CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO



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Transcrição:

1 CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO O computador não é uma máquina interessante se não pudermos interagir com ela. Fazemos isso através de suas interfaces e seus periféricos. Como periféricos serão considerados os dispositivos que interagem com a unidade central de processamento (CPU) e/ou memória principal. Os periféricos servem para a comunicação do computador com o meio externo (usuário, ambiente) bem como para armazenamento de dados. Exemplos de periféricos: Teclado, mouse, monitor, impressora, dispositivos de armazenamento (HDs, CD- ROM, DVD-ROM), placas de aquisição de dados, sensores, atuadores, placas microcontroladas. Exemplos de interfaces: Serial (RS-232C), Paralela (Centronics), USB, VGA, PS/2, RS485, IDE, SCSI, SATA, PCI, PCIe, Rede Ethernet(802.3), Rede Wireless (802.11), Zigbee, BlueTooth. Periféricos de entrada e saída e suas interfaces: Os periféricos são categorizados basicamente como entrada, saída ou ambos (entrada/saída), tendo a unidade de processamento como referência. Exemplos: Monitor Saída (interface VGA) Teclado Entrada (interface PS/2, USB) HD Entrada/Saída (interface SATA) Observe que apesar de um teclado ser caracterizado como periférico de entrada uma interface PS/2 é bidirecional (entrada/saída), permitindo, por exemplo, que um led de caps lock seja ativado pelo computador se necessário. Interfaces VGA, PS/2 e SATA

2 Obs.: Os periféricos também são conhecidos como dispositivos de E/S (entrada/saída) ou dispositivo de I/O (input/output). Ao longo do curso utilizaremos os termos periférico, dispositivo de I/O ou dispositivo de E/S, todos significando a mesma coisa. Interfaces em seus vários níveis: As interfaces podem ser estudadas em maior ou menor grau em vários níveis: Mecânico (físico): Conectores, cabos, dimensões dos slots, etc. Elétrico (físico): Tensões, correntes, etc. Elétrico (lógico): Temporização dos sinais, frequências de clock. Dados: Formatos dos quadros, regras de comunicação (protocolos) Programação: Acesso (leitura/escrita) na interface via código/biblioteca de programação. Os periféricos e suas controladoras: Todos os dispositivos periféricos, sejam internos ou externos, necessitam de algo para prover a comunicação entre eles e o computador. Basicamente, uma controladora é uma intermediária entre a CPU e um dispositivo periférico, como, por exemplo, o disco rígido, uma unidade de disquete, um teclado ou um monitor de vídeo. As funções executadas por uma controladora de periféricos são: Converter fluxo serial de bits em bloco de bytes, se necessário; Executar toda correção de erro necessária; Combinam as velocidades entre os dispositivos que operam em velocidades diferentes: A maioria dos periféricos é consideravelmente mais lenta do que a CPU na transferência de dados. Até o disco rígido, por exemplo, é milhares de vezes mais lento do que a CPU. Tornar blocos de dados disponíveis para serem copiados para a memoria principal (em caso de DMA estiver sendo utilizado) Convertem dados de um formato em outro: As controladoras convertem os dados do formato da CPU (5 volts, digital, e assim por diante) no tipo de formato que o periférico utiliza (por exemplo, Modified Frequency Modulation para os discos rígidos mais antigos). A CPU "conversa" através de sua própria linguagem elétrica com os demais chips existentes na placa-mãe. Os dispositivos como os monitores de vídeo necessitam de que os sinais sejam transmitidos nos formatos que eles possam utilizar. Novamente as controladoras exercem essa função. O que denominamos de interface é o padrão estabelecido para comunicação entre a controladora e seu periférico. Cada parte possui conectores apropriados e a eletrônica responsável pela transmissão e recepção dos dados no padrão da interface.

3 Arquitetura tradicional de um computador com barramento, CPU, memória e controladoras Comunicação serial e paralela De uma forma geral, a comunicação entre o núcleo do computador e os dispositivos de E/S poderia ser classificada em dois grupos: comunicação paralela ou serial. Vamos a seguir analisar as características destes grupos. Comunicação paralela: Na comunicação paralela grupos de bits são transferidos simultaneamente (em geral, byte a byte) através de diversas linhas condutoras dos sinais. Desta forma, como vários bits são transmitidos simultaneamente a cada ciclo, a taxa de transferência de dados tende a ser alta. Comunicação Paralela Observe também que, dependendo da distância entre a interface e o periférico ao utilizar um cabeamento paralelo, a quantidade de condutores (fios) é multiplicada pela quantidade de bits transferidos a cada ciclo, implicando em custo maior. Além disso, há outro problema que veremos adiante. Comunicação serial: Na comunicação serial os bits são transferidos um a um, através de um único par condutor. Os bytes a serem transmitidos são serializados, isto é, são "desmontados" bit a bit, e são individualmente transmitidos, um a um. Na outra extremidade do condutor, os bits são contados e quando formam oito bits, são remontados, reconstituindo os bytes originais. Nesse modo, o controle é comparativamente muito mais simples que no modo paralelo e é de implementação mais barata. Como todos os bits são transferidos pelo mesmo meio físico (mesmo par de fios), as eventuais irregularidades afetam todos os bits igualmente. A transmissão serial é intrinsecamente mais lenta (de vez que apenas um bit é transmitido de cada vez).

4 Comunicação Serial Se a comunicação serial é intrinsecamente mais lenta que a paralela, por que as interfaces seriais voltaram a serem utilizadas nos computadores modernos (Exemplo: SATA, USB)? Resposta: O SKEW Um dos problemas importantes diz respeito à propagação dos sinais no meio físico, isto é, no cabo de conexão entre o dispositivo e a interface. Essa propagação deve se fazer de modo que os sinais (os bits) correspondentes a cada byte cheguem simultaneamente à extremidade oposta do cabo, onde então serão reagrupados em bytes. Como os condutores que compõem o cabo usualmente terão pequenas diferenças físicas, a velocidade de propagação dos sinais digitais nos condutores poderá ser ligeiramente diferente nos diversos fios. Dependendo do comprimento do cabo, pode ocorrer que um determinado fio conduza sinais de forma mais rápida (ou mais lenta) que os demais fios e que desta forma um determinado bit x em cada byte se propague mais rápido e chegue à extremidade do cabo antes que os outros n-1 bits do byte. Este fenômeno é chamado skew, e as consequências são catastróficas: os bits x chegariam fora de ordem (os bytes chegariam embaralhados) e a informação ficaria irrecuperável. Em decorrência desse problema, há limites para o comprimento do cabo que interliga um dispositivo ao computador, quando se usa o modo paralelo. A transmissão serial tem recebido aperfeiçoamentos importantes (seja de protocolo, de interface e de meio de transmissão) que vem permitindo o aumento da velocidade de transmissão por um único par de fios, cabo coaxial ou de fibra ótica. Como o aumento da velocidade de transmissão em interfaces paralelas ocasiona mais skew, a tendência tem sido no sentido do aperfeiçoamento das interfaces seriais que hoje permitem taxas de transferência muito altas com relativamente poucas restrições de distância. Transmissão síncrona e assíncrona: Além da comunicação ser feita de forma serial ou paralela podemos também classificar esta comunicação em termos da sincronização de envio e recebimento dos bits. Em uma transmissão de dados entre a CPU (via controladora) e seu periférico é necessário que os bits transmitidos sejam corretamente recebidos levando-se em conta o tempo (momento do envio e duração dos mesmos). Para garantir a correta transmissão dos bits podemos utilizar dos métodos diferentes: transmissão síncrona ou assíncrona. Transmissão síncrona: Na transmissão síncrona, o intervalo de tempo entre dois caracteres subsequentes é fixo e os dois dispositivos (transmissor e receptor) são sincronizados, ou seja, possuem clock único ou sincronizado todo o tempo. Quando não há caracteres a serem transferidos, o transmissor continua enviando caracteres especiais de forma que o intervalo de tempo entre caracteres se mantém constante e o receptor mantém-

5 se sincronizado. No início de uma transmissão síncrona, os clocks dos dispositivos transmissor e receptor são sincronizados através de uma string de sincronização e então se mantém sincronizados por longos períodos de tempo (dependendo da estabilidade dos relógios), podendo transmitir dezenas de milhares de bits antes de terem necessidade de sincronizar novamente. Outra forma de manter o sincronismo é a utilização de uma linha (condutor) específica para o clock. Em resumo, na transmissão síncrona é fundamental que cada dispositivo comande seu clock para geração e recepção dos bits de forma sincronizada o tempo todo, isso pode ser garantido com: Ter clocks independentes no transmissor e receptor, sendo que a frequência e a fase destes clocks é garantida estar em sincronia pelo uso de osciladores precisos e o envio de transmissão periódica de uma string de sincronização que mantém os clocks funcionando como se fossem um só. Utilizar o gerador de clock somente no transmissor e enviar o clock para o receptor através de uma linha (condutor) específica para o clock (este é o método mais confiável mas gasta uma linha de comunicação para tal. Transmissão assíncrona: Na transmissão assíncrona, o intervalo de tempo entre os caracteres não é fixo. Podemos exemplificar com um digitador operando um terminal, não havendo um fluxo homogêneo de caracteres a serem transmitidos. Comparação entre transmissão assíncrona e síncrona Como o fluxo de caracteres não é homogêneo, não haveria como distinguir a ausência de bits sendo transmitidos de um eventual fluxo de bits zero e o receptor nunca saberia quando virá o próximo caractere, e, portanto, não teria como identificar o que seria o primeiro bit do caractere. Para resolver estes problemas de transmissão assíncrona, foi padronizado que na ausência de caracteres a serem transmitidos o transmissor mantém a linha sempre no estado 1,isto é, transmite ininterruptamente bits 1, o que distingue também de linha interrompida (este estado é chamado idle). Quando for transmitir um caractere, para permitir que o receptor reconheça o início do caractere, o transmissor insere um bit de partida (start bit) antes de cada caractere. Convenciona-se que esse start bit será um bit zero, interrompendo assim a sequência de bits 1 que caracteriza a linha livre (idle). Para maior segurança, ao final de cada caractere o transmissor insere um (ou dois, dependendo do padrão adotado) bits de parada (stop bits), convencionando-se serem bits 1 para distingui-los dos bits de partida.

6 Os bits de informação são transmitidos em intervalos de tempo uniformes entre o start bit e o(s) stop bit(s). Portanto, transmissor e receptor somente estarão sincronizados durante o intervalo de tempo entre os bits de start e stop. A transmissão assíncrona também é conhecida como "start-stop". A taxa de eficiência de uma transmissão de dados é medida como a relação de número de bits úteis dividido pelo total de bits transmitidos. No método assíncrono, a eficiência é menor que a no método síncrono, uma vez que há necessidade de inserir os bits de partida e parada, de forma que a cada caractere são inseridos de 2 a 3 bits que não contém informação. Análise da transmissão em uma interface serial assíncrona: Na figura abaixo temos a representação de um byte enviado através de uma interface serial assíncrona. Vamos tentar identificar o byte/caractere sendo transmitido, tempo de transmissão de um bit, tempo de transmissão do byte/caractere, a eficiência e o tempo (delay) que o receptor irá dar para capturar os bits transmitidos. Suponha que a frequência do clock (velocidade de transmissão) é de 9600bps. Byte sendo transmitido: Após o start-bit e antes do stop-bit temos: 1 0 0 1 0 0 1 0 Como o bit menos significativo é transmitido primeiro, invertemos: 0 1 0 0 1 0 0 1 que é 73 em decimal ou a letra I (í maiúscula) na tabela ASCII Tempo de transmissão de 1 bit: t = 1/9600 = 0,000104s = 0,104ms Tempo de transmissão do byte (devemos acrescentar todos bits necessários) t = 10 x 0,104 = 1,04ms Eficiência = 8/10 = 80% Tempo para o início da captura dos bits no receptor:

7 Assim que o receptor detecta o start-bit ele irá contar o tempo do start-bit mais a metade do tempo de um bit a fim de que as amostras (samples na figura) sejam feitas exatamente na metade do tempo de transmissão dos bits, reduzindo assim a probabilidade de capturar bits errados devido a diferenças entre as velocidades de clock do transmissor e do receptor. Assim: t = 0,104 + 0,052 = 0,156ms Transmissão simplex, half-duplex e full-duplex: Uma comunicação é dita simplex quando permite comunicação apenas em um único sentido, tendo em uma extremidade um dispositivo apenas transmissor (transmitter) e do outro um dispositivo apenas receptor (receiver). Não há possibilidade de o dispositivo receptor enviar dados ou mesmo sinalizar se os dados foram recebidos corretamente. Transmissões de rádio e televisão são exemplos de transmissão simplex. Uma comunicação é dita half-duplex (também chamada semi-duplex) quando existem em ambas as extremidades dispositivos que podem transmitir e receber dados, porém não simultaneamente. Durante uma transmissão half-duplex, em determinado instante um dispositivo A será transmissor e o outro B será receptor, em outro instante os papéis podem se inverter. Por exemplo, o dispositivo A poderia transmitir dados que B receberia; em seguida, o sentido da transmissão seria invertido e B transmitiria para A a informação se os dados foram corretamente recebidos ou se foram detectados erros de transmissão. Uma transmissão é dita full-duplex (também chamada apenas duplex) quando dados podem ser transmitidos e recebidos simultaneamente em ambos os sentidos. Poderíamos entender uma linha fullduplex como funcionalmente equivalente a duas linhas simplex, uma em cada direção. Modos de transmissão

8 Transmissão balanceada e desbalanceada As interfaces seriais podem ser classificadas quanto à referência em relação ao terra em balanceadas e desbalanceadas. Transmissão desbalanceada: Neste caso, o sinal tem como referência o terra dos sistemas conectados. Os circuitos de acoplamento são simples, em contrapartida, este tipo de interface oferece baixa imunidade a ruídos. Qualquer ruído induzido nos fios do cabeamento irão facilmente deformar os bits transmitidos, fazendo com que o receptor interprete os bits enviados de forma errada. Um circuito de acoplamento desbalanceado é um circuito no qual o transmissor e receptor não são diferenciais, ou seja, o valor binário transmitido corresponde a um valor absoluto de tensão. Ex. VA > 3,5V => bit 1 VA < 1,5 => bit 0 Transmissão balanceada: Neste caso o sinal é enviado através de um par de fios desacoplado do terra, ou seja, não tem o terra como referência. Os sinais são tratados por amplificadores diferenciais. A grande vantagem está na alta imunidade a ruídos uma vez que estes são em sua maioria cancelados pelo amplificador diferencial. Um circuito de acoplamento balanceado é um circuito no qual o transmissor e receptor são diferenciais, ou seja, o valor binário transmitido é resultado da diferença de potencial entre um par de fios. Ex.: VA > VB => bit 1 VA < VB => bit 0

9 Circuitos balanceados apresentam maior imunidade a ruído e por isso são recomendados para taxas de transmissão elevadas. Ao interligar equipamentos que empregam interfaces de comunicação com circuitos balanceados, é importante observar a correspondência entre as polaridades de um mesmo circuito (ligar o condutor A do transmissor com o condutor A do receptor e ligar o condutor B de forma análoga).