CUSTO HORÁRIO DE EQUIPAMENTOS

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1 Jurandir Alves

2 JURANDIR ALVES CREA /D-MG

3 JURANDIR ALVES CREA /D-MG Formado em Engenharia Civil, em 1976; MBA Engenharia Econômica; Diretor na Construtora Ápia; Sócio da Coneme Engenharia e Construções; Diretor Executivo da Construtora Sant Anna; Diretor Técnico, Administrativo e Financeiro da Ápia Empreendimentos; Superintendente de Desenvolvimento e Planejamento do SICEPOT-MG. Diretor Adjunto da AMEOP; Diretor de Desenvolvimento e Planejamento do SICEPOT-MG (dois mandatos); Secretário Executivo do Fórum Brasileiro de Custos de Infraestrutura em Brasília; Membro do Grupo de Trabalho CBIC/TCU; Representante SICEPOT-MG junto à ABNT, Comissão Especial de Estudos CEE-162; Representante do SICEPOT-MG junto ao DNIT-Câmara Técnica para discussão do Novo Sicro 2017, lançado ontem em Brasília.

4 1. CONCEITOS Custo Horário Produtivo (CHP) É o custo por hora de utilização, em operação, de um equipamento na produção Custo Horário Improdutivo - no ciclo produtivo (CHI) É o custo do equipamento parado à disposição da produção. Nesta condição não há o consumo de combustível, óleo, graxa ou energia elétrica. 1.3 Condições de Trabalho Podem ser condições leves, médias e pesadas - representa o esforço que os equipamentos estão sujeitos em razão das condições de uso em diferentes situações de operação Indenização por períodos parados (fora do ciclo produtivo). Representa o ressarcimento do custo horário improdutivo, à disposição da contratante.

5 2 CRITÉRIOS DE CÁLCULO DO CUSTO HORÁRIO Variáveis intervenientes vida útil, valor residual, coeficientes de manutenção, depreciação, custos de oportunidade, ciclo produtivo, horas disponíveis, devem ser definidos a partir de estudos técnicos, em função das condições de trabalho dos equipamentos (leve, média ou pesada); Pequeno Porte A mão de obra de operação não está incluída no custo horário do equipamento e deve ser apropriada em item mão de obra da composição de custo unitário do serviço, observando a legislação vigente; não há incidência de impostos sobre sua propriedade; geralmente não são segurados contra furtos e acidentes, dado o pequeno custo de reposição. Exemplos: : Betoneiras, vibradores de imersão, serras circulares, poli cortes, compressores e geradores portáteis, entre outros.

6 2.3 - Equipamentos móveis Características básicas: são operados por mão de obra especializada; há incidência de impostos sobre sua propriedade, no caso de equipamentos emplacados; podem ser segurados. Exemplo: Caminhões, escavadeiras, tratores, pequenos guindastes, caminhões betoneira, compressores e geradores rebocáveis, equipamentos de pavimentação, terraplenagem, concretagem e movimentação de cargas Equipamentos especiais Os equipamentos especiais podem ser móveis ou fixos. Características básicas: são operados por mão de obra especializada individual ou em equipe; os custos com instalação e montagem são muito relevantes; exigem projeto próprio para instalação, para instalação e operação há exigências de normas ambientais, técnicas, trabalhistas, de segurança do trabalho e outras específicas a serem cumpridas; são equipamentos de uso específico em determinada obra. Exemplo: Usinas, britadores, centrais de concreto.

7 3. FATORES DO CUSTO DE EQUIPAMENTOS 3.1 Custo de propriedade preço de aquisição; custo de capital; valor de financiamento; juros do financiamento; período de propriedade; valor estimado de revenda ou valor residual; taxa de depreciação; prazo de financiamento; custo de seguro; custo de licenciamento; tempo de vida útil operacional. 3.2 Custo da operação consumo de combustíveis ou energia elétrica; consumo de filtros e lubrificantes; consumo de pneus/material rodante; custos de condições de severidade; custos do operador - salários e encargos sociais e complementares; custos com ferramentas de penetração em solo, asfalto ou rocha. 3.3 Custo da manutenção custo horário de oficina; horas programadas de manutenção; lavagem, graxas e conservantes; substituição de peças durante vida útil; riscos de defeito e substituição de peças não seguradas.

8 3.4 Condições da locação Este grupo deve também ser considerado quando se tratar de locação de equipamentos: cotação do valor de locação; disposições contratuais específicas, número de horas mínimas mensais; responsabilidade pela manutenção e operação (operador e/ou combustível); pagamentos por horas paradas; responsabilidade pela montagem; seguros contra sinistros.

9 4 METODOLOGIA PARA CÁLCULO DO CUSTO 4.1 Equipamentos de pequeno porte Nas composições de custos unitários dos serviços, recomenda-se utilizar apenas os custos horários produtivos. Considerar as parcelas de depreciação, juros, manutenção combustíveis ou energia elétrica e material de operação. O custo do operador deve ser considerado nas composições específicas de serviços que utilizam esses equipamentos, e/ou de acordo com a legislação vigente. Obs.1 - Os custos improdutivos para equipamentos de pequeno porte de fato existem, porém por simplificação e sendo pouco relevantes, não é costume explicitá-los nas composições de custo unitário. Obs. 2 - Os custos financeiros ( de oportunidade de capital ) são considerados no custo horário produtivo.

10 4.2 Equipamentos móveis Os custos horários improdutivos devem ser considerados nas composições de custo unitário. Os custos horários improdutivos devem contemplar os custos de propriedade - depreciação, juros, seguros e impostos, bem como a mão de obra do operador. Os custos horários produtivos devem contemplar os custos com depreciação, juros, seguros, impostos, manutenção, combustíveis ou energia elétrica, material e mão de obra de operação. 4.3 Equipamentos especiais (fixos e móveis) Mesmas considerações do 4.2 acrescentadas de outros custos decorrentes de exigências normativas e legais. Os custos com projetos, licenciamento, mobilização e desmobilização, montagem e instalação devem ser orçados a parte, na planilha de custos diretos ou em planilha específica de composição do serviço, dada sua relevância.

11 5 EQUAÇÕES PARA CÁLCULO DO CUSTO 5.1 Equipamentos de pequeno porte Custo horário produtivo: CHP = CD+CJ+CM+CO CD custo de depreciação por hora; CD = (Va R) / (n.hd) Va = valor de aquisição; R = % do valor residual; n = Vida útil em anos; Hd= = número de horas disponíveis/ano; CJ custo horário dos juros CJ = Vm i/hd i = taxa de juros real/ano; Vm = valor médio do investimento em equipamentos = (n + 1) x Va/2n; CM custo de manutenção; CM = Va x k / Hta k = coeficiente de manutenção; Hta = número de horas trabalhadas por ano.

12 Obs.: Hd = 365,25 dias/ano x 7,3333 hs/dia = 2.678,48 hs - > a depreciação e juros não reconehcem dias úteis, feriados, etc., a contagem deve ser contínua. Hta = horas trabalhadas/ano descontando domingos, feriados, licenças, faltas abonadas, etc. Acaba-se por adotar Hd = Hta, inclusive pelo DNIT, mas o conceito é são contagem de tempo diferentes. Portanto, reduz-se o valor da Depreciação, Juros, Seguros e Impostos. CO custo de operação CO custo de operação Materiais, combustíveis e energia elétrica. Obs.: O custo do operador deve ser considerado nas composições específicas de serviços que utilizam esses equipamentos, em conformidade com a legislação vigente. O Custo Horário Improdutivo CHI não é considerado para efeito de composição de custos unitários.

13 5.2 - Equipamentos móveis e 5.3 Equipamentos especiais (fixos e móveis) Custo horário produtivo: CHP = CD+CJ+SI+CM+CO+CMO CD custo de depreciação por hora; CD = (Va R) / (n.hd) Va = valor de aquisição; R = % do valor residual; n = Vida útil em anos; Hd= = número de horas disponíveis/ano; CJ custo horário dos juros CJ = Vm i/hd i = taxa de juros real/ano; Vm = valor médio do investimento em equipamentos = (n + 1) x Va/2n; SI seguros e impostos SI = (n+1) x Va x S/2n x Hd S alíquota de seguros e impostos aplicável ao equipamento;

14 5.2 - Equipamentos móveis e 5.3 Equipamentos especiais (fixos e móveis) CM custo de manutenção; CM = Va x k / Hta k = coeficiente de manutenção; Hta = número de horas trabalhadas por ano. Custo horário improdutivo: CHI = CD+CJ+SI+CMO CHI custo horário improdutivo; CD custo de depreciação por hora; CJ custo horário dos juros; SI seguros e impostos; CMO custo de mão de obra de operação.

15 6 CONDIÇÕES DE TRABALHO Deve-se considerar as condições de trabalho dos equipamentos. Indicam o esforço a que os equipamentos estão sujeitos e tem influência direta na sua vida útil e no custo de manutenção. Neste caso, a sua vida útil está vinculada às condições em que operam. Considera-se, usualmente, três condições de trabalho: leves, médias e pesadas. Para condições de trabalho pesadas é necessário, no cálculo do custo dos equipamentos, incorporar recursos para considerar as condições diferenciadas. Obs.: O projeto de NT da ABNT CEE 162 recomenda utilizar os critérios definidos pelo DNIT. No Sicro 2017, define as condições mencionadas. (Vide Volume 1 Metotodolgias e Conceitos pág. 76)

16 7 PARAMETROS PARA O CUSTO HORÁRIO DE EQUIPAMENTOS 7.1 VALOR DE AQUISIÇÃO Va Valor de aquisição é o valor de mercado vigente para compra em condições normais, cotado com os dealers e/ou fabricantes. 7.2 VALOR RESIDUAL É o % pré-estabelecido para o valor do equipamento finda a sua vida útil. Equipamento SICEPOT-MG SICRO 2017 Caminhão basculante 20% 40% Escavadeira 20% 30% Motoniveladora 20% 30% Trator D-8 s/esc. 20% 30% Rolo compactador 10% e15% 20%

17 7.3 VIDA ÚTIL (n) e HTA Equipamento SICEPOT-MG SICRO 2017 n HTA n HTA Caminhão basculante 10 / / Escavadeira 9 / / Motoniveladora 10 / / Trator de esteira 10 / / Rolo compactador 8 / / JUROS O conceito do Sicepot é a adoção da taxa básica SELIC, enquanto o DNIT, no SICRO 2017 recomenda 6% aa (caderneta de poupança). Outro indicador com maior aproach com a realidade financeira das empresas é a taxa do CDI. 7.5 SEGUROS E IMPOSTOS Devido ao alto custo envolvido e à baixa frequência de sinistros, normalmente não se faz seguro de todos equipamentos, a não ser em casos especiais. No caso de veículos o SICRO 2017 recomenda 2,5% aa.

18 7.6 MANUTENÇÃO (k) Equipamento SICEPOT-MG SICRO 2017 k k Caminhão basculante 0,90 0,90 Escavadeira 0,90 0,70 Motoniveladora 0,90 0,90 Trator de esteira 1,00 1,00 Rolo compactador 0,90 0,80

19 7.7 CUSTO DE OPERAÇÃO Combustível A metodologia consagrada no SICEPOT é de 0,18 litros/hp e no caso de caminhões e veículos 0,13 litros/hp, resulta em 0,24 litros/kwh e 0,17 litros/kwh, respectivamente. 1 HP = 0,7457 KW HP é a potência para levantar 75 Kg, 1m, 1 s (James Watt) W ou kw: é a unidade padrão do Sistema Internacional de Medidas (SI), definido pela Organização Internacional para Normatização (ISO) segundo as normas ISO 31 e ISO O SICRO 2017 estabelece, em síntese, os parâmetros abaixo: Equipamentos a diesel 0,18 l/kwh Caminhões e veículos a diesel 0,18 l/kwh Equipamentos e veículos a gasolina 0,20 l/kwh Equipamentos elétricos 0,85 kwh/kwh Veículos a álcool 0,28 l/kwh

20 7.7 CUSTO DE OPERAÇÃO Combustível - Estimativa de consumo de combustíveis dos caminhões DNIT Descrição dos Equipamentos Potência (kw) Combustível (l/kwh) Caminhão basculante de 5 m³ (8,8 t) - Mercedes Benz 125 0,166 Caminhão carroceria de madeira de 15 t - Mercedes Benz 170 0,166 Caminhão basculante de 6 m³ (10,5 t) - Mercedes Benz 150 0,166 Caminhão basculante de 10 m³ (15 t) - Mercedes Benz 170 0,166 Caminhão basculante para rocha de 8 m³ (13 t) - MB 170 0,166 Caminhão tanque 6,000 l - Mercedes Benz 150 0,166 Caminhão tanque l - Mercedes Benz 170 0,166 Caminhão carroceria fixa de 4 t - Mercedes Benz 80 0,185 Caminhão carroceria fixa de 9 t - Mercedes Benz 150 0,166 Caminhão basculante de 4 m³ (7,1 t) - Mercedes Benz 112 0,169 Cavalo mecânico com reboque 29,5 t - Mercedes Benz 250 0,158 Caminhão tanque de l - Mercedes Benz 170 0,166 Caminhão tanque de l - Mercedes Benz 150 0,166 Caminhão basculante de 14 m³ (20 t) - Volvo 279 0,166 Caminhão basculante para rocha de 12 m³ (18 t) - Volvo 279 0,166 Caminhão carroceria guindauto, 6 x 1, de 7 t MB 150 0,166 Valor Médio = 0, % (filtros,graxas, lubrificantes) = 0,18 l/kwh

21 Ábaco Combustível Mercedes Benz Linha Atego - Modelo 1518 A leitura do ábaco resulta em ~ 0,22/kWh Potência (HP) Torque Consumo (g)

22 7.7.2 PNEUS A critério de cada empresa, pode-se calcular o impacto do custo de material rodante e pneus de acordo com a fórmula abaixo: P n = (P pcp x N) / Vu pcp P n = Custo horário de pneus, câmara, protetor P pcp = Preço de aquisição de pneus, câmara, protetor N = Número de pneus Vu pcp = Vida útil de pneus, câmara e protetor Utilizando-se o critério de pneus, este valor deverá ser abatido do Va, pois as vidas úteis são distintas.

23 7.7.3 MÃO DE OBRA DE OPERAÇÃO O parâmetro adotado pelo SICEPOT é de 1,3333 horas de operador para cada hora de odômetro tendo em vista as diversas perdas com inspeção diária, manutenção, paradas não programadas, etc. Os encargos sociais básicos(*), os complementares, EPIs, benefícios outros constantes das CCTs devem formar o pacote de remuneração da mão de obra. Pode-se aplicar um coeficiente de equivalência salarial em relação ao salário mínimo vigente. Para algumas funções aplicar-se-ão os fatores de periculosidade, insalubridade e trabalho noturno quando for o caso. O SICRO 2017 classifica todos os operadores função dos equipamentos, utilizando classificação, p.e.: operador de equipamento leve, pesado, especial, motorista de veículo leve, e, da mesma forma, aplica a equivalência salarial. (*) onerados ou desonerados

24 Planilha de Cálculo de Custo Horário de Equipamentos - Exemplo Tipo Aquisição (R$) VR. RESID. CÁLCULOS DEPREC. JUROS MANUT. COMBUST. MÃO OBRA FILTROS E LUBR. CUSTO HORÁRIO PNEUS PRODUTIVO IMPRODUTIVO abr-17 R (D) (J) (M) (C) (MO) (FL) (P) (D+J+M+C+MO +FL+P) (D+J+MO) CAMINHÃO BASCULANTE ,00 0,20 9,25 8,35 11,25 52,50 25,19 15,75 7,50 129,79 42,79 CAMINHÃO LEVE COM CARROCERIA ,00 0,10 7,23 5,68 7,65 33,90 25,19 10,17 4,25 94,07 38,10 MARTELO ROMPEDOR 5.000,00 0,10 0,56 0,34 0,56 1, ,96 PÁ CARREGADEIRA SOBRE PNEUS ,00 0,20 28,73 19,29 35,71 68,40 39,18 13,68 19,00 223,99 87,20 ROÇADEIRA MANUAL A GASOLINA 2.500,00 0,00 0,63 0,19 0,56 1,20 0,18-2,76 TANQUE ISOTÉRMICO PARA ASFALTO - Estacionário, cap. 30t USINA DE ASFALTO CONTRA FLUXO PORTÁTIL - cap. até 50 t/h ,00 0,20 20,00 16,71 7, ,21 36, ,00 0,10 131,25 97,45 131,25-22,39 10,26-392,60 251,09 Este exemplo tem simplificações, como p.e. Hd=Hta, CMO = k * sm DÓLAR COMERCIAL DE 01/04/2017 R$ 3,2000 JUROS SELIC aa 0,1215 SALÁRIO MÍN. R$ 937,00 ÓLEO DIESEL R$/litro 3,000 1 H OP./0,75H EQUIP. K 1,3333 LEIS SOC. (desnon.) LS 97,15%

25 SICEPOT - MG Jurandir Alves (31) [email protected]

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