PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL

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Assegurar que a parte executada em um processo realize o pagamento do valor discutido, caso venha a ser comprovado que esse é devido.

Olá, pessoal! Chegamos ao nosso décimo primeiro módulo. No módulo 10, tratamos dos recursos. Agora veremos algumas questões sobre a fase executiva.

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Transcrição:

Curso/Disciplina: Processo Judicial Tributário Aula: Processo Judicial Tributário - 14 Professor : Mauro Lopes Monitor : Virgilio Frederich Aula 14 PROCESSO JUDICIAL TRIBUTÁRIO EXECUÇÃO FISCAL 1. Petição inicial. A Lei nº 6.830/1980 1 trata em seu artigo 6º da petição inicial no processo de Execução Fiscal: Art. 6º - A petição inicial indicará apenas: I - o Juiz a quem é dirigida; II - o pedido; e III - o requerimento para a citação. 1º - A petição inicial será instruída com a Certidão da Dívida Ativa, que dela fará parte integrante, como se estivesse transcrita. 2º - A petição inicial e a Certidão de Dívida Ativa poderão constituir um único documento, preparado inclusive por processo eletrônico. 3º - A produção de provas pela Fazenda Pública independe de requerimento na petição inicial. 4º - O valor da causa será o da dívida constante da certidão, com os encargos legais. A petição inicial de uma Execução Fiscal é sucinta porque uma vez inscrito o crédito da Fazenda Pública no registro da dívida ativa presumem-se 2 sua certeza e liquidez. A causar de pedir é a inscrição do crédito na dívida ativa e transfere o ônus da prova para o devedor, sendo necessária a anexação da cópia da Certidão de Dívida Ativa, conforme parágrafo 1º da Lei 6.830/1980. Permanece a garantia de defesa da parte executada, tendo em vista que todas as informações necessárias à defesa se encontram na Certidão da Dívida Ativa (CDA). Página1 1 Lei das Execuções Fiscais, Lei nº 6.830, de 22 de Setembro de 1980 disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6830.htm 2 A presunção é relativa, juris tantum.

Conforme artigo 53 da Lei nº 8.212/1991 3, na exordial, a União, as autarquias federais e as fundações públicas federais têm a faculdade de Indicar bens do devedor passíveis de penhora 4. Trata-se de uma penhora concomitante com a citação e os bens são desde logo tornados indisponíveis. Art. 53. Na execução judicial da dívida ativa da União, suas autarquias e fundações públicas, será facultado ao exequente indicar bens à penhora, a qual será efetivada concomitantemente com a citação inicial do devedor. Página2 A indicação de bens à penhora na petição inicial pelo exequente pode também ser feita no processo de execução previsto no Código de Processo Civil, contudo, neste caso, é citado o executado para no prazo de 3 dias pagar a dívida e somente após este interregno é feita a penhora na hipótese de não pagamento. No caso da Execução Fiscal, a penhora é feita juntamente com a citação, ou seja, a indisponibilidade de bens é imediata e aguarda-se o pagamento do devedor no prazo de 5 dias. 3 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8212cons.htm 4 O artigo 53 da Lei 8.212/1991 somente se aplica na esfera federal.

Execução Fiscal Lei das Execuções Fiscais (LEF) Artigo 8º 6, LEF, citação do executado para, no prazo de 5 dias, pagar a dívida ou para garantir a execução. Artigo 7º 8, LEF, o despacho do Juiz que deferir a inicial (desde que esta tenha a indicação de bens passíveis de penhora) importa desde logo a penhora. Artigo 9º 9, LEF, O executado tem a escolha de indicar formas de garantia que serão objeto da penhora dentro do prazo de 5 dias. Se dentro dos 5 dias, não houver pagamento ou garantia do débito, serão, se elencados na petição inicial, penhorados os bens indicados pela Fazenda Pública. Execução em Geral Código de Processo Civil 5 (CPC) Artigo 829 7, CPC, citação do executado para pagar a dívida no prazo de 3 dias. Parágrafo 1º, artigo 829 CPC, tão logo verificado o não pagamento no prazo de citação constarão a ordem de penhora e a avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça. Parágrafo 2º, artigo 829 CPC, a penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente como regra 10. Se durante o prazo de 3 dias o executado não efetuar o pagamento, serão penhorados os bens indicados pelo exequente, salvo se o executado, sob argumento de menos onerosidade, apresentar outros bens que sejam aceitos pelo juízo. 5 Lei nº 13.105, de 16 de MARÇO de 2015 disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm 6 LEF, Art. 8º, caput apenas - O executado será citado para, no prazo de 5 (cinco) dias, pagar a dívida com os juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, ou garantir a execução, observadas as seguintes normas: 7 CPC Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias, contado da citação. 1o Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com intimação do executado. 2o A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, salvo se outros forem indicados pelo executado e aceitos pelo juiz, mediante demonstração de que a constrição proposta lhe será menos onerosa e não trará prejuízo ao exequente. 8 LEF, Art. 7º - O despacho do Juiz que deferir a inicial importa em ordem para: Página3 I - citação, pelas sucessivas modalidades previstas no artigo 8º; II - penhora, se não for paga a dívida, nem garantida a execução, por meio de depósito, fiança ou seguro garantia; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) III - arresto, se o executado não tiver domicílio ou dele se ocultar; IV - registro da penhora ou do arresto, independentemente do pagamento de custas ou outras despesas, observado o disposto no artigo 14; e V - avaliação dos bens penhorados ou arrestados.

Nada impede que o Município ou o Estado indique bens para a penhora na petição inicial de forma subsidiária, porém tal procedimento será feito na observância do Código de Processo Civil, não cabendo a aplicação artigo 53 da Lei nº 8.212/1991. 2. Cumulação de Pedidos. Há possibilidade de cumulação de pedidos na Execução Fiscal em aplicação subsidiária do artigo 780 do CPC: Art. 780. O exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, quando o executado for o mesmo e desde que para todas elas seja competente o mesmo juízo e idêntico o procedimento. Não há necessidade que os débitos diversos cobrados pela Fazenda Pública na petição inicial tenham conexão para cumulação de pedidos. Por exemplo, pode haver na mesma peça inicial a cobrança de débito relativo a imposto de renda (tributo), cobrança de laudêmio (receita pública originária patrimonial titular de imóvel foreiro à União) e cobrança de multa aplicada pela Polícia Rodoviária Federal (receita pública derivada sem natureza tributária). Em um único processo a União promove a cobrança de várias dívidas 11 e evita a necessidade de múltiplo processamento de execuções contra o mesmo devedor no Judiciário. 9 LEF, Art. 9º - Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Página4 Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: I - efetuar depósito em dinheiro, à ordem do Juízo em estabelecimento oficial de crédito, que assegure atualização monetária; II - oferecer fiança bancária; II - oferecer fiança bancária ou seguro garantia; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) III - nomear bens à penhora, observada a ordem do artigo 11; ou IV - indicar à penhora bens oferecidos por terceiros e aceitos pela Fazenda Pública. 1º - O executado só poderá indicar e o terceiro oferecer bem imóvel à penhora com o consentimento expresso do respectivo cônjuge. 2o Juntar-se-á aos autos a prova do depósito, da fiança bancária, do seguro garantia ou da penhora dos bens do executado ou de terceiros. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) 3o A garantia da execução, por meio de depósito em dinheiro, fiança bancária ou seguro garantia, produz os mesmos efeitos da penhora. (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) 4º - Somente o depósito em dinheiro, na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora. 5º - A fiança bancária prevista no inciso II obedecerá às condições pré-estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional. 6º - O executado poderá pagar parcela da dívida, que julgar incontroversa, e garantir a execução do saldo devedor. 10 Salvo se outros forem indicados pelo executado e aceitos pelo juiz conforme CPC, artigo 829, parágrafo 2º. 11 Atualmente a Fazenda Federal aguarda que o valor devido pelo mesmo devedor em várias dívidas atinja R$ 20.000,00.

A ação será proposta no foro do domicílio do executado independentemente do tipo de dívida. Sempre que houver uma bifurcação no processo, esta será feita apenas para uma determinada dívida. Por exemplo, a inscrição na dívida ativa não afeta o prazo da prescrição de dívida tributária, mas afeta a prescrição de dívida não tributária, assim conta-se a prescrição especificamente para cada um desses tipo de dívida em apartado. Tão logo cesse o desvio, as dívidas serão reunidas novamente em um mesmo processo. Próxima aula: Despacho do Juiz na Petição Inicial da Execução Fiscal. Página5