O PAI NOSSO DOS ESPÍRITAS Estamos voltando a uma nova luta, infelizmente interrompida há mais de 10 anos, quando a estávamos executando a todo vapor, que diz respeito ao despertar dos ESPÍRITAS para a evidência de que, com os frutos da TERCEIRA REVELAÇÃO, constituímos a RELIGIÃO ESPÍRITA CRISTÃ, a TERCEIRA RELIGIÃO que DEUS REVELOU a este Planeta, na esfera de vida que nos situamos, sobre a Crosta Terrestre. Já com mais de 150 anos de vida, no entanto, os Espíritas não se deram conta de que não somos nem cientistas e nem filósofos, e se quisermos que a Doutrina Espírita siga adiante com proveito e progresso é necessário que nos transformemos em CRENTES, convictos e atuantes do Espiritismo, com fé inabalável em DEUS, prestando louvor e culto a ELE, como soe acontecer aos verdadeiros religiosos, sejam Cristãos ou sejam Judeus. Essa falta de RELIGIOSIDADE dos Espíritas pode-se notar em todas as Associações que visitamos, lhes analisando a postura, a atenção, o interesse em seguir, mentalmente, os trabalhos da Casa. Definindo o que deveria ser uma reunião espírita, assim o Codificador resumiu as suas instruções. 331. Uma reunião é um ser coletivo, cujas qualidades e propriedades são as resultantes de todas as de seus membros, e formam como um feixe; ora, esse feixe terá tanto mais força quanto for mais homogêneo. Se se compreendeu bem o que foi dito (nº 282, pergunta 5) sobre a maneira pela qual os Espíritos são advertidos de nossos chamados, se compreenderá facilmente a força da associação do pensamento dos assistentes. Se o Espírito, de alguma sorte, é atingido pelo pensamento como o somos pela voz, vinte pessoas, se unindo em uma mesma intenção, terão necessariamente mais força do que uma sozinha; mas, para que todos esses pensamentos concorram para o mesmo objetivo, é preciso que vibrem em uníssono; por assim dizer, num só, o que não pode ocorrer sem o recolhimento, (grifo nosso) (O LIVRO DOS MÉDIUNS, tradução da Segunda Edição francesa, cap. 29, pág. 340, Ed. BOA NOVA). Algumas sociedades religiosas fazem isso repetindo as palavras em voz alta, o que não nos parece bom, uma vez que se transforma em muito ruído, mas sem qualquer vibração de fé, sem qualidade. 1
Aqui se explica o recolhimento de que nos fala Allan Kardec, é recolher-se dentro de si mesmo para, mentalmente, repetir as palavras, uma a uma, procurando entrar na emoção daquele que profere a prece. Esse sucesso depende, desde logo, do dirigente da sessão que está orando ou explanando um tema, que fale de forma clara e em voz alta, suficiente para que todas as pessoas do recinto o ouçam com clareza e possam, por sua vez, como dissemos, repetirem mentalmente, ao mesmo tempo, palavra por palavra e, além disso, lhe adicionem as vibrações de sua fé pessoal. Esta premissa, quanto ao dirigente, raramente é encontrada nas reuniões espíritas. Nos parece que o motivo fundamental é o desconhecimento deste processo de interação entre os crentes presentes, na formação do feixe de pensamentos e vibrações, de modo a se transformar em imensa lâmpada de luz, a se irradiar para o Infinito, levando a nossa mensagem de amor e fé e servindo de estrada luminosa por onde, certamente, descerá a resposta de DEUS aos nossos rogos. Quando dirigíamos o IDE, muitas vezes se comunicaram Espíritos que vinham de longe, dizendo que tinham visto uma imensa luz se irradiando daquele lugar, e, atraídos por ela, não tinham resistido ao desejo de lhe conhecer a fonte. Outro fator importante é que, em nossos dias, a Eletrônica nos abriu canais de progresso que sempre poderemos utilizar para alcançar esse objetivo de que todos ouçam claramente o que o dirigente está dizendo com aparelhos de som, de vídeo, de cinema, de baixo custo, que podem ser utilizados no ambiente, de preces ou de palestras, que têm a mesma finalidade, para que o rendimento do trabalho se valorize. Às vezes, mesmo em um ambiente pequeno, se estiver junto à rua, o barulho do trânsito local de caminhões, automóveis, motocicletas, vendedores apregoando a sua mercadoria pode obrigar o uso de um aparelho de som para que os crentes do ambiente possam ouvir e acompanhar o que o dirigente fala, e dar maior corpo ao trabalho que se faz, como nos explica nosso Codificador, em termos simples e claros. A prece é o nosso canal de comunicação com DEUS e sempre deveremos ORAR A DEUS, porque embora não tenhamos 2
compreensão suficiente para definirmos tais mecanismos de interação entre o CRIADOR e a SUA CRIATURA, por lógica elementar, tudo dependendo de SUA VONTADE, nossos rogos dependem de sua aprovação para serem atendidos. Poderemos pedir a JESUS, aos Espíritos nos quais reconhecemos santidade, que sejam nossos intermediários junto a DEUS para, em seu nome, atender aos nossos pedidos. Mas, certamente, se não tivermos FÉ a nossa prece não chegará a varar o telhado de nossa casa, porque é ela a LUZ que se irradia para a comunicação celeste. É a FÉ que nos dá o sentimento de RELIGIOSIDADE e alimenta todas as nossas virtudes. Eis o que o Espírito JOSÉ nos ensinou em mensagem que está em O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO, cap. 19, pág. 243, Ed. BOA NOVA): 11. A fé, para ser proveitosa, deve ser ativa, não deve se entorpecer. Mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus, deve velar atentamente pelo desenvolvimento das filhas que dela nascem. A esperança e a caridade são uma conseqüência da fé, estas três virtudes são uma trindade inseparável. Não é a fé que dá a esperança de ver se cumprirem as promessas do Senhor; porque se não tendes fé, que esperais? Não é a fé que dá o amor? Porque, se não tendes fé, que reconhecimento tereis e, por conseguinte, que amor? Divina inspiração de Deus, a fé desperta todos os nobres instintos que conduzem o homem ao bem; é a base da regeneração. É preciso, pois, que essa base seja forte e durável, porque se a menor dúvida a vier abalar, em que se torna o edifício que construístes sobre ela? Elevai, pois, esse edifício sobre fundações inabaláveis; que a vossa fé seja mais forte do que os sofismas e as zombarias dos incrédulos, porque a fé que não afronta o ridículo dos homens, não é a verdadeira fé. Estudando a vida e o trabalho do grande missionário EURÍPEDES BARSANULFO, constatamos que, sempre e desde o início das atividades do Grupo Esperança e Caridade que dirigia, invariavelmente, iniciava os trabalhos da Casa rezando o PAI NOSSO. Depois, no decorrer da sessão, formulava preces motivadas pelas circunstâncias do momento. Trata-se da prece ensinada pelo Divino Mestre e eis como a ela se refere o Codificador em O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO: 3
ORAÇÃO DOMINICAL. 2. Prefácio. Os Espíritos recomendaram colocar a Oração Dominical à frente desta coletânea, não somente como prece, mas como símbolo; de todas as preces é a que colocam em primeiro plano, seja porque ela veio do próprio Jesus (São Mateus, cap. VI, v. de 9 a 13), seja porque pode substituir a todas, segundo o pensamento que se lhe fixa; é o mais perfeito modelo de concisão, verdadeira obraprima de sublimidade na sua simplicidade. Com efeito, sob a mais restrita forma, resume todos os deveres do homem para com Deus, para consigo mesmo e para com o próximo; encerra uma profissão de fé, um ato de adoração e de submissão, o pedido das coisas necessárias à vida, e o princípio da caridade. Ao dizer em intenção de alguém, é pedir para ele o que se pediria para si. Entretanto, em razão mesmo de sua brevidade, o sentido profundo encerrado em algumas palavras das quais ela se compõe, escapa à maioria; por isso é dita, geralmente, sem dirigir o pensamento sobre as aplicações de cada uma de suas partes; é dita como fórmula, cuja eficácia é proporcional ao número de vezes que é repetida; ora, é quase sempre um dos números cabalísticos, três, sete ou nove, tirados da antiga crença supersticiosa da virtude dos números, e em uso nas operações de magia. Para completar o vago que a concisão dessa prece deixa no pensamento, segundo o conselho e com a assistência dos bons Espíritos, foi juntado a cada proposição um comentário que lhe desenvolve o sentido e mostra sua aplicações. Segundo as circunstâncias e o tempo disponível, se pode dizer, pois, a Oração Dominical simples ou desenvolvida (grifo nosso). Quanto a dirigir o pensamento sobre as aplicações de cada uma de suas partes, vale a pena mencionar dois momentos importantes da oração: no pão nosso de cada dia e no não nos abandoneis à tentação. Mediante entendimento prévio com os crentes presentes, o dirigente poderá fazer adequada pausa para que, ele mesmo e os demais, mentalizem uma chuva de energias vivificantes se derramando sobre todos e sobre o ambiente, até que o dirigente retome a oração que prosseguirá repetida, mentalmente, formando um feixe uníssono de luz, em direção ao Céu. Rogando a assistência dos bons Espíritos que nos ajudam em nossas tarefas, vamos tentar fundir as sugestões em uma prece resumida, que poderemos chamar: O PAI NOSSO DOS ESPÍRITAS PRECE I Pai nosso que estais nos céus, que santificado seja o vosso nome! 4
Cremos em vós, Senhor, porque tudo revela o vosso poder e a vossa bondade. A harmonia do Universo testemunha uma sabedoria, uma prudência e uma previdência que suplantam todas as faculdades humanas; o nome de um ser soberanamente grande e sábio está inscrito em todas as obras da criação. II Que o vosso reino venha! Reino de Amor e de Sabedoria, onde todos nós, criaturas humanas e animais, nos movemos e progredimos sob o respeito e a consideração de vossas Leis magnânimas e justas que, quando obedecidas, nos levam à paz e à felicidade geral. III Seja feita a vossa vontade, na Terra como no céu. Fazer a vossa vontade, Senhor, é observar as vossas leis e se submeter, sem murmurar, aos vossos decretos divinos; o homem a isso se submeterá, quando compreender que sois a fonte de toda a sabedoria, e que sem vós, ele nada pode; então, fará a vossa vontade sobre a Terra, como os eleitos no céu. IV Dai-nos nosso pão de cada dia. Dai-nos o alimento para a manutenção das forças do corpo; dainos também o alimento espiritual para o desenvolvimento do nosso Espírito. Dai-nos, pois, Senhor, nosso pão de cada dia, quer dizer, os meios de adquirir, pelo trabalho, as coisas necessárias à vida, porque ninguém tem o direito de reclamar o supérfluo. V Perdoai as nossas dívidas como nós as perdoamos aos que nos devem. Perdoai as nossas ofensas, como perdoamos aos que nos ofenderam. Melhor dizendo, Senhor, é da Lei que a cada um segundo as suas obras, e, assim sendo, que tanto as nossas dívidas quanto as nossas ofensas, nos sejam perdoadas assim como nós mesmos as 5
tivermos perdoado aos nossos semelhantes, na mesma e justa proporção. VI Não nos abandoneis à tentação, mas livrai-nos do mal. Mas somos, nós mesmos, Espíritos imperfeitos, encarnados sobre esta Terra para expiar e nos melhorar. A causa primeira do mal está em nós, e os maus Espíritos não fazem senão aproveitar de nossas tendências viciosas, nas quais nos entretemos, para nos tentar. Nos dai força para as vencer. VII Assim seja. 6