Disposições da Lei 8.159/91 Parte 2

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REVISÃO DO CONTEÚDO A PARTIR DE QUESTÕES. 1 - Documento é a informação registrada em um suporte.

Transcrição:

Disposições da Lei 8.159/91 Parte 2 Vamos aos artigos! Art. 11 - Consideram-se arquivos privados os conjuntos de documentos produzidos ou recebidos por pessoas físicas ou jurídicas, em decorrência de suas atividades. Art. 12 - Os arquivos privados podem ser identificados pelo Poder Público como de interesse público e social, desde que sejam considerados como conjuntos de fontes relevantes para a história e desenvolvimento científico nacional. Art. 13 - Os arquivos privados identificados como de interesse público e social não poderão ser alienados com dispersão ou perda da unidade documental, nem transferidos para o exterior. Parágrafo único - Na alienação desses arquivos o Poder Público exercerá preferência na aquisição. Art. 14 - O acesso aos documentos de arquivos privados identificados como de interesse público e social poderá ser franqueado mediante autorização de seu proprietário ou possuidor. Art. 15 - Os arquivos privados identificados como de interesse público e social poderão ser depositados a título revogável, ou doados a instituições arquivísticas públicas. Art. 16 - Os registros civis de arquivos de entidades religiosas produzidos anteriormente à vigência do Código Civil ficam identificados como de interesse público e social. Não vejo problema em identificar o conceito de arquivos privados: são documentos produzidos por pessoas privadas (física ou jurídica). O importante é perceber que os documentos privados podem ser identificados pelo Poder Público como de interesse público e social. Para que isso aconteça é necessário que sejam considerados como conjuntos de fontes relevantes para a história e desenvolvimento científico nacional. Vale registrar que a declaração de interesse público e social de arquivos privados é efetivada por decreto do Presidente da República, no qual deve conter uma justificativa para tal ato. 1

Após os arquivos privados serem identificados como de interesse público, eles passam a ter um tratamento diferente, conforme artigos acima destacados. Vale uma leitura atenta, notadamente no que se refere à eventual alienação de arquivos privados identificados como de interesse público e social, no qual o Poder Público exercerá preferência na aquisição. Art. 18 - Compete ao Arquivo Nacional a gestão e o recolhimento dos documentos produzidos e recebidos pelo Poder Executivo Federal, bem como preservar e facultar o acesso aos documentos sob sua guarda, e acompanhar e implementar a política nacional de arquivos. Parágrafo único - Para o pleno exercício de suas funções, o Arquivo Nacional poderá criar unidades regionais. Art. 19 - Competem aos arquivos do Poder Legislativo Federal a gestão e o recolhimento dos documentos produzidos e recebidos pelo Poder Legislativo Federal no exercício das suas funções, bem como preservar e facultar o acesso aos documentos sob sua guarda. Art. 20 - Competem aos arquivos do Poder Judiciário Federal a gestão e o recolhimento dos documentos produzidos e recebidos pelo Poder Judiciário Federal no exercício de suas funções, tramitados em juízo e oriundos de cartórios e secretarias, bem como preservar e facultar o acesso aos documentos sob sua guarda. É comum o equívoco de achar que o Arquivo Nacional é responsável pelo recolhimento dos arquivos de todos os Poderes e de todas as esferas governamentais. O Arquivo Nacional tem sua competência restrita ao Poder Executivo Federal, ok? Da leitura dos arts. 19 e 20, depreende-se que o recolhimento e tratamento dos documentos aquivísticos dos Poderes Legislativo e Judiciário são de competência desses respectivos Poderes. É bom ressaltar que os artigos 22 ao 24 foram revogados pela Lei 12.527/11 (Lei de Acesso à Informação LAI). Nesse sentido, a denominada Lei de Acesso à Informação passou a estabelece categorias de sigilo para documentos, conforme seu art. 24, abaixo transcrito. Art. 24. A informação em poder dos órgãos e entidades públicas, observado o seu teor e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado, poderá ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada. 2

1 o Os prazos máximos de restrição de acesso à informação, conforme a classificação prevista no caput, vigoram a partir da data de sua produção e são os seguintes: I - ultrassecreta: 25 (vinte e cinco) anos; II - secreta: 15 (quinze) anos; e III - reservada: 5 (cinco) anos. Art. 25 - Ficará sujeito à responsabilidade penal, civil e administrativa, na forma da legislação em vigor, aquele que desfigurar ou destruir documentos de valor permanente ou considerado como de interesse público e social. Art. 26 - Fica criado o Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ), órgão vinculado ao Arquivo Nacional, que definirá a política nacional de arquivos, como órgão central de um Sistema Nacional de Arquivos (SINAR). 1º - O Conselho Nacional de Arquivos será presidido pelo Diretor-Geral do Arquivo Nacional e integrado por representantes de instituições arquivísticas e acadêmicas, públicas e privadas. 2º - A estrutura e funcionamento do conselho criado neste artigo serão estabelecidos em regulamento. Observe que a proteção legal não se limita apenas a documentos de valor permanente, mas também, aqueles considerados como de interesse público e social. Nesse sentido, aquele que desfigurar ou destruir esses documentos ficará sujeito à responsabilidade penal, civil e administrativa. Vale ressaltar, ainda, que ao CONARQ, órgão vinculado ao Arquivo Nacional, compete definir a política nacional de arquivos. Além disso, o CONARQ é o órgão central do Sistema Nacional de Arquivos (SINAR). É isso! Vamos aos exercícios! 3

1. (CESPE/SEDF/2017) Com base na legislação arquivística, julgue o próximo item. A Lei n.º 8.159/1991 estabelece categorias de sigilo para documentos. Gabarito: errado. De início, vale registrar que o capítulo 5 - DO ACESSO E DO SIGILO DOS DOCUMENTOS PÚBLICOS da Lei nº 8.159/91 foi integralmente revogado pela Lei 12.527/11. Nesse sentido, a denominada Lei de Acesso à Informação (Lei 12.527/11) passou a estabelece categorias de sigilo para documentos, conforme seu art. 24, abaixo transcrito. Art. 24. A informação em poder dos órgãos e entidades públicas, observado o seu teor e em razão de sua imprescindibilidade à segurança da sociedade ou do Estado, poderá ser classificada como ultrassecreta, secreta ou reservada. 1 o Os prazos máximos de restrição de acesso à informação, conforme a classificação prevista no caput, vigoram a partir da data de sua produção e são os seguintes: I - ultrassecreta: 25 (vinte e cinco) anos; II - secreta: 15 (quinze) anos; e III - reservada: 5 (cinco) anos. Grifei Portanto, as categorias de sigilo para documentos (ultrassecreta, secreta e reservada) é estabelecida pela Lei 12.527/11, denominada Lei de Acesso à Informação. Fique atento aos prazos, pois são muito explorados pelos examinadores. 2. (Instituto AOCP/Pref. Angra dos Reis/2015) Assinale a alternativa que apresenta os termos que completa a definição de gestão de documentos, na respectiva ordem, de acordo com a Lei Nacional de Arquivos. Gestão de documentos é o conjunto de procedimentos e operações técnicas referente à sua produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase e, visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda. a) corrente / intermediária / permanente b) corrente / posterior / definitiva c) intermediária / permanente / corrente d) permanente / inicial / corrente e) permanente / passageira / definitiva Gabarito: A 4

Questão bem tranquila! É bom lembrar que a gestão de documentos somente ocorre nas fases corrente e intermediária (nestas fases os documentos possuem valor administrativo). A questão abordou o conteúdo do art. 3º da Lei 8.159/91. Nos termos do citado art. 3º da Lei 8.159/1991, considera-se gestão de documentos o conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à sua produção, tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente e intermediária, visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente. 3. (CESPE/MPOG/2015) A respeito das políticas públicas de arquivo, julgue o item a seguir. A cessação de atividades de instituições públicas e de caráter público implica o recolhimento de sua documentação ao Ministério da Justiça ou ao Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão. Gabarito: errado Nos termos do parágrafo 2º do art. 7º da Lei 8.159/1991, a cessação de atividades de instituições públicas e de caráter público implica o recolhimento de sua documentação à instituição arquivística pública ou a sua transferência à instituição sucessora. No caso do Poder Executivo Federal é o Arquivo Nacional. 4. (CESPE/MPOG/2015) A respeito das políticas públicas de arquivo, julgue o item a seguir. Os documentos públicos, de acordo com a Lei de Arquivos, podem ser identificados como especiais ou nato digitais. Gabarito: errado Os documentos públicos são identificados como correntes, intermediários e permanentes, conforme art. 8º da Lei 8.159/1991. 5. (CESPE/FUB/2015) Com relação à Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados, Os documentos públicos incluem os conjuntos de documentos produzidos e recebidos por instituições de caráter público e por entidades privadas encarregadas da gestão de serviços públicos no exercício de suas atividades. Gabarito: certo 5

O parágrafo 1º e caput do art. 7º da Lei 8.159/1991 dispõem sobre o que são considerados arquivos públicos, a saber: 1 - Conjuntos de documentos produzidos e recebidos, no exercício de suas atividades, por órgãos públicos; 2 - Conjuntos de documentos produzidos e recebidos por instituições de caráter público. 3 - Conjuntos de documentos produzidos e recebidos por entidades privadas encarregadas da gestão de serviços públicos no exercício de suas atividades. A questão abordou os itens 2 e 3 acima. Portanto, gabarito certo. 6. (CESPE/FUB/2015) Com relação à Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados, Os documentos considerados de valor permanente são prescritíveis e alienáveis. Gabarito: errado. Documentos do arquivo permanentes possuem valor histórico. Nos termos do art. 10 da Lei 8.159/1991 são inalienáveis e imprescritíveis. 7. (CESPE/FUB/2015) Com relação à Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados, A eliminação de documentos de arquivo acumulados pela administração pública federal somente poderá ocorrer com a autorização do Arquivo Nacional. Gabarito: certo Toda eliminação de documentos arquivísticos deve, preliminarmente, ser autorizada pela instituição arquivística pública que no caso do Poder Executivo Federal é o Arquivo Nacional. 8. (CESPE/FUB/2015) Com relação à Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados, O órgão que define a Política Nacional de Arquivos Públicos e Privados é o Conselho Nacional de Arquivos. Gabarito: certo O CONARQ é o órgão central do SINAR e a ele compete definir a política nacional de arquivos, conforme art. 26 da Lei 8.159/1991. 6

9. (ESAF/MF/2012) Identifique, entre as opções a seguir, quem elabora a política arquivística brasileira. a) O Sistema Nacional de Arquivos. b) O Sistema de Gestão de Documentos e Arquivos. c) O Sistema de Serviços Gerais. d) O Conselho Nacional de Arquivos. e) O Arquivo Nacional. Gabarito: D Essa ficou fácil! Nos termos do art. 26 da Lei 8.159/1991, ao CONARQ compete definir a política nacional de arquivos. 10. (ESAF/ANA/2009) A definição do conceito de gestão de documentos encontrada na Lei n. 8.159, de 8 de janeiro de 1991, não menciona a seguinte operação técnica: a) Criação. b) Avaliação. c) Preservação. d) Tramitação. e) Uso Gabarito: C Nos termos do art. 3º da Lei 8.159/1991, considera-se gestão de documentos o conjunto de procedimentos e operações técnicas referentes à sua produção (criação), tramitação, uso, avaliação e arquivamento em fase corrente e intermediária, visando a sua eliminação ou recolhimento para guarda permanente. É só lembrar-se do mnemônico PATUA, ok? Ficaremos por aqui. Bons estudos! 7