O mestre da sedução...
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- Vanessa Madeira Azambuja
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2 O mestre da sedução... Alessandro Falcone é famoso por sempre conseguir o que deseja. Mas ser forçado a voltar para a Escócia era um grande inconveniente para esse poderoso bilionário. Por isso, seu plano era chegar, resolver o problema e ir embora rapidamente. Até a bela Laura Reid se tornar uma deliciosa distração durante as frias e longas noites escocesas. Ela pode ser o oposto das mulheres com as quais Alessandro costuma sair, mas suas curvas sedutoras e inocência cativante a faz ser um grande desafio. E no jogo da sedução, Alessandro sempre vence!
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4 E então disse ele, entregando-lhe um copo, vai ficar parada à porta feito uma sentinela ou vai se sentar e dizer o que tem a dizer? Os dedos de Alessandro haviam roçado os dela, e Laura sentiu uma corrente eletrizante percorrendo-a. Você não mencionou quanto tempo pretende ficar aqui. Aproximando-se da mesa devagar, sentou-se. O primeiro gole de gim e tônica foi forte, mas o segundo pareceu bem melhor e a ajudou a relaxar. Ainda não decidi. Por quê? Eu a faço sentir-se pouco à vontade? Não quero soar redundante, mas... ele deu de ombros, sorveu o drinque e, então, olhou-a por cima do copo há necessidades que precisam ser atendidas. Que necessidades? Essa é uma pergunta sugestiva, não acha? Se estavam se referindo às necessidades dele, poderia atendê-las ficando ali.
5 Alessandro teve uma imagem vívida dela em sua cama, espalhada em toda a sua glória e beleza exuberante, o rosto delicado em formato de coração afogueado com desejo, o corpo uma oferta para que o possuísse. Imaginou os imensos olhos verdes de Laura admirados com a nudez dele, os braços abertos, as pernas também...
6 Querida leitora, Alessandro Falcone viaja para a Escócia com apenas um objetivo: convencer o pai a mudarse para a Inglaterra. Até conhecer a bela Laura Reid e sentir uma atração avassaladora. Por mais que tente, Alessandro não consegue tirá-la da cabeça e está determinado a seduzi-la. Porém, conquistar a obstinada Laura será um desafio maior do que esse playboy pode imaginar. Boa leitura! Equipe Editorial Harlequin Books
7 Cathy Williams SEDUZIDA PELO PLAYBOY Tradução Tina TJ Gouveia 2016
8 CAPÍTULO 1 NÃO SEI o que você está fazendo aqui. Roberto Falcone dirigiu um olhar atravessado ao filho. Havia se movido até a porta da frente e agora permanecia diante dela como um leão de chácara barrando a entrada de um clube. Disse a você para não se dar o trabalho de vir aqui e falei a sério. Alessandro sentiu uma tensão familiar invadir seu corpo, da maneira como sempre acontecia nas ocasiões em que estava na companhia do pai. Geralmente, conseguiam ao menos trocar amenidades antes de ele querer girar nos calcanhares e rumar o mais rápido possível na direção oposta. Dessa vez, não
9 houve conversa educada de aparências, e Alessandro preparou-se para um final de semana difícil. O qual ambos teriam de enfrentar porque não havia escolha. Vai me deixar entrar, ou vamos ter esta conversa na porta? Porque, se for o caso, vou buscar meu casaco no carro. Prefiro não morrer congelado ainda. Não vai morrer congelado desdenhou Roberto Falcone. O tempo está praticamente tropical aqui. Alessandro achou melhor não discutir. Tinha muita experiência em se tratando de discordar do pai. Roberto Falcone podia ter 80 anos, mas não desistia de nada sem lutar, e discutir se uma temperatura de oito graus era considerada como frio ou não era um exemplo daqueles motivos de briga. Era uma alma forte que vivia na Escócia e, apesar das condições difíceis do clima, ele era um desafio. Homens de verdade removiam neve com pouca roupa e
10 descalços! O filho era um tipo fraco que vivia em Londres e ligava o aquecimento central no segundo em que o sol se escondia atrás das nuvens. E ambos jamais se entendiam. Era por aquele motivo que as visitas habituais se reduziam a três vezes por ano e duravam apenas o bastante até a conversa educada se esgotar. Exceto que aquela era mais que uma visita habitual, e ele soubera que o pai não iria facilitar as coisas. Vou buscar meu casaco. Não precisa. Agora que você chegou aqui, acho que não tenho muita escolha a não ser deixá-lo entrar, mas se acha que vou para Londres com você está muito enganado. No frio, sob a escuridão que pairava, ambos se entreolharam, Alessandro com uma expressão decidida e uma ferrenha
11 determinação evidenciando-se no semblante do pai. Falaremos sobre isso quando eu entrar disse Alessandro. Por que você atendeu à porta? Onde está Fergus? É fim de semana. O homem merece uma folga. Você teve um derrame seis meses atrás e ainda está se recuperando de uma fratura na pélvis. O homem recebe o bastante para abrir mão de suas folgas. Roberto franziu o cenho, mas Alessandro não recuou em sua posição. Francamente, não era o momento de ficar pisando em ovos em torno do assunto. Gostasse ou não, o pai iria para Londres com ele dali a três dias. O conteúdo da casa poderia ser empacotado e enviado para o sul, uma vez que o lugar estivesse vago. Sua decisão fora tomada e, quando Alessandro tomava uma decisão, não estava
12 aberto a discussão, muito menos persuasão. Seu pai não podia mais lidar com os cuidados exigidos pela mansão vitoriana, mesmo que pudesse contratar uma equipe de empregados para ajudar se quisesse. Nem podia lidar com hectares de gramados e jardins. Ele gostava de plantas. Alessandro lhe apresentaria as maravilhas de Kew Gardens, o Jardim Botânico de Londres. A verdade brutal era que Roberto Falcone agora era frágil, quer desejasse admitir ou não, e precisava de um lugar menor, algum lugar mais perto de Alessandro, em Londres. Vou pegar a minha mala disse Alessandro abruptamente. Entre, e eu me reunirei a você na sala de estar. Espero que não tenha dispensado todos os criados porque achou que precisavam de folga daquilo que são tão bem pagos para fazer. Você pode ser o senhor da sua casa em Londres retrucou Roberto, e eu não
13 pensaria em questioná-lo quanto a quem deu o fim de semana de folga, mas esta é a minha casa e posso fazer o que eu quiser. Não vamos iniciar uma discussão disse Alessandro com um suspiro pesado. Olhou para o homem idoso à sua frente, ainda firme em sua aparência, com o cabelo farto grisalho, os olhos escuros perscrutadores e altura impressionante, com mais de 1,80m e apenas alguns centímetros mais baixo que ele. O único indício de sua fragilidade era a bengala e, evidentemente, a pilha de receitas médicas do hospital, que ficava 15 quilômetros a oeste. Freya está aqui. Há comida na cozinha, que é onde vai me encontrar. Se eu soubesse que você viria, poderia ter lhe pedido que preparasse algo menos simples, mas você está aqui agora e terá que se arranjar com salmão e batatas. Você sabia que eu viria apontou Alessandro pacientemente. Uma rajada de
14 vento, carregando o tipo de frio cortante que raramente se via em Londres, soprou, afastando-lhe o cabelo escuro do rosto. Enviei um a você. Devo ter esquecido. Cerrando o maxilar com pura frustração, Alessandro observou o pai se afastar casa adentro, deixando a porta da frente aberta. A mudança para Londres seria um grande passo, para ambos. Mal tinham algo a dizer um ao outro. Teriam encontros muito mais frequentes, mas não havia meio de ele continuar a fazer viagens árduas aos confins da Escócia cada vez que o pai tivesse um contratempo e não havia irmãos com os quais pudesse dividir a responsabilidade. Havia apenas ele. Um filho único enviado para o internato aos 7 anos, que voltava para a mansão ampla e fria nas férias, onde babás, cozinheiras, faxineiras e demais funcionários tinham assumido o papel de criá-lo porque o
15 pai fora ausente. Ele costumava aparecer apenas no fim do dia, quando jantavam em lados opostos de uma mesa formal, servidos pelas exatas pessoas com quem Alessandro passara o dia. Até que, obviamente, ele passara a ter idade o bastante para passar férias com os amigos. O pai não objetara. Alessandro desconfiava que ele provavelmente se sentira aliviado. A formalidade antiga continuava, mas agora Alessandro sabia lidar bem com a situação, ao menos parara de tentar encontrar razões para a frieza do pai, de se perguntar se as coisas teriam sido diferentes se ele tivesse tornado a se casar após a morte de Muriel Falcone, de tentar não se sentir desapontado. Aquele sentimento juvenil havia muito desaparecera. Colocando a alça da mochila no ombro e trancando o utilitário preto, ele ponderou que teria que arranjar alguns passatempos para o pai assim que chegassem a Londres.
16 Passatempos que o tirariam do luxuoso apartamento de três quartos no andar térreo num pequeno prédio georgiano com porteiro que fora comprado para ele. Um homem com passatempos seria feliz. Ou, ao menos, relativamente invisível. Visibilidade demais não serviria para nenhum dos dois. Retornar a Standeth House, para ele, era como retornar a um mausoléu. A mesma sensação fria. Se bem que agora que a mansão seria colocada à venda, descobriu que podia apreciar melhor o vasto salão principal de pedra natural e demais características provenientes de outras épocas. E, com todo o dinheiro que havia sido investido ali, o lugar estava bem conservado. O pai nascera rico, mantivera a riqueza e a aumentara ao longo da vida, não se esquivando de gastar o necessário em seus arredores. Ele encontrou o pai na cozinha, onde, apesar do que dissera, não havia governanta.
17 Alessandro franziu a testa. Você disse que Freya estaria aqui para cuidar da comida. Roberto olhou para o filho debaixo das sobrancelhas grossas e grisalhas. Saiu às 16h. Esqueci de mencionar. Colocou uma generosa porção de comida no prato e sentou-se à mesa da cozinha, deixando que Alessandro se servisse. Ficou com o cão doente. Teve que levá-lo ao veterinário. Acontece. E, antes que você se lance numa conversa sobre como veio até aqui para me afastar da minha casa e da minha terra, coma e fale sobre outra coisa. Faz meses que não vem aqui. Deve ter outro assunto além do tema de me resgatar da minha idade avançada. Posso falar sobre o trabalho disse Alessandro, sentando-se com seu prato. Acrescentei uma empresa de publicidade ao meu conglomerado, e três pequenos hotéis do outro lado do Atlântico. São uma variação das
18 minhas empresas de tecnologia e telecomunicações. Ele podia ter se beneficiado por ser filho de um homem rico, podia ter frequentado as melhores escolas, tido o carro mais veloz, mas se recusara a demonstrar interesse pelo império do pai. Em se tratando de ganhar o sustento, sempre soubera que o faria sem ajuda do pai austero, distante. Não que Roberto tenha perguntado algo. Até uma década antes estivera ocupado dirigindo seu império. Alessandro também não aceitara nenhum capital inicial. Usara a inteligência para obter o máximo de rendimento na universidade e continuara a usá-la para conseguir tudo que se seguira. No que lhe dizia respeito, quanto menos tivesse a ver com Roberto Falcone, melhor. Mantinham contato, conduziam o relacionamento com distanciamento. Funcionava dessa maneira.
19 E ainda está atrás das mesmas idiotas que estava na última vez que o vi? Qual era o nome daquela que você trouxe aqui? Agiu como se não soubesse o que era lama e recusou-se a chegar perto do jardim porque havia chovido, e ficou com medo de afundar os saltos altos desdenhou Roberto. Sophia respondeu Alessandro por entre os dentes cerrados. Era a primeira vez que o pai falava abertamente e criticava alguma das mulheres que conhecera no passado, namoradas que Alessandro levara consigo porque uma terceira pessoa, ainda que não intelectualmente brilhante, ajudava a preencher as pausas. E precisava reconhecer que as mulheres com quem saíra compensaram com sua aparência a conversação por vezes limitada. Gostava de mulheres de pernas longas, cabelo comprido, esguias e extremamente bonitas. O QI não importava realmente. Desde que o agradassem,
20 parecessem bem, dissessem sim quando ele queria que o fizessem e não se tornassem apegadas. Sophia... é essa. Uma garota bonita, mas difícil de se conversar. Mas imagino que isso não incomode você. Onde ela está agora? Não deu certo. A conversa educada começava a ganhar um aspecto pessoal de repente. Era a maneira de Roberto retaliar as mudanças? Chegando perto demais? A razão pela qual mencionei isso... ele terminou o salmão e colocou o prato de lado... é que, se esse é o tipo de pessoa que vive ao redor dos ricos naquela sua cidade, esse é outro motivo para eu não me reunir a você. Assim, pode começar a procurar inquilinos para aquele apartamento que comprou. Há vários tipos de pessoas diferentes em Londres. E de quem, exatamente, o pai era amigo, afinal? Conhecera um ou dois casais, cumprimentara-os quando estivera jantando
21 localmente com o pai ao longo dos anos, mas com que frequência ele os via? Pelo que sabia, o pai podia ficar confinado em sua propriedade desde o amanhecer até o anoitecer com apenas os criados e as plantas como companhia. Havia muito treinara a si mesmo para não sentir curiosidade. A porta lhe havia sido fechada muito tempo antes e não tornaria a ser aberta. E algumas delas podem ter mais a dizer do que conversar sobre o tempo, as mudanças das marés e a pesca de salmão. A propósito, vejo que Freya continua a desejar como chef... Ela faz comida simples para um homem simples. Se eu quisesse algo mais sofisticado, teria contratado um daqueles tipos de chefs da TV que têm restaurantes de frutos do mar em Devon e usam ingredientes que ninguém nunca ouviu falar. Pela primeira vez desde que se lembrava, Alessandro curvou os lábios com ar divertido
22 diante da aspereza do pai. Mas, então, lembrou a si mesmo que o humor não fazia parte daquela conversa. A verdadeira batalha ainda estava prestes a começar pela manhã. Ele se levantou, irritado com o fato de que, numa sexta-feira à noite, não havia pelo menos alguém para tirar a mesa. Não havia ninguém trabalhando para ele, exceto uma diarista três vezes por semana e seu motorista, mas desempenhavam suas tarefas sem falta. Tenho trabalho para verificar até as 22h. Olhou para o relógio e, depois, para o pai, que não movera um músculo para se levantar. Ninguém está impedindo você. Vai subir para a cama agora? Talvez não. Talvez eu faça uma caminhada noturna pela propriedade a fim de apreciar o espaço aberto antes de você começar a me confinar num apartamento naquela sua cidade.
23 Freya virá amanhã? Ou seu cão exigirá atenção urgentemente? Alessandro não se deixaria arrastar para uma discussão. Porque, se ela planeja passar o fim de semana com o cão doente, irei à cidade amanhã cedo e estocarei comida fácil de preparar. Levantando-se, começou a tirar a mesa. Apenas o bastante para durar o fim de semana. Não preciso que cozinhe para mim. Sou perfeitamente capaz de atirar algo numa frigideira. Não há problema. Se ela não vier, poderá enviar alguém em seu lugar. Às vezes, faz isso. Essa mulher é confiável, afinal? Alessandro virou-se para o pai de cenho franzido. Dei uma olhada nas contas na última vez que estive aqui, e ela ganha uma fortuna! Está me dizendo que ela se esquiva do trabalho quando tem vontade?
24 Estou lhe dizendo que o dinheiro é meu e eu o gasto como bem entender! Se eu quiser pagar à mulher para aparecer esporadicamente e dançar na mesa, o problema é meu! Alessandro estreitou os olhos enquanto observava o pai e, enfim, deu de ombros. Se ela não aparecer acrescentou Roberto a contragosto, enviará alguém no seu lugar. Ótimo. Nesse caso, vou deixar a louça suja aqui para que ela ou a substituta tenham algo para fazer. Agora, vou cuidar do meu trabalho. Pelo que entendi, não vai precisar do seu escritório, certo? Para que um velho fraco com um cérebro velho e fraco precisa de um escritório? Roberto sacudiu a mão no ar, dispensando Alessandro sem lhe dirigir um olhar. É todo seu. LAURA REID finalmente saltou na bicicleta e deixou a casa com terraço que dividia com a avó, 45 minutos depois do planejado.
25 As coisas moviam-se a uma velocidade diferente ali. Vivia agora naquele lugar havia quase um ano e meio e ainda estava se acostumando à mudança de passo. Não tinha certeza de que conseguiria se acostumar a ela. Numa manhã de sábado fria e brilhante, suas intenções podiam ter sido as de começar o dia ao amanhecer, fazer todas as pequenas tarefas que tinha até as 9h e, então, ir de bicicleta até a grande casa, mas intenções podiam não valer de nada. Pessoas tinham passado ali. A avó, Edith, fora para Glasgow a fim de visitar a irmã por duas semanas, e várias pessoas da vizinhança haviam aparecido para lhe desejar boa viagem e fazer diversas recomendações. Era ótimo sentir o vento no rosto conforme Laura ia se afastando da cidadezinha de bicicleta. Significava liberdade e paz, e era sempre um tempo em que repassava a vida em câmera lenta em sua mente, a maneira como o
26 círculo se fechara de modo a estar de volta onde começara. A garota que partira contente para Londres para assumir o cargo de assistente pessoal do presidente de uma empresa de telefonia não existia mais. Ao menos agora, quando pensava naquele período de sua vida, não sentia mais amargura nem desespero. Em vez disso, podia colocar tudo na devida perspectiva e ver suas experiências como um aprendizado. Havia trabalhado para uma empresa movimentada, agressiva, o que, para uma pessoa saída daquela cidadezinha, fora uma experiência inédita. Ela vira o lado bom e sentira a euforia da cidade grande. Andara de metrô e convivera com as multidões da hora do rush. Comera em lugares típicos e fora a bares de vinhos com novos amigos. E depois de dois anos naquela vida excitante, conhecera um homem tão diferente dos outros
27 que não se admirava em ter se apaixonado por ele. O único problema era que ele havia sido seu chefe. Não diretamente, mas estivera bem mais elevado do que ela na hierarquia da empresa e fora transferido recentemente de Nova York para Londres. E ingênua como havia sido, todos os sinais de alerta que teriam servido para qualquer mulher mais experiente passaram despercebidos. Rico... emprego de prestígio... bonito, com covinhas no rosto e cabelo louro ondulado anos e solteiro... Laura estivera nas nuvens. Não se importara com os finais de semana que ele não conseguira passar com ela por estar visitando o pai doente na área de New Forest. Não se importara que tivessem almoçado ou jantado fora em lugares pequenos e escuros a quilômetros do centro da cidade. E ele lhe dissera que não precisava ligar
28 para ele e que era do tipo que detestava conversas longas ao celular. Nunca há um momento conveniente gracejara ele. Ou você está no supermercado, prestes a entregar o cartão de crédito, ou no metrô tentando se segurar, ou no chuveiro. Deixe as ligações para mim. E ela as deixara por quase um ano até que o vira, por acaso, com uma mulher loura de braço dado com ele e uma criança pequena num carrinho, chupando um pirulito e virando-se para olhar para ele. Ela se apaixonara por um homem casado! Deixara-se encantar por charme superficial e um jeito esperto com as palavras. Laura pedira demissão e partira, e agora estava 99 por cento convencida de que fora melhor daquela maneira. O emprego de assistente não tinha sido para ela. Havia sido movimentado e bem pago, mas o trabalho
29 como professora que fazia agora trazia maiores recompensas emocionais. Além do mais, sempre havia um aprendizado. Ela jamais cometeria o erro de olhar duas vezes para qualquer homem que estivesse acima do seu círculo. Se ele parecesse bom demais para ser verdade, provavelmente era. Estava uma manhã nublada, e ela podia sentir o frio penetrando por suas camadas de roupas, inclusive pelo colete à prova d água que a envolvia por cima de tudo e a fazia parecer uma bola de praia à procura de um trecho de areia. Quando olhou por sobre o ombro, a cidadezinha ficara para trás e estava numa área campestre, estendendo-se até onde a vista podia alcançar. Diminuiu o ritmo das pedaladas. Não havia lugar na terra mais bonito que a Escócia. Não havia lugar onde praticamente pudesse se ouvir
30 o silêncio e os pequenos sons da natureza, a natureza viva, que respirava. Aquele era o lugar onde ela crescera. Não naquele preciso ponto daquela cidadezinha, mas numa cidadezinha semelhante não tão distante. Ela fora morar com a avó quando os pais morreram. Tinha apenas 7 anos na época. Adaptara-se com o tempo à perda dos pais e levara bem menos tempo para se ajustar à vida naquela parte da Escócia, porque o cenário lhe era muito familiar. Chegou ao alto de uma colina. Em ambos os lados, campos avermelhados e marrons encheram-na com uma sensação de liberdade e lá, logo adiante, podia avistar a entrada do longo caminho de acesso de carros que levava à casa de Roberto. Diminuiu a velocidade, pedalando calmamente pela entrada de veículos. Nunca se cansava daquele caminho familiar. No verão, era deslumbrante com os galhos das árvores de
31 vibrante verde pendendo sobre o caminho. No inverno, as árvores desfolhadas eram igualmente impressionantes, estendendo-se como garras na direção das nuvens. Ao avistar inesperadamente um veículo utilitário preto parou e caminhou devagar com a bicicleta na direção da porta da frente. Surpresas raramente eram do tipo bom, e tratava-se de uma surpresa porque Roberto quase não tinha visitas. Ao menos não forasteiros. Ele tinha amigos no vilarejo. Sua avó era muito próxima a ele; mais do que próxima, suspeitava ela. E, evidentemente, ele participava dos eventos para idosos, pois havia ali uma comunidade animada para aqueles com mais de 60 anos. Mas estranhos aparecendo do nada? O que deixava apenas uma possibilidade que a desapontou. Jamais conhecera o filho dele e, para ser justa, Roberto não falava muito sobre
32 ele, mas o pouco que dissera não causara uma boa impressão nela, nem na avó. Laura tocou a campainha e esperou com o coração disparado. DENTRO DA mansão, especificamente dentro do escritório para onde ele se recolhera após um café da manhã tenso com o pai, Alessandro ouviu a campainha tocar e praguejou por entre os dentes. Nenhum dos criados apareceu. O pai dele, que parecia determinado a não dar ouvidos ao bom senso, fora para a imensa estufa, onde, dissera, poderia ter uma conversa mais frutífera com suas plantas. Seu plano de comprar comida e fazer algo a respeito mudara. Decidira levar o pai para jantar na cidadezinha, pois, num restaurante, poderiam evitar a desagradável conversa. Ele foi até a porta e a abriu de péssimo humor, pois já via seu fim de semana sendo
33 desperdiçado. A garota parada diante dele, segurando o guidão de uma bicicleta que parecia uma relíquia de outros tempos, apanhou-o momentaneamente de surpresa. Ela era de estatura baixa com cabelo acobreado que fora preso num rabo de cavalo e olhos... Os mais puros e incríveis olhos verdes que ele já vira. Já não era sem tempo. Como disse? Laura esperara que Roberto atendesse à porta. Em vez disso, viu-se encarando o homem mais bonito que já vira na vida e ficou com o pulso acelerado. Esse devia ser o filho e não parecia em nada com a imagem mental que fizera dele. Sua imagem mental fora de um sujeito pomposo, afetado e feio, que empinava o nariz no ar e nunca saía de Londres se pudesse evitar. Ele raramente aparecia na Escócia e, quando o
34 fazia, Roberto sempre ficava chateado em seguida, como se estivesse se recuperando de um vírus. Infelizmente, o homem que a olhava com uma expressão glacial era de uma boa aparência desconcertante. Era alto e dono de um porte atlético. Usava uma camiseta preta de manga longa e um jeans preto desbotado que lhe realçava os músculos. Já acabou de me olhar? perguntou ele com frieza, e Laura ficou vermelha. Porque, se já acabou, pode entrar, ir direto para a cozinha e começar a fazer aquilo para que é paga. Como disse? Laura piscou e o encarou com perplexidade. Lembrando-se da maneira como ele lhe chamara a atenção por olhá-lo, desviou a atenção para a hera que subia pela parede atrás dele. Alessandro não se deu o trabalho de responder. Em vez disso, rumou na direção da cozinha, esperando que ela o seguisse.
35 Laura dirigiu-lhe um olhar de crescente raiva. Eu gostaria de saber o que está acontecendo indagou, deixando a bicicleta no chão e seguindo-o. O que está acontecendo... Alessandro virou-se para olhá-la e espalmou as mãos... é uma cozinha que precisa ser arrumada. E é para isso que você é paga. Corrija-me se eu estiver enganado. Recostando-se no balcão de granito, ele olhou para a garota de compleição pequena parada com ar ressentido junto à porta. Ninguém gostava de ser repreendido, mas era necessário. Pelo que entendi, Freya não pôde vir para o trabalho ontem porque o cão estava doente, e me espanta que só tenha se incomodado em mandar uma substituta hoje e, mais ainda, que ela só tenha aparecido às 10 da manhã! Plácida por natureza, Laura estava descobrindo que era notavelmente fácil se
36 alternar entre a calma e a fúria em segundos. Cruzando os braços, encarou-o com um olhar zangado. Se a cozinha precisava ser arrumada, por que você não a arrumou? Vou fingir que não ouvi isso! Eu gostaria de ver Roberto... E para quê? Alessandro cruzou os braços e encarou-a. Você pode conseguir convencêlo com alguma história lacrimejante sobre não ter conseguido fazer o trabalho para o qual é paga porque o primo do cachorro apanhou um resfriado ou porque a chuva estava caindo na direção errada e você não pôde chegar a tempo, mas não sou tão influenciável. Você deveria ter chegado aqui às 8 e, no que me diz respeito, seu pagamento será descontado de acordo. Não que fosse importar, levando em conta que o pai dele sairia da mansão, se não naquele fim de semana, certamente no fim do mês. Está me ameaçando?
37 Não é uma ameaça. É uma declaração e, francamente, deve se considerar com sorte por eu não a demitir no ato. Isso é demais! Onde está Roberto? Roberto? Ele não se lembrava de Freya se dirigindo ao seu pai pelo primeiro nome. Estreitando os olhos para observar o rosto afogueado dela, afastou-se do balcão e venceu a distância entre ambos. Como um predador de olho na presa, ele a cercou antes de parar diante dela de braços cruzados e com uma expressão pensativa. Interessante. O quê? O que é interessante? Laura recuou um pouco porque a presença dele era sufocante. E não tinha a ver apenas com o fato de o homem ser extremamente sexy. Também havia algo nele, algo intangível que produziu arrepios na espinha dela. É interessante que os empregados estejam chamando meu pai pelo primeiro nome, sendo
38 que é muito rico. Não estou entendendo aonde quer chegar. Uma jovem razoavelmente atraente um homem mais velho... carente. Estou fazendo as contas e não gosto nada dessa soma. A cor esvaiu-se do rosto dela. Está me acusando de... de...? Eu sei. Incompreensível, não é? Meu pai tem 80 anos, tem mais dinheiro do que sabe o que fazer com ele e uma oportunista que não pode ter mais que... o quê? anos, se dirige a ele pelo primeiro nome e parece desesperada para vê-lo porque, presumidamente, sabe que ele a salvará de uma situação desconfortável. Vinte e seis, na verdade. Tenho 26 anos. Uma oportunista? Era disso que estava sendo acusada? Uma oportunista razoavelmente atraente? Ele poderia estar guardando mais algum insulto? Vinte e dois Vinte e seis. Não faz muita diferença. Você ainda é jovem o bastante para
39 ser neta dele. Felizmente, pude ver por mim mesmo o que acontece aqui. Não sou uma empregada desta casa. Não? Alessandro ergueu as sobrancelhas. Empregada ou não, a mulher ainda era uma oportunista, embora ele tivesse que admitir que o pai tinha bom gosto. De perto, os olhos dela eram ainda mais incríveis, a pele era acetinada com leves sardas salpicando o nariz delicado, e os lábios... Ele lhe observou demoradamente os lábios, que eram cheios e bem desenhados. Podia não ser uma modelo, mas certamente não era uma mulher que se dispensasse numa noite chuvosa. Tinha um rosto diferente da maioria e aquilo em si era estranhamente atraente. Não era à toa que tivesse conseguido cair nas boas graças do pai dele. Nem imaginava quanto já teria conseguido lhe arrancar.
40 Não! As faces dela queimavam sob a inspeção, mas sustentou-lhe o olhar, embora estivesse reagindo com hostilidade às acusações. E quem é você? Sou Laura. Sou uma amiga. Como você descobrirá, se for buscá-lo! Oh, irei buscá-lo disse Alessandro numa voz que a fez cerrar os dentes com fúria impotente. Logo que eu e você tivermos uma conversa. Então, por que não se senta à mesa, Laura, para nós... Como posso dizer? Para nós nos conhecermos. Não, escolha errada de palavras. Eu vou conhecer você e você vai entender de onde venho. Ele sorriu e ela o olhou zangada porque, embora o sorriso fosse frio, era extremamente sexy. Está certo replicou, porque, se ele queria trocar uma palavra com ela, descobriria que também tinha algumas a lhe dizer. Adiantou-se
41 até a mesa da cozinha e, com um gesto rápido, retirou o irritante colete à prova d água. Jogando a cabeça para trás, lançou-lhe um olhar determinado. E, depois, eu quero ver o seu pai.
42 CAPÍTULO 2 VOCÊ SABE quem eu sou. Aquilo estava ficando melhor. Ele não fazia ideia de quem era a garota, mas ela sabia quem ele era. Se era uma amiga, devia ser especial, porque ele conhecia o pai e uma coisa era fato: Roberto Falcone era reservado em se tratando de conversa. Era e sempre fora um homem que só falava quando a situação exigia. Alessandro lembrava-se de muitas refeições feitas em silêncio depois que as palavras formais iniciais tinham sido trocadas por educação. É claro que sei quem você é. Por que não saberia? Você é Alessandro, o filho que nunca
43 vem à Escócia se puder evitar. Ele corou. Meu pai disse isso? Ele não precisou. Você leva seu pai para Londres quando quer vê-lo porque é mais fácil. Quando foi a última vez que esteve aqui, afinal? Como conheceu meu pai? perguntou Alessandro abruptamente, interrompendo quaisquer tentativas de desviar a conversa. Então ela não era uma empregada ali e ele deveria ter se dado conta do fato logo de início. Empregados não se pareciam com ela e não eram tão teimosos. Seus olhos percorreram um corpo que, livre do volumoso colete, era arredondado nos lugares certos. Tinha compleição pequena, mas era voluptuosa, especialmente quando se combinava o corpo sexy com o rosto bonito, livre de maquiagem. Sentou-se junto à cabeceira oposta da mesa. A cozinha era um dos lugares realmente informais da esplêndida mansão, e Alessandro
44 nunca deixara de se admirar que o pai tivesse mandado decorá-la com pinho gasto, um estofado com o encosto embutido na parede, um grande forno e armários destoantes. Não era um reflexo do homem austero, reservado, que ele era. Não estou aqui para uma inquisição. Não tenho que responder às suas perguntas. Onde ele está? Vim perguntar se ele quer alguma coisa das lojas. Não esperava encontrar você aqui. Alessandro achou praticamente tudo que ela disse bastante ofensivo, desde o tom de sua voz até a recusa em responder às perguntas dele e a implicação de que era o responsável pelo fato de o pai não aparecer. Além do mais prosseguiu Laura para que aquilo ficasse claro, eu me ressinto da sua insinuação de que, pelo fato de eu ser jovem, só sou amiga do seu pai porque ele é rico. Não tem o direito de me acusar de algo assim. Nem
45 sequer sabe quem eu sou! Inclinou-se para a frente com o rosto afogueado, mais zangada do que já estivera em sua vida. Mais zangada, pareceu, do que quando descobrira que o suposto amor de sua vida era casado e tinha um filho pequeno. Tudo no homem arrogante sentado à sua frente com frieza a tirava do sério. Para ser franco, não me importa que você se ressinta das minhas insinuações ou não disse Alessandro friamente. Pretendo proteger os interesses do meu pai e, se isso significa ficar de olho numa amiga, que assim seja. Responda às minhas perguntas e poderemos seguir em diante. Sente-se aqui espumando pela boca e voltará na sua bicicleta. Não estou espumando pela boca! Há quanto tempo conhece o meu pai? Frustrada, Laura desmanchou o rabo de cavalo e correu os dedos pelo cabelo farto. Por alguns segundos, ele se viu sem ar. Era uma
46 bela cabeleira e bem mais longa do que o habitual, cascateando pelos ombros. Ele desviou os olhos e franziu o cenho, desconcertado. Há anos. Apesar de relutante, Laura deulhe a informação que ele queria porque tinha a sensação de que ele não pararia enquanto não lhe dissesse o que queria saber. E talvez tivesse alguma razão. Roberto era muito rico e podia ser potencialmente alvo de oportunistas. E ela era, afinal, jovem demais para ser amiga dele. E era apenas razoavelmente atraente. Não tinha ilusões quanto à sua aparência e não precisava que lhe apontassem suas falhas. Vivera em Londres o bastante para perceber que as mulheres altas e magras eram consideradas sexies. Mas ele precisava fazer alguma menção à sua aparência? O insulto a magoara. Homem odioso.
47 Anos... disse Alessandro, franzindo a testa. Ela não estava mentindo. O rosto não podia ser mais transparente, mas como era possível que ele não soubesse de sua existência? Desde antes de eu ter ido para Londres. Ele pertencia ao mesmo grupo de jardinagem que eu. Ele adora horticultura. E adora jogar xadrez. Desde que voltei de Londres, jogo xadrez com ele uma vez por semana. Ele joga de maneira brilhante. Está me dizendo que o único interesse que tem no meu pai é como parceiro no jogo de xadrez e na jardinagem. Não é mera jardinagem replicou Laura irritada. É a emoção de avistar plantas raras, tentando produzir híbridos interessantes. Notou a expressão neutra no rosto dele. Acho que você não tem plantas onde vive. Roberto disse que você mora num apartamento. Numa cobertura e, não, nada de plantas. Então, vocês jogam xadrez e falam sobre
48 plantas. Exato. O silêncio prolongou-se, deixando-a pouco à vontade. É o que se chama de ter hobbies. Você deve ter alguns. Eu trabalho. E Alessandro riu subitamente, e seu rosto se transformou. A expressão severa, fechada, deu lugar a um desconcertante ar sexy. E jogo tênis. Considero a ambos os meus hobbies. A cor tomou conta das faces dela. Seus olhos verdes ficaram fixos no rosto dele. Quando umedeceu os lábios com nervosismo, viu a maneira como os olhos dele acompanharam o movimento da ponta de sua língua e ficou ainda mais vermelha. Joga tênis? perguntou num fio de voz, sentindo a mente num turbilhão. Alessandro ainda sorria, e ela continuou corando e pouco à vontade com a sensação. Oh, sim. Sou muito bom no jogo. Laura piscou, começando a se recobrar.
49 Bem, o seu pai gosta de xadrez, de suas plantas e... E? Disso e daquilo. Ele tem precisado ir com calma após o derrame e, é claro, apenas agora está andando com firmeza depois da queda, mas voltará a se recuperar logo. O que é isso e aquilo? Ele não fizera ideia de que o pai era um membro ativo da sociedade local de horticultura e, portanto, isso e aquilo poderia ser qualquer coisa. Ela deu de ombros com ar evasivo. O habitual. A questão é que ele pode voltar a fazer todas as coisas de que gosta agora. Assim, você pode retornar a Londres, certo de que ele será bem-cuidado. Não precisa se sentir movido pelo dever de vir até aqui ver como ele está. Sem mencionar que não será necessário checar os amigos de Roberto e as pessoas que trabalham para ele. Não precisa achar que tem que ficar de olho em tudo.
50 Alessandro olhou admirado para a mulher de faces rosadas que o olhava com ar desafiador. Quando fora a última vez que encontrara uma pessoa que falava o que pensava daquela maneira? Já conhecera alguma outra, afinal? Antes de entrarmos no que tenho a dizer relaxou na cadeira e cruzou as pernas, apoiando o tornozelo no joelho, estou curioso. Em relação a quê? Laura não se deixou enganar pela pose relaxada dele, pois lembrava um predador prestes a atacar. Ao que a trouxe de volta de Londres para estes confins. Laura empertigou-se. Ele estava fazendo aquilo outra vez, colocando-a na defensiva. Respirou fundo, tentando ter pensamentos tranquilos. Não estamos nos confins disse num tom calmo, embora o sangue fervesse. Se olhasse realmente à sua volta, veria que este é um dos
51 lugares mais bonitos do mundo. Há tudo que você pode esperar querer na Escócia: castelos, lagos, rios, montanhas... É um lugar maravilhoso e pacífico. Interessante conversa de guia turístico. Sou mais um sujeito urbano, mas isso é um convite para me mostrar as vistas e me conquistar? Certamente que não! Alessandro riu, realmente riu com humor, com os olhos escuros pousando com ar divertido no rosto corado dela. É uma pena. Uma excursão pessoal ajudaria muito a me conquistar. Então, você se mudou para cá porque há castelos, lagos e é um lugar pacífico. Laura achava que suas razões para ter se mudado de volta para a Escócia não eram da conta do homem, mas ele continuaria especulando a respeito? Em parte, e também porque a minha avó teve um problema. O que também era
52 verdade e deixava de fora a maior parte do motivo: o seu famigerado romance. Teve um problema? Começou a ter tonturas. Ela mora sozinha, e eu quis estar ao seu lado. Ela ficou ao meu lado quando meus pais morreram. Alessandro afastou depressa as contradições gritantes entre ambos. Estava ali para levar o pai para Londres, embora ele talvez fosse protestar diante da mudança. Era para seu próprio bem! Para começar, havia muito mais opções no tocante a vários tratamentos médicos e, tendo sofrido um derrame e uma queda, quem poderia saber quais tratamentos precisaria no futuro? Em Londres, teria o melhor. Foi muito louvável da sua parte. Só posso pensar que deve ter sido difícil deixar as emoções da cidade grande e vir para toda esta paz e tranquilidade. No que você trabalhava em Londres?
53 Ele não estava interessado. Não realmente. Estava apenas estabelecendo suas credenciais, tentando descobrir se era uma ameaça para a fortuna do pai. Ela sabia daquilo. Eu trabalhava como assistente pessoal disse, baixando os olhos. Em que empresa? Não sei o que isso tem a ver com a situação! retrucou ela com as faces queimando. Tem razão. Não tem a ver. E eu não teria perguntado se soubesse que estava chegando perto demais de segredos de Estado. Não tem importância. E ainda assim, por alguma razão, ela relutava em dizer o nome da empresa em voz alta. Era porque se lembraria de Colin? E da mortificação de descobrir que ele estivera mentindo para ela? O horror de descobrir como fora ingênua em entregar sua confiança a um sujeito de fala macia? A vergonha em deixá-lo ver como fora tola e
54 inexperiente por não ter percebido que patife era? Despertando dos pensamentos, viu que Alessandro a estudava com ar perscrutador e, erguendo o queixo com desafio, disse-lhe o nome da empresa. Não que seja da sua conta frisou. Conheço a empresa murmurou ele ainda olhando-a como se pudesse enxergar através de sua alma. E naturalmente estou interessado em descobrir sobre uma das amizades do meu pai. Por que não estaria? Não achei que já tenha estado antes. Quero dizer, você poderia ter vindo visitar quando houve coisas acontecendo Poderia ter participado Coisas? Que tipos de coisas? Oh, nós temos nossa dança no celeiro ao menos uma vez por mês, e não vamos nos esquecer da festividade anual do porco assado
55 enquanto todos admiramos a bela paisagem campestre. Alessandro riu divertido. De repente, os olhos pensativos contiveram humor e o rosto adquiriu um ar sedutor, sexy. Prefiro as danças de celeiro em Londres disse com ar zombeteiro. E os porcos assados são bons também, embora o que se tenha para admirar seja a poluição. Laura não quis rir, mas teve de lutar contra a vontade. É bom da sua parte visitá-lo admitiu a contragosto. Acho que tem se preocupado, mas, como falei, não é necessário. Eu tento vêlo todos os dias depois do trabalho. Oh? Você conseguiu encontrar outro emprego de assistente pessoal aqui? Ele nem sequer sabia que existiam empresas na pequena cidade. Não lhe parecia um setor de empregos muito amplo.
56 Eu me dei conta de que trabalhar como assistente pessoal de alguém não era o que eu queria fazer. Não? Quando voltei para cá, encontrei um emprego como professora e é muito compensador. Leciono na escola primária local. É pequena e há apenas um punhado de crianças em cada classe, mas me traz muita realização. Professora. Os horários são convenientes e, é claro, há férias e feriados e, pelo fato de ser uma escola pequena de um vilarejo, conheço todas as mães. Era um emprego incrível, nada do que se envergonhar e, ainda assim, Laura não podia deixar de se sentir uma caipira. Acolhedor. Acho que deve achar isso entediante, mas não são todos que se deixam consumir pela vontade de viver na cidade e ganhar rios de dinheiro.
57 Não me lembro de ter dito nada sobre achar o que você faz entediante, embora questione quanto de satisfação pessoal você obtém num lugar tão pequeno quanto este, especialmente depois de viver em Londres. Eu me cansei da selva de pedra. É um pouco nova para ter passado por isso, não? Normalmente, é algo que tende a afligir aqueles que estão acima dos 40. E quanto a toda a excitação? Eu me cansei da excitação. Ah. Ela estreitou os olhos para observá-lo, e ele devolveu o olhar com inocência. Isso é tudo? Acabou de me interrogar? Talvez você possa me apontar na direção do seu pai se, é claro, eu passei no teste. Ele está na estufa. Alessandro fez um gesto de cabeça na direção geral dos jardins dos fundos, mas manteve os olhos no rosto dela.
58 Então, ela retornara para a casa da avó para lamber as feridas. Talvez a avó realmente tenha tido algum problema, mas ele era esperto o bastante para saber que havia mais por trás da história. Ela tivera algum tipo de experiência ruim em Londres envolvendo um homem, provavelmente alguém com quem trabalhara, a julgar pela maneira como falara do local de trabalho. Podia falar a sério sobre a paz e a tranquilidade, os lagos e rios, mas a verdade era que tivera o coração partido e fora ali para curá-lo. Ele se viu se perguntando com que tipo de homem ela se envolvera e tratou de conter a curiosidade porque, depois daquele fim de semana, duvidava que tornaria a vê-la. O que era uma pena. Na verdade, era uma pena que não tivesse colocado os olhos nela antes, numa de suas raras idas à Escócia. Ela certamente teria tornado suas visitas obrigatórias bem mais interessantes. Os ventos
59 cortantes, a névoa deprimente e a paisagem rural vazia teriam sido mais fáceis de suportar. Está certo. Laura levantou-se e achou que deveria estar se sentindo mais aliviada em sair da presença daquele homem odioso do que realmente estava. Eu não me incomodaria em ter uma conversa sobre comida com ele se fosse você, porém. Do que está falando? Você mencionou que tinha vindo de bicicleta até aqui para cumprir o dever de boa samaritana e se oferecer para ir comprar comida para ele, como se meu pai não tivesse condições de pagar alguém para fazer isso para ele. Na verdade, poderia contratar um chef para comprar a comida e prepará-la, se quisesse. Isso o livraria das coisas que Freya cozinha. Laura absteve-se de comentário. Tinha um bom relacionamento com Freya, embora, de fato, não fosse uma cozinheira de mão cheia.
60 Seu pai gosta de comida simples. Mas por que não devo lhe perguntar se precisa de algo? Porque não há razão para encher os armários só para esvaziá-los no intervalo de poucos dias. É perda de tempo. O quê? Do que está falando? Laura olhou para aquele rosto bonito e arrogante e voltou a sentar-se abruptamente na cadeira. Há uma razão para eu ter vindo até aqui explicou ele calmamente. Falei com o meu pai sobre isso em diversas ocasiões e lhe mandei um ... Dando um profundo suspiro, fechou os olhos por um momento enquanto pensava na frustração em lidar com alguém que não queria enfrentar o inevitável. As coisas não deveriam ser daquela maneira. Sabia disso. Era evidente que o passado não podia ser mudado, nem o presente, mas não devia ser daquele jeito, um nado constante contra a corrente. Estou confusa disse Laura em tom de urgência. Falou com ele sobre o quê? Enviou-
61 lhe um sobre o quê? Alessandro abriu os olhos e estudou-a em silêncio por alguns segundos. Ele não confiou em você, então. É estranho, considerando que são grandes amigos. Por favor, pare de ser sarcástico e me diga o que está acontecendo. Vim até aqui para buscar o meu pai e leválo para Londres comigo. Levá-lo? Laura estava aturdida. Levá-lo por alguns dias? Não exatamente. Prepare-se. A estada de Roberto aqui na Escócia terminou. Vou levá-lo para Londres comigo, e ele não vai voltar. Os pertences dele serão enviados para lá e, depois, a casa será colocada à venda. Comprei-lhe um apartamento em Chelsea. É do tamanho certo e, se meu pai estiver em Londres, posso ficar de olho nele. Laura estava achando difícil seguir-lhe a linha de raciocínio porque nada daquilo fazia
62 sentido. Você está brincando. Não está? Nunca brinco com coisas como essa. Ele não mencionou nada disso a você? Em nenhuma de suas visitas de Chapeuzinho Vermelho? Por um segundo, ela quis lhe atirar algo. Como ele podia ficar sentado ali, discutindo o futuro de um homem idoso, falando a respeito numa voz seca e cáustica? Você disse por entre os dentes é a pessoa mais... mais... Fale. Eu lhe asseguro que não vou levar para o lado pessoal. A pessoa mais arrogante que já conheci na vida! Não é de admirar que... Que o quê? Ambos se entreolharam em silêncio. Laura podia ouvir o descompasso no seu coração. Nada resmungou ela, baixando os olhos. O que sabia sobre o relacionamento entre pai e
63 filho? Roberto nunca dissera nada negativo sobre Alessandro, mas a fria distância entre ambos era evidente. A verdade era que aquele assunto não era da sua conta. E o fato de o homem sentado à sua frente irritá-la não lhe dava o pretexto de dizer coisas que não deviam ser ditas. Alessandro deixou o assunto de lado. Não iria se submeter à irritação desnecessária de ter uma observadora externa dando sua opinião sobre a situação. Olhou para ela com frieza, notando-lhe o desconforto. Ele não disse uma palavra sobre isso para mim, ou para... Bem, estou chocada. Não posso acreditar que você vai tentar arrancar o pobre Roberto de tudo que lhe é caro e atirá-lo no louco caos da vida em Londres. Não pode fazer isso! Não é necessário entrar em pânico disse Alessandro numa voz suave que produziu
64 arrepios na espinha dela. É um apartamento espaçoso de três quartos. Tem todas as comodidades modernas e, inclusive, banheiros nas suítes. Tenho certeza de que ele vai manter um quarto livre para os amigos especiais. Sentiu repulsa diante da ideia de que ela tivesse algo com ele que fosse além do puramente platônico. Mas, sim, ela negara a ligação e, portanto, qual era a razão do horror? E se ele não mencionou nada a você, atribuo isso à negação. Porque venho tendo essa conversa com o meu pai há seis meses. Laura observava-o em silêncio, perplexa. Ele já tem certa idade... Exatamente aonde quero chegar. O derrame a pélvis fraturada Ele não pode lidar com esta mansão enorme. Precisa de um lugar mais compacto. Precisa conseguir chegar da cozinha ao seu quarto em menos de três horas.
65 Por favor, não exagere. Como você disse, Roberto tem condições de contratar o máximo de ajuda que quiser. No momento, tem apenas Freya e Fergus, mas sei que contrataria mais alguém para ajudá-lo se julgasse necessário. Isso não é um assunto sujeito a debate. Encontrei-lhe um excelente lugar no centro da cidade. Ele vai se adaptar. Londres é cheia de coisas excitantes. Idosos não querem excitação. Querem rotina. Querem estabilidade. Querem estar cercados pelas pessoas e rostos que lhe são familiares. Alessandro encarou-a com incredulidade. Estavam falando sobre o mesmo homem? E com que frequência vai visitá-lo persistiu ela, ignorando a expressão fechada dele. Vai se certificar de que ele se estabilize? Vai mantê-lo sob sua asa? Ou vai visitá-lo quatro vezes por ano, no entanto, ficará mais contente com uma jornada bem mais curta?
66 Alessandro franziu o cenho. A sua preocupação é tocante, mas, eu lhe asseguro, ele ficará bem. E, a propósito, quem são esses rostos familiares dos quais ele precisa estar cercado? Ele tem muitos amigos no vilarejo. Além de você? Sim, além de mim! O que acha que ele faz durante os dias? Quero dizer, a saúde dele não tem sido ótima recentemente, mas antes disso? E agora que está sarando? Alessandro olhou-a com uma expressão neutra. Você não sabe, não é? Não faz a mínima ideia. Quer levá-lo para longe do seu lar e nem se deu o trabalho de descobrir do que ele sentirá falta! Como é a vida dele aqui! Você está gritando. Eu nunca grito! A voz de Laura reverberou no silêncio e ela o fuzilou com o olhar. Não costumo gritar corrigiu-se, mas
67 estou muito zangada. E pare de me encarar. Suponho que ninguém nunca gritou com você antes. Correto. Ninguém nunca fica zangado com você? perguntou ela incrédula. Está me olhando como se achasse que isso é difícil de acreditar replicou Alessandro com frieza. Exceto pelo lado físico das coisas, em todos os níveis aquela mulher o ofendera em todos os aspectos. Era uma das razões pelas quais ele não pretendia se envolver com mulher alguma. Levara uma vida norteada pelas próprias ideias e não havia lugar nela para relacionamentos. E, no que lhe dizia respeito, a humanidade podia se entregar a casamentos inúteis, a maioria fadada ao fracasso. Talvez o frio distanciamento do pai o apontara naquela direção. Não era algo que tivesse perdido tempo analisando. Apenas sabia que, para ele, a
68 companhia das mulheres era para ser desfrutada até que partisse para a mulher seguinte. Eram a sua zona livre de estresse, um bem-vindo intervalo no agradável frenesi de estar no ápice do jogo no mundo dos negócios. Uma mulher que gritava não constituía uma zona livre de estresse. E acho difícil de acreditar respondeu Laura com franqueza. As mulheres, especialmente, não ficam zangadas comigo. Acho isso ainda mais difícil de acreditar. Não encorajo acessos de raiva. Não acho que uma mulher gritando seja excitante. Meu objetivo não é excitar você, pensou Laura. Seu pulso se acelerou. Olhou para os olhos escuros e intensos dele, para os contornos másculos e perfeitos do rosto, e algo dentro dela ganhou vida inesperadamente. Subitamente confusa, prosseguiu:
69 O seu pai não teve nada a dizer quanto a isso? Ou vai ignorar as objeções dele e fazer o que você acha que é melhor? Esta conversa está girando em círculos. Alessandro correu os dedos com impaciência pelo cabelo e, levantando-se, foi até a geladeira pegar uma garrafa de água mineral, bebendo um longo gole. Então, recostou-se na bancada e olhou-a. Farei o que considero o melhor para o meu pai e você pode extravasar toda a linguagem emotiva e histérica, mas nada vai mudar isso. Como falei, conversei com o meu pai sobre isso. Se ele preferiu não lhe contar nada, o que posso dizer? concluiu dando de ombros. Há uma coisa que precisa saber disse Laura a contragosto, e ele ficou imóvel. Sou todo ouvidos. Seu pai não tem apenas uma vida social no vilarejo, mas ele está envolvido com alguém localmente.
70 Por alguns segundos, e talvez pela primeira vez na vida, Alessandro estava sem fala. Você ouviu o que eu disse? Ouvi. Apenas não assimilei ainda. Está me dizendo que o meu pai tem uma namorada? Minha avó. Perplexo, Alessandro sacudiu a cabeça para tentar ordenar os pensamentos. Laura viu o aturdimento de Alessandro e, de repente, sentiu uma onda de simpatia e compaixão por ele. Aquilo não dizia tudo sobre o tipo de relacionamento que ele tinha com Roberto? Um em que nada pessoal era conversado? No qual nenhuma emoção era permitida? Meu pai está saindo com a sua a sua avó? Como isso faz sentido? É fácil. Eles se conhecem há séculos e têm sido amigos há um longo tempo, mas, nos últimos meses, começaram a se ver. A ter encontros, esse tipo de coisa...
71 Meu pai tem encontros? Acontece. Duas pessoas têm uma amizade sólida... Uma coisa leva à outra. Ele ainda é um homem atraente. Aposto que há algumas senhoras no clube de jardinagem que já ficaram de olho nele. Alessandro voltou à mesa, sentou-se e, de cenho franzido, olhou para o vazio por alguns momentos antes de observar a mulher que o olhava com a cabeça inclinada e os olhos entreabertos. Detalhes. Como disse? Há quanto tempo exatamente esses encontros estão acontecendo? E a sua avó... onde mora? É viúva? Divorciada? Quantos anos ela tem? Laura ficou tensa, prevendo o rumo do que ele estava presumindo. Você me acusou de ser oportunista declarou com frieza. Não poderia ter estado
72 mais longe da verdade. E nem sequer se atreva a pensar em insinuar que a minha avó está atrás do dinheiro do seu pai! São apenas duas pessoas que se dão bem e gostam da companhia uma da outra. Se quer os detalhes, aqui estão. Respirou fundo antes de continuar: Minha avó mora numa pequena casa nos arredores do vilarejo, a cerca de vinte minutos daqui. Passou a vida inteira aqui e, sim, é viúva. Meu avô morreu há muitos anos. Ela nunca pensou em encontrar mais ninguém, muito menos alguém que conhecesse há tanto tempo, mas foi somente nos últimos dez anos que o seu pai começou realmente a se integrar na comunidade. Ele era recluso antes disso. Acho que o trabalho o mantinha afastado. E, é claro, minha avó estava ocupada trabalhando na cidade vizinha. Ela dirigia o centro de jardinagem de lá. Só desistiu há cinco anos porque o trajeto estava se tornando incômodo, especialmente no inverno. É claro que ela
73 dirigia até lá, mas você não imagina como é gela... Deu para ter uma ideia. Idade? Hã? Oh. Claro. Setenta e seis. Assim, essa é apenas uma das razões por que seria doloroso se você o forçasse a partir. Doloroso? Forçar? Mas aquilo acrescentava uma nova faceta às coisas. Talvez ele devesse verificar a situação pessoalmente. Seu pai estava namorando alguém cuja neta era sua melhor amiga. O cinismo estava arraigado em Alessandro, como uma parte vital de si. Os pombinhos estariam realmente interessados um pelo outro? Era melhor manter-se do lado seguro, especialmente quando dezenas de milhões de libras estavam em jogo. Você está certa. Estou? Laura estudou-o com ar cauteloso, tentando enxergar por trás da expressão pensativa, especulativa.
74 Se é para o meu pai deixar este lugar, não cabe a mim forçar a situação. Preciso convencêlo de que há vida para além das fronteiras escocesas... Ele não se deixará convencer, tenho certeza disso. Alessandro abriu-lhe um sorriso. Então, talvez não pudesse resolver tudo naquele fim de semana, mas não havia problema. Era do tipo que tinha iniciativa e determinação quando lidava com situações inesperadas. Como aquela. E, para ser totalmente franco, a entrada da sexy mulher na equação fazia com que talvez houvesse diversão garantida ali. Mas vale a pena tentar, não concorda? Quero dizer, você passou a última hora torcendo as mãos e choramingando e me acusando de estar sendo injusto. Assim, tenho certeza de que não fará objeções quanto a me mostrar em primeira mão essa vida social calorosa que o meu pai odiaria deixar para trás.
75 CAPÍTULO 3 O GAROTO está atrasado. Provavelmente mudou de ideia. Acho que decidiu que é melhor me remover da minha maldita casa do que fingir que está interessado em algo do que faço. Laura olhou para Roberto ansiosamente. Eram quase 18h, e Alessandro estava meia hora atrasado. Ele disse que viria. Meu filho tem sua agenda pessoal. Vive para o trabalho! Ele ajeitou a gravata e bateu com a bengala no assoalho. É provável que tenha recebido um telefonema e, é claro, qualquer telefonema seria preferível a vir à
76 Escócia! Nunca suportou este lugar. Sempre preferiu aquela vida cheia de nove-horas de Londres. É claro que alguma outra coisa pode tê-lo detido. Sim? Ela olhou com afeição para Roberto. Usava paletó escuro com uma camisa branca, com o nó da gravata firmemente no lugar, e uma calça preta impecavelmente passada. Os sapatos brilhavam. Estava tão elegante que ela tirara uma foto dele com o celular para poder enviá-la à avó. Ele resmungara, mas ela notara que ele ajeitara o farto cabelo grisalho antes da foto. Garotas. Como disse? Garotas. Há uma porção delas atrás dele. Conheci uma ou duas eu mesmo. São cabeças de vento tolas, mas às vezes nem os mais espertos dos homens podem resistir a... Já entendi, Roberto! Ela o desviou do assunto de volta para plantas, jardins e o clube
77 de culinária que sua avó queria que ele integrasse. A última coisa que precisava era ouvir sobre Alessandro e suas garotas. Na verdade, a última coisa que queria era estar ali, numa sexta-feira à noite, usando um vestido de manga longa e comprimento até o joelho com botas, e à espera de um sujeito que a afetava de uma maneira exasperante. Passara a semana anterior pensando nele, não conseguira tirá-lo da mente, e ter de enfrentá-lo novamente não era o que queria. Mas estava ali porque Roberto lhe dissera que os três se reuniriam. Enfiei na cabeça dele que a vida do velho pai é subitamente interessante anunciara Roberto. Eu lhe disse que era bem mais interessante do que uma que só tem trabalho, trabalho, trabalho e algumas garotas no meio. Depois disso, explicara-lhe a questão toda da mudança que não queria e à qual não seria
78 forçado. Não conseguira conversar sobre o assunto com a avó dela e ela não deveria mencioná-lo. Ele mesmo conversaria com Edith quando ela retornasse, não que ele fosse para algum lugar, insistira. Mas, se o garoto quer tentar fazer com que eu me mude, verá que está perdendo tempo. Não sairei daqui. Laura notara a apreensão em meio à obstinação dele e concordara em estar ao seu lado quando Alessandro chegasse. De maneira alguma ficaria por perto o fim de semana inteiro, mas, sim, ela os acompanharia para o jantar no novo restaurante de frutos do mar que abrira na cidade vizinha. Agora Roberto estava se preocupando, mas, antes de começar a acalmá-lo outra vez, ambos ouviram um barulho alto acima da casa. Rapidamente, adiantaram-se até a janela panorâmica, espiaram para fora e registraram a presença de um helicóptero, que estava
79 encontrando o ponto certo no imenso jardim antes de pousar. O forte facho de luz cortando a escuridão foi uma visão impressionante. Laura apostava que todos na cidadezinha se encontravam na janela se perguntando o que estava acontecendo. Devia ter adivinhado que ele não chegaria como qualquer pessoa. Roberto já deixava a sala de estar, onde tinham estado conversando diante de um bule de chá. Laura seguiu atrás dele, chegando à porta da frente enquanto era aberta, e lá estava ele, alto, atraente e aristocrático conforme se lembrava. Espero que não tenha mandado que pousassem aquela coisa em cima das minhas plantas! exclamou Roberto contrariado. Alessandro olhou além do pai para Laura, e ela ficou de imediato com o rosto afogueado. E obrigado pelas calorosas boas-vindas. Alessandro virou-se para gesticular algo para o piloto e, então, entrou no vestíbulo, fechando a
80 porta atrás de si. Os olhos perspicazes não deixaram passar nada. O pai ainda mostrava a mesma expressão rebelde no rosto que tivera no fim de semana anterior, quando ele tentara conversar sobre a mudança, e Laura... Ela estivera em seus pensamentos. Ele não conseguira entender o motivo. Fora porque, num mar de mulheres previsíveis, ela havia sido a única que o contradissera? A novidade de ser criticado provocara uma reação? Ou a falta de uma presença feminina em sua vida tinha algo a ver com aquilo? Havia dois meses que terminara com a última namorada. Não analisou a reação. Só sabia que o fim de semana planejado se mostrava promissor à sua frente. E aquilo em si era espetacular, considerando como suas visitas tinham sido relutantes no passado, visitas obrigatórias suportadas antes de retornar à sanidade da vida na cidade.
81 Você está atrasado. Eu estava prestes a ir até a cozinha e pegar algo da geladeira. Alessandro olhou para Laura para ver se ela também estava irritada com a impaciência de seu pai, mas, quando a observou, viu que ela sorria com indulgência para Roberto e pousava a mão em seu braço, um gesto de afeição que o pai dele parecia aceitar normalmente. Se Freya estocou a geladeira replicou Alessandro, acho que o conteúdo não será muito animador. Vou levar dez minutos, no máximo. Preciso mandar um rápido . Laura franziu o cenho. Sabia que Roberto se vestira e estivera à espera durante uma hora e meia. Ajudara-o com a gravata e vira, pelas outras três gravatas dispostas no encosto da cadeira, que ele se demorara a escolher qual queria usar. Acho que devemos ir logo murmurou ela, encontrando o olhar de Alessandro. Roberto costuma dormir cedo.
82 Roberto pode ir se deitar quando bem entender! anunciou Roberto, mas ela viu que ele relaxou um pouco quando Alessandro meneou a cabeça imediatamente e deixou a valise no chão. Aluguei um carro que vai me ser entregue de manhã. Ele tirou o celular do bolso. Qual é o número da empresa de táxi local? Não é necessário disse Laura num tom firme. Virando-se para Roberto, ajeitou-lhe o cachecol debaixo do sobretudo. Você está sempre me paparicando, garota! Mais uma vez, porém, Alessandro se deu conta de um relacionamento que não soubera que existia e o qual o fazia sentir-se um observador externo. Seu pai, rabugento e impaciente, estava satisfeito em ser paparicado. Alguém tem que fazê-lo quando minha avó não está por perto murmurou ela, e Roberto lançou um olhar atravessado ao filho antes de
83 afastá-la de si. Não é preciso chamar um táxi. Eu trouxe o meu carro. Você vai nos levar de carro? Alessandro deixou-os passar e fechou a porta. Não me diga que não se sente à vontade com uma mulher ao volante disse ela com um sorriso açucarado. Porque, se é o caso, você é extremamente antiquado. A garota fala o que pensa! exclamou Roberto satisfeito. Vai ter que se acostumar com isso, meu rapaz. Deu um tapinha na mão dela enquanto se adiantavam na direção da lateral da casa. Pretende nos levar nisso? Parado sob uma das luzes de segurança que circundavam a casa estava um velho Morris Minor. Pensei que esses carros não existissem mais. É bastante confiável replicou Laura ríspida. Exceto no inverno passado apontou Roberto e, durante o trajeto, ambos se
84 lançaram numa anedota sobre a imprevisibilidade do carro, que Alessandro presumiu ele deveria achar hilária. Pretendera tocar no assunto da mudança, mas no decorrer de uma refeição surpreendentemente agradável não teve chance. Seu pai e Laura tinham piadas pessoais. Conversaram sobre as pessoas do vilarejo, falaram sobre orquídeas. Ouviu o pai rindo. Duas vezes. O som era tão incomum que achou que os ouvidos estariam lhe pregando uma peça, mas não, pois ao final de uma hora e meia, pôde ver por si mesmo que a vida que imaginara que seu pai levava era diferente. Por quanto tempo vai ficar? perguntou Laura educadamente quando, com o motor ainda funcionando, estavam de volta à mansão. Esse foi o trajeto mais desconfortável da minha vida informou-a Alessandro ao retirar o corpo de grande porte do banco de trás. Por
85 que o seu motor ainda está ligado? Pensei que você fosse entrar. Eu não pretendia. A garota precisa se colocar a caminho anunciou Roberto. Nesse caso interveio Alessandro, podemos reservar algum tempo para conversar sobre a sua mudança. Não nesta noite, meu garoto. Este velho precisa de seu sono de beleza. Vou entrar por alguns minutos. Roberto, a caminho da porta da frente, fez uma pausa para observá-los e estreitou os olhos. Acho que Edith não vai querer você rodando pelo campo a esta hora da noite. Laura sorriu. Ainda é cedo. Minha avó se preocupa demais. E com boa razão resmungou Roberto, batendo com a bengala com impaciência na
86 porta da frente, enquanto Alessandro verificava um molho de chaves à procura da certa. Depois daquele namorico em Londres. Não foi nada. Ocorreu a Laura que precisava alertar a avó a não fazer confidência de nenhum tipo enquanto Alessandro estivesse por perto, ouvindo. Já estamos de volta e devo dizer que o jantar estava delicioso. Por mais que não quisesse passar algum tempo na companhia de Alessandro, sabia que teria de fazê-lo, por pelo menos meia hora ou mais. Primeiro, queria descobrir quanto tempo ele pretendia ficar na Escócia, porque alugar um carro não era um bom sinal. Segundo, sentia-se aflita para saber se ele estava repensando a tola decisão de tentar convencer o pai a se mudar para Londres. Vira como Roberto acabara com todas as tentativas de manobrar a conversa para a mudança e sabia que qualquer relacionamento que os dois tivessem terminaria se Alessandro
87 continuasse tentando obrigar o pai a uma mudança que não queria. Não podia enxergar aquilo? Importava-se? E como aqueles dois tinham se tornado tão teimosos? Estava curiosa. Não deveria, mas estava. Roberto recusou quando ela se ofereceu para acompanhá-lo pela escada, e foi somente quando ele desapareceu do raio de visão que ela sentiu o poder da presença de Alessandro envolvendo-a. No ato de deixar a casa, dirigir até o restaurante e se empenhar ao máximo para conduzir a conversa para qualquer assunto que demonstrasse os laços de Roberto com a comunidade, havia se esquecido de como se sentia pouco à vontade naquele vestido. Agora, enquanto aqueles olhos escuros pousavam nela, teve de se conter para não puxá-lo.
88 Aceita um drinque? Ele a observou por alguns instantes. Ela estava usando um vestido que jamais ganharia prêmios num desfile de moda. Era de um comprimento desfavorável e, combinado com botas práticas, dava a impressão de alguém que não entendia muito de roupas. Ele namorara supermodelos, mas por vezes ao longo do jantar apanhara-se olhando para a maneira como o tecido lhe moldara os seios cheios e como o decote comportado deixara tudo por conta da sua imaginação. Porque acho que a única razão para ter se oferecido a entrar foi porque há algo que quer me dizer. Um gim e tônica pode ajudar na conversa. Laura franziu o cenho. Sem Roberto ao redor, Alessandro voltava a ser o homem arrogante, exasperante, que achava divertido alfinetá-la. Também podia dizer pela maneira como ele a olhara que a achara deselegante no
89 vestido grosso de lã usado com botas funcionais. Ele rumou para a cozinha, e ela o seguiu. Com blazer de lã e calça escuros, ele estava incrivelmente sexy, e ela se ressentiu pela maneira como notou aquilo quando não queria. Parou junto à porta e observou enquanto ele abria um armário, pegava dois copos e servia um drinque para ambos. E então disse ele, entregando-lhe um copo, vai ficar à porta feito uma sentinela, ou vai se sentar e dizer o que tem a dizer? Os dedos dele haviam roçado os dela, e Laura sentiu uma corrente eletrizante percorrendo-a. Você não mencionou quanto tempo pretende ficar aqui. Aproximando-se da mesa devagar, sentou-se. O primeiro gole de gim e tônica foi forte, mas o segundo pareceu bem melhor e a ajudou a relaxar.
90 Ainda não decidi. Por quê? Eu a faço sentir-se pouco à vontade? Não quero soar redundante, mas... ele deu de ombros, sorveu o drinque e, então, olhou-a por cima do copo... há necessidades que precisam ser atendidas. Que necessidades? Essa é uma pergunta sugestiva, não acha? Se estavam se referindo às necessidades dele, poderia atendê-las ficando ali. Teve uma imagem vívida dela em sua cama, espalhada em toda a sua glória e beleza exuberante, o rosto delicado em formato de coração afogueado com desejo, o corpo uma oferta para que o possuísse. Imaginou os imensos olhos verdes dela admirados com a nudez dele, os braços abertos, as pernas também... O fogo do desejo percorreu-o e sentiu uma ereção de imediato. Você estava desesperada para que eu descobrisse os prós e os contras da vida
91 movimentada do meu pai aqui e, para fazer isso, vou ter que contar com mais do que sessões de perguntas e respostas. A voz dele soou tensa, enquanto dispersava o súbito erotismo dos pensamentos. Para começar, responder a perguntas nunca foi a especialidade do meu pai. Em se tratando de perguntas pessoais é pior ainda. Nunca tivemos conversas entre pai e filho. Por quê? Por que acha? Você deveria conseguir ter uma conversa franca com Roberto quando se trata de algo tão importante quanto isso. Ele deveria lhe dizer por que não quer se mudar para Londres. Ainda assim, como você viu por si mesma, esse tipo de explicação não foi dado. Mas por que você está se dando o trabalho de ficar aqui se já tomou sua decisão? Porque quero ver em primeira mão qual é a situação entre o meu pai e a sua avó.
92 O que quer dizer? Quero me certificar de que está tudo terminado. Não posso acreditar que disse isso. Por quê? Já passamos por isso antes. É melhor você aceitar que não sou um desses tipos idealistas, crédulos que aceitam tudo que lhes é dito como a mais pura verdade. Você é tão cínico. Não é o bastante que o seu pai tenha encontrado alguém na sua idade? Alguém que torna sua vida melhor? É bonito. E é ainda mais bonito se esse alguém se preocupa com o bem-estar físico dele e não se importa nem um pouco com a sua conta bancária. Laura cerrou os dentes e o fuzilou com o olhar. Como um homem tão bonito podia ser tão... frio? Mas, afinal, Colin havia sido bonito também, não fora? E revelara-se como alguém completamente falso. Ela obviamente tinha um
93 problema quando se tratava do seu julgamento. Era uma daquelas pessoas que se deixava afetar pela boa aparência. Bem, acontecera uma vez e não aconteceria novamente. E havia uma grande diferença entre Colin e Alessandro. Colin havia sido gentil e charmoso. Alessandro era direto, arrogante e não fazia uso de um pingo de charme, ao menos não com ela. E quando se tratava de beleza masculina, as diferenças eram extremas também. Colin fora atraente de uma maneira artificial. O cabelo louro sempre parecera ajudado por produtos, o corpo estivera em forma, mas não musculoso. Alessandro, por outro lado, era atraente de uma maneira mais espontânea, primitiva. Sob a sofisticação, havia algo mais elementar, algo poderoso que não havia sido liberto. E era bom que fosse assim, pois ela estaria mais segura. Minha avó estará ausente até a semana que vem.
94 Mal posso esperar para conhecê-la. E uma vez que a tiver avaliado, o que pretende fazer? Gosto de resolver as situações conforme se apresentam. Não era de todo verdade. Ele era do tipo que sempre preferia planejar com antecedência. Entretanto, naquele caso teria de usar outra abordagem e reagir de acordo. A verdade perturbadora era que havia planejado uma situação mais direta e dava-se conta de que não era o caso. Contara com a teimosia do pai. O que não tinha contado era com o fato de aquela teimosia ser válida, pois o estava afastando de contatos que seriam difíceis de ser substituídos em Londres. Mas a situação delicada permanecia. Talvez se ele e o pai tivessem algo semelhante a um relacionamento mais amistoso, a situação pudesse ter sido diferente. Porém não era o caso, e ele não estava animado com a perspectiva de fazer mais viagens
95 inconvenientes, ficando períodos mais e mais longos caso a saúde do seu pai piorasse. Podia não receber o prêmio de filho do ano, mas também não era omisso. Você não precisa... voltar a Londres? Para dirigir a sua empresa? Empresas. Tenho mais de uma e, não, eu posso tirar algum tempo livre para avaliar a situação. Alessandro soltou um suspiro e correu a mão pelo cabelo. Não é o ideal admitiu. Não achei que eu precisaria acabar tendo que passar algum tempo aqui, checando uma vida que eu não fazia ideia que o meu pai tinha. Isso torna as coisas um pouco mais... problemáticas. Laura terminou a bebida. Não bebera nada durante o jantar, pois estivera dirigindo, e agora o gim lhe causava uma sensação agradável, deixando-a relaxada, não na defensiva. Ele parecia cansado. Ainda sexy como nunca, mas cansado.
96 Não sei por que tem esse relacionamento com Roberto, mas se tentar forçar as coisas o tiro pode sair pela culatra. Você pode acabar arrastando-o para Londres, mas seria contra a vontade de Roberto e ele se ressentiria com você pelo resto da vida. Não me lembro de ter pedido sua opinião. Alguma vez pediu a opinião de alguém? Não. Às vezes, vale a pena ouvir o que as outras pessoas têm a dizer. Ela sentiu parte de sua coragem se dissipando diante do olhar frio dele. Não se pode ser uma rocha o tempo todo. Mas ele era e sempre havia sido. Crescera sabendo que estava sozinho e adquirira a necessária independência desde cedo. Não parecia ter sido o caso dela. Quantos anos tinha quando perdeu seus pais? Ele cedeu à curiosidade que pairara em um canto de sua mente. Não encorajava conversas profundas e significativas com as
97 mulheres porque isso poderia lhes dar ideias perigosas. Não havia nada que detestasse mais do que uma mulher com planos e interesse demais nele. Mas aquilo era diferente. Circunstâncias excepcionais. A curiosidade era permitida. Sete. Ela estava surpresa com o rumo da conversa. Então você foi morar com a sua avó? Ela era minha parente mais próxima e sempre fomos unidas. E, apesar da perda dos seus pais, você permaneceu uma pessoa otimista, alegre. Isso... Alessandro inclinou-se para a frente na cadeira, mal acreditando que estava tendo aquela conversa... é porque a sua avó era uma constante. Acho que está vendo o relacionamento que tenho com o meu pai com óculos cor-de-rosa. Ele pagou uma exorbitância pelos meus estudos no internato continuou ele, me deu
98 mais dinheiro vivo do que um garoto poderia querer ou precisar, pagou férias absurdamente caras, que tirei alternadamente com vários membros da criadagem, e essas coisas eram a constante. A presença do meu pai não o era porque eu raramente punha os olhos nele e, quando isso acontecia, nos víamos obrigados a uma agonizante conversa educada que ficávamos felizes em terminar tão logo podíamos. Ele não podia acreditar que dissera aquilo. Era tão atípico de sua parte fazer confidências a alguém. Foi algo que o deixou aborrecido e desconfortável, mas disse a si mesmo que havia sido necessário. E quanto à sua mãe? O coração de Laura condoeu-se por ele. O que tem ela? Aquele era um assunto encerrado. Era algo em que ele raramente pensava. Deixara de lado todas as perguntas sobre a mãe havia muito tempo. A mãe morrera quando ele fora jovem o bastante para
99 não ter se lembrado dela... uma inesperada complicação no coração que surgira do nada. Seu pai nunca a mencionou comentou Laura. Sei que ele veio para cá sem uma esposa muitos anos atrás. Ninguém quase o via. Ele nunca saía. Vivia na mansão e, na metade do tempo, ninguém sabia se ele estava em casa ou não. E, sem dúvida, todos tinham uma teoria. Eu não sei. Estava ocupada na escola. Depois, fui para a universidade e, em seguida, para Londres. A essa altura, ele havia parado de trabalhar, creio eu, e começado a aparecer na cidade com mais frequência. Tenho que me esforçar para imaginar meu pai andando até o vilarejo num domingo de manhã para tomar uma xícara de chá e conversar com os moradores. Pode ser porque você não o conhece realmente. Alessandro apertou os lábios.
100 E é muito importante realmente conhecer as pessoas, não é? Levantou-se para servir mais um drinque para ambos, e ela recusou. Tenho que dirigir até em casa. Ele se sentou na beirada da mesa, o que significou que Laura teve de erguer os olhos para observá-lo, e ambos se entreolharam. O rubor nas faces dela dizia algo a ele, e Alessandro nunca se enganava em relação a esses pequenos sinais que as mulheres emanavam. Baixou o olhar até os lábios dela e manteve-o no lugar. A maneira como Laura os umedeceu com nervosismo também disse algo. O fogo que percorria as veias dele começou a emergir. Não era do tipo que negava sexo a si mesmo. De que adiantava? Se havia sexo, ele o tomava. E havia ali, agora. Laura sequer sabia disso? Sequer estava ciente da atração que sentia por ele, ou estava ocupada demais
101 tentando analisá-lo e esmiuçar abaixo da superfície? E, sim, é importante que você... hã... você sabe, que descubra tudo sobre Roberto antes que faça algo que possa deixá-lo... hã... desnorteado. Laura desviou os olhos dos dele, embora sua pele estivesse em brasa. Ainda pôde sentir a intensidade daqueles olhos despertando-lhe sensações que preferia evitar. Alessandro Falcone estava fora do seu alcance e isso tinha muito a ver com a situação complicada entre ambos. Estava fora do alcance porque ele era errado para ela em todos os aspectos. Era tudo que não queria na vida. Quando partira de Londres, deixando o emprego e um homem que a enganara com seu charme, tomara a decisão de que não se envolveria com alguém que não fosse aberto, sincero e basicamente como ela. Normalidade era o que queria num homem. Mesmo que fosse ter um
102 romance passageiro, seria com alguém cujos valores partilhava e não com um aproveitador. Então, por que era que se sentia nua e exposta quando Alessandro a olhava daquele jeito? Poderíamos passar o resto da noite falando sobre o meu pai murmurou ele. Moveu-se, adiantando-se até a janela que oferecia a vista da noite escura lá fora, e voltou à mesa, retomando sua posição ao sentar-se na beirada, mas, dessa vez, mais perto dela. Perto o bastante para que Laura se sentisse um tanto ofegante. Mas, em vez disso, vamos falar sobre você. Já bancou a psicanalista amadora comigo. O que é certo é certo. Ao que o meu pai estava se referindo quando mencionou que você teve um namorico em Londres? Não sei do que você está falando. Por favor, diga-me que você não é uma daquelas pessoas hipócritas que são diretas
103 quando se trata de dar suas opiniões sobre a vida das outras pessoas, mas se fecham no segundo que alguém tenta obter uma resposta direta sobre suas vidas. Seria de desapontar... Laura olhou-o com uma expressão zangada. Hipócrita? Era uma acusação que ninguém nunca lhe fizera. Direta demais, sim. Ingênua, sim. Franca demais para o seu próprio bem, sem dúvida! Mas hipócrita? Não. Ficou sem palavras? perguntou Alessandro num tom perspicaz. E, ainda assim, você falou tanto até agora. Você sabe como é a geração mais velha. Eles fazem mexericos. Nunca soube que meu pai fosse de fazer mexericos. Bem, ele é quando está com a minha avó. E você sabe... Pessoas dessa geração acham que o ato de se caminhar num parque de mãos dadas com alguém de quem não se está noivo para casar dá-se o nome de namorico.
104 Você se enterrou aqui para escapar de um relacionamento rompido? O tom brando da voz dele foi desconcertante porque os olhos mostraram-se astutos e perscrutadores. Não considero aqui uma sepultura. Então você teve um péssimo flerte com alguém do serviço. E terminou. Acontece. Quem contou a você? Acho que Roberto deixou escapar. Como eu falei, meu pai e eu não temos tanta familiaridade. Eu deduzi e parece que estava certo. Laura desviou o olhar. Como as mãos tremiam, entrelaçou os dedos para contê-las. Não queria falar sobre aquilo. Era o seu calcanhar de aquiles? O lugar onde estavam as suas inseguranças? Ser criada pela avó fora ótimo, mas ela nunca aprendera sobre arsenais femininos como as amigas de classe. A avó simplesmente já estivera além daquilo na época
105 em que Laura atingira a adolescência. Em se tratando da arte de flertar, ela fora inexperiente e Colin usara aquilo, reforçando-lhe as inseguranças. Não conseguira superá-las porque não sabia como. Não conseguia agir naturalmente em relação aos homens. Algum dia seria capaz de superar as inseguranças? Alessandro estava certo, não estava? Ela se enterrara ali, e Laura perguntou-se, numa súbita onda de pânico, se permaneceria enterrada. Iria se arriscar até o mundo maléfico outra vez? Ou aquela perspectiva parecia mais e mais assustadora quanto mais o tempo passava? A única interação com homens que tinha ali era com amigos com quem crescera, e era evidente que acabaria ficando sozinha. Não vai chorar, não é? Não, é claro que não! replicou Laura com veemência. E, sim, houve uma situação com uma pessoa com quem eu trabalhava.
106 Satisfeito? Ele me usou e, então, descobri que ele era casado! Era apenas mais um patife. Você não entende! Eu confiava realmente em Colin Scott. Pensei que fosse um homem decente, mas acabou se revelando um mentiroso sem moral. Assim, voltei para cá. Vá em frente, diga Sou uma fracassada e uma idiota. É o que você acha? O que mais? indagou ela com amargura. Você ficou cega por causa de um cafajeste, mas não tem que se enterrar e lamber suas feridas. Não? O que você sugere? Não estou lambendo as minhas feridas. Estou apenas... dando um tempo... Bem, há uma coisa que eu sugeriria. O que é? Retroceda nessas águas turvas. Alessandro levantou-se e flexionou os
107 músculos. Fazia algum tempo que não tentava conquistar alguém. Perguntou-se se estaria enferrujado, mas, não, ela o olhava e compreendia. Ele se perguntou se seria uma boa ideia levar aquilo adiante, mas eram ambos adultos, não eram? E uma vez que as regras estivessem estabelecidas... Apenas da próxima vez certifique-se de que sabe exatamente com quem está lidando. Acho que isso dá certo para mim. Sou franco logo de início. Sexo sem compromisso. Sem planos para o futuro. Sem promessas a serem quebradas. Ele abriu um sorriso e afastou uma mecha de cabelo dela; viu-a com a respiração acelerada, as pupilas dilatadas. Pela maneira como vejo, é o caminho a seguir adiante. As águas podem estar um pouco turvas, no entanto é bem mais seguro do que areia movediça.
108 CAPÍTULO 4 COM O coração tão descompassado que achou que fosse desmaiar, Laura recuou na cadeira, mas não pôde desviar os olhos do rosto dele. Tenho que ir embora conseguiu dizer. N-Não quero dirigir muito tarde da noite. Por quê? É provável que só acabe passando por umas duas ovelhas desgarradas. Se quiser, posso ir de carro até a sua casa com você, para me certificar de que chegará sã e salva. Ocorreu a Laura que sã e salva não eram palavras que associava ao fato de estar na presença dele. Insegura e em risco teriam sido a descrição mais exata, no que dizia
109 respeito aos batimentos cardíacos dela, de qualquer forma. E como você voltaria para cá? Ela se empenhou ao máximo para manter a respiração sob controle, sabendo que ele notava seu comportamento atípico e tirava as próprias conclusões. Caminhando. Sapatos de couro italianos feitos à mão não servem para caminhar quilômetros no campo. Laura levantou-se, sentindo as pernas bambas, e, com certa apreensão, observou enquanto ele também se levantava e dominava a cozinha com seu porte alto. Estes sapatos fariam o que eu lhes dissesse. Ela segurou o encosto da cadeira e respirou fundo para se acalmar. É como as coisas funcionam para você? Do que está falando? Franzindo o cenho, ele se sentou mais uma vez na beirada da mesa, de modo que agora se entreolhavam. Ela
110 possuía o rosto mais expressivo do que qualquer mulher que já vira. Os olhos eram grandes e límpidos e as poucas sardas destacavam-se na alvura da pele. Estava tomada pela atração por ele e não tinha como esconder o fato. Ele gostou disso. Fez com que todas as modelos lindas com quem saíra no passado parecessem bonecas de cera em comparação. Aquela era uma mulher vivaz, sexy. Você sempre consegue as coisas à sua maneira? Seria uma coisa ruim se eu lhe dissesse que sim? Noventa e nove por cento do tempo? Não é de admirar que você seja tão... tão arrogante! Ela mal conseguia pensar com clareza e ali estava ele, tranquilo, levando-a a se sentir como se ela estivesse fazendo tempestade em copo d água. De qualquer modo, era mais seguro sentir raiva do que aquela desconcertante atração.
111 O que há de arrogante em dizer as coisas como são? E, a propósito, você é extremamente bonita quando fica zangada. E tenho a sensação de que não fica zangada com frequência. Laura cerrou os dentes, não querendo ficar onde estava, mas de algum modo incapaz de desgrudar os pés do chão para ir embora. Não me sinto atraída por você mentiu numa voz estrangulada. E certamente não estou interessada em ter um caso. Você se sente atraída por mim, você sabe. É o homem mais egocêntrico que já conheci. Se não se sentisse atraída por mim, não estaria me fuzilando com os olhos e cuspindo fogo. Se não se sentisse atraída por mim, o que falei não a teria afetado. Não teria se mostrado divertida, insultada, indiferente. Até teria aceitado minha companhia até sua casa porque não se sentiria ameaçada. Ele abriu um largo sorriso e ergueu as sobrancelhas. Podemos
112 resolver essa situação delicada aplicando-lhe um teste acrescentou como se, de repente, tivesse a solução perfeita. Não lhe deu tempo para pensar. Não podia. Estavam tão próximos que ele podia lhe sentir a fragrância floral do perfume que usava. Com apenas uma leve provocação, achou que poderia possuí-la ali mesmo na mesa da cozinha. Sua ereção estava se manifestando, dolorosamente, e era ainda mais doloroso quando imaginava as mãos macias dela acariciando-o, seguidas da boca tentadora. Tinha que beijá-la. Laura percebeu a intenção de Alessandro antes de ele baixar os lábios. Ela ergueu as mãos para afastá-lo de si, preparando-se mentalmente para empurrá-lo com firmeza, mas... Algo aconteceu. Ele a beijou com gentileza. Quando ele lhe invadiu a maciez da boca com a língua, ela conteve um gemido. Seu corpo
113 inteiro tremeu contra ele. De algum modo, vencera a distância entre ambos e pôde lhe sentir a ereção latejando contra ela sob as roupas. Ela lhe segurou a frente da camisa e puxou-o para si. Cada terminação nervosa de seu corpo vibrava em resposta. Os seios estavam sensíveis, os mamilos latejavam, enquanto ansiava por mais do que apenas um beijo. E então... Relutante, Alessandro afastou-a com gentileza. Por alguns segundos, ela mal pudera se concentrar em meio à nevoa de desejo, mas, quando conseguiu, sentiu-se mortificada. Não sei o que acabou de acontecer aqui sussurrou. Desejo. Eu... Eu quero ir agora. Ela desviou o olhar, porém ainda estava ciente demais da proximidade dele, do calor de ambos se mesclando em uma poderosa lembrança do
114 beijo que haviam partilhado. Estava horrorizada em admitir a si mesma que queria estar de volta aos braços dele, beijando-o e sendo beijada. Por quê? O que isso quer dizer? Ambos se entreolharam, e ela ficou com a respiração em suspenso. Desejo. Ela não aprendera sua lição? Fora vítima de desejo antes e isso bastava para ver aonde aquilo a levara. Exceto que quando pensava em Colin não conseguia se lembrar de ter sentido nada como agora. O beijo, que se destinara a provar algo, a provar que se sentia atraída por Alessandro, roubara-lhe até a capacidade de pensar. A aproximação de Colin fora calculada, como uma serpente na grama. Ele a conquistara com seu charme, vencera suas dúvidas e inibições. Alessandro a abordara feito
115 um pirata conquistador, determinado a subjugá-la. Ela nem sequer o aprovava. Nem sequer gostava dele. Então, como ele conseguira vencer todas as defesas que ela erguera cuidadosamente depois da catástrofe com Colin? Você não quer ir. Quer fugir. Ambos sabemos que poderíamos facilmente ter acabado... Não quero falar sobre isso. Não deveria ter acontecido. Na verdade, provavelmente só aconteceu porque tomei aquele drinque. Não estou acostumada a beber. Não estava pensando com clareza. Não. Você não acredita realmente nisso, não é? Você não pode vir até aqui e tomar o que quer porque está entediado. Ela, enfim, sustentou-lhe o olhar.
116 Quem disse que estou entediado? Ele ainda queria tocá-la, queria sentir-lhe a maciez do corpo sem a barreira das roupas. Não estou à procura de um homem como você. Um homem como eu? Foi a primeira resposta que ocorreu, embora, mais apropriadamente, poderia ter lhe dito que, se ela não estava à procura de um homem como ele, também não estava interessado nela nem em mais ninguém. Não era de seu feitio encorajar falsa esperança. Afastou o pensamento inquietante de que contara a ela muito mais do que já sonhara em contar a qualquer mulher em sua vida antes. Circunstâncias. Você é tudo que eu reprovo. Não sei qual é o problema com o seu pai, mas você nem sequer faz um esforço. Em todos esses anos, nunca demonstrou nenhum interesse em tentar
117 conhecê-lo. Em descobrir como é a vida dele aqui. Sabe que ele ficou entusiasmado diante da ideia de você vir aqui? Para nos levar para jantar? Que ficou indeciso quanto a qual gravata escolher? Por um momento, Alessandro ficou sem palavras. Levantando-se, andou pela cozinha antes de se encostar na bancada com uma expressão indecifrável. Não seja tola. Não acho possível que meu pai tenha ficado entusiasmado com a minha vinda, especialmente considerando as circunstâncias. Na verdade, duvido que ele fique entusiasmado com qualquer coisa relativa a mim. É um acordo que temos. O mínimo de demonstrações de emoções possível. Dá certo. Ele ficou entusiasmado porque demonstrou interesse na vida dele aqui. Você deveria se sentir grato por isso. Agradeço todas as noites pelo que tenho quando vou dormir.
118 Você é sempre sarcástico?, quis perguntar Laura. Então ocorreu-lhe que todos tinham seus mecanismos de defesa. Ele não era apenas um patife arrogante que estava ali para completar uma missão que facilitaria sua vida. Era mais complexo do que isso. Eu daria qualquer coisa para ter um pai ou uma mãe. Mesmo que não nos entendêssemos. É porque você é sentimental. Alguma coisa faria você mudar de ideia quanto a remover seu pai daqui? Está ficando por perto para poder avaliar a minha avó e se certificar de que ela não porá a mão na prataria no momento em que você virar as costas? Alessandro deu de ombros. Estou vivendo um dia de cada vez. Mas é algo bom, porque está se integrando na vida do seu pai. Não vamos enfeitar isso, Laura. É um caminho de duas vias. Ele não entendeu
119 como foram se desviar do assunto da química entre ambos. Ela baixou os olhos e não disse nada. Mulher frustrante, pensou Alessandro. Qualquer outra teria continuado a conversa. A menor porção de informações confidenciais sendo partilhadas teria aberto a porta para a chance de realmente conhecê-lo... o verdadeiro Alessandro. Mas ela era diferente, não era? Podia estar tremendamente atraída por ele, mas isso ainda não o tornava o tipo dela. E uma vez que não era o tipo dela, não estava querendo conduzi-lo por um caminho de conversa pessoal significativa. Não conheço o meu pai ouviu-se dizer assim mesmo porque ele sempre se esforçou para ficar indisponível. Indisponível? Fui criado por empregados. Por algumas babás excelentes, deve ser dito. Mal me lembro de o meu pai ter estado por perto quando eu
120 era garoto. Ele passava a maior parte do tempo no exterior. Ele até... Alessandro soltou um riso desprovido de humor... saía de férias sem mim. Não que eu não desfrutasse de tudo que grandes somas de dinheiro podiam comprar. Desfrutava. Eu tinha férias com as quais poucos poderiam sonhar... na companhia de empregados confiáveis. Aos 7 anos fui enviado para o melhor internato do país e, assim, prossegue a história do nosso relacionamento distante... Lamento muito. Laura deu poucos passos na direção dele e Alessandro, censurando a si mesmo pela facilidade com que o forte natural que construíra em torno de si mesmo foi invadido, dirigiu-lhe um sorriso predatório. Lamenta o bastante para ir para a cama comigo? Pare! Pálida, Laura observou-o com olhos faiscantes. Era do que se tratava? A inesperada fenda na armadura de Alessandro
121 fora uma trama para tentar fazê-la dormir com ele? Lembrava-se da maneira como Colin se infiltrara em sua vida, usando-se de suas emoções e dizendo o que quer que achasse que ela queria ouvir. Em retrospectiva, havia sido tão óbvio. Era uma mulher tão transparente que Alessandro Falcone queria fazer o mesmo jogo? Pousou as mãos nos quadris com firmeza e o encarou com raiva. Isso foi rude! Alessandro admitia que sim, e rude era algo que nunca havia sido antes. Minhas desculpas. Correu os dedos pelo cabelo e a encarou. Por alguns segundos, ela ficou tão perplexa com o pedido de desculpas que não soube o que dizer. Tem razão. Está ficando tarde. Você deve ir. Livre da situação constrangedora, Laura umedeceu os lábios e notou a maneira como ele
122 acompanhou o gesto com o olhar. Ele não estava se aproximando mais. Na verdade, ia se distanciando, mas o calor ainda estava ali. Ela podia senti-lo como algo tangível e vivo entre ambos. Era loucura pensar em explorar aquele calor, mas ela ficou satisfeita em saber que ele a achava atraente, e não por estar ali no meio do nada, entediado e inquieto. Queria colocá-lo na mesma categoria que Colin porque pareceu mais seguro, mas ele não era Colin. E então... Ela deu um pequeno passo inconsciente na direção dele. Nem sequer se deu conta do que estava fazendo. E então o quê? Ela deu de ombros, enfeitiçada pelo brilho nos olhos escuros dele. Você não deveria, sabe... Não deveria o quê?
123 Ter me beijado da maneira como me beijou... de um jeito ardente, intenso, urgente... e então se afastar e tentar fazer de conta que nada aconteceu e que, se aconteceu, a culpa não foi sua. Eu não... Ele lhe interrompeu o débil protesto com a mesma voz suave e perigosa. E, então, quando dei um passo atrás, você me olhou como se não houvesse outra coisa que adoraria mais do que se eu a beijasse outra vez. É o que você quer? Que eu a beije novamente? Gostaria que eu trancasse a porta da cozinha, que afastasse os copos da mesa e fizesse amor com você ali? Com a luz acesa para não perdermos nada? Inúmeras imagens eróticas passaram pela mente de Laura. A boca ficou seca e soube que o corpo inteiro estava excitado ao extremo. Um calor úmido se reunia entre suas pernas, molhando-lhe a calcinha. Sentia-se ainda mais
124 excitada porque ele ainda mantinha distância. Estava inebriada. Não respondeu com uma voz que não reconheceu. Tem certeza? Porque se quiser, basta dizer... Não vou me atirar em nada que considero... errado. Não haveria certo ou errado, apenas o momento. O corpo dela era extremamente provocante, em especial porque parecia alheia a isso. Ele estava se contendo por pura força de vontade. De maneira alguma coagiria alguém a ir para a cama com ele, mesmo sabendo que ela o queria. Franziu o cenho quando pensou na possibilidade de que ela fosse embora. Se lhe fosse negada a promessa de tocá-la e fazer amor com aquele corpo delicioso, que parecia não conseguir tirar da cabeça, teria de se submeter a muitos banhos frios.
125 Mas a questão ali era que ambos eram adultos e sabiam o que queriam. E eu não vou usar argumentos persuasivos para tentar convencê-la de que temos necessidades que precisam ser... supridas. Isso é loucura! Quando a sua avó retorna da viagem? Como disse? Cobrimos o assunto do sexo. Assim, antes que vá, quero marcar um dia para conhecê-la. Laura não conseguia pensar com clareza. A mente parecia ter ficado confusa quando ele lhe perguntara se queria que a beijasse novamente. Agora, ele mudava de assunto, conseguindo separar o sexo de emoções e pensamentos. Ela se esforçou para se concentrar. Certo. Sim. Minha avó. Ela volta na sextafeira. Vou buscá-la no aeroporto. Ela desejou que ele parasse de olhá-la daquele jeito, com a cabeça inclinada para o
126 lado como se estivesse pensando todos os tipos de coisas. Nesse caso, no sábado. Você e a sua avó podem vir até aqui. Para o chá? Um drinque? Para jantar. Darei folga a Freya e providenciarei para que o meu chef venha para cá de helicóptero. Ele pode ficar o fim de semana aqui. Para que seu chef venha para cá? Sim, eu ligarei para que ele cozinhe para mim como quando estou em casa. Seu pai pode ter muito dinheiro, mas acho que não vai ficar contente com a situação. Não. Alessandro dirigiu-lhe um daqueles sorrisos que a fez derreter por dentro. Acho que está tão acostumado à péssima comida de Freya que pode ficar confuso se algo comestível aparecer à sua frente. Isso é maldade. Ela não queria, mas também acabou sorrindo.
127 Às 19h? Sim. Conhecer a avó dela seria a última coisa que ele iria querer fazer em se tratando de descobrir sobre a vida que seu pai deixaria para trás, a última peça do quebra-cabeça. Laura não podia imaginá-lo se detendo na Escócia para muito mais do que isso, embora ele estivesse trabalhando eficientemente no escritório do pai. Estaremos aqui. NÃO ERA necessário você ter organizado essa tolice. Roberto olhou zangado para o filho da cadeira de espaldar alto onde estava sentado na sala, criticando as providências para a noite. Não quer que eu conheça a... mulher da sua vida? Alessandro olhou para o pai e se perguntou mais uma vez como uma simples conversa podia se tornar tão torturante.
128 Não que aquilo tenha acontecido recentemente. Desde que Laura lhe confiara, dias atrás, o dilema da gravata, Alessandro relaxara um pouco, achara mais fácil não se irritar a cada três segundos. Ele fora convidado a verificar as contas do pai e durante o jantar da noite anterior ambos tinham conseguido manter uma conversa decente sobre a venda gradativa de algumas empresas de Roberto, agora que estava totalmente aposentado. Os negócios eram um tema seguro de conversa e pareciam bem mais estimulantes do que o silêncio de pedra que geralmente pairava entre ambos e ao qual haviam se acostumado ao longo dos anos. Velhos não têm mulheres. Têm companheiras, meu garoto. Não vejo por que o súbito interesse em conhecer Edith, aliás. Você nunca teve muito tempo no passado para o que estava acontecendo na minha vida.
129 Mas eu não estava tentando convencer você a deixar esse passado apontou Alessandro, porque o pai passara a ignorar toda e qualquer conversa sobre a mudança. Você deve estar sentindo falta das suas mulheres de Londres. Deve haver hordas delas em frente à sua casa, à espera do seu retorno. Não têm mais o que fazer, a julgar pelas duas que conheci. Não conseguem um emprego em nenhum lugar. Não com serragem no lugar do cérebro. Alessandro, parado ao lado da imponente lareira vitoriana, sorriu consigo mesmo porque, naquele instante, a última coisa de que sentia falta era das mulheres de Londres. No momento, aquilo parecia um jogo e era empolgante. Tudo o que precisava era de certa mulher ali à sua porta e nada mais. Estou me arranjando bem. Já pensou em se estabilizar?
130 Alessandro olhou para o pai, perplexo com o desvio inesperado da conversa formal de costume. Não se eu puder evitar. Deveria. O casamento faz um homem. Salvo pela campainha, Alessandro não teve chance de questioná-lo porque não fazia ideia sobre a qualidade do casamento que o pai tivera, mas presumia que fora ditatorial e que a mãe tivera que se submeter ao silêncio de um homem que falava apenas quando absolutamente necessário. Abrindo a porta da frente, ele tratou de afastar a sensação inquietante. LAURA PREPARARA a avó dizendo-lhe que o filho de Roberto queria conhecê-la. Eu me perguntei quando ia conhecê-lo respondera Edith num tom sério. Já é tempo de Roberto e o filho resolverem as coisas entre eles. Diálogo. É o que basta.
131 Laura estivera ocupada demais com seus pensamentos para prestar atenção ao comentário. O que usar? O que uma garota usava quando estava prestes a ver um homem pelo qual se sentia tolamente atraída, um homem que a fizera derreter por dentro com um beijo, um homem com o qual não queria ter um caso? Mas ainda estava determinada a impressionar? Estava um frio cortante lá fora, mas ela usava uma blusa de manga curta azul, com um decote mais acentuado que o de costume, com uma longa saia preta e saltos altos. Deixou o cabelo solto, cascateando pelas costas, e afastou-o do rosto com duas fivelas azuis de cada lado. Está linda dissera a avó com ar de aprovação. Está vestida para impressionar? A pergunta quase a fez se trocar, mas Laura ficou contente por não tê-lo feito quando Alessandro abriu a porta e...
132 Jeans preto e uma camisa polo de manga longa. Ele estava tão bonito que ela ficou com a boca seca. Certificou-se de não olhar para ele enquanto eram conduzidas ao interior da mansão, mas sentiu-lhe o olhar enquanto removiam os casacos. Na blusa justa e saia longa, sentiu-se tão ciente de seu decote quanto achara que se sentiria. Belo traje elogiou Alessandro, enquanto Edith se adiantava pela sala para cumprimentar Roberto. Usou essa blusa porque sabia que eu não ia conseguir tirar os olhos de você? Essa coisa velha? disse Laura fingindo indiferença. Peguei a primeira coisa que apareceu no guarda-roupa. O que mais há nesse guarda-roupa? Estou curioso... Já lhe disse que não estou interessada em... em nada... portanto... Eu sei. Ele ergueu ambas as mãos num gesto zombeteiro de rendição. Você só me
133 beijou porque tomou alguns goles de gim e tônica e, de repente, todas as suas reservas desapareceram. Mas eu não sou o seu tipo porque sou arrogante e entediante. Eu não disse que você era entediante. Então você acha a minha companhia agradável e extremamente sexy. É quase impossível manter as mãos longe de mim. Mas vai se empenhar ao máximo para resistir porque um fracassado que conheceu em Londres a desapontou. Este não é o momento, nem o lugar para falarmos sobre isso. Ela olhou discretamente para Roberto e sua avó. Edith falava bastante, e ele ria de algo que ela dissera. Estavam absortos um pelo outro como um casal de adolescentes num primeiro encontro. Eu gosto assim. Você não pode fugir. Não disse o que ele lhe fez. Foi uma porção de promessas que não cumpriu? Como falei,
134 relacionamentos são tão mais diretos quando se impõem os limites desde o começo. Nós nos envolvemos e eu descobri que as coisas não iam a lugar algum porque ele era casado. A lembrança da vergonha a dominou. Que grande patife. Alessandro estudou aqueles olhos verdes como o mar e quis esganar o cafajeste que a desapontara. Mas não pode carregar isso com você para sempre. Posso aprender com o que houve. Certo, você pode aprender com o que houve e seguir adiante, ou do contrário vai se tornar tão avessa a riscos que nunca tentará mais nada. Posso reduzir as possibilidades de erro não tendo um caso estúpido com alguém que é totalmente inadequado. Posso esperar até conhecer o homem certo para mim. Não acho que isso é ser a avessa a riscos. Acho que é ser sensata. Sim, mas onde está a diversão?
135 Não estou atrás de diversão apenas. Quando se trata de relacionamentos, há muito mais do que diversão envolvida. Aposto que sua avó não concordaria. Parece uma mulher alegre. Devo lhe perguntar? Não se atreva. Ela estava tão concentrada na conversa que apenas notou Roberto e sua avó olhando para ambos pelo canto do olho. Abriu, então, um discreto sorriso e pigarreou. O que está acontecendo aqui? Roberto aproximou-se deles e estreitou os olhos para observá-los. Nada disse Laura. Ótimo. Agora, venham. Chega desses cochichos. Não foi minha ideia termos um jantar formal, mas, agora que está acontecendo, venham sentar-se um pouco na sala de estar. Nada mais de ficarem aí de pé sussurrando. Péssimas maneiras.
136 Não me culpe. Laura riu, dando-lhe o braço. Culpe o seu filho. Espero... Roberto estreitou os olhos quando se virou para observar Alessandro não ter de fazê-lo.
137 CAPÍTULO 5 ALESSANDRO PARTIRIA durante a semana e retornaria no fim de semana. Fazia sentido. É uma grande perda de tempo resmungou Roberto. Não vejo a necessidade disso. Qual é a minha escolha? Alessandro deu de ombros com indiferença. Edith aceitou o convite para jantar no próximo sábado. O que um sujeito educado como eu deveria fazer? Ela pareceu que poderia me esganar se eu não concordasse. Ela é determinada. E não estamos chegando a lugar algum quanto à decisão sobre Londres. Ele estava
138 passando mais tempo na companhia do pai do que já passara antes. Do jeito como as coisas iam, acabaria fazendo o seu assistente pessoal vir de Londres e montando acampamento ali no escritório da mansão. Estranhamente, porém, sentia menos falta da agitação da cidade grande do que esperara. Apesar de estar vivendo no meio do nada, a conexão de banda larga era rápida e, ao longo da semana anterior, estabelecera uma rotina que funcionava. Londres e sua poluição lembrou Roberto contrariado. O mesmo impasse. Mas Alessandro estava contente em se esquecer um pouco daquela situação. De fato, quando retornou à Escócia na quinta-feira seguinte, dois dias antes do que esperara, estava animado. Poderia ter viajado de helicóptero, mas escolhera uma cabine de primeira classe no trem e conseguira dar conta de um volume considerável de trabalho. Na
139 metade da tarde, estava na estação mais próxima da cidadezinha e, num impulso, acionou o navegador no utilitário que deixara convenientemente no estacionamento da estação para direcioná-lo até a escola em que Laura trabalhava. Ela estaria encerrando àquela altura. Sempre ficava após o encerramento do dia para fazer correções e preparar a aula para a manhã seguinte. Durante o jantar com a avó dela e seu pai, ele dissera que aquilo soava como uma rotina entediante e gostara da maneira como as faces dela ficaram rosadas e os olhos faiscaram. Por trás de toda aquela exasperação, havia um inegável desejo. Ele nunca passara tanto tempo pensando numa mulher. Ela estava se tornando uma deliciosa obsessão, e Alessandro mal podia esperar pelo dia em que venceria as defesas dela e a teria.
140 A escola ficava numa das extremidades do vilarejo. Descendo do utilitário, ele avistou o carro dela estacionado numa das vagas para a equipe. Era meio de tarde, mas a luz do dia já ia se dissipando e o playground, que ficava em frente ao prédio de tijolos, estava livre de crianças. Era a menor escola que ele já vira, e a única maneira de entrar era se fazendo anunciar pelo interfone. Assim, ele tocou o interfone, e uma mulher de meia-idade de óculos de aros grossos o deixou entrar depois que explicou que estava ali para ver Laura Reid. Todos sabemos quem você é. A mulher abriu um sorriso. O filho de Roberto. Ela o conduziu por um labirinto de corredores com classes de ambos os lados. A escola era maior do lado de dentro do que parecia pelo de fora. Ele a viu antes que Laura o notasse. Diretamente de Londres e das multidões da
141 cidade, ele ficou aturdido em ver como ela parecia inocente, sentada à mesa, diante de uma pilha de cadernos. O cabelo avermelhado escapava levemente do rabo de cavalo e ela mordiscava a ponta de um lápis. Obrigado, eu assumo daqui disse para a mulher mais velha que o acompanhara até a classe. Ele se colocou de lado, espiando para dentro pelo retângulo de vidro na porta. Viu-a procurar o celular na bolsa e atendê-lo ao quarto toque. Só queria avisá-la de que mastigar lápis pode ser ruim para a saúde. Ele viu a maneira como rosto dela se iluminou quando reconheceu quem estava do outro lado da linha. E soube. Ela podia afastá-lo com uma das mãos, mas fazia um gesto para que se aproximasse mais com a outra. A sensação de vitória foi bastante satisfatória.
142 Ele abriu a porta da sala de aula e ela se levantou, desligando o celular. O que está fazendo aqui? A euforia que ela sentira quando ouvira a voz dele se fora. Pela expressão fechada no rosto, ficou evidente que ela iria se empenhar ao máximo para ignorá-lo a fim de não ter que lidar com a química entre ambos. E quanto mais ela tentasse ignorá-lo, mais ele a queria. Observou-a de alto a baixo, notandolhe a blusa de lã vermelha, o jeans e as botas. Pensei em vir com certa antecedência. Então, é aqui que você trabalha? Ele olhou ao redor da sala vazia e observou os desenhos pendurados nas paredes. Sim, é respondeu Laura tensa. Quis se atirar diante dos desenhos que ele estava inspecionando com interesse, porque tê-lo ali na classe era íntimo demais. Ou talvez parecesse íntimo porque estivera pensando nele. Relembrando aquele beijo. Mesmo
143 quando ele não estava presente, conseguia afetá-la completamente. É aconchegante. Ele se virou para olhá-la. Laura estava tão determinada a resistir a ele. O que não entendia era por que nenhum dos dois podia resistir ao que tinham. E por que decidiu passar por aqui? Há algumas coisas que eu queria conversar com você e, assim, decidi ver se ainda estava aqui. E está. Por que não para de escrever nesses cadernos e vem tomar um café comigo? Ainda tenho trabalho a fazer. Traga tudo com você. Talvez eu possa ajudá-la em algo e, depois, podemos comer e eu lhe falarei sobre as coisas que estive pensando. Não seja tolo disse ela, corando. E então? Onde fica um café agradável? Ou pub? Laura não protestou mais e, minutos depois, entravam no carro dele. Você não fica entediada?
144 Do que está falando? De ficar sentada numa sala de aula, fazendo anotações e correções num vilarejo que tem vinte residentes. Estamos de volta aos seus comentários sobre estarmos no fim do mundo? Porque eu discordo de você. Não acha um confinamento morar com a sua avó? Por que acharia? Porque você morou sozinha em Londres, teve toda a liberdade que queria. Aqui pode ter sido adequado para você quando achou que Edith precisava da sua presença, mas ela parece muito bem agora, pelo que vi. Você não entrou na minha classe para podermos conversar sobre o fato de eu gostar ou não de morar com a minha avó. Então isso é um não. Você não gosta realmente... Como é esse pub? É bom?
145 Laura lançou-lhe um olhar zangado. Ele era tão seguro de si. Quando ela e a avó haviam se reunido a ele e a Roberto para o jantar, sentiralhe o olhar em seu corpo como uma carícia e, nervosa, acabara atropelando as palavras, corando como uma adolescente desajeitada. Sua avó ou Roberto tinham notado? Não sabia e tratara de falar o mínimo possível sobre ele depois, embora a avó tenha feito perguntas curiosas. É bom. Alessandro parou numa vaga e desligou o motor. Ela o olhou e descobriu que não conseguia desviar o olhar. Tão logo a imagem dele surgiu em sua mente, fez o máximo possível para dispersá-la pensando em Colin e lembrando a si mesma de que devia aprender com seus erros. Colin a usara, fizera o papel do namorado perfeito, e ela se deixara enganar. De maneira
146 alguma iria pular de cabeça numa situação semelhante. Alessandro podia ser mais direto e até se designar como mais sincero, no entanto eram essencialmente a mesma coisa. Ela fez uma promessa mental para si mesma de que o homem seguinte com quem se envolvesse fosse normal, cheio de consideração e cem por cento sincero. Do tipo que não tivesse uma esposa e filhos escondidos numa casa em algum lugar. Como Colin. Do tipo que não saísse com modelos e as trocasse com a frequência com que trocava de terno. Como Alessandro. Na verdade, Alessandro era uma opção bem mais perigosa. E era provavelmente por isso que não conseguia tirá-lo da cabeça. Ocorreu-lhe que, na verdade, conseguira tirar Colin mais facilmente dos pensamentos do que parecia conseguir tirar Alessandro. Se conseguisse.
147 Provavelmente porque conseguira deixar seu emprego, Londres e desaparecer. Ao passo que com Alessandro, determinado a evitar a Escócia ao máximo, agora parecia estar por perto o tempo todo... como uma consciência pesada. Quer saber o que estou pensando? perguntou ele observando-a no escuro do carro. Não! Achei que não. Você quer tentar fugir do que há entre nós. Não há nada entre nós! Ela ficou perplexa com o quê de histeria que surgiu em sua voz e soube que ele o notou também pelo brilho especulativo em seus olhos. Ninguém podia forçá-la a nada. Sabia disso. Não iria deixar suas emoções ou seu corpo guiarem suas ações. Havia amadurecido desde sua infeliz experiência com Colin. Usaria a razão para fazer suas escolhas. Então, por que
148 se sentia tão afetada enquanto ele continuava a olhá-la com um ar divertido e pensativo? Por que era tão assustador pensar na maneira como estava atraída por ele? Quando, teoricamente, podia controlar essa atração ignorando sua existência? Nada a não ser forte atração sexual. Você vive entrando na minha cabeça quando tento me concentrar no trabalho. Não é nada bom. A culpa não é minha disse Laura num fio de voz, reprimindo o ligeiro entusiasmo que sentiu ao ouvi-lo dizer aquilo. Bem, não é minha. Não há nada entre nós repetiu ela um tanto desesperada. E agora que você visitou a escola à minha procura, o vilarejo inteiro vai começar a fofocar sobre algo que não existe. Você acha que as pessoas que me atenderam vão começar a espalhar rumores infundados? Sim.
149 Pessoalmente, Alessandro não podia pensar em nada pior do que rumores infundados. Tivera dissabores nessa área em específico... mulheres que tinham conversado com repórteres que não tiveram nada melhor para fazer do que publicar um artigo ou dois sobre a vida particular de qualquer bilionário que puderam encontrar. Elas haviam insinuado que existira mais no relacionamento do que houvera realmente e descobriram que ele podia ser implacável quando se tratava de eliminar complicações. Mulheres que esperavam mais dele do que estava disposto a dar se tornavam complicações e eram dispensadas rapidamente. Ele nunca refletira realmente sobre esse lado da sua vida, o lado que se recusava a ficar emocionalmente envolvido, mas nas poucas ocasiões em que isso passara por sua cabeça concluíra que devia ser algo que tinha a ver com sua infância.
150 O amor nunca fora demonstrado. Presumira que o pai se importara com ele, mas com reserva e distanciamento, e essa reserva e esse distanciamento tinham criado nele um vácuo emocional que jamais quisera explorar ou superar. Simplesmente não era um daqueles tipos em busca de finais felizes. Confiava no que conhecia e o que conhecia era o mundo do poder e do dinheiro, o mundo concreto dos negócios, de como dirigir um império. Quanto às mulheres, era franco com elas e, se alguma ficava com a ideia errada ou começava a imaginar um futuro que não podia ser, de quem era a culpa? Não dele. Era totalmente sincero quando se tratava desse tipo de coisa. E, então, rumores infundados num vilarejo? Ele decidiu que aquela seria a exceção à regra. O que Laura causava a certas partes de seu corpo valia o inconveniente.
151 Não importa, não é? Levando em conta que são infundados? Não é essa a questão. Você não se importa com o que as pessoas dizem, principalmente quando é sobre algo que sequer existe, certo? Laura encontrou-lhe os olhos cínicos com os seus. Eu me importo com o que as pessoas pensam sobre mim. Por quê? Por que não se importa? Não é natural não se importar com o que os outros pensam de você. Não se importa com o que pensam de você ou do que faz? Não há ninguém cuja opinião importe para você? Podemos continuar essa fascinante conversa com uma taça de vinho? Ele estendeu a mão para abrir a porta do carro do lado de Laura e roçou-lhe o seio com o antebraço. Sentindo que ela se esquivou,
152 esboçou um sorriso, embora ainda pensasse na pergunta irritante que lhe apresentou. Exceto pelas sérias responsabilidades do seu trabalho, com o que se importava? E não se importar era uma força ou uma fraqueza? Irritado pela súbita introspecção, deixou o carro. Ela certamente não estava entusiasmada em estar na companhia de Alessandro. Ocorreu-lhe que ele se encontrava no papel do grande lobo mau. De repente, não pareceu tão divertido provocá-la quanto fora minutos antes para ele. Ora, ela se preocupava com o tipo de reputação que teria só por ser vista com ele. Não haviam feito nada e aquilo ainda a incomodava. Nesse caso, por que não dar motivo aos falatórios?, perguntou-se. Se o vilarejo inteiro não tinha nada melhor a fazer do que espiar
153 pelas cortinas e comentar, por que não lhes dar algo para especular? Não está tentando fugir de uma conversa constrangedora, está? Laura caminhou rápido para alcançar-lhe as largas passadas. De onde quer que ele tivesse vindo, não estivera sentado detrás de uma mesa de escritório. Devia ter se trocado em sua luxuosa cobertura antes de ter-se colocado a caminho. Irradiava virilidade num jeans, pulôver e casaco caro. O tempo não tornava as coisas práticas na Escócia, mas em termos de elegância não deixava nada a desejar. Nunca fugi de nada na minha vida. Ele manteve a porta do pub aberta e ela passou debaixo de seu braço. E nem de más línguas, mas, se você preferir, eu manterei uma distância segura. O que gostaria de beber? Laura tirou o casaco e deu um suspiro de alívio ao ver que o pub estava relativamente vazio. Como não era no vilarejo, havia menos
154 chance de ser reconhecida, mas Alessandro não estava certo? Por que se importar? Importarase tanto com o que acontecera com Colin que largara o emprego sem pensar nas repercussões. Poderia ter tirado algum tempo de folga porque, de fato, a avó precisara dela e, depois, voltado para o emprego sem se importar em deparar com Colin, porque era um cafajeste. Sem se importar se alguns de seus colegas haviam suspeitado o que acontecera porque não tinham sido amigos próximos e sua opinião não importara tanto. Poderia ter permanecido em Londres porque... Morar ali era bom, mas havia tempos em que se sentia como se o tempo tivesse congelado e não estivesse seguindo adiante. Podia ter deixado o emprego e começado a dar aula, mas em Londres... Não. Não iria seguir por aquela linha de pensamento. Uma xícara de chá estaria bem.
155 Chá? São quase 17h15. Podemos tomar uma taça de vinho. Não contarei a ninguém se você não contar... Ela lhe sorriu com nervosismo, mas antes que pudesse dar uma resposta negativa adequada, ele se adiantava até o bar, onde a garota servindo atrás do balcão deixou o que estava fazendo e prontificou-se a anotar o pedido. Há uma razão para eu ter decidido vir até aqui e lhe fazer uma visita inesperada. Ele ajeitou a cadeira num ângulo que lhe permitiu esticar as pernas compridas ao lado da mesa. Sua voz soou formal. Estava mantendo distância entre ambos. Ela poderia ter estado numa entrevista de emprego. Perfeito, pensou com traiçoeiro desapontamento, porque o jeito como ele flertava era viciante. Isto é, além de querer ver onde você trabalha disse ele com um largo sorriso e,
156 depois, cobriu os lábios com os dedos. Mas a começar por Edith... Vai me dizer que acha que ela está atrás do dinheiro do seu pai? Laura empertigou-se no mesmo instante. Perguntou-se se pararia de se sentir tão atraída por ele se conseguisse manter um nível permanente de raiva. Se estivesse zangada com ele, não poderia se sentir atraída ao mesmo tempo, não era? Às vezes, porém, parecia impossível reagir a ele da maneira que sua mente lhe dizia para fazer. O homem a afetava de um modo elementar, irremediável. Na verdade, eu gostei muito da sua avó admitiu Alessandro num tom sério. Não sei o que eu esperava, mas ela parece boa para o meu pai. E o que você esperava? Alguém um pouco mais subserviente. Vou ser franco. Meu pai não é o mais fácil dos homens. Não imaginei que ele se sentiria...
157 atraído... Deus do céu, eu disse mesmo isso? atraído por uma mulher que fala o que pensa. Como era sua mãe? Isso permanece um dos mistérios da vida. Não é um assunto que eu já tenha discutido com o meu pai e não pretendo discuti-lo com você. Ele tentara com o pai, mas deparara apenas com falta de cooperação e evasivas. Parara de tentar, então, havia muito. Laura corou. A voz dele mudara, adquirindo novamente o tom de flerte. Ela o mantém na linha disse com um sorriso. São perfeitos um para o outro. Ela gosta de cobrir alguém de cuidados, e Roberto gosta de que cuidem dele. Minha avó lhe diz o que deve e não deve fazer, e ele é como um cordeirinho quando está ao seu lado. Não posso acreditar que estamos falando sobre a mesma pessoa. Não importa. A questão é que... eu posso ter errado quando decidi que a única opção seria fazer meu pai se mudar para
158 Londres. Ele bebericou um pouco do vinho e olhou-a por cima da taça. Gostava da maneira como ela era transparente, tão sem artifícios. Não pensei que a vida que ele construiu aqui para si mesmo fosse tão... Bem, para colocar as coisas dessa maneira, eu não havia pensado que ele construiu vida alguma para si mesmo aqui. Parece que eu me enganei e sou generoso o bastante para admitir. Laura revirou os olhos e Alessandro franziu o cenho. Oh, francamente! Ela suspirou e riu de leve ao notar-lhe a expressão intrigada. Nunca ninguém revirou os olhos diante de algo que você disse? Acabei de admitir que posso ter me enganado. Por que revirou os olhos? Você é generoso o bastante para admitir? Qual era a outra opção? Que você continuasse fingindo que ele é um velho solitário e o arrastasse para Londres, em vez de admitir que
159 está enganado? Todos nos equivocamos diante de certas situações de vez em quando. Pela expressão neutra de Alessandro, ela compreendeu que aquilo não se aplicava a ele. Não era como seu mundo funcionava. Em seu mundo, a avaliação equivocada de situações não existia, mas, afinal, seu mundo girava em torno de coisas que podiam ser medidas. Acordos, dinheiro, negócios... coisas que estavam muito distantes de emoções, sentimentos, vidas, onde equívocos aconteciam o tempo todo. Está certo disse, enfim, agora que você reconheceu isso, o que acontece em seguida? Ele ainda precisa se mudar daquela mansão enorme. Sempre me perguntei por que a comprou, afinal. Estou preparado para admitir que ficar aqui pode ser o melhor. Agora, tenho que lhe encontrar um lugar mais compacto, algo mais fácil de lidar.
160 Não vai conversar sobre isso com o seu pai? Vou tocar no assunto. Bem, agora que isso está fora do caminho, vamos conversar sobre o fim de semana. Não vou a lugar algum com você. Ela não podia ceder ao flerte dele. Não podia se deixar dominar por algo estúpido e transitório como química sexual. Empertigou-se diante do pensamento de que ele achava que podia ditar como ela devia passar o pouco tempo que ele designara para ficar ali. Tentou evocar a imagem de Colin, mas tudo que podia ver eram os olhos escuros de Alessandro concentrados nela de uma maneira que lhe causava nervosismo. Eu me dou conta de que há uma espécie de atração física entre nós. Não vou negar, mas não significa que nenhum de nós tem que sucumbir a ela e, ainda mais, é ofensivo pensar que você pode vir até aqui e achar que pode ter
161 o que quiser, não importando as consequências. Ela baixou a voz para um sussurro significativo. Você não pode! Alessandro inclinou a cabeça para o lado e, enfurecendo-a, não disse nada. Laura olhou para sua taça de vinho e percebeu que estava vazia. Como aquilo acontecera? Raramente bebia, e não ao final da tarde. Então você pode achar que é algum tipo de santo que pode lavar as mãos diante de relacionamentos porque foi bondoso o bastante para avisar aquelas pobres mulheres com quem saiu de que tudo não ia durar mais que alguns dias... Hum... Dias... Até para mim isso seria rápido demais. Mas eu não sou uma dessas mulheres. Nunca achei que fosse. Porque não sou uma modelo de 1,80m? perguntou ela com amargura. Sentira-se tão
162 desejável quando ele a beijara... Nada a preparara para a onda de desejo que havia dissipado todas as suas inibições como se não tivessem existido. Mas ele era um especialista na arte da sedução. Bastava olhá-lo para saber. Porque nunca tive que resistir tanto a uma mulher na vida antes. Bem, pode ser, mas isso certamente não significa que vou passar o fim de semana fazendo o que é conveniente para você. Ela ergueu o queixo com ar teimoso e o encarou. Acho que está ficando zangada à toa. Eu discordo. Eu não estava tentando arranjar um momento conveniente para assediar a sua virtude, embora isso seja tentador... Ele olhou para longe, como se estivesse envolvido por todos os tipos de pensamentos agradáveis e, então, sacudiu a cabeça. Na verdade, eu ia dizer que o fim de semana pode ser um bom
163 momento para começar a tentar organizar alguns dos pertences do meu pai para a mudança, caso ele concorde, é claro. Oh. Desapontada? Laura quis que o chão se abrisse e a tragasse. Não era à toa que ele a estava olhando com um largo sorriso. Aliviada replicou. Ótimo. Vou conversar com o meu pai esta noite e quem sabe algo possa ser resolvido antes que eu vá. E uma vez que o assunto estivesse resolvido, a vida dele retornaria ao ritmo normal em sua zona de conforto em Londres. Ou... Olhou para o rosto corado dela com ar pensativo. Talvez não. A última coisa que precisava era deixar para trás assuntos não resolvidos...
164 CAPÍTULO 6 DIMINUIR O espaço? Do que adianta isso? Não vou viver numa toca de coelho! Alessandro permaneceu em silêncio. Sua postura na cadeira diante de Roberto aparentava relaxamento, mas sua expressão traía o fato de que, como de costume, nada seria fácil quando se tratava do seu pai. Mas, pela primeira vez, havia apoiadores da sua causa. Laura e a avó haviam insistido em se sentar na reunião com o pai dele, numa demonstração de apoio moral, embora Alessandro tivesse lhes dito que não seria necessário.
165 Ele pode ser muito teimoso anunciara Edith tão logo fora informada sobre a decisão de Alessandro, e também dera seu aval. Bate pé firme e se recusa a ceder. Mas ele não vai conseguir me convencer. Posso ser igualmente teimosa. Alessandro dera de ombros e, assim, mais tarde naquela noite foram todos para a mansão. Roberto sacudiu o dedo para Edith. E não venha me dizer que você concorda com esse meu filho! Guarde seu dedo declarou Edith numa voz ríspida. Esse seu filho está certo e você sabe disso. Quem foi que me disse há uns quatro meses que achava cansativo andar da cozinha até o quarto? Por que não para de ser tão teimoso? Alessandro lançou um olhar a Laura pelo canto do olho, viu que ela notou seu olhar. Eram 18h30. Mais um prato pouco apetitoso preparado por Freya borbulhava no forno e,
166 dentro de alguns minutos, ele tiraria uma garrafa de vinho da geladeira, o que seria o acompanhamento perfeito para a batalha que se travava à sua frente. Já sabia qual seria o resultado. Seu pai podia argumentar e protestar, mas não seria páreo para a determinada Edith. No momento, ela lembrava Roberto de cada conversa que haviam tido em que ele se queixara do tamanho da mansão. Houvera várias, especialmente nos meses recentes, e Edith tinha uma ótima memória. E não se dê o trabalho de me dizer que pode viver numa ala da casa. Isso é um absurdo. Você é uma tirana, mulher. Uma tirana! E há também o seu jardim. Qual é o tamanho dele exatamente? Quatro hectares? O que um homem da sua idade faz com um jardim de quatro hectares? Você precisaria de um carro para percorrê-lo por inteiro. Aposto
167 que não esteve no campo de lavanda desde o ano passado. E quem me disse que a estufa estava fugindo um pouco ao controle? Você não deixa os jardineiros entrarem para cuidar das plantas, mas não consegue cuidar delas sozinho, admita. Alessandro olhou para o semblante carrancudo do pai com ar divertido. Parecia alguém que tivera suas defesas seriamente abaladas. Antes ele sempre estivera no comando. Fora uma figura austera, silenciosa durante sua infância, ausente durante sua adolescência, e taciturno e beligerante quando ele se tornara adulto. Não era o mesmo homem sentado num silêncio sisudo, agora sob o olhar de reprovação de Edith. Você é uma feiticeira, mulher! disse ele de repente. Estreitou os olhos. Tem alguma razão pessoal para tentar me tirar desta casa? Ouvi dizer que aquela casa na sua rua vai ficar à
168 venda logo. Você sabe à qual me refiro aquele pessoal de Edimburgo a herdou quando o velho Saunders morreu. Não está querendo colocar as mãos em mim, está? Você não teria tanta sorte. Se me dão licença Alessandro levantou-se, flexionando os músculos eu vou buscar o vinho e, Laura... Lançou um olhar a ela, erguendo as sobrancelhas. Por que você não me acompanha? Pode verificar qualquer que seja a iguaria que Freya colocou no forno para comermos. Não vá achando que ganhou esta rodada, rapaz! Roberto bateu com a bengala no assoalho de madeira e lançou um olhar faiscante ao filho. Não vou ser obrigado a fazer o que não quero concluiu transferindo o olhar para Edith, que tinha uma expressão triunfante. Alessandro deu de ombros e deixou a sala com a promessa vaga de que o assunto poderia
169 ser reavaliado durante o jantar. Laura o seguiu. Não dissera uma palavra, deixando a avó discutir com Roberto. Sentara-se na cadeira, com o corpo rígido com a tensão, concentrada exclusivamente em Roberto, mas estivera bastante ciente do filho. Alessandro relaxara na cadeira, cruzando as pernas na altura dos tornozelos. Ela, porém, notara-lhe o ar alerta, vigilante. Acho que as coisas já estão se resolvendo disse ele no instante em que entraram na cozinha. Talvez devamos deixar sua avó concluir tudo antes de levarmos o vinho. Não posso acreditar que ela levou a melhor com o meu pai. Memorável. Ele serviu uma taça de Chablis para ambos enquanto ela removia do forno um assado que passara bastante do ponto. Ela estava se empenhando ao máximo para lhe evitar o olhar. Até quando aceitou a taça de vinho, desviou os olhos. Por alguns segundos
170 hesitou entre sentar numa das cadeiras da cozinha e tomar um longo gole de vinho. Minha avó teria ficado de coração partido se seu pai fosse morar em Londres. Quero dizer, sei que Roberto gosta deste lugar. Sei que ele vive aqui há bastante tempo, mas acho que, no fundo, compreende que a mansão é grande demais para ele. Quer que eu descubra se a casa que ele mencionou está à venda? Ela arriscou um olhar nervoso a Alessandro. Apoiado na bancada, olhava-a com uma expressão intensa que a deixou com o pulso acelerado. Não é necessário. Se me der o nome dos donos da casa depois, assumirei daí. Ele sorveu um gole de vinho e ficou observando-a por cima do copo. Com o rosto afogueado, ela se empenhava ao máximo para evitar o olhar dele. O que um homem podia fazer? Laura não era uma de suas modelos que não hesitariam em ir para a cama com ele. Também estava se recuperando de um coração
171 partido, se bem que, no que dizia respeito a ele, tempo suficiente já se passara. Mas, embora ela se sentisse atraída por ele, nunca buscaria nada duradouro com alguém que não aprovava. E vice-versa. Ela era uma grande mudança daquilo a que ele estava acostumado, e era o completo oposto dele. Podiam ter vindo de planetas diferentes e ele mal podia esperar para explorar suas diferenças. Uma grande vantagem era que agora ele aguardava com expectativa as visitas ao pai. E, embora ela tivesse negado até então, seu consentimento para explorarem a atração física entre ambos estava bem próximo. Ele podia sentir. A vida na cidade pode ser agitada comentou. Talvez eu tenha encarado estas viagens à Escócia da maneira errada. São agradáveis. Posso dizer que confins também significam tranquilidade. Talvez eu não tenha explorado o potencial aqui. É claro que o jeito
172 rabugento do meu pai pode ter me afastado da tentação de passar mais do que alguns minutos neste lugar, mas acho que as coisas estão mudando. Você acha? Laura experimentou um momento de euforia diante da perspectiva de ele estar por perto, mas reprimiu-o de imediato, preferindo interpretar sua reação como satisfação por pai e filho começarem a se entender. Ele tem amigos e uma vida social aqui. Assim, estou pensando que há mais nele do que parece. Uma vez ou duas até notei que havia senso de humor em algo que ele disse, e sempre achei que senso de humor fosse algo que ele reprovava por princípio. E, é claro, tenho visto em primeira mão que ele não é intransigente com a raça humana inteira como sempre fui levado a acreditar. Sua avó sabe como persuadilo das coisas. Não é preciso ser um gênio para
173 saber quem usa as calças naquele relacionamento. Roberto é como cão que ladra, mas não morde. Eu não diria tanto. Mas, afinal, estou passando a conhecê-lo melhor. E, como não viajo muito, talvez seja bom também descobrir o que esta parte da Escócia tem a oferecer. Por que não viaja muito? Com certeza, deve ficar cansado de trabalhar todos os dias sem parar. Seu pai disse que você nunca para. Falou que está sempre no jornal devido ao fechamento de um negócio importante ou outro. Não é cansativo? Como o meu pai sabe sobre os negócios que tenho fechado? Ele tem um álbum com recortes de jornais. Subitamente, o silêncio pairou no ar, e Alessandro tomou o restante do vinho. Um álbum com recortes de jornais? Desde quando?
174 Não tiro férias porque não tenho tempo. Ele pensou nas casas que possuía: uma no Caribe, outra em Paris, uma terceira na Toscana. Exceto pelas ocasiões de viagens de negócios a Paris, seus imóveis permaneciam vazios, cuidados por empregados e prontos para quando decidisse que podia tirar algum tempo de folga, o que nunca acontecia. Eram bons investimentos, mas nunca tinham sido desfrutados. É por essa razão que pode dar certo vir até aqui com mais frequência que no passado. Adiantou-se na direção dela, segurando a garrafa de vinho e preenchendo o próprio copo. Não se sentou ao lado dela, porém. Ficou de pé por perto, o que a fez sentir-se como se estivesse sufocando. É claro que ajudaria se eu tivesse alguém para me mostrar as coisas ao redor. Alguém para lhe mostrar as coisas ao redor?
175 Só conheço a casa do meu pai e o que há num raio de cinco quilômetros. Mesmo quando retornava para cá do internato, eu nunca explorava a região. A mente de Laura estava num turbilhão. Quem ele tinha em mente para lhe mostrar as coisas ao redor? Como se não pudesse adivinhar. Sentiu uma onda de entusiasmo percorrendo-a. Ele estava muito próximo, e teve de erguer os olhos para observá-lo. E sua boca ficou seca. Deveria disse numa voz fraca. Vale a pena explorar a região. Acho melhor voltarmos à sala de estar. Afastando a cadeira para trás, conseguiu se levantar sem esbarrar no corpo másculo dele. Roberto tem horários restritos para comer. Num segundo, minha avó vai entrar aqui para buscar a comida. Talvez ela possa transformá-la em algo comestível. Alessandro colocou-se de lado,
176 permitindo-lhe a mudança de assunto porque, cedo ou tarde, retomariam o anterior. Retornaram para a sala de estar para encontrar Edith e Roberto folheando um livro ilustrado de jardinagem que ela lhe trouxera de Glasgow como presente. Alessandro viu que o pai ficou vermelho enquanto Edith o olhava com aberta afeição. Agora que tudo está resolvido e este seu pai teimoso viu o bom senso em diminuir o lugar onde mora, é hora de alimentá-lo. PASSAVA UM pouco das 21h30 quando Alessandro levou Laura e Edith em casa, e havia sido, pela primeira vez desde que se lembrava, uma noite agradável. Roberto capitulara à decisão de encontrarem um lugar menor para morar. Ele agora sabia exatamente o tipo de lugar que estava procurando, e a casa de Saunders preenchia todos os requisitos. Para Alessandro, dinheiro
177 não era problema, e a rapidez na mudança era essencial. E então... Edith, enfim, recolhera-se ao quarto e Laura o estava levando à porta da frente com jeito apressado. Você não respondeu à minha pergunta. Alessandro recostou-se no batente da porta e a olhou. O coração dela disparou. Que pergunta? Vou estar aqui pelos próximos fins de semana, ao menos. Talvez eu até divida meu tempo até que essa questão toda seja resolvida. Vai ser minha guia turística enquanto eu estiver aqui? Laura olhou por sobre o ombro na direção da escadaria. A avó já se recolhera com sua xícara de chocolate quente, mas podia tornar a aparecer sem avisar e sua curiosidade podia ser despertada. Mas não havia motivo para ficar curiosa. Ainda assim... O pensamento traiçoeiro surgiu
178 sem aviso, e ela estremeceu com a excitação proibida. Você não precisa de uma guia turística respondeu, ganhando tempo, odiando a si mesma por se sentir tentada àquilo. Você tem carro. Pode dirigir para onde quiser e admirar todas as vistas. Mas não seria tão divertido, seria? Ambos se entreolharam, e o rubor se espalhou pelas faces dela. Do que tem tanto medo? Ele podia ver a pulsação no pescoço de Laura, uma indicação de que a voz calma, tranquila, não refletia o que se passava dentro dela. Mas ele sabia o que se passava dentro dela. Pudera sentir isso no beijo tórrido que haviam trocado. Não estou com medo. Mas fica olhando para a escada. Acha que sua avó deixou a porta aberta para talvez ouvir algo do que estamos dizendo?
179 É claro que não. Mas quem poderia saber em se tratando da avó dela? Eu me sinto atraído por você. Alessandro não se moveu, mas a impressão foi de que chegou mais perto. A sensação foi de que a acariciou e deixou uma trilha de fogo na pele dela. E você se sente atraída por mim. Laura abriu a boca para protestar, mas permaneceu em silêncio porque não quis negar o óbvio. Isso não significa nada. Arriscou um rápido olhar ao rosto bonito, sério dele. Seria tolice fazer algo a respeito. Queria parecer indiferente, mas, em vez disso, soou com nervosismo. A vida gira em torno de escolhas continuou, pigarreando. Escolhi o homem errado quando estava em Londres e não vou repetir o meu erro. Você só vai para a cama com um homem que prometa colocar uma aliança no seu dedo? E se ele nunca aparecer?
180 Então acho que acabarei sozinha. Alessandro não disse nada. Nunca fora rejeitado por mulher alguma e a recusa dela instigava-o na forma de um desafio ao qual agora sabia que não tinha intenção de resistir. Os pertences do meu pai precisarão ser empacotados. Como? Aquilo era tudo? Ela se sentiu desanimada. Seu corpo ainda latejava, como se ele a tivesse tocado fisicamente. O que havia de errado em ser cautelosa? Por que não estava aliviada com o fato de que ele ia ignorar uma atração que nenhum dos dois pedira? Pretendo dar andamento a isso amanhã cedo. Alessandro endireitou as costas e abriu um pouco a porta da frente, deixando o vento cortante entrar pelo vão. Terei que dar uma olhada no lugar antes de tomar uma decisão, mas acredito que esteja em ordem. É claro. A mente dela ainda estava num turbilhão. Pensava na maneira como ele dissera
181 que estava atraído por ela, como se a atração sexual fosse a coisa mais natural do mundo, como se não tivesse complicações. Uma vez que isso estiver resolvido, posso providenciar para que uma reforma seja iniciada na casa, para estar de acordo com os padrões do meu pai. Nesse meio-tempo, você provavelmente sabe melhor do que eu quais itens pessoais precisarão ser encaixotados e o que pode ser deixado para o pessoal da mudança. As coisas estão indo um pouco depressa, não é? Nunca vi razão para se adiar o inevitável. E enquanto isso acontece, pretendo estar por perto para me certificar de que não haja contratempos. Ele fez uma pausa e observoulhe o rosto. Ansiou por tocar-lhe as faces, aproximá-la de si para deixá-la ver exatamente o que fazia com seu corpo. A escola pode liberar você por dois dias para poder ajudar no
182 empacotamento das coisas do meu pai? Não faço ideia de onde ele guarda tudo. Também terei que trabalhar enquanto estou aqui. Não posso tirar tempo de folga. Precisam de mim lá. E eu preciso de você aqui. A maneira como ele disse aquilo entremeou as palavras com todos os tipos de deliciosas insinuações. Não confio em estranhos para lidar com os pertences pessoais do meu pai, quaisquer que sejam, e ele não tem energia para empacotá-los. Talvez você deva ver se a casa vai estar disponível ou não primeiro disse ela, quase hipnotizada pelo pequeno sorriso que brincava nos lábios dele. Se eu quiser que esteja disponível, vai estar. Quando pode me dizer sobre tirar algum tempo de folga? Eu... Está certo, conversarei na escola com a diretora, verei o que diz, se pode me liberar
183 por um dia ou mais. Não posso prometer nada. Se quiser, posso ir até lá conversar com ela. Tenho certeza de que posso convencê-la a liberar você por alguns dias. Alguns dias? Quem pode dizer? Não faço ideia de quantas coisas pessoais do meu pai precisarão ser empacotadas. Podem ser o bastante para encher uma caixa ou um furgão. Laura ponderou que ele certamente conseguiria persuadir a diretora. O homem era charmoso demais, sexy demais. Era a personificação do perigo, mas, em vez de se afastar dele, ficou onde estava, hipnotizada contra sua vontade. Ele a achava atraente... A sensação era a de que Alessandro era alguém excitante, exótico, tentador, virando o mundo protegido dela de ponta-cabeça e fazendo-a se perguntar por quanto tempo ficaria ali escondida no vilarejo com a avó, se a maneira como se protegia tanto valia a pena.
184 Fugira de Londres e dera as boas-vindas àquela balsâmica região da Escócia. A fragilidade temporária da avó fora uma distração e, então, se ocupara candidatando-se ao emprego de professora e familiarizando-se com a escola e os alunos. Parabenizara a si mesma por ter uma nova vida e por ter deixado para trás uma situação sofrida. Dissera a si mesma que era melhor levar uma vida tranquila, sem acontecimentos, do que ser magoada. Jamais permitiria que a magoassem novamente. Mas aquilo havia sido viver? Alessandro a fazia questionar suas resoluções. Ir para Londres havia sido uma grande aventura. Então Colin aparecera e tudo dera errado. Ela obedecera ao primeiro instinto de fugir, de voltar para a segurança. Qualquer um poderia ter visto a situação como um obstáculo impossível de ser vencido. Laura tinha apenas 26 anos e ele não havia sido
185 o grande amor da sua vida, como o tempo revelara. Qualquer um teria seguido em frente, acreditando que uma nova aventura seria melhor. Em vez disso, ela se retraíra e, agora, se perguntava se tudo não se tornara uma maneira de se proteger com o tempo. A perda dos pais a tornara temerosa? Tão cautelosa a ponto de se esconder de tudo? E aquele temor iria segui-la pelo resto da vida? Alessandro, tentador como era, a fazia questionar as escolhas que fizera. O que aconteceria se aceitasse o desafio que ele lhe lançara? Explodiria em chamas? O mundo pararia de girar? Era evidente que não. Mas talvez ela pudesse se ver livre da carapaça que mal lhe permitia se mover, quanto mais viver. Não podia deixar que uma experiência ruim a cegasse para o que a vida tinha a oferecer, podia?
186 E Alessandro, de uma maneira estranha, podia representar um perigo porque estava fisicamente atraída por ele. Por outro lado, não a atraía para um relacionamento, como Colin fizera. E jamais se apaixonaria por ele. O homem certo para ela seria alguém que partilharia de suas crenças e valores e que não fosse motivado por dinheiro e poder. Vai continuar me encarando? Ou devemos levar a conversa adiante? Laura corou. Vou tirar o tempo de folga, se bem que eu mesma não sei onde ele guarda seus pertences. Quero dizer, aqueles que não iria querer que a equipe de mudança empacotasse, e eu tenho certeza de que vai insistir em fazê-lo ele mesmo. É muito orgulhoso. Não gosta de aceitar ajuda. Você soube onde encontrar o álbum de recortes de jornal. Alessandro cerrou o maxilar e enfiou as mãos nos bolsos da calça.
187 Por um segundo seu imenso autocontrole pareceu desertá-lo, mas foi apenas uma sensação passageira e, então, sustentou os olhos dela. Imagino que o restante das coisas dele esteja no mesmo lugar. Estava na gaveta da mesinha de cabeceira. Fui buscar alguns comprimidos para ele algum tempo depois da operação. O álbum caiu. Talvez seu pai o estivera folheando. Alessandro não queria se sentir abrandando em relação ao pai. O tempo para isso surgira e passara anos e anos antes. Conhecia Roberto Falcone pelo que era, um homem implacável que provavelmente jamais quisera um filho, um homem que mantinha seu passado em segredo. Quando garoto, Alessandro lembrava de ter lhe perguntado de detalhes sobre a mãe até que, finalmente, desistira. Ambos tinham se recolhido cada qual ao seu próprio mundo e era um relacionamento que dava certo para os dois. Não havia lugar para nenhuma
188 curiosidade súbita sobre um álbum de recortes que o pai mantinha ao longo dos anos. Você é a boa samaritana, não é? murmurou suavemente. Era onde se sentia à vontade. Podia relaxar quando fazia um jogo de sedução, como agora quando notou o rubor nas faces dela por causa da sua mudança de tom. Estendendo a mão, afastou uma mecha de cabelo da fronte de Laura e, então, percorreulhe o rosto com a ponta do dedo até os lábios. Aquilo era o que devia fazer. E não tendo pensamentos malucos que não o levariam a lugar algum. Mas, ali, tocando-a e pondo um fim ao jogo do que podia ou não ser feito. Aqueles tipos de jogos eram cansativos. O importante era que a química entre ambos tornara-se poderosa e não havia pretextos para ela não dormir com ele. Tentando decidir o que fazer ou não, Laura entregou-se com vontade àquele toque leve.
189 Seus lábios tremeram e ela fechou os olhos, soltando um suspiro. Nem se deu conta de que ergueu as mãos para segurar a frente do casaco de Alessandro, ou de que ficou na ponta dos pés de modo que seus corpos estivessem muito próximos, que exigisse mais do que o toque do dedo dele em seus lábios. Sua mente se esvaziou quando sentiu o calor dos lábios dele nos seus. Ainda não era o bastante. Retribuiu o beijo com urgência, buscando-lhe a língua com a sua. Pressionou os seios de encontro ao peito dele e quase perdeu os sentidos quando Alessandro os segurou por baixo da blusa de lã. Os mamilos sensíveis se retesaram de encontro ao sutiã. Quis retirá-lo porque a necessidade de que ele a tocasse sem nenhuma barreira era imensa. Ele conseguiu virá-la e encostá-la na parede sem interromper o beijo. Nada nunca fora daquela maneira. Então,
190 aquilo era ser arrastada por uma onda de paixão. Alessandro segurou-lhe as nádegas e a estreitou de encontro a si para que pudesse sentir-lhe a ereção, e ela se contorceu. Eu não me importo sussurrou. Não vou ser cautelosa. Eu quero você. Tinha razão. Quero tanto você Alessandro estava tão excitado que temia que o impensável pudesse acontecer, especialmente com as chances de ambos pararem numa cama em algum lugar sendo tão remotas, não com Edith dormindo no andar de cima. Quando possuísse Laura, queria fazê-lo devagar, sem ninguém por perto que pudesse interromper. Não podemos... aqui... Estava ofegante e suas mãos tremiam de leve enquanto a afastava de seu corpo. Acredite, eu colocaria você no meu ombro e subiria dois degraus da escada de cada vez até a cama mais próxima, mas...
191 Mas minha avó está lá em cima. Eu sei. Laura endireitou a blusa de lã. Sonhe comigo esta noite. Quando fizermos amor, quero que seja com todo o vagar. Ele lhe afagou o cabelo, deliciado com a textura sexy. Acredite, Laura, a espera valerá a pena...
192 CAPÍTULO 7 DEPOIS DE sempre ter mantido uma distância educada, Alessandro descobriu, ao longo da semana seguinte ou mais, que seu pai agora parecia estar por perto constantemente. A venda da casa, conforme previra confiantemente, progredia muito bem com os filhos de Saunders cooperando prontamente com os trâmites. A reforma seria iniciada logo, e Roberto queria a palavra final em cada detalhe. Queria, inclusive, uma estufa no terreno, de um tamanho específico que pudesse abrigar plantas, flores e vegetais. Alessandro estava trabalhando em seu escritório improvisado e, pela primeira vez na vida,
193 manter a concentração parecia ser um problema. De algum modo, Laura desordenara sua vida perfeitamente organizada e ele deduzira depressa que era porque ainda não haviam dormido juntos. Ele a via com frequência. Todas as noites, ela ia até a mansão, onde iam aos cômodos, resolvendo o que podia ir, o que podia ficar e o que precisava ser empacotado por eles. E a cada noite, o roçar dos dedos dele nos dela quando ia pegar algo, o ligeiro contato físico, fazia sua pressão subir. Houve inúmeras vezes em que a teria possuído em qualquer parte da casa, mas seu pai estava sempre presente. Nunca demorara tanto para ter uma mulher. E quanto mais demorava, mais a queria. Não conseguia tirá-la da cabeça. Retornar para Londres em tempo integral e entregar a supervisão desse projeto para uma das pessoas
194 muito capazes que podia chamar estava fora de cogitação. Agora, um pouco depois das 18h, ele se afastou da mesa de trabalho e se adiantou até a janela para olhar para a escuridão. Laura não apareceria naquela noite. Haveria reunião de pais e mestres na escola. Dando-se conta de que não adiantaria continuar tentando trabalhar, começou a verificar a parte de baixo da estante que ficava junto à parede. Nunca notara aqueles itens antes, mas, como cada compartimento da mansão parecia conter algo, não devia estranhar. OUVIU A movimentação do pai na cozinha antes de entrar. Haviam deixado a sala de jantar formal e a trocado pela informalidade da cozinha. Ele respirou fundo e olhou para a pilha de envelopes envelhecidos que segurava.
195 Encontrei isto. Observou enquanto o pai se virava para olhá-lo e foi até a mesa da cozinha, onde colocou os envelopes. Por que não me contou? Por que não contei o quê? Roberto, que sempre se vestia formalmente, ajeitou a gravata e arqueou as sobrancelhas. Você sabe o quê. Por que não me contou sobre o meu passado? UMA HORA e meia depois, Alessandro estava a caminho para ver Laura. Pela primeira vez não desejou estar sozinho. Ele e o pai poderiam ter continuado conversando noite adentro, mas estavam acostumados demais aos seus silêncios para isso. Haviam parado de falar quando ambos sentiram que tudo que fora dito precisava ser digerido. Ele desligou o motor do carro e ficou sentado no escuro por alguns segundos antes de descer e rumar para a porta da frente. Quase esperou que Edith atendesse, mas não foi ela.
196 Ao vê-lo ali, Laura arregalou os olhos e, então, colocou-se de lado para que ele pudesse entrar. Acabei de chegar da reunião de pais e mestres. Olhou-o com nervosismo enquanto ele se adiantava pela sala, tirava o casaco e se colocava junto à janela. Onde está a sua avó? O que você está fazendo aqui? Ela está jantando com amigos no vilarejo. Por quê? O coração de Laura disparou e quis lhe perguntar se ele não podia suportar mais, se tivera de ir vê-la porque todos os dias, no mesmo lugar, arrumando as coisas de Roberto com ele por perto o tempo inteiro, tinham sido tão difíceis para ele quanto haviam sido para ela. Alessandro viu o desejo nos olhos dela e deu um sorriso vagaroso. Fortuito. Colocando o casaco numa cadeira, aproximou-se dela. Esteve pensando em mim?
197 Tenho visto você bastante recentemente e, então, por que eu pensaria? Laura ficou vermelha. Sim, chegara à sua decisão de que aquilo era o que faria. Não lutaria contra o desejo. Mas certamente não admitiria que estivera pensando nele. Você sabe que eu nunca... ele estava muito próximo agora, colocando as mãos na cintura da calça de agasalho dela e começando a baixá-la passei tanto tempo... fez com que ela recuasse devagar até estar de encontro à parede na companhia de uma mulher que eu quis... A calça de agasalho estava na metade das pernas dela, mas, em vez de lhe remover a calcinha, ele insinuou a mão sob a renda, encontrando-lhe o centro úmido da feminilidade entre as coxas. Sendo obrigado a me conter tanto. Começou a acariciá-la, massageando-lhe o clitóris, perdendo-se nas sensações, deixando-
198 as invadir sua mente e sobrepujar a confusão de seus pensamentos. Aquilo era exatamente o que precisava. Ali mesmo. Sua mente caótica foi silenciada. Sentiu a umidade dela e sua mente ficou completamente em branco, permitindo que as puras sensações entrassem. Quero isto há tanto tempo... disse ele, enquanto ela se movia de encontro ao seu dedo, mal conseguindo respirar. Não quero fazer amor com você aqui, perto da porta da frente, com você encostada na parede... Podemos subir até o meu quarto... Não quero que sua avó chegue e nos encontre. Isso não vai acontecer. Ela está jantando com as amigas e, depois, elas irão para a prefeitura a 24 quilômetros daqui para assistirem a uma palestra sobre orquídeas. Haverá uma porção de perguntas.
199 Onde é o seu quarto? Ele deu um passo atrás e, com seu olhar, deu-lhe a oportunidade de recuar, mas não sabia o que faria se fosse o caso. Estava tão envolvido que mal conseguia pensar com clareza. Laura estremeceu, entrelaçou a mão na dele e ambos subiram a escada silenciosa e rapidamente até seu quarto. Ele a apanhara desprevenida. Ela não tivera tempo para se preparar para aquilo e seu coração estava disparado quando chegaram à porta do quarto, diante da enormidade do que estava prestes a fazer. Aquela era ela? Realmente? O que acontecera com o sonho de encontrar o homem certo? O que acontecera com a sua resolução de nunca ter nenhum tipo de relacionamento com nenhum homem que não fosse estar ao seu lado como um parceiro de vida? Quando tivera aquela resolução, ainda não conhecera Alessandro. Não soubera que
200 haveria alguém capaz de afastar todos aqueles planos cuidadosos da sua mente. Não parecera possível na época, não quando se sentira amarga e magoada. Quando se tratava de mulheres, Alessandro Falcone tomava o que queria. Aqueles olhos escuros viam, desejavam, conquistavam e, então, depois que o apetite dele era saciado, dispensava quem quer que fosse. Não pensava em ter ninguém; preferia estar sozinho. Não queria começar sua própria família, não acreditava no amor nem em compromisso. Ele representava tudo que ela abominava e, ainda assim... Estou aqui agora... Ela não acendeu a luz do quarto. Em vez disso, ligou o abajur na mesinha de cabeceira que lançou uma luminosidade suave e dourada ao redor. Você parece gostar de cães. Por alguns momentos, Alessandro deteve-se para
201 examinar o quarto, que era pequeno e aconchegante. Havia uma cadeira de balanço junto à janela com uma porção de cães de pelúcia. Eu deveria ter me livrado deles há muito tempo. Riu um tanto embaraçada. Sempre quis um cachorro, mas minha avó se opôs à ideia e resolveu que cães de pelúcia teriam o mesmo efeito. Jamais consegui me desfazer deles. São parte do meu passado. Alessandro aproximou-se dela. Temos algo em comum. Eu também queria um cachorro, mas, é claro, num internato os bichos de estimação não eram permitidos. Não quero conversar. Quero tocar. Tire todas essas roupas. Deixe-me vê-la nua. Após uma breve hesitação, durante a qual uma pequena voz a alertou a ter cautela, ela começou a se despir. Ignorou a voz. Aquela era sua escolha, viver no presente, desfrutar da companhia daquele homem sem compromisso
202 algum. Se não houvesse compromisso, ela não poderia ficar desapontada. Estava entrando naquela situação de olhos bem abertos. E era agora, ou nunca. Sua avó demoraria pelo menos duas horas para voltar. Era uma oportunidade de ouro e, então, sabia que ele iria embora. Ambos deixariam aquilo para trás, mas no momento o desejo febril a percorria de tal maneira que só poderia ser aplacado se dormisse com aquele homem bonito, arrogante e inapropriado. A blusa de lã estava no chão junto ao sutiã. Pôde sentir os olhos dele nela e se arrepiou. O ar frio envolveu-lhe os seios quentes, nus, como um bálsamo. O tipo de mulher com quem ele saía não tinha seios grandes, e ela se perguntou o que achava dos seus. Eram maiores do que esperara? Não eram pequenos e bem-feitos o bastante? Ela estava ofegante quando ele se aproximou e a abraçou.
203 Você tem seios incríveis sussurrou-lhe. São grandes demais. Seios incríveis e mamilos ainda mais incríveis. Grandes demais também. Isso não é possível. Ele a conduziu com gentileza até a cama, que era de casal, mas não era grande, e Laura deitou-se nos travesseiros com um suspiro. Na semiescuridão do quarto, Alessandro deteve-se alguns segundos só para olhar para ela. Sua ereção estava quase dolorida, mas tinha de recobrar parte de seu autocontrole ou perdêlo por completo. Laura tinha os braços dobrados sob a cabeça, e os seios estavam projetados para cima, sendo oferecidos como frutos maduros, suculentos. Ela retirara a calça de agasalho, mas deixara a calcinha, e ele soube que estaria úmida. Ele se livrou de seu pulôver e da camisa que usava por baixo. Abriu, então, o botão da calça
204 e baixou o zíper com vagar. Não queria apressar as coisas, mas Deus do céu, estava perto do clímax só em olhar para ela e para o sorriso preguiçoso que lhe brincava nos lábios enquanto o observava. Está gostando do striptease? perguntou rouco. Alargando o sorriso, ela se mexeu um pouco na cama, entreabrindo as pernas, e Alessandro emitiu um som gutural. Nunca fizeram um para que eu visse. Laura estava tão excitada que mal conseguia encontrar as palavras. Mesmo sob a luz difusa, podia ver o volume orgulhoso da ereção dele e tocou seu púbis. Em seguida, enfiou a mão sob a calcinha porque era onde ansiava por ser tocada. Alessandro livrou-se da calça e da cueca boxer, tirando um preservativo da carteira. Colocou-o na mesinha de cabeceira e permaneceu ao lado da cama, completamente nu.
205 Ele tinha uma estatura incrível e um porte atlético invejável, pensou Laura. Homem de ombros largos, físico vigoroso, tinha uma ereção impressionante. Ela se apoiou num cotovelo e tomou-o em sua boca, sentindo-o estremecer com satisfação. Alessandro arqueou as costas e segurou a nuca dela, puxando-a mais para si para que o deliciasse com seus lábios. Laura acariciou-o com os lábios e a língua, e ele demonstrou seu prazer com gemidos guturais sexies. Quando não pôde suportar mais a doce tortura, afastou-se dos lábios ávidos dela e ficou imóvel, controlando a respiração com dificuldade. Finalmente, olhou-a. Nunca desejei uma mulher da maneira como desejo você. Laura não iria analisar aquilo. Desabou de volta nos travesseiros, com as pernas entreabertas e um gemido baixo.
206 Alessandro beijou-a com todo o vagar, explorando-lhe a boca com a língua e, depois, depositando-lhe beijos ao longo do maxilar. Ela arqueou as costas e suspirou, fechando os olhos, quando ele lhe tomou um dos mamilos com os lábios e começou a sugá-lo. Estava envolta por um mar de sensações e não era nada como algo que já tivesse experimentado antes. Era tomada por uma sensação de liberação sem igual. Quando Alessandro enfiou a mão na sua calcinha, abriu mais as pernas e soltou uma exclamação deliciada no momento em que ele começou a acariciar seu clitóris. Ele a massageou insistentemente até que ela suplicou para que parasse. Não queria chegar ao clímax daquele jeito. Alessandro deitou-se por cima dela. Abrindo os olhos para observá-lo, Laura não achou que já tivesse visto alguém tão bonito. Ela o segurou entre as mãos, mas ele se soltou com gentileza.
207 O que importa aqui não é apenas a minha satisfação disse rouco. É a sua também. Inclinou-se para lamber o abdome dela e, então, desceu mais até sua boca chegar à calcinha. Sem removê-la, provocou-a até que Laura se contorceu com a excitação crescendo em seu íntimo. Somente então ele lhe removeu a calcinha, juntando-a à pilha de roupas no chão. Gostava do corpo escultural dela, cheio de curvas voluptuosas. Sentindo-lhe a fragrância de mel entre as pernas, acariciou-a com a língua, encontrandolhe o clitóris mais uma vez. Inebriada pelas carícias, ela segurou o cabelo dele e ergueu um pouco as coxas para que pudesse penetrá-la mais com a língua. Alessandro acariciou-a até que ela estivesse enlouquecida de paixão, até que a única satisfação que precisava era a de que ele a possuísse. Entre seus gemidos, sabia que estava
208 lhe suplicando para parar, pois o queria dentro dela, precisava dele, agora... Gatinha exigente. Alessandro pegou o preservativo com dedos trêmulos. Também precisava possuí-la. As preliminares eram ótimas, mas não podiam se estender demais. Ele a penetrou com uma longa investida, adorando a maneira como ela estava escorregadia e como o cingiu pela cintura com as pernas. Segurou-a pelas nádegas. Manteve o máximo de controle que lhe foi possível. Moveu-se mais e mais depressa e soube que ela chegou ao clímax quando lhe sentiu o corpo retesar e lhe ouviu a respiração mais acelerada e, enfim, gritou o nome dele. Somente então ele se permitiu entregar-se a um clímax incrível com uma investida profunda. Totalmente entregue à atração física, ele conseguira deixar de lado a desconcertante conversa que tivera com o pai. Agora que
209 estava com Laura em seus braços, franziu o cenho, recordando a conversa. O quarto era pequeno demais, e ele deixou a cama, aproximando-se com inquietação da janela. Laura sentiu frio e sentou-se, segurando a colcha abaixo dos seios. Desfrutara de sua experiência sem compromisso e aquele era o resultado. Terrível. Tinham feito amor e agora Alessandro não podia nem sequer ficar na mesma cama por cinco segundos. De qualquer modo, não começaria a fazer objeções, nem a pedir mais do que ele estava preparado a dar. Não fazia ideia do que dizer numa situação como aquela. Sentiu um vazio em seu íntimo e dirigiu-lhe um sorriso corajoso. Alessandro notou aquele sorriso corajoso e correu a mão pelo cabelo. Saciara sua necessidade física e sabia que deveria ir embora. Também sabia que não ia fazer isso. Não ainda. Ele a tivera e queria mais.
210 Também precisava, pela primeira vez na vida, fazer mais do que olhar para o relógio e ir embora logo depois do sexo. O meu pai já lhe fez confidências? perguntou abruptamente, e ela ficou tão surpresa com a pergunta que o olhou em silêncio. E, por favor, não tente mentir para mim. Não faço ideia do que você está falando. Você e ele parecem ter um relacionamento próximo. Juntando sua avó à mistura, temos um círculo de troca de confidências. Ele estava recostado na janela de braços cruzados, ainda completa e gloriosamente nu. Vai começar a me acusar de oportunista outra vez? Vai tentar insinuar que minha avó e eu estamos envolvidas em algum tipo de complô para tirar tudo o que o seu pai tem? Laura sentiu os olhos marejados. Uma coisa era ter uma aventura de uma noite com alguém que era alérgico a relacionamentos, mas outra
211 completamente diferente era ser acusada injustamente. Pensei que você já tivesse superado isso tudo. Alessandro sacudiu a cabeça e afastou-se da janela para começar a recolher as roupas. Você encontrou um álbum de recortes. Com o jeans e a camisa, embora com os botões abertos, ele se aproximou da cama, olhando-a com intensidade e uma expressão sisuda. Oh, sim. Isso. Alessandro, não sei do que está falando e você está me deixando nervosa parado aí e me olhando com ar sério. O que mais pode ter encontrado que deixou de entregar a mim? Deixei de entregar a você? É o que você acha que eu deveria fazer? Mexer nas coisas do seu pai e, então, lhe entregar qualquer coisa que eu ache que você queira ver? Mesmo cabendo a Roberto fazer isso? Acha que eu deveria usar essa oportunidade para espiar o seu pai? Ver se
212 ele está investindo em algo inadequado? Ou talvez enviando dinheiro ao exterior por ter sido vítima de estelionato de criminosos? Ou que ele tenha escondido algo que você ache que deva saber a respeito. Porque você deve saber de tudo, não é? E não devo? Ele sentou na cadeira diante da penteadeira, pequena para seu porte musculoso. Bem, parece que não. Quero dizer, eu nunca soube, para começar, que a minha mãe morreu dando à luz a mim. Laura soltou uma exclamação perplexa e inclinou-se para a frente. O quê? Meu pai não lhe contou isso? Alessandro correu os dedos pelo cabelo. Não pretendera dizer nada. Precisara se perder nos braços dela, achara que o sexo seria o bastante para aquietar o turbilhão em sua mente. Obviamente não fora.
213 Não, não contou. Eu Eu não entendo. Como pode ser que só agora você está descobrindo sobre sua mãe? Ela se inclinou pela beirada da cama e recolheu as roupas do chão. Colocou as roupas de baixo. Não podia ficar deitada onde estava. Deu-se conta de como ele estava controlado. Tinha uma expressão neutra, e ela precisava abraçá-lo, tocá-lo, mas não de uma maneira sexual. Havia mais uma cadeira de balanço perto da janela, outro legado de sua infância e, depois de se vestir, ela a arrastou para poder se sentar perto dele. Alessandro não objetou quando ela entrelaçou as mãos de ambos. O que mais? Que outras revelações foram feitas? Bem, vejamos... Oh, sim, eu tive uma irmã. Ela morreu quando tinha 12 anos. Caiu de uma árvore. Alessandro...
214 Foi quando acharam que ter outro filho poderia ser uma boa ideia. Ou melhor, lendo nas entrelinhas, minha mãe achou. Sabe de uma coisa? Não faço ideia do porquê de estar lhe dizendo isso. Porque todos precisam desabafar de vez em quando. Acho que você pode estar me confundindo com um fracassado. Está aborrecido com ele? Zangado? Laura ignorou-lhe a atitude de não ter sentimentos, de não estar vulnerável. Teria feito qualquer coisa para dissipar-lhe a expressão amargurada do rosto. Sim, ambas as coisas. Estava aborrecido e zangado, sim, mas, com o tempo, esses sentimentos desapareceriam, e ele sabia que ficaria grato pela conversa que tivera com o pai, pelas revelações que tinham sido feitas. Estava finalmente entendendo por que o pai havia sido a figura distante em sua vida, como
215 sua dor pela perda da esposa mais jovem de algum modo se transformara na distância do filho que considerava culpado. Fui um velho tolo resmungara Roberto, tão pouco à vontade em partilhar seus sentimentos quanto o filho estivera, no entanto, quanto mais o tempo passou, mais impossível ficou de se remediar o dano. No final, houve apenas silêncio entre nós. Eu deveria ter me aberto, explicado tudo. Tenho fotos da sua mãe. Eu a amava mais do que tudo no mundo. Teria morrido por ela. Quando estiver pronto para perdoar o velho tolo, pode ver as fotos. Sabe disse Laura pensativa, ele nunca falou sobre onde viveu antes de ter vindo para cá. Sempre houve uma parte de si mesmo que manteve escondida de todos nós. Ainda entrelaçava os dedos com os dele. Aquele era um momento no tempo que queria guardar, e isso a confundiu porque o que tinham não
216 significava nada. Não tinham nenhum tipo de relacionamento. Por que, então, se sentia de coração partido quando imaginava a vida dele, a maneira como crescera, quando via a desolação em seus olhos? Por que queria tornar as coisas melhores? Alessandro deu de ombros. Ela pôde sentir que ele começou a se retrair e se afastar dela, e entrou em pânico diante da possibilidade de que ele se ressentisse do fato de ter feito confidências, de ter-se mostrado vulnerável. Era um homem orgulhoso, um leão acostumado a ficar sozinho. Agora, sabia por que e se condoía por ele. Você veio até aqui... fazer amor comigo... por quê? Alessandro corou. Eu queria você. Não analiso as coisas antes disso. E devo ir agora, antes que sua avó volte para casa e me apanhe numa situação
217 comprometedora com a neta. Começou a abotoar a camisa, mas não tirou os olhos dela. Nunca fizera confidências a alguém antes, mas não lamentava tê-lo feito agora. Acho que, da próxima vez, devemos considerar um lugar com uma cama um pouco maior. Houve alívio no coração dela. Então vai haver uma próxima vez... Desceram a escada juntos, mas, antes de chegarem à porta, ela pousou a mão no braço dele. Você vai ficar bem? Alessandro observou-lhe os olhos verdes preocupados e abriu um sorriso tranquilo. Está com pena de mim? Ela afastou a mão de imediato. Estou com pena de vocês dois respondeu com franqueza. Por causa de todo o tempo que perderam.
218 Eu já vou disse Alessandro no mesmo tom de voz que a avisou de que as confidências tinham terminado e não voltariam. Antes que você decida que precisa me dar um abraço. Não vejo razão para abraços. Há tantas coisas mais excitantes para fazermos e, infelizmente, não há tempo no momento. Mas algo na sincera simpatia dela o tocou. Não tentara lhe pedir que ficasse para poder tirar proveito da única vez na vida que ele perdera o controle. Não lhe fizera perguntas preocupadas para oferecer uma repetição de sexo a fim de afastar a dor. E ela era uma amante fantástica. Enquanto dirigia rumo à casa do pai, ele sentiu o desejo se reavivando com as lembranças de terem feito amor. Fora receptiva, carinhosa e, no tocante às confidências, havia sido exatamente o que ele precisara. E sabia o que queria mais dela.
219 O pai estava dormindo quando chegou em casa. No dia seguinte, conversariam novamente. Laura estivera certa quando dissera que sentia pena de ambos pelo tempo que haviam perdido, os anos durante os quais ele ignorara o quebra-cabeça que fora o seu passado. Presumira que o pai também havia sido um homem distante com a esposa. Havia se enganado. Seu pai fora apaixonado por ela e, quando a perdera, também perdera a vontade de seguir adiante. Com certeza, perdera toda a vontade de criar laços com o filho, que era uma dolorosa lembrança da mulher que amara e perdera. Ele mergulhara no trabalho e excluíra tudo mais. Pela primeira vez, Alessandro foi se deitar sem verificar os s e não se importou. O PAI já se levantara quando ele desceu até a cozinha na manhã seguinte, e havia duas caixas pretas de couro do seu lado da mesa.
220 Há mais onde estas estavam. E não fique apenas olhando para elas, meu rapaz! Abra-as. Eu deveria tê-las dado a você há muito tempo. Alessandro olhou para o pai, que pegava algo dos armários. Bem, o que está esperando? Quero que você conheça a sua mãe. Deveria ter sido há muito tempo, mas... Não se preocupe. Eu pretendo olhar todas estas fotos. Você me perdoa, meu rapaz? Alessandro nunca pensara que teria aquela conversa com o pai ou que ouviria tais palavras, e algo tocou-o a fundo. Depende. Do quê? Da sua cooperação em se mudar para a casa antes que a estufa tenha sido construída rigorosamente de acordo com as suas especificações... porque está sendo mais trabalhoso que o esperado.
221 Roberto relaxou e lhe dirigiu um sorriso maroto. Sou um velho. Não sei ao certo se posso acomodar direito os meus tomates e as minhas orquídeas. Mas vou me empenhar ao máximo.
222 CAPÍTULO 8 LAURA NÃO soube o que esperar quando foi até a mansão na manhã seguinte. Flocos de neve caíam com abundância, carregados pelo vento cortante. Peculiarmente, o inverno não estivera tão rigoroso nas semanas anteriores e, agora, parecia querer compensar o atraso. Ela deixara a avó verificando a lenha com o rádio ligado e sentia-se aliviada por estar sozinha. Precisava de tempo para ordenar os pensamentos. A noite anterior a abalara. Não esperara que Alessandro aparecesse em sua casa. Depois do beijo que haviam trocado, ela se perguntara se
223 fariam amor. Ou se seria apenas um jogo até que ele desaparecesse. Assim, quando ele surgira sem aviso, ela ficara empolgada, apreensiva, tomada por entusiasmo. E se tivera alguma dúvida quanto à sua decisão, evaporara no segundo em que ele a tocara. Antes. No segundo em que ela abrira a porta para deixá-lo entrar. Laura dirigia devagar sob a neve ponderando que Alessandro tinha ido até ela porque quisera libertação física. Ele recebera informações inesperadas e importantes e a única maneira de processá-las fora fazendo amor. Era doloroso aceitar que, se não tivesse estado lá, ele poderia ter apelado para uma de suas dedicadas fãs. Mesmo assim, ele dissera que ainda a queria. Ela sabia que devia ter cortado aquilo pela raiz, mas sucumbira à prazerosa ideia de que o frágil relacionamento durasse um pouco mais. Agora, enquanto se aproximava da mansão, ela se perguntava se aquilo não fora algo que ele
224 dissera de momento, por não estar agindo como ele mesmo. Alessandro baixara a guarda e ela sabia instintivamente que não planejara que aquilo acontecesse. Era um homem que gostava do absoluto controle. Mas esse controle levara um golpe e ele se abrira com ela. Parcialmente. Laura certamente não iria encorajá-lo a se abrir mais, a realmente expressar o que sentira com o que o pai lhe dissera, com os segredos que haviam sido revelados, embora fosse algo que ela queria mais do que tudo. E aquilo a assustava, pensou parando o carro no pátio sob a neve. O que sentia em relação à história de Alessandro era mais do que empatia comum e era o que a atemorizava. As emoções que a dominavam eram fortes e complicadas e, com um suspiro de frustração, ela se adiantou até a casa, sabendo que a única maneira de lidar com a situação era ignorando-a.
225 Assim, quando tocou a campainha e Alessandro abriu a porta, ela sorriu educadamente e o informou que estava ali para ajudar mais no empacotamento das coisas. Foi um esforço encontrar aqueles olhos penetrantes. Ele estava mais sexy do que nunca, e seu pulso acelerou de imediato. Com a barba por fazer, usava um jeans desbotado e um suéter azul-marinho. Alessandro encarou-a e franziu o cenho porque aquele era o tipo de cumprimento sem entusiasmo que não queria. Não quando passara a maior parte da noite consumido por pensamentos sobre Laura, por sua fragrância, seu gosto, pelas sensações de tocá-la com suas mãos, seus lábios, de tê-la sob seu corpo. Quisera, precisara, mergulhar em pensamentos sobre o corpo incrível dela e, portanto, o que havia de errado em esperar mais daquela sedutora quando queria que tudo se repetisse? Naturalmente, teria sido demais esperar que ela
226 aparecesse ali usando um casaco de peles sem nada por baixo, pois, afinal, não era o estilo dela. Mas Laura poderia ter feito uma tentativa de abraçá-lo pelo pescoço e levá-lo até o cômodo vago mais próximo... Após uma noite de sexo mais do que fantástico, certa de que ele ainda não havia perdido o interesse, não teria havido uma única mulher que não estivesse planejando manter a chama acesa entre ambos. Um rápido olhar foi o bastante para lhe dizer que, sob as muitas camadas de roupas, Laura não estaria usando nada sexy. Entre. Ele se colocou de lado, dando-lhe passagem. Ela iria fazer de conta que não tinham feito amor?, perguntou-se. O simples pensamento de que ela seguisse aquela linha desapontou-o. Onde está Roberto? Faz algum tempo que não converso com ele.
227 Está na estufa falando com suas plantas. Ela não deveria estar perguntando sobre o pai dele. Deveria aproveitar os momentos de privacidade para procurar o cômodo vago mais próximo. As mulheres sempre ficaram atrás de Alessandro. Nunca precisara se preocupar. Possuía boa aparência, dinheiro e um importante afrodisíaco chamado poder. Sempre tivera condições de desfrutar de sua posição de força do alto de sua torre de marfim, confiante de que as pessoas iriam até ele e não o contrário. Sempre aproveitara de sua incrível independência, gostando do fato de que nunca tivera que ajustar nenhuma parte de sua vida para acomodar a dos outros. A vida no internato, embora tenha sido agradável, transformara-o em alguém que não precisava de ninguém e não buscava a aprovação dos outros. A absoluta ausência de vida familiar lhe dera força de caráter e, no que
228 lhe dizia respeito, aquilo era mais importante do que tudo. Agora, parecia frustrante ficar na retaguarda enquanto Laura continuava franzindo o cenho. Talvez eu possa ir vê-lo, levar-lhe uma xícara de chá antes de continuarmos empacotando as coisas. Não houve nada que ela dissera que Alessandro estivesse interessado em ouvir. Como ele está lidando com...? Como vocês dois estão lidando com tudo o que aconteceu? Espero que não se importe, mas contei a minha avó parte do que você me disse, e parece que ela já sabia alguma coisa... Alessandro relaxou. Assim era melhor. Simpatia Lágrimas brilhando nos olhos A mão trêmula pousando em seu braço. Sob quaisquer outras circunstâncias teria repelido as especulações sobre sua vida particular. Tinha de ser dito, porém, que nunca teria confiado em ninguém mais e a única razão
229 pela qual sentira a necessidade de fazer confidências a Laura era por causa da conexão dela com o seu pai. Ele está bem. Ambos estamos bem. O que o meu pai teve a dizer me abriu os olhos. Alessandro fez um gesto de cabeça na direção da cozinha. Sempre me perguntei por que a cozinha era tão cheia de mobília velha. Parece que, quando meu pai se mudou do chalé onde ele e a minha mãe viviam, a mobília da cozinha e o forno foram as únicas lembranças que pegou da vida que deixou para trás. Sempre me perguntei onde ele viveu antes e por que nunca falou a respeito. Gostaria de uma xícara de café? Sim. Obrigada. Ficou claro que ele não faria mais confidências. E por que teria feito? Ela era um romance passageiro e, como tal, não se enquadrava naquele tipo de emoção profunda. Talvez eu deva ir ver o seu pai.
230 Ele vai entrar logo disse Alessandro irritado, girando nos calcanhares e rumando para a cozinha. Não precisa paparicá-lo, Laura. Quando ele vai à estufa é porque precisa de algum tempo sozinho, e não porque quer pessoas levando-lhe chá e conversas reconfortantes. Você é tão sarcástico. Ela o seguiu livrando-se do casaco, do cachecol e do chapéu de lã, deixando o cabelo cascatear pelas costas. Alessandro a olhava e se perguntava como fora tolo o bastante em achá-la atraente?, pensou ela. Não fizera nenhuma menção sobre renovar qualquer tipo de relacionamento e, disse a si mesma, era melhor de tal modo. Então, por que se sentia vazia e triste por dentro? Ele estava de costas para ela enquanto fazia uma xícara de café para ambos e, quando se virou, Laura obrigou-se a abrir o sorriso
231 educado de alguém cujos pensamentos estavam longe de girar em torno de sexo. Disse alguma coisa? Alessandro aproximou-se dela. Laura usava uma blusa de lã que não tinha um tom de verde muito atraente e meias listradas sob as botas, mas o jeans moldava-lhe as curvas e só contribuía para aumentar a onda de desejo que o percorria. Em sua mente, tinha uma imagem perfeita de como ela era sem as camadas de roupas. Podia, sem problemas, recriar o gosto dela e as sensações que tivera. Nada. Ela aceitou a caneca de café fumegante e sentou-se à mesa, onde ficou sem lhe sustentar o olhar. Diga-me que jogo estamos fazendo. Ele se sentou na beirada da mesa de modo a obrigá-la a olhá-lo. Jogo?
232 Porque se é um jogo em que banca a difícil de pegar é melhor esquecer. Não faço ideia do que está falando! Estou falando de você agir como a estranha educada. Não vou começar a ficar atrás de você. Laura abandonou a tática de fingir não entender o que ele dizia. E não estou bancando a difícil. Não faço jogos. Lançoulhe um olhar faiscante. Então vamos fazer de conta que a noite de ontem não aconteceu? Sei como você é e não vou ser como uma daquelas mulheres que grudam no pé de um homem depois do sexo. Como eu sou? Você foge de formar relacionamentos mais depressa do que uma bala. Aposto que no segundo que uma mulher começa a fazer planos, você começa a se perguntar onde é a saída mais próxima.
233 Alessandro riu e lhe observou o rosto afogueado com apreciação. Gosto do seu senso de humor disse numa voz sedutora e agradável que a deixou com as pernas bambas e a mente acelerada. E eu sou muito bom em formar relacionamentos, embora admita que não durem. Mas isso não é relevante conosco, é? Você sabe como sou e, depois do seu erro com um homem casado, não está em busca de alguém que não esteja falando em termos de longo prazo. Certo? Um súbito pensamento ocorreu a ele, deixando-lhe um gosto amargo na boca. Você amava o sujeito? Colin? Ela ficou desconcertada pela pergunta porque não achava que Alessandro fosse o tipo de homem que demonstrava muito interesse no que as mulheres tinham a dizer sobre seus relacionamentos passados. Era um homem que vivia totalmente para o presente. Ao menos no campo dos relacionamentos.
234 Eu achei que amava confessou quando o silêncio ameaçou se tornar desconfortável. Mas apenas me deixei levar por um homem bonito que sabia me manipular. Acho que me apaixonei pela sensação de estar apaixonada. E, de fato, ela mal pensara nele e, sentada ali, quase não conseguia se lembrar de como Colin era. Acho que você vai me dizer que esse é o problema com o amor. Ele não existe e, portanto, é melhor evitá-lo e apenas ficar com as pessoas pelas quais se sente atração. Alessandro sorriu devagar e viu o rubor tingir as faces dela. Seguiria o meu conselho se eu lhe dissesse para fazer isso? Você pode não acreditar no amor, mas eu acredito. Ainda assim, ficou comigo. Não precisa ficar tão convencido por causa disso.
235 Gosto da ideia de que você não conseguiu se conter. Ele pousou calmamente a caneca na mesa e traçou o contorno do maxilar dela com o dedo. Isso é tão arrogante disse Laura um tanto trêmula. Eu sei. Sou arrogante. Quero beijá-la e sou arrogante o bastante para achar que você provavelmente quer me beijar de volta. Estou certo? Ou vai me esbofetear? Alguém já fez isso? Não. Ele sorriu de uma maneira que fez com que um calor se irradiasse pelo corpo inteiro dela. Não sei por que me sinto atraída por você. Não deve perder seu tempo refletindo sobre isso. Deixe acontecer. Ele lhe afagou o cabelo e ela se levantou, apoiando-se nas pernas trêmulas. Não se sentia apenas atraída por ele, refletiu, estava fascinada por Alessandro. Era pelo fato
236 de pertencerem a mundos tão diferentes? Ou porque as circunstâncias que os tinham unido eram tão surreais? Ela o abraçou pelo pescoço e se colocou entre as pernas dele. O calor de Alessandro envolveua, e ela deu um suspiro, reprimindo a culpa. Beijaram-se com todo o vagar, voluptuosamente. Ela se afastou um pouco e olhou por sobre o ombro. E se o seu pai entrar? Não vai entrar. Como você sabe? Conheço seus hábitos. Ele vai para a estufa e fica lá por umas duas horas. Tem uma cadeira lá, uma mesa com livros, enfim... Só falta uma cama. Laura soltou um risinho. Não queria falar sobre Roberto. Queria sentir os lábios dele nos seus outra vez e moveu-se para mais perto, encostando-se no peito dele e beijando-o sem pressa. A língua dele acariciando-lhe a boca a
237 enlouquecia porque ela se lembrava de como lhe afagara os seios, de como lhe estimulara os mamilos e o clitóris até que ela chegara tão perto do clímax que poderia ter gritado. Desejou não estar usando tantas roupas para que ele tivesse fácil acesso ao seu seio. Em vez do jeans apertado, quis estar usando uma calça folgada para conseguir abrir as pernas e ele poder encontrar seu calor úmido com os dedos. Mas, na ausência de roupas adequadas, beijouo com sofreguidão. Alessandro nunca provara nada tão doce. Laura tinha uma fragrância única, deliciosa, que o inebriava. Os seios dela, comprimindo-se contra seu peito, eram macios, fartos, e suplicavam por serem tocados. Se tivessem privacidade garantida, não teria hesitado em despi-la porque ansiava por sentir-lhe o corpo nu junto ao seu. Ela possuía um corpo escultural e o que o tornava ainda mais bonito era que ela nem se
238 dava conta de quanto era sexy. As modelos com quem ele sempre saíra tinham conhecido seu poder de sedução e o usado. Laura Reid reprimia o seu. Empenhava-se ao máximo para desaparecer na multidão. Escondia os seios bonitos e camuflava a sensualidade de quadris e pernas. Ele curvou a mão em torno do bumbum dela e afagou-o. Depois, colocou a mesma mão entre as pernas dela e exerceu pressão para que os nós dos dedos a massageassem e lhe buscassem o ponto do prazer através do jeans grosso. Ambos levaram alguns segundos para reconhecer as batidas de uma bengala no chão e se soltaram abruptamente, virando-se para olhar Roberto. Laura sentiu uma onda de constrangimento e correu os dedos trêmulos pelo cabelo. Não conseguiu, porém, encontrar a voz. Roberto estava furioso.
239 Isso nunca vai dar certo! exclamou para Alessandro enquanto se aproximava de ambos. Do que está falando? Sei como você é com as mulheres, rapaz, e Laura não é uma dessas sirigaitas que você leva para a cama e, então, descarta como um par de sapatos velhos. Alessandro correu a mão pelo cabelo e dirigiu um olhar contrariado ao pai. Não sei do que está falando. Sabe exatamente do que estou falando. Roberto afundou numa das cadeiras da cozinha e fuzilou o filho com o olhar. Realmente achei que estávamos começando a chegar a algum lugar com nosso relacionamento, filho. Mas vejo que nunca vou entender você. Sacudiu a mão no ar, parecendo derrotado. Você entendeu tudo errado disse Alessandro, e Roberto olhou-o com ar de dúvida.
240 Eu entrei aqui e você estava dando uma cantada nessa jovem! Estou aqui, Roberto. Laura, enfim, encontrou a voz e o interrompeu antes que ele pudesse continuar atacando Alessandro. E conhece o ditado. Quando um não quer... Tolice! interrompeu-a Roberto, mantendo os olhos fixos no filho. Não conhece Alessandro como eu declarou em voz alta com o rosto vermelho. Por favor, Roberto. Ela pousou a mão ansiosamente no ombro dele e olhou para Alessandro. Já se esqueceu de que teve um derrame recentemente? Não quando estou de mudança porque sou considerado frágil demais para ficar num lugar que tem mais de três quartos. Ele ainda olhava para Alessandro. O que quer dizer quando falou que entendi tudo errado? Explique-se, garoto.
241 Você acha que me conhece. Alessandro falou num tom manso, dispersando a atmosfera tensa de uma maneira que Laura admirou. E admito que o meu comportamento com as mulheres pode não ter sido dos melhores. Mas eu sei que Laura não é... Uma daquelas sirigaitas com quem você tem encontros de uma noite? Posso ser velho, filho, mas não sou tolo. Nunca achei que fosse. O que estou dizendo é que isso é... diferente... Laura ficou boquiaberta. Laura e eu temos uma ligação especial. Não, ela não é uma daquelas sirigaitas. Alessandro pensou com ironia que algumas das supermodelos com quem saíra teriam ficado chocadas em serem chamadas de sirigaitas. Ligação especial? Roberto alternou um olhar desconfiado entre os dois. Isso é sério disse Alessandro num tom grave, e Laura esforçou-se para se recobrar do
242 espanto. Permaneceu imóvel onde estava enquanto ele se aproximava e lhe dava a mão num gesto que pareceu estranhamente casto. Qual é o grau de seriedade? perguntou Roberto com ceticismo, e Laura não pôde culpá-lo. Esperava que ele não lhe pedisse confirmação do que Alessandro dissera, porque não fazia ideia do rumo que aquilo estava tomando. Embora soubesse de onde se originara. Ele e o pai haviam chegado a uma frágil trégua depois de mais de duas décadas de um relacionamento civilizado, mas glacial. Uma porta, antes fechada, se abrira entre ambos. Não completamente, mas o bastante, e ela supunha que Alessandro não desejaria arriscar isso agora. Somando-se à situação o fato de que a saúde de Roberto não estava muito boa, podia entender as preocupações de Alessandro. É bastante sério respondeu ele com firmeza.
243 Nesse caso, estou disposto a lhe dar o benefício da dúvida. Roberto lançou um olhar a Laura. Edith sabe sobre isso? Não. Então, vocês, pombinhos, vão me dar licença, mas é melhor eu contar a ela. Roberto sacudiu a mão na direção dos dois e saiu da cozinha, deixando-os em absoluto silêncio. Foi Laura quem o rompeu. O que, afinal, você foi fazer? Afastandose de Alessandro, cruzou os braços sobre o peito. Eu salvei a sua reputação. Você salvou a minha reputação fingindo que temos algum tipo de relacionamento sério que vai a algum lugar? Ela soltou um riso, embora seu coração traiçoeiro disparasse. Não queria um relacionamento sério com ele... queria? Aquilo não passava de desejo, lembrou a si mesma. Ir além era como andar num campo minado.
244 Queria mesmo que o meu pai pensasse que é o tipo de garota que iria para a cama com um homem por pura diversão? Não é preciso ser um gênio para ver que meu pai colocou você num pedestal. Eu teria sabido disso bem antes se tivéssemos tido um bom relacionamento entre pai e filho, mas não tivemos e, portanto, eu nem sequer sabia da sua existência. Mas logo que vi a interação entre vocês, soube que ele deve ver você como a filha que teve no passado. Inquieto, ele se adiantou para olhar pela janela para a neve densa que caía lá fora. Queria que eu acabasse com essas ilusões? Talvez não, mas você o levou a crer que... Não é uma completa mentira. Temos um relacionamento. Temos uma espécie de relacionamento, Alessandro. E ela não cometeria o erro de transformar aquilo em nada mais. Temos o tipo de relacionamento que vai esmorecer no minuto que você sair daqui para retornar a
245 Londres. É algo que já sabíamos desde o início. Orgulhou-se da maneira como sua voz soou calma e controlada. Vamos passar da parte da lição de moral disse ele com exasperante arrogância. Há também a questão da saúde do meu pai. Ele não tem estado bem. Os médicos me disseram que a ausência de estresse é o caminho mais seguro para garantir que a saúde dele melhore. Isso é profundo, considerando que você veio até aqui para afastá-lo de tudo aquilo a que ele está acostumado. Alessandro corou. Quando decidi levá-lo para Londres, eu não sabia sobre os laços que ele tinha formado na comunidade. Laura sentiu-se pouco à vontade porque sabia daquilo. Já é ruim o bastante que o seu pai pense que estamos envolvidos, mas vai ser pior quando ele disser a minha avó. Ela passou tanto
246 tempo me paparicando quando voltei à Escócia que vai pensar que você é um príncipe encantado que veio me salvar. Não posso pensar em ninguém menos parecido com um príncipe encantado. Ele a observou com uma expressão irritada. Bem, somos o que somos. E para onde vamos a partir daqui? Como já lhe disse, deixe as coisas fluírem. Ele lhe dirigiu um sorriso malicioso, que Laura se empenhou para ignorar, e se aproximou dela devagar. Podemos não acabar parando no altar como noivos felizes, mas somos bons juntos. Não pensemos para além disso. Para provar o que dizia, tocou-lhe a face e, com satisfação, viu-a fechar os olhos. Quando chegar o momento, romperemos e não haverá alarde. Relacionamentos terminam, até mesmo aqueles que começam com grandes esperanças... Assim, até que isso aconteça,
247 vamos aproveitar essa oportunidade de ouro para desfrutar um ao outro. Sem compromisso... e sem se esconderem... Alessandro fazia tudo parecer tão simples. Então, por que, perguntou-se Laura, aquilo parecia tão perigoso?
248 CAPÍTULO 9 UM FERIADO! Roberto e Edith confrontaram os dois uma hora depois e anunciaram que era o que deviam fazer naquele dia. Apesar da neve, a questão do relacionamento sério fora importante o bastante para Roberto entrar em contato com seu motorista ocasional, que levara Edith até a mansão. Laura ficara horrorizada. Ainda estava com a mente num turbilhão pelo que Alessandro dissera ao pai e pela facilidade com que ele próprio aceitara o caso de ambos como algo que duraria, presumidamente, até que se cansasse e fosse
249 embora. Para ele, inventar um relacionamento sério para tranquilizar o pai fazia sentido. A situação avançara tão depressa que Laura se sentia como se tivesse entrado numa montanha-russa. Sua vida estivera tão ordenada antes de Alessandro aparecer. Sentira-se contente com o seu emprego como professora e superara a terrível experiência de Londres. A paz da Escócia havia sido um bálsamo para seus nervos abalados e, se não se perguntara por quanto tempo continuaria levando uma vida de relativo contentamento antes que a inquietação começasse a dominá-la, fora porque assim escolhera. E, de repente, ele estava ali, o filho ausente que ela nunca vira, trazendo consigo o tipo de empolgação proibida da qual ela jurara que ficaria longe. Pior; trazendo o tipo de empolgação proibida que ela nunca sonhara ser possível. Havia
250 sobrepujado tudo que Colin representara. Alessandro pousara aqueles olhos incríveis e arrogantes nela e seu mundo plácido explodira em milhares de pedacinhos. Era tão simples para ele. Tomava o que queria. Era o tipo de homem do qual ela deveria ter fugido. Mas o que fizera em vez daquilo? Deixara que ele a hipnotizasse, que a fizesse pensar todos os tipos de coisas sobre a vida adequada que estivera contente em levar. Não era melhor viver um pouco? Correr riscos? Por que lutar contra a tremenda atração que sentia por ele? Por que deixar para se arrepender por oportunidades perdidas? Poderia controlar a atração física, dissera a si mesma. Nunca esperara se envolver tanto a ponto de ansiar por mais. E ali estava agora. Metida numa farsa de relacionamento para agradar a sua avó e o pai de Alessandro. Ele podia conseguir tirar aquilo
251 de letra, mas, para ela, a situação era mais difícil. Uma onda de culpa a envolvia enquanto uma xícara de chá era colocada na sua mão, e ela sorveu um gole tentando se concentrar na conversa ao redor. Aquela sua casa exclamou Roberto com autoridade. Saiu em vários jornais alguns anos atrás. Você a comprou com dinheiro daquela sua refinadora de petróleo. É em algum lugar quente... Esqueci agora... Fica no Caribe. Alessandro ainda estava surpreso com a quantidade de informações que o pai reunira sobre ele ao longo dos anos. Olhou para Laura, que bebia chá e parecia tensa. Aposto que você nunca pisou naquele lugar. O pai olhou-o com uma expressão velada, e Alessandro decidiu no ato que aquele era precisamente o lugar aonde levaria Laura.
252 Por que não? Ele não gostou da maneira como não conseguia parar de pensar nela. Seu trabalho vivia sendo interrompido com visões dela em seus braços, nua e entreabrindo as pernas, suplicando por ele. Precisava esquecêla. Nesse meio-tempo, porém, alguns dias de sexo ininterrupto seriam bem-vindos. Se Laura não decidisse colocar obstáculos no caminho, mas, pela expressão teimosa dela, não teve certeza. Ele conteve um acesso de irritação. Foi difícil encontrar tempo. É claro que a casa não ficou sem ser usada. Eu recompenso funcionários do alto escalão com feriados ocasionais lá. Mas sabe de uma coisa? Acho que alguns dias relaxando ao sol não seriam má ideia... O que me diz, Laura? Mas e quanto à casa? À mudança? Às coisas que precisam ser empacotadas? Ainda aturdida, Laura lembrou a si mesma que
253 supostamente havia encontrado o amor de sua vida e abrandou a sua recusa com um sorriso. Tudo está transcorrendo bem. A casa logo estará pronta, a mudança está marcada para daqui a três semanas e, quanto ao empacotamento das coisas... Bem, cobrimos a maior parte de tudo que é valioso demais para o pessoal da mudança. Por que não deixamos meu pai e Edith assumirem daqui? Podem querer passar algum tempo juntos sem nós por perto como acompanhantes. Não tenho certeza quanto a roupas coisas para tempo quente. Alessandro deu de ombros. Não me diga que só tem roupas de inverno. Não acredito. Abriu-lhe um sorriso caloroso e divertido. Pode chover e nevar muito na Escócia, mas o verão ainda ocorre uma vez por ano. Corrija-me se eu estiver enganado. Não tem shorts e camisetas? De qualquer modo, há uma ou duas lojas na ilha, se estou lembrado.
254 Pode fazer uns dois anos que estive lá, mas me lembro nitidamente de tratarem muito bem os turistas. Partiremos amanhã de manhã e voltaremos no domingo à noite. O que pode ser mais relaxante? Laura achou que poderia ser relaxante se não estivessem envolvidos numa farsa. Parece muito longe para se ir por causa de apenas poucos dias. Sorriu constrangida porque Roberto e sua avó a encaravam como se tivesse perdido todo o bom senso. Sofro com a diferença de fuso horário, sabem? Você é jovem! Roberto sacudiu a bengala no ar para lhe afastar a objeção. Deixe as reclamações sobre diferença de fuso horário para velhos como Edith e eu. Nós é que sofreríamos com a diferença de fuso horário após um voo longo. Vá até lá, garota, e veja um pouco do mundo. Você precisa sair daqui antes de começar a fossilizar. Lembre-se de que ainda é jovem. E você Roberto olhou para
255 Alessandro precisa de uma pausa desse seu computador. Sem mencionar que posso ficar bem sem vocês no meu pé o tempo todo. A cada lugar que olho, lá estão vocês me importunando. AO LONGO das 24 horas seguintes, Laura sentiu seu nível de pânico se elevar. Não sabia mais como se portar. A avó a acuara no momento em que voltaram à casa de ambas e começara a lhe perguntar sobre noivado, casamento e bebês. Ficou com os olhos marejados diante da ideia de uma pequena bisneta. Laura ficara perplexa, mas tivera que sorrir durante a conversa, enquanto se empenhava para revelar o mínimo possível. Sim, entendia por que Alessandro dissera o que dissera no calor do momento, mas ainda fervia de ressentimento porque era uma complicação a mais numa situação que já ameaçara ficar complicada.
256 Envolvimento. Essa era a palavra temível que pairava num canto de sua mente. Entregara-se estupidamente a um pouco de diversão. Ignorara convenientemente o fato de que não era uma garota dada à farra. Era uma garota séria que queria amor, segurança e compromisso. E embora tivesse desfrutado cada segundo do lado físico de Alessandro, também avançara por um terreno mais perigoso e se deixara se envolver por ele. Fizera aquilo porque era exatamente quem ela era. Teria sido inútil lutar contra a própria natureza. Era por essa razão que agora, enquanto esperava que ele a buscasse e a levasse ao aeroporto, não sabia em que havia se metido. A avó estivera atrás dela desde o amanhecer e lhe preparara um pequeno pacote com o café da manhã para levar no carro. Ela lhe dera instruções rigorosas repetidamente sobre
257 bloqueador solar, embora Laura não visse que mal poderia ser causado em sua pele em poucos dias. A avó também a avisou diversas vezes sobre mosquitos. Ela ouviu a campainha e, após calorosas despedidas, estava no carro com Alessandro. A neve diminuíra ao longo da noite, mas os campos ainda estavam cobertos e a temperatura continuava baixa. Não vai ser um fim de semana prazeroso se você decidir me tratar com silêncio disse Alessandro, lançando-lhe um olhar. Surpreendeu-a parando no acostamento da estrada isolada e desligando o motor. O que está fazendo? Acho que devemos relaxar para começar com o pé direito. Laura percorreu-o com o olhar enquanto ele se recostava com seu corpo másculo na porta do carro e a olhava. Ela sentiu uma pura onda de desejo e se perguntou por que não podia
258 simplesmente relaxar e desfrutar da situação pelo que era. Afinal, não havia nada que pudesse fazer para mudá-la. E não era como se não tivessem feito amor. Tinham feito. Ele conhecia seu corpo tão intimamente quanto conhecia o dele. Você está analisando demais as coisas. Está deixando sua mente ser levada por todos os tipos de detalhes errôneos porque meu pai sabe sobre nós. Então, ele sabe. Acha que o que há entre nós é mais do que realmente temos. É um fato consumado, mas deixe-me tornar isso simples. Eu quero você. E você me quer. E estamos prestes a ir ao exterior para três dias de sexo quente. Com você é tudo preto no branco. Sou pragmático. Alessandro tinha uma expressão predatória. Num gesto simples, inclinou-se para a frente e ergueu a grossa blusa de lã dela e, então, a blusa justa térmica que
259 usava por baixo, até que ambas as peças estivessem acima dos seios de Laura. Estava mostrando como o sexo podia ser simples. Ela sabia daquilo e, enquanto sua mente estava repleta de pensamentos conflitantes, ainda não conseguia resistir à pressão das mãos quentes de Alessandro. Ele lhe abria o fecho do sutiã e lhe libertava os seios, e os mamilos se retesavam com a queda na temperatura. Ele os observou com olhar de apreciação. Nós... Nós temos que ir para o aeroporto. Não podemos... Não aqui. Não vou fazer amor neste carro disse Alessandro, desviando os olhos para o rosto afogueado dela. É pequeno demais para um homem grande como eu. Não, só vou tocá-la um pouco... Ele se inclinou para lamber os mamilos de Laura e ela afundou mais no assento do carro. Observar-lhe a cabeça morena em seus seios
260 com os campos nevados estendendo-se de ambos os lados da estrada era incrivelmente erótico. Sentiu a umidade na roupa de baixo, mas no espaço confinado não podia esfregar as pernas para aliviar o latejo lá, e ele não a tiraria de seu tormento indo além de seus seios. Era uma doce tortura e estava completamente indefesa enquanto ele continuava a sugar e a estimular seus mamilos. Os únicos sons eram os da boca dele e, enfim, Alessandro parou e ajeitou-lhe as roupas. Aproveite o que temos disse, dando a partida e saindo do acostamento para continuarem a jornada. Estamos no ponto em que estamos. Não é necessário ficar tensa. Laura fechou o sutiã e se ajeitou, perguntando-se como ele conseguia provar um ponto com tanta facilidade. Como podia lhe explicar que, com ela, as coisas não eram preto no branco como com ele, sendo que se lançara num relacionamento sem compromisso,
261 aceitando que não ia a lugar algum. Que direito tinha de começar a citar preceitos morais? Teria sido hipocrisia de sua parte. Iriam de jato particular. Ele comentou que era perfeito para uma viagem breve. Ela ouviu e contribuiu para a conversa. Soube que estava fazendo todas as perguntas interessantes sobre um jato particular, como quando o usava, há quanto tempo o tinha. Você vai ter que se livrar de todas essas roupas grossas avisou Alessandro, enquanto subiam a bordo do jato preto que estava à espera deles numa pista que Laura desconhecia. Por algum tempo, esqueceu-se de todas as dúvidas. Aquilo era estar em algo que cheirava a dinheiro. Era viajar sem o incômodo de um aeroporto e de multidões. Divertido, Alessandro observou-a olhar tudo, mal o ouvindo quando lhe disse que providenciou para que levassem algumas roupas leves ao jato.
262 Conduziu-a a um quarto particular com um sofá relaxante e indicou as pilhas de roupas. Ele ficou junto à porta, olhou para o relógio e, então, lhe disse para se apressar, pois decolariam logo. Trouxe minhas próprias roupas. Laura olhou para as roupas coloridas à sua frente. Cores tropicais. Cores que jamais teria sonhado usar. Então agora você vai ter mais roupas do que precisa. Não é o sonho de toda mulher? Já lhe disse que não sou como toda mulher e, portanto, não, esse nunca foi um sonho meu. Ela pegou um vestido de alças e o girou à sua frente de cenho franzido. Experimente-o encorajou-a Alessandro numa voz suave. Ouse viver um pouco... Esperarei você no assento dentro de cinco minutos. Preciso fazer algumas ligações urgentes.
263 Laura dirigiu-lhe um olhar faiscante enquanto ele se afastava. Ouse viver um pouco? A sensação era a de que ela não fizera nada a não ser ousar viver um pouco por semanas e semanas. Se não tivesse ousado tanto não estaria ali agora com seus pensamentos num turbilhão e segurando um vestido de verão laranja e rosa. Ficaria segura. Mas não queria estar segura. Não teve certeza de que queria ficar segura novamente. Porque não havia empolgação num mundo seguro. Nada de coração disparado, de estômago revirado, de sentidos acentuados. Nada de Alessandro. Sentou-se pesadamente no sofá com a respiração acelerada. Olhou fixamente para o vestido em sua mão e tentou ordenar os pensamentos de uma maneira que não a apontassem numa direção que não queria seguir, mas não conseguiu.
264 Quando ele se tornara uma parte integrante de sua vida? Quando ele parara de ser alguém que não aprovava e passara a preencher todos os espaços em sua cabeça? Quando ela se apaixonara por ele? Como algo tão grandioso como o amor podia acontecer tão depressa? Não era em nada como o que sentira por Colin. Aquilo fora uma paixão tola, nascida de suas próprias inseguranças e dos persistentes elogios dele. Alessandro a seduzira com mais do que elogios. Ele a seduzira com sua inteligência, perspicácia, integridade. Ela perdera a cabeça e o coração para a maneira que ele a olhava, que sorria, que às vezes ria. Para a maneira como lidara com a turbulência em sua vida quando o pai finalmente quebrara o gelo e lhe contara sobre o passado. Ele não tirara proveito das inseguranças dela. Afastara-as e lhe mostrara que devia se sentir bonita e sexy.
265 Fora por isso que dormira com ele? O coração a levara a fazer o que acontecera naturalmente, embora a mente dela não tenha tido tempo para entender aquilo? Tinha sido tola o bastante para pensar que estivera atendendo a uma necessidade física, mas não olhara mais a fundo. E era por essa razão que se sentia com tanto medo agora. Porque o que tinham era muito mais do que um caso, muito mais do que duas pessoas desfrutando de sexo antes que este acabasse. Não estava nem um pouco à vontade com a ideia de uma farsa, de achar que a avó e Roberto acalentavam a ilusão de que aquele era um relacionamento sério e tinha medo das águas turvas em que entrara. Adormeceu? Precisa que seu príncipe encantado venha lhe administrar respiração boca a boca?
266 Laura ouviu aquela voz sexy e possante e trocou suas roupas de inverno pelo vestido de verão mais depressa do que a velocidade da luz. Havia um cardigã claro na pilha de roupa, e ela o pegou. Que pena. Alessandro passara as duas horas anteriores atormentado por uma ereção dolorida, e vê-la num vestido que lhe realçava o corpo curvilíneo não ajudava muito. Eu estava à espera de poder praticar a respiração boca a boca. Laura sorriu languidamente. Agora que reconhecera seus sentimentos pelo que eram, tudo nele parecia afetá-la mais intensamente. Parado junto à porta do quarto do jato, Alessandro estava tão bonito que ela mal conseguia encontrar a voz. Ele removera as próprias roupas de inverno, ficando apenas de jeans e camiseta e irradiava sensualidade. Quando baixou o olhar, ela ficou vermelha diante da prova de quanto o afetava.
267 O jeans se avolumava onde uma evidente ereção fez o coração dela disparar. Eu sei. Alessandro seguiu-lhe a direção do olhar e notou-lhe a reação sem problemas. Mas, infelizmente, não temos tempo. Se bem que eu poderia dizer à tripulação... Não! exclamou Laura quando ele se aproximou. Lembrou-se da maneira como ele sugara seus seios no acostamento da estrada, nem um pouco preocupada com a possibilidade de alguém passar de carro e deduzir o que estava acontecendo. Ele se achava no comando daquela situação porque não estava emocionalmente envolvido. Ela passou por ele e alisou o vestido com mãos trêmulas. Não faz realmente o meu estilo. Mas você está estonteante. Alessandro riu porque ela podia se comportar como uma mulher voluptuosa entre os lençóis, mas fora corava feito uma adolescente. E vai ficar
268 contente por usá-lo quando chegarmos do outro lado. Vai estar um calor escaldante. Estavam nos assentos e, solícito, ele prendeu o cinto dela, lançando-lhe um olhar malicioso quando seu braço lhe roçou o seio. O que você acha que a sua tripulação pensa disto... de nós? Não sei. Não me importo. Existe alguma coisa com que você se importe realmente? A aspereza do tom dela foi abafada pelo ruído dos motores enquanto o jato começava a taxiar para decolar. Há certo negócio pairando por um fio. A voz dele soou divertida, mas os olhos escuros estavam frios. Isso está chamando minha atenção no momento. Com certeza, eu me importo com esse negócio. Mas deve haver mais na vida do que negócios. Vai começar a me passar um sermão sobre as minhas escolhas de vida? perguntou
269 Alessandro calmamente, virando o corpo para olhá-la. Eu mergulho naquilo que conheço. Trabalho. Negócios. Dinheiro. E quando se trata de emoções, porque, pelo vejo, é do que está falando, eu as controlo. Arqueando as sobrancelhas, inclinou a cabeça para o lado. Quando fala que as controla, você quer dizer que nunca se permitiu realmente sentir algo por alguém. Desde quando você tem esse interesse pelo que sinto ou não e por quê? Laura corou. Desde que, enfim, admitira para si mesma que se apaixonara profundamente por ele. Deu de ombros. Todos tentamos descobrir o que motiva as outras pessoas. É da natureza humana. É mesmo? Ainda preciso descobrir o que motiva as mulheres. Se bem que no caso de algumas é óbvio acrescentou ele, dando de ombros.
270 Laura forçou um sorriso. Não havia grande surpresa ali. Ele dormira com mulheres, exatamente como estava dormindo com ela, mas seu envolvimento não ia além daquilo. Como dissera, mantinha o controle sobre as emoções e as coisas na vida que não requeriam emoções eram algo que atraíam seu interesse de um modo não passional. Aquilo magoava e ela odiava que magoasse. Quando estava com Alessandro, podia sentir cem por cento o fabuloso interesse dele concentrado nela e era doloroso reconhecer que isso se dava na companhia de qualquer mulher que ele quisesse levar para a cama. Havia se apaixonado por um homem que não tinha interesse num futuro com ela, nem com qualquer outra mulher. Estava enganando a avó e um homem idoso do qual gostava muito. Comportava-se de uma maneira que era completamente contra sua natureza. E agora estava num sofisticado jato particular para
271 passar alguns dias de completo isolamento com alguém que se sentia contente o bastante em promover uma farsa porque isso lhe facilitava a vida. De todos os ângulos, estava vulnerável e teria que ao menos tentar não o deixar perceber quanto nem a maneira profunda como a afetava. Pensou em qual seria a reação dele se descobrisse que aquilo era muito mais do que um caso sem importância para ela. Ficaria perplexo, horrorizado. Ou, talvez, se sentiria divertido, confortável com a ideia de que estava no controle, sabendo que ela concordaria. Não veria aquilo como o ato de tirar proveito dela. Simplesmente aceitaria que ela se apaixonara por ele, o que a tornaria uma conquista mais fácil. Seguiria os instintos de predador nato. Ela se perguntou quantas mulheres teriam se apaixonado por ele no passado.
272 Você nunca se sentiu tentado a ter algo mais do que um relacionamento superficial com alguém? Quem foi que disse que os meus relacionamentos foram superficiais? indagou Alesssandro, não gostando da maneira como aquilo o fazia parecer vazio. O que não era o caso. Era simplesmente prático, cauteloso e controlado. Sou um homem com sangue nas veias. Gosto das mulheres e, quando estou com uma mulher, estou com ela e com ninguém mais. Ao contrário, devo acrescentar, do patife com quem você se envolveu. Que tipo de homem você prefere? Um homem que é franco e direto, ou um homem capaz de dizer qualquer coisa para levá-la para a cama, mesmo que não tenha a intenção de cumprir as promessas que fez? E estou presumindo que o cafajeste com quem saiu era cheio de promessas.
273 Laura corou porque, sim, Colin fora cheio dos grandes gestos, palavras floreadas e promessas vazias. Mas, entre os dois, com certeza havia um meio-termo feliz, o lugar que a maioria das pessoas ocupava, não? Só que não era um lugar que Alessandro desejaria ocupar, nem explorar. Laura bocejou e fechou os olhos por um momento porque aquela conversa não ia a lugar algum. Não achou que fosse conseguir dormir, não quando estava viajando num jato particular com um homem pelo qual estava apaixonada e com um turbilhão de pensamentos em sua mente. Na verdade, porém, dormiu profundamente e só acordou quando Alessandro a sacudiu de leve. Ela abriu os olhos e o viu observando-a com ar divertido. É incomum que mulheres adormeçam na minha companhia disse ele sorrindo, enquanto o jato começava a descer.
274 Acho que ficam ocupadas demais tentando impressionar você. Ela se esforçou para sentar e transferiu o olhar para o céu azul do lado de fora. O clima de feriado a dominou e ela tratou de reprimir todas as dúvidas que a atormentaram nas horas anteriores. Elas teriam passado a maior parte da viagem tentando me fazer levá-las para a cama no quarto particular. Idiotas disse Laura tensa. Esperariam que, com isso, você se interessasse o bastante para prolongar o relacionamento. Alessandro ainda abria aquele sorriso que fazia com que ela se sentisse uma adolescente por dentro. Não é uma rua de uma só via. Gosto de pensar que elas obteriam tanto prazer quanto estariam desesperadas para dar. Num relacionamento sem compromisso. Laura não disse nada. O que tinha a dizer? Dirigindo a atenção para a vista espetacular lá
275 fora, soltou uma exclamação admirada. Não fizera ideia do que esperar ao fim do voo no qual dormira. Sua vida não fora tão repleta assim de férias no exterior. Enquanto crescera, ela e a avó tinham estado na França duas vezes e ela visitara a Espanha com amigas alguns anos antes. Quando trabalhara em Londres, suas férias haviam consistido em voltar para a Escócia. Ela nunca visitara nenhum lugar fora da Europa e seu aturdimento diante da vida numa ilha continuou dominando-a enquanto seguia Alessandro. Finalmente, com o sol começando a se pôr, rumaram para a villa dele. Estava calor. Ela teve de tirar o cardigã tão logo desceram do avião. E os sons... Os sons de insetos ao redor, barulhentos, mas invisíveis. Ela pôde sentir o cheiro salgado do mar. E começou a bombardeá-lo com todas as perguntas que teria feito no avião se tivesse conseguido ficar de olhos abertos. Parecia que a ilha era bastante pequena, uma joia no mar
276 onde os ricos e famosos tinham casas aninhadas na flora tropical exuberante e bem longe dos paparazzi. O turismo respondia pela maior parte da renda local e os negócios que haviam florescido na ilha eram em decorrência dos milionários e bilionários que tinham casas ali. Algumas eram permanentemente ocupadas, em vez de serem apenas de veraneio. Houve alguém para recebê-los: um homem sorridente de pele morena que se manteve falante durante o breve percurso de jipe. Não demorou muito para que o veículo deixasse a estrada principal e subisse uma ladeira. Em ambos os lados da estrada estreita, havia árvores e arbustos em profusão. Coqueiros altos oscilavam acima dos arbustos densos, e flores multicoloridas tomavam conta da vegetação rasteira. Laura banqueteou os olhos até que a ladeira conduziu a um pátio diante do que parecia uma casa de fazenda. Era espetacular. Uma
277 varanda de madeira corria por toda a extensão da casa. Ela mal notou que o motorista desapareceu no escuro e, no interior da casa, olhou ao redor boquiaberta. Por que você nunca vem aqui? admirouse em voz alta, e Alessandro deu de ombros. Falta de tempo. Está tarde. O lugar está totalmente estocado com comida. Eu poderia ter providenciado alguém para vir cozinhar enquanto estamos aqui, mas não vi necessidade, considerando que vamos ficar pouco tempo. O cabelo dela ficara um tanto cacheado. Ele nunca pousara os olhos em nada tão tentador. Mas devemos adiar a comida até depois de termos tomado um banho? murmurou encorajador, adiantando-se na direção dela, querendo que o olhasse em vez da casa ao redor. Havia um longo tempo que estivera naquela casa, mas ainda se lembrava do layout. O banheiro anexo ao quarto principal era grande
278 e luxuoso o bastante para se dar uma festa. Ele a abraçou e inclinou a cabeça para beijá-la. Quero conhecer a casa primeiro exclamou Laura, e ele soltou um grunhido. É uma casa. Alguns cômodos, uma piscina, alguns gramados. O que há para conhecer? O único cômodo que eu quero que conheça é o quarto. Nem tudo tem a ver com sexo! Mas a urgência na voz dele a preencheu com um anseio que queria aplacar. Alessandro ocupava tanto espaço em sua mente que só em ver a maneira como os olhos dele a fitavam já a fazia querer que suas mãos e lábios a percorressem. Pura e simplesmente, ele aguçava todos os seus sentidos. Precisou de toda a sua força de vontade para não o deixar conduzi-la ao quarto de imediato. Em vez disso, exploraram a casa, que era incrível.
279 Havia ar-condicionado em tudo, mas, no momento, a casa tinha sido arejada, e uma brisa balsâmica entrava pelas portas e janelas. O cheiro do mar era ainda mais forte ali, e ele lhe disse que era uma breve caminhada até uma praia particular. Mas não agora disse secamente, notando a maneira desejosa como ela olhou para além do jardim. É uma casa linda. Ela correu os olhos pelo assoalho de madeira, reluzente pela falta de uso, pela mobília leve de bambu e pelas cortinas de musselina. Parece saída de uma revista. E eu deixei o melhor para o final. Alessandro conduziu-a da área de estar na direção dos quartos, embora já tivesse se decidido que uma exploração dos sete aposentos de hóspedes não fosse acontecer. Ao menos não agora que sua libido estava a mil.
280 A suíte principal, reservada para seu uso exclusivo, ficava na extremidade da casa e se abria, através de portas francesas, para uma vista do oceano. Tinha uma varanda, e ele observou enquanto Laura olhava tudo com aberta admiração. Ele abriu as portas francesas, e ela saiu para a varanda para inalar o morno ar tropical. Então admirou a cama gigante de casal com seu dossel de voile, que poderia ter parecido feminino se não fosse pela roupa de cama escura e as linhas austeras da mobília. Sem sequer notar, ela só se deu conta de que fora conduzida pela mão até o maior banheiro que já vira quando ele lhe baixou as alças do vestido de verão. Olhou-o com ar indefeso. Não havia uma única parte dela que podia resistir quando Alessandro a tocava. Ansiava por ele e não fez absolutamente qualquer tentativa de impedi-lo de a despir. O vestido de verão foi retirado, amontoando-se aos pés dela; depois, foi a vez
281 do sutiã e da calcinha, de modo que ela ficou nua no imenso banheiro, enquanto ele continuava completamente vestido. Era extremamente erótico, mas quando ela fez menção de começar a livrá-lo da camisa, ele lhe deteve a mão com um esboço de sorriso. Preciso ir devagar disse rouco. Observar você dormir no avião foi algo que testou os meus limites. Se fizermos sexo agora mesmo, não vou conseguir fazer justiça ao ato. O rubor tingiu as faces dela quando Alessandro começou a beijá-la demoradamente. Enquanto a beijava, ele brincou com seus seios, murmurou-lhe ao ouvido, disse-lhe coisas que a fizeram corar mais e a excitou tanto que ela mal pôde conter o desejo febril que a percorria. Ele se agachou até estar ajoelhado diante dela. Laura mal pôde se manter de pé. As pernas ficaram trêmulas porque estava excitada demais, e a mão que gentilmente escorregou
282 entre suas coxas para abri-las provocou um gemido em resposta. Com as pernas entreabertas, ela jogou a cabeça para trás e desfrutou da deliciosa sensação da língua dele encontrando-lhe o centro do calor, afagando-a com vagar até lhe estimular o clitóris. Como que por vontade própria, seus dedos afundaram no cabelo dele. Ela abriu mais as pernas, criando mais espaço para a lânguida exploração, entregando-se com fervor às carícias dos lábios molhados dele entre suas pernas. Seu orgasmo foi rápido e furioso, evoluindo num crescendo que a fez se precipitar num mundo de sensações. Uma brisa morna e perfumada soprou pela janela aberta. Era tão diferente daquilo a que estava acostumada. Até o gemido alto que lhe escapou dos lábios não pareceu vir dela. Nem tampouco, pensou, abrindo os olhos e vendo seu reflexo na parede espelhada oposta, aquela
283 mulher se parecia com a que pensava que era e sempre fora. Estava num universo paralelo e tudo que podia fazer, quando voltasse à terra, era se proteger o melhor que pudesse...
284 CAPÍTULO 10 SENTADA JUNTO à piscina, dourando suavemente sob o sol, que ainda estava quente embora fossem 17h, Laura refletiu que era como se o tempo tivesse parado por enquanto. Na manhã seguinte, o jato particular que os deixara naquela ilha paradisíaca os levaria dali de volta à realidade. À dura realidade. Não haviam conversado uma vez sequer sobre o suposto relacionamento criado para apaziguar o pai dele e a avó dela. Deveriam estar supostamente apaixonados. Deveriam estar pensando no amanhã e não apenas no presente, mas era apenas um detalhe que se adequava a Alessandro. Ele lhe dissera para
285 esquecer Roberto e sua avó e para ver o fim de semana prolongado como uma oportunidade para terem sexo ardente. E ele conquistara tanto seu coração que ela deixara suas ansiedades e dissabores de lado e, sim, covarde como era, desfrutara da companhia dele no paraíso tropical onde tinha ido parar. Um passarinho atirado num mundo exótico bem longe do seu alcance. Não poderia estar mais longe de sua zona de conforto. A pequena ilha era o parque de diversões dos incrivelmente ricos. Imensas casas em estilo de fazenda se avistavam atrás de entradas de veículos ladeadas por palmeiras. Praias aprazíveis aninhavam-se na base das montanhas, embora eles tenham ido a apenas uma delas porque era particular, uma praia com areia fina como açúcar e plácida água turquesa para nadar. A cidadezinha era pitoresca com vários restaurantes de alta classe, algumas lojas caras e todos os outros tipos de
286 negócios necessários para apoiar a economia da ilha e manter os residentes empregados. Ela se sentia como se tivesse ido parar inadvertidamente numa locação de cinema. Tudo era tão perfeito que a experiência parecia irreal. Tão irreal quanto o relacionamento de ambos, e ela soube que estar naquela ilha era como estar numa redoma, onde era fácil esquecer as coisas que tinham que ser resolvidas. Ela suspirou e fechou os olhos. Quando os abriu, viu Alessandro parado ao lado da espreguiçadeira, olhando-a através de óculos escuros. Você não está parecendo feliz disse sem preâmbulo. Laura protegeu os olhos do sol com a mão e apoiou-se num cotovelo. Algum dia se cansaria de admirá-lo? Ele lhe roubava o fôlego. Quando estava próximo, o coração dela batia
287 mais depressa e o pulso acelerava. Ele tomava conta de todo o seu ser, emocional, física e intelectualmente. Quando pensava em não o ter mais por perto, sentia-se como se estivesse olhando para o vazio absoluto, repleto apenas de desespero. Sabia que só podia culpar a si mesma. Alessandro não lhe pedira que se apaixonasse por ele. Na verdade, deixara claro desde o início que amor era uma palavra de quatro letras que não existia em seu vocabulário. Se seu coração fugira das rédeas, isso não tivera nada a ver com ele. Vou sentir falta de tudo isso quando partirmos. Ela forçou um sorriso enquanto ele se deitava sob o sol na espreguiçadeira ao lado. A primeira ideia de Alessandro foi de que a casa não ia a lugar algum. Quem poderia dizer que ela não voltaria? Depois, franziu o cenho porque aquele era o tipo de planejamento com
288 antecedência que sempre evitava com uma mulher. Feriados ao sol não estão fora do alcance só porque você mora na Escócia. Laura ficou sorrindo porque aquele era o tipo de resposta que não queria. Era evidente que ele não podia adivinhar que não era de feriados ao sol que ela estava falando. Vou ter que começar a economizar disse num tom jovial. Acredite ou não, professores não ganham tanto assim. Alessandro abriu um sorriso carismático e virou-se de lado, tocando-lhe de leve o braço e sentindo que o corpo dela estremecia com o conhecido desejo. Laura era tão receptiva e aquilo nunca deixava de excitá-lo. Jamais se cansava dela. Admito que esta ilha particular está provavelmente fora do alcance da professora comum. Ao menos, é claro, que a professora comum seja amante de um magnata. Fico
289 contente que esteja gostando daqui. É bom para o lugar ter um pouco de uso. Por que você tem lugares como este se nunca os usa? Como investimentos. Está sendo vantajoso. Esta casa valorizou substancialmente desde que a comprei e, agora, estou contente por nunca ter me sentido tentado a vendê-la. Então você nunca trouxe ninguém aqui? Quando diz ninguém... Mulheres. Aquelas mulheres de sorte com as quais você por acaso saiu. Tenho a tendência de ficar mais perto de casa. Por quê? Quero muito você agora. Quando você não quer conversar, recorre ao contato físico. Notei isso. Alessandro virou-se e olhou para o céu azul. Jamais conhecera uma mulher que desrespeitasse tanto os limites dele.
290 Gosto do contato físico disse, virando-se para Laura, e ela o olhou com algo próximo de compaixão. Cansa ter conversas longas, significativas sobre coisas que não importam. Laura apertou os lábios. Bem, lamento desapontá-lo, mas às vezes as pessoas têm conversas longas, significativas, mesmo que você as ache entediantes e irrelevantes. Ela não pretendera ter aquela conversa. Lançava sombras sobre o que restava do paraíso que desfrutara nos dias anteriores, mas como podia continuar fingindo? Sabendo que quanto mais tempo passava com ele, quanto mais apaixonada estivesse, mais doloroso seria quando se separassem? Alessandro ficou imóvel. Queria ouvir aquilo? Sentando-se na espreguiçadeira, retirou os óculos escuros para olhá-la. Laura tinha o coração acelerado. A boca estava seca. Queria mesmo arruinar o que
291 restava da estada de ambos ali? Podia rir e mudar de assunto. Podia aceitar que não era uma situação ideal, mas por que criar caso, por que não desfrutar o que tinha enquanto aquilo não terminasse? Por que não fazer o jogo, como ele sugerira, e, quando tudo terminasse, apenas explicar a Roberto e sua avó que as coisas não deram certo no final? Por que não desfrutar o prazer hedonista que tinham um com o outro e aproveitá-lo sem uma consciência culpada? Mas quanta diversão ela realmente obteria sabendo que era apenas uma questão de tempo até que tudo desmoronasse à sua volta? Cada vez que ele a tocasse, ela acharia que poderia ser a última. Cada vez que ela o olhasse, teria de tentar não deixar seus sentimentos transparecerem, sabendo que se Alessandro suspeitasse da dimensão do que ela sentia, correria na direção oposta. Seria como andar num campo minado.
292 Não falei que as acho entediantes ou irrelevantes disse ele com ar cauteloso. Não posso fazer esse jogo. Não posso ter um caso sem consequências com você. Não posso tirar proveito do que minha avó e Roberto deduziram equivocadamente para ter sexo sem compromisso. Não é a maneira como fui feita. Ela afastou os olhos do rosto bonito dele. Sei que você acha que é uma situação direta, que acha que é mais fácil para nós... bem, termos este caso e, então, quando chegar ao fim, simplesmente damos a notícia e nos separamos, mas eu... eu não posso fazer isso. Por que não? Alessandro sabia. Ele correu dedos inquietos pelo cabelo e se sentou abruptamente. O espaço aberto ao seu redor pareceu pequeno demais, pressionando-o. Pela primeira vez em sua vida a tarefa de se livrar de uma mulher que cometera o erro terminal de se apaixonar por ele parecia uma âncora arrastando-o. E ela o
293 amava. Ele conseguira ignorar o fato até então, mas ela o amava. Ele tinha suas regras. Sempre as deixara claras. Sempre fora fácil dizer adeus a alguém que não as respeitara. E nunca sentira a necessidade de ir atrás de nenhuma mulher que quisesse mais do que estava preparado para dar. Nas poucas ocasiões em que tal situação se apresentara, já estivera a caminho de achar a coisa toda tediosa de qualquer modo. Terminar nunca havia sido um problema. Não era o caso agora. Não estava preparado. Além do fato de que não me sinto à vontade enganando Roberto e a minha avó... Em que os estamos enganando? Ele abriu as mãos num gesto de frustração. Temos um relacionamento. Não temos o tipo de relacionamento que eles imaginam. Não estamos prejudicando ninguém persistiu Alessandro, surpreso com a própria
294 incapacidade de iniciar o processo de separação e não querendo colocar em palavras a realidade que pesava feito chumbo entre ambos. Por que você não diz o que tem a dizer e acaba logo com isso? Laura hesitou, dividida entre a necessidade desesperadora de consertar as coisas e uma vontade premente de lhe dizer como se sentia. Sabia que ainda havia uma parte dela que acalentava alguma esperança de que uma admissão de amor não o afastaria, e a aborrecia ao extremo ir contra a razão daquele jeito. Respirando fundo, sustentou-lhe o olhar, embora tremesse por dentro. Estou envolvida demais emocionalmente com você para fazer isso disse, escolhendo as palavras com cuidado. Não é um jogo para mim e, se eu levar... isso adiante, vou acabar terrivelmente magoada e não quero que isso aconteça.
295 Avisei para não se envolver. Eu lhe disse que não me apaixono. Desculpe se desobedeci às ordens! Laura elevou a voz, zangada. Como ele podia ficar parado ali, olhando-a como se de repente tivesse se transformado numa estranha. Alguns de nós realmente têm emoções. Eu tenho emoções. Apenas sei como controlá-las. Não posso fazer isso. Ela se levantou e se afastou abruptamente. Alessandro observou-a ir, mas teve de se obrigar a não segui-la. Aguardou até que ela estivesse fora de sua vista, irritado com sua indecisão, e finalmente virou-se zangado e rumou para a praia. O som do mar o acalmaria. Precisava de perspectiva, mas, pela primeira vez na vida, a perspectiva lhe faltava. Laura o amava e ele soubera, mas não se afastara. Aquela não
296 deveria ter sido a sua primeira reação instintiva? Mal enxergou a beleza de cartão-postal da pequena praia, a água clara que banhava a areia, as rochas e os coqueiros ao fundo. Mal sentiu o calor envolvendo-o. Sentou-se com as costas junto a uma das pedras, alheio a tudo exceto à confusão dos seus pensamentos. Ela ultrapassara seus limites e ninguém podia acusá-lo de não deixar esses limites perfeitamente claros. E, ainda assim, ela os ultrapassara. E ele soubera. No fundo, ele soubera e gostara do que Laura estivera lhe dando. E agora que ela fizera o impensável e confirmara suas suspeitas, agora que expusera o coração do qual já dera mostras... Ele correu a mão pelo cabelo, levantou-se, sentou-se, olhou zangado para o cenário perfeito.
297 Como ainda podia querê-la? Por que a ideia de que ela o deixasse o enchia de medo e de pânico? Tudo em sua vida havia sido tão claro e preciso... especialmente relacionamentos... Por que o caminho a seguir adiante era tão difícil de ver agora? Quando pensava nela desaparecendo da sua vida, sentia-se vazio. Era como se seus horizontes ficassem obscurecidos e não conseguisse enxergar além, ver a vida que tivera antes. Com um grunhido de frustração e íntimo turbilhão, adiantou-se até o mar, tirando as roupas no caminho, e mergulhou na água. LAURA QUERIA tanto que ele a seguisse que era como uma dor física na boca de seu estômago. O orgulho impeliu-a a não olhar ao redor. Arrumou suas coisas furiosamente, colocando as roupas na mala enquanto se mantinha atenta ao possível som de passos. E quanto mais a casa ficava silenciosa, mais se esforçava para conter as lágrimas.
298 Às 20h, após um lanche leve, resignou-se ao fato de que Alessandro não iria procurá-la. Não havia mais nada a conversar. Na verdade, não fazia ideia de onde ele fora e recusava-se a tentar encontrá-lo. Se bem que a preocupação a tomou de assalto quando, às 21h, ele ainda não havia aparecido. Pela primeira vez desde que tinham chegado, ela adormeceu na cama sozinha. Em algum ponto durante a noite, ouviu-o retornar e seu corpo inteiro ficou tenso diante da ideia de ele se deitar na cama ao seu lado. Ansiava por ele, mas sabia que não tinha opção a não ser a de se portar de maneira aberta e verdadeira. Mesmo que as consequências fossem insuportáveis. Ele não dormiu ao seu lado. Ouviu os ruídos baixos dele pelo quarto e, então, Alessandro retirou-se.
299 O SILÊNCIO entre ambos no dia seguinte foi opressivo. Quando ele se dirigiu a ela foi com a educação de um completo estranho e Laura se ouviu respondendo no mesmo tom frio, evitando olhá-lo nos olhos, certificando-se de manter distância. No jato, ela enterrou o rosto num livro, enquanto ele se sentou diante do laptop, trabalhando. Não tinham mais nada a dizer um ao outro e ela se sentia péssima. Pousaram de volta num tempo de inverno e céu cinzento. Um manto de neve cobria o chão e refletia o humor dela. O céu azul, tropical, tinha ficado para trás. Ao lado dela, Alessandro havia passado a maior parte do percurso de carro ao telefone. Uma ligação após a outra, colocando o trabalho em dia. Depois de não ter usado nada exceto o vestuário alegre de verão que ele lhe fornecera, ela se sentiu pesada com suas roupas grossas.
300 Não tem que me deixar em casa. Rompeu o silêncio para olhá-lo. E como sugere voltar? Planeja caminhar da minha casa até a da sua avó com a mala nas costas? Não quero que terminemos desse jeito disse ela trêmula. Ainda poderíamos... você sabe... continuar amigos. Isso não é o meu estilo. Ele fora deixado. Era melhor dessa maneira porque a última coisa que precisava era da complicação de alguém se apaixonando por ele, alguém esperando que fosse o tipo de homem disposto, ou capaz de partilhar de si mesmo. Mas não conseguia se livrar do gosto amargo em sua boca. Passara horas da noite anterior caminhando pela praia, sentando e olhando para o oceano escuro de péssimo humor, e as coisas não haviam melhorado desde então. Mais enfurecedor era o fato de que ainda a queria. Ela ficara sentada no jato, absorta por
301 um livro, alheia a ele, depois de ter atirado sua bomba, e ele ainda a quisera. Não estava acostumado a ser largado e ignorado. E agora ela falava em serem amigos? Está certo. Laura retesou os músculos. Não diga que não estou tentando fazer as pazes entre nós. O humor de Alessandro piorou. Sua avó está à sua espera? Eu lhe mandei uma mensagem de texto dizendo quando voltaria. Ouça, vai ser estranho se entrarmos lá como inimigos. Bem, talvez você devesse ter levado isso em consideração antes de... Ele desviou o olhar. E como você pretende dar a notícia? Apenas direi que o fato de termos passado um longo fim de semana juntos demonstrou que não nos entendemos. O que é uma óbvia mentira, não é?
302 Não estou preparada para manter algo acontecendo por causa de outras pessoas, não quando é uma mentira. Laura suspirou e olhou para o perfil duro dele. Se eu tivesse sabido, eu... Bem, nunca pretendi ficar tão envolvida. Ele jamais poderia se apaixonar. Havia construído sua vida inteira descartando algo que via como uma fraqueza. Tais pensamentos fizeram Laura precisar se conter para não chorar. Começava a garoar quando chegaram à casa da avó dela. Não precisa me acompanhar até lá dentro. Ela se virou para olhá-lo enquanto ele desligava o motor e se recostava no assento para observá-la. Será mais fácil se eu entrar sozinha e der a notícia. Você pode contar ao seu pai. E, então, na próxima vez que nos encontrarmos? O que faremos exatamente?
303 Vamos fingir que não fomos amantes? Vai ser difícil, estando apaixonada por mim, quando não quiser nada além de entrar na cama mais próxima, não acha? Então eu tratarei de ficar afastada até que você vá embora disse Laura bruscamente. Abriu a porta do carro, preparando-se para o frio cortante, e ficou alarmada quando ele se colocou ao seu lado, levando a mala até a porta da frente. Alessandro tocou a campainha, ignorando-a quando tentou impedi-lo. O que, afinal, pretendia? Não vou deixá-la desaparecer. Ambos se entreolharam. Por mais injusto que fosse, ela não conseguia tirar os olhos do rosto bonito de Alessandro. Soube que ele iria beijá-la. Pôde lhe ver a intenção nos olhos escuros, mas estava presa no lugar e, quando ele a beijou, gemeu e segurou-o pela frente do casaco. Oh, ele tinha um gosto
304 tão bom. O que ela estava fazendo? Estava se entregando ao momento e odiava a si mesma por isso, mas não conseguia parar. Mal se deu conta da porta se abrindo, mas quando percebeu deu um passo atrás, com o corpo inteiro tremendo, e encontrou os olhos da avó. Isso não é o que parece. Olhou para Alessandro, que a encarava sem dizer uma palavra, fazendo-a perguntar-se se manipulara a situação só para lhe dificultar as coisas... porque ainda a queria e não estava pronto para deixá-la ir. Seria capaz daquilo. Ela poderia tê-lo esbofeteado. Roberto está aqui exclamou Edith, fazendo-os entrar. E, de fato, ele estava com outro homem que Laura reconheceu, com aturdimento, como o vigário local. O que, afinal, ele estava fazendo ali? Enquanto entravam e iam para a sala de
305 estar, Alessandro pegara a mão dela, entrelaçando os dedos de ambos. As palavras formaram um turbillão na mente dela. O vigário só estava passando... parou para tomar uma xícara de café... e ficou ansioso para conhecer os pombinhos. Não havia nada mais gratificante do que o casamento; tantos jovens escolhiam viver juntos. E ele ficaria honrado caso os dois decidissem... Laura não conseguiu encontrar o olhar de Alessandro. Estaria tão chocado quanto ela? Mas ele parecia estar conduzindo bem a conversa, rindo e falando e sendo terrivelmente amistoso, enquanto ela permanecia em silêncio, mal notando nada, até que, depois de meia hora, ela e Alessandro se viram sozinhos na sala de estar. O que aconteceu aqui? sussurrou. Alessandro fora se colocar junto à lareira e ela o olhou, ainda chocada por ter um futuro
306 arranjado em benefício de ambos enquanto Roberto e Edith tinham sorrido contentes. O que esperou que eu fizesse? Fiquei tão surpreso quanto você. Por que não disse nada? Por que você não disse? Fiquei desorientada demais. Eu mal sabia o que estava acontecendo. Minha avó nunca mencionou uma palavra. Não posso acreditar que o padre Frank estava passando por acaso. O que faremos agora? Ela estava quase gemendo e ficou perplexa quando ele continuou olhando-a sem dizer nada. Ele sempre sabia o que dizer. Por que apenas a encarava? Não é uma coisa ruim. Laura o olhou boquiaberta. É tudo o que você tem a dizer? O que, afinal, isso significa? Alessandro correu a mão pelo cabelo e contornou a sala, finalmente parando bem
307 diante dela, um macho alfa alto, sério que, pela primeira vez, não mantinha a compostura. Não estou preparado para... terminar o que temos. Você não está preparado para terminar o que temos? Ela soltou um riso breve. Não se importa com ninguém a não ser você mesmo, não é? Não se importa com a minha angústia por ter sido uma idiota ao me apaixonar por você. Não se importa por ter me colocado numa situação impossível. Desde que consiga o que quer. Lágrimas marejaram-lhe os olhos e evitou olhá-lo. Você não entende. Então por que você não explica? Diga-me o que eu não entendo. Você faz meu mundo ficar cheio de vida. Quando estou com você, sinto que a minha vida faz sentido. Laura piscou. Não queria ter esperança. Aquele era algum tipo de truque? Estava
308 sonhando? Desorientada, observou enquanto ele puxava uma cadeira para se sentar ao seu lado. Viu-o baixar a cabeça num gesto que lhe era tão atípico que ficou preocupada. Hesitante, tocou-lhe o braço forte e ele lhe segurou a mão com firmeza. Você me falou que não esperou se apaixonar por mim disse num tom manso. Olhou-a nos olhos. Rejeitei isso. Foi uma reação automática. Sempre tive as minhas regras. Nada de amor, nem de compromisso. Nada de ter ideias de permanência, mas odiei a ideia de não ter você por perto. Odiei quando paramos de conversar um com o outro. Você odiou não poder continuar fazendo sexo comigo porque a minha data não havia expirado ainda persistiu Laura teimosamente. Isso tem a ver com mais do que sexo. É estranho você não ter mencionado isso antes, quando desnudei minha alma. Foi estranho como desapareceu por horas e, depois,
309 dormiu num quarto separado! Aonde você foi, afinal? Está com ciúmes? Oh, esqueça! Eu me sentei na praia, olhei para o céu e fiquei refletindo. E foi quando decidiu que ia ficar comigo a qualquer custo porque não estava cansado de mim ainda? Disse a mim mesmo que era bom terminar porque eu não podia lidar com as expectativas de nenhuma mulher apaixonada por mim. Alessandro deu um profundo suspiro, pressionou os olhos com os polegares e, então, olhou-a. Nunca me ocorreu que apenas comecei a me perguntar por que eu não queria o que as outras pessoas pareciam querer quando a conheci. Você me fez questionar o meu padrão de comportamento. Eu cresci sozinho. Sempre vi isso como força. Envolver-
310 me emocionalmente com uma mulher seria perder essa força, e jamais quis fazer isso. Mas... Mas...? indagou Laura com o coração disparado. Mas... Eu comecei a descobrir sobre o meu pai, sobre mim mesmo. Comecei a partilhar de mim com você de milhares de maneiras e nem me dei conta de que estava fazendo isso. Pensei que tudo tinha a ver com sexo porque foi como eu havia me programado a pensar, mas não tinha, e hoje enquanto dirigia até aqui... Laura conteve a respiração, temendo ter esperança porque era impossível adivinhar o que pensava aquele homem maravilhoso, complexo e extremamente fascinante. Tive medo admitiu ele, com um rubor escuro surgindo em suas maçãs do rosto. Algo dentro dela derreteu. Ele teve medo. Aquela era a coisa mais reveladora que Alessandro já lhe dissera e, olhando-o, acreditava nele.
311 Está dizendo a verdade? ainda foi forçada a perguntar, e ele lhe abriu um sorriso maroto. Eu não minto. Estou dizendo a verdade. Não pude ver um futuro a não ser que você estivesse nele, e soube que isso só podia ser amor. O que mais? Nunca me senti dessa maneira antes. Mal reconheci os sinais e é apenas agora que tudo faz sentido. Eu amo você. Não apenas quero você. Preciso de você, amo você e não suporto a ideia de não estar ao meu lado todos os dias para o resto da minha vida. Não vai dizer nada? Ou vai me deixar falando sem parar? Gosto de ouvi-lo falando sem parar sussurrou Laura, e ele abriu um largo sorriso. Não fiquei aborrecido em ver o vigário aqui. Fiquei contente. Fiquei feliz porque quero fazer precisamente o que ele, meu pai e a sua avó querem que façamos. Quero me casar com você. E então... Laura Reid, aceita se tornar minha esposa?
312 E ela sorriu. Ele a amava! Ela quis abraçá-lo e gritar do telhado ao mesmo tempo. Eu amo tanto você, Alessandro disse, traçando-lhe os contornos do rosto com dedos trêmulos. Você é o meu mundo e, sim, eu me casarei com você. Pode ter passado sua vida evitando compromisso, mas eu o aviso, você tem uma vida inteira ao meu lado. Não posso pensar em nada que eu queira mais. Então está resolvido.
313 PAIXÃO SECRETA Lynne Graham Mas por que apenas agora tomava conhecimento de algo tão importante como o fato de ser pai havia mais de um ano? Jaul não estava acostumado a receber choques como aquele que abalaria toda a sua vida. Fechou os olhos por um segundo e depois os reabriu para fitar Chrissie... linda, enganadora, e que o atingira com um golpe de proporções devastadoras. Se isto é verdade... e presumo que seja enfatizou Jaul com grande dificuldade, tentando controlar seu espanto e seu tom de
314 voz. Por que só agora fui tomar conhecimento da existência de meu filho e de minha filha? Durante o percurso de táxi até ali, Chrissie imaginara todas as reações possíveis que ele teria, menos essa. Ficou irritada. É tudo que tem a me dizer? gritou para ele. Inúmeras gerações de compostura real fizeram-no enrijecer a espinha dorsal, porque ninguém fora mais preparado do que ele desde a infância para lidar com uma súbita crise sem demonstrar o menor sinal de emoção ou pronunciar as palavras erradas. Então perguntou: O que esperava que dissesse? A porta se abriu com um repelão e os quatro guarda-costas se precipitaram fitando Chrissie. Controlado como sempre, aliás, como se esse tipo de interrupção fosse normal na sua vida, Jaul mandou-os embora com a instrução de
315 que de jeito nenhum voltasse a ser incomodado. Ele sabia o que acontecera: seus guarda-costas, sempre muito atentos, ouviram Chrissie gritar, e como ninguém gritava com o rei, temeram algum sério incidente. E eles também estavam nervosos porque nunca haviam viajado antes, e Londres era um lugar muito assustador em sua opinião. Com os olhos cor de turquesa brilhando de raiva, Chrissie cerrou os punhos. Bem, talvez eu esperasse uma reação um pouco mais humana e você me fez uma pergunta muito, muito estúpida! Jaul cerrou os dentes brancos. Estúpida como? Você me perguntou por que somente agora tomou conhecimento sobre Tarif e Soraya, e eu gostaria de lhe perguntar... está brincando? Não, não estou respondeu Jaul com a maior clareza, analisando Chrissie com os olhos semicerrados. Por que brincaria com
316 um assunto tão sério? Tente se acalmar e pense no que está dizendo. Trata-se de um assunto muito sério. E foi nesse momento que Chrissie perdeu o pouco controle que ainda lhe restava. O pai dos seus filhos estava ali parado como um pilar de granito e agindo com a maior frieza e polidez, como se estivessem discutindo o tempo. Era demais, logo depois da pergunta estúpida que ele fizera. Como se atrevia agora a mandá-la se acalmar? Como ousava lhe falar com condescendência quando arruinara sua vida e a abandonara à própria sorte? Seu bastardo de uma figa murmurou ela secamente, com dificuldade para pronunciar as sílabas entre os lábios semicerrados. Por que deveria tomar conhecimento? Você me abandonou... Eu não a abandonei... Voltou para Marwan e jamais retornou para mim... Isso se chama abandono. Não
317 atendia seu telefone, não me telefonou, não enviou um nem mesmo me mandou uma mensagem... Nunca mais ouvi uma só palavra ao seu respeito! despejou Chrissie com voz trêmula, as memórias amargas e sofridas emergindo de sua mente com força. Não me deixou meios para contatá-lo. É claro que agora sei que foi tudo deliberado porque você sabia antes de me deixar que não voltaria... Não é verdade... Cale-se, Jaul! praticamente berrou Chrissie de novo, a dor da injustiça e da raiva grande demais nesse momento para ser silenciada quando por fim tinha Jaul na sua frente. Não minta para mim! Pelo menos seja honesto... O que tem a perder agora? Seu rosto magro e tremendamente belo tornou-se sombrio, e Jaul replicou: Jamais menti para você...
318 Bem, vou amá-la para sempre sem dúvida foi mentira! Dizer que o apartamento em Oxford era nosso lar quando seu pai poderia me expulsar dali em um piscar de olhos, foi mentira! E, segundo ele disse, até nosso casamento foi uma mentira! lembrou-o ela, com a voz cada vez mais estridente.
319 Lançamentos do mês: PAIXÃO AUDÁCIA 006 PAIXÃO SECRETA LYNNE GRAHAM Minissérie Amor & Riqueza 2/2 O dever real do príncipe Jaul era casar-se com uma noiva apropriada. Mas, antes, precisa se divorciar da mulher que o traiu. E quando reencontra Chrissie Whitaker, é surpreendido por uma inesperada revelação: ela lhe dera herdeiros. PAIXÃO GLAMOUR 006 PODEROSA UNIÃO TRISH MOREY A babá Tora Burgess fica estarrecida ao descobrir que seu novo chefe era o desconhecido para o qual havia se entregado na noite anterior. E mais ainda quando Rashid lhe faz uma proposta inesperada.
320 PAIXÃO ARDENTE 006 VALOR DA INOCÊNCIA TARA PAMMI Minissérie Magnatas Gregos Domados 2/2 Ao ver Jasmine leiloando sua inocência, Dmitri Karegas sabe que precisa dar o lance mais alto. Porém, ele logo descobre que Jasmine se tornara uma mulher forte que jurara vingarse de Dmitri. Agora ela precisa decidir se se rende à paixão ou ao ódio que sente por esse magnata grego. PAIXÃO ESPECIAL 002 HOMENS DE MANHATTAN NATALIE ANDERSON Entrelinhas do desejo James Wolfe fica furioso ao encontrar uma bela desconhecida em sua casa. Já Caitlin jura que o local fora oferecido a ela, e está decidida a ficar! A única saída é dividir o apartamento. E logo descobrirão que ficar cada um em seu lado da cama seria uma tarefa impossível!! Proposta arriscada
321 Para Jack Wolfe, fechar acordos bilionários está em seu sangue. Por isso, fica surpreso quando a reunião com Stephanie Johnson foge de seu controle. Fascinado pelo talento, sensualidade e sagacidade dela, Jack a faz uma oferta bastante ousada Será que ela vai aceitar?
322 Próximos lançamentos: PAIXÃO 475 AMOR ROUBADO MAYA BLAKE Na lista de pretendentes do príncipe Reyes, Jasmine Nichols está em último lugar. A noite impulsiva que tiveram foi intensa, mas ela não seria uma esposa adequada. Até Jasmine revelar que está esperando um herdeiro de Reyes! PAIXÃO AUDÁCIA 007 NOITE DE REBELDIA MELANIE MILBURNE Minissérie Os Escandalosos Ravensdale 1/4 Ainda que Julius Ravensdale seja o homem mais lindo que já conhecera, ele também é frio, formal e proibido! Então, Holly Perez estava decidida a manter-se distante. Será que ela vai conseguir ignorar o desejo que sente pelo chefe? PAIXÃO GLAMOUR 007 DANÇANDO COM A TENTAÇÃO SUSAN STEPHENS
323 Dez anos atrás, Karina Marcelos entregou sua inocência para Dante Barraca. Mas não foi apenas isso que mudou naquela fatídica noite Agora, eles se reencontraram e Dante está determinado a reconquistá-la! PAIXÃO ARDENTE 007 JURA DE DESEJO CAROL MARINELLI Minissérie Os Playboys da Sicília 1/2 Oito anos atrás, ao ser descoberta na cama do magnata siciliano Luka Cavalieri, a reputação e o orgulho de Sophie Durante foram destruídos. Agora ela está de volta cobrar essa dívida: Sophie precisa que Luka finja ser seu noivo!
324 CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ W689s Williams, Cathy Seduzida pelo playboy [recurso eletrônico] / Cathy Williams; tradução Tina TJ Gouveia ed. - Rio de Janeiro: Harlequin, recurso digital Tradução de: A pawn in the playboy s game Formato: epub Requisitos do sistema: Adobe Digital Editions Modo de acesso: World Wide Web ISBN (recurso eletrônico) 1. Romance caribenho (Inglês). 2. Livros eletrônicos. I. Gouveia, Tina TJ. II. Título CDD: 840 CDU: (729) PUBLICADO MEDIANTE ACORDO COM HARLEQUIN BOOKS S.A.
325 Todos os direitos reservados. Proibidos a reprodução, o armazenamento ou a transmissão, no todo ou em parte. Todos os personagens desta obra são fictícios. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Título original: A PAWN IN THE PLAYBOY S GAME Copyright 2015 by Cathy Williams Originalmente publicado em 2015 por Mills & Boon Modern Romance Gerente editorial: Livia Rosa Assistente editorial: Tábata Mendes Editora: Juliana Nóvoa Estagiária: Caroline Netto Arte-final de capa: Isabelle Paiva Produção do arquivo ebook: Ranna Studio Editora HR Ltda. Rua Nova Jerusalém, 345 Bonsucesso, Rio de Janeiro, RJ Contato: [email protected]
326 Capa Texto de capa Teaser Querida leitora Rosto Capítulo 1 Capítulo 2 Capítulo 3 Capítulo 4 Capítulo 5 Capítulo 6 Capítulo 7 Capítulo 8 Capítulo 9 Capítulo 10 Próximos lançamentos Créditos
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