RESPOSTAS E COMPORTAMENTOS DO RÉU

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RESPOSTAS E COMPORTAMENTOS DO RÉU www.trilhante.com.br

ÍNDICE 1. CONTESTAÇÃO - CONCEITO E PRINCÍPIOS...5 Conceito... 5 Princípios...6 2. CONTESTAÇÃO - PRAZO E PROVAS...9 Prazo...9 Provas... 11 3. CONTESTAÇÃO - TIPOS DE DEFESA... 13 Defesas Processuais ou Preliminares...13 Defesas Materiais ou Meritórias...14 Boa fé e veracidade...15 Quais são as defesas preliminares?...15 4. CONTESTAÇÃO - PROCEDIMENTOS ESPECÍFICOS DAS DEFESAS PRELIM- INARES... 25 Ilegitimidade Passiva...25 Incompetência... 26 5. CONTESTAÇÃO - DEFESA DE MÉRITO... 29 Defesas Diretas... 29 Defesas Indiretas... 29 6. CONTESTAÇÃO - DEFESA DE MÉRITO E APRESENTAÇÃO DE FATO NOVO 32 Presunção de veracidade em razão do princípio da impugnação específica...32 7. RECONVENÇÃO... 36 Requisitos para apresentar reconvenção...36 Autonomia da reconvenção...36 Litisconsórcio na reconvenção...37 Substituição processual...37

8. REVELIA... 39 Hipóteses de ocorrência de revelia... 39 Efeitos da Revelia... 39 9. OUTROS COMPORTAMENTOS DO RÉU...42 Requerer o desmembramento do litisconsórcio...42 Denunciação da lide...42 Chamamento ao processo...43 Requerer a falsidade de documento apresentado pelo autor...43 Requerer a exibição de documento ou coisa em face do autor ou terceiro...44 Reconhecer a procedência do pedido...45 Arguir impedimento ou suspeição do juiz, membro do MP ou auxiliar da justiça...45 10. MODELO DE CONTESTAÇÃO...47

1 CONTESTAÇÃO - CONCEITO E PRINCÍPIOS

1. Contestação - Conceito e Princípios Conceito Assim como a petição inicial é a forma do exercício do direito de ação do autor, a contestação é a forma do exercício do direito de defesa pelo réu. A contestação se justifica em razão dos princípios da ampla defesa, do contraditório e também da isonomia (porque o réu deve ter o direito de se manifestar tanto quanto o autor) e do acesso à justiça (pois a contestação é o meio pelo qual o réu irá acessar a justiça naquele caso). Nesta peça, o réu deve demonstrar por que a pretensão do autor não merece ser acolhida e, portanto, quais são os motivos pelos quais o juiz deve ater-se aos argumentos do réu a fim de que este obtenha êxito na ação. Considerando que a contestação é a principal peça de defesa do réu, nesta oportunidade, o réu deve alegar tudo o que for possível para demonstrar que o autor não tem razão em suas alegações, em matérias tanto processuais (preliminares) quanto materiais (mérito), ou a depender do que melhor couber ao caso concreto. A contestação pode e deve ser compreendida como a contraposição formal ao direito de ação tal qual exercido pelo auto e materializado na petição inicial. A contestação, neste sentido, contrapõe-se à petição inicial. A contestação é que veicula o direito de defesa, é ela que exterioriza perante o Estado-juiz o exercício daquele direito, tanto quando o direito de ação do autor é veiculado pela petição inicial. Ela se justiça, portanto, não só em função dos princípios da ampla defesa e do contraditório, mas também pelo próprio princípios da isonomia e do acesso à justiça www.trilhante.com.br 5

Princípios CONCENTRAÇÃO DA DEFESA Réu deve alegar toda a matéria de defesa na contestação, seja processual, seja material. Este princípio tem como base dois aspectos: combate ao excesso de formalismo e economia processual. Conforme o Código de Processo Civil de 1973, algumas matérias poderiam ser discutidas na contestação enquanto outras deveriam ser discutidas através de incidentes. Incidentes eram pequenos processos que ficavam apensos ao principal e tinham a finalidade única de discutir questões processuais incidentais à questão principal, ou seja, que não compunham o bem da vida mas eram necessárias à sua análise posterior. Esta pratica traduzia um formalismo que trazia morosidade e tornava o processo abarrotado. Desta forma, o Código de Processo Civil de 2015, ao determinar a concentração da defesa na contestação, extirpa este formalismo, garantindo maior eficiência processual. EVENTUALIDADE A eventualidade pode ser encarada como um sinônimo da concentração de defesa, mas há quem as distinga. A diferença sutil entre as denominações reside no fato de que é inerente ao princípio da concentração da defesa o caráter preclusivo porque, uma vez ofertada a contestação, não poderá o réu deduzir novas alegações, exceto se relativas a direito superveniente, ou seja, as matérias que deixarem de ser alegadas na contestação podem ser alvos de preclusão, não podendo ser suscitadas posteriormente. Art. 342. Depois da contestação, só é lícito ao réu deduzir novas alegações quando: I - relativas a direito ou a fato superveniente; II - competir ao juiz conhecer delas de ofício; III - por expressa autorização legal, puderem ser formuladas em qualquer tempo e grau de jurisdição. Já a eventualidade implica que o réu deve alegar todas as suas defesas possíveis e imagináveis (se coerentes e cabíveis, claro) na contestação pois, caso o juiz não acolha um dos seus argumentos, poderá acolher outro. É comum inclusive que se leia este tipo de expressão em contestações: Caso Vossa Excelência não acolha o argumento exposto, o que se admite em razão do principio da eventualidade, o réu expõe também um segundo argumento. www.trilhante.com.br 6

Desta forma, este princípio invoca a possibilidade (e até o dever) do réu de dizer tudo o que pode ser dito para sua defesa, dando ao juiz o maior número de possibilidades de reconhecer a falta de razão ao autor. O principio da eventualidade significa a possibilidade (e a recomendação) de o réu arguir toda a defesa possível caso uma ou outra delas seja rejeitada pelo magistrado. Concentra-se a defesa na eventualidade de alguma alegação não vir a ser acolhida pelo Estado-juiz. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA O réu deve se manifestar especificamente sobre todos os fatos alegados pelo autor na inicial. Caso aquele que está se defendendo deixe de se manifestar sobre algum fato alegado pelo autor, tal fato fica passível de ser presumido como verdadeiro, ou seja, o silêncio do réu pode significar sua confirmação do afirmado pelo autor. Sendo assim, é mais seguro ao réu que se manifeste sobre absolutamente tudo que for possível se manifestar em relação à petição inicial. Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas (...) Existem hipóteses em que esta presunção de veracidade não ocorrerá, o que veremos em outro momento. ESQUEMINHA www.trilhante.com.br 7

2 CONTESTAÇÃO - PRAZO E PROVAS

2. Contestação - Prazo e Provas Prazo O prazo para apresentação da contestação pelo réu é de 15 dias. (Atenção: no processo civil, os prazos são contados em dias úteis art. 219, ou seja, na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, computar-se-ão somente os dias úteis.) Mas, a partir de qual dia devo contar estes 15 dias? Audiência de conciliação e mediação: Quando o juiz recebe a ação, ele deve citar o réu para participar de uma audiencia de conciliação e mediação com o autor, que visa a dar fim ao litígio pela composição amigável das partes. Realizada a audiência: prazo começa a contar da data de sua realização. Se a audiência for dividida em sessões, começa a contar da data da última sessão. Atenção: a contestação deve ser protocolada somente caso a audiência seja infrutífera ou se as partes se compuserem apenas sobre uma parte da ação, afinal, caso não haja mais controvérsia, não haverá mais litígio, extinguindo-se a razão para apresentação de contestação. Se o autor disser na inicial que não tem interesse na audiência, o réu também poderá protocolar uma petição informando que não tem interesse, e a audiência não ocorrerá: os 15 dias para protocolo da contestação contarão a partir da data de protocolo da petição de desinteresse em audiência. Como será contado o prazo de contestação em caso de litisconsórcio passivo (quando existem vários réus)? Opção 1: Todos os réus se opuseram à realização da audiência neste caso, o prazo da www.trilhante.com.br 9

contestação de cada um será contado a partir da sua própria petição de desinteresse em audiência. Opção 2: Se, ao menos, uma das partes (autor ou réu) manifestar interesse na audiência, ela ocorrerá. Sendo assim, o prazo de todos os réus se iniciará a partir da data da audiência, ou de sua última sessão. Opção 3: Se não for possível autocomposição (direito indisponível), ou se o autor desistir de um réu que ainda não foi citado, o prazo correrá da data de intimação da decisão que homologar a desistência. Citação: a partir do dia em que a citação válida ocorrer ou for certificada nos autos (depende da forma de citação). Art. 231 do CPC. Citação por Correio: a partir da juntada do Aviso de Recebimento dos Correios nos autos. Citação por Oficial de Justiça: a partir da juntada da certidão do oficial de justiça informando a citação válida/mandado cumprido. Citação por ato do escrivão/chefe de secretaria: a partir da data em que a citação efetivamente ocorreu, ou seja, dia em que o citando compareceu pessoalmente perante o escrivão ou chefe. Citação por edital: a partir do dia útil seguinte ao fim do prazo de duração do edital estabelecido pelo juiz. Citação eletrônica: a partir do dia útil seguinte ao acesso ao teor da citação ou a partir do dia útil seguinte ao término do prazo para acesso. Citação por carta (precatória/rogatória/ordem): a partir da juntada da carta cumprida aos autos. www.trilhante.com.br 10

Quando existe mais de um réu, o prazo para que todos os réus ofereçam suas contestações começa a contar da citação do último deles. Provas O artigo 336 do Código de Processo Civil positiva os princípios da concentração da defesa e princípio da eventualidade, determinando que o réu apresente todos argumentos de fato e de direito, ou seja, argumentos processuais e materiais. A doutrina indica, ainda, que referido dispositivo tem o condão de trazer segurança jurídica, pois, ao determinar que toda a matéria de defesa seja trazida no bojo da contestação, assegura-se à outra parte que não haverá surpresas no curso do processo. Art. 336. Incumbe ao réu alegar, na contestação, toda a matéria de defesa, expondo as razões de fato e de direito com que impugna o pedido do autor e especificando as provas que pretende produzir. No fim deste artigo, é determinado também que o réu deve indicar as provas que pretende produzir. Saliente-se que as provas documentais que o réu já tem em mãos no momento em que apresenta a contestação devem ser juntadas à petição. Caso ele não apresente os documentos neste momento, será impossibilitado de apresentar posteriormente: ocorre a preclusão. Evidente que, caso um documento novo seja produzido no curso do processo ou caso o réu só tenha acesso ao documento depois de já ter apresentado a contestação, poderá juntar o documento aos autos posteriormente, bem como poderá juntar tardiamente provas que só tenham surgido depois do momento da contestação. No que tange os demais meios de prova, o réu pode fazer um mero pedido genérico ao final da contestação para que, no momento oportuno em que o juiz determinará que as partes especifiquem as provas que pretendem produzir, tanto o réu quanto o autor as especifiquem pormenorizadamente. Caso não o faça, porém, o próprio juiz dará um despacho pedido que as partes especifiquem as provas que pretendem produzir. www.trilhante.com.br 11

3 CONTESTAÇÃO - TIPOS DE DEFESA

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