Portugal Atlantic Conference 2015 Principais Dinâmicas da Economia do Mar e Potencial de Internacionalização As Indústrias Navais 17 NOVEMBRO 2015 FÓRUM DO MAR - EXPONOR José Ventura de Sousa
Construção Naval Mundial (1) Em 2014, os estaleiros navais europeus inverteram o ciclo negativo da entrega de novas construções, iniciado em 2009, o que não aconteceu nas outras regiões do Mundo. 20 Produção das grandes potências mundiais de construção naval (milhões TBC ) 19,7 19,7 18,8 18 16 14 12 10 8 6 4 2 0 16,0 13,4 14,5 14,5 14,9 12,5 13,4 11,9 11,9 9,7 9,6 11,1 9,6 9,8 9,1 12,0 11,6 10,1 8,0 8,5 8,9 9,2 8,4 8,3 6,4 6,5 6,7 6,9 6,6 7,1 6,8 7,2 4,8 6,5 6,7 4,7 6,14,9 5,1 4,5 4,2 4,6 4,9 4,3 4,8 3,9 3,9 3,9 2,6 2,9 2,4 2,2 2,0 2,2 1,2 1,4 1,6 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 EU 27 + Noruega China Coreia do Sul Japão Fonte: Sea Europe - IHS-Fairplay - AIN - Associação das Indústrias Navais
Construção Naval Mundial (2) Em 2014, o número de novos contratos de construção colocados na Europa (UE28+Noruega) ultrapassou, em valor, o Japão, reflexo da maior especialização das encomendas colocadas nos estaleiros europeus. Novas encomendas de construção naval em 2014 (mil milhões de US$) 40 31,8 31,1 30 20 15,5 19 10 0,9 0,7 4 0 Coreia do Sul China Japão UE28+ Noruega Brasil EUA Resto do Mundo Fonte: Clarson - Sea Europe
Construção Naval Europeia A carteira de encomendas na UE28+Noruega é composta em 80 % por navios de passageiros, embarcações offshore e outras embarcações especializadas. No 1º Semestre de 2015 cresceu 0,8 % relativamente ao final de 2014, ano em que cresceu 27,0%. Construção naval UE 28 + Noruega (milhões TBC) 20 17,4 17,4 15,7 Novas Encomendas 16 14,2 13,5 Carteira Encomendas 12,4 11,3 Navios Concluídos 12 10,2 9,9 9,7 9,6 9,6 8,7 7,2 7,3 8 7,3 6,8 7,2 6,5 5,8 5,7 5,1 4,0 4,5 5,24,1 4,8 4,7 4,9 4,5 4,2 4,8 5,6 4,6 5,0 3,8 5,3 4,0 4,0 4 3,4 4,0 3,9 4,0 2,5 2,2 2,1 2,3 2,2 2,5 2,5 3,4 1,8 1,9 2,2 0 0,6 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015-1ºS Fonte: Sea Europe - IHS-Fairplay - AIN - Associação das Indústrias Navais
Milhões de euros Milhões de euros Construção e Reparação Naval Portuguesa (1) Em 2015, estima-se um forte crescimento do VN e VAB na Indústria Naval, proporcionado pelos resultados dos maiores estaleiros nacionais. Volume negócios na Indústria Naval 300 274 250 226 210 195 202 200 180 168 175 157 145 149 136 138 145 154 158 150 120 100 80 60 VAB da Indústria Naval 99 78 71 66 67 63 66 55 57 48 50 54 49 45 47 51 53 100 50-38 33 31 31 34 33 37 42 47 47 40 20 29 28 29 31 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 40 20-17 14 17 18 13 11 11 12 12 12 5 6 7 7 10 10 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Construção de embarcações e estruturas flutuantes, exceto recreio e desporto Construção de embarcações de recreio e desporto Reparação e manutenção de embarcações Fonte: INE, Sistema de Contas Integradas de Empresas - AIN - Associação das Indústrias Navais
Construção e Reparação Naval Portuguesa (2) O número de trabalhadores na Indústria naval cresce desde 2012. Em 2015 o crescimento será mais significativo, impulsionado pela reativação dos Estaleiros West Sea e Atlantic Eagle Shipbuilding. N.º Trabalhadores na Indústria Naval 4.500 4.000 3.500 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500-3.940 3.721 3.558 3.504 3.398 3.292 1.655 1.722 1.714 1.907 1.622 1.878 1.691 1.605 1.600 1.590 1.670 770 663 657 699 821 473 556 659 754 618 256 434 422 447 466 448 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 Construção de embarcações e estruturas flutuantes, exceto de recreio e desporto Construção de embarcações de recreio e de desporto Reparação e manutenção de embarcações Fonte: INE, Sistemas de Contas Integradas das Empresas
Mercados emergentes Indústria offshore (1) De acordo com um estudo realizado pela Douglas-Westwood para a OCDE, os estaleiros europeus deveriam orientar a sua atividade para as oportunidades dadas pela exploração de energia offshore. A construção naval para o offshore, nos últimos 44 anos, foi marcada por dois ciclos, acompanhando a evolução do preço do petróleo. Na última década, o grande crescimento da produção deveu-se ao crescimento do preço do petróleo e da necessidade de renovação das frotas.
Mercados emergentes Indústria offshore (2) No estudo da Douglas-Westwood prevê-se que ao longo do período 2014-2025: A procura para todos os tipos de navios para o offshore cresça 3,7 % ao ano. O número de navios requeridos varie entre 1229 e 1964 unidades.
Mercados emergentes Indústria offshore (3) Em 2014, segundo a Clarkson, o valor mundial de contratos de construção naval foi $103 mil milhões, dos quais 19 mil milhões (18,4%) foram para a Europa. Embora o mercado de offshore continue promissor, existe um risco de sobre capacidade no curto prazo. Este mercado constitui cerca de 40% do mercado de construção europeu. Número de navios contratados a nível mundial 800 600 400 200 0 678 6 393 3 283 274 2 13 467 6 556 569 7 5 448 8 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2014 2015, 1stNov 99 14 12 10 8 6 4 1 0 2 Offshore Vessels FPSO/FSU Fonte: Clarkson Research
Mercados emergentes Energias Renováveis Marinhas A energia eólica offshore é responsável por grande parte da produção de energias renováveis marinhas (ERM). As ERM são impulsionadas por fatores de natureza económica e política.
Novas oportunidades redução das emissões de (SO)x A partir de 1 Janeiro de 2015, a navegação em áreas ECA Emission Control Areas é obrigada a utilizar combustíveis com S < 0,1 % e a partir de 2020/2025, fora das ECA, com teor S < 0,5%. Teores de S mais elevados são possíveis, mas apenas se instalarem sistemas de limpeza dos gazes de escape dos motores. Acordo IMO para reduzir as emissões poluentes dos navios Percentagem de Enxofre do combustivel utilizado nas "Emission Control Areas" 1,5% 1,0% 0,1% 2005 2010 2015 Percentagem de Enxofre do combustivel utilizado fora das "Emission Control Areas" 4,5% 3,5% 0,5% 2005 2012 2020/2025
Novas oportunidades Redução das emissões de CO2 A Comissão Europeia apresentou um projeto de legislação (MCV - monitorização, comunicação e verificação) com vista à redução dos gases com efeito de estufa emitidos resultantes do transporte marítimo. Nos termos desta proposta, os armadores de todos os navios com mais de 5000 toneladas brutas, que usem os portos da EU, a partir de janeiro de 2018, devem monitorizar e comunicar as emissões anuais de dióxido de carbono (CO 2 ) de cada navio. O transporte marítimo é, de um modo geral, mais eficiente nos consumos de combustível do que outras formas de transporte, mas as suas emissões de gases com efeito de estufa são substanciais e apresentam um rápido crescimento. Atualmente, representam 3 % das emissões globais e prevêse que aumente para 5 % até 2050. Estão em curso discussões no seio da IMO para desenvolver os padrões de eficiência energética para os navios existentes.
Novas oportunidades - Gestão da água de lastro dos navios Em 13 de fevereiro de 2004, a IMO adotou a Convenção Internacional para Controle e Gestão da Água de Lastro e Sedimentos de Navios (BWM). Pretende-se com esta Convenção evitar a propagação de organismos aquáticos alienígenas e de patogenias transportados na água de lastro. Estima-se que cerca de 40.000 navios venham a ser reequipados com sistemas de tratamento de lastro, correspondendo a um investimento superior a US$600 mil milhões nos próximos 5 anos. A implementação da Convenção BWM será um dos maiores desafios que se colocarão ao transporte marítimo, aos estaleiros de construção e transformação naval, aos fornecedores de equipamentos e aos armadores. Esta situação provocou uma grande procura de docagem/reparação dos navios de grande porte, em 2015, o que se vai refletir num crescimento significativo do VN em reparação naval.
Novas oportunidades - Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento (TTIP) O Parlamento Europeu, considera importante incluir nas negociações em matéria de comércio e investimentos, entre a UE e os EUA, as temáticas ligadas ao setor dos transportes marítimos. A legislação dos EUA de cabotagem marítima rege-se pela «Lei Jones» Lei da Marinha Mercante de 1920 segundo a qual as embarcações com pavilhão dos EUA estão: (i) impedidas de receber serviços de reparação e de conversão realizados fora dos EUA; e (ii) obrigadas à declaração, registo e pagamento de 50% do seu valor, a título de direitos aduaneiros de importação e aquando do seu regresso aos EUA, se tiverem recorrido a um estaleiro estrangeiro para a realização de trabalhos de reparação ou de instalação de determinados equipamentos; Não existem requisitos de construção nos EUA para quaisquer outros meios de transporte, o que conduz à efetiva exclusão da indústria de construção reparação/manutenção naval da EU.
West Sea Shipyards Estaleiros Navais de Viana O investimento mais significativo foi a tomada de posição da Martifer, que permitiu à West Sea assumir a subconcessão dos terrenos e infraestruturas dos ENVC. No passado dia 27 de maio, primeiro aniversário da nova gestão, o estaleiro West Sea empregava 200 trabalhadores diretos, 80 % dos quais provenientes da extinta ENVC, encontrando-se naquele dia 520 trabalhadores em atividades de construção e reparação naval. Prevê-se que a faturação em reparação atinja 10 milhões, em 2015. No que respeita à construção naval estão em construção dois navios hotel, um para a Douro Azul ( 12 M), outro para um armador estrangeiro. No passado mês de julho foi adjudicado ao Estaleiro a construção de dois Navios Patrulhas Oceânicos Para a Marinha Portuguesa, por 77 milhões. Esta encomenda, vai permitir duplicar a capacidade atual de emprego no estaleiro.
Estaleiro AtlanticEagle Shipbuilding Estaleiros do Mondego Estaleiro Atlanticeagle Shipbuilding (EAS) reiniciou em 2013 a atividade de construção e reparação naval nas instalações dos Estaleiros Navais do Mondego, que encerraram a atividade em 2011. Em 2014, o EAS já deu emprego a 300 trabalhadores, 49 dos quais próprios e atingiu o volume de vendas de 4,6 milhões, dos quais 2,7 milhões em construção naval. Para 2015 prevê-se uma faturação de 10 milhões. O trabalho de construção mais emblemático é a construção de um Ferry RoRo para Timor no valor de 21 milhões, para entrega em Agosto de 2016. A sua carteira de encomendas concentra-se neste momento nos países da CPLP e Noruega e atinge o valor superior a 50 milhões que se estende até 2018. Para Portugal a carteira de encomendas resulta neste momento em trabalhos de reparação e reconversão e em 2016 poderá atingir o valor de 4 milhões.
Estaleiro AtlanticEagle Shipbuilding Estaleiros do Mondego EAS pretende apostar no mercado dos navios militares dando continuidade aos Estaleiros Navais do Mondego, que detinha uma experiência relevante na construção naval militar; ao longo da sua vida construiu mais de 77 navios para a Marinha de Guerra Portuguesa e outras Marinhas estrangeiras. Neste sentido está estabelecido um programa de formação dos seus quadros para que a sua capacidade de resposta junto das entidades militares seja eficaz e inovadora. Essa formação passa ainda pela estadia em países como a Alemanha, Holanda e Noruega. O EAS está vocacionado para a investigação, inovação e desenvolvimento, tendo vários projetos em desenvolvimento, com destaque para o ASV Air Supported Vessel com associação a parceiros europeus, cuja tecnologia se destina a navios de alta velocidade com aplicações militares e paramilitares com uma poupança de combustível considerável.
Arsenal do Alfeite, SA (AA,SA) A reestruturação da AA,SA, construção da Plataforma Naval Global (PNG) a partir das infraestruturas já existentes, está em velocidade de cruzeiro. - 10 de Julho: assinatura do Protocolo de Cooperação com a Escola Naval, marcando o início da aproximação da AA,SA a entidades ligadas às actividades navais e marítimas, dentro do Centro de Competência Naval; - 19 de Setembro: cerimónia de lançamento da STARTUP DEFESA ALFEITE, que tem como objectivo apoiar a criação de novos projectos de inovação e desenvolvimento e de empresas de âmbito tecnológico, juntamente com o Centro de Excelência e Conhecimento Científico, em parceria com as Forças Armadas. A Plataforma é constituída por um Pólo de Manutenção e Reparação Naval Militar de vocação nacional e internacional, um Centro de Competência Naval centrado na criação de um nicho de excelência de conhecimento do mar, e uma incubadora de novas actividades empresariais ligadas ao mar, a Startup Defesa. A PNG visa assegurar a continuidade na satisfação das necessidades de construção, reparação e modernização dos meios da Marinha Portuguesa, a par da exploração das suas condições de diferenciação ímpares, infra-estrutura física, e das oportunidades de mercado nacionais e internacionais.
Potencial económico da Indústria Naval Nacional. A indústria naval portuguesa conta com empresas inovadoras e tecnologicamente evoluídas, que empregam milhares de técnicos e operários altamente qualificados. No âmbito da economia do mar e do amplo aproveitamento que se pretende dar aos vastos recursos marinhos nacionais, a indústria naval e, em especial, a construção e a reparação navais assumem, reconhecidamente, papel de relevo, sendo consideradas como inquestionável fator estratégico para o desenvolvimento sustentado do nosso país, nos planos económico, financeiro e social. A persistência da atual crise económica e financeira, se é verdade que ainda provoca um forte impacte, sobretudo na fileira da construção naval, não é menos verdade que também abre uma nova dinâmica na procura de outros mercados, seja no âmbito das atuais valências, seja na diversificação para negócios emergentes, alguns dos quais já em execução, como sejam as plataformas offshore e as energias renováveis offshore.
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