Controle Biológico de Pragas

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Transcrição:

Área (ha) Controle Biológico de Pragas parasitoides e predadores José Roberto P. Parra Depto. Entomologia e Acarologia, ESALQ/USP Produção de grãos 240 milhões de toneladas 2016-2017 O Brasil é líder em Agricultura Tropical Tradição em agroquímicos O início da Entomologia Econômica no Brasil foi alicerçada nos agroquímicos. O Brasil é líder na Agricultura Tropical, com uma tecnologia própria Nos últimos 12 anos, a utilização de agroquímicos aumentou 162% em relação ao crescimento de 90% no mundo. desde Área mundial cultivada e não cultivada Brasil é o maior consumidor de agroquímicos do mundo 450.000 400.000 350.000 300.000 Área usada Área agricultável não utilizada 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 (agroquímicos) (US$9,6 bilhões/ano - 2015) US$3,2 bilhões - inseticidas Produção de grãos 2016/2017 240 milhões de toneladas 0 1

Parasitoides Predadores Patógenos Brasil, líder mundial Modelo tecnológico paradigma atual Café Suco de laranja Açúcar Qualidade dos produtos; Preços; Estabilidade de produção (materiais genéticos resistentes às adversidades climáticas); Soja Milho Feijão Imagem no mercado (produtos de alta qualidade e sanidade); Contratos de longo prazo (fornecimento estável, com certificação de produtos). Desafio do novo modelo tecnológico Controle Biológico e o MIP Aumentar a produtividade levandose em conta a qualidade de processos e produtos, sem degradação ambiental, e, se possível, de uma forma sustentável O controle biológico não pode ser considerado isoladamente no controle de pragas, mas como um componente do MIP. Agricultura Sustentável Macro e micro-organismos Macro-organismos Insetos e ácaros Feromônios MIP ND NC NE Micro-organismos Bactérias, fungos, protozoários, vírus, nematoides etc. pouco conhecida. pouco explorada Leppla e Williams (1992) 2

Controle Biológico Tropical Dadas às características da nossa Agricultura, com extensas áreas, temos que pensar num Modelo próprio para regiões tropicais. Por outro lado, a agricultura brasileira é perversa para a utilização de Controle Biológico É esse o nosso desafio atual! Controle Biológico Tropical Europa situação diferente Modelo próprio, pois é uma agricultura com áreas extensas e com características edáficas e climáticas favoráveis dando um maior número de gerações, sem interrupção durante o ano, além dos problemas de polifagia e dos sistemas de produção. dos agricultores da Holanda usam controle biológico Por que o Controle Químico atualmente é questionado? Além dos problemas tradicionalmente conhecidos: Resistência aos inseticidas; Aparecimento de pragas secundárias e ressurgência de pragas; Desequilíbrios biológicos; Problemas ambientais no solo, na água, ao homem; Resíduos nos alimentos. Por que o Controle Químico atualmente é questionado? Custos na síntese de novas moléculas; Desconhecimento químico para novas sínteses; Restrição da utilização de moléculas no Brasil, muitas delas já retiradas do mercado internacional; Pressão da Sociedade; Exigências dos mercados internacionais com relação à resíduos; A expectativa com relação aos transgênicos não foi totalmente atingida. 3

O sistema agrícola brasileiro está desequilibrado O sistema agrícola brasileiro está desequilibrado Vazio sanitário; Calendário de plantio; Preservação de inimigos naturais (seletividade); Rotação de princípios ativos; Refúgio de 20% de plantas não transgênicas; Incentivar o controle biológico e empresas de agentes de controle biológico; Controle cultural (época de plantio, eliminação de plantas invasoras, destruição de pupas, destruição de soqueiras etc.); Treinamento de amostragens e assessoramento. Degrande e Omoto (2013) Degrande e Omoto (2013) Agricultura dinâmica Ocupação de pastagens e áreas de Cerrado Áreas irrigadas Sucessão e rotação de culturas Plantio direto Novas variedades Pragas introduzidas (Helicoverpa armigera) Utilização maciça de inseticidas Áreas com plantas transgênicas (50,2 milhões de hectares) Alterações na cultura da soja Novas regiões Condições ambientais distintas Alterações nas práticas culturais Mudanças em características edáficas Cultivo contínuo Variedades Irrigação Plantio direto Rotação de culturas Períodos de plantio no Mato Grosso setembro novembro janeiro março maio Pragas controladas por transgênico Bt Anticarsia gemmatalis Chrysodeixis includens Chloridea (=Heliothis) virescens Helicoverpa armigera Helicoverpa gelotopoeon Helicoverpa zea Crocidosema aporema Omiodes indicata Elasmopalpus lignosellus Lepidópteros não controlados Spodoptera cosmioides S. eridania S. albula S. frugiperda Euschistus heros* * Grande problema atual. 4

Alterações na entomofauna da soja Alterações na entomofauna da soja A soja é um regulador de populações de pragas. Devido à grande área plantada (35 milhões de hectares) e com introdução da variedade transgênica Bt (50-60% da área plantada), devem diminuir algumas pragas como Chrysodeixis includens, Helicoverpa armigera e Anticarsia gemmatalis e aumentar o complexo Spodoptera. Com as alterações que deverão ocorrer, será aberto um espaço para o Controle Biológico de Euschistus heros, atualmente controlado com neonicotinoides e piretroides, com Telenomus podisi produzido em laboratório. Embora em fase inicial, tal parasitoide já vem sendo utilizado sobre o percevejo-marrom produzido em dieta artificial. S. frugiperda S. eridania S. albula S. cosmioides Custo do desenvolvimento de produtos químicos U$286 mi McDougall (2016) Sua utilização tem aumentado de 15-20% ao ano transgênicos U$125 mi biológicos U$2-10 mi Existe, hoje, no mundo uma tendência de redução de produtos químicos no controle de pragas, com grupos de trabalho para estudar novos micro ou macro-organismos, especialmente na Europa. Recentemente, o presidente da China lançou um programa nacional de pesquisa para a redução da utilização de pesticidas e fertilizantes no valor de 340 milhões de dólares. van Lenteren et al., 2017 É um fenômeno dinâmico que sofre influência de fatores climáticos, da disponibilidade de alimentos e da competição, assim como de aspectos independentes e dependentes da densidade van den Bosch et al. (1982) 5

AGENTES DE CONTROLE BIOLÓGICO INIMIGOS NATURAIS Hymenoptera Trichogramma sp. 6

Hymenoptera Trichogramma sp. Hymenoptera Anastatus sp. Hymenoptera Trissolcus scuticarinatus Hymenoptera Cirrospilus sp. Hymenoptera Hymenoptera 7

Diptera Diptera Iphiseiodes zuluagai Chrysoperla externa 8

Geocoris sp. Zelus sp. Podisus sp. Calosoma granulatum Scymnus Pullus sp. 9

Coccinellidae e Carabidae Reduviidae, Chrysopidae e Syrphidae 10

FORMAS DE EXPLORAÇÃO DO HOSPEDEIRO TIPOS DE REPRODUÇÃO E ESTRATÉGIAS REPRODUTIVAS (anfitoquia) POLIEMBRIONIA Embora os chineses usassem... Oecophylla smaragdina Bosch et al. (1982) (Aldrovandi) século 17 Vallisnieri Bosch et al. (1982) 11

Na Universidade da Califórnia, berço do controle biológico Caltagirone e Dout (1989) pulgão-branco-dos-citros Importação Austrália - EUA Paul H. DeBach Kenneth S. Hagen Robert van den Bosch até metade dos anos 60 até metade dos anos 60 Kogan (1998) Kogan (1998) 12

PROCEDIMENTOS BÁSICOS EM CONTROLE BIOLÓGICO INTRODUÇÃO LIBERAÇÕES INOCULATIVAS No passado, foi importante... CONTROLE BIOLÓGICO CLÁSSICO no Brasil CONTROLE BIOLÓGICO CLÁSSICO no Brasil Encarsia (Prospaltella) berlesei Pseudaulacaspis pentagona Macrocentrus ancylivorus Grapholita molesta Prorops nasuta Hypothenemus hampei Aphelinus mali Eriosoma lanigerum Lixophaga diatraeae Diatraea saccharalis Tetrastichus giffardianus Ceratitis capitata Neodusmetia sangwani Antonina graminis CONTROLE BIOLÓGICO CLÁSSICO... e hoje, tende a voltar com maior intensidade...... em CULTURAS PERENES ou SEMI PERENES (controle a longo prazo) CONTROLE BIOLÓGICO CLÁSSICO NO BRASIL em citros (Hymenoptera, Encyrtidae) tendência de se produzirem inseticidas com características menos agressivas ao ambiente para controle de Phyllocnistis citrella 13

CONTROLE BIOLÓGICO CLÁSSICO NO BRASIL CONTROLE BIOLÓGICO CLÁSSICO NO BRASIL ÁREAS DE LIBERAÇÃO DE Ageniaspis citricola Cajobi (1) Colômbia (3) Novaes (1) Olímpia (2) Barretos (3) Altair (1) Monte Azul Pta (1) Orindiuva (1) Bebedouro (6) Pirangi (1) Nova Granada (1) Onda Verde (1) Vista Alegre do Alto (1) Taquaral (3) Macedônia (1) Tabapuã (1) Taiaçú (1) Taiuva (1) Catanduva (1) Jaboticabal (2) Monte Alto (1) Dobrada (1) Taquaritinga (4) Matão (4) Ubarana (2) Rincão (1) Adolfo (1) Mococa (1) Itápolis (7) Santa Lúcia (1) Borborema (3) Américo Brasiliense (1) Cafelândia (1) Casa Branca (2) Descalvado (5) Lins (1) Aguaí (2) Getulina (1) Mogi-Guaçú (2) Pongai (1) Itirapina (1) Guarantã (1) Ibitinga (1) Araras (2) Reginópolis (1) Eng. Coelho (2) Piraju (1) Nova Europa (1) Amparo (1) Itajú (1) Jaguariúna (1) Holambra (3) Tabatinga (2) Gavião Peixoto (4) Cordeirópolis (1) Limeira (1) Araraquara (5) Brotas (4) Boa Esperança do Sul (4) Sarapuí (1) Piracicaba (1) Dourado (1) Botucatu (1) Tatuí (1) Ribeirão Bonito (1) Buri (1) Efeito de A. citricola sobre a população do minador 100 80 60 40 20 Minador A. citricola 0 1998-2000 2001 2002 2003 2004 CONSERVAÇÃO MULTIPLICAÇÃO SELETIVIDADE, MANEJO DA RESISTÊNCIA Culturas com grande número de pragas ESPECIFICIDADE PRODUÇÃO MASSAL, LIBERAÇÕES INUNDATIVAS 14

População Sem liberação Com liberação Liberação (NC) II III I I, II, III- gerações da praga NC - nível de controle NE - nível de equilíbrio Tempo NE Sistemas abertos com baixa variabilidade temporal Culturas perenes Florestas (Leppla e Williams, 1992) Sistemas com alta variabilidade temporal Culturas anuais ou sistemas fechados com baixa variabilidade temporal Casas-de-vegetação Produtos armazenados produção massal de 15

preparo da dieta criação de adultos coleta de ovos 22ºC, 70% de UR e fotofase de 14h preparo de posturas produção em recipientes de 500mL desenvolvimento larval da broca produção em tubos de fundo chato 30ºC, 70% de UR e fotofase de 14h parasitismo parasitismo 25ºC, 70% de UR e fotofase de 14h lagartas parasitadas em dieta de realimentação 16

parasitismo parasitismo larva massa nova separação de massas armazenamento cada copinho com 1.500 (ou 750) parasitoides 20ºC, 70% de UR e fotofase de 14h década de 1970 em São Paulo na cana-de-açúcar I.I. Dispersão Cotesia flavipes 5,0 4,5 20,0 7,1 18,7 14,3 50,0 66,7 % de parasitismo 5 1015 parasitismo significativo 18 m 20 2530 35 40 metros do centro 1 dia após a liberação 17

Liberação Cotesia flavipes 8 pontos/ha 4 pontos/ha, 6.000 parasitoides (mínimo), uma liberação ESQUEMA DE PRODUÇÃO DE Trichogramma DIETA ARTIFICIAL ADULTOS DA TRAÇA POSTURA DESENVOLVIMENTO LARVAL E PUPAL ESTERILIZADOS EM LÂMPADA GERMICIDA ADULTOS OVOS 95 % 5 % Produção do hospedeiro alternativo (traça) CONTROLE DE QUALIDADE COLÔNIA DE MANUTENÇÃO PARASITISMO Produção do parasitoide (Trichogramma spp.) LIBERAÇÃO DESENVOLVIMENTO LARVAL E PUPAL ADULTOS CONTROLE DE QUALIDADE CRIAÇÃO DE PRODUÇÃO DE Trichogramma EM PEQUENA ESCALA Produção de lagartas Coleta de adultos Coleta de ovos Cartões com ovos parasitados PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma DIETAS PARA HOSPEDEIROS ALTERNATIVOS farinha de trigo integral (97%) e levedura de cerveja (3%) ou farinha de trigo (40%) e milho (60%) (PARRA, 1997) Produção de lagartas germe de trigo (97%) e levedura (3%) ou farelo de arroz integral (94%), açúcar (3%) e levedura (3%) (BERNARDI et al., 2000) Bandejas com ovos soltos grãos de trigo 18

PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Dieta artificial PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Desenvolvimento larval Hospedeiro alternativo A. kuehniella Hospedeiro alternativo A. kuehniella PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Desenvolvimento larval PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Preparo de gaiola de adultos Hospedeiro alternativo A. kuehniella PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Preparo de gaiola de adultos PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Emergência de A. kuehniella 19

PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Preparo de gaiola de adultos PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Gaiola de adultos Hospedeiro alternativo A. kuehniella Fundo da gaiola PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Gaiolas de adultos Hospedeiro alternativo A. kuehniella PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Limpeza dos ovos PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Ovos de Anagasta kuehniella Hospedeiro alternativo A. kuehniella 20

PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Ovos de Anagasta kuehniella PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Câmara UV Ovos isentos de escamas Hospedeiro alternativo A. kuehniella 21

PRODUÇÃO MASSAL DE Trichogramma Recipiente de vidro para parasitismo mel Longevidade (dias) de T. pretiosum (25ºC) Sem alimento 1,3 ± 0,11 Mel 10% 2,4 ± 0,21 Mel puro 5,1 ± 0,65 Bleicher e Parra (1991) Densidade populacional x inimigo natural Índice de Intensidade de Infestação do ano anterior T. radiata x D. citri 22

Áreas de liberação de Tamarixia radiata São Paulo, Brasil 5,1x 49,5% Criação massal de Tamarixia radiata Votuporanga 2,6x Cajobi 3,0x 86,2% 3,4x Getulina 62,3% Rincão 53,3% Pirajuí 10,8x 7,9x Mogi Mirim 93,0% 51,5% Tatuí Regiões HLB (%) Centro 73,5 Norte 28,2 Noroeste Nossa proposta NOVA ABORDAGEM EM CONTROLE BIOLÓGICO Liberação de parasitoides em: Pomares abandonados; Pomares não pulverizados; Áreas de murta; Pomares orgânicos; Pomares de fundo de quintal. 8,8 Itapetininga 5,3x 59,1% 2,5x 69,6% Oeste 47,4 Aumento de parasitismo por T. radiata Sul 63,5 Redução da população de D. citri Controle de Diaphorina citri com Tamarixia radiata Existem 6 Biofábricas produzindo T. radiata. Capacidade de dispersão de insetos infectados 1,6 Km Isto representa 11.700 ha no Estado de São Paulo Controle de 80% com uma capacidade de dispersão de 40 km Ferreira (2014) Lewis-Rosenblum (2015) BIOFÁBRICAS DE T. radiata Marcos no controle de pragas no Brasil Início do Controle Biológico uso de Rodolia cardinalis nos EUA. Primeiro inseto introduzido no Brasil para controle biológico Encarsia berlesei. Síntese do DDT Prêmio Nobel. Surge o conceito de MIP. Início das plantas transgênicas (Nature, 1987). Relato de Helicoverpa armigera no Brasil. Czepak et al. (2013) 23

Espécies 2002 2006 2006 1998 Espécies disponíveis no mundo 1997 300 2006 2008 2010 2011 2009 2015 250 200 150 van Lenteren (2012) 230 van Lenteren et al. (2017) 100 50 2000 1986 1998 2006 2015 0 1970 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2007 2009 2011 2017 Disponibilidade de agentes de CB no mundo Agentes de Controle Biológico registrados no Brasil Segundo van Lenteren (2012), 230 (350) produtos biológicos estão disponíveis no mundo. Desses inimigos naturais, 95,2% são Arthropoda, 10 espécies Nematoda e 1 Mollusca. Dentre os artrópodes, 52,2% (120 espécies) são Hymenoptera, 13,1% (30 espécies) são Acari, 12,2% (28 espécies) são Coleoptera e 8,3% (19 espécies) são Heteroptera. van Lenteren (2012) macro-organismos ÁCAROS Neoseiulus californicus Phytoseiulus macropilis Stratiolaelaps scimitus PARASITOIDES Cotesia flavipes Trichogramma galloi Trichogramma pretiosum PREDADOR Cryptolaemus montrouzieri Fonte: ABCBio (2017) micro-organismos Aspergillus flavus Bacillus amyloliquefaciens Bacillus firmus Bacillus licheniformis Bacillus methylotrophicus Bacillus pumilis Bacillus subtilis Bacillus thuringiensis Beauveria bassiana Deladenus siricidicola Isaria fumosorosea Metarhizium anisopliae Paecilomyces lilacinus Pochonia chlamydosporia Steinernema puertoricense Trichoderma asperellum Trichoderma harzianum Trichoderma stromaticum Vírus de Anticarsia gemmatalis Vírus de Chloridea virescens Vírus de Condylorhiza vestigialis Vírus de Helicoverpa armigera Vírus de Helicoverpa zea Vírus de Spodoptera frugiperda * Produtos aguardando registro MAPA (2016) Produtos biológicos registrados no Brasil 39 4 13 16 11 8 19 Assim, o Controle Biológico está crescendo no Brasil. Existem hoje, na FAPESP, 11 PIPES (startups) financiadas para controle biológico. 2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 Fonte: ABCBio (2017) 24

Usinas e Empresas de Controle Biológico no Brasil Empresas de Controle Biológico no Brasil São Paulo Minas Gerais Mato Grosso Goiás Alagoas Pará Paraná Espírito Santo Amazonas 14 5 3 2 2 1 1 1 1 30 Fonte: ABCBio (2016) (Cotesia flavipes) São Paulo Alagoas Paraná Goiás Minas Gerais Alagoas Mato Grosso do Sul 12 2 2 1 1 1 1 20 Maiores usuários de Controle Biológico Existem cerca de 500 empresas no mundo. Europa EUA Ásia América Latina* África (van Lenteren et al., 2017) * Em termos de área, o Brasil lidera a utilização do Controle Biológico. 1960-1989 Exótico Nativo 1990-1999 Exótico Nativo pragas têm sido controladas de forma biológica 2000-2009 Cock et al. (2010) Exótico Nativo Cotesia flavipes 3,5 milhões de hectares Neoseiulus californicus Trichogramma pretiosum Trichogramma galloi Exemplos de Controle Biológico no Brasil PARASITOIDES 15.000 hectares Phytoseiulus macropilis Exemplos de Controle Biológico no Brasil ÁCAROS 2,1 milhões de hectares Stratiolaelaps scimitus 25

Exemplos de Controle Biológico no Brasil 2,5 mi ha Metarhizium anisopliae 0,2 mi ha Trichoderma harzianum > 5,0 mi ha Bacillus spp. PATÓGENOS 1,5 mi ha Desafios do Controle Biológico no Brasil Pesquisa e desenvolvimento de Programas de Controle Biológico Utilização do Controle Biológico, tendo o pacote tecnológico desenvolvido Baculovirus 1,5 mi ha Beauveria bassiana Pesquisa e desenvolvimento de Programas de Controle Biológico Exploração da nossa Biodiversidade Pesquisa e desenvolvimento de Programas de Controle Biológico Investimentos A despeito dos problemas apontados, deve ser melhor explorada a nossa biodiversidade na busca de agentes de Controle Biológico, por ser ela muito rica e ainda pouco explorada e conhecida. Embrapii Centro de Controle Biológico (FAPESP/empresas) Estímulo a novas empresas (11 PIPES FAPESP) * Riscos de produção pelo Agricultor Pesquisa e desenvolvimento de Programas de Controle Biológico Programas inter e multidisciplinares Trichogramma Coleta, identificação e manutenção de linhagens de Trichogramma spp.; Seleção de um hospedeiro para criação massal do parasitoide; Aspectos biológicos e comportamentais de Trichogramma spp.; Dinâmica de ovos da praga visada; Liberação de parasitoides; número de parasitoides liberados e pontos de liberação; época e forma de liberação; Controle de qualidade* Seletividade de agroquímicos*; Avaliação da eficiência (modelo de simulação parasitoide / praga). Hoje utilizado para algodão, cana-de-açúcar, milho, soja, feijoeiro, batata, tomateiro, abacate, banana, citros, mandioca, videira, cucurbitáceas, abacaxi etc. 26

Linha do tempo Pesquisa e desenvolvimento de Programas de Controle Biológico Criação de insetos Primeiros estudos com pragas do tomateiro (GOMES, 1963) Estudos com Trichogramma em florestas (MORAES et al., 1983) Início das pesquisas na ESALQ/USP Descrição de Trichogramma galloi Zucchi, 1988 T. pretiosum para o controle de T. absoluta em 1.500 ha (HAJI, 1997) Criação de Trichogramma in vitro (PARRA; CÔNSOLI, 1992) Técnicas de criação (grande desafio); Determinação das exigências térmicas para produção e planejamento. I International Workshop of Biological Control with Trichogramma na ESALQ/USP Livro Trichogramma e Primeira o Controle Biológico empresa Aplicado brasileira para produção de Trichogramma Livro Controle II International Workshop Biológico no Brasil: on Egg Parasitoids na parasitoides e ESALQ/USP predadores Livro Egg Parasitoids in Liberação de Agroecosystems with Trichogramma em Emphasis on cerca de 500.000 ha Trichogramma de cana-de-açúcar T. pretiosum para o controle de C. includens e/ou H. armigera O grande desafio, por muito tempo, para utilização de Telenomus podisi para controle de Euschistus heros foi o desenvolvimento de uma dieta artificial para o percevejo. Parra et al. (2015) Mendoza et al. (2016) Pesquisa e desenvolvimento de Programas de Controle Biológico Relação Empresa-Universidade Predadores e parasitoides potenciais no Brasil Parasitoides e predadores de pragas de florestas Habrobracon hebetor Telenomus podisi Telenomus remus Macrolophus A Empresa tem que fazer o ajuste de escala para grandes produções. Tetrastichus howardi Doryctobracon areolatus Orius Opius Utilização do Controle Biológico, tendo o pacote tecnológico desenvolvido Variável, dependendo do tipo de local para utilização. De casa-de-vegetação até grandes áreas (100.000 hectares, por exemplo). Desafios da utilização do Controle Biológico 1. Cultura do agricultor (em mudança) 2. Amostragem (feromônios, sensoriamento remoto) 3. Transferência de tecnologia 4. Disponibilidade do insumo biológico 5. Qualidade do inimigo natural produzido 6. Logística de armazenamento e transporte 7. Legislação própria 8. Seletividade 9. Tecnologia de liberação (predação) (terrestre ou aérea) (avançando rapidamente) 10. Agricultura dinâmica 11. Áreas com plantas transgênicas Parra (2014) Scientia Agricola 71: 5 27

Amostragem em soja Amostragem com feromônio Amostragem com sensoriamento remoto Armadilhas Estações Termopluviométricas População de Adultos Computador Central Fichas Acompanhamento por Técnicos SISTEMA DE AVISO PARA O BICHOFURÃO Dados Via Internet Hiperespectrômetro digital Fundecitrus e/ou ESALQ Terminais GPS Nansen et al. (2013; 2014) Applied Spectroscopy, 67:11, 2013 The Journal of Experimental Biology, 217, 2014 Hungria Romênia Holanda Lituânia Itália Polônia Rádio TV Jornal Internet e celular Telefone 0800 Técnicas de liberação Logística de armazenamento e transporte Áustria Revista Fundecitrus Estônia predadores Rep. Tcheca França Irlanda Bélgica Grécia Albânia Portugal Espanha Bulgária Reino Unido Alemanha Letónia Dinamarca Suécia Ucrânia Bósnia Croácia Macedônia Islândia Iugoslávia Noruega Finlândia Suíça Bielorrússia Fonte: J.L.Coelho, John Deere, 2001 28

Técnicas de liberação Técnicas de liberação Técnicas de liberação Técnicas de liberação Micro-organismos Macro-organismos Deverão ser produzidos e distribuídos por multinacionais que têm adquirido pequenas empresas e possuem recursos para sua produção e controle de qualidade. Têm a vantagem do tempo de prateleira. Deverão ser produzidos e distribuídos por pequenas empresas, que no Brasil têm ainda sistemas de produção não mecanizados, com grande número de funcionários, o que, muitas vezes, onera a produção e reduz a margem de lucros. 29

Disponibilidade Seletividade Amostragem Tecnologia de liberação Liberação em refúgios (transgênicos) Controle biológico x tipos de agricultura Produtos biológicos Biofertilizantes Bioestimulantes Bioagentes Microbiológicos Manejo abiótico de estresse Bioinseticidas, biofungicidas, bioherbicidas Macrorganismos Fixadores de N Aminoácidos Bioquímicos Microrganismos Insetos Solubilizadores P2O5 Microrganismos Semioquímicos Bactérias Ácaros ÁREAS ORGÂNICAS CASAS-DE-VEGETAÇÃO ÁREAS PEQUENAS ÁREAS GRANDES Mobilizadores de K Outros Microrganismos usados para aumentar a absorção de nutrientes do solo; As bactérias fixadoras de nitrogênio dominam o grupo; Inclui ainda mobilizadores de nutrientes específicos (Zn, S) e fungos micorrízicos; Regulamentação estadual. Extratos de planta Ácidos orgânicos Algas Extratos de algas é o que predomina nesse grupo; Ácidos orgânicos são os ácidos húmicos e fúlvicos usados como alteradores de solo, formados pela degradação microbiana da matéria vegetal; Microrganismos, principalmente bactérias, muito usados no tratamento de sementes ou solo para auxiliar na assimilação de nutrientes; A definição e a regulamentação está ainda em desenvolvimento no mundo. Extratos de plantas Minerais Promotores cresc. vegetal (PCV) Ácidos orgânicos Os extratos de plantas formam o maior segmento desse grupo; Os semioquímicos (feromônios) tem o maior número de produtos; O maior desafio para extratos de plantas é a fabricação e qualidade consistente no(s) ingrediente(s) ativo(s). Fungos Protozoários Vírus Outras leveduras Nematoides * As bactérias seguidas pelos fungos formam o maior grupo comercial (>90%); Os microrganismos forma o principal mercado de bioinseticidas (R$4,2 bi ano -1 ); Os principais desafios estão ligados à formulação: (a) tempo de prateleira; (b) estabilidade; (c) melhoria da performance. Os insetos são líderes; É o único grupo onde ovos, larvas, pupas e adultos são usados; O maior desafio é a logística de uso e transporte; Normalmente não é classificado como Bioinseticida, mas como produtos de controle biológico. Bioinseticidas São derivados de materiais naturais (plantas, bactérias e até minerais). Têm alvos específicos e são muito menos tóxicos do que inseticidas sintéticos. O momento é propício para o Controle Biológico. A sua utilização tende a aumentar cada vez mais. Entretanto, é importante que esse crescimento seja gradual, porém eficiente e seguro, para dar credibilidade ao Controle Biológico como um componente do MIP. jrpparra@usp.br 30