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Transcrição:

D [DERMATOFITOSE]

2 A Dermatofitose é uma micose que acomete as camadas superficiais da pele e é causada pelos fungos dermatófitos: Microsporum canis, Microsporum gypseum e Trichophyton mentagrophytes. Em geral, o M. canis é a causa mais comum de dermatofitose nos animais, correspondendo a 80% dos casos nos cães e a 98% nos gatos. 1. M. canis: É um fungo zoofílico, ou seja, encontrado na pele e pêlos de cães e gatos; 2. M. gypseum: É um fungo geofílico, ou seja, habita os solos ricos em matéria orgânica; 3. T. mentagrophytes: É um fungo encontrado comumente na pele e pêlos de roedores. É uma doença infectocontagiosa e a infecção se dá por contato direto com pêlos de animais doentes, por fômites contaminados (escovas, toalhas, camas, tesouras, transportes, etc) ou por contaminação ambiental. Os pêlos contendo artroconídeos infectantes podem permanecer viáveis no ambiente por muitos meses. Muitos animais são considerados carreadores assintomáticos, ou seja, são capazes de transmitir a doença, porém não possuem sintomas clínicos dela, correspondendo a 8% dos cães, podendo chegar a 90% dos gatos. Esses carreadores geralmente são animais domiciliados, com livre acesso a rua, que vão a exposições, adquiridos de canis ou gatis. A presença dos animais assintomáticos contribui para a infecção de outros animais, de seres humanos e dificulta o controle ambiental.

3 Ocorre comumente em gatos, sendo considerada a principal infecção da pele felina, porém, a incidência é baixa em cães. A fonte de infecção pelo M. canis geralmente é um gato infectado. Gato Persa apresentando lesão por M. canis na face Os Persas e os Yorkshires são predispostos a doença. Não há predisposição sexual. Os animais doentes podem apresentar sintomas variáveis, entretanto muitos se apresentam com lesões circulares, alopécicas (sem pêlos) e descamativas. Em muitos casos, ocorre reepilação central da lesão em virtude do tipo de crescimento do fungo, que é do centro para a periferia (centrifugamente).

4 Há quebra das hastes dos pêlos, conferindo uma pelagem descuidada. Geralmente, ocorre na face e membros podendo evoluir para ao resto do corpo (alopecia generalizada), visto em Yorkshires e Persas (mais comum). O prurido (coceira) geralmente é mínimo ou ausente, porém alguns animais podem apresentar um quadro pruriginoso, normalmente quando há infecção bacteriana secundária (foliculite). Yorkshire de 4 meses, macho, apresentando quadro generalizado de foliculite e hipotricose

5 Yorkshire de 3 anos, fêmea, apresentando lesões crostosas por M. canis Mesma cadela da foto anterior, apresentando lesão crostosa e eritematosa no ombro

6 A Dermatite Miliar também pode ocorrer em gatos com dermatofitose. Pode ocorrer reação alérgica a presença do dermatófito na pele dos cães (raro nos gatos), ocasionando as lesões chamadas Quérion Dermatofítico, que são placas circunscritas, em relevo, úmidas e pruriginosas. São causadas comumente por M. gypseum. Lesões tipo Quérion Dermatofítico em Rottweiller Também pode ocorrer o Micetoma ou Pseudomicetoma Dermatofítico, que é a formação de um nódulo pelo fungo, sendo comum nos gatos persas. É considerada grave em animais imunodeprimidos e a apresentação clínica da doença será diferenciada.

7 O diagnóstico é feito através da utilização da lâmpada de Wood e de exames complementares, como o tricograma, cultura fúngica e histopatológico (principalmente nos casos de Quérion e Pseudomicetoma). Muitas outras doenças possuem aspecto similar a Dermatofitose, por isso o diagnóstico diferencial deverá ser feito com a Foliculite Bacteriana e com a Demodicose. Nos gatos que estão com dermatite miliar, deverá ser feito diagnóstico diferencial com a Dermatite Alérgica a Picada de Pulgas (DAPP). O tratamento é feito através da associação de medicação oral e banhos antifúngicos. Todos os contactantes assintomáticos devem ser tratados com terapia tópica. Já os sintomáticos, com medicação oral. Tudo feito sob orientação do médico veterinário. O ambiente deve ser descontaminado através da utilização de hipoclorito de sódio 2% (1 parte de água sanitária: 9 partes de água) e isso é muito importante e parte fundamental do tratamento a fim de evitar a recontaminação. Muitas das Dermatofitoses são zoonoses importantes porque um grande percentual das infecções humanas têm origem no contato com um animal infectado. De um modo geral, a infecção ocorre tanto pelo contato direto entre animais, entre um animal e o homem ou entre homens.