As E.P.E. S do Sector da Saúde:



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Transcrição:

As E.P.E. S do Sector da Saúde: A) O que são. B) A função que desempenham. C) O Sector Público de que não fazem parte. D) Onde estão integradas. E) Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas. F) Síntese. * A) As Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde são Estabelecimentos do Sector Público Administrativo (SPA) da Saúde, com natureza empresarial é dizer, são Institutos Públicos de Regime Especial: artº 48º, nº 1, c), da Lei- Quadro dos Institutos Públicos (Lei nº 3/2004, de 15 de Janeiro). 1 - À face da Constituição da República Portuguesa todos têm direito à protecção da saúde, o qual é realizado através de um serviço nacional de saúde universal e geral e, tendo em conta as condições económicas e sociais dos cidadãos, tendencialmente gratuito [artº 64º, nºs 1 e 2, a) da CRP]. 2 - E, incisivamente, a nossa jurisprudência constitucional afirma que o direito à saúde é um verdadeiro e próprio direito fundamental e o serviço nacional de saúde é uma garantia institucional da realização desse direito (1). 3 - A Lei de Bases da Saúde (Lei nº 48/90, de 24 de Agosto) é uma lei de valor reforçado (2) e, no que para aqui interessa, dela se extrai que: (1) Acórdão do Tribunal Constitucional nº 39/84, de 11/Abril/84 in Acórdãos do Tribunal Constitucional, 3º Vol. (1984), págs. 95 e segs.

a) O sistema de saúde visa a efectivação do direito à protecção da saúde (Base IV, nº 1); b) Para efectivação do direito à protecção da saúde, o Estado actua através de serviços próprios (Base IV, nº 2); c) O sistema de saúde é constituído pelo Serviço Nacional de Saúde e por todas as entidades públicas que desenvolvam actividades de promoção, prevenção e tratamento da saúde (Base XII, nº 1); d) A rede nacional da prestação de cuidados de saúde abrange os estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (Base XII, nº 4 sendo nosso o destacado); e) A gestão das unidades de saúde deve obedecer, na medida do possível, a regras de gestão empresarial (Base XXXVI, nº 1). 4 - A Lei nº 27/2002, de 8 de Novembro, introduziu alterações à Lei nº 48/90, de 24 de Agosto (Lei de Bases da Saúde) e aprovou, como sua parte integrante, o Regime jurídico da gestão hospitalar. 5 - O Capítulo I do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar é dedicado às disposições gerais (artºs 1º a 8º). 6 - O artº 1º define o âmbito e nele se diz que: a) Aplica-se aos hospitais integrados na rede de prestação de cuidados de saúde (nº 1 sendo nosso o destacado); (2) Jorge Miranda, Manual de Direito Constitucional, Tomo V, págs. 354-355.

b) A rede da prestação de cuidados de saúde abrange os estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (nº 2 sendo nosso o destacado). 7 - O artº 2º do referido Regime Jurídico da Gestão Hospitalar está epigrafado de natureza jurídica e o seu nº 1 fixa a figura jurídica que os hospitais integrados na rede de prestação de cuidados de saúde podem revestir, interessando para aqui: a) Estabelecimentos públicos, dotados de personalidade jurídica, autonomia administrativa e financeira, com ou sem autonomia patrimonial [alínea a)]; b) Estabelecimentos públicos, dotados de personalidade jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial e natureza empresarial [alínea b)]; 8 - Assim, e com toda a evidência, quer a Lei de Bases da Saúde quer o Regime Jurídico da Gestão Hospitalar falam de estabelecimentos públicos integrados na rede de prestação de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde. Sendo certo que, 9 - Os Estabelecimentos Públicos são espécie dos institutos públicos da qual os Hospitais do Estado são categoria (3) 9.1 - Aliás, isso mesmo decorre da Lei-Quadro dos Institutos Públicos (que é a Lei nº 3/2004, de 15 de Janeiro e que, no aspecto aqui observado, não tem qualquer alteração posterior). 9.2 - Na verdade, à face do artº 48º, nº 1, c), da referida Lei-Quadro os Estabelecimentos do Serviço Nacional são tipo dos institutos público e (3) Freitas do Amaral, Curso de Direito Administrativo, 1987, Vol. I, pág. 324-325.

gozam de regime especial, com derrogação do regime comum na estrita medida necessária à sua especificidade (os destacados são nossos). 10 - O Capítulo II do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar é dedicado aos Hospitais do sector público administrativo (SPA) e desdobra-se por duas Secções: a) Secção I: Estabelecimentos públicos (artºs 9º a 17º); b) Secção II: Estabelecimentos públicos com natureza empresarial (artº 18º). 11 - O nº 3 deste artº 18º do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar [que, como assinalado, está inserido na Secção II ( Estabelecimentos públicos com natureza empresarial ) do Capítulo II ( Hospitais do sector público administrativo (SPA) ] estatui que os hospitais que revistam a natureza jurídica de estabelecimentos públicos dotados de personalidade jurídica, autonomia administrativa, financeira e patrimonial e natureza empresarial constam de diploma próprio do Governo. Porém, 12 - Sendo a Lei de Bases da Saúde lei de valor reforçado a denominação, por acto legislativo do Governo, de entidade pública empresarial não retira a qualificação de Estabelecimento do sector público administrativo (SPA) da Saúde, com natureza empresarial. E, 13 - Aliás, a natureza jurídica de um qualquer instituto não é ditada pelo seu nomen juris mas isso sim, é determinada pelos comandos que o regem, pela sua disciplina normativa (4). Sendo que, (4) Sobre a primazia dos comandos reitores, da disciplina normativa, v. Almeida Ferrão, Serviços Públicos no Direito Português, pág. 219; Ferreira Pinto e Guilherme da Fonseca, Direito Processual Administrativo Contencioso, pág. 38; Guilherme da Fonseca, Os hospitais do Estado: sua caracterização, Scientia Ivridica, Separata, Outubro-Dezembro 2005, Tomo LIV nº 304, pág. 636.

14 - Este mesmo registo da primazia dos comandos reitores, da disciplina normativa, está presente e foi determinante para o julgado no acórdão do Supremo Tribunal Administrativo, de 28/Outubro/2009, Procº nº 0484/09 (5) e no acórdão do Tribunal de Conflitos de 6/Fevereiro/2014, Procº nº 024/12 (6). 15 - Em suma: as denominadas (por acto legislativo do Governo) Entidades Públicas Empresariais da Saúde são, com propriedade e rigor, Estabelecimentos do Sector Público Administrativo (SPA), da Saúde, com natureza empresarial: artº 64º, nºs 1 a 2, a), da CRP, Bases IV, nºs 1 e 2, XII, nºs 1 e 4, e XXXVI, nº 1, da Lei de Bases da Saúde, e, na sua localização sistemática, artºs 1º, nºs 1 e 2, primeiro segmento, 2º, nº 1, corpo, e alínea b), e 18º do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar (aprovado, como sua parte integrante, pela Lei nº 27/2002, de 8 de Novembro). B) As Entidades Públicas Empresariais da Saúde desempenham a função administrativa do Estado. 16 - Nos termos do artº 199º, g), da CRP, compete ao Governo, no exercício de funções administrativas praticar todos os actos e tomar todas as providências necessárias à promoção do desenvolvimento económico-social e à satisfação das necessidades colectivas, assertivando a nossa jurisprudência constitucional que o polimorfismo das estruturas organizatórias e a pluralidade das pessoas colectivas públicas são um instrumento para prosseguir as tarefas da Administração Pública em sentido objectivo, como função ou actividade administrativa (7). (5) V. nºs IV e V do sumário (o aresto está disponível em http://www.dgsi.pt). (6) V. nº 5 do discurso fundamentador (o aresto está disponível em http://www.dgsi.pt). (7) Acórdão do Tribunal Constitucional nº 155/2004 in Diário da República, I-A, nº 95, de 22/Abril/2004, a págs. 2461.

17 - E a função administrativa compreende o conjunto de actos destinados à produção de bens e à prestação de serviços tendo em vista a satisfação das necessidades colectivas, função que é essencialmente desempenhada por pessoas colectivas públicas, e marginalmente, por pessoas colectivas privadas integradas na Administração Pública (8) (9) (10). 18 - O Decreto-Lei nº 12/2015, de 26 de Janeiro, harmonizou o regime dos Hospitais e Centros Hospitalares, E.P.E. e das Unidades Locais de Saúde, E.P.E. (cfr. artº 1º), de sorte que em ambos os casos estamos perante pessoas colectivas de direito público de natureza empresarial dotadas de autonomia administrativa, financeira e patrimonial, nos termos do regime jurídico do sector público empresarial, e do artigo 18º do anexo da Lei nº 27/2002, de 8 de Novembro (artº 5º, nº 1, do Decreto-Lei nº 233/2005, de 29 de Dezembro, artº 1º, nº 1, dos Estatutos dos Hospitais e Centros Hospitalares, E.P.E. e artº 1º, nº 1, dos Estatutos das Unidades Locais de Saúde, E.P.E., todos anexos ao citado Decreto-Lei nº 12/2015, de 26 de Janeiro). 19 - Nos termos do artº 18º, nº 2, do anexo da Lei nº 27/2002, de 8 de Novembro (que é o Regime jurídico da gestão hospitalar ), os Estabelecimentos Públicos com Natureza Empresarial estão vinculados ao cumprimento das disposições gerais constantes do Capítulo I (do mesmo Regime Jurídico), e, por isso, ao artº 4º ( Princípios gerais na prestação de cuidados de saúde ), ao artº 5º ( Princípios específicos da gestão hospitalar ) e ao artº 6º ( Poderes do Estado ). E, (8) Acórdão do Tribunal de Conflitos de 2/Outubro/2008, Procº nº 012/08 disponível em http://www.dgsi.pt. (9) Na mesma linha, os acórdãos do Tribunal de Conflitos de 4/Novembro/2009, Procº nº 020/09, e de 9/Junho/2010, Procº nº 08/10 disponníveis em htpp://www.dgsi.pt e que observam figura jurídica pública integrada na rede de prestação de cuidados de saúde do Serviço Nacional de Saúde. (10) Na doutrina, Marcelo Rebelo de Sousa, Lições de Direito Administrativo, 1999, pág. 12; Marcelo Rebelo de Sousa e André Salgado de Matos, Direito Administrativo Geral, Tomo I, 2ª edição, pág. 39; Sérvulo Correia, Noções de Direito Administrativo, Vol. I, pág. 29.

20 - O citado artº 4º do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar (aplicável ex vi do nº 2 do artº 18º) estatui que na prestação de cuidados de saúde observam-se os seguintes princípios gerais: a) Liberdade de escolha do estabelecimento hospitalar, em articulação com a rede de cuidados de saúde primários; b) Prestação de cuidados de saúde, com humanidade e respeito pelos utentes; c) Atendimento de qualidade, com eficácia e em tempo útil aos doentes; d) Cumprimento das normas de ética e deontologia profissionais. 21 - E como melhor resulta do artº 2º, nº 1, dos respectivos Estatutos quer os Hospitais e Centros Hospitalares, E.P.E. quer as Unidades Locais de Saúde, E.P.E. têm por objecto a prestação de cuidados de saúde aos beneficiários do Serviço Nacional de Saúde (no que para aqui interessa). 22 - Estes Estabelecimentos Públicos estão no exercício da função administrativa do Estado: são pessoas colectivas públicas com a função de prosseguir a tarefa atribuída ao Estado de promover a protecção da saúde (artº 64º da CRP), tarefa que o Estado só não prossegue em exclusivo por ter entendido que a descentralização dessa missão, conduziria a uma gestão mais ágil, mais eficiente, mais racional e mais económica dos meios que lhe estão afectos e que, portanto, dessa maneira melhor se alcançava a satisfação daquele interesse público (11) (11) Retirado do acórdão do Tribunal de Conflitos de 6/Fevereiro/2014, Procº nº 24/12 disponível em http://www.dgsi.pt.

C) As Entidades Públicas Empresariais da Saúde NÃO FAZEM PARTE do Sector Empresarial do Estado 23 - O artº 18º do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar fixa o regime aplicável aos estabelecimentos públicos com natureza empresarial do Serviço Nacional de Saúde. E, 24 - Por um lado, diz que os estabelecimentos públicos com natureza empresarial do Serviço Nacional de Saúde não estão sujeitos às normas aplicáveis aos institutos públicos que revistam a natureza de serviços personalizados ou de fundos autónomos (o destacado é nosso). 24.1- O serviço personalizado do Estado é um instituto público que pertence ao organograma dos serviços centrais de um Ministério, e desempenha atribuições deste no mesmo plano que as respectivas direcções-gerais (12) 24.2- Os fundos e serviços autónomos estão integrados no Estado e portanto sem personalidade jurídica e recheiam a administração estadual directa, tanto a nível central como local (13) 24.3- E é às normas aplicáveis aos institutos públicos que revistam a natureza de serviços personalizados ou de fundos autónomos que não estão sujeitos os estabelecimentos públicos com natureza empresarial do Sector Público Administrativo (SPA) da Saúde. 25 - Por outro lado, face ao mesmo artº 18º, nº 1, do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar os estabelecimentos públicos com natureza empresarial do Sector Público Administrativo (SPA) da Saúde regem-se ( ) subsidiariamente, pelo (12) Freitas do Amaral, Curso de Direito Administrativo, Vol. I, 1987, pág. 327. (13) Freitas do Amaral, Curso de Direito Administrativo, Vol. I, 1987, pág. 317.

regime jurídico geral aplicável às entidades públicas empresariais (o destacado é nosso). 26 - O Decreto-Lei nº 133/2013, de 3 de Outubro, estabeleceu os princípios e regras aplicáveis ao sector público empresarial, incluindo as bases gerais das empresas públicas (artº 1º, nº 1). 27 - E à face do artº 2º, nº 1, do Decreto-Lei nº 133/2013, de 3 de Outubro, o sector público empresarial abrange: a) O sector público empresarial do Estado; b) O sector empresarial local. E, 28 - Face ao nº 2 do mesmo preceito, o sector empresarial do Estado abrange: a) As empresas públicas; b) As empresas participadas. 29 - As empresas públicas são organizações empresariais constituídas sob a forma de sociedade de responsabilidade limitada nos termos da lei comercial (artº 5º, nº 1, do Decreto-Lei nº 133/2013, de 3 de Outubro) sendo consideradas ( ) ainda empresas públicas as entidades com natureza empresarial reguladas no Capítulo IV (nº 2 do mesmo preceito). 30 - A criação das entidades públicas empresariais do Capítulo IV do Decreto-Lei nº 133/2013, de 3 de Outubro, está obrigatoriamente sujeita a parecer prévio da Unidade Técnica de Acompanhamento e Monitorização do Sector Público Empresarial (artº 57º, nº 3) a qual depende do membro do Governo responsável pela área das finanças (artº 68º, nº 1) e tem por missão prestar o

apoio técnico adequado ao membro do Governo responsável pela área das finanças tendo em vista o equilíbrio económico e financeiro do sector (artº 68º, nº 2 sendo nosso o destacado). 31 - Assim, bem se compreende que as Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde não estejam neste Capítulo IV do Decreto-Lei nº 133/2013, de 3 de Outubro: o seu escopo não é a produção de bens para colocar no mercado mediante um preço, e, por isso mesmo, não se coloca em relação a elas a obrigatoriedade de respeito da neutralidade competitiva: as empresas públicas desenvolvem a sua actividade nas mesmas condições e termos aplicáveis a qualquer actividade privada, e estão sujeitas às regras gerais da concorrência, nacionais e de direito da União Europeia (artº 15º, nº 1, do mesmo Decreto-Lei nº 133/2013, de 3 de Outubro). E, 32 - Na verdade, as Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde são tratadas no Capítulo VII do Decreto-Lei nº 133/2013, de 3 de Outubro, dispondo o artº 70º, aí sistematicamente inserido e sob epígrafe de Entidades públicas empresariais do sector da saúde, que o presente decreto-lei tem natureza subsidiária face ao regime aprovado pelo Decreto-Lei nº 233/2005, de 29 de Dezembro, atento o carácter especial deste diploma no que respeita às entidades públicas empresariais do sector da saúde (os destacados são nossos) em alinhamento perfeito com o artº 18º, nº 1, do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar (anexo, como sua parte integrante, à Lei nº 27/2002, de 8 de Novembro). 33 - Em suma: os Estabelecimentos do Sector Público Administrativo (SPA) da Saúde com natureza empresarial, não fazem parte do Sector Empresarial do Estado.

D) As Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde estão integradas na administração indirecta do Estado. 34 - Como antes se mostrou, as denominadas Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde são Estabelecimentos do Serviço Nacional da Saúde. E, 35 - Como também mostrado, os Estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde são Institutos Públicos de regime especial [artº 48º, nº 1, c), da Lei-Quadro dos Institutos Públicos]. Por isso, 36 - Isto é por serem institutos públicos, estão integradas na administração indirecta do Estado: artº 2º, nº 1, da Lei-Quadro dos Institutos Públicos. E, 37 - Esta integração na administração indirecta do Estado está jurisprudencialmente afirmada. Na verdade, 38 - O Supremo Tribunal Administrativo, em acórdão de 28/Outubro/2009 (14), julgou que o Hospital Público que reveste a natureza de entidade pública empresarial goza de um estatuto próprio, é uma pessoa colectiva de direito público, portanto com personalidade jurídica pública, criado por lei, desempenha em substituição do Estado uma das suas tarefas, que é a de prestação de bem estar (a saúde) aos cidadãos (artºs 9º e 64º da CRP), fazendo parte da administração indirecta do Estado; está sujeito ao poder de superintendência do Ministro da Saúde e aos poderes de tutela conjunta dos Ministros de Estado e das Finanças e da Saúde, tem natureza empresarial e é dotado de autonomia administrativa, financeira e patrimonial (cfr. IV e V do sumário, sendo nosso o destacado). (14) Procº 048/09, disponível em http://www.dgsi.pt.

39 - E também assim julga o Tribunal de Conflitos (15). 40 - A Lei nº 12-A/2008, de 27 de Fevereiro, define e regula os regimes de vinculação, de carreiras e de remunerações dos trabalhadores que exercem funções públicas (artº 1º, nº 1), incluindo no seu âmbito de aplicação subjectiva os actuais trabalhadores com a qualidade de funcionário ou agente de pessoas colectiva que se encontrem excluídas do seu âmbito objectivo de aplicação artº 2º, nº 2) e excluindo do seu âmbito de aplicação objectivo as entidades públicas empresariais (artº 3º, nº 5). 41 - A Lei nº 59/2008, de 11 de Setembro, aprovou o Regime do Contrato de Trabalho em Funções Públicas (artº 1º, nº 1) estatuindo que o seu âmbito de aplicação objectivo é o que se encontra definido no artigo 3º da Lei nº 12- A/2008, de 27 de Fevereiro (artº 3º, nº 1). 42 - O artº 9º da Lei nº 59/2008, de 11 de Setembro, introduziu alterações no Decreto- Lei nº 503/99, de 20 de Novembro ( regime jurídico dos acidentes de trabalho e das doenças profissionais ocorridos ao serviço de entidades empregadoras públicas. E, 43 - Na nova redacção do artº 2º deste Decreto-Lei nº 503/99, de 20 de Novembro, ficou assim: a) O Decreto-Lei nº 503/99, de 20 de Novembro, é aplicável a todos os trabalhadores que exercem funções públicas, nas modalidades de nomeação ou de contrato de trabalho em funções públicas, nos serviços da administração directa e indirecta do Estado (nº 1); (15) Acórdão de 6/Fevereiro/2014, Procº nº 024/12 disponível em http://www.dgsi.pt.

b) Aos trabalhadores que exerçam funções em entidades públicas empresariais é aplicável o regime dos acidentes de trabalho previsto no Código do Trabalho (nº 4). 44 - Colocou-se, então, a questão de saber qual o regime aplicável em caso de acidente (de trabalho) de trabalhador em contrato de trabalho em funções públicas quando exercendo funções em entidade pública empresarial do sector da saúde: o do nº 1 ou o do nº 4 do artº 2º do Decreto-Lei nº 503/99, de 2 de Novembro? 45 - Isto porque: a) Se se considerasse a entidade pública empresarial do sector da saúde estava integrada na administração indirecta do Estado o regime aplicável era o do nº 1: o Decreto-Lei nº 503/99, de 20 de Novembro; b) Se se considerasse que a entidade pública empresarial do sector da saúde não estava integrada na administração indirecta do Estado o regime aplicável era o do nº 4: o regime do Código do Trabalho. 46 - A isto respondeu, incisivamente, o Tribunal de Conflitos: O Centro Hospitalar, EPE, é uma pessoa colectiva pública integrada na administração indirecta do Estado, estando os trabalhadores que nele exercem funções públicas sujeitos à disciplina do D. L. nº 503/99, de 20 de Novembro (citado acórdão de 6/Fevereiro/2014, Procº nº 024/12). Sendo que, 47 - O discurso jurídico fundamentador (cfr. nº 5 do acórdão) está em linha com o do citado acórdão do Supremo Tribunal Administrativo de 28/Outubro/2009. Por isso,

48 - O concluído em ambos os Tribunais Superiores é inteiramente transponível para a interpretação e aplicação dos artºs 1º, nº 2, primeiro segmento, 2º, nº 1, b), e 4º, nº 4, da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas: as Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde estão integradas na administração indirecta do Estado (e, por isso, em matéria de acidentes de trabalho e doenças profissionais é aplicável aos trabalhadores que exercem funções públicas nas Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde a disciplina do Decreto-Lei nº 503/99, de 20 de Novembro). E) A Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas 49 - A Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (aprovada pela Lei nº 35/2014, de 20 de Junho) regula o vínculo do trabalho em Funções Públicas (artº 1º, nº 1). 50 - Aos trabalhadores (então funcionários e agentes) oriundos das unidades de saúde que deram origem às Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde está legalmente garantida a manutenção integral do seu estatuto jurídico: artº 15º, nº 1, do Decreto-Lei nº 233/2005, de 29 de Dezembro (republicado em anexo ao Decreto-Lei nº 12/2015, de 26 de Janeiro). Assim, 51 - Estes trabalhadores são (continuam a ser) titulares do vínculo de trabalho em funções públicas e, por isso, estão no âmbito de aplicação da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (artº 1º, nºs 1 e 6). 52 - A Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas exclui do seu âmbito de aplicação as Entidades Públicas Empresariais [artº 2º, nº 1, b)]. Mas, 53 - As Entidades Públicas Empresariais excluídas do âmbito de aplicação da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas não são as Entidades Públicas

Empresariais do Sector da Saúde: estas, à face da Lei-Quadro dos Institutos Públicos, são Institutos Públicos de Regime Especial, integrados na administração indirecta do Estado [ou, na formulação da Lei de Bases da Saúde e do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar, são Estabelecimentos do Sector Público Administrativo (SPA) da Saúde, com natureza empresarial]. Por isso, 54 - A Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas é aplicável às Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde. Isto, 55 - Naturalmente, e como é óbvio, no que concerne aos trabalhadores com vínculo de trabalho em funções públicas oriundos das unidades de saúde que deram origem àquelas Entidades. F) Em síntese: I - À face da nossa Lei Fundamental todos têm direito à protecção da saúde o qual é realizado através de um serviço nacional de saúde universal e geral, tendencialmente gratuito [artº 64º, nºs 1 e 2, a), da Constituição da República Portuguesa]; II - A Lei de Bases da Saúde (Lei nº 48/90, de 24 de Agosto e que é lei de valor reforçado) estatui que a rede nacional de prestação de cuidados de saúde abrange os estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde (Base XII, nº 4); III - O Regime Jurídico da Gestão Hospitalar (aprovado pela Lei nº 27/2002, de 8 de Novembro) aplica-se aos hospitais integrados na rede da prestação de cuidados de saúde (artº 1º, nº 1) e nessa rede estão integrados os

estabelecimentos públicos, sem, ou com, natureza empresarial [artº 2º, nº 1, a) e b)]; IV - O Capítulo II do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar é dedicado aos Hospitais do Sector Público Administrativo (SPA) e desdobra-se pela Secção I, Estabelecimentos Públicos e pela Secção II, Estabelecimentos Públicos com natureza empresarial ; V - A Lei-Quadro dos Institutos Públicos (Lei nº 3/2004, de 15 de Janeiro) considera os Estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde como tipo dos institutos públicos; VI - Este tipo de institutos públicos (isto é: os Estabelecimentos do Serviço Nacional de Saúde goza de regime especial ( ) com derrogação do regime comum na estrita medida necessária à sua especificidade (artº 48º, nº 1, c) sendo nossos os destacados); VII - Os institutos públicos (isto é: seja comum seja especial o seu regime) integram a administração indirecta do Estado [artº 2º, nº 1, da referida Lei-Quadro]; VIII- O artº 48º, nº 2, da citada Lei-Quadro dispõe que cada uma destas categorias de institutos públicos pode ser regulada por lei específica. Assim, IX - A margem de conformação deixada pelo nº 2, compaginada com o campo do nº 1, do citado artº 48º, da Lei-Quadro dos Institutos Públicos (que é lei de valor reforçado) é a da estrita medida necessária à especificidade. Com o que, X - Estão em plena conformidade o artº 5º, nº 3, do Decreto-Lei nº 233/2005, de 29 de Dezembro (republicado em anexo ao Decreto-Lei nº 12/2015, de 26 de Janeiro), e o artº 70º do Decreto-Lei nº 133/2013, de 3 de Outubro: o regime jurídico do

sector público empresarial é de aplicação subsidiária às Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde. XI - A Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas regula o vínculo de trabalho em funções públicas (artº 1º, nº 1) e os trabalhadores (então funcionários e agentes) oriundos das unidades de saúde que deram origem às Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde gozam da garantia legal de manutenção integral do seu estatuto jurídico [artº 15º, nº 1, do Decreto-Lei nº 233/2005, de 29 de Dezembro (republicado em anexo ao Decreto-Lei nº 12/2015, de 26 de Janeiro)] e, por isso, cabem no âmbito de aplicação da referida Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas (artº 1º, nºs 1 e 6). XII - O artº 2º, nº 1, b), da Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas exclui do seu âmbito de aplicação as Entidades Públicas Empresariais. Mas XIII- As excluídas Entidades Públicas Empresariais não são as Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde. É que, XIV- As Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde são Estabelecimentos do Serviço Nacional da Saúde (Base XII, nº 4, da Lei de Bases da Saúde) ou Estabelecimentos do Sector Público Administrativo (SPA) da Saúde, com natureza empresarial [na formulação do Regime Jurídico da Gestão Hospitalar] e, pois, Institutos Públicos de Regime Especial na disciplina da Lei-Quadro dos Institutos Públicos [artº 48º, nº 1, c), da Lei nº 3/2004, de 15 de Janeiro]. E, XV - As Entidades Públicas Empresariais do Sector da Saúde, porque Estabelecimentos do Serviço Nacional da Saúde, estão integradas na administração indirecta do Estado [artº 2º, nº 1, em leitura conjugada com o artº 48º, nºs 1, c), e 2, da referida Lei-Quadro dos Institutos Públicos]. Assim,

XVI- A Lei Geral do Trabalho é-lhes aplicável (artº 1º, nº 2, primeira parte), no que, como é óbvio, concerne aos trabalhadores com vínculo de trabalho em funções públicas oriundos das unidades de saúde que lhes deram origem. * Lisboa, 2 de Fevereiro de 2016 * * *