Aula 10 TECTÔNICA DE PLACAS: A TEORIA



Documentos relacionados
Figura 1 Fragmentação e evolução dos continentes desde a Pangeia até à atualidade: A Pangeia à 225 milhões de anos, B Continentes na atualidade.

GEOLOGIA GERAL GEOGRAFIA

Parte 1 Formação geológica

Qual a força que move os continentes? SabinaValente

ESCOLA FERREIRA CASTRO 13/14 PROFª SANDRA NASCIMENTO III TECTÓNICA DE PLACAS

Dinâmica da Litosfera Susana Prada. Teoria da deriva dos continentes. A Terra antes da Pangea

Deriva Continental LITOSFERA

ESTRUTURA GEOLÓGICA E RELEVO AULA 4

GEOLOGIA PARA ENGENHARIA CIVIL TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS

AULA 9: BORDAS DE PLACAS TRANSFORMANTES

Objetivo da aula: conhecer a estrutura interna da Terra, e os fenômenos associados a essa estrutura como os terremotos e vulcões.

- Principal agente das mudanças de estado: Tectônica Global.

PROVA BIMESTRAL Ciências

EVOLUÇÃO GEOLÓGICA DO TERRITÓRIO NACIONAL

O que vemos aí? Continentes, vegetação: regiões mais claras (secas).

Vulcanismo e Tectónica de Placas

AULA DINÂMICA INTERNA DA TERRA COM CONSEQUÊNCIAS NA SUPERFÍCIE GEOLOGIA HISTÓRICA E DO ESTADO DE SANTA CATARINA

Deriva Continental e Tectônica de Placas

COLÉGIO XIX DE MARÇO excelência em educação 2012

Deriva Continental & Tectônica de Placas

Estrutura e Composição da Terra. Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas. [Friedrich Nietzsche]


CAPÍTULO 2 ELEMENTOS SOBRE A TERRA E A CROSTA TERRESTRE

A dinâmica do relevo terrestre e A hidrografia terrestre

PLANO CURRICULAR DISCIPLINAR. Ciências Naturais 7º Ano. Ano Lectivo: 2010/2011

Estrutura da Terra Contributos para o seu conhecimento

ROCHAS E MINERAIS. Disciplina: Ciências Série: 5ª EF - 1º BIMESTRE Professor: Ivone de Azevedo Fonseca Assunto: Rochas & Minerais

Teste diagnóstico de Geologia (10.º ano)

2- CONTINENTE EUROPEU.

GEOGRAFIA - 3 o ANO MÓDULO 21 GEOLOGIA GERAL

Modulo I Mudanças Climáticas

Avaliação da unidade II Pontuação: 7,5 pontos

GEOGRAFIA SÉRIE: 1º ano DERIVA CONTINENTAL Profº Luiz Gustavo Silveira

O vulcanismo, de acordo com os fenómenos observados, pode ser classificado como primário ou secundário:

PLANIFICAÇÃO DE CIÊNCIAS NATURAIS - 7º ANO-

A) Ação global. B) Ação Antrópica. C) Ação ambiental. D) Ação tectônic

REVISÃO PARA AV1 Unidade 1 Cap. 1

COLÉGIO MARISTA - PATOS DE MINAS 2º ANO DO ENSINO MÉDIO Professor : Bruno Matias Telles 1ª RECUPERAÇÃO AUTÔNOMA ROTEIRO DE ESTUDO - QUESTÕES

Ano: 6º Turma: 6.1 / 6.2

COLÉGIO SÃO JOSÉ PROF. JOÃO PAULO PACHECO GEOGRAFIA 1 EM 2011

Prova bimestral 5 o ANO 1 o BIMESTRE

Sugestões de avaliação. Geografia 6 o ano Unidade 2

GEOGRAFIA E FÍSICA. Primeiro ano integrado EDI 1 e INF

Atmosfera e o Clima. Clique Professor. Ensino Médio

A alternativa que contêm a afirmação que pode ser comprovada pelo texto é:

Professor: Anderson Carlos Fone:

Evolução da Terra. Geografia Prof. Cristiano Amorim

Planeta Terra Contributos para o seu conhecimento

CADERNO DE EXERCÍCIOS 1G

Relevo GEOGRAFIA DAVI PAULINO

MAS O QUE É A NATUREZA DO PLANETA TERRA?

"O que não está sendo divulgado na mídia"

Reflexos nobrasil deterremotos distantes

Aula 1.1 Conteúdo: Como regionalizar o espaço mundial? O que são continentes? FORTALECENDO SABERES APRENDER A APRENDER CONTEÚDO E HABILIDADES

C E E A A E C B C C

PROVA DE GEOGRAFIA 3 o TRIMESTRE DE 2012

A EVOLUÇÃO DOS CONTINENTES: TEORIAS DE MOVIMENTAÇÃO DE CROSTA E TECTÔNICA DE PLACAS

PROVA DE GEOGRAFIA 3 o BIMESTRE DE 2012

A Terra tem aproximadamente 4,6 bilhões de anos; Ela surge após o Big Bang, há 15 bilhões de anos;

Cotagens especiais. Você já aprendeu a interpretar cotas básicas

ABILIO SOARES GOMES ORIGEM DOS OCEANOS

Equipe de Geografia. Geografia

Processos Geológicos Internos -Aula 5-

Lingotes. Estrutura de solidificação dos lingotes

Estrutura geológica da Terra

Massas de Ar e Frentes

Diálogo com os alunos Realização e correção da avaliação diagnóstica. As teorias científicas são entidades imutáveis no tempo?

Massas de ar do Brasil Centros de ação Sistemas meteorológicos atuantes na América do Sul Breve explicação

Dividiremos nossa aula em:

AULA 10a: BORDAS DE ASPECTOS GERAIS

Aluno(a): Nº. Professor: Anderson José Soares Série: 1º. Pré Universitário Uni-Anhanguera

INFORMATIVO CLIMÁTICO

Recursos para Estudo / Atividades

IBM1018 Física Básica II FFCLRP USP Prof. Antônio Roque Aula 6. O trabalho feito pela força para deslocar o corpo de a para b é dado por: = =

Qual o nosso lugar no Universo?

aula A teoria unificadora VERSÃO DO PROFESSOR Geografia Física I Autores Elias Nunes Orgival Bezerra da Nóbrega Junior D I S C I P L I N A Nome:

A importância do continente europeu reside no fato de este ter

GEOLOGIA GERAL CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

ÁGUA: UMA VIAGEM NO MUNDO DO CONHECIMENTO

A DINÂMICA DA CROSTA TERRESTRE

Sugestão de avaliação

A TERRA ONTEM, HOJE E AMANHÃ

ORIGEM, ESTRUTURA E COMPOSIÇÃO DA TERRA E A TECTÔNICA DE PLACAS

A TERRA É UM SISTEMA ABERTO QUE TROCA ENERGIA E MASSA COM O SEU ENTORNO

REVISÃO E AVALIAÇÃO DA UNIDADE I

Gabarito dos exercícios do livro Ciências cap. 5 e 6

NDAMENTOS DE GEOLOGIA E GEOQUÍMICA PROF. DR. DONIZETI ANTONIO GIUSTI

O QUE SÃO BACIAS SEDIMENTARES

Nosso objetivo será mostrar como obter informações qualitativas sobre a refração da luz em um sistema óptico cilíndrico.

Colégio Salesiano Dom Bosco GEOGRAFIA Prof. Daniel Fonseca 6 ANO. Capítulo 7 Formas, Relevos e solos da Terra

GEOGRAFIA. Estão corretos apenas os itens. A) I e III. B) I e IV. C) II e IV. D) I, II e III. E) II, III e IV.

Ivan Guilhon Mitoso Rocha. As grandezas fundamentais que serão adotadas por nós daqui em frente:

AGRUPAMENTO DE ESCOLAS DRª LAURA AYRES ENSINO SECUNDÁRIO RECORRENTE POR MÓDULOS CAPITALIZÁVEIS MATRIZ DA PROVA DE EXAME DE GEOLOGIA.

15 O sistema solar e seus planetas

UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA DISCIPLINA DESENHO GEOLÓGICO PROF. GORKI MARIANO

Capítulo 2. Mecanismos de geração dos sismos

Curso Prático & Objetivo Direitos Autorais Reservados. A Estrutura da Terra

WEGENER (1912) Os continentes, agora afastados, já estiveram juntos formando um único supercontinente a Pangeia rodeado por um único oceano a

Transcrição:

TECTÔNICA DE PLACAS: A TEORIA Aula 10 META Apresentar a teoria, os mecanismos de movimentação das placas litosféricas e os principais limites de placas, assim como as atividades geológicas e grandes feições morfológicas associadas aos limites. OBJETIVOS Ao final desta aula, o aluno deverá: identificar a dinâmica causada pela fonte de calor interna da Terra; estabelecer o significado de limites de placas e movimentação das placas; reconhecer a distribuição e concentração de atividades sísmicas e vulcânicas na Terra; e reconhecer o processo de formação das grandes feições morfológicas da Terra. PRÉ-REQUISITOS Conhecimento sobre a composição da crosta oceânica e da crosta continental, composição basáltica e granítica, densidade da crosta oceânica e da crosta continental, estado físico da litosfera e da astenosfera, e a distribuição espacial dos vulcões e terremotos. (Fonte: Fonte: http://legacycreative.gettyimages.com).

Geologia Geral INTRODUÇÃO Antes de começar a estudar a Teoria da Tectônica de Placas, vamos relembrar algumas informações dadas na aula que tratou do interior da Terra (aulas 7 e 8): 1. A crosta oceânica é mais densa que a crosta continental. Isto se dá em função da composição química dela. A crosta oceânica apresenta uma composição basáltica, ou seja, rica em minerais ferro-magnesianos, enquanto que a crosta continental é constituída por silicados leves. 2. A litosfera, que compreende a crosta e a parte do manto superior, tem comportamento rígido, sólido. A litosfera utua sobre a astenosfera, que é a camada do interior da Terra que apresenta comportamento plástico, ou seja, material parcialmente fundido. Não se esqueça destas informações, pois você precisará delas daqui a pouco! Figura 10.1 - O núcleo terrestre e as placas tectônicas (Fonte: http://legacycreative.gettyimages.com). 106

Tectônica de Placas: a teoria TEORIA Mas, a nal... O que diz a Teoria da Tectônica de Placas? De acordo com a Teoria da Tectônica de Placas (ou Tectônica Global, como também tem sido denominada), a litosfera é fragmentada em segmentos denominados placas litosféricas (ou placas tectônicas) que se movimentam sobre a astenosfera plástica. Constituem 8 grandes placas: Africana, Sul-Americana, Norte-Americana, Eurasiana, Pací co, Indo-australiana, Antártica e Nazca; além de outras menores: Cocos, Juan de Fuca, Caribenha, Filipina, Arábica, Anatoliana, subplaca Somaliana (Figura 10.2). Os contatos entre as placas, denominados limites de placas, podem ser de 3 tipos ( guras 10.2 e 10.3): 1. Divergente, quando as placas se afastam umas das outras. 2. Convergente, quando as placas se aproximam umas das outras. 3. Transformante, quando as placas passam lateralmente umas em relação às outras. Na gura 10.3, você encontra um esquema idealizado de limites de placas. No entanto, na natureza existem ainda os limites oblíquos, que unem limite convergente ou divergente com limite transformante. Aula 10 Figura 10.2 - Distribuição das grandes placas litosféricas. As setas indicam os tipos de limites envolvidos: divergente, quando as placas se afastam umas das outras ( ); convergente, quando as placas se aproximam umas das outras ( ); e transformante, quando as placas passam lateralmente umas em relação às outras (===). Na gura, as setas mostram o movimento relativo das placas e os números indicam as velocidades relativas das placas em cm/ano. 107

Geologia Geral Figura 10.3 - Tipos de limites de placas: a) divergente; b) convergente; c) transformante. Vulcanismo Extravasamento do material fundido (magma) à superfície terrestre. O magma, ao perder elementos voláteis, passa a ser denominado de lava. Mas o que ocorre de interessante em termos geológicos nestes limites? Se você quer ver atividades e feições geológicas, tais como terremotos, vulcanismo, grandes cadeias de montanhas, fossas submarinas, é para os limites de placas que tem que ir! Estes limites constituem as regiões mais instáveis da Terra! Você tem dúvida? Então compare as guras 9.11 e 9.12 da aula anterior (aula 9), que mostra a distribuição dos terremotos e vulcões do mundo, com a gura 10.3 desta aula que mostra os limites de placas. Por outro lado, a maioria das placas é mista, quer dizer, contêm tanto litosfera oceânica como litosfera continental. Exceção é a placa de Nazca, completamente oceânica. Para dinamizar a leitura, faremos referência apenas aos tipos de placas envolvidas (oceano ou continente) em seu limite. LIMITES DIVERGENTES Nos limites divergentes, as placas movem-se em sentido contrário, afastando umas das outras. Os tipos de placas envolvidas podem ser: continente-continente ou oceano-oceano. No primeiro caso, está associado à fragmentação de um continente. Isto ocorreu por aqui há cerca de 200 Ma (milhões de anos), quando a América do Sul começou a se separar da África. E quer saber mais...? Está acontecendo atualmente no leste africano! Provavelmente uma pluma aquecida sob o continente fez com que este sofresse um intumescimento e um soerguimento. Em seguida, em função do resfriamento subseqüente, ocorreu uma subsidência, favorecendo o 108

Tectônica de Placas: a teoria desenvolvimento de um sistema de falhas, formando assim, um grande rift-valley (Figura 10.4). Aula 10 Figura 10.4 - Limite divergente mostrando: A - Fragmentação de um continente (divergência continente-continente), B e C - Formação de nova litosfera oceânica (divergência oceano-oceano). Observe que em A é formado um sistema de rift-valley, a exemplo do leste africano. Em B, oceano restrito. Em detalhe, imagem de satélite mostrando o mar Vermelho. Em C há formação da cadeia meso-oceânica, em um oceano aberto, a exemplo do Oceano Atlântico Sul. Se o processo de separação prosseguir, então ocorrerá o segundo caso. Sendo assim, o material oriundo da astenosfera ou de níveis mais rasos ascende. Este material é o magma, que constitui rocha parcial ou totalmente fundida. O magma extravasa à superfície, formando nova litosfera oceânica (por isso, a denominação de limite construtivo). O assoalho oceânico é arrastado simetricamente para fora do eixo de extravasamento do magma. Este eixo é marcado pela formação de uma cadeia de montanhas submarinas as cadeias ou dorsais meso-oceânicas. No oceano atlântico estas cadeias são denominadas de meso-atlânticas e podem ou não possuir um rift-valley central (Figura 10.4). Falha Interrupção física na rocha, quando há deslocamento relativo dos blocos. Rift-valley Depressão causada por sistemas de falhas. 109

Geologia Geral Figura 10.5 - Limite divergente oceano-oceano com a exposição da cadeia meso-atlântica acima do nível do mar na Islândia (A). Observe o rift-valley em B. Como está sendo construída continuamente nova litosfera oceânica no eixo das cadeias meso-oceânicas, as idades das rochas do fundo oceânico não são as mesmas. Próximo ao eixo da dorsal, existem as rochas mais novas, enquanto mais afastadas do eixo, há as rochas mais antigas. Ao atravessar o oceano Atlântico, saindo de Aracaju e chegando em Luanda, na África, como seriam as idades das rochas do fundo oceânico? As cadeias meso-oceânicas representam a feição siográ ca mais importante do globo, totalizando mais de 80.000 km de comprimento, largura de 2.000-4.000 km e elevação de 1-3 km ou mais acima do nível assoalho oceânico. São montanhas expressivas, porém, submersas. Apenas na Islândia, esta a ora à superfície (Figura 10.5). 110

Tectônica de Placas: a teoria Aula 10 Figura 10.6 - Limite convergente. Em A, co1isão oceano-oceano. Exemplo das ilhas vulcânicas japonesas e fossa oceânica adjacente. Em B, colisão oceano-continente. Exemplo subducção da placa de Nazca sob a placa sul americana, com a formação da Cordilhiera dos Andes. Em C, colisão de duas placas continentais, com o exemplo da formação dos Himalaias. Investigações com a utilização de robôs submersíveis constataram a presença de atividade vulcânica não violenta e abalos sísmicos rasos, indicando se tratar de uma zona tectonicamente instável. Além das atividades sísmicas e vulcânicas, na Islândia, por se tratar de uma zona de expansão, é de se esperar um aumento contínuo em sua área. LIMITES CONVERGENTES (OU DESTRUTIVOS) Nos limites convergentes, as placas se movem umas em direção às outras. São zonas compressivas, que incluem oceano com oceano, oceano com continente e continente com continente (Figura 10.6). 111

Geologia Geral Plutonismo Aprisionamento do material fundido (magma) dentro da litosfera. Magmatismo Fenômenos associados à gênese, evolução e solidificação do material em fusão existente no interior da Terra e que dá origem às rochas ígneas (plutônicas e vulcânicas). COLISÃO OCEANO-OCEANO Quando há convergência envolvendo litosferas oceânicas, a mais antiga e, portanto, a mais fria, será mais densa, e por isso mergulhará sob a mais recente. Este processo é denominado subducção. Mas o que acontece com a litosfera oceânica que sofre a subducção? Ela será destruída. Por isso que este limite também é conhecido por limites destrutivos. A placa, ao mergulhar, está sujeita a uma maior temperatura e pressão; em determinada profundidade, ocorrerá a sua fusão. O material fundido, menos denso, tenderá a subir pelas fendas e fraturas da litosfera oceânica, formando ilhas vulcânicas. Exemplos: diversas ilhas do Pací co, incluindo o Japão, ilhas do Índico e do Oceano Atlântico, no mar do Caribe. Estas ilhas formam arcos, sendo, por isso, conhecidas como arcos de ilhas vulcânicas, e são perpendiculares à direção de movimentação das placas. Na colisão de placas oceânicas, além da formação dos arcos de ilhas vulcânicas, formam-se outras importantes feições morfológicas: as fossas tectônicas ou oceânicas, que são depressões profundas situadas sobre a zona de subducção. As atividades geológicas mais marcantes consistem em vulcanismo e abalos sísmicos rasos, intermediários e profundos em função do atrito causado pela subducção em diferentes profundidades. Figura 10.7: Reconstrução paleogeográ ca da Índia de 71 Ma até os dias atuais. Ao migrar, a Índia colidiu com a Ásia, formando a cordilheira do Himalaias. Observe que o limite de placas inicialmente era do tipo oceano-continente, passando para um limite continente-continente após a destruição total do oceano. 112

Tectônica de Placas: a teoria COLISÃO OCEANO-CONTINENTE Quando uma placa oceânica se choca com uma placa continental, ocorre também a subducção. Só que neste caso, temos dois tipos de placas: uma oceânica e a outra continental. Qual é mesmo a litosfera mais densa: a oceânica ou a continental? Então, qual litosfera vai mergulhar sob a outra? Se você respondeu que a litosfera oceânica é a mais densa por ter composição basáltica, acertou. Este processo é o mesmo que ocorre na convergência de oceano-oceano, denominado de subducção. Por outro lado, fatias da litosfera oceânica podem ser empurradas por sobre a litosfera continental. Este processo é denominado obducção. Portanto, subducção e obducção são processos distintos! Aula 10 Figura 10.8 - Seções esquemáticas envolvendo as placas (a) nazca, sul-americana, africana e indiaustraliana; b) eurasiana, do Pací co, de Nazca e africana, (c) eurasiana, africana; (d) eurasiana, indo-australiana. Da mesma forma que na situação oceano-oceano, a placa que sofre subducção será fundida a certa profundidade. O material fundido, menos denso, tenderá a subir pelas fendas e fraturas da litosfera continental. Parte deste material cará aprisionado no interior da Terra em processo denominado de plutonismo. A outra parte chegará à superfície, em processo chamado vulcanismo. 113

Geologia Geral Figura 10.9 - Limite transformante. Em A em placa oceânica. Em B em placa continental, com o exemplo da Falha de Santo André, na Califórnia. As setas indicam o movimento das placas. Os esforços compressivos, gerados nas zonas de colisão de placas convergentes, associados ao intenso magmatismo que introduz corpos ígneos no material litosférico afetado, edi cam vulcões na superfície e formam grandes cadeias de montanhas de grande extensão. São exemplos as cordilheiras dos Andes e Alpes. Na parte marinha, também ocorrem as fossas tectônicas ou oceânicas. As atividades geológicas incluem vulcanismo e abalos sísmicos raso, intermediário e profundo, em decorrência do atrito da placa em diferentes profundidades. COLISÃO CONTINENTE-CONTINENTE Na colisão de placas do tipo continente-continente, ocorre um espessamento extremo da litosfera. Nesta situação, não há mais destruição de placas. Exemplo foi o choque da Índia com a Ásia há cerca de 10 Ma, formando as cordilheiras dos Himalaias. Dá para perceber que existia um oceano entre a Índia e a Ásia? Você está se perguntando se a convergência era do tipo oceano-continente? É isso mesmo! Quando a Índia e a Ásia se chocaram, o oceano desapareceu. Veja o quadro Ciclo de Wilson, que explica a formação e destruição de oceanos e entenda mais a dinâmica da Terra! Os exemplos dados podem ser mais bem visualizados na seção esquemática apresentada na gura 10.8. LIMITE TRANSFORMANTE (OU CONSERVATIVO) Neste tipo de limite o deslocamento das placas é horizontal e paralelo, sem construção nem destruição de placas. Pode ocorrer entre placas oceânicas ou entre placas continentais. No caso das placas oceânicas, pode-se 114

Tectônica de Placas: a teoria citar, como exemplo, as cadeias meso-oceânicas. Estas não são contínuas, mas fragmentadas por falhas transformantes. Nas placas continentais, o exemplo mais marcante refere-se à falha de Santo André na Califórnia. Atividades sísmicas rasas são bastante freqüentes e as atividades magmáticas são pouco expressivas. Você, neste momento, está se perguntando: qual é o mecanismo de movimentação das placas litosféricas? E as ilhas havaianas, foram formadas da mesma maneira que as ilhas japonesas? Estas e outras questões serão esclarecidas na próxima aula. Aula 10 (Fonte: http://domingos.home.sapo.pt). CICLO DE WILSON O Ciclo de Wilson é uma seqüência de eventos de abertura e fechamento de bacias oceânicas. Vamos entendê-lo com a exempli cação de equivalentes modernos para facilitar a nossa compreensão sobre a Tectônica de Placas e sua evolução no tempo e no espaço. 115

Geologia Geral Estágio de Evolução Exemplos Movimentos dominantes Feições características 1 Embrionário Rift-valley do Extensão e soerguimento, Rift-valleys leste Africano com fragmentação de um continente 2 Jovem Mar Vermelho Subsidência e expansão Mares estreitos com costas paralelas e uma depressão central 3 Maduro Oceano Atlântico Expansão Bacias oceânicas com cadeias meso-oceânicas 4 Declínio Oceano Pacífico Expansão e subducção Bacias oceânicas com destruição com eixos de expansão ativos;arcos de ilhas e fossas adjacentes às margens 5 - Terminal Mar Mediterrâneo Encurtamento e Montanhas jovens soerguimento 6 - Relíquia Sutura da Índia Encurtamento e Montanhas jovens com a Ásia- soerguimento Himalaia Quadro 1: Ciclo do Wilson. O registro geológico mostra que o Ciclo de Wilson ocorreu várias vezes na história da Terra, com a movimentação contínua dos continentes, ora se juntando ora se fragmentando. CONCLUSÃO Conforme visto no decorrer desta aula, a litosfera é fragmentada em placas denominadas litosféricas ou tectônicas, que podem englobar litosfera continental e/ou litosfera oceânica. Estas placas são rígidas e utuam sobre a astenosfera que apresenta comportamento plástico. As placas se movimentam em função das correntes de convecção presentes na astenosfera ou em todo o manto. Nos contatos ou limites das placas podem ocorrer movimentos divergentes, convergentes ou transformantes. Nos limites de placas, concentram-se as maiores atividades sísmicas e vulcânicas do planeta. 116

Tectônica de Placas: a teoria RESUMO A superfície da Terra não é contínua, mas fragmentada em placas litosféricas ou tectônicas. Estas placas movimentam-se sobre a astenosfera, ora se afastando, ora colidindo, ora passando lateralmente umas pelas outras em limites denominados divergentes, convergentes e transformantes, respectivamente. São nestas regiões da superfície terrestre que se concentram as atividades sísmicas e magmáticas (vulcanismo e plutonismo), assim como estão presentes as grandes feições do relevo terrestre, tais como cadeias de montanhas, fossas oceânicas, vulcões etc. Aula 10 ATIVIDADES 1. Qual é o futuro do: a) Mar Mediterrâneo? b) Oceano Pací co? 2. Poderá o oceano Atlântico desaparecer no futuro? 3. Poderá o continente africano se dividir em dois ou mais continentes menores? 4. O que você espera que ocorra com relação à distância, caso você construa duas casas na Islândia, uma em cada lado do rift-valley? COMENTÁRIO SOBRE AS ATIVIDADES Para responder às questões 1 e 2, basta rever o Ciclo de Wilson que mostra a abertura e o fechamento de oceanos ao longo do tempo, com exemplos de análogos modernos. Na questão 3, faça um retrocesso no tempo geológico e veja através das reconstruções paleogeográ cas o que existia antes, durante e depois da formação do supercontinente Pangéia. Quanto à questão 4, os limites de placas podem ser dos tipos divergente, convergente ou transformante, que envolvem litosfera oceânica e/ou continental. Veja em qual tipo de limite de placas a Islândia, situada no meio do Atlântico norte, se encontra. PRÓXIMA AULA Mais adiante, você verá como funciona a dinâmica das placas litosféricas e a reconstrução paleogeográ ca do supercontinente Pangéia. 117

Geologia Geral LEITURA COMPLEMENTAR BRANCO, S. M.; BRANCO, F. C. A deriva dos continentes. São Paulo: Moderna, 1992. SUGUIO, K., SUZUKI, U. A evolução geológica da Terra e a fragilidade da vida. São Paulo: Ed. Edgard Blücher, 2003. WYLLIE, Peter J. A Terra: nova geologia global. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1979. REFERÊNCIAS PRESS, F. et al. Para entender a Terra. Tradução: R. Menegat et al. Porto Alegre: Bookman, 2006. SALGADO-LABOURIAU, M. L. História ecológica da Terra. São Paulo: Ed. Edgard Blücher, 1994. TEIXEIRA, W. et al (org.). Decifrando a Terra. São Paulo: O cina de Textos, 2000. 118