Colégio Santa Dorotéia
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- Eliza Meneses Cunha
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1 Colégio Santa Dorotéia Área de Códigos e Linguagens Disciplina: Língua Portuguesa Ano: 7º Ensino Fundamental Professora: Nívia Nascimento Língua Portuguesa Atividades para Estudos Autônomos Data: 6 / 3 / 2018 Aluno(a): Nº: Turma: CONTEÚDO A SER REVISTO Gênero conto Interpretação de texto Construção do texto elementos da narrativa Gênero verbete: leitura e produção Linguagem conotativa e denotativa Determinantes do substantivo Adjetivos e locuções adjetivas MATERIAL DE APOIO: Livro Didático Projeto Teláris (7): Português (Capítulo 2) Anotações no caderno de atividades diárias. Para assistir: CONEXÃO (DRAMA) Versão Completa - Felicidade Clandestina (Acesso em 23 mai ) Enviado em 11/06/2010. FELICIDADE CLANDESTINA (completo). Texto de Clarice Lispector. Essa história conta uma passagem do início da adolescência da autora Clarice Lispector. Direção: Alberto Duran // Assistente: Marília Câmara Fotografia: Bruce Douglas Atriz: Maga Bianchi Categoria: Entretenimento Licença: padrão do YouTube Colégio Santa Dorotéia 1
2 Língua Portuguesa TEXTO 1 Disponível em: < I/AAAAAAAAAUw/cmqpE5oWXy4/s1600/gb.jpg>. Acesso em: 23 fev FELICIDADE CLANDESTINA 1. Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. 2. Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de pelo menos um livrinho barato, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima era de paisagem do Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes mais do que vistas. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como "data natalícia" e "saudade". 3. Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia. 4. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato. Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E, completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. 5. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança de alegria: eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. 6. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes seriam mais tarde a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez. 2 Colégio Santa Dorotéia
3 Língua Portuguesa 7. Mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono da livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do "dia seguinte" com ela ia se repetir com meu coração batendo. 8. E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. 9. Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você só veio de manhã, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados. 10. Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Ela devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não estar entendendo. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! 11. E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. Ela nos espiava em silêncio: a potência de perversidade de sua filha desconhecida e a menina loura em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, finalmente se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar o livro agora mesmo. E para mim: "E você fica com o livro por quanto tempo quiser." Entendem? Valia mais do que me dar o livro: "pelo tempo que eu quisesse" é tudo o que uma pessoa, grande ou pequena, pode ter a ousadia de querer. 12. Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro grosso com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito. Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração pensativo. 13. Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas maravilhosas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei ainda mais indo comer pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre ia ser clandestina para mim. Parece que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada. 14. Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo.[...]. LISPECTOR, Clarice. Felicidade Clandestina: contos. Rio de Janeiro: Rocco, 1998, p VOCABULÁRIO boquiaberto: cheio de admiração; perplexo. clandestino: feito às escondidas, oculto. danadamente: imensamente. elucidativo: explicativo. esguio: esbelto, alto e magro. êxtase: estado de quem se encontra como que transportado para fora de si, por efeito de sentimentos intensos de alegria, prazer etc. fel: estado de espírito que reflete amargor, azedume. magno: de grande relevância, significante. sadismo:prazer com a dor alheia; extrema crueldade. tortura chinesa: referência a torturas da China antiga, realizadas com pessoas que eram julgadas. Colégio Santa Dorotéia 3
4 Língua Portuguesa QUEST 1 Como é próprio do gênero conto, a estrutura de Felicidade Clandestina é a narrativa. APONTE os elementos da narrativa que compõem a estrutura desse texto, completando o quadro abaixo: Elementos da narrativa Personagens Espaço Tempo Percebe-se que a história se passa em um período de vários dias; encontramos referências como o magno dia ; o dia seguinte ; diariamente ; até que um dia. Narrador QUEST 2 ANALISE outro elemento da narrativa: o enredo do conto Felicidade clandestina e COMPLETE o quadro a seguir: Enredo ou momentos da narrativa Situação inicial A narradora apresenta a antagonista (gorda, baixa, cabelo crespo, busto enorme, filha de dono de livraria) como uma menina que a odiava por ser bonita, esguia, alta, leitora voraz e ter cabelos livres. E também anuncia o fato: aquela exerceu seu sadismo com ela, humilhando-a no empréstimo de livros e, especialmente, do Reinações de Narizinho, que lhe prometera emprestar. Conflito Clímax Desfecho A narradora, estonteada por ter conseguido o livro, cria situações de encontros e desencontros com esse objeto de seu desejo, para esticar ao máximo os momentos de prazer e desfrutar, a seu modo, a felicidade, que para ela ia ser sempre clandestina. 4 Colégio Santa Dorotéia
5 QUEST 3 INDIQUE quais parágrafos correspondem a cada um dos momentos, conforme exemplificado: Situação inicial: parágrafos 1 ao 5. Língua Portuguesa Conflito: Clímax: Desfecho: QUEST 4 RELEIA atentamente estes trechos do conto: 1. Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos, meio arruivados. Tinha um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os dois bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria. 3. Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. [...] Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. 4. Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa. 8. [...] Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse todo de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer esteja precisando danadamente que eu sofra. 11. E o pior para essa mulher não era a descoberta do que acontecia. Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. A seguir, PREENCHA o esquema com adjetivos ou locuções adjetivas que caracterizam a antagonista, de acordo com a imagem que você formou dela com a leitura do conto e, mais especificamente, dos cinco trechos apontados. Filha do dono da livraria QUEST 5 Pela leitura do conto, você poderá também formar uma imagem da narradora-personagem. Assim como caracterizou a antagonista, CARACTERIZE a protagonista: Narradora-personagem Colégio Santa Dorotéia 5
6 QUEST 6 LEIA esta definição do vocábulo felicidade: Língua Portuguesa felicidade substantivo feminino ( sxv) 1. qualidade ou estado de feliz; estado de uma consciência plenamente satisfeita; satisfação, contentamento, bem-estar. Disponível em:< Acesso em: 23 mai Considerando o título do conto Felicidade clandestina EXPLIQUE por que para a narradorapersonagem a felicidade era clandestina. QUEST 7 ASSINALE a alternativa em que o trecho apresenta linguagem conotativa. a) Devia ser a descoberta horrorizada da filha que tinha. ( 11) b) Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. ( 3) c) Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa. ( 6) d) Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos. ( 1) e) Eu não vivia, nadava devagar num mar suave, as ondas me levavam e me traziam. ( 5) QUEST 8 Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. ( 12) A interpretação mais adequada dessa pergunta retórica da narradora-personagem é a que consta na alternativa a) Para a narradora era impossível descrever o que sucedeu assim que recebeu o livro na mão, pois tamanha era a felicidade. b) Não havia como ela contar, porque só se lembrava de que segurava o livro firmemente com as duas mãos, comprimindo-o contra seu peito. c) Como ela esqueceu até mesmo quanto tempo levou até chegar a sua casa e como foi esse trajeto, não era possível falar sobre o que seguiu. d) Não precisaria falar mais nada, pois a mãe da menina já havia esclarecido a situação e revelado a mentira de sua filha. e) Ela não queria falar mais sobre esse assunto, porque foi muito traumática a situação que ela viveu, decorrente do plano diabólico da filha do dono da livraria. QUEST 9 RELEIA os três últimos parágrafos do texto e APONTE o motivo que levou a protagonista, já de posse do livro, a adiar sua leitura. 6 Colégio Santa Dorotéia
7 Língua Portuguesa TEXTO 2 leitura: 3. ação de tomar conhecimento do conteúdo de um texto escrito, para se distrair ou se informar. ler: 4. dedicar-se, entregar-se à leitura como hábito ou como paixão. Disponível em:< Acesso em: 23 fev QUEST 10 Pela leitura do conto Felicidade clandestina, é possível chegar a um conceito diferenciado de leitura, de ler e, também, de leitor. Esse conto exemplifica a leitura como algo essencial à felicidade do indivíduoleitor. Em seu enredo, leitor e leitura aparecem como parte fundamental para a narrativa. A posse do livro nas mãos traduz um estonteante sentimento na menina: o livro causava-lhe uma indecifrável felicidade; ela, estremecida de satisfação, saboreava lentamente aquela coisa clandestina. A partir do exposto acima, CRIE um verbete para esses vocábulos (leitura, ler, leitor), usando toda sua experiência de leitor(a) e muita criatividade!!! USE predominantemente a linguagem conotativa e ILUSTRE seus verbetes! QUESTÃO 1 GABARIT Personagens Espaço Narrador Elementos da narrativa Narradora-personagem; a menina filha do livreiro, a mãe da menina. Há referências espaciais à cidade de Recife, à casa da menina, à casa da narradora. narrador-personagem. QUESTÃO 2 Conflito Clímax Enredo ou momentos da narrativa A narradora-personagem vai diariamente à casa da filha de um livreiro, em busca do empréstimo do livro Reinações de Narizinho, que é sempre adiado. Ela é humilhada pela colega e, aparentemente, não se importa com isso. Nesse momento da narrativa, ela reflete sobre a felicidade, que é sempre adiada para o dia seguinte, e relata o ápice de seu sofrimento com a situação ( sentia as olheiras se cavando sob os meus olhos espantados ) A mãe da colega descobre horrorizada a filha que tem - invejosa e sádica - e a narradora descobre que a colega queria vingar-se por ela ser bonita e inteligente. QUESTÃO 3 Conflito: parágrafos 6 ao 9. Clímax: parágrafos 10 e 11. Desfecho: parágrafos 12 ao 15. QUESTÃO 4 Filha do dono da livraria sádica Gorda, baixa, sardenta, de cabelos crespos cruel vingativa Colégio Santa Dorotéia 7
8 QUESTÃO 5 Narradora-personagem Língua Portuguesa Leitora voraz humilde Esguia, bonita, loura QUESTÃO 6 RESPOSTA ESPERADA: A junção dos vocábulos Felicidade e clandestina nos remete ao paradoxo da clandestinidade dessa felicidade, pois, por um lado, consideramos que a felicidade é algo exteriorizado de maneira espontânea e, por outro, a clandestinidade busca esconder-se, pois foge às normas da sociedade. Para a narradora, a felicidade seria conseguir emprestado o livro Reinações de Narizinho, o objeto de seu desejo. Após um longo período de sofrimento e humilhações, a felicidade passa a ser clandestina, por chegar inesperadamente e por não lhe pertencer: esse pode ser devolvido ao seu legítimo dono a qualquer momento. QUESTÃO 7 Alternativa E QUESTÃO 8 Alternativa A QUESTÃO 9 RESPOSTA ESPERADA: A protagonista adiava a leitura do livro, porque ela fazia questão de esquecer que estava com ele para depois ter a surpresa de achá-lo. O encontro com o livro, com a leitura, era para ela um momento de infinita felicidade, de êxtase puríssimo, porém esses momentos são muito efêmeros, e ela queria prolongar esse estado de felicidade, prolongando o final da leitura. QUESTÃO 10 RESPOSTA PESSOAL. Felicidade é ter o que fazer, ter algo que amar, e algo que esperar. (Aristóteles) Disponível em: < Acesso em: 23 fev E depois que se é feliz, o que acontece? (LISPECTOR, Clarice. Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Francisco Alves, p. 30) 8 Colégio Santa Dorotéia
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