ADSL2 e ADLS2+: Os Novos Padrões do ADSL Este tutorial apresenta as tecnologias ADSL2 e ADSL2+ (Asymetric Digital Subscriber Line), desenvolvidas para prover acesso de dados banda larga a assinantes residenciais ou escritórios através da rede de pares de fios telefônicos. Esta tecnologia é utilizada atualmente pelo Speedy Nitro da Telefonica (ADSL2+), pelo Velox 4 e 8 M da Oi-Telemar (ADSL2) e pelo Turbonet MAXX da GVT (ADSL/ADLS2). Huber Bernal Filho Engenheiro de Teleco (MAUÁ 79), tendo atuado nas áreas de Redes de Dados e Multisserviços, Sistemas Celulares e Sistemas de Supervisão e Controle. Ocupou posições de liderança na Pegasus Telecom (Gerente - Planejamento de Redes), na Compaq (Consultor - Sistemas Antifraude) e na Atech (Coordenador - Projeto Sivam). Atuou também na área de Sistemas de Supervisão e Controle como coordenador de projetos em empresas líderes desse mercado. Tem vasta experiência internacional, tendo trabalhado em projetos de Teleco nos EUA e de Sistemas de Supervisão e Controle na Suécia. Atualmente dedica-se à sua empresa Hyroz Participações, prestando serviços de consultoria, e ao Teleco, promovendo o aprendizado contínuo dos profissionais de Telecomunicações. E-mail: hbernal@teleco.com.br Duração estimada: 20 minutos. Publicado em: 02/04/2007. www.teleco.com.br 1
ADSL2: Introdução O uso da tecnologia ADSL para prover serviços de acesso Banda Larga à Internet tem se difundido bastante, tanto no Brasil como no restante do mundo, para taxas de bits de até 2 Mbit/s. Veja mais detalhes no tutorial do Teleco: ADSL (Speedy, Velox, Turbo). A experiência adquirida no uso do ADSL levou ao desenvolvimento do conjunto de padrões ADSL2 e ADSL2+, que permitem alcançar taxas de bits superiores a 10 Mbit/s, com novas funcionalidades e interface mais amigável para o usuário final. O objetivo deste tutorial é descrever os novos padrões e destacar os avanços implementados nessas tecnologias. Histórico Em julho 2002, o ITU finalizou as recomendações G.992.3 Asymmetric digital subscriber line transceivers 2 - ADSL2 (G.dmt.bis) e G.992.4 Splitterless asymmetric digital subscriber line transceivers 2 - splitterless ADSL2 (G.lite.bis), os dois novos padrões para a tecnologia ADSL, e que foram denominados ADSL2. Em janeiro 2003, ao mesmo tempo em que o número de usuários da primeira geração do padrão ADSL passou da marca de 30 milhões, a recomendação G.992.5 Asymmetric Digital Subscriber Line (ADSL) transceivers - Extended bandwidth ADSL2 (ADSL2+) foi oficialmente adicionada à família ADSL2 com o nome ADSL2plus, ou ADSL2+ como é usualmente conhecido. Diversas outras características e melhorias foram incorporadas também na forma de novos anexos às recomendações. As prestadoras de serviço de acesso banda larga e o usuários desempenharam um papel importante na conclusão das recomendações do padrão ADSL2, já que os resultados obtidos a partir do uso prático do ADSL puderam ser incorporados pelo ITU nessas recomendações na forma de novas funcionalidades ou de melhorias de desempenho. Como conseqüência, o ADSL2 proporciona um uso mais amigável para os assinantes, e torna-se mais rentável para os prestadores de serviço, mantendo e ampliando o grande sucesso do ADSL. O ADSL2 (ITU G.992.3 e G.992.4) apresenta novas características e funcionalidades que têm o objetivo de melhorar o desempenho e a interoperabilidade, e adiciona suporte para novas aplicações e serviços, e para novas formas de implementação dos serviços. Entre as novas características oferecidas podem-se destacar as melhorias na taxa de bits e na distancia do enlace, o ajuste adaptativo de taxa de bits, as novas facilidades de diagnóstico, e a nova modalidade stand-by para o controle do uso de energia. O ADSL2+ (ITU G.992.5) duplica a largura da banda usada para a transmissão de dados downstream, duplicando também as taxas de bits downstream, e conseguindo taxas de até 20 Mbit/s em linhas telefônicas com distâncias de até 1,5 km. As soluções que usam o ADSL2+ geralmente são do tipo multimodo, ou seja, permitem operação conjunta, na mesma infra-estrutura, do ADSL, do ADSL2, e também dos Chipsets ADSL2+. O ADSL2+ permite que os prestadores de serviço possam evoluir suas redes para suportar serviços avançados, tais como as aplicações de Vídeo, de forma flexível, permitindo que uma única solução possa atender tanto os serviços em enlaces curtos (mais próximos da estação telefônica) como os serviços em enlaces longos (mais distantes da estação telefônica). Além disso, o ADSL2+ inclui todos os benefícios das características e do desempenho de ADSL2, ao mesmo tempo em que pode operar com os equipamentos legados da versão ADSL. Desta forma, os prestadores de serviço podem oferecer a nova tecnologia ADSL2+ nas suas redes sem ter que atualizar os equipamentos existentes, permitindo uma transição gradual para serviços avançados. www.teleco.com.br 2
Uso Típico A aplicação típica da tecnologia ADSL para prover serviços de acesso Banda Larga a internet é apresentada na figura a seguir. Figura 1: Aplicação típica da tecnologia ADSL para acesso Banda Larga. A rede ADSL apresenta basicamente os seguintes componentes: Modem ADSL: é o equipamento instalado na residência ou escritório do usuário para conexão com um PC ou com uma rede local. Atualmente, dependendo da taxa de bits contratada, o modem já pode ser compatível com as tecnologias ADSL2 e ADSL2+; Divisores de potência: são os divisores de potência e filtros colocados na residência do usuário e na Estação Telefônica, e que permitem a separação do sinal de voz da chamada telefônica do tráfego de dados ADSL; DSLAM: é o multiplexador de acesso DSL cuja função é concentrar o tráfego de dados das várias linhas telefônicas com modem DSL e conectá-lo com a rede de dados. Da mesma forma que nos modens, dependendo da taxa de bits contratada, a porta utilizada no DSLAM já pode ser compatível com as tecnologias ADSL2 e ADSL2+; Rede de dados: A rede de dados a que se conecta o DSLAM poderá ser a rede do provedor de conexão a Internet ou qualquer outro tipo de rede de dados. www.teleco.com.br 3
ADSL2: Taxa de Bits, Alcance e Diagnósticos Taxa de Bits e Alcance O ADSL2 foi desenvolvido especificamente para melhorar a taxa de bits e o alcance do ADSL, principalmente em linhas telefônicas longas (distantes da central telefônica) sujeitas à interferência de sinais de banda estreita. O ADSL2 consegue fornecer taxas de bits downstream e upstream de aproximadamente 12 Mbit/s e 1 Mbit/s respectivamente, dependendo do comprimento da linha e de outros fatores. O ADSL2 permite taxas de bits mais elevadas devido a fatores como o uso de técnicas de modulação mais eficientes, a redução de overhead na transmissão de dados, a maior eficiência na codificação de dados, o aperfeiçoamento dos procedimentos de inicialização, e o aperfeiçoamento dos algoritmos de processamento de sinais. Como conseqüência, o ADSL2 exige um desempenho mais elevado para todos os dispositivos compatíveis com esse padrão. O ADSL2 tem uma eficiência maior de modulação, devido ao uso de uma técnica de modulação quadridimensional, com codificação trellis de 16 estados e modulação em amplitude e quadratura (QAM) com constelação de 1 bit, que fornece taxas de bits mais elevadas em linhas telefônicas com enlaces longos, onde a relação sinal-ruído (SNR) é baixa. Além disso, o uso da técnica de reordenação baseada em um tom piloto determinado pelo receptor permite a esse receptor espalhar o ruído não estacionário devido à interferência de rádios AM, de forma a obter um ganho maior no decodificador Viterbi. O ADSL2 reduz o overhead dos quadros transmitidos (frames) através do uso de um quadro (frame) com número programável de bits de overhead. Conseqüentemente, ao contrário dos padrões do ADSL inicial, onde número de bits por quadro (frame) é fixo e consome 32 kbit/s do total de dados transmitidos, no padrão ADSL2 número de bits de overhead por quadro (frame) pode ser programado de 4 a 32 kbit/s. Nos sistemas ADSL implantados em linhas telefônicas com enlaces longos onde a taxa de bits é baixa (128 kbit/s, por exemplo), são alocados 32 kbit/s fixos (ou 25% da taxa de bits total) para as informações de overhead. Nos sistemas ADSL2, a taxa de bits de overhead pode ser reduzida a 4 kbit/s, o que fornece 28 kbit/s adicionais para a transmissão de dados úteis. Nas linhas telefônicas longas, onde as taxas de bits são mais baixas, o ADSL2 consegue um ganho mais elevado da codificação Reed-Solomon (RS), devido a melhorias introduzidas nos quadros (frames) ADSL2 que proporcionam maior flexibilidade e novas facilidades de programação na construção dos códigos RS. www.teleco.com.br 4
Adicionalmente, a máquina de estados de inicialização tem melhorias que fornecem taxas de bits maiores nos sistemas ADSL2. Exemplos dessas melhorias são: Facilidades para limitação de potência em ambas as extremidades da linha telefônica para reduzir o eco próximo às extremidades e os níveis totais do crosstalk entre pares telefônicos; Determinação da posição do tom piloto pelo receptor a fim evitar nulos de canais das híbridas ou interferências de banda estreita das rádios AM; Controle de determinados estados chave de inicialização pelo receptor e pelo transmissor a fim permitir o treinamento otimizado das funções de processamento de sinais do receptor e do transmissor; Determinação das portadoras utilizadas para as mensagens de inicialização pelo receptor a fim evitar nulos de canais das híbridas ou interferências de banda estreita das rádios AM; Melhoria na identificação de canal para treinamento do receptor durante as fases de inicialização Channel Discovery e Transceiver Training ; Desabilitação de tom piloto durante a inicialização para permitir o uso de esquemas de cancelamento de interferências de radiofreqüências (Radio Frequency Interference - RFI). A figura a seguir mostra a taxa de bits e o alcance do ADSL2 em comparação com o ADSL. Em linhas telefônicas com enlaces longos, o ADSL2 permite um aumento da taxa bits de 50 kbit/s para os fluxos upstream e downstream, o que representa um aumento significativo para os assinantes. Este aumento da taxa de bits resulta num aumento no alcance de aproximadamente 180 m, que se traduz num aumento na área da cobertura de aproximadamente 6%, ou de 6,5 km2. Figura 2: Comparação entre o ADSL e ADSL2 (taxa de bits e alcance). www.teleco.com.br 5
Taxa de Bits Adaptativa Os pares telefônicos são empacotados em cabos multi-pares que contêm 25 ou mais pares trançados de fios de cobre. Como conseqüência, os sinais elétricos de um par podem exercer uma interferência eletromagnética em pares adjacentes do cabo. Este fenômeno é conhecido como crosstalk e pode impedir que o ADSL use a taxa de bits configurada. Como conseqüência, alterações de níveis de crosstalk no cabo podem fazer com que uma conexão ADSL fique inativa. O crosstalk é apenas um dos motivos que podem fazer com que uma conexão ADSL fique inativa. Outros motivos são: distúrbios provocados por interferências de rádios AM, mudanças de temperatura, e presença de água nos cabos de pares trançados. Figura 3: Crosstalk provocado em pares adjacentes de um cabo telefônico. O ADSL2 trata desses problemas usando a mesma abordagem, ou seja, adaptando a taxa de bits em tempo real. Esta inovação, chamada de Seamless Rate Adaptation (SRA), permite que o sistema altere a taxa de bits da conexão mesmo com a conexão ativada sem que haja interrupção do serviço ou mesmo sem nenhum erro de bit. O ADSL2 simplesmente detecta mudanças na conexão, como por exemplo, uma estação de rádio do AM local que desativa seu transmissor para sair do ar, e adapta a taxa de bits à condição nova da conexão de forma transparente para o usuário. O SRA é baseado no desacoplamento da camada da modulação e da camada de transmissão de quadros (frames) nos sistemas ADSL2. Esse desacoplamento permite que a camada da modulação altere os parâmetros da taxa de bits de transmissão sem alterar os parâmetros da camada de transmissão de quadros (frames), impedindo assim que os modens percam a sincronização de quadro (frame), o que resultaria na ocorrência de erro de bit ou na reinicialização incorreta do sistema. O SRA usa os procedimentos de reconfiguração on-line sofisticados do padrão ADSL2 (On-line Reconfiguration - OLR) para alterar a taxa de bits da conexão sem interrupção do serviço. www.teleco.com.br 6
O protocolo usado para SRA usa o seguinte procedimento: 1. O receptor monitora a relação sinal ruído (SNR) da conexão e determina que torna-se necessária uma mudança da taxa de bits para compensar mudanças nas condições da conexão; 2. O receptor envia uma mensagem ao transmissor para iniciar uma mudança na taxa de bits. Essa mensagem contém todos os parâmetros necessários para transmitir na nova taxa de bits. Esses parâmetros incluem o número bits modulados e a potência de transmissão; 3. O transmissor envia um Sinc Flag, que é usado como um marcador para definir o momento exato em que os novos parâmetros devem ser usados; 4. O Sinc Flag é detectado pelo receptor, e no momento definido tanto o transmissor como o receptor iniciam a transmissão usando os novos parâmetros, de forma transparente e sem interrupção do serviço. Diagnósticos Determinar a causa dos problemas em serviços ADSL pode ser um obstáculo para a implantação desses serviços. Para tratar desses problemas, os transceptores dos chipsets ADSL2 foram dotados de funcionalidades de diagnósticos mais abrangentes, que fornecem ferramentas para a resolução de problemas durante e após a instalação, para a monitoração de desempenho da conexão em serviço, e para a qualificação da conexão em procedimentos de aumento de taxa de bits. Com o objetivo de diagnosticar e reparar problemas, os transceptores ADSL2 fornecem medidas de ruído de linha, de atenuação do enlace, e de relação sinal-ruído (SNR) em ambas as extremidades do enlace. Estas medidas podem ser coletadas usando um modo especial de diagnóstico, que funciona mesmo quando a qualidade do enlace é muito ruim para permitir a conexão ADSL. Adicionalmente, o ADSL2 inclui funcionalidades de monitoração de desempenho em tempo real que fornecem informação sobre a qualidade do enlace e as condições do ruído em ambas as extremidades do enlace. Estas informações são interpretadas por software de gerenciamento e podem ser usadas pelo prestador de serviço para monitorar a qualidade da conexão ADSL e prevenir falhas futuras do serviço, e para determinar se podem ser oferecidas taxas de bits mais elevadas para os serviços ativados. www.teleco.com.br 7
ADSL2: Potência, Multipares e Canalização Gerenciamento de Potência Os transceptores ADSL operam em potência máxima a qualquer hora do dia ou da noite, mesmo quando não estão em uso. Com diversos milhões de modem ADSL em serviço, uma quantidade significativa de energia elétrica pode ser economizada se os modens puderem entrar em modo de espera ou hibernação, da mesma forma que os computadores. Isto também economizaria energia para os transceptores ADSL que operam em pequenas unidades remotas e armários digitais dos prestadores de serviços, e que operam sob condições muito restritas da dissipação de calor. Para atender a esses objetivos, o padrão ADSL2 traz dois modos de gerenciamento de potência que ajudam a reduzir o consumo de potência, embora ainda mantenham ativa a funcionalidade sempre ligado (alwayson) do ADSL. Esses modos, apresentados na figura a seguir, são: Modo de potência total L0: este modo utiliza a potência total nas unidades de transceptores ADSL da estação telefônica e no transceptor ADSL remoto, permitindo altas taxas de bits para minimizar os tempos de download e upload de grandes arquivos; Modo de baixa potência L2: este modo permite economias estatísticas de potência nas unidades de transceptores ADSL da estação telefônica, permitindo a saída e a entrada rápida nesse modo, dependendo do tráfego de dados presente na conexão ADSL; Modo de baixa potência L3: este modo permite economia total de potência nas unidades de transceptores ADSL da estação telefônica e no transceptor ADSL remoto permitindo a entrada no modo de hibernação quando a conexão ADSL não for usada por períodos de tempo prolongados. Figura 4: Modos de Gerenciamento de Potência do ADSL2. www.teleco.com.br 8
O modo L2 é uma das inovações mais importantes do padrão ADSL2. Os transceptores ADSL2 podem entrar e sair do modo L2 com base no tráfego de Internet existente na conexão ADSL. Quando grandes arquivos são transferidos, o ADSL2 opera no modo de potência total L0, a fim maximizar a velocidade de download. Quando o tráfego de Internet diminui, como quando um usuário está lendo uma página longa de texto, o ADSL2 efetua a transição para o modo L2, que permite taxa de bits significativamente menores com consumo de potência reduzido. Quando no modo L2, o ADSL2 pode voltar imediatamente ao modo L0 e voltar à taxa de bits máxima tão logo o usuário inicia um download de arquivo. Os mecanismos da entrada e saída do modo L2 e as alterações de taxas de bits são realizados sem nenhuma interrupção do serviço ou mesmo sem um único erro de bit, e como tais, não são observados pelo usuário. O modo L3 é um modo de hibernação onde não pode haver nenhum tráfego na conexão ADSL enquanto o usuário não estiver on-line. Assim que o usuário volta a ficar on-line, os transceptores ADSL necessitam de aproximadamente três segundos para reinicializar e ficar operacionais novamente. Agrupamento Multipares para Taxas de Bits Elevadas Uma necessidade comum entre os prestadores de serviço é o atendimento de clientes que demandam acordos do nível de serviço (SLA s) diversificados. As taxas de bits tanto para usuários residenciais como para usuários corporativos podem ser significativamente incrementadas através do agrupamento mutlpares de linhas telefônicas. Para permitir esse tipo de conexão, o padrão ADSL2 suporta o padrão Inversing Multiplexing for ATM (IMA - af-phy-0086.001) desenvolvido pelo ATM Forum para arquiteturas ATM tradicionais. Com IMA, os chipsets ADSL2 podem conectar dois ou mais pares de cobre em uma mesma conexão ADSL. O resultado é uma grande flexibilidade para prover taxas de bits downstream elevadas, conforme mostra a figura a seguir. Figura 5: Desempenho do ADSL2 com agrupamento multipares. www.teleco.com.br 9
O padrão de IMA especifica uma subcamada nova que fica entre a camada física do ADSL (PHY) e a camada ATM. No lado do transmissor, esta subcamada recebe um único fluxo de dados da camada ATM e distribui para múltiplos fluxos ADSL-PHY. No lado do receptor, a subcamada IMA recebe os diversos pacotes de dados ATM dos múltiplos fluxos ADSL-PHY e reconstitui o fluxo ATM original. A subcamada IMA especifica os quadros (frames), protocolos e as funções da gerência que devem ser executadas quando os fluxos ADSL-PHY apresentam problemas de erros de bit, de pacotes ATM assíncronos, e de atrasos. Para funcionar nesse ambiente, o padrão IMA requer modificações em funções da camada ADSL-PHY, tais como o descarte de células inativas e com erros no receptor. O ADSL2 inclui também um modo de operação que contém as modificações necessárias na camada PHY para o IMA funcionar adequadamente com o ADSL. Canalização O ADSL2 permite dividir a banda total utilizada em canais que podem ser usados para atender aplicações distintas com características próprias. Por exemplo, o ADSL2 permite que uma aplicação da Voz, que tenha latência baixa e requisitos mais apertados para taxa de erro, possa ser transmitida simultaneamente com uma aplicação de dados, que tenha latência alta e requisitos mais brandos de taxa de erro. O ADSL2 também fornece suporte à Voz Canalizada sobre DSL (Channelized Vocie over DSL - CVoDSL), que é um método para transporte do tráfego de Voz TDM de forma transparente sobre a banda DSL. O método CVoDSL reserva canais de 64 kbit/s na banda do DSL para os canais PCM de Voz do modem DSL até terminal remoto ou até a estação telefônica, da mesma forma que o serviço telefônico convencional. O equipamento do acesso transmite o canal de Voz diretamente à central telefonia através dos circuitos PCM. Vale observar que, neste caso, o canal de Voz continua sendo to tipo PCM, e que a informação de Voz não é digitalizada, como no caso de aplicações VoIP ou similares. Figura 6: Canais de Voz configurados na banda ADSL. www.teleco.com.br 10
ADSL2: Benefícios Adicionais e ADSL2+ Benefícios Adicionais O ADSL2 fornece diversas outras características importantes, tais como: Interoperabilidade aprimorada: aperfeiçoamentos realizados na máquina de estados de inicialização do ADSL2 permitem obter ganhos de desempenho e interoperabilidade ao conectar transceptores ADSL2 de fornecedores de chipsets distintos; Partida rápida: o ADSL2 permite que o tempo de inicialização de mais de 10 segundos do ADSL seja reduzido para menos de 3 segundos; Modo Digital Completo: o ADSL2 provê um modo opcional que permite a transmissão de dados também na banda de Voz, adicionando 256 kbit/s na banda upstream. Esta é uma opção interessante para usuários corporativos que têm seus serviços de Voz e de dados atendidos por linhas telefônicas distintas, e que podem usufruir de uma banda adicional para o fluxo upstream; Suporte a serviços baseados em pacotes: o ADSL2 inclui uma camada do suporte a aplicações baseadas em comutação de pacotes (Packet Transfer Mode Ð Transmission Convergence - PTM- TC), e que permite que serviços baseados em pacotes (tal como o Ethernet) sejam transportados sobre o ADSL2. ADSL2+ O ADSL2+ foi finalizado pelo ITU em janeiro 2003, juntando-se assim à família dos padrões ADSL2 através da recomendação G.992.5 Asymmetric Digital Subscriber Line (ADSL) transceivers - Extended bandwidth ADSL2 (ADSL2+). A recomendação de ADSL2+ duplica a largura de banda downstream, aumentando desse modo a taxa de bits downstream em linhas telefônicas de até 1,5 km. Enquanto o padrão ADSL2 especifica uma faixa de freqüências para o fluxo downstream de até 1,1 MHz (e 552 khz para o ADSL2 Lite), ADSL2plus especifica a faixa de freqüências para o fluxo downstream de até 2,2 MHz. O resultado é um aumento significativo na taxas de bits downstream em linhas telefônicas mais curtas. A taxa de bits upstream do ADSL2+ é aproximadamente 1 Mbit/s, dependendo das condições do enlace. Figura 7: O ADSL2+ dobra a banda do fluxo downstream. www.teleco.com.br 11
Figura 8: O ADSL2+ dobra a taxa de bits do fluxo downstream. ADSL2+ pode ser usado também para reduzir o crosstalk entre pares telefônicos, pois permite o uso de tons piloto somente na faixa entre 1,1 MHz e 2,2 MHz, mascarando assim as freqüências abaixo de 1,1 MHz no fluxo downstream. Isto pode ser particularmente útil quando serviços ADSL proveniente tanto da estação telefônica (ADSL2) quanto de um terminal remoto (ADSL2+) utilizam pares telefônicos de um mesmo cabo a medida que se aproximam das instalações do usuários finais. O crosstalk dos serviços ADSL entregues a partir do terminal remoto sobre os serviços entregues a partir da estação telefônica podem reduzir significativamente a taxa de bits na linha telefônica do usuário do serviço ADSL2. www.teleco.com.br 12
Figura 9: Redução do crosstalk com o uso do ADSL2+. Com o uso do ADSL2+ esse problema pode ser corrigido configurando o serviço ADSL para o uso de freqüências abaixo de 1,1 MHz, e o serviço ADSL2+ para o uso de freqüências entre 1,1 MHz e 2,2 MHz, eliminando assim a maior parte do crosstalk e preservando a taxa de bits do serviço ADSL2. www.teleco.com.br 13
ADSL2: Considerações Finais Tanto o ADSL2 como o ADSL2+ fazem parte da família de soluções xdsl que utilizam pares de cobre da rede telefônica para prover acesso banda larga à Internet para o assinante de serviços de telefonia fixa. As operadoras no Brasil vinham utilizado a tecnologia ADSL para o provimento de serviços banda larga de até 2 Mbit/s. Embora a qualidade deste serviço dependa em grande parte da seleção do par telefônico e exista o risco de queima de equipamentos por incidência de raios em regiões tropicais, como é o caso de grande parte do Brasil, a demanda desses serviços tem provocado a expansão da base e a oferta de serviços de maior banda utilizando o ADSL2 e o ADSL2+. As tecnologias ADSL2 e ADSL2+ estão sendo utilizadas por algumas das operadoras de serviço telefônico fixo comutado no Brasil para provimento de serviço banda larga de acesso a Internet com taxas de bits entre 2 e 10 Mbit/s. O Speedy Nitro da Telefonica (ADSL2+), o Velox 4 e 8 M da Oi-Telemar (ADSL2) e o Turbonet MAXX da GVT são exemplos do uso dessas tecnologias. A tecnologia DSL atingiu a marca de 185 Milhões de assinantes em todo o mundo em 31 de Dezembro 2006, segundo dados do DSL Forum, o que representou uma market share de 65,7% do total de assinantes de serviços de banda larga e um crescimento em 2006 de 67 Milhões de assinantes. Nesse mesmo período o Brasil encontrava-se na 10ª posição no ranking de países que oferecem serviços de banda larga com as tecnologias ADSL. Referências DSL Forum, Citação de Referências e Documentos Eletrônicos. Disponível em: http://www.dslforum.org Acesso em: 29.MAR.2007. Tutoriais do Teleco: ADSL - Serviço ou Tecnologia? ADSL (Speedy, Velox, Turbo). Estudo do Enlace de Transmissão da Tecnologia ADSL. www.teleco.com.br 14
ADSL2: Teste seu Entendimento 1. Qual das alternativas abaixo representa um aperfeiçoamento introduzido pelo padrão ADSL2? Maior taxa de bits. Maior alcance para uma mesma taxa de bits quando comparada com o ADSL. Taxa de bits adaptativa, sem perda de serviço e sem introdução de erros de bit. Gerenciamento de potência, para economizar energia e aumentar a vida útil dos componentes. Todas as anteriores. 2. Qual das alternativas abaixo não representa um aperfeiçoamento introduzido pelo padrão ADSL2+? Duplicação da banda do fluxo downstream em linhas telefônicas de até 1,5 km. Suporte a serviços baseados em comutação de circuitos. Permite configuração de banda que possibilita minimizar e até mesmo eliminar o crosstalk entre pares trançados do mesmo cabo telefônico. Duplicação da taxa de bits do fluxo downstream. 3. O suporte a Voz Canalizada sobre DSL (Channelized Vocie over DSL - CVoDSL) oferecido pelo ADSL2 permite que: Sejam reservados canais para transporte de Voz no formato PCM. Sejam reservados canais para transporte de Voz digitalizada no formato VoIP. Seja utilizada toda a banda DSL para transporte de Voz. Seja utilizada banda no padrão ATM para transporte de Voz. www.teleco.com.br 15