Manoel Cândido e Silva Temas deste Mundo e do Outro Campinas SP 2008
Sumário Prefácio...IX A parábola da ovelha perdida...1 Servir sempre... 5 Mensagem aos que sofrem... 9 Jesus e o jovem rico... Sócrates e o moço Platão...13 Ensejo...25 Caridade material e caridade moral... 29 As amarguras de um santo...37 Noite de paz! Noite feliz!...41
E agora, Zé?... 47 Como criar um delinqüente...53 Amar os nossos inimigos...57 A vida secreta das plantas Parte I...61 A vida secreta das plantas Parte II... 69 Hipótese sobre a criação do homem...77 Evolução da Lei de Adoração Parte I... 83 Evolução da Lei de Adoração Parte II... 89 Tríplice aspecto A verdadeira unificação... 93 Seria Oswaldo Cruz o espírito de andré luiz?... 97 Comentando...107 Champollion, O Egípcio, um sugestivo caso de reencarnação... 113 Subjugação e possessão... 123 Estudo sobre a morte... 131 Espírito e matéria...139 É possível a comunicação dos mortos com os vivos?...145
Prefácio Por longos anos, Manoel Cândido e Silva foi colaborador dedicado e perseverante da área doutrinária no Centro Espírita Allan Kardec, de Campinas (SP), ministrando aulas e dirigindo grupos mediúnicos. Ali tive a oportunidade feliz de conhecê-lo e acompanhar a realização de alguns de seus labores. Militou, também, na imprensa espírita, onde seus artigos atraíam o interesse dos leitores pelo conhecimento doutrinário e forma de comunicação acessível a todos. Especial atenção lhe mereciam as pesquisas em torno de pontos controversos ou necessitados de melhores esclarecimentos, pesquisas em que colocava toda sua dedicação e cuidado meticuloso, deixando contribuição valiosa para o movimento espírita.
Manoel Cândido e Silva É um pouco desse material precioso que trazemos a você, amigo leitor, certos de que lhe proporcionamos alimento para a mente e para o espírito, dentro da pureza doutrinária que Manoel Cândido e Silva sempre prezou e resguardou em todos os seus escritos e atitudes. Boa leitura e pleno proveito lhe desejamos, caro leitor. Therezinha Oliveira Campinas, 12 de julho de 2007
A parábola da ovelha perdida Que homem dentre vós, tendo cem ovelhas, e perdendo uma delas, não deixa no deserto as noventa e nove e não vai após a perdida até que venha achá-la? Lucas, XV, v. 1-10 Esta parábola trouxe-me à mente a vida de André Luiz e tem muita relação com o que sabemos sobre esse Espírito, com letra maiúscula. Não sabemos quem é André Luiz, Isto é, quem foi na Terra em sua última encarnação entre nós... Por seu progresso atual no plano espiritual, vemos que ele tinha muita bagagem, muita aquisição de vidas passadas. Também não sabemos que aprisco deixou, em
Manoel Cândido e Silva sua última romagem entre nós quando, sob as vistas de seu pastor (guia), essa ovelha se desgarrou do rebanho espiritual. A ovelha desgarra-se do rebanho porque se deixa levar por uma vegetação mais tenra e, pastando aqui e ali, vai se afastando... afastando... e quando vê, já se encontra muito distante das companheiras de rebanho e não mais ouve o chamado do pastor, nem o balido das companheiras; está perdida, então se apavora e bale desesperada... Assim pensamos que acontece com o espírito, quando deixa o aprisco, ou seja, a colônia em que estava, para se reencarnar. Uma vez na carne se esquece de tudo, de todos os compromissos! E, como a ovelha, vai se afastando aos poucos de seu pastor (espírito protetor) e dos amigos encarnados (o rebanho) e quando menos percebe está sozinho e perdido no meio da selva humana, envolvido em prazeres sensuais, mesas lautas, bebidas excitantes, sem ouvir o balido do rebanho, o chamamento do pastor e se acha, então, completamente emaranhado no cipoal da vida, nos espinheiros das paixões... Nada o faz despertar, nem mesmo a dor de suas criações mentais... Fica cego e surdo! E quando surge o lobo faminto e perseguidor de ovelhas desgarradas, abate a pobrezinha a morte então o deserto é triste e pavoroso, cheio de lobos famintos, produtos de suas próprias criações. Sofrimentos alucinatórios aderem, perde a última esperança e luta presa nos espinheiros que entreteceu em volta de si mesma; luta como se estivesse num lodaçal e quanto mais luta mais se agita, mais se afunda...
Servir sempre Servir é criar simpatia, fraternidade e luz. Emmanuel Bem como o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir, e dar sua vida em resgate de muitos. Mateus, XX, v. 28 O Espírito tem várias necessidades, e uma delas é servir... Quando falamos em servir, não é pensando no serviço remunerado, recompensado, não! É servir por amor ao próximo, sem esperar gratidão. Qualquer ocasião que se nos depare, devemos estar prontos a servir, a este ou aquele que precise de ajuda...
Mensagem aos que sofrem O sofrimento tem sempre uma causa que lhe dá origem, e quando sofremos nunca paramos um pouco para meditar nas causa de nosso sofrimento. Esse, como a dor, quando se manifesta, é para nos avisar de que algo está errado conosco, em nosso modo de proceder e mesmo de viver... Uns já nascem sofrendo, outros de um momento para outro passam a ter o sofrimento como companheiro inseparável, outros ainda têm uma vida alternada entre o sofrimento e a satisfação, e outros, ainda, existem que levam a maior parte de sua vida em gozos e saúde...
10 Manoel Cândido e Silva o sofrimento vem aparecer na velhice, e quando surgem, são os mistérios de nossas vidas... Assim, notamos que todos sofrem mais cedo ou mais tarde. O sofrimento visita sempre a uns e outros... As causas do sofrimento são várias, e quando sofremos não procuramos saber sua causa, mas pensamos sempre que somos injustiçados pela vida, por Deus... Podemos sofrer o mal que fizemos no passado aos outros, ou a nós próprios, e aí temos uma causa remota, mas sofremos também pelo que estamos fazendo na vida presente. É o arremesso de se atirar a bola à parede e que ao voltar às nossas mãos, voltará com mais força, nos machucando. A isso chamamos: lei do retorno... Quanto à utilidade do sofrimento, só o estudo da Doutrina dos Espíritos nos traz esse esclarecimento sobre o porquê da dor e do sofrimento, nos diz o Evangelho: As vicissitudes da vida têm, pois, uma causa, e, uma vez que Deus é justo, essa causa deve ser justa. E quando estudamos o Sermão da Montanha, no capítulo VI, v. 24 a 26, vemos o porquê das dores: Mais ai de vós, ricos! Porque já tendes a vossa consolação. Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis.