PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 123, DE 2015 Dispõe sobre a atividade de Ministro de Confissão Religiosa e carreiras afins. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. 1º É requisito mínimo para o exercício da função profissional de Ministro de Confissão Religiosa e carreiras afins a comprovação de nível de escolaridade correspondente ao ensino médio. Parágrafo único. Os Ministros de Confissão Religiosa e afins podem desempenhar sua função como trabalhadores autônomos ou empregados. Art. 2º Constituem atribuições do Ministro de Confissão Religiosa: I aconselhar as pessoas, pautado no amor, na solidariedade, na misericórdia, no respeito, na ética, na moral, tocando a essência humana para trazer paz ao mundo, bem como assistir apoio espiritual a todos aqueles que assim o desejarem e necessitarem;
2 II realizar ação social junto à comunidade, com a finalidade de praticar o exercício da vida contemplativa e meditativa e preservar a ética e a moral cristã auxiliando na regeneração das pessoas; III desempenhar tarefas similares perante as igrejas, templos e casas espirituais, independente da crença ou religião. Art. 3º Os Ministros de Confissão Religiosa exercem suas atividades nas seguintes denominações: I Confissão Religiosa: a instituição caracterizada por uma comunidade de indivíduos unidos por um corpo de doutrina, obrigados a um conjunto de normas expressas de conduta, sob a forma de cultos, traduzidas em ritos, práticas e deveres para com uma divindade superior, sendo aceitas as confissões religiosas relacionadas ao protestantismo, catolicismo romano, catolicismo greco-ortodoxo, maronismo, judaísmo, budismo, confucionismo, taoísmo, hinduísmo, islamismo, espiritismo, umbandismo e candomblé; II Instituto de Vida Consagrada: a sociedade aprovada por legítima autoridade religiosa na qual seus membros emitem seus votos públicos ou assumem vínculos estáveis para servir à confissão religiosa adotada, além do compromisso comunitário, independentemente de convivência sob o mesmo teto, tais como, juntas de missões, abrigos, casas de amparo à velhice e à infância, hospitais e instituições que se dedicam à pregação, capelanias ou serviço religioso ao próximo; III Ordem ou Congregação Religiosa: a sociedade aprovada por legítima autoridade religiosa, na qual os membros emitem os votos públicos determinados, os quais poderão ser perpétuos ou temporários, estes passíveis de renovação, e assumem o compromisso comunitário de convivência sob o mesmo teto.
3 Art. 4º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: I Ministro de Confissão Religiosa: aquele que consagra sua vida a serviço de Deus e do próximo, com ou sem ordenação, dedicando-se ao anúncio de suas respectivas doutrinas e crenças, à celebração dos cultos próprios, à organização das comunidades e à promoção de observância das normas estabelecidas, desde que devidamente autorizado para o exercício de suas funções pela autoridade religiosa competente; II membro de Instituto de Vida Consagrada: a pessoa que emite voto determinado ou seu equivalente, devidamente aprovado pela autoridade religiosa competente; III membro de Ordem ou Congregação Religiosa: aquele que emite ou professa, na ordem ou congregação, os votos adotados; IV ex-membro de Entidade de Confissão Religiosa, Instituto de Vida Consagrada ou Ordem ou Congregação Religiosa: todo aquele que solicita seu desligamento em virtude da expiração do tempo de emissão de seus votos temporários ou por dispensa de seus votos, neste caso quando concedida pela autoridade religiosa competente, ou, ainda, por quaisquer outros motivos; V Padre, Bispo, Sacerdote, Frei, Frade, Cardeal, Vigário, Pároco, Prelado, Arcebispo, Monsenhor, Diácono, Presbítero, Evangelista, Pastor, Missionário, Obreiro, Apóstolo, Reverendo, Dirigente Espiritual e afins: aqueles que prestam serviços vocacionais de assistência religiosa e serviço de capelania. Art. 5º Os Ministros de Confissão Religiosa, trabalhadores autônomos ou não, podem atuar também junto aos hospitais, casas de saúde, presídios, cemitérios,
4 abrigos, igrejas, escolas, instituições públicas e privadas, empresas, asilos, orfanatos e quaisquer outros estabelecimentos de proteção aos direitos humanos. Art. 6º A comprovação da condição de Ministro de Culto, Pastor, Reverendo ou Ministro do Evangelho será feita pela Ordem dos Ministros Evangélicos do Brasil (OMEB) e pelos Presbitérios, Conselhos, Convenções, Sínodos, Bispos, Superintendentes Distritais, Concílios, Missões, Confederações, Federações ou Departamentos de Atividades Ministeriais, desde que estas instituições comprovem sua existência legal e eclesiástica, podendo ser representadas por pessoa devidamente credenciada, mediante documento hábil. Parágrafo único. A comprovação da condição de Dirigente Espiritual será feita pelas Confederações ou Federações. Art. 7º As entidades mencionadas no caput do art. 6º, pautadas na ética e disciplina previstas em normas internas, serão responsáveis pela fiscalização da atuação dos seus membros. Art. 8º O exercício voluntário da atividade de Ministro de Confissão Religiosa e afins, com finalidade altruística ou filantrópica, não gera vínculo empregatício. Art. 9º Aplica-se ao Ministro de Confissão Religiosa e afins, trabalhador autônomo ou não, o disposto na Legislação Trabalhista e Previdenciária. Art. 10. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
5 Justificação Os Ministros de Confissão Religiosa e afins são prestadores de serviços vocacionados ao exercício do sacerdócio, cuja função precípua pode ser traduzida no auxílio espiritual a um número ilimitado de pessoas. Ao trazer conforto e paz aos fiéis, os ministros da fé desempenham relevante atividade no campo religioso e social, devendo, assim, fazer jus aos direitos trabalhistas e previdenciários, assim como quaisquer outros trabalhadores. A propósito, a legislação previdenciária já enquadra o Ministro de Confissão Religiosa na condição de contribuinte individual do Regime Geral de Previdência Social, categoria de segurado obrigatório da Previdência Social composta por trabalhadores autônomos e eventuais, que não possuem vínculo de emprego. No tocante à legislação trabalhista, entende-se que os sacerdotes da fé estão enquadrados na categoria dos trabalhadores autônomos (isto é, aqueles que desempenham atividade por conta própria, sem vínculo de emprego). Ocorre que não são raros os casos em que os missionários exercem seu labor em regime tipicamente de emprego, sem, todavia, obter o reconhecimento formal do vínculo empregatício por parte do empregador. Sob esse prisma, o não reconhecimento da existência da relação empregatícia priva o prestador de serviços religiosos de diversos direitos trabalhistas, tais como: férias, décimo terceiro, repouso semanal remunerado, Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, horas extras, dentre outros, situação que, além de se afigurar sobremaneira injusta, não se coaduna com os princípios da dignidade da pessoa humana e da proteção.
6 Desse modo, a proposição em testilha tem por escopo deixar claro que os Ministros de Confissão Religiosa e carreiras afins podem exercer sua atividade laborativa na condição de trabalhadores autônomos ou empregados, neste caso desde que comprovados os elementos que integram o núcleo da relação empregatícia, mormente a subordinação jurídica e a pessoalidade. Outrossim, convém salientar que o Projeto de Lei do Senado (PLS) que ora se apresenta está em conformidade com a jurisprudência pátria. A título ilustrativo, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já reconheceu, em dado caso concreto, a existência de relação de emprego entre entidade religiosa e Pastor. Percebe-se, nesse contexto, que a regulamentação da situação dos Ministros de Confissão Religiosa e afins é medida que dignifica o trabalhador, ao passo que vai ao encontro dos valores sociais do trabalho. Por todo o exposto e considerando a relevância social da matéria, solicita-se aos nobres pares o necessário apoio para a aprovação do presente Projeto de Lei. Sala das Sessões, 17 de março de 2015. Senador Telmário Mota PDT-RR (À Comissão de Assuntos Sociais; em decisão terminativa) Publicado no DSF, de 18/3/2015 Secretaria de Editoração e Publicações Brasília-DF OS: 10760/2015