1. Os meses de verão são vividos na Igreja, em Portugal, como tempo de numerosas atividades voltadas para os jovens e protagonizadas por eles. Os acampamentos de escutismo assumem particular relevância neste contexto, como momentos essenciais de vida e de formação dos seus participantes. Os acampamentos constituem uma vertente fundamental do espírito escutista e do seu carisma fundador, que nos anima e orienta desde a origem. Aqui estou, por isso, para vos dizer: sede bem-vindos ao ACAESTE Porto - 2014. Somos uma Diocese e uma Região com numerosos Agrupamentos. Tive a alegria de me encontrar convosco, logo no início do meu ministério na Diocese, no Dia Diocesano da Juventude e Dia de S. Jorge, nosso padroeiro, no passado dia 13 de abril, nessa bela Jornada que vivemos no Palácio Cristal da nossa cidade do Porto. Somos uma terra que Deus prendou com a beleza da natureza que nos deslumbra. Reunimo-nos, assim, de olhar voltado para Deus. Daqui se desvendam caminhos de alegria, 1 / 6
de festa e de esperança que nos devem fazer sonhar tempos novos onde um mundo melhor seja a herança do vosso futuro, caríssimos escuteiros. Estou convosco e quero dizer-vos que a Igreja do Porto está presente e atuante em cada um de nós: sacerdotes, diáconos, seminaristas, dirigentes e escuteiros: lobitos, exploradores, pioneiros e caminheiros, na comunhão da fé e da vida que a todos aqui nos reúne e congrega à volta do Altar da Eucaristia. O C.N.E. é um movimento de escutismo católico, alicerçado nos princípios fundadores de Baden Powell e nos valores perenes da nossa fé. Os compromissos assumidos, as promessas feitas, a formação adquirida e a vossa participação consciente na vida das comunidades cristãs dizem-nos esse modo inconfundível de sermos cristãos e afirmam a alma cristã que nos identifica, através do testemunho dado na família, na escola, no trabalho e no convívio. Estão connosco muitas das nossas famílias, que fazem deste momento e deste acampamento uma forma muita bela de ser família alargada a outras famílias e de assumirem com cada um de vós esta atividade como algo que também aos vossos pais e irmãos diz respeito. Os meses de verão oferecem igualmente motivos e oportunidades para muitas outras iniciativas e atividades que galvanizam os jovens e nos dizem do dinamismo da Igreja e da criatividade que o Espírito lhe inspira. Vejamos as iniciativas do voluntariado missionário, os campos de férias e retiros para jovens, as atividades da pastoral universitária, as peregrinações a Fátima, a Taizé ou a S. Tiago de Compostela e tantas outras expressões de vida cristã em tempo de lazer e em momentos de férias a que muitos já dão o nome expressivo de férias com Deus. 2 / 6
No mundo global em que vivemos torna-se necessário e urgente afirmar que há no coração humano e no seio da Humanidade lugar para Deus e tempo para a oração. Quantas comunidades devem o melhor de si mesmas às iniciativas inspiradoras, ao trabalho generoso e á participação ativa dos jovens plenamente integrados no ser e no viver das suas comunidades? Cumpre-nos alimentar esta fé jovem que na família, nos movimentos e na comunidade cristã deve encontrar o seu habitat natural para crescer, viver e agir cristãmente. 2. A Palavra de Deus hoje proclamada ajuda-nos a compreender que Deus está com o seu Povo. É expressiva a palavra de Isaías dita em nome de Deus ao Povo de Israel: Todos vós que tendes sede, vinde às nascentes das águas Firmarei convosco uma aliança eterna, com as graças prometidas a David ( Is 55, 1-3). O Evangelho, que ouvimos, fala-nos da multiplicação dos pães. Dai-lhes vós mesmos de comer! ( Mt 14, 13-21 ). Jesus dá aos discípulos uma resposta que personaliza a responsabilidade e aviva a solidariedade; que mobiliza energias e promove capacidades, que garante soluções alternativas. Pergunta-lhes pelo que possuem, pede-lhes para o disponibilizarem, bendiz o Senhor de todos os bens, parte o pão, entrega-o para que o repartam, de forma organizada e 3 / 6
sustentada. A multidão agrupada por unidades identificadas come até ser saciada. E as sobras abundantes devem ser recolhidas para que nada se desperdice. Jesus ensina-nos deste modo que a gratuidade deve prevalecer à prudência calculada e a ação em rede deve integrar e rentabilizar o esforço individual. A gestão criteriosa tira partido do pouco que se tem e evita o desperdício. Todo o supérfluo deve ser posto ao serviço do bem comum! Nos acampamentos da vida, as multidões procuraram muitas vezes terras de abundância e verificaram que essas não eram terras de liberdade nem aí acampava a fraternidade. Há hoje, também, no mundo abundâncias infelizmente mal distribuídas! Deus, porém, não esquece o seu Povo e ouve os seus clamores. O Senhor alimenta o Povo com o pão multiplicado, o pão da fraternidade, com sabor novo, para que o Povo compreenda o cuidado de Deus por ele e descubra o horizonte cristão da felicidade que Jesus nos trouxe. A multidão continua a ter dificuldade em compreender o significado da multiplicação dos pães que anuncia o Pão de sabor novo, o Pão da vida eterna, o Pão da Eucaristia. A missão da Igreja consiste precisamente nisto: estar no lugar onde se ouvem os clamores do Povo e se sente a resposta de Deus para que ao Povo que caminha nunca falte o alimento da verdade, que a Palavra de Deus nos oferece, e o alimento da vida que a Eucaristia nos dá. 4 / 6
A missão da Igreja exprime-se de modo tão belo no testemunho de vida, na disponibilidade de tempo, na seriedade do trabalho, no esforço permanente de formação e de atualização, no sentido de responsabilidade pelo dever a cumprir e no exemplo de comunhão eclesial diariamente afirmados pelos dirigentes e assistentes do C.N.E. na nossa Diocese. 3. No pórtico de entrada neste Acampamento fomos convidados a trilhar um mundo novo. Só é possível trilhar este caminho conduzidos pelo sonho de um mundo novo se fizermos da aventura que aqui nos trouxe um caminho de fé, que nos dá força em todos os lugares em que acampamos ao longo da vida. À semelhança da aventura de 4 irmãos entusiasmados, de que nos fala o Imaginário deste Acampamento, também eu vos convido, caros escuteiros, a percorrerdes caminhos de descoberta da alegria da fé, através dos raids, ateliers, jogos, construções, serviços e visitas, que neste Acampamento ides realizar. Que Nossa Senhora, Mãe de Jesus, nos ajude, caríssimos escuteiros, a descobrir o sentido da vida e o valor da fé e nos ensine que é sempre Deus que nos guia e alimenta de esperança e de coragem em todos os trilhos do nosso caminho! Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja e nossa Mãe, nos ensine a vivermos: «Sempre alerta para servir»! ACAESTE, Vilar de Torno e Alentem, 3 de agosto de 2014 5 / 6
António, Bispo do Porto 6 / 6