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Délia Falcão. 11 de Janeiro 2012

Transcrição:

E m A N Á L I S E * DOCUMENTOS DE APOIO * Nº 10 Dezembro 2006 Gabinete de Investigação e Projectos Reforma da Segurança Social Síntese Portugal dispõe de um Sistema Público de Segurança Social que se desenvolveu muito mais tarde que o de outros países. Foi no pós-25 de Abril que se assistiu à consagração do princípio de solidariedade entre gerações e que fosse consagrado na Constituição o direito de todos à segurança social. O direito à segurança social é uma conquista civilizacional recente para defender e proteger a vida humana face aos riscos sociais, mas que pode também defendê-la e protegê-la face às adversidades de contextos políticos e económicos. A Constituição da República fixou os princípios e os objectivos fundamentais da Segurança Social no artigo 63º, nomeadamente: Todos têm direito à segurança social; Incumbe ao Estado organizar, coordenar e subsidiar um Sistema de Segurança Social unificado e descentralizado, com a participação das associações sindicais, de outras organizações representativas dos trabalhadores e de associações representativas dos demais beneficiários; O sistema de Segurança Social protegerá os cidadãos na doença, velhice, invalidez, viuvez e orfandade, bem como no desemprego e em todas as situações de falta ou diminuição de meios de subsistência ou de capacidade para o trabalho. O Sistema Público, Universal e Solidário de Segurança Social é um sistema de garantia de atribuição de prestações que desempenha na sociedade actual um papel decisivo na política de protecção social de todos os Portugueses. A Segurança social, nas suas diversas vertentes de intervenção, mitiga as consequências do modelo sócioeconómico em que vivemos pelo que é fundamental salvaguardar esta fundamental conquista de Abril e garantir uma protecção social digna para os portugueses e portuguesas. 1

Análise Um pouco de história Nas décadas de setenta e oitenta foram vários os acontecimentos que alteraram decisivamente a evolução social de Portugal. A Revolução de 1974 alterou radicalmente a vida política, o que teve implicações sociais, culturais e económicas de grande dimensão. Após um processo político rápido, baseado sobretudo na realização de eleições, na aprovação de uma Constituição e na reposição da autoridade administrativa e legal constitucional, foi fundado um regime democrático e parlamentar. O Estado de protecção social universalizou-se, sobretudo ao nível da segurança social, onde, por exemplo, o número de pensionistas passou de 56.000 em 1960 para 2.5 milhões em 2000 1. Tenham ou não contribuído durante a sua vida de trabalho, todos os cidadãos têm direito a uma reforma de velhice, assim como, a pensões de invalidez ou sobrevivência. Com a implementação do regime democrático quase todos os governos, independentemente da orientação político-ideológica, tomaram decisões tendentes a aumentar o número de pessoas abrangidas, assim como criaram novos mecanismos de apoio às populações ou a segmentos especiais (deficientes, mulheres, jovens, desempregados, reformados, famílias numerosas, etc,) No final de 1977, e cumprindo o imperativo constitucional, foi aprovado o Decreto-Lei nº 549/77, de 31 de Dezembro, que criou uma nova e revolucionária estrutura orgânica da Segurança Social. Em 1984 surge a primeira Lei de Bases da Segurança Social, que foi posteriormente alterada em 2000 (Governo Socialista) e em 2002 (Governo Social Democrata). As bases gerais do Sistema Público de Solidariedade e Segurança Social foram aprovadas pela Lei n.º 17/2000, de 8 de Agosto, a que chamamos Lei de Bases da Segurança Social. A Lei de Bases reafirmou o direito universal à segurança social, por um lado, e, por outro, criou condições para o tornar mais efectivo, na medida em que também definiu um regime de financiamento, que obedece aos princípios da diversificação das fontes de financiamento e da adequação selectiva. Estavam previstos os seguintes princípios: O princípio da universalidade: acesso de todos os cidadãos à protecção social; O princípio da igualdade: a não discriminação por qualquer motivo, designadamente em razão do sexo e da nacionalidade; O princípio da equidade social: tratamento igual de situações iguais e tratamento diferenciado de situações desiguais; O princípio da solidariedade: responsabilização colectiva dos cidadãos entre si no plano nacional, laboral e intergeracional na realização das finalidades do sistema, e envolvendo o concurso do Estado no seu financiamento; O princípio da inserção social: acção positiva a desenvolver pelo sistema, tendente a eliminar as causas de marginalização e exclusão social e a promover as capacidades dos cidadãos para se integrarem na vida social; O princípio da conservação dos direitos adquiridos e em formação: o respeito pelos direitos adquiridos e em formação nos exactos termos da lei; 1 In António Barreto, Mudança Social em Portugal 1960/2000, pp. 14 2

O princípio da responsabilidade pública: o dever do Estado de criar as condições necessárias à efectivação do direito à segurança social, tendo a obrigação constitucional de organizar, coordenar e subsidiar um sistema de solidariedade e de segurança social público; O princípio da complementaridade: a articulação das várias formas de protecção social públicas, cooperativas e sociais; O princípio da garantia judiciária: a garantia de acesso aos tribunais para fazer valer o direito às prestações; O princípio da unidade: a administração articulada das instituições para garantir a boa administração do sistema; O princípio da eficácia: a concessão oportuna das prestações legalmente previstas; O princípio da descentralização: a autonomia das instituições com vista a uma maior aproximação às populações; O princípio da participação: a responsabilização dos interessados na definição, no planeamento e gestão do sistema e no acompanhamento e avaliação do seu funcionamento; O princípio da informação: a divulgação a todos os cidadãos dos seus direitos e deveres e da sua situação perante o sistema. O Sistema de Solidariedade e de Segurança Social engloba: o subsistema de protecção social de cidadania que visa assegurar direitos básicos e que tem por objectivo garantir a igualdade de oportunidades, o direito a mínimos vitais dos cidadãos em situação de carência económica, a prevenção e a erradicação de situações de pobreza e de exclusão. As eventualidades consagradas são: ausência ou insuficiência de recursos económicos dos indivíduos e dos agregados familiares; invalidez; velhice; morte; e outras situações de pobreza, disfunção, marginalização e exclusão sociais. O financiamento é feito por transferências do Orçamento do Estado. o subsistema de protecção à família que visa garantir a compensação de encargos familiares acrescidos. Estão previstas as seguintes eventualidades: encargos familiares, deficiência e dependência. As prestações de protecção à família não dependentes da existência de carreiras contributivas e associadas à protecção social de cidadania e à acção social são exclusivamente financiadas por transferências do Orçamento de Estado; nos outros casos são financiadas de forma tripartida, através de cotizações dos trabalhadores, de contribuições das entidades empregadoras e da consignação de receitas fiscais. o subsistema previdencial que tem como objectivo essencial compensar a perda ou redução de rendimentos da actividade profissional, quando ocorram as eventualidades de doença, maternidadepaternidade e adopção, desemprego, acidentes de trabalho e doenças profissionais, invalidez, velhice, morte. Mas o elenco das eventualidades protegidas pode ser alargado em função de dar cobertura a novos riscos sociais. As prestações substitutivas de rendimentos da actividade profissional são financiadas através das cotizações. Segundo António Barreto, a medíocre eficiência do Estado de protecção social, medida tanto pelos baixos montantes de prestações pagas aos beneficiários da segurança, como pelas disfunções dos sistemas de saúde e educação, fica a dever-se certamente à falta de organização e experiência, mas também a um real défice de recursos. O que pode parecer paradoxal. Com efeito, a despesa pública com a chamada função social do Estado 3

atinge níveis iguais ou superiores aos que se conhecem em países europeus desenvolvidos. Com a saúde e a educação, o Estado Português gasta uma percentagem do PIB superior à de vários parceiros da União 2. O problema parece, no entender deste sociólogo, residir na escassez do produto. Muitas outras razões e argumentos são utilizados por diferentes personalidades da vida política, social e económica portuguesa que justificam o colapso do sistema de segurança social e a necessidade de adoptar politicas reformistas que permitam salvar o sistema num futuro próximo. Uma das razões mais apontadas prende-se com a tendência para o envelhecimento da população, que segundo as projecções conhecidas nas próximas décadas haverá em Portugal uma duplicação do peso da população com idade superior a 65 anos. Esta realidade será acompanhada de uma evolução significativa no número de anos de vida esperados ai atingir 65 anos 3. A situação agravou-se devido, por um lado, ao aumento do desemprego, sobretudo o de longa duração nas idades a partir dos 45 anos, e por outro, ao impacto das reformas antecipadas, da falência de muitas empresas de mãode-obra intensiva e da deslocalização de empresas estrangeiras. Terão ainda contribuído para o aumento do défice da Segurança Social medidas sociais, sem a respectiva contrapartida de receita, a fraude nas prestações, a evasão contributiva e a economia paralela. É, pois, normal que o Fundo de Estabilização da Segurança Social cujo património excede os 6.5 mil milhões de euros tenha de ser usado antes do prazo previsto no Livro Branco. Então que fazer, para repor o equilíbrio do Regime Contributivo, que deve estar financeiramente equilibrado, a longo prazo? Nós consideramos prioritário reduzir a componente de curto prazo do défice, através de políticas, incluindo as fiscais, de relançamento da economia e do emprego, de reforço do combate à fraude, à evasão e ao trabalho ilegal e de integração dos imigrantes. Importa também reforçar as políticas de apoio à natalidade e ao rejuvenescimento da população, de forma a melhorar a relação activos/reformados no prazo de 20 anos. O ministro das Finanças (Teixeira dos Santos) no final de 2005 reafirmava as conclusões do Relatório sobre a sustentabilidade da Segurança Social entregue no Parlamento em Outubro, com o Orçamento do Estado para 2006. De acordo com esse relatório, se nada fosse feito, o sistema público de Segurança deixaria de ser autosustentável em 2015. Em 2007, o sistema entra em défice, ou seja as contribuições deixam de ser suficientes para pagar as prestações sociais (pensões, subsídio de desemprego, etc.), passando a ser necessário recorrer ao fundo de estabilização financeira. E este esgotar-se-á em 2014. Isto significaria que, a partir de 2015, as reformas teriam de começar a ser pagas com dinheiro de fora do sistema, recorrendo a verbas do Orçamento do Estado. O Executivo de José Sócrates tinha já encetado, nessa data, várias medidas para tentar contrariar este risco de insustentabilidade. Entre essas medidas, refira-se: a consignação à Segurança Social de uma parte das receitas conseguidas com o aumento do IVA de 19 para 21 por cento, o combate à fraude e evasão (com a qual o Governo conseguiu recuperar 200 milhões de euros em 2005) e a suspensão das reformas antecipadas. Também já foi alterada a tributação dos trabalhadores independentes e estão em curso várias outras medidas tendentes a aumentar a criação de mais emprego e tornar o sistema mais equilibrado e equitativo. Uma das medidas mais recentemente aprovadas foi a da alteração das regras do subsídio de desemprego. 2 Nos anos 70 Portugal gastava por ano, com a educação e a saúde entre 1 e 1.5% do Produto nacional e em finais de 90 essa proporção aumentou para 5.5% e 4.5% respectivamente. 3 Fonte: Eurostat, Comissão Europeia Ageing Working Group 4

O actual governo apresentou à Assembleia da República uma nova Proposta de Lei de Bases da Segurança Social, que resulta de um acordo que o Governo assinou com as associações patronais e com a UGT em sede de Concertação Social, não tendo sido assinado apenas pela CGTP. A proposta do Governo foi aprovada na generalidade a 23 de Novembro de 2006. A Reforma da Segurança Social preconizada pelo actual Governo (Resolução do Conselho de Ministros nº 141/2006 de 25 de Outubro) tem como objectivo fundamental: construir uma terceira geração de políticas sociais que corrija os erros recentes, que tenha por principio basilar a garantia da sustentabilidade económica, social e financeira do sistema de segurança social e que represente um novo impulso no reforço da protecção social, sempre e cada vez mais baseada na diferenciação positiva das prestações face às diversas situações de risco. Esta reforma assenta na introdução de um factor de sustentabilidade para efeito do cálculo das pensões ligado ao aumento da esperança média de vida, que poderá levar os cidadãos a trabalhar um pouco para além da idade da reforma, descontar um pouco mais ou receber um pouco menos de pensão. Prevê, também, a antecipação da entrada em vigor da nova fórmula de cálculo de pensões. Essa nova fórmula - que levará a reformas mais baixas, já que terá em conta toda a carreira contributiva e não apenas os melhores dez anos dos últimos 15 - devia entrar em vigor só em 2017, mas o Governo quer antecipá-la para 2007. E a introdução de um novo indexante para os aumentos anuais das pensões (com base na inflação e no crescimento económico do país) são outras das medidas previstas. Além disso, estabelece a protecção das longas carreiras contributivas, a limitação das pensões mais altas, a promoção do envelhecimento activo e o reforço do combate à fraude e evasão contributiva, entre outras medidas. Fontes Resolução do Conselho de Ministros 141/2006 Portal do Governo Diário digital Grupo Parlamentar do PCP Bases do Sistema de Segurança Social Barreto, António, Mudança Social em Portugal 1960/2000, ICS, Outubro de 2002 Conselho Económico e Social, Acordo sobre a Reforma da Segurança Social, Outubro 2006 Linhas Estratégicas da Reforma da Segurança Social, Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, Maio de 2006 REAPN Dezembro, 2006 *** 5