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Transcrição:

CHEQUE LEI 7357/1985 CONCEITO: Cheque é uma ordem de pagamento à vista, sacada contra um banco e com base em suficiente provisão de fundos depositados pelo sacador em mãos do sacado ou decorrente de contrato de abertura de crédito entre ambos. CARACTERÍSTICA O Elemento essencial do conceito de cheque é a sua natureza de ordem à vista, que não pode ser descaracterizada por acordo entre as partes. Qualquer cláusula inserida no cheque com o objetivo de alterar esta sua essencial característica é considerada não escrita e, portanto, ineficaz (art. 32 Lei 7357/85 Pós Datação (cheque Pré-datado) A emissão de cheque com data futura, a pós-datação, não produz nenhum efeito cambial, posto que, pelo contrário, importaria tratamento do cheque como um título de crédito a prazo. Um cheque pós-datado é pagável em sua apresentação, à vista, mesmo que esta se dê em data anterior aquela indicada como a de sua emissão (art. 32, parágrafo único). Responsabilidade do Sacado (Banco) O sacado de um cheque não tem, em nenhuma hipótese, qualquer obrigação cambial. O credor do cheque não pode responsabilizar o banco sacado pela inexistência ou insuficiência de fundos disponíveis. 1

Endosso, Aval ou Aceite do Cheque. O sacado não garante o pagamento do cheque, nem pode garanti-lo, posto que a lei proíbe o aceite do art. 6º, bem como o endosso (art. 18, 1º) e o Aval de sua Parte (art. 29). A Instituição Financeira sacada só reponde pelo descumprimento de algum dever legal, como: O pagamento indevido do cheque; A falta de reserva de numerário para liquidação no prazo de apresentação do cheque visado; O pagamento de cheque cruzado diretamente ao portador não cliente; O pagamento em dinheiro de cheque para se levar em conta Ou seja: O banco responde por ato ilícito que venha a praticar, Mas não pode assumir qualquer obrigação cambial referente a cheques sacados por seus correntistas. Fundos Disponíveis em Conta Corrente (saldos) Os fundos disponíveis em conta corrente pertencem até a liquidação do cheque, ao correntista-sacador. Requisitos do Cheque. (Deve atender os requisitos legais preestabelecidos - art. 1º LEI 7357/1985) 2

a) A expressão cheque inserida no próprio texto; b) Ordem incondicional de pagar quantia determinada; c) A identificação do banco sacado; d) O local de pagamento e) Data da emissão f) Assinatura do Sacador ou seu mandatário com poderes especiais, admitindo-se o uso de chancela mecânica ou processo equivalente. f.1) O sacador deve ser identificado pelo número de sua Cédula de identidade, CPF, Título Eleitoral ou CTPS (art. 3º Lei. 6268/75) g) O local da emissão também deve constar do título, mas se na sua falta, entende-se como tendo sido o cheque emitido no local designado ao lado do nome do sacador (art. 2º, II). O Cheque é título de modelo vinculado! Sua emissão somente pode ser feita em documento padronizado, fornecido em talões, pelo banco sacado ou correntista. O lançamento de todos os requisitos legais em qualquer outro documento não configura a emissão de cheque, não gerando, pois, efeitos cambiais. Valores. O cheque de valor superior a R$ 100,00 deve adotar, necessariamente, a forma nominativa e pode conter a cláusula à ordem ou a cláusula não a ordem. Circulação. A sua circulação, portanto, segue o regramento da circulação da letra de câmbio, existindo, porém, 03 diferenças: a) Não se admite endosso-caução, em razão da natureza do cheque de ordem de pagamento à vista; 3

b) O endosso feito pelo sacado é nulo como endosso, valendo apenas como quitação, salvo se o sacado tiver mais de um estabelecimento e o endosso feito por um deles em cheque a ser pago por outro estabelecimento (art. 18 1º e 2º) c) O endosso feito após o prazo de apresentação é tardio e, por isso, gera os efeitos de cessão civil de crédito (art. 27). No tocante ao aval, a lei estabelece que o aval em branco (aquele que não identifica o avalizado), favorece o sacador (art. 30 único) Além disso, proíbe-se o aval por parte do sacado (art. 29) No mais, aplica-se o mesmo regime reservado ao aval da letra de câmbio. O DEVEDOR PRINCIPAL DE UM CHEQUE É O SEU SACADOR. MODALIDADES DE CHEQUE. a) Cheque visado: É aquele em que o banco sacado lança declaração de suficiência de fundos, a pedido do emitente ou do portador legitimado. Somente o cheque nominativo ainda não endossado comporta esta certificação. O visamento não equivale ao aceite, posto que NÃO VINCULA o banco ao pagamento do título independentemente da existência de provisão de fundos. A única obrigação que lhe compete em virtude do visamento é a prevista no art. 7º 1º da LC: O sacado deve reservar, da contracorrente do sacador, em benefício do credor, quantia equivalente ao valor do cheque, durante o prazo de apresentação. 4

Não Reserva feita pelo Banco: Responderá pelo pagamento do cheque ao credor, se os fundos não existiram ou deixaram de existir. Não se trata de obrigação cambial oriunda de título de crédito, mas de inobservância de determinação legal e não do título de crédito. Assim, o Sacado NÃO poderá ser protestado, nem executado, nesta hipótese. Caberá ao credor apenas ajuizar Ação Declaratória. Uma vez condenado a pagar o cheque irregularmente visado, o banco terá direito de regresso contra o seu emitente. b) Cheque administrativo: É aquele sacado pelo banco contra um dos seus estabelecimentos. Sacador e Sacado se identificam no cheque administrativo. O cheque administrativo somente pode ser emitido nominativamente (art. 9º III LC). Uma das espécies mais conhecidas de cheque administrativo, que possui algumas peculiaridades, é o cheque de viajante (traveller s check). Trata-se uma ordem de pagamento à vista que um banco emite contra qualquer um de seus estabelecimentos e que deve ser firmado pelo credor em dois momentos distintos: NA AQUISIÇÃO E NA LIQUIDAÇÃO. Destina-se a conferir maior segurança aos viajantes, que não precisam transportar dinheiro. Pode ou não estar vinculado a um contrato de câmbio 5

c) Cheque cruzado: O cheque cruzado destina-se a possibilitar, a qualquer tempo, a identificação da pessoa em favor de quem foi liquidado. Resulta da oposição, pelo emitente de DOIS TRAÇOS TRANSVERSAIS, no interior dos quais poderá, ou não, ser designado um determinado banco. Cruzamento em Branco: Na falta de qualquer designação, ou sendo esta genérica, ter-se-á cruzamento em branco, ou geral. Um cheque com cruzamento em branco somente poderá ser pago a um banco ou a um cliente do sacado mediante crédito em conta. Cruzamento em Preto: Em havendo menção de um específico banco, ter-se-á cruzamento em preto, ou especial. O cheque com cruzamento especial somente poderá ser pago ao banco cujo nome conste do cruzamento ou, sendo este também o sacado, a um cliente seu mediante depósito em conta. Dessa forma: Se o credor do cheque não for correntista do banco sacado, deverá, necessariamente, proceder a liquidação do título por meio de depósito junto ao banco em que possua conta, constando então, dois registros do banco cobrador o nome da pessoa em favor de quem o cheque foi pago O pagamento de um cheque cruzado a um cliente deve ser feito, necessariamente, por meio de depósito em conta corrente e não de forma direta. O cruzamento apenas gera efeitos perante o Sacado, que não poderá pagar o cheque cruzado com inobservância dessas regras. 6

Se o cheque não tiver suficiente provisão de fundos, poderá ser cobrado diretamente de qualquer um de seus devedores, inclusive o sacador. d) Cheque para se levar em conta: Foi introduzido pelo Direito Brasileiro pela Lei 7357/85; Embora constasse no texto da LU não era reconhecido pelo STF, em razão de uma reserva assinada pelo Brasil (art. 18 Anexo II Convenção de Genebra sobre o cheque). O cheque para se levar em conta tem o mesmo objetivo do cheque cruzado. Destinam-se, ambos, a possibilitar a identificação da pessoa em favor de quem o cheque foi liquidado. Um cheque com a cláusula para ser creditado em conta, inserida pelo emitente ou portador, não pode ser pago em dinheiro. Sua liquidação será feita somente por lançamento contábil por parte do sacado. Não será possível pagar o cheque diretamente. A cláusula específica do cheque gera efeitos somente perante o sacado, que está obrigado a observar as normas de liquidação pertinentes. Um cheque para se levar em conta Sem Fundos pode ser pago em dinheiro, diretamente ao seu credor, por qualquer devedor do título. Um cheque com a cláusula para ser creditado em conta emitido na forma nominativa prescinde de endosso quando depositado em conta corrente do favorecido. 7

PAGAMENTO DO CHEQUE. O cheque deve ser apresentado a pagamento no prazo definido em lei qual seja: (art. 11 Resolução BACEN n.1682/90) 30 dias da emissão se for cheque da mesma praça; 60 dias da emissão se for cheque de praças distintas. Entende-se por cheque da mesma praça, para fins de definição do prazo de apresentação o MESMO MUNICIPIO, aquele onde o local designado como local de emissão é o mesmo onde se encontra a agência pagadora do sacado. São Praças distintas aquelas em que não coincidem o Município do local que consta como sendo de emissão e o da agência pagadora. Trata-se de critério formal. Não interessa, a rigor, o local efetivo da emissão, mas aquele que como tal consta do título. A comparação deste local com o pagamento é que possibilita a definição do prazo apresentado. NÃO APRESENTAÇÃO DO CHEQUE NO PRAZO LEGAL. CONSEQUÊNCIAS: a) Perda do direito de executar os coobrigados do cheque em qualquer hipótese ou seja (Os endossantes, avalistas dos endossantes); b) Perda do mesmo direito contra o emitente do cheque, se havia fundos durante o prazo de apresentação e eles deixaram de existir, em seguida ao término deste prazo, por culpa não imputável ao correntista (Ex. Falência do Banco, confisco governamental - Art. 47 II e seu 3º LC); 8

Um cheque não apresentado durante o prazo legal pode ser pago pelo sacado, desde que não se encontre prescrito e, evidentemente, haja SUFICIENTE PROVISÃO DE FUNDOS EM SEU PODER (ART. 35, ÚNICO) A inobservância do prazo de apresentação, NÃO DESCONSTITUI o título de crédito como ordem de pagamento à vista, mas importa as graves sanções acima mencionadas SUSTAÇÃO DO CHEQUE. O pagamento do cheque pode ser sustado, prevendo a lei duas modalidades de sustação: a) Revogação (também chamada de contraordem) art. 35 LC Trata-se de ato exclusivo do emitente do cheque, praticado por aviso epistolar ou notificação judicial ou extrajudicial, em que exponha as razões motivadoras do ato. Esta modalidade de sustação gera apenas efeitos apenas após o término do prazo de apresentação e, evidentemente, caso o cheque não tenha sido ainda, liquidado. Em outros termos, equivale a ato cambial que limita ao prazo de apresentação previsto em lei a eficácia do cheque como ordem de pagamento à vista; b) Oposição art. 36 LC Ato que pode ser praticado pelo emitente ou portador legitimado do cheque, mediante aviso escrito, fundado em relevante razão de direito (extravio, roubo do título, falência do credor etc.). Produz efeitos a partir da Cientificação do banco sacado desde que anterior à liquidação (depósito) do título. 9

Pratica de Crime de Fraude art. 171, 2º, VI do CP. A sustação seja por revogação ou por oposição, pode configurar crime de fraude no pagamento do cheque, se o emitente ou o portador agirem dolosa e fraudulentamente, provocando danos ao portador do cheque. Em ambas as hipóteses de sustação, o sacado não pode questionar a ordem, devendo limitar-se a cumpri-la caso se encontrem presentes os pressupostos formais. CHEQUE COMO INSTRUMENTO DE PROVA DE PAGAMENTO E DE EXTINÇÃO DAS OBRIGAÇÕES, DESDE QUE OBSERVADOS OS REQUISITOS DO ARTIGO 28 LC. O CHEQUE NÃO É PAPEL DE CURSO FORÇADO NINGUÉM ESTÁ OBRIGADO A ACEITÁ-LO CONTRA A VONTADE. LEI 8002/90 REVOGADO LEI 8884/94 ART. 92. Enquanto vigorou a Lei 8002/90, ele não podia ser recusado como meio de pagamento, nas relações de consumo, se fosse visado, administrativo ou no caso de a mercadoria ser entregue após a sua liquidação. CHEQUE SEM FUNDOS O pagamento feito por cheque tem efeito pro solvendo, ou seja, até a sua liquidação, não se extingue a obrigação a que se refere. Protesto. Deve ser protestado pelo credor, no prazo fixado em lei para sua apresentação a pagamento, para fins de conservação do direito de crédito contra os coobrigados do cheque. Para o exercício do direito de crédito contra o emitente e seu avalista o protesto não é necessário; 10

Cláusula sem despesas O cheque, como acontece com a letra de câmbio e a Nota Promissória, pode conter a cláusula sem despesas. É a cláusula que dispensa o credor de protestar o título para conservação do direito de crédito contra um ou mais coobrigados (art. 50). LUGAR DO PROTESTO O protesto do cheque poderá ser lavrado no lugar do pagamento ou do domicílio do emitente (Lei n. 9492/97, art. 6º) PRESCRIÇÃO A execução do cheque sem fundos prescreve, contra qualquer devedor, no prazo de 6 meses contados do término do prazo de apresentação a pagamento (art. 59). O direito de regresso de um coobrigado contra outro, contra devedor principal ou seu avalista prescreve em 6 meses contados do pagamento ou da distribuição da execução judicial contra ele (art. 59, único). Cheque Pós-Datado: Pós data, apresentado antes da data lançada como emissão considera-se a data de emissão do título e não a que nele consta, mas a da sua apresentação a pagamento. Computa-se 30 ou 60 dias se mesma praça ou não. DECURSO DE PRAZO. ART. 61 Ação de locupletamento sem causa (art. 61) 2 anos Ação Declaratória com fundamento cambial. 11

Qualquer coobrigado que se locupletou indevidamente em função da prescrição do cheque pode ser responsabilizado. Prescrita a Ação de enriquecimento ilícito- nenhuma Ação será possível com base no título de crédito. Ação Declaratória art. 62 LC c/c art. 205 CC Execução e Incidência de juros legais e demais direitos (art. 52, IV LC) Cheque sem fundos Prática de crime de fraude por pagamento de cheques. Art. 171, 2, VI CP. 12