Pentecostes (03/06/2007)



Documentos relacionados
Geração João Batista. Mc 1:1-8

Recados do Espírito. Quem receber um destes meninos em meu nome é a mim que recebe. (Mc 9, 36-37)

ACLAMAÇÃO AO EVANGELHO

A escola de Jesus Cristo

«Dito isto, soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo:...»

1º VESTIBULAR BÍBLICO DA UMADUP. Livro de João

Documento do MEJ Internacional. O coração do Movimento Eucarístico Juvenil

II TRI. LIÇÃO evange ho 11 LUCAS O REINO DE DEUS

"como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus" VIDA RELACIONAL COM DEUS: SERVO-SENHOR

Lição 07 A COMUNIDADE DO REI

Músicas para Páscoa. AO REDOR DA MESA F Gm C C7 F Refr.: Ao redor da mesa, repartindo o pão/ A maior riqueza dos que são irmãos.

CELEBRAÇÃO DA FESTA DA PALAVRA

Estudo 17 Testemunhar a Cristo: um desafio diário. Em Marcha, IGREJA METODISTA ASA NORTE 406

(DO LIVRO AS FESTAS DA CATEQUESE PEDROSA FERREIRA) Material a preparar: -Um grande coração de cartolina. -Marcadores de várias cores

agora a algumas questões Quem pode receber o

O povo da graça: um estudo em Efésios # 34 Perseverando com graça - Efésios

ASSEMBLEIA DO RENOVAMENTO CARISMÁTICO DA DIOCESE DO PORTO 21 de Abril de 2012

Uma reflexão sobre A Missão de Deus de Christopher Wright

Teologia Bíblica de Missões SEFO 2013

Festa da Avé Maria 31 de Maio de 2009

DOMINGO V DA QUARESMA

igrejabatistaagape.org.br [1] Deus criou o ser humano para ter comunhão com Ele, mas ao criá-lo concedeu-lhe liberdade de escolha.

10.7 Pedro e a pedra; início das profecias sobre a Igreja

1ª Leitura - Gn 9,1-13

LIÇÃO 1 - COMEÇANDO A VIDA CRISTÃ

Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São Lucas (Lc 9, 10-17)

Após as festas do Natal, em que celebramos o mistério da infância de Jesus, a liturgia nos introduz no mistério da sua vida pública.

Deus: Origem e Destino Atos 17:19-25

3ª Catequese: O SACERDÓCIO APOSTÓLICO

Lição 10 Batismo Mergulhando em Jesus

PREFÁCIO DA SÉRIE. estar centrado na Bíblia; glorificar a Cristo; ter aplicação relevante; ser lido com facilidade.

BATISMO HISTÓRIA E SIGNIFICADO

Toda bíblia é comunicação

Apostolado do Oratório Meditação dos Primeiros Sábados

1 - VERBO - João 1:1-3, 14. Intro - (F, Bb, F, Bb) 2x (F, Bb, Dm7, Bb9) 2x

O NASCIMENTO DA IGREJA

Os encontros de Jesus. sede de Deus

O Antigo Testamento tem como seus primeiros livros a TORÀ, ou Livro das leis. É um conjunto de 5 livros.

De um Povo Heróico O Brado Retumbante

Estudo 18 Misericórdia quero e não holocaustos. Em Marcha, IGREJA METODISTA ASA NORTE 406

A OFERTA DE UM REI (I Crônicas 29:1-9). 5 - Quem, pois, está disposto a encher a sua mão, para oferecer hoje voluntariamente ao SENHOR?

Deus o chamou para o ministério da palavra e do ensino também. Casou-se aos 21 de idade com a ministra de louvor Elaine Aparecida da Silva

"Ajuntai tesouros no céu" - 1

Lição 6 Actos 2, 10, 15, e 21 Epístola aos Gálatas Enxertados

A Bíblia realmente afirma que Jesus

Quem vem a mim não terá mais fome, e quem crê em mim nunca mais terá sede

Mosaicos #7 Escolhendo o caminho a seguir Hb 13:8-9. I A primeira ideia do texto é o apelo à firmeza da fé.

chei os do Espírito Santo. Assim,

MARIA, ESTRELA E MÃE DA NOVA EVANGELIZAÇÃO

2015 O ANO DE COLHER ABRIL - 1 A RUA E O CAMINHO

5. Autoconsciência e conhecimento humano de Jesus

Pregação proferida pelo pastor João em 03/02/2011. Próxima pregação - Efésios 4: A unidade do corpo de Cristo.

CRISTOLOGIA. Prof. Denilson Aparecido Rossi. Prof. Denilson Aparecido Rossi - (41) / denilson.rossi@hotmail.

Os Cânticos do Natal # 03 O Cântico de Zacarias Lucas

Por : Lourdinha Salles e Passos. Apresentação. Sendo assim, aprovo este Diretório para o Sacramento do Batismo, e o torno obrig

A PRÁTICA DO PRECEITO: AMAR O PRÓXIMO COMO A SI MESMO

Carta de Paulo aos romanos:

ESTUDO 1 - ESTE É JESUS

COLÉGIO INTERNATO DOS CARVALHOS Equipa de Animação Pastoral

O batismo nas águas. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

Colorindo Missões. Para obter este recurso em português e em outras línguas, visite:

EVANGELHO DO DIA E HOMILIA

SEU NOME SERÁ CHAMADO DE "EMANUEL"

Estamos começando um novo ano. É bom refletir sobre a natureza do nosso ministério.

ESBOÇO REFLEXÃO SOBRE O ARREBATAMENTO DA IGREJA

Parábolas curtas de Jesus: 3 - Vinho novo em odres velhos Lc 5,37-39

2015 O ANO DE COLHER JANEIRO - 1 COLHER ONDE PLANTEI

Cáritas Diocesana de Portalegre e Castelo Branco

A n é s i o R o d r i g u e s

PERGUNTAS & RESPOSTAS - FONTE ESTUDOS BÍBLICOS 2015

O SENHOR É A NOSSA BANDEIRA. William Soto Santiago Sábado, 28 de Fevereiro de 2015 Vila Hermosa -Tabasco México

José Moreno. DESPERTE O PODER DO ALTO Um estudo bíblico que ajudará você a descobrir, buscar e receber vinte e sete dons espirituais

Prof. José Joaquim Fundador da Sociedade das Comunidades Catequéticas. Aprendendo com Jesus

ALIANÇA MUNICIPAL ESPIRITA DE JUIZ DE FORA (AME-JF) AULA N 0 09 Departamento de Evangelização da Criança (DEC) IDADES: 09/10 PLANO DE AULA

A Compaixão de Jesus*

Elementos da Vida da Pequena Comunidade

Você foi criado para tornar-se semelhante a Cristo

Todos Batizados em um Espírito

CATEQUESE 1 Estamos reunidos de novo. CATEQUESE 1 Estamos reunidos de novo

INTRODUÇÃO PROFECIAS CUMPRIDAS

Compreendendo a Pessoa do! Espírito Santo!

SOBERANIA DE DEUS E A RESPONSABILIDADE HUMANA NA EVANGELIZAÇÃO

Plano Pedagógico do Catecismo 6

CRISTOLOGIA. Disciplina da teologia que sistematiza a reflexão crítica sobre a pessoa de Jesus Cristo, a partir da Revelação

ALIANÇA MUNICIPAL ESPÍRITA DE JUIZ DE FORA (AME-JF) AULA Nº 16 Departamento de Evangelização da Criança (DEC) IDADES: 09/10 PLANO DE AULA

HOMILIA: A CARIDADE PASTORAL A SERVIÇO DO POVO DE DEUS (1 Pd 5,1-4; Sl 22; Mc 10, 41-45) Amados irmãos e irmãs na graça do Batismo!

A MISERICÓRDIA DE DEUS. ANTÍFONA DE ENTRADA cf. Jer 31, 3; 1 Jo 2, 2. Ou Salmo 82 (83), 2

Sagrada Família de Jesus, Maria e José Natal

Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.

Saíram da sinagoga e foram logo para a casa de Simão e André, junto com Tiago e João. A sogra de Simão estava de cama, com febre, e logo eles

1ª Leitura - Ex 17,3-7

E a besta... também é ele, o Oitavo. ...e caminha para a destruição. (Apocalipse 17:11) Pablo Alves

A gente tenta acertar, mas o que conseguimos é VERGONHA DECEPÇÃO CULPA MEDO

Preparar o ambiente com Bíblia, Cruz, velas, fotos e símbolos missionários. 1. ACOLHIDA

Roteiro 3 João Batista, o precursor

SOLENIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS PADROEIRO DA DIOCESE DE UNIÃO DA VITÓRIA (01/07/11)

A VOZ DA RESSURREIÇÃO

Tríduo Pascal - Ano C

O Que é o Batismo com o Espírito Santo Deivinson Bignon

DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO Relatos do Novo Testamento

Transcrição:

Pentecostes (03/06/2007) Pentecostes é uma festa judaica comemorativa ao aniversário da Aliança de Deus com o povo, que acontece anualmente, 50 dias após a Páscoa (cf Ex 19,1-16). Festa agrária, na qual se oferecia a Deus os frutos da colheita e marcava também, o fim da colheita do trigo; por isso também chamada de "festa da Messe" (cf Ex 34,22; 23,16). Desde os primórdios do judaísmo já era celebrado o Pentecostes, 7 semanas após a Páscoa (cf Dt 16,7-10) donde vem a expressão pela qual é conhecida: "festa das Semanas". (7x7+1) = no dia seguinte, após 7 semanas, acontecia a festa: cinqüenta dias (cf Lv 23,15-17), daí vem o nome grego de "Pentecostes" = qüinquagésimo dia. Os nomes, pelos quais esta festa é conhecida, estão ligados à época do ano em que é festejada, ou ao evento que está relacionada: da Messe, na colheita do trigo, maio / junho; das Semanas (7 semanas) ou Pentecostes (50 dias) após a Páscoa. Depois da Páscoa, de Jesus, no dia em que os judeus estavam na cidade para festejar Pentecostes, como ordenava a Lei (cf Dt 16,16), aconteceu à vinda do Espírito Santo para todos os seguidores de Jesus, conforme narrativa de At 2,1. Segundo a versão do evangelho de Jo, o Espírito Santo já fora recebido pelos discípulos, no mesmo dia da ressurreição de Jesus, quando Ele apareceu ressuscitado, pela primeira vez aos discípulos: À tarde desse mesmo dia, o primeiro da semana, estando fechadas as portas onde se achavam os discípulos, por medo dos judeus, Jesus veio e, pondo-se no meio deles, lhes disse: A paz esteja convosco! tendo dito isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos, então, ficaram cheios de alegria por verem o Senhor. Ele lhes disse de novo: A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, também eu vos envio. Dizendo isso, soprou sobre eles e lhes disse: Recebei o Espírito Santo. (Jo 20,19-22). A vinda Espírito Santo é penhor do evento Pascal. Jesus é o primeiro Parakletos conforme as Suas palavras em Jo 14,16, nas quais impõe a noção da presença Trinitária na vida dos cristãos de forma continua, ininterrupta e para além do tempo. O Cristianismo irá inculturar esta festa judaica, fazendo uma releitura cristã desta festa que há milhares de anos já existia. Se para os judeus esta é a festa da Lei, para os cristãos é a festa da Nova Lei: a lei do amor. Para os judeus é a festa da Aliança,na qual Deus diz que sempre estará com o seu povo, para os cristãos é a festa da Aliança selada pela vinda da Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, para "permanecer sempre conosco" (cf Jo 14,16).

Corpus Christi(10/06/2007) Diz Paulo, em 1Cor 10,14-22, que o pão e o vinho consagrados são a nossa comunhão com Cristo. O termo comunhão "koinonia" três vezes é citado (10,16.18.20), enfatizando assim a sua importância. A Eucaristia é sacramento de comunhão, que em si apresenta duas realidades: a intimidade e a partilha: a) a intimidade aparece na própria instituição, quando após abençoar o pão, Jesus o deu aos amigos e disse: "tomai e comei, isto é o meu corpo" (Mt 26,26). Ao entregar o pão e o vinho, Jesus entregou a si mesmo. Em contrapartida, ao receber pão e vinho abençoados, os discípulos receberam o próprio Jesus. Essa é uma expressão lapidar de intimidade. Comunhão é manifestação de intimidade; b) a partilha é expressa pelo desejo de Jesus que, ao instituir a Eucaristia, não apenas se entregou aos discípulos numa ceia particular, mas quis que essa realidade alcançasse a todos, por isso deu aos seus amigos o mandato: "fazei isto em memória de mim" (1Cor 11,24s). A partilha provocada pela Eucaristia e querida por Jesus Cristo não pára em si mesma, mas atinge a comunidade toda e ultrapassa seus limites. Comungar é participar da vida e do projeto de Jesus, realidades estas que Ele não apenas ensinou, mas testemunhou com o martírio de sua vida. Sendo assim, a comunhão impulsiona as pessoas a irem ao encontro do outro, dando continuidade aos passos de Jesus, que sempre foram em direção do que mais necessitava. São Paulo, ao se referir à Eucaristia, exortando uma comunidade com grandes dificuldades de partilhar, denuncia que é um verdadeiro escândalo que as mesmas pessoas que se reúnem para receber a Eucaristia não se comprometam com o seu sentido mais pleno e vivencial quando a assembléia termina. Chega Paulo a afirmar que entre os que participam da mesma comunidade há quem esteja enfarado enquanto outro está faminto (cf 1Cor11,20). Jesus fez da Eucaristia não uma ação isolada na vida da comunidade, mas durante a Santa Ceia ele lavou os pés dos discípulos, como sinal claro do conteúdo de seu ministério e conseqüência da Eucaristia na vida da comunidade: "Dei-vos o exemplo para que, como eu fiz, também vós o façais" (Jo 13,15). Na Ceia e lava-pés, Jesus não dá precedência a um ou outro, pois o texto não informa quem foi o primeiro nem o último a receber dele esse sinal de carinho. Jesus não faz, também, exclusão de ninguém. Todos são objetos de seu amor, e com todos Ele partilha. Sinal disso é que mesmo Judas Iscariotes está presente no rito. Eucaristia é comunhão com Jesus e com a comunidade. Não somente a comunidade dos "nossos", nem a comunidade como um organismo diluído e sem face, mas com cada pessoa, individualmente, pessoa esta pela qual Jesus se entregou na cruz e na Eucaristia. O cristão sabe que está aqui de passagem, e que na verdade sua cidadania é celeste, por isso, enquanto está em terra estrangeira, é na paróquia que renova suas forças alimentandose do "pão vivo que desceu do céu" (Jo 6, 5), do Corpus Christi: a Eucaristia!

No coração de Jesus (17/06/2007) Com freqüência utilizamos, de modo figurado, o substantivo coração, para expressar a sede dos afetos, o ambiente onde se move a emoção. Linguagem nossa, cotidiana; herança semita e arquétipo universal. Seja como for, na linguagem oral ou gráfica coração fala por si só, não requer explicações. Tão humana essa realidade, que Cristo, totalmente Deus e totalmente homem, assumiu e fez dela uma presença freqüente em seus discursos. Disse Jesus, que: a) O coração humano pode conter impurezas e tornar impura a pessoa toda (M 15,19s); b) A Palavra de Deus encontra espaço para se desenvolver e frutificar nos corações generosos (Lc 8,15); c) De todo coração deve ser o amor dedicado a Deus (Mt 22,37); d) O perdão não deve ser epidérmico, mas do fundo do coração (Mt 18,35); e) Os que têm coração puro verão a Deus (Mt 5,8). Quando da ressurreição de Jesus, e da incapacidade de alguns em crer nela, Ele se põe a caminho com os discípulos de Emaus e estes sentem o coração abrasado pelas Suas Palavras (Lc 24,32). Jesus não toca apenas no tema, mas no próprio coração humano. E o faz por uma razão muito clara: quer que o coração das pessoas seja configurado ao Dele; que a sede dos afetos seja transpassada pela Sua presença, da mesma forma que Seu próprio coração foi - por conseqüência de seu amor à humanidade - transpassado pela lança (Jo 19,34). Ter no Sagrado Coração de Jesus a inspiração para a vida de fé, implica em fazer a experiência de ter seu coração pulsando em uníssono ao Dele, e, portanto, assumir os projetos, as lutas, a história e as opção feitas por Jesus, e gestadas em Seu coração. Daí que nenhuma piedade se sustenta se não for enxertada na experiência fundante do encontro com o Senhor. Por isso Jesus convoca todos a se matricularem em Sua escola de amor e vida, através de Suas palavras: Vinde a mim, todos vós, que estais cansados e oprimidos, que Eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração e encontrareis descanso para o vosso espírito. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve (Mt. 11, 28-30). O coração de Jesus é por Ele mesmo apresentado como ícone onde se lê e aprende a maneira de encontrar e viver a paz. Paz verdadeira verte de Seu coração e este, como afirma o profeta, será emblema permanente de adoração, para todos, de todos os tempos, até mesmo para aqueles que o rejeitaram:...olharão para aquele que transpassaram (Zc 12,10). Para o coração de Jesus voltam os olhos, de modo especial, daqueles que fizeram dessa mais que uma piedade, mas que abraçaram esse ícone como itinerário de fé; verdadeiro apostolado onde a oração jorra do coração humano ao encontro do coração de Jesus Ressuscitado.

João, o Batista(24/06/2007) João, filho de Zacarias e Isabel (cf. Lc 1,57-59), desempenhou um papel de grande importância na transição do Antigo para o Novo Testamento. Sendo profeta, nos moldes de Elias, muitos o identificam com este, tal a semelhança de sua atuação profética, em oráculos e postura de vida. Mas o grande legado que João deixou, foi aquele que lhe mereceu a denominação de Batista, ou aquele que batiza. Batismo ministrado por João: O batismo de João traz muitas impressões dos ritos penitenciais dos prosélitos, ao serem iniciados na religião judaica, mesclado com a expectativa messiânica reinante naquele tempo. O próprio Batista, apresenta a provisoriedade deste rito, ao categoricamente afirmar, em Mt 3, 11: "Eu vos batizo com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais forte do que eu. De fato, eu não sou digno, nem ao menos de tirar-lhes as sandálias. Ele vos batizará com o Espírito Santo e com fogo." E, também ao referir a si mesmo como aquele que vem, em cumprimento as palavras do profeta Isaías, "preparar o caminho para o Senhor" (Cf. Jo 1,23-28). Batismo de Jesus sob João: Em Mc 1,9, o termo grego "hipo", que tem por primeira tradução: "por meio de, por obra de," recebe também a conotação de "sob, debaixo de, sob a autoridade de". Esta interpretação terá implicações soteriológicas, quando analisado o porquê de Jesus submeter-se ao batismo ritual pregado por João Batista: a. solidariedade com o povo: ao assumir o batismo ministrado por João, Jesus se coloca no quadro de expectativa do Reino; faz-se semelhante ao que povo espera a libertação do sofrimento; expressa através do gesto da purificação ritual a aversão ao pecado, que torna o povo apto a entrar nesta dinâmica. b. disponibilidade missionária: o batismo marca e, ao mesmo tempo, antecede imediatamente, o início do ministério público de Jesus. Ao aceitar, e até mesmo impor a si, este rito, Jesus demonstra que tipo de ação missionária vai desenvolver: com o pobre (ptoxós) no sentido mais amplo do termo, fazendo-se igual a ele. c. aceno escatológico: no batismo de Jesus, acontece um evento teofânico, através do qual Jesus é glorificado. Em Lc 3, 21s aparece a descrição deste fato, com forte influência das narrativas de teofanias sob a tradição javista: "o céu abriu... o Espírito Santo desceu, como uma pomba... ouviu-se uma voz". O batismo de Jesus inaugura o tempo de nova comunicação com Deus, e esta nova modalidade é realizada pelo próprio Cristo (cf Hb 1,1ss). O Cristo batizado, é o Cristo transfigurado, o Cristo ressuscitado, o Cristo que ascende ao céu e leva consigo a natureza humana. João Batista reconhece em Jesus o Messias, e assim, O apresenta às pessoas (cf Jo 1,29s). Tem consciência de ser a voz que clama no deserto (Is 40,3; Jo 1,23) preparando a chegada do Messias; com tal convicção pontua sua vida, e não cala-se diante do erro e da injustiça, mesmo que isso venha a lhe custar a própria vida (cf bmc 6,17-29)