RELATÓRIO DE INSPEÇÃO CENTRO DE RECUPERAÇÃO REGIONAL DE PARAGOMINAS Aos quatro dias do mês de julho de 2013, o Conselho Penitenciário, neste ato composto pelas representantes Dra. Maria Clara Barros de Noleto (Procuradora da República) e Dra. Rosa Ângela Wenner (Defensora Pública), dirigiram-se ao Centro de Recuperação Regional de Paragominas CRRP, localizado na Avenida Liberdade, s/n, Bairro Condomínio Rural, CEP: 68625-000, Paragominas/PA, com a finalidade de proceder inspeção penitenciária, nos termos do art. 70, II, da Lei de Execuções Penais. As conselheiras foram recebidas pelo Diretor em exercício Erlanio Moreira de Souza, ato contínuo passaram a inspecionar o complexo e das constatações verificadas, merecem destaque as abaixo listadas. Da Administração e Características do Estabelecimento: O Centro de Recuperação Regional de Paragominas é estabelecimento penal Estadual que abriga detentos do sexo masculino. O estabelecimento encontra-se superlotado, uma vez que tendo capacidade para 176 pessoas, atualmente conta com 344 presos. As instalações, de maneira geral, encontram-se em precárias condições, verificando-se, por todo o complexo, instalações elétricas improvisadas, fios elétricos aparentes, instalações hidráulicas danificadas, infiltrações promovendo a proliferação de limo e mofo nos ambientes, além de lixo e esgoto a céu aberto.
O estabelecimento possui celas coletivas, com ventilação insuficiente e sem iluminação natural. Constatou-se, ainda, 02 blocos com containers, modelo este humilhante e degradante. Também impende ressaltar as péssimas condições dos presos em regime semi-aberto, os quais não possuem colchões suficientes e estão sem trabalho. Outrossim, não há ala separada para diferentes regimes, presos provisórios e condenados, idosos, nem acessibilidade para pessoas com deficiência. E não há local especial para o cumprimento de seguro/custódia diferenciada. Não restou constatado indicativos da atuação de facções no estabelecimento. Na localidade existem de 04 a 06 computadores e, em que pese tenha acesso à internet, não é realizada a alimentação do INFOPEN, o que, consequentemente, gera inconsistência de dados. A unidade não possui regulamento interno e não há programa de combate a incêndio, sendo insuficiente o número de extintores existentes.
Da Assistência Material e Alimentação: No que se refere às condições materiais, a Administração não fornece camas e colchões suficientes para todos os presos, bem como não há distribuição de uniformes, calçados, roupas de cama e/ou toalhas, artigos de higiene pessoal e artigos de limpeza. Existe sanitário e lavatório em todas as celas, assegurando privacidade para uso das instalações sanitárias e sendo garantido banho diário. É fornecida água de poço, porém não há local destinado à venda de produtos e objetos permitidos e não fornecidos pela Administração. Quanto à alimentação, esta é preparada na própria unidade sem orientação de nutricionista. São oferecidas 03 (três) refeições diárias padronizadas, sem o controle de qualidade, nos horários de 07:00h, 12:00h e 16:30h, realizadas nas celas. Constatou-se que as verduras só chegam sexta a noite, em pouca quantidade e muitas vezes estragadas. Os presos deslocados para audiências e outras atividades externas recebem alimentação e água potável quando saem e retornam, independentemente do horário. E os alimentos também podem ser fornecidos por seus familiares. Na cozinha evidenciou-se instalações elétricas expostas ou inacabadas, ambiente sujo, panelas e utensílios de cozinha enferrujados e armazenados de maneira não higiênica, paredes e chão engordurados e exaustores danificados. Verificou-se, ainda, que a casa penal já se encontra 03 (três) meses sem material de limpeza e higiene.
Das Características dos Presos: No estabelecimento não foi constatada a presença de pessoas com deficiência, indígenas, estrangeiros, adolescentes, nem pessoas em tratamento para dependência química. Por outro lado, verificou-se 03 (três) presos maiores de 60 (sessenta) anos e 01 (um) com transtorno mental. Segundo informações, não há pessoas com diabetes e hepatite. Contudo, há 01 (um) preso com HIV, 01 (um) com tuberculose e 01 (um) com hanseníase não isolado. Por fim, não há pessoas presas em RDD.
Da Assistência à Saúde: Inicialmente, cumpre destacar que o estabelecimento está integrado ao Plano Nacional de Saúde do Sistema Penitenciário. O quadro de pessoal está limitado a 03 (três) auxiliares de enfermagem, 01 (um) terapeuta ocupacional e 01 (um) médico clínico geral cedido pela Prefeitura. Não há enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e dentistas. Alerte-se para o fato de que não há óbice à contratação, por parte do próprio preso ou de seus familiares, de médico particular. São realizados pela enfermaria os exames e consultas nos apenados quando ingressam no sistema prisional e os detentos possuem acesso aos demais exames médicos necessários no curso da internação. Outrossim, são acessíveis aos presos as medicações definidas pelo SUS para farmácias de unidades prisionais, contudo, não possuem acesso às medicações prescritas que não estejam no pacote SUS. Noutro passo, há distribuição de preservativos e vacinação regular, bem como são realizados trabalhos para prevenção ou controle de doenças infecto-contagiosas. O estabelecimento prisional não possui ambulância. Evidenciou-se, no espaço destinado ao atendimento ambulatorial dos detentos que os medicamentos, equipamentos e utensílios não são devidamente acondicionados e o descarte do material é realizado de maneira improvisada no lixo comum.
Da Assistência Educacional e Lazer: O estabelecimento penal possui 02 (duas) salas de aula e 01 (uma) sala de informática. Não possui biblioteca. As aulas são ministradas por Professores do SESI e, segundo informações, 40 (quarenta) presos estudam na alfabetização e 40 (quarenta) no ensino fundamental. Aos presos são conferidas atividades esportivas no campo de futebol 01 (uma) vez por semana e possuem 01 (uma) hora diária de sol no pátio, não havendo outras atividades culturais/lazer.
Da Assistência Jurídica: Aos presos sem condições financeiras é proporcionada assistência jurídica gratuita e permanente prestada pela casa penal. O contato entre a pessoa presa e o advogado é realizado no parlatório. Restou apurado que a Defensoria Pública comparece com regularidade mensal no estabelecimento e que no ano de 2013 constataram-se 03 (três) saídas temporárias e nenhum livramento condicional, progressão ou indulto. Tendo em vista a superlotação do local, não há separação entre os presos provisórios e os condenados definitivamente e não há programa individualizado para o cumprimento da pena. Da Assistência Religiosa: São conferidos 02 (duas) vezes por semana intervalos para que os presos professem suas atividades religiosas. Há visitas de religiosos de crença católica e evangélica. As cerimônias são realizadas no bloco, sendo permitida a entrada de objetos a ela relacionados e as necessidades religiosas são consideradas com relação às vestimentas, horários e rotinas.
Da Assistência Laboral e Social: No estabelecimento penal não há oficinas de trabalho, bem como não há recintos adequados para a atividade de assistência social. Com relação às visitas, tem-se que as visitas sociais ocorrem no pátio, uma vez por semana, podendo 08 (oito) ou mais pessoas serem cadastradas por preso para realizarem a visita, sendo que apenas 01 ou 02 pessoas podem realizar a visita por vez. Por outro lado, há permissão para visitas íntimas, inclusive homoafetivas, que ocorrem nas celas, com a frequência de 04 (quatro) vezes por mês. Tanto nas visitas sociais, quanto nas íntimas, os visitantes são revistados através de procedimentos com desnudamento. Não é permitida a visita de menores de 18 anos. Da Disciplina e Ocorrências: A imposição de sanção disciplinar aos presos ocorre através de registro no livro, sendo que no registro de sanção de natureza grave é anotado o prévio procedimento disciplinar. Foi informado, ainda, que nem toda notícia de falta disciplinar enseja a instauração de procedimento. Outrossim, foi obtida a informação de que são executadas sanções coletivas no estabelecimento, sendo observado o direito de defesa do preso na fase administrativa e devidamente motivado o ato administrativo que determina a aplicação da sanção. Não há registro de motins ou rebeliões nos últimos 12 (doze) meses e restou constatada a ocorrência de 08 (oito) fugas. Considerações Finais: O Estabelecimento é inspecionado mensalmente por Juiz Corregedor, Juiz de Execução, Ministério Público, Defensor Público e Conselho Estadual de Direitos Humanos. Por sua vez, a inspeção realizada pela Pastoral Carcerária ocorre semanalmente. Não há inspeção regular por parte do Conselho da Comunidade e da Comissão de Direitos Humanos da OAB.
A segurança interna da casa penal é realizada por agentes penitenciários, os quais contam tão somente com algemas e rádios. De outro lado, a segurança e escolta externa ocorre através de policiais militares, não existindo grupo de intervenção especial vinculado à unidade. O único equipamento disponível para o controle de entrada no local é um banco com espelho, não havendo sequer detector de metal. No estabelecimento penal atuam 50 (cinquenta) agentes prisionais, sendo 07 (sete) mulheres e 43 (quarenta e três) homens, utilizando uniformes comprados e possuindo escala de trabalho de 24/48h.