o conhecimento do desempenho social dos aprendizes. Para esta finalidade, o projeto prepara oficinas de criação de vídeos, fotos, áudios e sinopse a partir do telefone celular,
42 contempla e coordena exposições dos trabalhos realizados, da mesma forma gera instruções e materiais de apoio pedagógico. Para Merije (2012), esta forma de aprendizado demonstra ser mais agradável e conveniente para os alunos, porque utiliza o telefone celular, que faz parte do cotidiano deles. Fonseca (2012) afirma que a tecnologia é tida como forma de progresso quando comparada ao passado do ensino-aprendizagem e há inovações quando é acrescentada tecnologia no processo de aprendizado. Para Fedoce e Squirra (2011) a telefonia móvel é capaz de convergir com outros métodos e mídias de forma a ser um complemento para os métodos de aprendizagem e têm potencial para completar as práticas de estudo, possibilitando a expansão do ambiente educacional, contribuindo para a comunidade inteiramente. Fedoce e Squirra (2011) citam Martín Restrepo, fundador da editora Editacuja, o qual afirma que está se adentrando numa época em que a tecnologia tende a convergir, onde, telefone celular não deve ter o uso proibido no ambiente escolar, mas sim ser incentivado, pois é um dispositivo que agrega muito valor para os alunos, no âmbito educacional. Fedoce e Squirra (2011) afirmam que com base na fusão de três campos aparentemente isolados numa abrangência com finalidade em salientar potenciais e tendências da tecnologia e da comunicação para a metodologia de ensino-aprendizagem, surgem três atributos essenciais da área do conhecimento: convergência, interatividade e mobilidade. O conhecimento vai além da instituição educacional e amplifica a interatividade com o meio social e universal, a mobilidade possibilita a prática do ensino-aprendizagem em qualquer momento e local e em diversas plataformas multimídias, sendo a mais presente o telefone celular e smartphones, uma vez que a referência presencial e as distâncias tendem a convergir num exemplo de aprendizagem sempre mais multimídia. Neste Capítulo foram vistos os principais serviços disponibilizados nos telefones celulares, frutos da evolução através das gerações e da convergência tecnológica e a maneira que o aparelho celular pode contribuir para o aprendizado no ambiente escolar. O Capítulo 4 abordará o estudo de caso deste trabalho, identificando os pontos negativos e positivos do uso do aparelho móvel.
42 CAPÍTULO 4 NOMOFOBIA Com a expansão da telefonia móvel, diversos recursos são agregados ao aparelho, desde uma simples chamada e conexão com a web até as redes sociais. Com a utilização cada vez mais frequente do telefone celular, muitas pessoas passam a ter uma dependência excessiva do aparelho. Neste Capítulo, serão abordados alguns fatores que podem levar as pessoas a ficarem dependentes do aparelho celular. 4.1 CONCEITO DE FOBIA Segundo Louzã Neto (2010), fobia é uma palavra grega Phobos que significa medo. Ela consiste em um distúrbio de ansiedade, onde a pessoa que sofre dessa fobia tenta evitar objetos e situações que levam a sentir esse medo excessivo. Por causa dessa condição, aqueles que sofrem dessa doença mudam totalmente a sua rotina de vida como trabalho e lugares aos quais vão frequentar. Na Tabela 2 serão vistos três tipos principais de fobia. Tabela 2: Tipos de Fobia. Agorafobia: medo de espaços abertos, multidões, etc. Neste caso a pessoa tem medo de sair de casa, entrar em lugares cheios como shoppings e lojas e tem medo de viajarem sozinhos. Fobia social: medo de ficarem expostas que ficam em meio a pequenos grupos, isso acontece em reuniões, restaurantes, ou lugares que a pessoa tenha que de alguma forma expor o seu íntimo para aqueles que estão a sua volta. Fobias específicas: são fobias estritas a algum objeto ou uma situação específica, tais como animas inofensivos (zoofobia), altura (acrofobia), trovões e relâmpagos (astrofobia), voar, espaços fechados (claustrofobia), doenças (nosofobia), entre outros.
44 A fobia geralmente causa desconforto e danos psicológicos à pessoa que sofre da mesma. Em muitos casos, o acompanhamento e tratamento por um profissional se faz necessário para reduzir e até curar a pessoa afetada pelo problema. No Tópico 4.2 será visto o vício e os fatores que levam a desenvolver e adquirir o mesmo. 4.2 CONCEITO DE VÍCIO Oliveira (2014) conceitua o vício sendo um comportamento repetitivo que degrada ou gera algum prejuízo ao usuário e aos que estão a sua volta. Pode ser caracterizado como uma disposição para prática de algum mal. De acordo com Gigliotti (2011), atualmente há uma grande oferta de substâncias e situações que causam o vício. Não se trata mais somente do consumo de substâncias químicas, mas também de vários comportamentos, como a compulsão pelo uso da internet ou compras. O vício é em parte inato e adquirido. Inato, quando encontra em nós uma predisposição, às vezes até genética ou hereditária, seja para a prática do bem seja para a prática do mal. Adquirido em decorrência de muito esforço; o vício, que também cria raízes profundas e até dependência física, por concessões nossas e influências externas ou do ambiente (OLIVEIRA, 2010). Segundo Romanzoti (2011), para o campo da medicina foi criada uma nova definição de vício pela Sociedade Americana de Medicina do Vício (ASAM), que é uma desordenação cerebral crônica e não somente um distúrbio comportamental que refere-se a drogas, álcool e sexo, por exemplo. A Sociedade Americana de Medicina do Vício (ASAM) afirma que no seu fundamento, o vício não é somente um problema social, moral ou criminal. É um problema cerebral cujas condutas se apresentam em todas essas outras áreas. Esta definição da mesma forma explica o vício como uma doença primária, significando que não resulta de outras circunstâncias, como desordens de cunho emocional ou psiquiátrico. Como doenças cardiovasculares e diabetes, o vício é
45 caracterizado como uma enfermidade crônica, e desta forma deve ser cuidado e monitorado (MILLER; HAJELA, 2011). Romanzoti (2011) ainda afirma que pesquisas evidenciaram que o vício acomete os circuitos de compensação do cérebro, de modo que as lembranças de experiências precedentes com drogas, sexo ou jogos, por exemplo, ativam o desejo e demais comportamentos de dependência. O vício afeta também pessoas ligadas diretamente à utilização da tecnologia, como os usuários de dispositivos móveis, que através da mobilidade oferecida pelos aparelhos, podem usar os mesmos em demasia para interagir com o mundo virtual, podendo adquirir um vício, caracterizado pela dependência dos aparelhos móveis. No Tópico 4.3 será mostrado como a utilização excessiva do telefone celular pode causar uma dependência aos usuários, a nomofobia 7. 4.3 NOMOFOBIA: DEPENDÊNCIA EXCESSIVA DO TELEFONE CELULAR Segundo Sartorelli (2010) o telefone celular se tornou indispensável no cotidiano. Existem pessoas que possuem mais de um aparelho e o vício faz com que queiram utilizar o celular quase todo o tempo, em todos os lugares, como sala de aula e aviões. A dependência do telefone celular e a angústia de não poder utilizá-lo em determinadas situações caracteriza a nomofobia. Os sintomas são variados. Há uma grande preocupação com o telefone celular como não deixá-lo com bateria descarregada e preferir carregar o aparelho em mãos que carregá-lo no bolso. Os principais sintomas são tremor, sudorese excessiva, falta de ar, vertigem, náuseas, taquicardia, dor de cabeça e, em casos mais extremos, depressão e até mesmo síndrome do pânico. Em casos mais graves, o vício pode provocar mudança de humor, respiração, taquicardia, ansiedade e nervosismo (LEMES, 2010). Ainda Sartorelli (2010) afirma que, no ponto de vista do psicólogo Cristiano Nabuco, coordenador do Grupo de Dependentes de Internet do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP, em alguns casos o celular acaba 7 Nomofobia: O nome é formado a partir da expressão no mobile, ou seja, medo de ficar sem o celular, problema ligado também à abstinência de Internet.
46 funcionando como escape, porque serve para aplacar a ansiedade. Há reações físicas extremas semelhantes à privação por álcool, mas os sintomas são mais identificados em nível psicológico. Não é sempre que quem é portador da nomofobia consegue perceber os sintomas. É normal que alguém próximo alerte sobre hábitos exagerados. Esse tipo de situação é comum quando jovens não deixam o celular. Geralmente se adaptam melhor às novas tecnologias e produtos de última Geração a adolescência é fase em que a nomofobia é mais evidente. Segundo Medeiros (2011), o vício gera um impacto severo na qualidade de vida: A pessoa não tem outras fontes de prazer, passa a se desinteressar por atividades sociais, afetivas e de lazer que anteriormente gostava. Ela tem uma relação exclusiva com o objeto de sua dependência e passa a gastar cada vez mais horas do seu dia a determinada situação. A psicóloga lembra que, no caso da dependência por celular ou Internet, o problema pode ser camuflado, já que a sociedade aceita o uso abusivo dessas tecnologias. A nomofobia pode acometer pessoas bem-adaptadas, que trabalham, estudam ou são casadas. Por isso, o problema não chama a atenção, são poucos sinais visíveis que denunciam a dependência (MEDEIROS, 2011, p.1). Medeiros (2011) ainda afirma que os alvos frequentes desse tipo de distúrbio são os adolescentes e os adultos com mais de 40 anos, e na visão da psicóloga Juliana de Bizeto o fator de risco para que a dependência se desenvolva é quando acontece um evento traumático, como um divórcio, a perda de emprego ou a morte de um ente querido. O abuso funciona como a única válvula de escape da pessoa, que passa a ter uma vida empobrecida e um campo de atuação muito restrito. A psicóloga lembra que os critérios de diagnóstico se apoiam na presença de três traços: exclusividade, tolerância e abstinência. Exclusividade, porque a tecnologia é a única fonte de prazer; tolerância, porque a pessoa passa a gastar um tempo cada vez maior com essa tecnologia; e abstinência, porque a pessoa apresenta sintomas desagradáveis quando está sem o aparelho, como irritabilidade, agitação e taquicardia. Medeiros (2011) afirma que o instituto francês de pesquisas de mercado IPSOS publicou um estudo sobre o impacto do celular na vida cotidiana e mostrou como esse aparelho mudou a vida dos usuários. A empresa realizou as mil entrevistas com pessoas de ambos os sexos, de todas as classes sociais e
47 com mais de 16 anos de idade, em 70 cidades e 09 regiões metropolitanas. Os resultados revelaram que 18% dos brasileiros admitiram ter dependência dos seus aparelhos. Oliveira (2013) afirma que em países do Oriente como China, Coréia do Sul e Japão é considerada questão de saúde pública o vício em tecnologia. O governo desses países criaram programas para tentar resolver o problema. No Japão, o Ministério da Educação criou um projeto que irá atender a 5 mil adolescentes. Será utilizada psicoterapia e os jovens terão que ter um convívio social ao ar livre através de prática de esportes e sem acesso aos recursos digitais. Na Coréia do Sul, por exemplo, aproximadamente 30% dos jovens são viciados e os mesmos têm que ficar internados por 12 dias. Ainda afirma Oliveira (2013) que no Brasil, a psicoterapia e auxílio psiquiátrico são utilizados como assistência aos viciados em telefone celular e mídias digitais em geral. Jovens que apresentam depressão déficit de atenção e fobia social têm mais chances de desenvolver a dependência. Segundo Valin (2009), quando usado de forma adequada e sem abusos, o telefone celular pode ser muito útil e melhorar as relações sociais, de forma a conectar pessoas que estão muito distantes, através de uma comunicação constante e rápida. Ainda afirma Valin (2009) que com o avanço tecnológico, o tempo para trocar mensagens foi extremamente reduzido, pois antes, uma carta que demorava semanas para chegar a outro continente, hoje com o advento da Internet e o telefone celular, a mensagem pode ser enviada e recebida em segundos, e assim gerar uma comunicação mais rápida. A tecnologia pode ajudar pessoas tímidas a superar barreiras psicológicas e, ao pelo menos virtualmente, conversar com outras pessoas sem medo e fazer novas amizades. Também é possível utilizar as redes sociais para flertar com pessoas desconhecidas, ou mesmo, pode simplesmente usá-las para expandir o círculo social. Valin (2009) cita uma pesquisa realizada pelo projeto Pew Internet and American Life Project que mostrou que as novas tecnologias não afastam os indivíduos do contato social direto com os outros. A pesquisa foi realizada nos Estados Unidos, via telefone, com 2512 adultos com idade superior a 18 anos. Segundo esta pesquisa, os usuários de celulares possuem uma rede (social) de discussão 12% maior do que as pessoas que não usam o aparelho celular,
48 havendo maior interatividade. Os usuários que compartilham fotos nas redes sociais e trocam mensagens de texto via celular tem um acréscimo de 9% (cada uma das duas) em sua rede de discussão. Visto por outro aspecto, a variação de pessoas nos grupos de usuários do telefone celular é 25% maior, seguido por 15% para os usuários de Internet. A tecnologia também é usada para aproximar pessoas. Conforme dados estatísticos informados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), até o fim do mês de maio de 2014 o Brasil tinha alcançado 265,525 milhões de linhas de telefonia móvel. De acordo com o total de linhas em junho, a maior parte era de pré-pagos, com 211 milhões de acessos, ou 79,43%. Os pós-pagos somaram 54,6 milhões de linhas, sendo representador por 20,57%. A banda larga móvel teve um total de 77,4 milhões de acessos, dos quais 174,1 mil são terminais 4G (ANATEL, 2014). O balanço ainda apontou que a teledensidade teve um alcance de 134,26 acessos para cada grupo de cem habitantes. Sendo assim, há mais de um telefone celular para cada brasileiro. No mês de maio de 2013, a teledensidade era de 134,24 terminais para cem pessoas (ANATEL, 2014). O estado com maior teledensidade é o Distrito Federal, com 218,39 celulares para cada cem habitantes, totalizando 5,942 milhões de linhas da telefonia móvel, ou 2,2% dos celulares do País. O estado com a menor teledensidade é o Maranhão, com 92,93 celulares para cada cem pessoas. O Maranhão fechou o mês de junho de 2013 com 6, 225 milhões de acessos móveis, ou 2,3% do total do Brasil (ANATEL, 2014). O Estado de São Paulo teve a teledensidade de 152,38 linhas celulares no fim do mês de maio de 2013. O mercado paulista é o maior em números absolutos, com 64,314 milhões de linhas móveis, ou 24,2% do total brasileiro (ANATEL, 2014). O Brasil encerrou o ano de 2013 com 271,10 milhões de linhas ativas de telefonia móvel e uma teledensidade de 136,45 acessos por 100 habitantes. Em dezembro de 2013, houve um acréscimo de 580,92 mil linhas. No ano, foram 9,92 milhões de novas adesões, um crescimento de 3,55% (ANATEL, 2014). Em dezembro de 2013, os acessos pré-pagos tiveram um total de 211,58 milhões (78,05% do total) e os pós-pagos 59,52 milhões (21,95%). A banda
49 larga móvel totalizou 103,11 milhões de acessos, dos quais 1,31 milhões são terminais 4G (ANATEL, 2014). Foi observado que no ano de 2013 houve um crescimento da base de acessos que utilizam as tecnologias 3G e 4G, bem como uma queda do número de acessos de segunda Geração (-17,98%). De janeiro a dezembro, a quantidade de acessos de 3G cresceu 75,85%. De março a dezembro, a base de 4G aumentou 8.808,79% (ANATEL, 2014). Com o grande e rápido crescimento da teledensidade e difusão da telefonia móvel, a tecnologia está definitivamente presente no cotidiano. Tanto para buscar informações, conversar com familiares e amigos ou apenas para entretenimento, a Internet e os telefones celulares não saem das mãos das pessoas. A crescente interação com a telefonia móvel quando não usada de forma controlada e adequada pode acarretar uma dependência e consequentemente a nomofobia, pois o usuário neste caso se sente mal caso tenha alguma impossibilidade de utilizar o dispositivo móvel. Porém, quando utilizada de forma consciente, a telefonia celular proporciona diversas facilidades e vantagens na comunicação digital, aumentando e melhorando a interação entre indivíduos distantes geograficamente e causando uma mudança no comportamento humano. Atualmente muitos jovens são conectados à tecnologia desde muito cedo, ainda crianças e assim ficam melhor adaptados do que as pessoas mais velhas que aprendem a utilizar as ferramentas tecnológicas na vida adulta. O Tópico 4.4 abordará as diferenças entre pessoas de faixa etária diferentes que utilizam a tecnologia, caracterizando os nativos digitais e os imigrantes digitais.
50 4.4 NATIVOS DIGITAIS X IMIGRANTES DIGITAIS 4.4.1 Nativos digitais Atualmente jovens de todas as idades utilizam seus aparelhos celulares para falar, ouvir música, assistir vídeos, navegar na Internet e redes sociais, trocar mensagens de texto (SMS) e aplicativos de comunicação instantânea. No ambiente residencial os jovens utilizam computador, se comunicam por mensagens e redes sociais com amigos aos quais lidam no cotidiano como na escola, mas também com amigos virtuais que estabelecem uma amizade virtual através de redes sociais, fóruns, chats e em diversos domínios da Internet. Estes jovens geralmente buscam informações primeiramente na Internet antes de buscarem nos livros, revistas, ou qualquer tipo de impressão. Eles entendem a tecnologia digital como uma linguagem, capaz de definir suas atitudes e comportamentos e desta forma são descritos como nativos digitais, pois estão inseridos na linguagem digital desde o nascimento (PESCADOR, 2010). Segundo Prensky (2001), esta geração de jovens prefere buscar informações de forma rápida e interagem com várias mídias simultaneamente devido à utilização constante smartphones, computadores, e mídia digital desde o nascimento. Além disso ainda ficam constantemente conectados com seus círculos sociais através de mensagens de texto (SMS) no celular, computador e demais dispositivos digitais conectados à Internet e com ferramentas de comunicação online como Whattsap e Facebook. Palfrey e Gasser (2011) afirmam que jovens que lidam com a tecnologia desde a primeira idade geralmente têm uma personalidade online e levam uma vida online através de dispositivos como o celular e recursos como redes sociais, esses são os nativos digitais. Esta característica de adaptação natural à tecnologia é o que difere esses jovens de seus pais e outras pessoas de gerações anteriores, as quais quando eram jovens costumavam relatar suas ideias e pensamentos em diários, que eram fechados com cadeados para que não pudessem ser lidos. Já os nativos digitais compartilham suas ideias, pensamentos e até segredos em blogs na Internet em redes sociais e desta forma criam vínculos entre pessoas que podem nunca se encontrar.
51 Segundo Prensky (2001), os nativos digitais podem ser facilmente identificados em todos os lugares devido a forma de utilizar os dispositivos tecnológicos e seus recursos. Como estão desde muito cedo familiarizados com a tecnologia digital, um telefone celular, por exemplo, não é utilizado apenas para as funções primordiais e básicas como realizar e receber chamadas e mensagens de texto, mas também para ouvir músicas, assistir vídeos e acessar a Internet, podendo também assistir TV. Os nativos digitais têm a capacidade de realizar várias tarefas simultaneamente, podendo executar um download de música ou streaming de vídeo online enquanto fazem uma tarefa escolar. Os nativos digitais nasceram em meio à tecnologia digital e se adaptaram naturalmente. 4.4.2 Imigrantes Digitais Prensky (2001) afirma que os imigrantes digitais são os indivíduos que nasceram na década de 80 e alcançaram a utilização da tecnologia digital geralmente na vida adulta, sendo assim, precisam se adaptar. Mesmo quando adaptados à linguagem digital, os imigrantes digitais ainda mantém determinado sotaque em relação aos nativos digitais ao que se refere a utilização das tecnologias no cotidiano. Muitos não conseguem deixar de utilizar métodos defasados e antigos. Imprimem e-mails ou não usam a Internet como primeira fonte de busca informação, mas preferem consultar livros e outros materiais impressos, por exemplo, pois a diferença é mais cultural. Segundo Presnky (2001), a diferença entre as gerações mais antigas e mais novas definem cada lado. Os imigrantes digitais costumavam ser apáticos em relação às tecnologias de comunicação de sua época como rádio e televisão, limitando-se a serem espectadores e ouvintes do rádio e televisão. Já os nativos digitais buscam a interação com a tecnologia. Ao invés de ler um manual para aprender como funciona e como operar um aparelho ou aplicativo, o nativo digital prefere utilizar e ir aprendendo numa sequência de erros e acertos, valendo-se de uma lógica para o entendimento. Os jovens preferem explorar e aprender por conta própria a utilização das tecnologias do que serem passivos e aprender com instruções e manuais.
52 No âmbito docente, geralmente os educadores são imigrantes digitais e não aceitam a constante conectividade dos nativos, pois não entendem a variedade e rapidez com que o conhecimento passa pelos alunos, e também não acompanham a evolução, repudiando os dispositivos móveis, por exemplo (PALFREY E GASSER, 2011). É necessário que os imigrantes digitais que são pais, professores, advogados, executivos estejam prontos para aprender de fato a linguagem digital e assim compreender o impacto que ela exerce sobre o comportamento dos jovens. Há um abismo entre a visão dos imigrantes digitais sobre a vida da Geração dos nativos e a experiência real dos mesmos (FURIA, 2013). Os nativos digitais muitas vezes ensinam aos imigrantes que podem ser seus pais e professores, por exemplo, a lidar com a tecnologia. Desta forma os imigrantes se adaptam melhor e mais rápido às tecnologias indispensáveis na sociedade moderna atual. Neste Capítulo foi visto como a telefonia móvel pode interferir no convívio social dos usuários, seja no cenário da educação ou no cotidiano e o excesso do uso pode causar dependência, caracterizada como nomofobia. Também foi visto como os jovens de hoje se adaptam melhor à tecnologia do que os adultos de gerações passadas. No Capítulo 5 será visto o memorial das pesquisas realizadas através de entrevistas apoiadas no questionário, sobre a utilização do telefone celular.
42 CAPÍTULO 5 MEMORIAL DAS PESQUISAS REALIZADAS Neste Capítulo será descrito a elaboração, aplicação e resultados de entrevista apoiada no questionário fechado, realizada com usuários de telefone celular. Será descrita a análise de cada item de forma a verificar alguns efeitos que o aparelho pode oferecer à sociedade. 5.1 METODOLOGIA APLICADA Para mostrar como a utilização excessiva do telefone celular influencia na vida dos usuários e apontar como a evolução da telefonia móvel e seus recursos facilitam o cotidiano dos mesmos, através de diversos serviços na utilização dos dispositivos móveis conectados ao sistema móvel celular, foi desenvolvida uma pesquisa de campo que visa identificar aspectos referentes à utilização do aparelho e as novas formas de interação disponíveis de modo a facilitar a comunicação. Foi solicitada a cooperação de pessoas próximas (familiares e amigos) através de uma prévia exposição sobre a entidade que está promovendo a pesquisa e sobre as vantagens que essa pesquisa poderá trazer para a sociedade, e em particular para o respondente para elucidar as questões mais importantes sobre a interação com o telefone celular. Desta forma, foi elaborado um questionário sobre o assunto. Foi utilizado questionário com questões fechadas aos usuários de telefone celular, com o objetivo de levantar dados e no propósito de conhecer as impressões gerais dos mesmos sobre o uso do dispositivo. Tais dados, uma vez apurados e analisados, servirão de subsídios para os indicadores a serem observados sobre os aspectos positivos que a telefonia móvel proporciona e a atenção necessária a respeito da utilização excessiva desta tecnologia.
54 Dentre um total de 40 usuários, esse questionário foi respondido pelos usuários entre as idades de 16 a 45 anos. Após análise, foi verificado o impacto da tecnologia no cotidiano dos usuários no âmbito da comunicação, entretenimento e produtividade. A elaboração do questionário consistiu nos seguintes passos: Pesquisa exploratória com perguntas aos usuários quanto a pontos positivos do aparelho e quanto a fatores que teriam maior relevância na qualidade das comunicações e entretenimento. Assim, a metodologia de um modo geral evoluiu de maneira significativa em relação aos critérios utilizados para a confecção desta pesquisa, uma vez que a mesma é um procedimento de aprendizagem e possui conjuntos de ações, que têm como objetivo proporcionar respostas aos problemas que são propostos A pesquisa foi realizada no mês de outubro de 2014, sendo as questões preenchidas diretamente pelos entrevistados, a fim de obter avaliações realistas e sinceras e a identificação dos avaliadores foi opcional. O questionário procede das seguintes considerações: (1) Percepção dos usuários do telefone celular quanto à frequência de utilização, tais como: (i) chamadas telefônicas; (ii) comunicação por texto; (iii) frequência de utilização; (2) constante necessidade de utilização do aparelho e dificuldades de manter-se maiores períodos sem uso do mesmo, (3) necessidade de utilização do aparelho para produtividade no ambiente docente e profissional e (4) perfil dos entrevistados. 5.2 RESULTADOS E DISCUSSÃO A partir da base empírica composta pelas entrevistas, encontra-se: uma exposição sintética das ideias centrais de cada uma, cuja análise norteou a a verificação de aspectos do uso da tecnologia móvel para utilidades além da simples comunicação. A essência é dar visibilidade e noção sobre o impacto dos dispositivos móveis celular no cotidiano das pessoas.
55 Na Figura 2 será mostrado a quantidade de aparelhos que os entrevistados possuem. USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Nenhum De 1 a 3 De 3 a 5 Mais de 5 Não soube Figura 2: Quantidade de aparelhos que os entrevistados possuem. Na Figura 2, observa-se que 100% dos entrevistados disseram que possuem entre 1 a 3 aparelhos. Na Figura 3 mostrará a frequência de chamadas realizadas diariamente. USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Nenhum De 1 a 3 De 3 a 5 Mais de 5 Não soube Figura 3: Frequência de chamadas realizadas diariamente. Observa-se na Figura 3 que quando se trata da frequência de chamadas realizadas diariamente, 60% disseram que realizam entre 3 a 5 ligações, 15% mais de 5 e 25% disseram que não sabem. Portanto as chamadas telefônicas ainda é um recurso bastante utilizado. Na Figura 4 descreverá a quantidade de mensagens de texto (SMS) enviadas diariamente.
56 USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% De 1 a 3 De 3 a 5 Mais de 5 Não soube Figura 4: Quantidade de mensagens de texto (SMS) enviadas diariamente. Na Figura 4 foi observado, que 42,5% disseram que enviam entre 1 a 3 mensagens por dia, 37,5% utilizam SMS de 3 a 5 vezes e 20% mais de 5. Neste caso, foi analisado que a maioria dos usuários utilizam mais o recurso de mensagem de texto que chamadas telefônicas, como visto na Figura 3. Já a frequência de acesso à Internet diariamente pelo dispositivo celular, será visto na Figura 5. USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Nunca De 1 a 3 De 3 a 5 Mais de 5 Não soube Figura 5: Frequência de acesso à Internet diariamente pelo aparelho. Observa-se na Figura 5 que 10% disseram que nunca acessam a Internet, 15% entre 1 a 3 vezes, 20% entre 3 a 5 vezes e 55% mais de 5 vezes. Desta forma, observou-se que o acesso a Internet móvel demonstra um interesse maior entre os usuários. Na Figura 6 exibirá a frequência de atualização de informações nas redes sociais.
57 USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Nunca De 1 a 3 De 3 a 5 Mais de 5 Não soube Figura 6: Frequência de atualização de informações nas redes sociais. Foi observado na Figura 6 que 15% disseram que nunca atualizam suas redes sociais, 25% disseram entre 1 a 5 vezes por dia, 35% entre 3 e 5 vezes e 25% mais de 5 vezes. Neste caso, foi observado que a interação nas redes sociais pelo dispositivo celular é bem utilizada pelos usuários. Em relação à frequência em que o usuário não fez uso da Internet no aparelho, pode ser visto na Figura 7. USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Nunca De 1 a 3 De 3 a 5 Mais de 5 Não soube Figura 7: Frequência de tempo sem acesso à Internet no aparelho. Foi visto na Figura 7, que 75% dos entrevistados disseram que nunca ficaram sem acessar a Internet, 20% entre 1 a 3 dias e 5% entre 3 a 5 dias. Assim, observou-se que o acesso à Internet no dispositivo é bastante utilizado pelos os usuários. A Figura 8 mostrará a frequência de acesso à Internet no dispositivo celular em locais públicos.
58 USUÁROS ENTREVISTADO 100% 80% 60% 40% 20% 0% Nunca De 1 a 3 De 3 a 5 Mais de 5 Não soube Figura 8: Frequência de acesso à Internet no dispositivo em locais públicos. Na Figura 8, foi mostrado que 5% disseram que nunca acessam a internet em locais públicos por semana, 20% disseram que acessam entre 1 a 3 vezes, 30% entre 3 a 5 vezes e 45% mais de 5 vezes. Portanto, conclui-se que é bastante recorrente o acesso à Internet no dispositivo em locais públicos. A Figura 9 mostrará a frequência de troca de aparelho pelos usuários entrevistados. USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Nunca De 1 a 3 De 3 a 5 Mais de 5 Não soube Figura 9: Frequência anual de troca de aparelho. A Figura 9 apresenta que 32,5% nunca trocaram e 67,5% disseram que trocaram o aparelho telefônico entre 1 a 3 vezes ao ano. Foi observado o elevado índice de usuários que trocam de aparelho, a maioria jovens que sentem a necessidade de acompanhar as novas tecnologias e recursos. Na Figura 10 será vista a frequência de incômodo quando não é possível utilizar o aparelho em determinados locais.
59 USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Não Raramente Sim Sempre Não soube Figura 10: Frequência de incômodo quando não é possível utilizar o aparelho. Foi visto na Figura 10 que 10% dos usuários raramente se sentem incomodados, quando estão num local onde não podem utilizar aparelho ou acessar a Internet e 90% sentem impacientes neste caso. Assim, foi verificado que a maioria dos usuários necesitam de estar conectados ao seu aparelho celular com frequência. A Figura 11 mostrará a utilização do aparelho celular como ferramenta de apoio no ambiente escolar. USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Não Raramente Sim Sempre Não soube Figura 11: Utilização do aparelho para apoio no ambiente escolar. Na Figura 11, observa-se que 17,5% dos usuários disseram que não utilizam o aparelho celular no ambiente escolar, como ferramenta de apoio a aprendizagem, 30% disseram que raramente usam e 52,5% disseram que sempre usam. Assim foi observado que a utilização do aparelho como apoio no estudo escolar é significativo. Os usuários neste caso utilizam aplicações de cálculos, pesquisa e exploração para apoio nas atividades acadêmicas.
60 Na Figura 12 exibirá a utilização do mesmo para produtividade no ambiente de trabalho como recurso de apoio profissional. USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Não Sim Raramente Sempre Não soube Figura 12: Utilização do aparelho para apoio no ambiente profissional. Foi visto na Figura 12, que 12,5% não utilizam o aparelho como ferramenta de apoio no ambiente profissional, 32,5% raramente utiliza e 55% que utilizam. Neste caso, foi observado que o aparelho celular é também útil como recurso profissional. Na Figura 13 será informado o nível de importância dos recursos e suporte para instalação de aplicativos no aparelho celular para os usuários. USUÁROS ENTREVISTADOS 100% 80% 60% 40% 20% 0% Não Sim Raramente Sempre Não soube Figura 13: Importância de suporte à instalação de aplicativos no aparelho. Foi observado na Figura 13 que 35% não consideram importante que tenha suporte para instalação de vários aplicativos e 65% consideram importante a ferramenta e aplicativos oferecidos.
61 Visto que foi necessário fazer um levantamento do perfil dos entrevistados, tais como: (1) gênero; (2) etnia; (3) estado civil; (4) Faixa etária; (5) renda familiar; (6) atividade remunerada; (7) participação na vida econômica familiar; (8) origem escolar e; (9) grau de escolaridade. Esta pesquisa foi realizada com 40 usuários de telefone celular de diversos perfis. No total foram 23 pessoas do sexo feminino e 17 do sexo masculino. A maioria dos entrevistados são da cor branca do sexo feminino, sendo maioria com idade de até 18 anos. A maioria tem renda de até 03 salários mínimos e é oriunda de Escola Federal e com formação em grau técnico e exercendo atividade remunerada em tempo integral. A maioria recebe ajuda financeira da família. Na questão cor ou raça, 65% das pessoas são da cor branca, 27,5% da cor negra e 7,5% da cor parda. Sobre o Estado civil, 60% solteiras, 32,5% casadas, 5% desquitadas e 2,5% viúvas. Na questão da faixa etária, 17,5% menores do que 15 anos, 30% entre 15 a 18 anos, 22,5% entre 19 e 22 anos, 20% entre 27 a 30 anos e 10% com mais do que 30 anos. Sobre a renda familiar, 17,5% com até 01 salário mínimo, 80% entre 1 a 3 salários mínimos e 2,5% entre 3,1 a 5 salários mínimos. Sobre a origem escolar, 20% de Escola Estadual, 15% de Escola Particular, 57,5% pessoas de Escola Federal e 7,5% de Escola Municipal. Quanto ao grau de escolaridade, 52,5% de grau Técnico, 25% de grau Técnico Integrado com Ensino Médio, 2,5% de grau Fundamental, 15% com grau Ensino Superior, 2,5% com grau Ensino Médio e 2,5% com grau Pós Graduação. Sobre a atividade remunerada, 30% não exercem, 18% exercem em tempo parcial e 45% exercem em tempo integral. Quando a questão foi a participação da vida econômica familiar 27,5% só estudam, 2,5% não trabalha, 45% trabalham, mas recebem ajuda financeira da família, 12,5% trabalham e são responsáveis pelo próprio sustento e contribuem parcialmente para o sustento da família e 12,5% trabalham e são as principais responsáveis pelo sustento da família. Uma vez concluída esta pesquisa, foram observados pontos positivos e negativos referentes à utilização do telefone celular.
62 Como pontos positivos, foi observado que para os usuários, o aparelho celular é muito importante para facilitar a comunicação através de diversos recursos, principalmente pelo recurso de acesso à Internet móvel e como ferramenta de acesso ao conhecimento e produtividade tanto no âmbito docente quanto profissional. Dentre os pontos negativos, destacam-se os seguintes: a utilização em demasia do aparelho pode gerar dependência de forma a implicar em transtorno e incômodo causado por não poder utilizar o aparelho a todo momento e em ambientes restritos. Como conclusão desta pesquisa, pode-se destacar que é possível utilizar o aparelho celular como um meio de comunicação mais dinâmico, como recurso de apoio na produtividade e como entretenimento. Vale ressaltar a importância na utilização do mesmo de forma prudente, a fim de evitar a dependência. Neste Capítulo foi visto a elaboração e aplicação de questionário fechado e resultados das entrevistas, realizada com usuários de telefone celular. No Capítulo 6 serão vistas as considerações finais e conclusão dos questionários além de direcionar a discussão para uma reflexão de continuidade em pesquisas e estudos para trabalhos futuros.
CAPÍTULO 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste Capítulo, foram apresentadas as considerações da pesquisa tendo em vista os resultados obtidos, de acordo com os objetivos específicos, que dão sustentação ao objetivo geral. Em função das considerações finais, são sugeridas recomendações para trabalhos futuros, além de apontar os desafios encontrados durante o estudo desta pesquisa. A evolução tecnológica transformou o mundo das telecomunicações, permitindo conexões sem fio e expandindo a rede telefônica em grandes proporções e com diversos recursos, apresentando evoluções conforme as mudanças das gerações do serviço móvel celular. Assim, a utilização do aparelho celular com diversos recursos de outros equipamentos agregados, devido à convergência digital, tornou-se imprescindível numa sociedade de rápida adaptação às mudanças da tecnologia, influenciando diretamente o comportamento humano. Desta forma, a comunicação virtual se tornou uma tendência, possibilitando rapidez e novas formas de interatividade, de forma a aumentar o contato e aproximar pessoas distantes geograficamente, organizar eventos com maior alcance de pessoas e de forma mais rápida, realizar conferências em vídeo, muito útil em ambientes corporativos e acessar informações em tempo real. Com o crescimento da teledensidade e evolução dos serviços móveis, o aumento da utilização do aparelho foi crescente de acordo com os diversos serviços oferecidos, e a população foi ficando mais dependente do aparelho celular. Foi verificado que o uso excessivo das chamadas novas tecnologias quando não utilizadas de forma consciente e adequada pode tornar os usuários excessivamente dependentes, no caso do objeto deste trabalho, o telefone celular, a ponto de não conseguirem ficar muito tempo sem contato com o mesmo e ainda podem ficar mais impacientes, impulsivas e com um conjunto de sintomas que configuram a nomofobia.
64 É possível usufruir do telefone celular e seus diversos recursos no cotidiano, principalmente além do recurso de voz, onde a transferência de dados está em crescimento e ocorre grande produção de aplicativos e recursos para comunicação por troca de dados. Desta forma conclui-se que a evolução da telefonia móvel celular é capaz de promover rapidez e eficiência nas comunicações, cada vez mais importante e necessária no mundo globalizado. Foi visto que, com a facilidade e possibilidade que os aparelhos oferecem os tornaram mais atrativos. Não é mais necessário um computador para acessar as suas redes sociais ou verificar seu e-mail, através do telefone celular é possível acessar e fazer as mesmas coisas tendo a facilidade da mobilidade, de forma que os usuários fiquem conectados diretamente com seu celular. A presente pesquisa ofereceu subsídios para averiguar estatisticamente o nível de teledensidade e acessos, através de discussão acadêmica e conhecimentos científicos, além de pesquisa bibliográfica, documental e de campo. 6.1 CONCLUSÃO DO QUESTIONÁRIO O estudo foi baseado em pesquisas realizadas por meio de aplicações de questionário com usuários de telefone celular e teve como objetivo analisar e identificar os perfis dos usuários do dispositivos móveis. Na visão dos usuários, a maioria utiliza diversas funções mais complexas além das funções básicas do telefone celular, encaixando num perfil de usuário avançado e está satisfeita com a quantidade e qualidade dos serviços. Com base nos dados, os itens verificados como: quantidade de aparelhos celular foi constatado que a maioria troca de aparelho regularmente para acompanhar a evolução da tecnologia e obter novos recursos. Todos consideram o telefone celular um recurso indispensável. no dias atuais, pois a necessidade de comunicação e acesso a informação com mobilidade é indispensável. Também foi observado que há usuários que possuem um aparelho para uso pessoal e outro(s) para uso profissional.
65 Quando o questionamento foi sobre a frequência de chamadas realizadas, a maioria realiza várias diariamente, sendo a ligação telefônica um recurso indispensável. Os usuários com idades mais avançadas são os que mais realizam chamadas simples, pois têm mais dificuldades de utilizar aplicativos de mensagens instantâneas e outros recursos de comunicação móvel, pois são imigrantes digitais. Quanto ao envio de SMS, a maioria utiliza mais este recurso do que a chamada telefônica, mostrando que a comunicação por texto é mais prática e viável como, por exemplo, em situações onde não se pode fazer uma chamada em determinados locais. Devido a praticidade e a necessidade de apenas enviar um recado ou não poder falar no momento, Foi observado também que a maiorias dos usuários que utilizam este recurso são jovens, pois têm mais facilidade com recursos mais avançados que os usuários mais velhos. Quanto ao acesso à Internet foi constatado que a maioria acessa constantemente, considerando um recurso muito importante, principalmente entre os mais jovens, que também se comunicam através deste recurso e redes sociais, com maior frequência que chamadas telefônicas e mensagens de texto. Em relação a atualização de informações nas redes sociais, a maioria atualiza várias vezes aos dias, mostrando que consideram importante estar inserido no círculo social virtual, principalmente pelos jovens, uma vez que estes mantém uma frequência constante de atualização de suas redes, com eventos cotidianos. Sobre o questionamento em relação a quanto tempo o usuário já ficou sem acessar a Internet no aparelho celular, a maioria acessa todos os dias, pois a tendência da comunicação móvel é a através das redes sociais e aplicativos de mensagens instantâneas online. Sobre o acesso à Internet pelo aparelho em locais públicos, a maioria acessa com frequência, devido a facilidade de pontos de acesso sem fio disponíveis, pois há atualmente um grande número de pontos de acessos wireless disponíveis em locais públicos, facilitando o acesso principalmente para jovens e profissionais que se reúnem para tratar questões de negócios e necessitam compartilhar informações através do ponto de acesso público. Quanto à troca de aparelho num preído anual, a maioria realiza a troca com bastae frequência para acompanhar a evolução e obeter novos recursos
66 disponibilizados. Os fabricantes proporcionam aparelhos mais sofisticados com aplicativos e recursos úteis para facilitar as atividades cotidianas, desta forma os usuários tornam-se mais interessados. Na avaliação da utilização do telefone celular, a maioria se sente incomodado por não poder utilizar o aparelho em determinados locais, pois precisam estar conectados ao seu aparelho com frequência, principalmente para verificar se há notificações de chamadas e mensagens e novas informações em suas redes sociais. Quanto à utilização do telefone celular como ferramenta de produtividade no ambiente escolar, a maioria utiliza para pesquisas e auxílio nos estudos. Os usuários neste caso utilizam aplicações de cálculos, pesquisa e exploração para apoio nas atividades acadêmicas. A principal aplicação é o recurso multimídia e visualização de vídeos em aula, além da pesquisa de conteúdo na Internet. Quanto à utilização do aparelho como ferramenta de apoio profissional, a maioria utiliza para pesquisas e uso de aplicativos estatísticos. Os usuários utilizam vários aplicativos de teor científico para diversas áreas de produtividade, de forma a agilizar e obter informações mais precisas, como cálculos. Quanto à avaliação dos recursos do aparelho, a maioria dos entrevistados considera importante os aplicativos e serviços oferecidos, tanto como entretenimento e produtividade. Devido à necessidade de obter recursos tantos para diversão como para produtividade, a necessidade de suporte para aplicativos é considerada muito relevante. Com base nos dados das respostas, observou-se que as pessoas estão aderindo à telefonia móvel de forma rápida e em grande escala. Desta forma, foi verificado que a utilização do aparelho é cada dia mais usado de forma excessiva para a comunicação, desde as funções mais básicas até as mais complexas. Sendo assim, foi constatado que o uso em demasia pode afetar o usuário de forma a desencadear o vício caracterizado como nomofobia, que pode acometer pessoas de todas as idades, principlamente os mais jovens devido a grande necessidade de semanterem conectados em grande parte do tempo.
67 6.2 ESTUDO FUTURO Como proposta de estudo futuro fica a sugestão de uma pesquisa extensiva sobre as alterações comportamentais nos usuários de telefone celular, podendo se entender no campo da psicanálise, de forma a elucidar os efeitos e transtornos causados pelo indivíduo com excessiva dependência da tecnologia, em especial o telefone celular. Para isso será preciso um profundo estudo sobre o assunto e também realizar as abordagens psicológicas e psicanalíticas de como o dependente é afetado nesse campo.
CAPÍTULO 7 REFERÊNCIAS ALBERNAZ, João Carlos Fagundes. Desafios e Promessas da Terceira Geração de Telefonia Móvel no Brasil. 2011. Disponível em <http://www.anatel.gov.br> Acessado em: 28 de julho de 2013. ALENCAR, Marcelo Sampaio de. Sistemas de Comunicações: Telefonia Móvel Celular. 1. ed. São Paulo: Editora Érica, 2001,p.178 181. ALFREDO, F. Tavares Jr. Telefonia Celular: uma visão abrangente. Londrina: Universidade Estadual de Londrina, 2004. ALMEIDA, Marco Antônio F. R. de. LTE (Long Term Evolution): A Evolução das Redes 3G. 2009. Disponível em: <http://www.teleco.com.br/>. Acessado em: 19 nov. 2013. ALMEIDA, Gildete Rodrigues do Nascimento. Convergência das Mídias. 2011. Disponível em: <http://convergenciadosmeios.wordpress.com/>. Acessado em: 13março de 2014. AMORIM, Glauco Fiorott. Análise de Desempenho de Protocolos de Roteamento com Diferenciação de Serviços em Redes de Comunicação Móvel Ad Hoc. Rio de Janeiro, 2002 (Dissertação de Mestrado) Instituto Militar de Engenharia. ANATEL. Brasil fecha 2013 com 271,10 milhões de acessos móveis. 2014. Disponível em: <http://www.anatel.gov.br> Acessado em: 15 ago. 2014. ANTUNES, Amanda Almeida. Interatividade: um estudo conceitual do termo. 2011. - Curso de Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2011. AURIMAR; PEREIRA, Celso José; ALVES, Leonardo. Tecnologia 3G e os impactos nos negócios. 2009. Disponível em: <http://revistaunifieo.wordpress.com/>. Acessado em: 02 nov. 2013. BARBOSA, Cássio W. 5G deve ser até mil vezes mais rápida que 4G. 2013. Disponível em: <http://www.tecmundo.com.br/>. Acesso em: 03 nov. 2013. Comunidade Wireless Brasil. Disponível em: <http://www.wirelessbrasil.org>. Acessado em: 02 nov. 2013.
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APÊNDICE A PESQUISA COM USUÁRIOS DE TELEFONE CELULAR 73 O questionário integra o trabalho de monografia que busca analisar a utilização do aparelho celular com propósito de cumprimento das etapas definidas pelos autores deste trabalho, com o intuito de concluir o curso. Para isso, estamos realizando esta pesquisa junto a vocês e solicitamos o preenchimento do questionário abaixo, cujas respostas contribuirão para a pesquisa. Contamos com sua colaboração! 1- Quantos aparelhos celulares o (a) sr (a) possui? a) Nenhum b) De 1 a 3 c) De 3 a 5 d) Mais de 5 e) Não sei 2- Em média, quantas ligações o (a) sr (a) realiza por dia através do seu telefone celular? a) Nenhuma b) De 1 a 3 c) De 3 a 5 d) Mais de 5 e) Não sei 3- Com que frequência o (a) sr (a) envia mensagens de texto (SMS) por dia? a) Nunca b) De 1 a 3 c) De 3 a 5 d) Mais de 5 e) Não sei 4- Com que frequência o (a) sr (a) acessa a Internet no seu telefone celular por dia? a) Nunca b) De 1 a 3 c) De 3 a 5 d) Mais de 5 e) Não sei 5- Com que frequência o (a) sr (a) atualiza informações nas redes sociais através do telefone celular por dia (Facebook, WhatsApp, por exemplo)? a) Nunca b) De 1 a 3 c) De 3 a 5 d) Mais de 5 e) Não sei
74 6- Quantos dias o (a) sr (a) já ficou sem acessar a Internet no telefone celular? a) Nunca b) De 1 a 3 c) De 3 a 5 d) Mais de 5 e) Não sei 7- Com que frequência o (a) sr (a) acessa a Internet em locais públicos? a) Nunca b) De 1 a 3 c) De 3 a 5 d) Mais de 5 e) Não sei 9- Com que frequência (a) sr (a) troca de celular? a) Nunca b) De 1 a 3 c) De 3 a 5 d) Mais de 5 e) Não sei 10- O (a) sr (a) se sente incomodado quando está em um local que não pode utilizar o aparelho ou acessar a Internet? a) Sempre b) Sim c) Raramente d) Não e) Não sei/ prefiro não opinar 11- O (a) sr (a) utiliza o celular na sala de aula como ferramenta de aprendizagem? a) Sempre b) Sim c) Raramente d) Não e) Não sei/ prefiro não opinar 12- Com que frequência o (a) sr (a) utiliza o celular no seu local de serviço como recurso de apoio profissional? a) Sempre b) Sim c) Raramente d) Não e) Prefiro não opinar
75 13- Para o (a) sr (a), qual a importância de ter um celular que tenha possibilidade de instalar vários aplicativos? a) Muito importante b) Importante c) Razoável d) Pouco importante e) Não sei/ prefiro não opinar Perfil: 1- Gênero: ( ) masculino ( ) feminino Cor ou Raça: ( ) Branca ( ) Preta ( ) Parda ( ) Indígena ( ) Amarela ( ) Prefiro não declarar 2 - Estado civil: (a) solteiro(a) (b) casado (a) (c) desquitado (a) (d) viúvo (a) 3 - Faixa etária: (a) menos do que 15 anos (b) 15 a 18 (c) 19 a 22 (d) 23 a 26 (e) 27 a 30 (f) mais do que 30 4 - Renda familiar: (a) até 1 salário-mínimo (b) 1 a 3 SM (c) 3,1 a 5,0 SM (d) 5,1 a 7,0 SM (e) mais do que 7 SM
76 5 - Exerce atividade remunerada? (a) Não (b) Sim, em tempo parcial (± 20 h semanais) (c) Sim, em tempo integral (± 30 h semanais) (d) Sim, mas se trata de um trabalho eventual 6 - Participa da vida econômica familiar? (a) Só estuda (b) Não trabalho. (c) Trabalho, mas recebo ajuda financeira da família (d) Trabalho, sou responsável pelo meu próprio sustento e contribuo parcialmente para o sustento da família (e) Trabalho e sou o principal responsável pelo sustento da família. 7 - Origem escolar: (a) Escola Municipal (b) Escola Estadual (c) Escola Federal (d) Escola Particular 8 - Grau de Escolaridade: (a) Ensino Fundamental Técnico (b) Ensino Médio (c) Técnico (d) Técnico Integrado com Ensino Médio (e) Ensino Superior (f) Pós-graduação