ROBERT ENKE Uma vida curta demais

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "ROBERT ENKE Uma vida curta demais"

Transcrição

1 Ronald Reng ROBERT ENKE Uma vida curta demais Robert Enke - Ein allzu kurzes Leben Traduzido do alemão por João Henriques

2

3 UM Apesar de tudo, uma criança com sorte Certa tarde de domingo, Robert Enke dirigiu -se para a estação de comboios de Jena e pôs -se à espera. O comboio inter -regional vindo de Nuremberga entrou na estação, os passageiros saíram, e ele não deixou transparecer qualquer tipo de desilusão ao ver toda a gente passar por ele. Continuou à espera, e mais uma vez deixou, com encenada indiferença, que os passageiros recém -chegados passassem por ele. Estávamos no inverno, em dezembro de Não era propriamente a época do ano ideal para passar metade de um domingo num estação desabrigada a ver os comboios chegar e partir. Decidiu ir ao cinema até à chegada do comboio seguinte. Vivia ainda com a sua mãe num edifício pré -fabricado da Rua Liselotte Herrmann. Quatro meses antes tinha completado dezoito anos, uma idade que desculpa quase todas as teimosias e em que se pensa sempre que são só os outros que se comportam de forma estranha. Teresa regressava a Jena aos domingos, vinda de Bad Windsheim, para a semana de aulas na academia desportiva. Apesar de ser já o seu segundo ano em Jena, continuava a ir todos os fins -de -semana visitar os pais à Francónia. Estava a pôr um pé fora da gélida estação quando deu por Robert, sentado no banco. Sentava -se ao lado dele na escola. Ano e meio antes, quando ela, uma bávara desconhecida, ingressara no décimo segundo ano da academia desportiva, só havia duas cadeiras disponíveis na turma: sozinha na última fila ou ao lado de Robert. Segundo ela, eles até se tinham dado bem no início. No lugar dele, só mudaria o penteado. Desde que, para além da escola, começara a treinar com a equipa profissional do Carl Zeiss Jena, usava o cabelo à moda da equipa: curto nos lados e comprido em cima, como se tivesse um ninho de pássaro em cima da cabeça. ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 17

4 Robert e Teresa com a família dele após um jogo da academia desportiva de Jena contra uma seleção da Turíngia. Olá! O que estás aqui a fazer?, perguntou -lhe ela na gare. Já passava das dez da noite. Estou à espera de uma pessoa. Ah, está bem. Então boa noite. Teresa lançou -lhe um breve sorriso e seguiu caminho. Espera, chamou ele. É claro que é de ti que eu estou à espera. E tinha esperado mais de cinco horas, conforme pouco depois lhe contou enquanto tomavam um copo no French Pub. Ele não tinha dito a ninguém que iria simplesmente esperar por Teresa na estação. Guardava os seus sentimentos para si e tomava as decisões importantes sozinho. Enquanto ele e Teresa se iam aproximando, passaram semanas sem que ele contasse aos amigos o que quer que fosse. Estes, porém, não ficaram surpreendidos com o namoro nem com o facto de Robert ter conseguido ficar com Teresa. Torsten Zieger, um amigo de juventude, refere que ainda hoje dizemos muitas vezes que o Robert era um miúdo cheio de luz, capaz de qualquer coisa, sempre bem -disposto e que nada era capaz de o desnortear. Torsten mexe no copo de água que tem diante de si para não deixar que o 18

5 breve silêncio alastre demasiado. E todos os que estão na sala de Andy Meyer, um outro amigo desses tempos, ficam por momentos a pensar a mesma coisa: que estranho que é pensar hoje em Robert Enke como um jovem alegre. A luz do dia, refletida e intensificada pela neve, atravessa a moradia em Jena -Zwätzen, um bairro novo fora da cidade. É uma da tarde e Andy acabou de se levantar. Os olhos dele apresentam ainda um resquício de cansaço. É enfermeiro e fez o turno da noite. Torsten usa calças de ganga largas, num estilo casual. O casaco aos quadrados pequenos e com a gola subida seria com certeza do agrado de estrelas do rock como os Oasis. Tem 32 anos de idade, é futebolista profissional e está de regresso ao FC Carl Zeiss Jena, atuando na terceira divisão. É um atleta seco e esguio. Olhamos para Andy e Torsten, este último de 30 anos, e é possível sentir rapidamente o calor e o humor dos jovens de antigamente. Reparámos logo que tínhamos os mesmos interesses, e acima de tudo os mesmos desinteresses, afirma Torsten. Ríamos mais do que todos os outros, acrescenta Andy. Nesses tempos andavam sempre os quatro juntos: Mario Kanopa, que é professor e foi colocado perto da fronteira com a Holanda, Torsten Ziegner, Andy Meyer e Robert Enke, a quem os amigos chamavam Enkus, a quem os amigos continuam a chamar Enkus, pois para eles ele é ainda o mesmo de antigamente. Ainda assim, continua por fim Andy, enfrentando corajosamente o silêncio, sou ainda hoje da opinião de que, apesar de tudo, o Enkus era um miúdo com sorte. Robert cresceu entre dois paus da roupa. Os rapazes encontravam- -se à tarde no pátio interior e o jogo do prédio chamava -se por cima do pau. Um deles ficava à baliza, entre dois paus da roupa, levantava a bola por cima do pau que estava à frente, e do outro lado estavam os companheiros à espera da bola para a rematar na direção da baliza. Lobeda, a sua terra natal e a cidade dos trabants, é ainda hoje a primeira coisa que se vê quando se chega a Jena. Estava previsto que acolhesse pessoas, mais de um terço dos habitantes de Jena. Ficaram Entre os edifícios pré -fabricados de quinze andares nas avenidas comunistas, erguem -se nas ruas secundárias blocos mais pequenos, ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 19

6 não muito diferentes dos que encontramos em Frankfurt -Schwanheim ou Dortmund -Nordstadt. Enquanto os dois estados alemães recordavam permanentemente as suas diferenças, na década de 1980 a vida dos jovens entre estes blocos habitacionais não era muito diferente no leste e no ocidente. Os paus da roupa governavam o mundo de Jena -Lobeda a Frankfurt -Schwanheim. Segundo Andy Meyer, eles só tinham tido pela primeira vez noção dos problemas dos adultos após o colapso da RDA. Ou talvez tivessem sabido dos problemas quando eram crianças, tendo -os então achado entediantes e por isso ignorado: o facto de o pai de Andy não poder ser professor por não ser membro do partido, e o episódio de o pai de Robert, atleta de 400 metros com barreiras, ter abandonado no início da década de 1960 a alta competição porque recebia postais do irmão que fugira para o ocidente. Só interrompiam os jogos de futebol no pátio interior por motivos de força maior, ou seja, quando tinham de ir para os treinos de futebol. Andy Meyer, que vivia alguns prédios mais adiante, cedo tinha sido descoberto pelo grande clube da cidade, o FC Carl Zeiss. Ele tinha sete anos e estava habituado a ganhar sempre com o Carl Zeiss. Daí que Andy se recorde de uma derrota em particular. No acidentado campo Am Jenzig, no sopé do monte de Jena, o FC Carl Zeiss perdera 1-3 contra o SV Jenapharm. Os grandes clubes têm a tendência de não suportar semelhantes derrotas, mesmo nos escalões inferiores. Imediatamente após o jogo, Helmut Müller, o treinador do Carl Zeiss, foi ter com os pais do avançado do Jenapharm que marcara os três golos e disse -lhes que o filho deveria mudar -se imediatamente para o Carl Zeiss. O rapaz era Robert Enke. Em todas as biografias desportivas há aquele momento em que uns dizem foi por acaso, e outros dizem foi o destino. Com doze anos de idade, roubaram a Muhammad Ali a sua bicicleta Swinn, e o polícia que tomou nota da queixa aconselhou -o a tornar -se pugilista em vez de andar para ali a choramingar. Na equipa de infantis do FC Carl Zeiss Jena, na qual entretanto Robert Enke mostrava ser um atacante não mais que razoável, o pai de Thomas, o guarda -redes da equipa, foi colocado em Moscovo. A equipa precisou de um novo guarda -redes. O treinador 20

7 não fazia ideia de quem escolher, lembra Andy Meyer. Todos tiveram de experimentar à vez a posição. No meu caso o assunto foi rapidamente resolvido. O nosso miúdo defendeu duas bolas e tornou -se a partir desse momento o guarda -redes. Robert Enke (à esquerda) no Carnaval. Fazia tudo bem, sem que se apercebesse disso: saltava com força, agarrava a bola com os polegares afastados no momento de a captar, e tomava bem a decisão de sair a certos cruzamentos e de se deixar ficar entre os postes noutros. Descobriu um sentimento novo e fascinante. Quando voava e sentia nas mãos a pressão da bola rematada com força, conhecia então o sabor da felicidade. Ainda que, para dizer a verdade, ele passasse a maior parte do tempo sem fazer nada, recorda o seu pai. Nas equipas jovens, o Carl Zeiss era tão superior que o guarda -redes aborrecia -se. Mas isso era bom para ele. Esta recordação arranca um pequeno sorriso ao pai de Robert Enke, proporcionando alguns instantes sem dor. Assim não precisava de correr tanto. ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 21

8 Dirk Enke tem o mesmo sorriso que o filho. É um sorriso estranhamente lento, que se espalha pelo rosto, como se pretendesse retrair -se de forma elegante. Diz -nos que teve medo do momento de falar para a biografia de Robert, medo de que as lembranças se tornassem demasiado intensas. É por isso que, na sua moradia da Markplatz, com vista sobre os telhados de Jena, deixa primeiro que sejam os diapositivos a falar. Diz que alguém recentemente lhe ofereceu um projetor para ele poder rever os antigos diapositivos da infância de Robert, do tempo da RDA. As três crianças a acampar durante as férias no mar Báltico, Anja, Gunnar e Robert, sendo este último o benjamim da família, nascido nove anos depois da irmã e sete anos depois do irmão. Na verdade, só a partir do quarto filho é que na RDA uma família recebia autorização para colocar uma tenda, conta -nos o pai, embora houvesse coisas que num estado de vigilância pública não eram assim tão vigiadas. Nós simplesmente sempre dissemos que tínhamos quatro filhos, e ninguém ia lá conferir. O projetor avança e mostra agora Robert com a sua terceira avó. A Sra. Käthe era para ele a sua avó a sério. Era uma reformada que vivia perto deles, que muitas vezes ficava a tomar conta dele, e cuja proximidade ele ainda procurava quando já era adolescente. Quando era criança, dizia sempre: tenho uma avó gorda, uma avó magra e uma avó a sério. Os diapositivos acabam por chegar ao fim. Também a dada altura as imagens bonitas foram interrompidas na vida do miúdo sortudo. Robert tinha onze anos e regressava da escola à sua casa na Rua Liselotte Herrmann. O pai estava diante da porta de mala na mão. Onde é que vais, Paizinho? Dirk Enke não conseguiu responder. Encaminhou -se para o carro silenciosamente, com os olhos marejados de lágrimas. A mãe engoliu em seco. Zangámo -nos um bocadinho. O teu pai vai mudar -se para a cabana em Cospeda. O pai tinha uma nova mulher na sua vida. Durante semanas a fio, Robert perguntava todos os dias à mãe: Então como é que estás, Mãezinha? Gisela Enke conseguia ver na cara do rapaz o medo que ele tinha de ouvir uma resposta triste. Mas os pais não queriam acreditar que o casamento deles estava a caminhar para o fim. Continuaram a ver -se e, segundo a mãe, não 22

9 o fizemos apenas por causa das crianças. Estive com o Dirk durante trinta anos, pois tínhamo -nos conhecido na adolescência. No verão foram juntos de férias para o Lago Balaton. Do banco de trás, Robert disse em voz alta, ainda que casualmente, como se não estivesse a falar para ninguém em particular: Se isto der em reconciliação, havemos de ir sempre para o Balaton nas férias. Era mais uma expressão de esperança do que propriamente de felicidade. Surpreendentemente, a família voltou a ficar unida à conta de um grande acontecimento. A mudança de regime juntou -nos mais uma vez, diz a mãe de Robert. O ruído das manifestações de segunda -feira e a excitação das grandes mudanças que se avizinhavam resultaram na reunificação familiar antes de ter lugar a reunificação dos dois países. Dirk Enke voltou para casa e, para assinalar as bodas de prata, fizeram um passeio de bicicleta junto ao Reno, na zona de Koblenz. A família Enke fazia parte daqueles que saudaram a reunificação sem ceticismo. O pai sabia que grande parte da sua família estava do lado ocidental da fronteira. O meu sentimento foi: finalmente! Por altura da queda do muro, os rapazes que jogavam à bola nos paus da roupa tinham doze, treze anos. Foram a última geração a viver de forma consciente a existência dos dois estados alemães e a primeira a crescer no país reunificado. Andy Meyer ainda se consegue lembrar de como Robert e ele tiveram de marchar pela Avenida Löbdergraben, com a equipa juvenil do Carl Zeiss, numa parada em honra do Erich Honecker, o chefe de estado da RDA. E o que nós adorámos é que depois nos deram vales de ração para salsichas. Foi da mesma forma casual que se deram conta dos novos tempos. Simplesmente continuaram a brincar ao mesmo tempo que as mudanças ocorriam. Não fizeram intervalo para a reunificação. Para nós crianças não houve nenhuma mudança radical, diz Andy. Depois ri -se, ao recordar esses tempos. Os treinos de futebol continuaram. Em Lobeda, porém, o antigo sonho socialista de uma maior qualidade de vida via -se confrontado com um novo tipo de proletariado. As crianças tiveram de se habituar a isso. Turcos provenientes da Alemanha Ocidental vieram vender tapetes porta a porta, acreditando poder ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 23

10 enganar os alemães de leste no que à economia dos marcos dizia respeito. Jovens da cidade dos trabants começaram a agrupar -se em bandos e a autodenominar -se de extrema -direita. Não deixes ninguém entrar em casa, alertava a mãe ao seu filho, que frequentemente ficava sozinho em casa depois da escola, já que tanto o pai como a mãe trabalhavam, ela como professora de russo e de desporto e ele como psicoterapeuta na clínica da cidade. Quando tocaram à campainha, Robert abriu a porta cuidadosamente. Era o tio -avô Rudi, professor universitário de latim, que chegava de visita. Boa tarde. Os pais estão em casa? O jovem olhou para ele com uma expressão desconfiada. Estás a ver quem eu sou, não estás? Sou o tio Rudi. Isso qualquer um pode dizer, respondeu Robert, empurrando para fora o perplexo professor e fechando depois a porta com força. Numa outra ocasião, os rufias de extrema -direita fizeram -lhe uma espera no caminho de regresso da escola. Começaram a agarrá -lo e a empurrá -lo. Antes de lhe baterem, houve um deles que o reconheceu: Parem com isso; é o Robert Enke. Tinha doze anos e ao que parece era já conhecido por ser o guarda -redes. Deixaram -no ir. Mas o medo ficou. Desejou ter algo que o protegesse. Foi ter com a mãe para que esta lhe comprasse um blusão de cabedal. Desse modo, os rapazes de extrema -direita iriam confundi -lo com um deles e deixá -lo em paz. Primeiro fiquei desiludida por ele querer ceder -lhes, confessa a mãe. Mas depois pensei, está bem, se isso fizer com que ele deixe de ter medo. Mas ele também só usou o blusão duas semanas. Quando as primeiras desilusões começaram a sentir -se na nova Alemanha, a reunificação perdeu também, em 1994, o poder de preservar o casamento dos Enke. A família estava sentada na sala num certo domingo quando o pai tomou a iniciativa e anunciou: Tenho de vos dizer uma coisa. A mãe já sabia. A outra mulher nunca desaparecera da vida do marido. Eu e a vossa mãe vamo -nos separar. Vou sair de casa. 24

11 Robert saltou do sofá e saiu porta fora. Corre, Gunnar. Vai buscar o teu irmão!, pediu a mãe. Gunnar encontrou -o na rua. Robert recusava -se a falar. Ele não queria que as pessoas se dessem conta do que quer que fosse. Tinha -se habituado a guardar a tristeza para si. Para os três amigos, Robert parecia incansável como o sol de todos os dias. O Enkus atirava um copo de água e todos ficavam molhados menos ele. Era sempre assim, diz Andy. Num teste de biologia, a professora apanhou Robert a copiar. Teve negativa. Mas quando a pauta foi lançada, ele tinha um suficiente a biologia. Ele era reconhecidamente prestável, ponderado e um guarda -redes talentoso. Esta combinação comoveu claramente a professora. Robert sabia que conseguia fazer a escola sem grande esforço e não almejava mais que isso. Os amigos encontravam -se agora frequentemente no quarto de internato de Mario Kanopa e Torsten Ziegner. Os dois tinham vindo com catorze anos do campo para a academia desportiva, e os nomes dos seus clubes de aldeia soavam ainda a um mundo rural longe de Jena: Mario vinha do BSG Traktor Frauenpriessnitz e Torsten do BSG Mikroelektronik Neuhaus/Rennweg. Zangavam -se muitas vezes um com o outro no pequeno quarto de internato. Quando alguma coisa o incomodava, Torsten perdia logo as estribeiras. E era Mario quem desencadeava este carácter impulsivo. Robert dava -se muito bem com ambos. Sempre que estava presente, todos se davam bem. No átrio de entrada da academia desportiva começaram a aparecer cada vez mais artigos de jornal sobre eles. Em 1993, Robert Enke, Torsten Ziegner e Mario Kanopa viajaram com uma seleção da Turíngia para disputar o tradicional torneio juvenil de Duisburgo. A assistir estavam espiões dos clubes profissionais. É no torneio anual da escola de desporto de Wedau que, pela primeira vez, jovens de 15 anos despertam a atenção da cena futebolística como potenciais futuros profissionais. A seleção da Turíngia começou por achar graça àquilo que se ia passando em Duisburgo, e no fim rimo -nos bastante de tudo aquilo, recorda Torsten Ziegner. Cada jogo assemelhava -se ao anterior, numa absurda ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 25

12 repetição dos acontecimentos. Pareciam ser sempre a equipa inferior, mas nunca perderam. Era como se o Robert estivesse a jogar sozinho, recorda Torsten. Ia ficando cada vez maior. Defesa após defesa, parecia cada vez mais enorme aos olhos dos avançados que o encontravam pela frente. Robert atingiu o mais alto estado de espírito de um guarda- -redes, ou seja, sentir -se invadido por uma calma absoluta no meio de toda a tensão de um jogo. Os avançados rematam com toda a força, e o guarda -redes acredita que a bola é sua e só sua. Sente -se invadido por uma segurança omnipotente que o torna cada vez maior entre os postes. Os resultados do conjunto turíngio em Duisburgo foram 0-0, 0-0, 1-0 e 4-0. Ninguém lhes marcou um só golo que fosse. A equipa de juniores do CZ Jena numa viagem à Tunísia. Robert Enke é o segundo a contar da esquerda e o seu amigo Mario Kanopa o segundo a contar da direita. Nesse mesmo ano, o Carl Zeiss Jena atingiu a final do campeonato nacional de juvenis, um feito que nos 15 anos seguintes nenhum outro clube com semelhantes modestas possibilidades lograria imitar. O presidente do clube ofereceu à equipa uma coca -cola num bar chamado 26

13 Remate Descalço. Perderam a final por 5-1 contra o Borussia de Dortmund, mas até o jornal Frankfurter Allgemeine enviou um jornalista para fazer um artigo sobre o internato. A diretora do internato falou para a reportagem sobre os jogadores: não são especialmente disciplinados, comem tudo, aparecem sempre juntos como equipa e têm uma enorme autoconfiança. Mais tarde, os quatro amigos iriam percorrer todo o espectro daquilo que pode acontecer com um futebolista talentoso: Robert Enke tornar- -se -ia guarda -redes da seleção nacional alemã; Torsten tornar -se -ia um local hero, afirmando -se como capitão e médio criativo do Carl Zeiss na segunda e terceira divisões; Mario haveria de colocar um ponto final na sua carreira profissional com 22 anos de idade, na sequência de uma lesão grave, prosseguindo depois os estudos, sendo o balanço da sua carreia um jogo na segunda divisão e um golo. Por fim, aos quinze anos de idade, o Carl Zeiss haveria de dizer a Andy que, por mais que lhes custasse, o que ele tinha para oferecer já não chegava, passando ele de futuro apenas a jogar por prazer em equipas mais pequenas. Antes de tudo isto tinham sonhado juntos. Com quinze anos, Robert Enke, Torsten Ziegner e Mario Kanopa tinham jogado pela seleção alemã de juvenis contra a Inglaterra, no lendário estádio de Wembley. O jogo terminara 0-0 e o Daily Telegraph, o jornal preferido de Margaret Thatcher, noticiara: A vitória da Inglaterra foi evitada por uma combinação de defesas fantásticas e remates miseráveis. Era uma referência a Robert Enke. Robert estava deitado no chão, depois de ter voado para defender um potente remate de Stephen Clemence, e logo depois voou de novo para parar a recarga de Jay Curtis. Foi demasiado rápido para o público perceber de onde tinha vindo aquela luva a defender também o segundo remate. Tinha sido descoberto. Foi considerado o jovem futebolista alemão do mês e mereceu uma reportagem de página inteira na revista Kicker. A revista Stern dedicou -lhe um perfil num suplemento sobre jovens, retratando -o como protagonista da sua geração. Não penso muitas vezes sobre o mundo, disse Robert Enke à Stern, num comentário tipicamente adolescente, mas às vezes tenho a sensação de que se está a afundar. ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 27

14 Dirk Enke estava sentado na tribuna do estádio de Wembley, juntamente com outros pais de jogadores de seleção. Para o pai, o futebol era a linha de contacto com o filho. Desde que saíra de casa, procurava ir a todos os jogos. Observava os outros pais e via como muitos deles gritavam com os filhos quando estes faziam erros. E quando os miúdos conseguiam fazer alguma coisa, continuavam a gritar: chuta agora, passa a bola, mais rápido, chuta! Dirk Enke ficava sentado na bancada sem dizer nada, atento ao jogo. Para ele era assim que deveria agir. O Dirk era um óptimo pai, diz Gisela. Mas depois da separação a relação dele com os filhos tornou -se difícil. Pai e filho falavam depois do jogo. Boa defesa. Obrigado. Consegues sair muito bem à bola nos pontapés de canto. Quase não conseguia. A bola vinha com tanta força que as pontas dos dedos quase se dobraram. E o Torsten outra vez. Esse rapaz é louco! Já sabes como ele é. Já para o fim eu pensei: tu és maluco, Torsten? Um adversário vai a passar por ele e ele simplesmente derruba -o, atira -se de frente contra ele. E fez isso três vezes! Em teoria teria de ter levado três cartões vermelhos. Tenho de ir para o vestiário, Paizinho. Sorriam um para o outro na esforçada tentativa, típica de muitos pais e filhos, para garantir a proximidade por meio do desporto, de superar a incapacidade de conversar que entre eles existia. O Dirk e o Robert só muito raramente conversavam a sério, diz a mãe. Eu também não me sentia capaz de discutir na família, de dizer qualquer coisa de negativo. E penso que o Robert também não conseguia. Houve sempre na nossa família uma reserva polida. Ainda que por vezes lhe faltassem as palavras, o pai percebia bem o que se passava na família. Enquanto durante dias a mãe acreditou de boa -fé que o filho mais velho Gunnar se tinha esquecido da sua guitarra em casa de um amigo, o pai reparou que o filho andava esquisito, descobrindo depois que tinha vendido o instrumento. 28

15 Do mesmo modo, o pai também reconheceu a expressão de tensão no rosto de Robert quando ele teve de jogar pela primeira vez na equipa de juniores, com os rapazes de 18 anos. Ele só tinha 16. O treinador colocou -o no escalão superior para que ele pudesse ser posto realmente à prova, já que era demasiado bom para os da sua idade. Também na equipa júnior esteve irrepreensível, embora não lhe tenha ficado essa impressão. Para um miúdo de 16 anos, os rapazes de 18 são os crescidos. A maior parte dos guarda -redes de 16 anos que tem de jogar com os mais crescidos tem medo, uma vez que, em última instância, um guarda- -redes é sempre avaliado pelos seus erros. E como é possível não cometer qualquer erro quando os avançados adversários são tão fortes e grandes? Que diriam os grandes e fortes da sua equipa se ele falhasse? Sozinho com o pai depois do jogo, Robert chorava e dizia que não queria jogar mais na equipa júnior. Olha, Paizinho, tu não ficavas zangado comigo se eu desistisse do futebol, pois não?, perguntou o jovem Robert. Os amigos não conhecem este Robert. Nos escalões inferiores havia sempre uns malucos que gritavam com os mais fracos, e de certeza que o Enkus também foi alvo dessas coisas, conta Torsten. Mas era impossível deitá -lo abaixo. Pelo contrário. Nós nesse tempo tínhamos a impressão de que nada o desestabilizava. Com 17 anos ele tinha já uma postura soberana na baliza, algo que os outros só conseguem após dez anos de carreira profissional. Relativamente a esse jogo com a equipa de juniores, a mãe tem uma recordação bem diferente da do pai. Ainda me lembro de que ele se levantou da mesa depois do jantar e disse que tinha de sair para esclarecer uma coisa. Robert apanhou o elétrico para o estádio Ernst Abbe e disse a Ronald Prause, o treinador dos juniores, que queria voltar a jogar pelos juvenis. Ali estava um rapaz de 16 anos com confiança e encanto suficientes para dizer ao autoritário treinador aquilo que quer. Mas Dirk Enke é psicoterapeuta e tem uma opinião diferente. A mãe conta -nos que chegou a maldizer os psicólogos, quando durante uma visita dos cunhados, também eles psicólogos como Dirk, os três ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 29

16 começaram a querer explicar -me a minha personalidade. Mas o Dirk sempre teve um nariz para a coisa. Na sua casa de Marktplatz, o pai pousa a faca e o garfo na mesa e esfrega as palmas das mãos nas coxas. Depois diz: Nessa altura pus- -me a pensar: o que é que se passa? Será que tem problemas com os colegas de equipa? Não. Rapidamente percebi que alguma coisa se passara dentro dele. Era o medo de falhar que o apoquentava, a ideia de que: se não sou o melhor, então sou o pior. Deve ter sido nessa altura, na equipa de juniores, que começou o tormento dele. Não fora porém apenas um momento isolado, um breve instante de medo, algo que acontece centenas de vezes com os jovens guarda -redes? Sim, só que a alma recorda sempre estas experiências -limite. Com 17 anos de idade, ainda na escola e com uma autorização especial da Federação Alemã de Futebol, Robert Enke assinou um contrato com o Carl Zeiss Jena para jogar na segunda divisão. Os pais acompanharam -no à sede do clube, onde eram esperados pelo diretor Ernst Schmidt e pelo treinador Hans Meyer. O seu jeito especial de dominar imediatamente uma conversa com os seus cómicos pontos de vista haveria mais tarde de transformar Meyer num entertainer do campeonato alemão. Uma vez no escritório do clube, pôs -se logo a contar coisas ao jovem de 17 anos acerca do mítico guarda -redes do Jena da década de Harald Fritzsche esteve aqui mais de dez anos e não teve culpa num só golo, contou Meyer. Pelo menos era o que ele dizia quando lhe perguntavam. O pai de Robert ouvia atentamente. Conheceria Meyer o modo agonizante como o jovem se autorrecriminava pelos erros cometidos? Estaria a querer dizer -lhe para não levar aquilo demasiado a sério? Robert Enke dividia agora a sua vida. Tinha aulas individuais na escola de modo a poder treinar de manhã com a equipa, na qualidade de guarda -redes suplente. Era agora atleta profissional, com toda a seriedade e exigência que a profissão implicava. E ao mesmo tempo, começava aos domingos, na estação de comboios de Jena, uma vida despreocupada com Teresa. Dormiam num colchão na sala da casa da mãe, alegando que tinham 30

17 de estudar para o exame final do liceu. Por vezes saíam à noite e Robert era capaz de beber uma cerveja com limão. Eu dançava em cima das mesas, conta Teresa, o que provavelmente não deve ser tomado à letra. Ainda assim ele sentia que ela conseguia exteriorizar melhor a alegria de viver. Teresa conseguia exprimir tudo com facilidade: a afabilidade, a curiosidade, a capacidade de tomar decisões. Robert acreditava que ela era muito mais forte do que ele. Nunca aprendi a divertir -me como tu, dizia -lhe, como se tivesse de se defender. Ela gostava precisamente do seu charme gentil e reservado. Ele tinha um rosto de infindável ternura. Teresa tinha crescido com dois irmãos mais velhos numa aldeia da Francónia e o pai tinha transmitido a todos os filhos a sua paixão pelo pentatlo moderno, que é constituído pelas modalidades de natação, esgrima, hipismo, tiro e corrida. Em casa, no quarto dos brinquedos, Teresa e o irmão disparavam secretamente a pistola de pressão de ar contra bonecos Playmobil. Viste? Se lhes acertas no peito, eles partem- -se em mil bocados, dizia -lhe o irmão, orgulhoso da descoberta. Oficialmente, foi por causa do desporto que Teresa veio para Jena estudar. O que ela não podia dizer era que tinha sido também para fugir do sistema educativo bávaro, com o seu maldito latim. Não vistas roupa de marca, para não pareceres uma ocidental com a mania que é boa, aconselharam -na os amigos. E depois vi no primeiro dia de aulas que toda a gente vestia roupa de marca, recorda Teresa. Os opostos este e oeste, que naquele tempo toda a gente gostava de identificar, não significavam nada para ela. Eram apenas um possível pretexto para rirem juntos. Quando Robert foi passar a noite de Natal a casa da família de Teresa, mostrou algumas lacunas relativamente à história da Natividade, à conta da educação ateísta que recebera na RDA: José era quem, afinal? Teresa interessava -se pouco pela sua carreira de futebolista. Para ela o futebol era sinónimo de frustrantes noites de sábado, quando eu estava em casa e queria ver a série Beverly Hills 90210, e não podia porque os meus irmãos tomavam de assalto a televisão por causa das emissões desportivas. ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 31

18 Também foi por isso que ele quase não lhe falava dos seus primeiros jogos como profissional, até ela muito mais tarde começar a fazer perguntas. Ele achava que falar daquilo por iniciativa própria era estar a gabar -se. O Carls Zeiss Jena portou -se consideravelmente bem na primeira volta da época 1995/96. No meio -campo, destacava -se por vezes pela sua elegância um jovem de 21 anos de nome Bernd Schneider, que mais tarde haveria de ser considerado o melhor futebolista alemão do ponto de vista técnico. A equipa tinha -se fixado na primeira metade da tabela classificativa, quando no Outono sofreu duas derrotas pesadas seguidas: 4-1 em Duisburgo e 0-4 contra o Bochum. O guarda -redes Mario Neumann já tinha vivido melhores dias. No dia 11 de Novembro de 1995 o Carl Zeiss jogava fora contra o Hannover. Costuma dizer -se que os bons guarda -redes precisam acima de tudo de experiência, e Robert Enke tinha 18 anos de idade. O treinador Eberhard Vogel escolheu -o pela primeira vez para jogar à baliza de início. O mais impressionante foi o estádio estar quase vazio. Os adeptos estavam dispersos num estádio com capacidade para Os singulares postes de iluminação faziam -se notar ainda mais, como escovas de dentes gigantes apontadas para o céu. Era como se fosse no tempo em que o futebol ainda não se tinha tornado um acontecimento público, uma festa para o povo. O jogo decorria e Robert Enke esperava. A luta disputava -se a meio -campo, mas ele mantinha -se concentrado, já que de um momento para o outro o adversário poderia aparecer na sua grande -área. Estava já meia hora decorrida quando, de repente, o jogador do Hannover Reinhold Daschner cabeceou para a baliza. Até mesmo um estádio quase vazio se conseguiu fazer ouvir. Robert Enke estava lá, no sítio onde a bola foi cair, e agarrou -a com segurança. Não tinham passado sequer dois minutos depois da sua primeira ação digna de nota e Robert Enke sofreu o primeiro golo da sua carreira profissional. O jornal Ostthüringer Zeitung usou de palavras muito pouco comuns para vir em sua defesa: Robert Enke não teve 32

19 qualquer influência no 1-0 para o Hannover, mas sim o defesa do Jena Dejan Raickovic. Robert continuou a fazer as pequenas coisas que cabem a um guarda -redes, como neutralizar cantos e bater pontapés de baliza para o sítio certo. Conseguiu ainda por uma vez arrancar uma reação ao estádio, ao deter um remate de Kreso Kovacec. O resultado final foi um empate a uma bola, num jogo que os espectadores começavam já a esquecer à medida que iam abandonando o estádio. O jovem e feliz guarda -redes apanhou ainda um susto no acesso para as cabinas. Sentiu o teto de plexiglas do túnel troar por cima dele. Era o pai que, suspenso da vedação da tribuna, batia orgulhosamente no teto do acesso dos jogadores para lhe dizer: bravo, rapaz! É claro que ele iria continuar a ser o guarda -redes da equipa. No sábado seguinte, a mãe tinha ido passear para as montanhas em redor de Jena com uma amiga e trazia o rádio ligado. Fiquei maldisposta, recorda Gisela Enke. O comentador relatava: O Lübeck ataca pelo flanco direito, cruzamento de Behnert, Enke sai à bola, agarra -a e deixa -a escapar por entre as mãos! Golo do Lübeck! Um erro crasso do guarda -redes! Era em momentos como este que Andy Meyer via confirmada a sua opinião de que Enkus era um rapaz sortudo, já que mesmo quando ele errava, o que em todo caso quase nunca acontecia, a sua equipa ganhava e nunca mais ninguém falava sobre o erro do guarda -redes. O Jena venceu o Lübeck por 3-1. Se Robert fizesse um esforço, conseguia perceber o que Andy queria dizer: o erro dele tinha sido insignificante. Mas mais tarde, passados muitos anos, confessou como realmente encarava esses erros, como jovem guarda -redes que era: Eu não conseguia perdoar a mim próprio um erro cometido. Os colegas diziam que não tinha importância, o treinador dizia que aquilo acontecia a todos, que a vida continuava no sábado seguinte e que ele naturalmente continuaria na baliza, só que eu fiquei a semana inteira a rever o erro mentalmente, sem conseguir tirá -lo da cabeça. ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 33

20 Robert Enke, guarda -redes do CZ Jena, atuando no campeonato alemão de juvenis. Faltou à escola toda a semana seguinte, com a desculpa de que estava doente. Esse é o tormento dos guarda -redes: a insuportável exigência que impõem a si próprios de não cometer um erro que seja. Nenhum guarda -redes consegue esquecer um erro cometido, mas tem de conseguir ultrapassá -lo. Caso contrário, chega o jogo seguinte e abate- -se sobre ele. O Carl Zeiss tinha de se deslocar a Leipzig para jogar o dérbi. Na tribuna, o pai de Robert encontrou uma conhecida dos antigos tempos de atletismo e os dois sentaram -se lado a lado. Ela torcia pelo Leipzig, mas no terceiro minuto de jogo até ela gritou em tom de comiseração: Oh não! Robert tinha deixado passar debaixo do corpo um remate de vinte metros, com pouco efeito e nem sequer muita força. É nestes momentos que um guarda -redes deve agir como se nada se tivesse passado. 34

21 Aos 34 minutos de jogo, o avançado do Leipzig, Ronny Kujat, isolou -se. É em alturas como essa que o jogo parece desenrolar -se em câmara lenta. O guarda -redes regista cada movimento de pés do avançado e o público fica especado, de boca aberta. O guarda -redes espera pelo avançado, pregado ao chão. Não deve mexer -se. Quem agora fizer o primeiro movimento (Robert, a mão, e o avançado, o pé) perderá provavelmente o embate, já que o outro pode perceber a sua manobra. Kujat rematou e Robert voou para a bola, defendendo -a. Foi a melhor defesa da sua ainda curta carreira, mas ele não desfrutou disso. Desesperado, pediu ao treinador ao intervalo que o substituísse. Há sempre uma altura em que isso acontece, diz o pai de Robert. Mas isso é coisa que um profissional não faz. Um profissional não conhece qualquer fraqueza. Durante o intervalo em Leipzig, o treinador Eberhard Vogel respondeu a Robert Enke para ele deixar de dizer disparates e manteve -o na equipa até ao apito final. Depois disso nunca mais o pôs à baliza. A mãe reparou que ele já mal falava em casa e que depois de comer ia fechar -se no quarto. Mas isso era algo que eu também já conhecia do Dirk, depois de uma prova de estafetas lhe correr mal. Passada uma semana, Robert Enke recuperou timidamente o sorriso e dirigiu -se à estação de comboios. Ele nessa altura não pensou nisso, não viu qualquer relação, mas nos seis meses seguintes, durante os quais voltara a ser o jovem guarda -redes suplente de quem ninguém esperava nada, Robert recuperou a alegria e o equilíbrio. Pensava que era seguramente por influência de Teresa. O treinador comentara publicamente o incidente de Leipzig. O miúdo tem falta de confiança. Queria que eu o tirasse ao intervalo. Mas as coisas não são assim tão simples, afirmou Vogel aos jornalistas desportivos imediatamente após o jogo. Dez anos mais tarde, isso de cometer um erro de principiante e implorar para abandonar o jogo ao intervalo poderia significar o fim de carreira para um guarda -redes. A notícia circulara na Internet, e fora difundida nos programas de desporto das televisões alemãs e em inúmeros outros meios de comunicação que gostam de dar importância a jogos da segunda divisão. ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 35

22 Na cena futebolística sedenta de escândalos ter -se -ia cimentado em relação a Robert a reputação de jogador instável, mas no Ostthüringer Zeitung a história foi relegada para uma notícia secundária de dezasseis linhas. Os clubes da primeira divisão que haviam reparado nele à conta das suas notáveis exibições nos jogos regionais das camadas jovens continuaram a interessar -se por ele. Nos anos anteriores, alguns desses clubes tinham contactado os pais de Robert, entre eles um senhor do Bayer Leverkusen que se anunciara como sendo Reiner Calmund e depois, sem ponto nem vírgula, desbobinara dez frases em quarenta segundos. Quem deixou melhor impressão foram os emissários do Borussia Mönchengladbach, uma vez que, ao contrário do Leverkusen ou do Estugarda, o clube enviara não só o diretor desportivo mas também o treinador de guarda -redes. Os pais tinham -no proibido de sair para outro clube antes de acabar o liceu, mas agora aproximava -se o verão de 1996 e com ele o fim dos tempos de escola. Teresa pôs -se a pensar em voz alta para que universidade poderiam ir os dois juntos estudar. Pensava em estudar para ser professora ou matricular -se em medicina veterinária. Que pensas de Würzburg? Mas eu vou continuar a jogar futebol. Então mas isso é assim tão importante? Pronto, está bem. De certeza que Würzburg também tem uma equipa. Não estás a perceber. Eu vou seguir uma carreira profissional. Tenho algumas propostas. Então? O salário que oferecem não é dos piores. Em Mönchengladbach poderia ganhar marcos por mês. Teresa pensou para si própria que tinha soado um tudo -nada ingénua, graças à sua ignorância em matéria de futebol. Poucos dias depois de Robert e o pai se terem encontrado pela primeira vez em Mönchengladbach com os responsáveis do Borussia, tocou o telefone de Dirk Enke. Era Norbert Pflippen, agente de jogadores como Günter Netzer, Lothar Matthäus, Stefan Effenberg e Mehmet Scholl. Posso ajudar o seu filho. 36

23 Habitualmente, um agente desportivo firma um contrato com um jogador e depois encarrega -se de lhe procurar um clube. Mas antigamente as coisas eram muitas vezes bastante mais cómodas para os poucos agentes que dominavam o mercado. Através de informadores que tinham nos clubes da primeira divisão, ficavam a saber sempre que um clube queria contratar um jovem jogador que ainda não tivesse agente, e depois iam oferecer -se ao jogador. Era assim que as coisas se faziam com Norbert Pflippen e o Borussia de Mönchengladbach nas décadas de 1980 e Pflippen, também conhecido por Flippi, tinha um ponto forte a seu favor: tinha sido o primeiro a aparecer no negócio. Durante décadas teve a reputação de ser um dos melhores. Flippi visitou a família Enke em Jena. Era um homem de braços carnudos e pouco polido, cheio de histórias de como tinha levado o Günter para o Real Madrid e o Lothar para o Inter de Milão. Naquela altura quase nenhum jovem jogador tinha um agente, e ali estava aquele homem a oferecer -se a Robert Enke, saído das mais altas esferas do futebol. E era bem simpático, o Flippi, naquele seu jeito bem -humorado. Ignoraram o facto de que por vezes ele podia ser um pouco rude. Se chegarmos a acordo, murmurou ele para o pai de Robert, ofereço -lhe um telefone com faxe incorporado. Depois virou -se para Robert: E tu recebes um carro. Ainda antes da prova oral de geografia para a conclusão do liceu, cujo tema era rochas, Robert Enke assinou em Maio de 1996 um contrato de três anos com o clube da primeira divisão Borussia Mönchengladbach, contrato esse que lhe havia sido apresentado pelo seu agente Norbert Pflippen. Pouco tempo antes, na autoestrada A2 perto de Dortmund, em direção ao leste do país, o motor de um pequeno Peugeot tinha gripado. Tinha começado a sair fumo de debaixo da capota. O serviço de assistência em viagem da família Enke disse que esta tinha corrido perigo de vida ao viajar com um veículo naquelas condições, já sem óleo e sem refrigerante, e com as válvulas entupidas. Torsten Ziegner e Mario Kanopa estavam também no veículo, de regresso de um jogo de juniores em Bocholt. ROBERT ENKE UMA VIDA CURTA DEMAIS :: RONALD RENG 37

24 Flippi disse que não podia fazer nada quanto ao facto de o carro usado que ele havia comprado a Robert Enke se encontrar naquele estado. 38

Tendo isso em conta, o Bruno nunca esqueceu que essa era a vontade do meu pai e por isso também queria a nossa participação neste projecto.

Tendo isso em conta, o Bruno nunca esqueceu que essa era a vontade do meu pai e por isso também queria a nossa participação neste projecto. Boa tarde a todos, para quem não me conhece sou o Ricardo Aragão Pinto, e serei o Presidente do Concelho Fiscal desta nobre Fundação. Antes de mais, queria agradecer a todos por terem vindo. É uma honra

Leia mais

O céu. Aquela semana tinha sido uma trabalheira! www.interaulaclube.com.br

O céu. Aquela semana tinha sido uma trabalheira! www.interaulaclube.com.br A U A UL LA O céu Atenção Aquela semana tinha sido uma trabalheira! Na gráfica em que Júlio ganhava a vida como encadernador, as coisas iam bem e nunca faltava serviço. Ele gostava do trabalho, mas ficava

Leia mais

JOSÉ DE SOUZA CASTRO 1

JOSÉ DE SOUZA CASTRO 1 1 JOSÉ DE SOUZA CASTRO 1 ENTREGADOR DE CARGAS 32 ANOS DE TRABALHO Transportadora Fácil Idade: 53 anos, nascido em Quixadá, Ceará Esposa: Raimunda Cruz de Castro Filhos: Marcílio, Liana e Luciana Durante

Leia mais

Palavras do autor. Escrever para jovens é uma grande alegria e, por que não dizer, uma gostosa aventura.

Palavras do autor. Escrever para jovens é uma grande alegria e, por que não dizer, uma gostosa aventura. Palavras do autor Escrever para jovens é uma grande alegria e, por que não dizer, uma gostosa aventura. Durante três anos, tornei-me um leitor voraz de histórias juvenis da literatura nacional, mergulhei

Leia mais

A.C. Ilustrações jordana germano

A.C. Ilustrações jordana germano A.C. Ilustrações jordana germano 2013, O autor 2013, Instituto Elo Projeto gráfico, capa, ilustração e diagramação: Jordana Germano C736 Quero-porque-quero!! Autor: Alexandre Compart. Belo Horizonte: Instituto

Leia mais

OS AMIGOS NÃO SE COMPRAM

OS AMIGOS NÃO SE COMPRAM OS AMIGOS NÃO SE COMPRAM Era o dia 22 de dezembro. O Natal aproximava-se e o Pai Natal estava muito atarefado a preparar os sacos com os brinquedos. Muito longe dali, em Portugal, um menino chamado João

Leia mais

Roteiro para curta-metragem. Aparecida dos Santos Gomes 6º ano Escola Municipalizada Paineira NÃO ERA ASSIM

Roteiro para curta-metragem. Aparecida dos Santos Gomes 6º ano Escola Municipalizada Paineira NÃO ERA ASSIM Roteiro para curta-metragem Aparecida dos Santos Gomes 6º ano Escola Municipalizada Paineira NÃO ERA ASSIM SINOPSE José é viciado em drogas tornando sua mãe infeliz. O vício torna José violento, até que

Leia mais

BOLA NA CESTA. Roteiro para curta-metragem de Marcele Linhares

BOLA NA CESTA. Roteiro para curta-metragem de Marcele Linhares BOLA NA CESTA Roteiro para curta-metragem de Marcele Linhares 25/04/2012 SINOPSE Essa é a história de Marlon Almeida. Um adolescente que tem um pai envolvido com a criminalidade. Sua salvação está no esporte.

Leia mais

Transcriça o da Entrevista

Transcriça o da Entrevista Transcriça o da Entrevista Entrevistadora: Valéria de Assumpção Silva Entrevistada: Ex praticante Clarice Local: Núcleo de Arte Grécia Data: 08.10.2013 Horário: 14h Duração da entrevista: 1h COR PRETA

Leia mais

Mostra Cultural 2015

Mostra Cultural 2015 Mostra Cultural 2015 Colégio Marista João Paulo II Eu e as redes sociais #embuscadealgumascurtidas Uma reflexão sobre a legitimação do eu através das redes sociais. Iago Faria e Julio César V. Autores:

Leia mais

Não é o outro que nos

Não é o outro que nos 16º Plano de aula 1-Citação as semana: Não é o outro que nos decepciona, nós que nos decepcionamos por esperar alguma coisa do outro. 2-Meditação da semana: Floresta 3-História da semana: O piquenique

Leia mais

Áustria Viena. Foi uma grande surpresa o facto de todos os alunos andarem descalços ou de pantufas.

Áustria Viena. Foi uma grande surpresa o facto de todos os alunos andarem descalços ou de pantufas. Áustria Viena Foi uma grande surpresa o facto de todos os alunos andarem descalços ou de pantufas. Apenas fui assistir a uma aula, que acabou por não ser dada devido à presença dos alunos estrangeiros

Leia mais

Sou Helena Maria Ferreira de Morais Gusmão, Cliente NOS C827261492, Contribuinte Nr.102 297 878 e venho reclamar o seguinte:

Sou Helena Maria Ferreira de Morais Gusmão, Cliente NOS C827261492, Contribuinte Nr.102 297 878 e venho reclamar o seguinte: Exmos. Senhores. Sou Helena Maria Ferreira de Morais Gusmão, Cliente NOS C827261492, Contribuinte Nr.102 297 878 e venho reclamar o seguinte: Sou cliente desde a época da TVTel nunca, até hoje, mudei de

Leia mais

Quem tem medo da Fada Azul?

Quem tem medo da Fada Azul? Quem tem medo da Fada Azul? Lino de Albergaria Quem tem medo da Fada Azul? Ilustrações de Andréa Vilela 1ª Edição POD Petrópolis KBR 2015 Edição de Texto Noga Sklar Ilustrações Andréa Vilela Capa KBR

Leia mais

Os encontros de Jesus. sede de Deus

Os encontros de Jesus. sede de Deus Os encontros de Jesus 1 Jo 4 sede de Deus 5 Ele chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, que ficava perto das terras que Jacó tinha dado ao seu filho José. 6 Ali ficava o poço de Jacó. Era mais ou

Leia mais

Ficha Técnica: Design e Impressão Mediana Global Communication

Ficha Técnica: Design e Impressão Mediana Global Communication Uma Cidade para Todos Ficha Técnica: Design e Impressão Mediana Global Communication Colaboração Nuno Oliveira, coordenador do Serviço de Psicologia do 1º ciclo do Ensino Básico da EMEC - Empresa Municipal

Leia mais

Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele

Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele O Plantador e as Sementes Era uma vez, numa cidade muito distante, um plantador chamado Pedro. Ele sabia plantar de tudo: plantava árvores frutíferas, plantava flores, plantava legumes... ele plantava

Leia mais

Em algum lugar de mim

Em algum lugar de mim Em algum lugar de mim (Drama em ato único) Autor: Mailson Soares A - Eu vi um homem... C - Homem? Que homem? A - Um viajante... C - Ele te viu? A - Não, ia muito longe! B - Do que vocês estão falando?

Leia mais

Oração. u m a c o n v e r s a d a a l m a

Oração. u m a c o n v e r s a d a a l m a Oração u m a c o n v e r s a d a a l m a 11 12 O Evangelho relata que por diversas vezes, quando ninguém mais estava precisando de alguma ajuda ou conselho, Jesus se ausentava para ficar sozinho. Natural

Leia mais

Anexo 2.1 - Entrevista G1.1

Anexo 2.1 - Entrevista G1.1 Entrevista G1.1 Entrevistado: E1.1 Idade: Sexo: País de origem: Tempo de permanência 51 anos Masculino Cabo-verde 40 anos em Portugal: Escolaridade: Imigrações prévias : São Tomé (aos 11 anos) Língua materna:

Leia mais

Jesus contou aos seus discípulos esta parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar.

Jesus contou aos seus discípulos esta parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar. Lc 18.1-8 Jesus contou aos seus discípulos esta parábola, para mostrar-lhes que eles deviam orar sempre e nunca desanimar. Ele disse: "Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem se importava

Leia mais

Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a

Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a João do Medo Era uma vez um menino muito pobre chamado João, que vivia com o papai e a mamãe dele. Um dia, esse menino teve um sonho ruim com um monstro bem feio e, quando ele acordou, não encontrou mais

Leia mais

Quem te fala mal de. 10º Plano de aula. 1-Citação as semana: Quem te fala mal de outra pessoa, falará mal de ti também." 2-Meditação da semana:

Quem te fala mal de. 10º Plano de aula. 1-Citação as semana: Quem te fala mal de outra pessoa, falará mal de ti também. 2-Meditação da semana: 10º Plano de aula 1-Citação as semana: Quem te fala mal de outra pessoa, falará mal de ti também." Provérbio Turco 2-Meditação da semana: Mestre conselheiro- 6:14 3-História da semana: AS três peneiras

Leia mais

O que procuramos está sempre à nossa espera, à porta do acreditar. Não compreendemos muitos aspectos fundamentais do amor.

O que procuramos está sempre à nossa espera, à porta do acreditar. Não compreendemos muitos aspectos fundamentais do amor. Capítulo 2 Ela representa um desafio. O simbolismo existe nas imagens coloridas. As pessoas apaixonam-se e desapaixonam-se. Vão onde os corações se abrem. É previsível. Mereces um lugar no meu baloiço.

Leia mais

Três Marias Teatro. Noite (Peça Curta) Autor: Harold Pinter

Três Marias Teatro. Noite (Peça Curta) Autor: Harold Pinter Distribuição digital, não-comercial. 1 Três Marias Teatro Noite (Peça Curta) Autor: Harold Pinter O uso comercial desta obra está sujeito a direitos autorais. Verifique com os detentores dos direitos da

Leia mais

A DIVERSIDADE NA ESCOLA

A DIVERSIDADE NA ESCOLA Tema: A ESCOLA APRENDENDO COM AS DIFERENÇAS. A DIVERSIDADE NA ESCOLA Quando entrei numa escola, na 1ª série, aos 6 anos, tinha uma alegria verdadeira com a visão perfeita, não sabia ler nem escrever, mas

Leia mais

Agrupamento de Escolas Pioneiras da Aviação Portuguesa EB1/JI Vasco Martins Rebolo

Agrupamento de Escolas Pioneiras da Aviação Portuguesa EB1/JI Vasco Martins Rebolo Era uma vez a família Rebolo, muito simpática e feliz que vivia na Amadora. Essa família era constituída por quatro pessoas, os pais Miguel e Natália e os seus dois filhos Diana e Nuno. Estávamos nas férias

Leia mais

DANIEL EM BABILÔNIA Lição 69. 1. Objetivos: Ensinar que devemos cuidar de nossos corpos e recusar coisas que podem prejudicar nossos corpos

DANIEL EM BABILÔNIA Lição 69. 1. Objetivos: Ensinar que devemos cuidar de nossos corpos e recusar coisas que podem prejudicar nossos corpos DANIEL EM BABILÔNIA Lição 69 1 1. Objetivos: Ensinar que devemos cuidar de nossos corpos e recusar coisas que podem prejudicar nossos corpos 2. Lição Bíblica: Daniel 1-2 (Base bíblica para a história e

Leia mais

SAMUEL, O PROFETA Lição 54. 1. Objetivos: Ensinar que Deus quer que nós falemos a verdade, mesmo quando não é fácil.

SAMUEL, O PROFETA Lição 54. 1. Objetivos: Ensinar que Deus quer que nós falemos a verdade, mesmo quando não é fácil. SAMUEL, O PROFETA Lição 54 1 1. Objetivos: Ensinar que Deus quer que nós falemos a verdade, mesmo quando não é fácil. 2. Lição Bíblica: 1 Samuel 1 a 3 (Base bíblica para a história o professor) Versículo

Leia mais

RECUPERAÇÃO DE IMAGEM

RECUPERAÇÃO DE IMAGEM RECUPERAÇÃO DE IMAGEM Quero que saibam que os dias que se seguiram não foram fáceis para mim. Porém, quando tornei a sair consciente, expus ao professor tudo o que estava acontecendo comigo, e como eu

Leia mais

MALDITO. de Kelly Furlanetto Soares. Peça escritadurante a Oficina Regular do Núcleo de Dramaturgia SESI PR.Teatro Guaíra, no ano de 2012.

MALDITO. de Kelly Furlanetto Soares. Peça escritadurante a Oficina Regular do Núcleo de Dramaturgia SESI PR.Teatro Guaíra, no ano de 2012. MALDITO de Kelly Furlanetto Soares Peça escritadurante a Oficina Regular do Núcleo de Dramaturgia SESI PR.Teatro Guaíra, no ano de 2012. 1 Em uma praça ao lado de uma universidade está sentado um pai a

Leia mais

O passageiro. 1.Edição. Edição do Autor

O passageiro. 1.Edição. Edição do Autor 1 1.Edição Edição do Autor 2012 2 3 Jonas de Paula Introdução Esse conto relata um mal entendido que poderia acontecer com qualquer pessoa em qualquer lugar, tem haver com a questão da globalização e seu

Leia mais

Mostrei minha obra-prima à gente grande, perguntando se meu desenho lhes dava medo.

Mostrei minha obra-prima à gente grande, perguntando se meu desenho lhes dava medo. I Uma vez, quando eu tinha seis anos, vi uma figura magnífica num livro sobre a floresta virgem, chamado Histórias vividas. Representava uma jiboia engolindo uma fera. Esta é a cópia do desenho. O livro

Leia mais

Luís Norberto Pascoal

Luís Norberto Pascoal Viver com felicidade é sucesso com harmonia e humildade. Luís Norberto Pascoal Agradecemos aos parceiros que investem em nosso projeto. ISBN 978-85-7694-131-6 9 788576 941316 Era uma vez um pássaro que

Leia mais

PREGAÇÃO DO DIA 08 DE MARÇO DE 2014 TEMA: JESUS LANÇA SEU OLHAR SOBRE NÓS PASSAGEM BASE: LUCAS 22:61-62

PREGAÇÃO DO DIA 08 DE MARÇO DE 2014 TEMA: JESUS LANÇA SEU OLHAR SOBRE NÓS PASSAGEM BASE: LUCAS 22:61-62 PREGAÇÃO DO DIA 08 DE MARÇO DE 2014 TEMA: JESUS LANÇA SEU OLHAR SOBRE NÓS PASSAGEM BASE: LUCAS 22:61-62 E, virando- se o Senhor, olhou para Pedro, e Pedro lembrou- se da palavra do Senhor, como lhe havia

Leia mais

Dedico este livro a todas as MMM S* da minha vida. Eu ainda tenho a minha, e é a MMM. Amo-te Mãe!

Dedico este livro a todas as MMM S* da minha vida. Eu ainda tenho a minha, e é a MMM. Amo-te Mãe! Dedico este livro a todas as MMM S* da minha vida. Eu ainda tenho a minha, e é a MMM. Amo-te Mãe! *MELHOR MÃE DO MUNDO Coaching para Mães Disponíveis, www.emotionalcoaching.pt 1 Nota da Autora Olá, Coaching

Leia mais

MELHORES MOMENTOS. Expressão de Louvor Paulo Cezar

MELHORES MOMENTOS. Expressão de Louvor Paulo Cezar MELHORES MOMENTOS Expressão de Louvor Acordar bem cedo e ver o dia a nascer e o mato, molhado, anunciando o cuidado. Sob o brilho intenso como espelho a reluzir. Desvendando o mais profundo abismo, minha

Leia mais

Apresentação. Olá! O meu nome é Paulo Rebelo e sou apostador profissional.

Apresentação. Olá! O meu nome é Paulo Rebelo e sou apostador profissional. Apresentação Olá! O meu nome é Paulo Rebelo e sou apostador profissional. Ao longo dos últimos anos, tem aumentado o interesse em redor das apostas. A imprensa tem-se interessado pelo meu trabalho pelo

Leia mais

Produtividade e qualidade de vida - Cresça 10x mais rápido

Produtividade e qualidade de vida - Cresça 10x mais rápido Produtividade e qualidade de vida - Cresça 10x mais rápido Você já pensou alguma vez que é possível crescer 10 vezes em várias áreas de sua vida e ainda por cima melhorar consideravelmente sua qualidade

Leia mais

Para onde vou Senhor?

Para onde vou Senhor? Para onde vou Senhor? Ex 40:33-38 "Levantou também o pátio ao redor do tabernáculo e do altar e pendurou a coberta da porta do pátio. Assim, Moisés acabou a obra. Então a nuvem cobriu a tenda da congregação,

Leia mais

12/02/2010. Presidência da República Secretaria de Imprensa Discurso do Presidente da República

12/02/2010. Presidência da República Secretaria de Imprensa Discurso do Presidente da República , Luiz Inácio Lula da Silva, na cerimônia de inauguração da Escola Municipal Jornalista Jaime Câmara e alusiva à visita às unidades habitacionais do PAC - Pró-Moradia no Jardim do Cerrado e Jardim Mundo

Leia mais

Chantilly, 17 de outubro de 2020.

Chantilly, 17 de outubro de 2020. Chantilly, 17 de outubro de 2020. Capítulo 1. Há algo de errado acontecendo nos arredores dessa pequena cidade francesa. Avilly foi completamente afetada. É estranho descrever a situação, pois não encontro

Leia mais

[Pequenas interrompem, imperceptível]

[Pequenas interrompem, imperceptível] E- A ideia é: vou-vos fazer algumas perguntas e vocês respondem consoante aquilo que quiserem dizer. E a ideia do grupo de discussão não é vocês desatarem todos à porrada mas é se vocês ah sei lá por exemplo

Leia mais

este ano está igualzinho ao ano passado! viu? eu não falei pra você? o quê? foi você que jogou esta bola de neve em mim?

este ano está igualzinho ao ano passado! viu? eu não falei pra você? o quê? foi você que jogou esta bola de neve em mim? viu? eu não falei pra você? o quê? este ano está igualzinho ao ano passado! foi você que jogou esta bola de neve em mim? puxa, acho que não... essa não está parecendo uma das minhas... eu costumo comprimir

Leia mais

Afonso levantou-se de um salto, correu para a casa de banho, abriu a tampa da sanita e vomitou mais uma vez. Posso ajudar? perguntou a Maria,

Afonso levantou-se de um salto, correu para a casa de banho, abriu a tampa da sanita e vomitou mais uma vez. Posso ajudar? perguntou a Maria, O Afonso levantou-se de um salto, correu para a casa de banho, abriu a tampa da sanita e vomitou mais uma vez. Posso ajudar? perguntou a Maria, preocupada, pois nunca tinha visto o primo assim tão mal

Leia mais

Um planeta. chamado Albinum

Um planeta. chamado Albinum Um planeta chamado Albinum 1 Kalum tinha apenas 9 anos. Era um menino sonhador, inteligente e inconformado. Vivia num planeta longínquo chamado Albinum. Era um planeta muito frio, todo coberto de neve.

Leia mais

1º Domingo de Agosto Primeiros Passos 02/08/2015

1º Domingo de Agosto Primeiros Passos 02/08/2015 1º Domingo de Agosto Primeiros Passos 02/08/2015 JESUS ESTÁ COMIGO QUANDO SOU DESAFIADO A CRESCER! OBJETIVO - Saber que sempre que são desafiados a crescer ou assumir responsabilidades, Jesus está com

Leia mais

9º Plano de aula. 1-Citação as semana: Não aponte um defeito,aponte uma solução. 2-Meditação da semana:

9º Plano de aula. 1-Citação as semana: Não aponte um defeito,aponte uma solução. 2-Meditação da semana: 9º Plano de aula 1-Citação as semana: Não aponte um defeito,aponte uma solução. 2-Meditação da semana: Enraizando e criando raiz (CD-Visualização Criativa faixa 2) 3-História da semana: Persistência X

Leia mais

DESENGANO CENA 01 - CASA DA GAROTA - INT. QUARTO DIA

DESENGANO CENA 01 - CASA DA GAROTA - INT. QUARTO DIA DESENGANO FADE IN: CENA 01 - CASA DA GAROTA - INT. QUARTO DIA Celular modelo jovial e colorido, escovas, batons e objetos para prender os cabelos sobre móvel de madeira. A GAROTA tem 19 anos, magra, não

Leia mais

MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO Equipe Dia/mês/ano Reunião nº Ano: Tema: QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO Acolhida Oração Inicial

MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO Equipe Dia/mês/ano Reunião nº Ano: Tema: QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO Acolhida Oração Inicial MOVIMENTO FAMILIAR CRISTÃO Equipe Dia/mês/ano Reunião nº Ano: Local: Tema: QUEM MEXEU NO MEU QUEIJO Acolhida Oração Inicial Esta é uma história de mudança que ocorre em um labirinto em que quatro personagens

Leia mais

Freelapro. Título: Como o Freelancer pode transformar a sua especialidade em um produto digital ganhando assim escala e ganhando mais tempo

Freelapro. Título: Como o Freelancer pode transformar a sua especialidade em um produto digital ganhando assim escala e ganhando mais tempo Palestrante: Pedro Quintanilha Freelapro Título: Como o Freelancer pode transformar a sua especialidade em um produto digital ganhando assim escala e ganhando mais tempo Quem sou eu? Eu me tornei um freelancer

Leia mais

INQ Já alguma vez se sentiu discriminado por ser filho de pais portugueses?

INQ Já alguma vez se sentiu discriminado por ser filho de pais portugueses? Transcrição da entrevista: Informante: nº15 Célula: 5 Data da gravação: Agosto de 2009 Geração: 2ª Idade: 35 Sexo: Masculino Tempo de gravação: 10.24 minutos INQ Já alguma vez se sentiu discriminado por

Leia mais

Lembro-me do segredo que ela prometeu me contar. - Olha, eu vou contar, mas é segredo! Não conte para ninguém. Se você contar eu vou ficar de mal.

Lembro-me do segredo que ela prometeu me contar. - Olha, eu vou contar, mas é segredo! Não conte para ninguém. Se você contar eu vou ficar de mal. -...eu nem te conto! - Conta, vai, conta! - Está bem! Mas você promete não contar para mais ninguém? - Prometo. Juro que não conto! Se eu contar quero morrer sequinha na mesma hora... - Não precisa exagerar!

Leia mais

Roteiro para curta-metragem. Nathália da Silva Santos 6º ano Escola Municipalizada Paineira TEMPESTADE NO COPO

Roteiro para curta-metragem. Nathália da Silva Santos 6º ano Escola Municipalizada Paineira TEMPESTADE NO COPO Roteiro para curta-metragem Nathália da Silva Santos 6º ano Escola Municipalizada Paineira TEMPESTADE NO COPO SINOPSE Sérgio e Gusthavo se tornam inimigos depois de um mal entendido entre eles. Sérgio

Leia mais

O menino e o pássaro. Rosângela Trajano. Era uma vez um menino que criava um pássaro. Todos os dias ele colocava

O menino e o pássaro. Rosângela Trajano. Era uma vez um menino que criava um pássaro. Todos os dias ele colocava O menino e o pássaro Era uma vez um menino que criava um pássaro. Todos os dias ele colocava comida, água e limpava a gaiola do pássaro. O menino esperava o pássaro cantar enquanto contava histórias para

Leia mais

Casa Templária, 9 de novembro de 2011.

Casa Templária, 9 de novembro de 2011. Casa Templária, 9 de novembro de 2011. Mais uma vez estava observando os passarinhos e todos os animais que estão ao redor da Servidora. Aqui onde estou agora é a montanha, não poderia ser outro lugar.

Leia mais

[Comentários sobre isso. Não transcrito, mas explicado em diário de campo]

[Comentários sobre isso. Não transcrito, mas explicado em diário de campo] [Visionamento das fotos] [Comentários sobre isso. Não transcrito, mas explicado em diário de campo] E- Então o que é que achaste das fotos? E7- Boas. Tá fixe. E- Faz-te lembrar coisas boas ou más? E7-

Leia mais

11 Segredos para a Construção de Riqueza Capítulo II

11 Segredos para a Construção de Riqueza Capítulo II Capítulo II Mark Ford 11 Segredos para a Construção de Riqueza Capítulo Dois Como uma nota de $10 me deixou mais rico do que todos os meus amigos Das centenas de estratégias de construção de riqueza que

Leia mais

Quem mais torce, incentiva, acompanha e

Quem mais torce, incentiva, acompanha e Capa esporte de pai para filho Edgard Rondina, o filho Felipe e uma paixão em comum: velejar no Lago Paranoá Por Leane Ribeiro Quem mais torce, incentiva, acompanha e muitas vezes até sofre com a carreira

Leia mais

Narrador Era uma vez um livro de contos de fadas que vivia na biblioteca de uma escola. Chamava-se Sésamo e o e o seu maior desejo era conseguir contar todas as suas histórias até ao fim, porque já ninguém

Leia mais

MINHA HISTÓRIA NO NOVOTEL

MINHA HISTÓRIA NO NOVOTEL MINHA HISTÓRIA NO NOVOTEL Lembro-me que haviam me convocado para uma entrevista de trabalho no NOVOTEL. Lembro-me de estar ansioso e ter passado a noite anterior preparando a minha entrevista. Como iria

Leia mais

4ª - Sim, já instalei o programa em casa e tudo. Vou fazer muitas músicas e gravar-me a cantar nelas também.

4ª - Sim, já instalei o programa em casa e tudo. Vou fazer muitas músicas e gravar-me a cantar nelas também. Entrevistas: Por escrito: A_5: 1ª - É fazer uma música sozinha, como eu gosto, com a ajuda do computador. Abrimos a Ableton Live, criamos as faixas que precisamos, escolhemos a forma e como é que cada

Leia mais

Era uma vez um príncipe que morava num castelo bem bonito e adorava

Era uma vez um príncipe que morava num castelo bem bonito e adorava O Príncipe das Histórias Era uma vez um príncipe que morava num castelo bem bonito e adorava histórias. Ele gostava de histórias de todos os tipos. Ele lia todos os livros, as revistas, os jornais, os

Leia mais

Os dois foram entrando e ROSE foi contando mais um pouco da história e EDUARDO anotando tudo no caderno.

Os dois foram entrando e ROSE foi contando mais um pouco da história e EDUARDO anotando tudo no caderno. Meu lugar,minha história. Cena 01- Exterior- Na rua /Dia Eduardo desce do ônibus com sua mala. Vai em direção a Rose que está parada. Olá, meu nome é Rose sou a guia o ajudara no seu projeto de história.

Leia mais

Há 4 anos. 1. Que dificuldades encontra no seu trabalho com os idosos no seu dia-a-dia?

Há 4 anos. 1. Que dificuldades encontra no seu trabalho com os idosos no seu dia-a-dia? Entrevista A13 I Experiência no lar Há quanto tempo trabalha no lar? Há 4 anos. 1 Qual é a sua função no lar? Encarregada de Serviços Gerais. Que tarefas desempenha no seu dia-a-dia? O contacto directo

Leia mais

trou - de deitar. A escrita sempre foi uma descarga de qual vou naquela tarde. Curava feridas velhas como... Suspirou.

trou - de deitar. A escrita sempre foi uma descarga de qual vou naquela tarde. Curava feridas velhas como... Suspirou. ENTRE O AMOR E O SILÊNCIO Capítulo 1 trou de deitar. A escrita sempre foi uma descarga de qual nov vou naquela tarde. Curava feridas velhas como... Suspirou. es ensoparem o rosto, o traves infantilidade.

Leia mais

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão.

REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS. Idade na admissão. REPRESENTAÇÕES SOCIAIS DA GRAVIDEZ: A EXPERIÊNCIA DA MATERNIDADE EM INSTITUIÇÃO Código Entrevista: 2 Data: 18/10/2010 Hora: 16h00 Duração: 23:43 Local: Casa de Santa Isabel DADOS SÓCIO-DEMOGRÁFICOS Idade

Leia mais

1. Substitui as palavras assinaladas pelos sinónimos (ao lado) que consideres mais adequados.

1. Substitui as palavras assinaladas pelos sinónimos (ao lado) que consideres mais adequados. 1. Substitui as palavras assinaladas pelos sinónimos (ao lado) que consideres mais adequados. É bonita a história que acabaste de contar. Vou dar este livro ao Daniel, no dia do seu aniversário. Ele adora

Leia mais

Rio de Janeiro, 5 de junho de 2008

Rio de Janeiro, 5 de junho de 2008 Rio de Janeiro, 5 de junho de 2008 IDENTIFICAÇÃO Meu nome é Alexandre da Silva França. Eu nasci em 17 do sete de 1958, no Rio de Janeiro. FORMAÇÃO Eu sou tecnólogo em processamento de dados. PRIMEIRO DIA

Leia mais

Entrevista Noemi Rodrigues (Associação dos Pescadores de Guaíba) e Mário Norberto, pescador. Por que de ter uma associação específica de pescadores?

Entrevista Noemi Rodrigues (Associação dos Pescadores de Guaíba) e Mário Norberto, pescador. Por que de ter uma associação específica de pescadores? Entrevista Noemi Rodrigues (Associação dos Pescadores de Guaíba) e Mário Norberto, pescador. Por que de ter uma associação específica de pescadores? Noemi: É a velha história, uma andorinha não faz verão,

Leia mais

TESTE DE ELENCO COM UMA CENA. Por VINICIUS MOURA

TESTE DE ELENCO COM UMA CENA. Por VINICIUS MOURA TESTE DE ELENCO COM UMA CENA Por VINICIUS MOURA * Embora seja uma cena que contenha dois atores os candidatos serão avaliados individualmente. Os critérios de avaliação se darão a partir da performace

Leia mais

mundo. A gente não é contra branco. Somos aliados, queremos um mundo melhor para todo mundo. A gente está sentindo muito aqui.

mundo. A gente não é contra branco. Somos aliados, queremos um mundo melhor para todo mundo. A gente está sentindo muito aqui. Em 22 de maio de 2014 eu, Rebeca Campos Ferreira, Perita em Antropologia do Ministério Público Federal, estive na Penitenciária de Médio Porte Pandinha, em Porto Velho RO, com os indígenas Gilson Tenharim,

Leia mais

Arthur de Carvalho Jaldim Rubens de Almeida Oliveira CÃO ESTELAR. EDITORA BPA Biblioteca Popular de Afogados

Arthur de Carvalho Jaldim Rubens de Almeida Oliveira CÃO ESTELAR. EDITORA BPA Biblioteca Popular de Afogados Arthur de Carvalho Jaldim Rubens de Almeida Oliveira O CÃO ESTELAR EDITORA BPA Biblioteca Popular de Afogados Texto e Pesquisa de Imagens Arthur de Carvalho Jaldim e Rubens de Almeida Oliveira O CÃO ESTELAR

Leia mais

UMA ESPOSA PARA ISAQUE Lição 12

UMA ESPOSA PARA ISAQUE Lição 12 UMA ESPOSA PARA ISAQUE Lição 12 1 1. Objetivos: Ensinar que Eliézer orou pela direção de Deus a favor de Isaque. Ensinar a importância de pedir diariamente a ajuda de Deus. 2. Lição Bíblica: Gênesis 2

Leia mais

TIPOS DE RELACIONAMENTOS

TIPOS DE RELACIONAMENTOS 68 Décima-Segunda Lição CONSTRUINDO RELACIONAMENTOS DE QUALIDADE Quando falamos de relacionamentos, certamente estamos falando da inter-relação de duas ou mais pessoas. Há muitas possibilidades de relacionamentos,

Leia mais

O mar de Copacabana estava estranhamente calmo, ao contrário

O mar de Copacabana estava estranhamente calmo, ao contrário epílogo O mar de Copacabana estava estranhamente calmo, ao contrário do rebuliço que batia em seu peito. Quase um ano havia se passado. O verão começava novamente hoje, ao pôr do sol, mas Line sabia que,

Leia mais

Para início de conversa 9. Família, a Cia. Ltda. 13. Urca, onde moro; Rio, onde vivo 35. Cardápio de lembranças 53

Para início de conversa 9. Família, a Cia. Ltda. 13. Urca, onde moro; Rio, onde vivo 35. Cardápio de lembranças 53 Rio de Janeiro Sumário Para início de conversa 9 Família, a Cia. Ltda. 13 Urca, onde moro; Rio, onde vivo 35 Cardápio de lembranças 53 O que o homem não vê, a mulher sente 75 Relacionamentos: as Cias.

Leia mais

Meu nome é José Guilherme Monteiro Paixão. Nasci em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, Estado do Rio de Janeiro, em 24 de agosto de 1957.

Meu nome é José Guilherme Monteiro Paixão. Nasci em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, Estado do Rio de Janeiro, em 24 de agosto de 1957. Rio de Janeiro, 5 de junho de 2008 IDENTIFICAÇÃO Meu nome é José Guilherme Monteiro Paixão. Nasci em Campos dos Goytacazes, Norte Fluminense, Estado do Rio de Janeiro, em 24 de agosto de 1957. FORMAÇÃO

Leia mais

Mensagem de Prem Rawat

Mensagem de Prem Rawat Mensagem de Prem Rawat na Conferência de Paz Nórdica 2012 Conf. Nórdica, Página 1 Gostaria de falar-vos sobre paz. Eu sei que quase toda a gente tem a sua interpretação do que é a paz. Para mim, a paz

Leia mais

09/09/2004. Discurso do Presidente da República

09/09/2004. Discurso do Presidente da República , Luiz Inácio Lula da Silva, na solenidade de recepção da delegação brasileira que participou das Olimpíadas de Atenas Palácio do Planalto, 09 de setembro de 2004 Meu caro Grael, Meu querido René Simões,

Leia mais

CURSO DE APERFEIÇOAMENTO, ACTUALIZAÇÃO E AVALIAÇÃO ÁRBITROS ASSISTENTES DE 2.ª CATEGORIA Futebol de 11 TESTE ESCRITO PERGUNTAS

CURSO DE APERFEIÇOAMENTO, ACTUALIZAÇÃO E AVALIAÇÃO ÁRBITROS ASSISTENTES DE 2.ª CATEGORIA Futebol de 11 TESTE ESCRITO PERGUNTAS FEDERAÇÃO PORTUGUESA DE FUTEBOL CONSELHO DE ARBITRAGEM CURSO DE APERFEIÇOAMENTO, ACTUALIZAÇÃO E AVALIAÇÃO ÁRBITROS ASSISTENTES DE 2.ª CATEGORIA Futebol de 11 Tomar, 5 de Agosto de 2007 ÉPOCA 2007/2008

Leia mais

MEU TIO MATOU UM CARA

MEU TIO MATOU UM CARA MEU TIO MATOU UM CARA M eu tio matou um cara. Pelo menos foi isso que ele disse. Eu estava assistindo televisão, um programa idiota em que umas garotas muito gostosas ficavam dançando. O interfone tocou.

Leia mais

A última relação sexual

A última relação sexual PARTE G QUESTIONÁRIO AUTO-PREENCHIDO (V1 - M) As próximas perguntas são sobre a sua vida sexual. É muito importante que responda, pois só assim poderemos ter informação sobre os hábitos sexuais da população

Leia mais

A menina que queria visitar a tia

A menina que queria visitar a tia Cenas urbanas A menina que queria visitar a tia A menina, conversando com a jornaleira, na manhã de domingo, tinha o ar desamparado. Revolvia, com nervosismo, um lenço com as pontas amarradas, dentro

Leia mais

PERTO DE TI AUTOR: SILAS SOUZA MAGALHÃES. Tu és meu salvador. Minha rocha eterna. Tu és minha justiça, ó Deus. Tu és Jesus, amado da Minh alma.

PERTO DE TI AUTOR: SILAS SOUZA MAGALHÃES. Tu és meu salvador. Minha rocha eterna. Tu és minha justiça, ó Deus. Tu és Jesus, amado da Minh alma. PERTO DE TI Tu és meu salvador. Minha rocha eterna. Tu és minha justiça, ó Deus. Tu és Jesus, amado da Minh alma. Jesus! Perto de ti, sou mais e mais. Obedeço a tua voz. Pois eu sei que tu és Senhor, o

Leia mais

A criança e as mídias

A criança e as mídias 34 A criança e as mídias - João, vá dormir, já está ficando tarde!!! - Pera aí, mãe, só mais um pouquinho! - Tá na hora de criança dormir! - Mas o desenho já tá acabando... só mais um pouquinho... - Tá

Leia mais

MULHER SOLTEIRA. Marcos O BILAU

MULHER SOLTEIRA. Marcos O BILAU MULHER SOLTEIRA REFRÃO: Ei, quem tá aí Se tem mulher solteira dá um grito que eu quero ouvir Ei, quem tá aí Se tem mulher solteira dá um grito que eu quero ouvir (Essa música foi feita só prás mulheres

Leia mais

E quando Deus diz não?

E quando Deus diz não? E quando Deus diz não? 1 Cr 17:1-27 Como é ruim ouvir um não! Enquanto ouvimos sim, enquanto as coisas estão acontecendo ao nosso favor, enquanto Deus está aprovando ou permitindo o que fazemos, enquanto

Leia mais

Descubra seu Quociente de Inteligência Emocional, respondendo com franqueza TODAS as questões abaixo. 1 - Você está viajando de avião e, de repente, esse entra numa área de grande turbulência e começa

Leia mais

AS MULHERES DE JACÓ Lição 16

AS MULHERES DE JACÓ Lição 16 AS MULHERES DE JACÓ Lição 16 1 1. Objetivos: Ensinar que Jacó fez trabalho duro para ganhar um prêmio Ensinar que se nós pedirmos ajuda de Deus, Ele vai nos ajudar a trabalhar com determinação para obter

Leia mais

VAMOS CONSTRUIR UMA CIDADE

VAMOS CONSTRUIR UMA CIDADE VAMOS CONSTRUIR UMA CIDADE Versão adaptada de Eugénio Sena para Wir Bauen Eine Stadt de Paul Hindemith 1. MARCHA (Entrada) Uma cidade nossa amiga Não queremos a cidade antiga. Nós vamos pensar tudo de

Leia mais

MÓDULO 5 O SENSO COMUM

MÓDULO 5 O SENSO COMUM MÓDULO 5 O SENSO COMUM Uma das principais metas de alguém que quer escrever boas redações é fugir do senso comum. Basicamente, o senso comum é um julgamento feito com base em ideias simples, ingênuas e,

Leia mais

OBJEÇÕES INSTRUMENTO DE SUCESSO O LADO POSITIVIO DAS OBJEÇÕES PARA APRIMORAR O PROFISSIONAL DE VENDAS. Vista a camisa do 0800 E SEJA UM VENCEDOR!!!

OBJEÇÕES INSTRUMENTO DE SUCESSO O LADO POSITIVIO DAS OBJEÇÕES PARA APRIMORAR O PROFISSIONAL DE VENDAS. Vista a camisa do 0800 E SEJA UM VENCEDOR!!! OBJEÇÕES INSTRUMENTO DE SUCESSO O LADO POSITIVIO DAS OBJEÇÕES PARA APRIMORAR O PROFISSIONAL DE VENDAS. OBJEÇÕES VILÃS OU OPORTUNIDADES? A VISÃO ORIENTAL SOBRE Um para CRISE PERIGO (JI) A VISÃO ORIENTAL

Leia mais

O PASTOR AMOROSO. Alberto Caeiro. Fernando Pessoa

O PASTOR AMOROSO. Alberto Caeiro. Fernando Pessoa O PASTOR AMOROSO Alberto Caeiro Fernando Pessoa Este texto foi digitado por Eduardo Lopes de Oliveira e Silva, no Rio de Janeiro, em maio de 2006. Manteve-se a ortografia vigente em Portugal. 2 SUMÁRIO

Leia mais

Português Língua Estrangeira Teste (50 horas)

Português Língua Estrangeira Teste (50 horas) Português Língua Estrangeira Teste (50 horas) Nome: Data: A Importa-se de responder a umas perguntas? Está bem. Obrigado. 1 Como é que se chama? 2 O que é que faz? 3 Vive aqui agora? 4 Há quanto tempo

Leia mais

Os encontros de Jesus O cego de nascença AS TRÊS DIMENSÕES DA CEGUEIRA ESPIRITUAL

Os encontros de Jesus O cego de nascença AS TRÊS DIMENSÕES DA CEGUEIRA ESPIRITUAL 1 Os encontros de Jesus O cego de nascença AS TRÊS DIMENSÕES DA CEGUEIRA ESPIRITUAL 04/03/2001 N Jo 9 1 Jesus ia caminhando quando viu um homem que tinha nascido cego. 2 Os seus discípulos perguntaram:

Leia mais

Gaspar e o bebé Naquele dia, os pais do Gaspar pareciam um pouco atrapalhados. O que teriam eles? - perguntava-se o nosso amigo, vendo que o pai estava sempre a andar de um lado para o outro e que a mãe

Leia mais