REGULAMENTAÇÃO DO USO DA INTERNET Daniela Marys, Érika Penido, Izabela Braga, Lorenna Gabrielle, Rafaelle Montenegro e Raquel Andrade RESUMO A internet consiste em uma rede de escala mundial, na qual devem ser respeitados e preservados os fundamentos de direitos humanos. Os movimentos SOPA e PIPA, bem como o projeto de lei brasileiro Marco Civil da Internet foram criados para resguardar os direitos dos internautas sobre a proteção do usuário e a acessibilidade aos meios digitais. Entre outras questões levantadas, coloca-se em discussão a neutralidade da rede. Palavras-chave: SOPA, PIPA, Marco Civil da Internet. INTRODUÇÃO Este artigo busca fundamentar uma análise sobre a repercussão de dois projetos que tramitaram no Congresso dos Estados Unidos em 2012, o SOPA (Stop Online Piracy Act) e o PIPA (PROTECT IP Act), relacionados ao modo de uso e a liberdade na internet. Também avalia a importância de um Projeto de Lei que vem sendo discutido pelo governo, o Marco Civil, que visa garantir a neutralidade da rede e os direitos dos brasileiros que utilizam a internet. OS PROJETOS O SOPA tem o objetivo de combater as trocas online de propriedades protegidas, salvaguardando os direitos autorais e impedindo a pirataria. Já o PIPA, tem o objetivo de combater os sites que estão de alguma forma relacionados à pirataria.
Combater a pirataria é importante, porém, estes projetos geraram empecilhos para os usuários devido às rígidas medidas de censura tomadas. A repercussão da implantação desses projetos gerou protestos em todo o mundo quanto à limitação que estes pretendiam impor ao uso da internet. Algumas das fortes críticas que o SOPA e o PIPA vêm recebendo referem-se ao fato de que ambos não garantem a neutralidade da rede, um dos princípios da rede, e também a maneira como pretende tirar do ar qualquer site suspeito para depois apurar se houve realmente crime ou não. Em entrevista ao site IG, Demi Getschko, presidente do Comitê Gestor de Internet (CGI) disse que: Essa legislação afeta a rede de uma forma inadequada, porque primeiro tira o site do ar para depois julgar se ele cometeu algum crime. Essa questão do crime na internet é uma discussão bastante polêmica. Os protestos defendiam o compartilhamento das informações como um direito e não como crime. Ao compartilharem músicas, vídeos e imagens, as pessoas estão compartilhando cultura, atos praticados há muito tempo, mesmo antes do uso das redes, e não cometendo crimes. Os protestantes afirmam que o compartilhamento contribui para a propagação dos trabalhos dos autores, e assim, estes ganham mais visibilidade e, consequentemente, mais fama. Porém arquivos como filmes e músicas são disponibilizados na internet sem autorização apesar de serem protegidos pelos direitos autorais. Dessa forma, há atos que, de fato, configuram crimes virtuais, como a venda de produtos e até mesmo medicamentos falsificados pela internet. Por um dia, milhares de sites saíram do ar em movimento contra o SOPA e PIPA e aderiram ao blackout. Tal ação repercutiu e contribuiu para o aumento da divulgação dos acontecimentos para os usuários que estavam alheios aos acontecimentos e os principais problemas que seriam causados pela implantação dos projetos. A proposta conta com apoio de emissoras de TV, gravadoras de músicas, estúdios de cinema e editoras de livros como: Disney, Universal, Paramount, Sony e Warner Bros, apóiam as leis SOPA e PIPA, pois são de algum modo prejudicados com o compartilhamento de informações. Na outra ponta, as empresas voltadas para tecnologia como Google, Facebook, Wikipédia, Craigslist, WordPress, são contra o
projeto pois temem que o excesso de regras possa prejudicar o funcionamento da web em todo o mundo. A CASA BRANCA também se mostrou contra as leis, segundo informações postadas em uma rede social eles não podem apoiar um projeto de lei que reduz a liberdade de expressão, amplia os riscos de segurança na computação ou solapa o dinamismo e inovação da internet global. MARCO CIVIL DA INTERNET No Brasil, a regulamentação do uso da internet será garantida na aprovação do Projeto de Lei chamada Marco Civil da Internet, o qual visa regulamentar, em caráter federal, o resguardo da liberdade de expressão e da privacidade, assim como a proteção de dados pessoais e a neutralidade da rede. O conceito da ideia consiste em tratar as informações e dados disponíveis na web da mesma forma, com a mesma velocidade de navegação para qualquer internauta. A proposta de alinhar o Brasil ao princípio de neutralidade de rede desagrada empresas provedoras de internet, que preferem ter o direito de gerenciar o tráfego e o fluxo de dados, além de criar tarifas diferenciadas para os demais serviços. O projeto prevê também a proibição de suspensão de conexão à internet, independente de suposta violação de direitos autorais, salvo por questões de não pagamento pelo acesso. CONCLUSÃO Todas estas questões relacionadas à internet e o seu uso tramitam dentre as ações do governo brasileiro e dos EUA de formas distinta, as leis SOPA/PIPA e o projeto de criação do Marco Civil na Internet tem propostas diferentes para regular o uso da internet. Os SOPA/PIPA poderão bloquear sites acusados de pirataria mesmo antes de julgados culpados, com isso sites importantes e hoje muito acessados poderão sair do ar, atingindo assim a neutralidade da internet. Essa legislação também poderá servir de modelo precedente para que o mesmo ocorra em outros países. Já no Marco Civil na Internet temos o uso de regras compatíveis com o uso da web através
da garantia da liberdade de expressão que permite valer a sua regra da neutralidade, mas sem deixar de preservar a privacidade dos internautas e a proteção dos dados pessoais. Hoje, a web é um espaço de busca, compartilhamento, troca de informações e descontração, mas também esconde pessoas que roubam, plagiam e cometem crimes através da internet. Por isso é preciso regulamentar o seu uso como pretende fazer o Marco Civil da internet, mas sem privar os usuários dos inúmeros benefícios que este proporciona, assim como as leis SOPA/PIPA acabarão fazendo, pois as perdas na comunicação, compartilhamento e entretenimento serão muito danosas para milhões de usuários em todo o mundo.
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