Direito Penal Parte Especial I

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1 Prof. Marcelo Valdir Monteiro Direito Penal Parte Especial I Prof. Marcelo Valdir Monteiro [email protected] [email protected]

2 Prof. Marcelo Valdir Monteiro Código Penal Brasileiro Parte Geral (art. 1º/120) - Lei nº de 11/7/1984 Parte Especial (art. 121/361) - Decreto-Lei nº de 7/12/1940

3 Parte Especial Título I - Dos crimes contra a pessoa (art. 121/154); Título II - Dos crimes contra o patrimônio (art. 155/183); Título III - Dos crimes contra a propriedade imaterial (art. 184/196); Título IV - Dos crimes contra a organização do trabalho (art. 197/207);

4 Título V - Dos crimes contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos (art. 208/212); Título VI - Dos crimes contra a dignidade sexual (art. 213/234); Título VII - Dos crimes contra a família (art. 235/249); Título VIII - Dos crimes contra a incolumidade pública (art. 250/285);

5 Título IX - Dos crimes contra a paz pública (art. 286/288); Título X - Dos crimes contra a fé pública (art. 289/311); Título XI - Dos crimes contra a administração pública (art. 312/359-H); Disposições finais (art. 360 e 361)

6 Título I - Dos crimes contra a pessoa (art. 121/154, CP) Cap. I - Dos crimes contra a vida (art. 121/128); Cap. II - Das lesões corporais (art. 129); Cap. III - Da periclitação da vida e da saúde (art. 130/136); Cap. IV - Da rixa (art. 137); Cap. V - Dos crimes contra a honra (art. 138/145); Cap. VI - Dos crimes contra a liberdade individual (art. 146/154)

7 Homicídio (art. 121, CP) - Simples (caput) Doloso - Privilegiado ( 1º) - Qualificado ( 2º) - Circunstanciado ( 4º 2ª parte) - Milícia ( 6º) - Simples ( 3º) - Motivos do crime (incs. I e II) - Meios e modo de execução (Incs. III e IV) - Conexão (inc. V) Culposo - Circunstanciado ( 4º 1ª parte) - Perdão judicial ( 5º)

8 O que é morte? Lei 9.434/97 Art. 3º. A retirada post mortem de tecidos, órgãos e partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser precedido de diagnóstico de morte encefálica, constatada e registrada por dois médicos não participantes das equipes de remoção e transplante, mediante utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina

9 Homicídio simples (art. 121, caput) Pena: Reclusão 6 a 20 anos - Objetividade jurídica x objeto material; - Sujeitos do delito (vida extra uterina); - Tipo objetivo; - Tipo subjetivo (dolo x culpa); - Consumação e tentativa (exame IML); - Ação Penal

10 TACRSP : (...) a morte do feto durante o parto configura crime de homicídio, a menos que seja praticado pela própria mãe, sob influência do estado puerperal, caso em que o crime a identificar-se será infanticídio. Desde o início do parto (que se dá com o rompimento do saco aminiótico) a morte do feto constituirá homicídio (RT 729/571)

11 TJSP : (...) torna-se difícil admitir que alguém possa ser responsável pela morte de outrem, que se suicidou, por haver sido a sua esposa por aquele difamada (RT 497/321) Policiais que disparam revólveres na direção de automotor cujo motorista desobedece a ordem de parada, induvidosamente, assumem o risco de matar quem no veículo se encontre (...) (RT 773/558)

12 TJSP : Homicídio Dolo eventual Desclassificação para a modalidade culposa Réu não quis o resultado morte e também não assumiu o risco de produzi-lo Culpa consciente, também chamada de culpa com previsão, esperando o agente que o evento não ocorra (...) (JTJ 220/315) É doloso e não simplesmente culposo o procedimento de quem conduz a vítima à parte mais profunda de um açude, abandonando-a ali e provocando sua morte, por não saber nadar (RT 443/432)

13 Homicídio Simples Ponto determinante : verificar a intenção do agente Matar art. 121 Lesionar art º Estuprar art º Roubar art. 157, 3º Incendiar/Explodir art. 251 c/c art. 258 Cometer crime ambiental Lei 9605/98 art. 58, III

14 Homicídio Simples Crime impossível x desclassificação Desistência voluntária e arrependimento eficaz x tentativa Omissão de socorro x homicídio por omissão

15 TJSP: Tendo a possibilidade de persistir na agressão, mas dela desistindo voluntariamente, não age o acusado com animus necandi, que é requisito essencial da tentativa de homicídio (RT 566/304) (...) Acusado que apenas desferiu um tiro na vítima, embora estivesse seu revólver plenamente municiado. Desistência voluntária. Desclassificação para o delito de lesões corporais (RT 527/335) Disparando várias vezes o revólver contra a vítima, só não a atingindo devido a erro de pontaria, comete o acusado, em tese, homicídio tentado (RT 571/326)

16 Classificação do homicídio simples (art. 121, caput): - Crime doloso; - Comum; - De ação livre; - Material; - Instantâneo de efeitos permanentes; - Monosubjetivo ou de concurso eventual

17 Homicídio privilegiado (art. 121, 1º) Pena reduzida de 1/6 a 1/3 - relevante valor social; - relevante valor moral; - sob domínio de violenta emoção - injusta provocação da vítima; - emoção violenta; - reação imediata.

18 ou sob o domínio de violenta emoção EMOÇÃO Transitória perturbação Ocorre e passa Ira momentânea Abrupta e fugaz Flagra do chifre PAIXÃO Emoção em estado crônico Pemanece, incubando-se Ódio recalcado Lenta e duradoura Ciúme doentio

19 Por motivo de relevante valor moral, o projeto entende significar o motivo que, em si mesmo, é aprovado pela moral prática, como, por exemplo, a compaixão ante o irremediável sofrimento da vítima (caso de homicídio eutanásico) (RJTJESP 41/346) O fato da vítima ter atropelado e matado o filho do réu não caracteriza a hipótese do homicídio privilegiado se agiu de modo refletido e, deliberadamente, armou-se de revólver ao procurar o desafeto, sabendo previamente onde e quando encontrá-lo (RT 776/562)

20 TACRSP: O valor social ou moral do motivo do crime é de ser apreciado não segundo a opinião ou ponto de vista do agente, mas com critérios objetivos, segundo a consciência ética-social geral ou senso comum (RT 417/101) TJMG: (...) questão passional, tão só, não pode ser alegada para a redução da pena (RT 775/656)

21 TJSP: O homicídio privilegiado exige, para a sua caracterização, três condições expressamente determinadas por lei: provocação injusta da vítima; emoção violenta do agente e reação logo em seguida à injusta provocação. A morte imposta pela vítima, pelo acusado, tempo depois do rompimento justificado do namoro, não se insere em tais disposições, para reconhecimento do homicídio privilegiado (RT, 622/268)

22 STJ: Admite-se a figura do homicídio privilegiadoqualificado, sendo fundamental, no particular, a natureza das circunstâncias. Não há incompatibilidade entre circunstâncias subjetivas e objetivas, pelo que o motivo de relevante valor moral não constitui empeço a que incida a qualificadora da surpresa (RT 680/406). No mesmo sentido STF, HC /RS STF: Há incompatibilidade no reconhecimento simultâneo do motivo fútil e do estado de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima dois elementos estritamente subjetivos e de coexistência inadmissível (RT, 585/420)

23 Eutanásia (relevante valor moral?) Constituição Federal: art. 5º, caput Constituição Federal: art. 5º, VI Código Civil: art. 15 Código Penal: art. 121, 1º Código de Ética Médica: art. 6º, 18 e 28 art. 56, 57 e 66 Lei Estadual nº /99: art. 2º, XXIII e XXIV

24 Eutanásia Suicídio assistido (caso Jack Kevorkian); Eutanásia (boa morte, provocar a morte); Ortotanásia (eutanásia passiva, omissão); Eutanásia social ou mistanásia (pobres sem acesso à saúde) Distanásia (morte sofrível, devido ao prolongamento desnecessário da vida)

25 Homicídio qualificado (art. 121, 2º) recl. 12 a 30 I e II- pelos motivos determinantes do crime (mediante paga ou promessa de recompensa ou outro motivo torpe; motivo fútil); III- pelos meios de execução (com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum); IV- pelo modo de execução (à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido); V- em razão dos fins pelos quais a conduta é praticada (para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime)

26 HOMICÍDIO QUALIFICADO I - mediante paga ou promessa de recompensa, (...); Dinheiro ou qualquer outra vantagem Paga é prévia; promessa é posterior Concurso necessário Art. 29 e 30 do CP Teoria Unitária ou Monista Exceção pluralista e o Tribunal do Júri (soberania)

27 HOMICÍDIO QUALIFICADO I - mediante paga ou promessa de recompensa, (...); STF: Homicídio qualificado: a comissão do homicídio mediante paga, sendo elementar do tipo qualificado, é circunstância que não atinge exclusivamente o accipiens, mas também o solvens ou qualquer outro co-autor: precedentes (RT 722/578)

28 HOMICÍDIO QUALIFICADO I - (...) ou por outro motivo torpe; Vil, repugnante, amoral (inveja, rivalidade, usura) Ciúme não é considerado motivo torpe Vingança depende do que a originou

29 HOMICÍDIO QUALIFICADO I - (...) ou por outro motivo torpe; STJ: (...) a vingança, por si só, sem outras circunstâncias, não caracteriza o motivo torpe (RSTJ 142/467)

30 HOMICÍDIO QUALIFICADO II - por motivo fútil; matar por motivo de pequena importância ausência de prova do motivo não é motivo fútil ciúme não é considerado motivo fútil vingança depende do que a originou não se admite motivação torpe e fútil

31 II - por motivo fútil; STF: (...) é fútil o motivo insignificante, mesquinho, manifestamente desproporcional em relação ao resultado e que, ao mesmo tempo, demonstra insensibilidade moral do agente (RT 467/450) STJ: (...) a reação do réu a agressões verbais e físicas da vítima não caracteriza, por si só, a qualificadora do motivo fútil, prevista no artigo 121, 2º, II, do CP (RT 787/564) STJ: (...) a não-identificação concreta de motivo não pode ser reconhecida como fútil (RSTJ 157/545) TJMG: (...) é inaceitável que o motivo fútil e o motivo torpe coexistam para um único crime (RT 614/291)

32 HOMICÍDIO QUALIFICADO III - com emprego de veneno, (...); tem que ser inoculado sem que a vítima perceba (cruel) exige-se prova pericial toxicológica

33 HOMICÍDIO QUALIFICADO III - com emprego de (...), fogo, explosivo, (...); Verificar a intenção do agente Incendiar/Explodir art. 251 c/c art. 258 O dano gerado é absorvido

34 HOMICÍDIO QUALIFICADO III - com emprego de (...), asfixia, (...); Impedimento da função respiratória mecânica - esganadura - estrangulamento - enforcamento - sufocação - afogamento / soterramento - imprensamento tóxica - uso de gás - confinamento

35 HOMICÍDIO QUALIFICADO III - com emprego de (...), tortura, (...); Sujeita a vítima a graves e inúteis sofrimentos Deve ser aplicada antes da morte (concurso 211 CP) Diferença do tipo com a Lei 9.455/97 (intenção)

36 HOMICÍDIO QUALIFICADO III - com emprego de (...) ou outro meio insidioso ou cruel (...); insidioso armadilha ou fraude (sabotagem) TJSC: Emprego de meio cruel. Vítima faleceu em consequência de agressão, pontapés e pisoteamento dos acusados (RT 532/340) TJSP: Não se pode afirmar ser meio cruel empregado no homicídio o disparo de tiros à queima-roupa (...) (JTJ 252/425)

37 HOMICÍDIO QUALIFICADO III - com emprego de (...) ou de que possa resultar perigo comum; metralhar alguém em meio a uma multidão promover um desabamento para matar alguém TJSP: Se os agentes para consumarem o homicídio disparam diversas vezes na rua, atingindo traseuntes, fica caracterizada a qualificadora prevista no artigo 121, 2º, III, do CP, pois resultou perigo comum (RT 771/583)

38 HOMICÍDIO QUALIFICADO IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; Traição confiança Emboscada tocaia Dissimulação engano (material ou moral) fotógrafo do parque Outro recurso surpresa (tiro pelas costas) ** mero emprego de arma de fogo não caracteriza

39 HOMICÍDIO QUALIFICADO TJSP: Homicídio durante o amplexo sexual: traição caracterizada (RT 458/337) TJMG: Desavença anterior: inexistência de traição (RT 521/463) TJAL: Tiro na nuca de maneira sorrateira e inesperada: qualificadora caracterizada (RT 791/640) TJMG: "Premeditação não é qualificadora (RT 534/396)

40 HOMICÍDIO QUALIFICADO V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime:

41 HOMICÍDIO QUALIFICADO Matar parente não qualifica agravante genérica A premeditação não configura agravante Crime hediondo (Lei 8.072/90): - Homicídio simples em atividade de grupo de extermínio - Homicídio qualificado - Homicídio qualificado-privilegiado (não é hediondo)

42 Homicídio qualificado-privilegiado De acordo com o posicionamento do STJ, não há incompatibilidade, em tese, na coexistência de qualificadora objetiva do crime de homicídio, como, por exemplo, a forma de executá-lo à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido com a sua forma privilegiada impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima.

43 Homicídio doloso contra menor de 14 anos ou maior de 60 anos (art. 121, 4º, segunda parte) Pena: aumentada de 1/3 Homicídio praticado por milícia ou grupo de extermínio Art. 121, 6 o A pena é aumentada de 1/3 (um terço) até a metade se o crime for praticado por milícia privada, sob o pretexto de prestação de serviço de segurança, ou por grupo de extermínio. (incluído pela Lei /12)

44 Homicídio culposo (art. 121, 3º) Pena: detenção de 1 a 3 anos Homicídio culposo qualificado (art. 121, 4º, primeira parte) - Pena: aumentada de 1/3 - inobservância de regra técnica de profissão...; - deixa de prestar imediato socorro à vítima; -não procura diminuir as conseqüências do seu ato; - foge para evitar o flagrante

45 Perdão judicial no homicídio culposo (art. 121, 5º) Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as conseqüências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. Somente na sentença Não precisa ser aceito Natureza jurídica Declaratória da extinção da punibilidade Súmula 18 do STJ

46 PERDÃO JUDICIAL Súmula 18 (STJ): A sentença concessiva do perdão judicial tem natureza declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório Não há obrigação de reparar o dano Não há reincidência Não ocorrerá o lançamento do nome do réu no rol dos culpados

47 Homicídio culposo na direção de veículo automotor (art. 302, Lei nº 9.503/97) Pena: detenção 2 a 4 anos e perda ou suspensão da habilitação Homicídio culposo ou lesões corporais culposas na direção de veículo automotor cabe perdão judicial??

48 Homicídio culposo ou lesões corporais culposas na direção de veículo automotor cabe perdão judicial?? O Projeto de lei do CTB previa no art. 300 que: nas hipóteses de homicídio culposo e lesão corporal culposa, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem, exclusivamente, o cônjuge ou companheiro, ascendente, descentente, irmão ou afim em linha reta, do condutor do veículo. Este artigo foi vetado pelas seguintes razões: O artigo trata do perdão judicial, já consagrado pelo Dirieto Penal. Deve ser vetado, porém, porque as hipóteses prevista no 5º do art. 121 e 8º do art. 129 do Código Penal disciplinam o instituto de forma mais abrangente.

49 Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio (art. 122, CP) - Consumado: reclusão de 2 a 6 anos - Tentado (com lesões corporais de natureza grave): reclusão de 1 a 3 anos - Objetividade jurídica; - Sujeitos do delito; - Tipo objetivo; - Tipo subjetivo; - Consumação e tentativa; - Ação Penal

50 Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio Formas agravadas (art. 122, par. único): pena duplicada - Por motivo egoístico; - Vítima menor; - Vítima, tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência.

51 Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio Prática de mais de um verbo do tipo único delito Instigação genérica (livro) atípico Relação de causalidade Seriedade (não há modalidade culposa brincadeira) Capacidade de discernimento Pacto de morte / Roleta Russa / Duelo americano

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53 Infanticídio (art. 123, CP) Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena detenção, de 2 a 6 anos

54 Infanticídio objetividade jurídica Sujeito passivo : filho nascente ou recém-nascido Sujeito ativo : mãe da vítima (há casos de concurso) 1 mãe age (mata) sozinha 2 - a mãe age (mata) com auxílio de outra pessoa 3 - a mãe age (sozinha) estimulada por outrem 4 - outra pessoa age (sozinha) estimulado pela mãe

55 Jurisprudência - infanticídio Pronúncia - Infanticídio - Alegação de ter ocorrido aborto natural - Inadmissibilidade - Exame pericial - Constatação de respiração extra-uterina - Prova da existência do crime e indícios suficientes de autoria - Desclassificação para homicídio culposo - Dúvida sobre a real intenção da acusada - Apreciação pelo Tribunal do Júri. Recurso desprovido. (TJ-MG, acórdão nº /000(1), Rel. Des. Zulman Galdino, 1/2/2000). Infanticídio - Estado puerperal caracterizado. Matar logo após o parto, o próprio filho, sob a influência do estado puerperal, é crime de infanticídio. Recurso desprovido. (TJ-SC, Recurso criminal 9.287, Rel. Des. Souza Varella, 8/9/1992).

56 Infanticídio TACRSP: Infanticídio. Delito não configurado. Falta prova segura de que o feto tenha nascido com vida...necessidade de comprovar a materialidade do infanticídio (RT 554/363) TJES: Inexistindo nos autos a prova de que a mãe quis ou assumiu o risco da morte do filho, não se configura o crime de infanticídio, em qualquer de suas formas, eis que inexiste para a espécie a forma culposa (RTJE 55/255)

57 Aborto Proteção à vida humana art. 5º, caput, CF; art. 4º, Pacto de San Jose da Costa Rica arts. 2º C.C. art. 124/128, CP

58 Modalidades de aborto 1- Quanto ao objeto ovular; embrionário; fetal. 2- quanto as causas espontâneo; acidental; provocado.

59 Modalidades de aborto 3- Quanto ao elemento subjetivo sem consentimento (sofrido); com consentimento; provocado.

60 Modalidades de aborto 4- Quanto a finalidade terapêutico necessário para evitar enfermidade grave sentimental eugênico econômico estético honoris causa

61 Modalidades de aborto 5- sob o prisma da lei legal; criminoso.

62 Planejamento Familiar Pessoas vivendo em união e com 2 filhos: 90% das mulheres e 88% dos homens não desejavam outra gravidez. Pessoas vivendo em união com um filho: 50 % dos homens e mulheres não desejavam outra gravidez. Taxa de fecundidade: 2,5 filhos por mulher. Fonte: Pesquisa Nacional sobre Demografia e Saúde, Benfam, 1998

63 Números do aborto no SUS Em 1995: internações por aborto no estado de São Paulo; - 78% espontâneos ou retidos; - 19,2% não especificados; - 1,0% por problemas específicos na gravidez; - 1,7% sem indicação legal (clandestino); - 0,1% com indicação legal; Fonte: OMS, 1998

64 Quem pratica o aborto? Anos de escola distribuição percentual De 0 a 4 anos 21 % De 5 a 6 anos 27 % De 7 a 9 anos 28 % Igual ou mais que 10 anos 24 % Dados referentes à América Latina.

65 Estado Civil Quem pratica o aborto? Distribuição Percentual Solteiras 21 % Casadas ou em união estável 79 % Número de Filhos Distribuição Percentual Nenhum 26 % 1 23 % De 2 a 4 40 % Igual ou mais que 5 11 % Dados referentes à América Latina

66 Porcentagem de aborto em países diversos Países onde o aborto é legal % por mulheres de 15 a 44 anos Estados Unidos 26 % Inglaterra 15 % Holanda 6 % Finlândia 10 % Japão 14 % Austrália 17 % Média: 14,6%

67 Porcentagem de aborto em países diversos Países onde o aborto é ilegal % por mulheres de 15 a 44 anos Brasil 38 % Colômbia 34 % Chile 45 % República Dominicana 23 % México 23 % Peru 52 % Média: 35,8 %

68 A ONU e o Aborto - não deve funcionar como planejamento familiar; - ampliação e melhoria de serviços de planejamento para evitar o aborto; - quaisquer mudanças ou medidas relacionadas com o abortamento têm que ocorrer de acordo com o processo legislativo nacional; - nas circunstâncias em que não contraria a lei, o procedimento para o aborto deve ser seguro; - em todos os casos, as mulheres devem ter acesso a serviços de qualidade para o tratamento de complicações pós-aborto; - os serviços de orientação pós-aborto, educação, planejamento familiar, devem ser prontamente disponibilizados.

69 Aborto no CP Auto-aborto (art. 124, primeira parte) det. 1 a 3 anos Aborto consentido (art. 124, segunda parte) - p/ gestante Aborto com o consentimento (art. 126) - recl 1 a 4 anos Aborto sem o consentimento (art. 125) recl 3 a 10 anos Aborto qualificado sofre lesão de nat. grave (+ 1/3) (art. 127) sobrevém a morte (duplicada) Aborto legal (Art. 128) salvar a vida da gestante resultante de estupro

70 ABORTO Aborto interrupção da gravidez com consequente morte do produto da concepção O início da gravidez ocorre com a fecundação Apenas se pode cogitar um aborto quando uma mulher está grávida Quebrar um tubo de ensaio com um óvulo fertilizado in vitro não é crime de aborto

71 ABORTO Objetividade Jurídica : a vida do feto Não é necessário que a morte do feto ocorra no ventre da gestante (manobra abortiva prévia)

72 Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Art Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena - detenção, de um a três anos.

73 Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Auto-aborto e consentimento para aborto crimes próprios sujeito ativo gestante. Se a gestante consente e a manobra não se inicia por fato alheio a sua vontade atípico atos preparatórios; Caso se inicie - tentativa

74 Aborto provocado por terceiro Art Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de três a dez anos. Fraude Grave ameaça contra a gestante Violência (dissentimento real)

75 GÊMEOS Se o agente souber crime formal

76 Aborto provocado por terceiro Art Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de um a quatro anos. - Consentimento válido - Durante toda a manobra abortiva

77 Aborto provocado por terceiro Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência Dissentimento presumido

78 Forma qualificada Art As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em conseqüência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. Causa especial de aumento de pena Só é aplicado nas forma tipificadas do 125 e 126 Preterdoloso Somente se aplica ao terceiro (auto-lesão impunível)

79 Se o agente quer matar a mulher e não sabe da gravidez homicídio (apenas) Se ele sabe que a mulher está grávida homicídio e aborto (dolo eventual) Se ele quer a morte e o aborto homicídio e aborto (concurso material ou formal imperfeito)

80 Art Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal.

81 1. Praticado por médico Aborto necessário dois requisitos 2. Não haver outro meio para salvar a vida da gestante (não precisa ser atual) Feito por enfermeira (risco atual?)

82 Aborto sentimental ou humanitário três requisitos 1. Praticado por médico 2. Consentimento 3. estupro Feito por enfermeira (risco atual?) Precisa condenação? Medico enganado 340 CP Atentado violento ao pudor / Posse sexual mediante fraude

83 Aborto Eugenésico Não é aceito no nosso ordenamento jurídico, mesmo que justificado na atipicidade (artigo 3º da Lei 9434/97) anencefalia como na inexigibilidade de conduta diversa. Obs.: ADPF nº 54, julgada pelo STF em Aborto Social

84 TACRSP: Inexiste no Direito Penal Brasileiro a figura do aborto culposo. Assim, indispensável à configuração do delito é ter o agente atuado dolosamente (JTACRIM 32/179) O delito de aborto provocado pela gestante não deixa de existir pelo fato de haver sido o feto retirado com vida de seu ventre. É irrelevante que a morte ocorra no ventre materno ou depois da prematura expulsão provocada (RT 590/361)

85 CRIMES CONTRA AS PESSOAS DOS CRIMES CONTRA A VIDA Artigos 121 a 128 DAS LESÕES CORPORAIS Artigo 129 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE Artigos 130 a 136 DA RIXA Artigo 137 DOS CRIMES CONTRA A HONRA Artigos 138 a 145 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL Artigos 146 a 154

86 Cap. II Das Lesões corporais (art. 129, CP) - Simples (art. 129, caput) det. de 3 meses a 1 ano - Qualificada 1º: lesão grave (recl. 1 a 5 anos) 2º: lesão gravíssima (recl. 2 a 8 anos) 3º: lesão seguida de morte (recl. 4 a 12) - Privilegiada ( 4º) redução de 1/6 a 1/3 - Culposa ( 6º) det. 2 meses a 1 ano

87 - Substituição de pena na lesão leve ( 5º); - Causa de aumento de pena ( 7º) = + 1/3; - Perdão judicial ( 8º); - Violência doméstica ( 9º e 10) det. 3 m. a 3 a. ou + 1/3; - Violência doméstica contra portador de deficiência ( 11) -

88 Lesões corporais (art. 129, caput) Art Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano

89 Ofensa a integridade física qualquer alteração anatômica interna ou externa do corpo humano Fraturas Fissuras Escoriações Queimaduras Equimoses (rompimento de pequenos vasos sanguineos) Hematomas (equimose com inchaço) Obs.: vermelhidão (eritema) / provocação de dor insignificância (pequenas lesões em acidente de trânsito ou espetar a vítima com um alfinete)

90 Ofensa à saúde provocação de perturbações fisiológicas ou mentais >> Fisiológica desajuste de funcionamento de algum órgão ou sistema paralisia derrame impotência sexual vômitos

91 >> Mentais provoca desajuste do funcionamento cerebral convulsões desmaios síndromes doenças mentais

92 Objetividade Jurídica: incolumidade da pessoa em sua integridade física e mental Sujeito ativo: qualquer pessoa

93 Sujeito passivo: qualquer pessoa Feto? Sim, caso contrário autoaborto não seria punido! Autolesão impunível Fraude para recebimento de seguro (art. 171, 2º, V, do CP) Criação de incapacidade para se furtar ao serviço militar (art. 184 do CPM)

94 Meio de execução - Por ação - Por omissão (art. 13, 2, CP) ex. mãe que deixa o filho sozinho na cama desejando que ele se machuque em decorrência da queda * Várias lesões em um só contexto e contra a mesma vítima apenas um crime

95 Lesões corporais (art. 129) P.: Contra cadáver? R.: art. 211, CP: Destruir, subtrair ou ocultar cadáver ou parte dele. Reclusão de 1 a 3 anos e multa. Lesões esportivas? Risco permitido e tolerado Exercício regular do direito (teoria finalista da ação) OU Não há fato típico (imputação objetiva)

96 Intervenções médico-cirúrgicas P. Transplante de órgãos? R.: Maiores e capazes: art. 9º, Lei 9.434/97 Cirurgia transexual - art. 129, 2º, IV? Esterilização cirúrgica? R.: Autorizado para planejamento familiar (art. 10, Lei 9.263/96 e art. 226, 7º, CP. Não seguir art. 10 = crime do art. 15, com pena recl. 2 a 8 anos, + multa, se não for mais grave

97 Lesões corporais (art. 129) Consumação (crime material) Tentativa (apenas no dolo) Distinção: Lesão leve (art. 129, caput, CP) x vias de fato (art. 21, LCP) x Injúria real (art. 140, 2º, CP)

98 A violência física é desnecessária Corte de cabelo à revelia?? Lesões corporais ou injúria dependendo da intenção Tatuagem, piercings?? Consentimento do ofendido (causa supralegal de exclusão da ilicitude)

99 Cap. II Das Lesões corporais (art. 129, CP) Lesão corporal dolosa: - natureza leve (art. 129) Pena: det. 3 meses a 1 ano - natureza grave (art. 129, 1º) - Pena: recl. 1 a 5 anos - nat. gravíssima (art. 129, 2º) - Pena: recl. 2 a 8 anos - seguida de morte (art. 129, 3º) - Pena: recl. de 04 a 12 anos

100 - Art. 129, caput Lesão leve - Não há definição específica por exclusão - Animus laedendi - Ação penal pública condicionada a representação (art. 88 da 9099/95)

101 Lesão corporal grave (art. 129, 1º, CP) Pena: reclusão de 1 a 5 anos I- incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias; II- perigo de vida III- debilidade permanente de membro, sentido ou função; IV- Aceleração de parto.

102 Lesão grave Art 129, 1º, CP - Art. 129, 1º, I Se resulta incapacidade para ocupações habituais, por mais de 30 dias - Conceito de atividade habitual não se restringe a trabalho - Prostituta? - Sim - Ladrão? Traficante? - Não - Necessidade de exame complementar art. 168, 2º, CPP - Incapacitação física ou mental - Ação penal pública incondicionada

103 Lesão grave Art 129, 1º - Art. 129, 1º, II Se resulta perigo de vida - risco de morte concreto e comprovado - não basta mera alegação do perigo - o laudo deve noticiar em que o risco consistiu - não basta risco potencial (STF RT, 579/431)

104 Lesão grave Art 129, 1º - Art. 129, 1º, III Se resulta debilidade permanente de membro, sentido ou função - redução ou enfraquecimento da capacidade funcional - deve ser permanente ou de recuperação incerta - membros apêndices do corpo braço e pernas - sentidos tato, olfato, paladar, visão e audição - função órgão ou aparelho - órgão duplo - não precisa ser perpétua - perda de dentes perda de um dedo

105 Lesão grave Art 129, 1º - Art. 129, 1º, IV Se resulta aceleração do parto - ocorre o nascimento prematuro - o feto deve nascer com vida - o agente deve saber que a mulher está grávida

106 Lesão corporal gravíssima (art. 129, 2º) Pena: reclusão de 2 a 8 anos I- Incapacidade permanente para o trabalho; II- Enfermidade incurável; III- perda ou inutilização de membro, sentido ou função; IV- deformidade permanente; V- aborto

107 Lesão gravíssima Art 129, 2º - Art. 129, 2º, I Se resulta incapacidade permamente para o trabalho - incapacidade genérica / específica - não precisa ser perpétua deve ser duradoura - ex. qualquer atividade lucrativa difícil aplicação

108 Lesão gravíssima Art 129, 2º - Art. 129, 2º, II Se resulta enfermidade incurável - alteração permanente por processo patológico - tb é considerada incurável se necessita de cirurgia - o sujeito passivo não está obrigado a submeter-se a tratamentos incertos - Aids depende da intenção

109 Lesão gravíssima Art 129, 2º - Art. 129, 2º, III Se resulta perda ou inutilização de membro, sentido ou função - perda (mutilação ou imputação) - inutilização incapaz de realizar atividade - órgãos duplos

110 Lesão gravíssima Art 129, 2º - Art. 129, 2º, IV Se resulta deformidade permamente - dano estético visível capaz de provocar impressão vexatória - indelével, irreparável coisa horripilante ou aleijão - queimadura, ácido, cicatriz profunda... - a vítima não está obrigada a submeter-se a cirurgia plástica, mas se a fizer com sucesso, afasta a qualificadora (?!)

111 Lesão gravíssima Art 129, 2º - Art. 129, 2º, V Se resulta aborto - não pode ter sido provocado intencionalmente - o agente deve saber que a vítima está grávida

112 - provocar surdez em um só ouvido ou cegueira em um só olho caracteriza mera debilidade de sentido (órgãos / sentido duplos) - correção através de próteses não exclui o crime - reimplante com sucesso desclassificação - esterelização Lei 9.263/96 - extirpação de pênis gravíssima - lesão grave + gravíssima -> gravíssima

113 Lesão corporal seguida de morte (art. 129, 3º) Pena: reclusão de 4 a 12 anos Art. 129, 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo - crime preterdoloso - vias de fato -> morte = homicídio culposo - se assumiu o risco homicídio - não admite tentativa

114 Homicídio doloso o réu tinha intenção de matar desde o início Lesão corporal seguida de morte a intenção era lesionar (desiderato doloso) contudo sobreveio a morte a título de culpa. Ex. uma paulada nas costas para lesionar com o resultado morte. Homicídio culposo o evento morte resulta de um fato penalmente indiferente ou, quando muito, contravencional. Ex. uma bofetada, uma rasteira ou um empurrão em que a vítima se desequilibra e bate a cabeça em uma pedra com resultado morte.

115 Lesões corporais dolosas - Lesão Corporal Privilegiada (art. 129, 4º e 5º) Pena: reduzida de 1/6 a 1/3 e, não sendo grave substituir a detenção pela multa - Lesão Corporal dolosa contra menor 14 anos ou maior de 60 (art. 129, 7º) Pena: aumentada de 1/3.

116 Lesão corporal culposa (art. 129, 6º, CP) Art. 129, 6º Se a lesão é culposa - Não há distinção quanto a gravidade das lesões - Ação pública condicionada a representação

117 Lesão corporal culposa (art. 129, 6º, CP) - qualificada (art. 129, 7º) - Pena: aumentada de 1/3 (inobservância de regra técnica... ou ainda por milícia privada ou grupo de extermínio) - Perdão Judicial (art. 129, 8º) - Na direção de veículo auto-motor (art. 303 da Lei 9.503/97) Pena: det. de 6 meses a 2 anos e perda ou susp. da habilitação

118 Lesão corporal em violência doméstica (art. 129, 9º) Pena: detenção de 3 meses a 3 anos 9º - Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade

119 Lesão corporal em violência doméstica (art. 129, 9º) Pena: detenção de 3 meses a 3 anos 10 - Lesões graves, gravíssimas ou seguida de morte em violência doméstica = + 1/ Lesões corporais em violência doméstica contra portador de deficiência = + 1/3

120 Lesão corporal x disparo de arma de fogo (art. 15, Lei nº /03) Disparo de arma de fogo Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

121 Lesão corporal x tortura (Lei nº 9.455/97) Art. 1º, caput: Pena - reclusão, de 2 a 8 anos. 3º: Se resulta lesão corporal de natureza grave ou gravíssima, a pena é de reclusão de 4 a 10 anos; se resulta morte, a reclusão é de 8 a 16 anos.

122 Les. Corp. x Lei de Esterelização (Lei nº 9.263/96) Art. 15. Realizar esterilização cirúrgica em desacordo com o estabelecido no art. 10 desta Lei. Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa, se a prática não constitui crime mais grave. Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço se a esterilização for praticada: I - durante os períodos de parto ou aborto, salvo o disposto no inc. II do art. 10 desta Lei. II - com manifestação da vontade do esterilizado expressa durante a ocorrência de alterações na capacidade de discernimento por influência de álcool, drogas, estados emocionais alterados ou incapacidade mental temporária ou permanente; III - através de histerectomia e ooforectomia; IV - em pessoa absolutamente incapaz, sem autorização judicial; V - através de cesária indicada para fim exclusivo de esterilização.

123 Les. Corp x Lei de transplante de órgãos (lei nº 9.434/97) Art. 14. Remover tecidos, órgãos ou partes do corpo de pessoa ou cadáver, em desacordo com as disposições desta Lei: Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, de 100 a 360 dias-multa. 1.º Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa ou por outro motivo torpe: Pena - reclusão, de três a oito anos, e multa, de 100 a 150 dias-multa. 2.º Se o crime é praticado em pessoa viva, e resulta para o ofendido: I - incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; II - perigo de vida; III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; IV - aceleração de parto: Pena - reclusão, de três a dez anos, e multa, de 100 a 200 dias-multa

124 Les. Corp x Lei de transplante de órgãos (Lei nº 9.434/97) Art º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta para o ofendido: I - Incapacidade para o trabalho; II - Enfermidade incurável ; III - perda ou inutilização de membro, sentido ou função; IV - deformidade permanente; V - aborto: Pena - reclusão, de quatro a doze anos, e multa, de 150 a 300 diasmulta. 4.º Se o crime é praticado em pessoa viva e resulta morte: Pena - reclusão, de oito a vinte anos, e multa de 200 a 360 diasmulta.

125 Les. Corp. x Lei de Biossegurança (Lei n º /05) Art. 27. Liberar ou descartar OGM no meio ambiente, em desacordo com as normas estabelecidas pela CTNBio e pelos órgãos e entidades de registro e fiscalização: Pena reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 2º Agrava-se a pena: I de 1/6 (um sexto) a 1/3 (um terço), se resultar dano à propriedade alheia; II de 1/3 (um terço) até a metade, se resultar dano ao meio ambiente; III da metade até 2/3 (dois terços), se resultar lesão corporal de natureza grave em outrem; IV de 2/3 (dois terços) até o dobro, se resultar a morte de outrem.

126 Les. Corp. x Cirurgia de transgenitalização (Resolução 1.955/10, CFM) - Resolução 1.492/97, CFM; - Resolução 1.652/02, CFM; - Resolução 1.955/10, CFM.

127 RESOLUÇÃO CFM nº 1.955/2010 (Publicada no D.O.U. de 3 de setembro de 2010, Seção I, p ) Dispõe sobre a cirurgia de transgenitalismo e revoga a Resolução CFM nº 1.652/02. (Publicada no Diário Oficial da União; Poder Executivo, Brasília-DF, n. 232, 2 dez Seção 1, p.80/81) O CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, no uso das atribuições conferidas pela Lei nº 3.268, de 30 de setembro de 1957, regulamentada pelo Decreto nº , de 19 de julho de 1958, e CONSIDERANDO a competência normativa conferida pelo artigo 2º da Resolução CFM nº 1.246/88, publicada no DOU de 26 de janeiro de 1988, combinado ao artigo 2º da Lei nº 3.268/57, que tratam, respectivamente, da expedição de resoluções que complementem o Código de Ética Médica e do zelo pertinente à fiscalização e disciplina do ato médico; (onde se lê Resolução CFM nº 1.246/88, publicada no D.O.U. de 26 de janeiro de 1988, leia-se Resolução CFM nº 1.931/2009, publicada no D.O.U. de 24 de janeiro de 2009, Seção I, p. 90. )

128 CONSIDERANDO ser o paciente transexual portador de desvio psicológico permanente de identidade sexual, com rejeição do fenótipo e tendência à automutilação e/ou autoextermínio; CONSIDERANDO que o espírito de licitude ética pretendido visa fomentar o aperfeiçoamento de novas técnicas, bem como estimular a pesquisa cirúrgica de transformação da genitália e aprimorar os critérios de seleção; CONSIDERANDO o que dispõe a Resolução CNS nº 196/96, publicada no DOU de 16 de outubro de 1996; CONSIDERANDO o estágio atual dos procedimentos de seleção e tratamento dos casos de transexualismo, com evolução decorrente dos critérios estabelecidos na Resolução CFM nº 1.652/02 e do trabalho das instituições ali previstas;

129 CONSIDERANDO que a cirurgia de transformação plásticoreconstrutiva da genitália externa, interna e caracteres sexuais secundários não constitui crime de mutilação previsto no artigo 129 do Código Penal brasileiro, haja vista que tem o propósito terapêutico específico de adequar a genitália ao sexo psíquico; CONSIDERANDO a viabilidade técnica para as cirurgias de neocolpovulvoplastia e/ou neofaloplastia; CONSIDERANDO o que dispõe o parágrafo 4º do artigo 199 da Constituição Federal, que trata da remoção de órgãos, tecidos e substâncias humanas para fins de transplante, pesquisa e tratamento, bem como o fato de que a transformação da genitália constitui a etapa mais importante no tratamento de pacientes com transexualismo; CONSIDERANDO que o artigo 14 do Código de Ética Médica veda os procedimentos médicos proibidos em lei, e o fato de não haver lei que defina a transformação terapêutica da genitália in anima nobili como crime;

130 CONSIDERANDO o bom resultado cirúrgico, tanto do ponto de vista estético como funcional, das neocolpovulvoplastias nos casos com indicação precisa de transformação do fenótipo masculino para feminino; CONSIDERANDO as dificuldades técnicas ainda presentes para a obtenção de bom resultado tanto no aspecto estético como funcional das neofaloplastias, mesmo nos casos com boa indicação de transformação do fenótipo feminino para masculino; CONSIDERANDO que o diagnóstico, a indicação, as terapêuticas prévias, as cirurgias e o prolongado acompanhamento pósoperatório são atos médicos em sua essência; CONSIDERANDO o Parecer CFM nº 20/10, aprovado em 12 de agosto de 2010; CONSIDERANDO, finalmente, o decidido na sessão plenária de 12 de agosto de 2010,

131 RESOLVE: Art. 1º Autorizar a cirurgia de transgenitalização do tipo neocolpovulvoplastia e/ou procedimentos complementares sobre gônadas e caracteres sexuais secundários como tratamento dos casos de transexualismo. Art. 2º Autorizar, ainda a título experimental, a realização de cirurgia do tipo neofaloplastia. Art. 3º Que a definição de transexualismo obedecerá, no mínimo, aos critérios abaixo enumerados: 1) Desconforto com o sexo anatômico natural; 2) Desejo expresso de eliminar os genitais, perder as características primárias e secundárias do próprio sexo e ganhar as do sexo oposto; 3) Permanência desses distúrbios de forma contínua e consistente por, no mínimo, dois anos; 4) Ausência de outros transtornos mentais.(onde se lê Ausência de outros transtornos mentais, leia-se Ausência de transtornos mentais )

132 Art. 4º Que a seleção dos pacientes para cirurgia de transgenitalismo obedecerá a avaliação de equipe multidisciplinar constituída por médico psiquiatra, cirurgião, endocrinologista, psicólogo e assistente social, obedecendo os critérios a seguir definidos, após, no mínimo, dois anos de acompanhamento conjunto: 1) Diagnóstico médico de transgenitalismo; 2) Maior de 21 (vinte e um) anos; 3) Ausência de características físicas inapropriadas para a cirurgia. Art. 5º O tratamento do transgenitalismo deve ser realizado apenas em estabelecimentos que contemplem integralmente os pré-requisitos estabelecidos nesta resolução, bem como a equipe multidisciplinar estabelecida no artigo 4º. 1º O corpo clínico destes hospitais, devidamente registrado no Conselho Regional de Medicina, deve ter em sua constituição os profissionais previstos na equipe citada no artigo 4º, aos quais caberá o diagnóstico e a indicação terapêutica.

133 2º As equipes devem ser previstas no regimento interno dos hospitais, inclusive contando com chefe, obedecendo aos critérios regimentais para a ocupação do cargo. 3º Em qualquer ocasião, a falta de um dos membros da equipe ensejará a paralisação de permissão para a execução dos tratamentos. 4º Os hospitais deverão ter comissão ética constituída e funcionando dentro do previsto na legislação pertinente. Art. 6º Deve ser praticado o consentimento livre e esclarecido. Art. 7º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogando-se a Resolução CFM nº 1.652/02. Brasília-DF, 12 de agosto de 2010 ROBERTO LUIZ D AVILA E SILVA Presidente HENRIQUE BATISTA Secretário-geral

134 Questões para discussão: A cirurgia de transgenitalização não é crime? Admitindo-se a cirurgia de trangenitalização, poderíamos mudar o pré-nome? Pode mudar o registro civil? E o sexo constante na certidão de nascimento, pode ser alterado, pelo princípio da dignidade da pessoa humana?

135 Se o sexo for alterado, como fica a questão do serviço militar, aposentadoria, casamento e adoção? E se ele já tiver filho antes da cirurgia? E no caso de homossexualismo? Pode casar, adotar etc.?

136 Referências na RT, antes do STF autorizar o casamento homossexual (ADIN 4277 e ADPF 132) RT 444/91-95 RT 491/ RT 637/ RT 672/

137 CRIMES CONTRA AS PESSOAS DOS CRIMES CONTRA A VIDA Artigos 121 a 128 DAS LESÕES CORPORAIS Artigo 129 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE Artigos 130 a 136 DA RIXA Artigo 137 DOS CRIMES CONTRA A HONRA Artigos 138 a 145 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL Artigos 146 a 154

138 Cap. III Da periclitação da vida e da saúde Art. 130 Perigo de contágio venéreo; Art.131 Perigo de contágio de moléstia grave; Art. 132 Perigo para a vida ou saúde de outrem; Art. 133 Abandono de incapaz; Art. 134 Exposição ou abandono de recém-nascido; Art. 135 Omissão de socorro; Art. 135-A - Condicionamento de atendimento médicohospitalar emergencial (incluído pela Lei /12); Art. 136 Maus tratos.

139 Cap. III Da periclitação da vida e da saúde Art. 130 Perigo de contágio venéreo (det. 3m a 1a ou M); Art.131 Perigo de cont. de moléstia grave (rec. 1 a 4a e M); Art. 132 Perigo p/ a vida ou saúde de outrem (det. 3m a 1a); Art. 133 Abandono de incapaz (det. 6m. a 3a); Art. 134 Exp. ou abandono de recém-nascido (det. 6m. a 2a); Art. 135 Omissão de socorro (det. 1 a 6m. ou M); Art. 135-A - Condicionamento de atendimento médicohospitalar emergencial (det. 3m. a 1a e M); Art. 136 Maus tratos (det. 2m a 1a. ou M).

140 Crime de dano; Crime de perigo concreto; Crime de perigo abstrato. Crime de perigo individual; Crime de perigo comum ou coletivo.

141 Perigo de contágio venéreo Art Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. 1º - Se é intenção do agente transmitir a moléstia: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa. 2º - Somente se procede mediante representação.

142 Perigo de contágio venéreo (art. 130, CP) Conceito; Objetividade jurídica; Sujeito ativo e passivo; Tipo objetivo; Tipo subjetivo; Consumação e tentativa; Forma qualificada; Ação Penal

143 Perigo de contágio venéreo (art. 130, CP) Contágio sem dolo + les. leve = art. 130 (?) com dolo + = art. 130, 1º com dolo + les. grave = art. 129, 1º ou 2º com dolo + morte = art. 129, 3º sem dolo + morte = art. 121, 3º

144 Perigo de contágio de moléstia grave Art Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio: Pena - reclusão, de um a quatro anos, e multa.

145 Perigo de contágio de moléstia grave (art. 131, CP) Contágio + les. leve = art. 131 (?) Contágio + les. grave = (?) Contágio + morte dolosa = art. 121, caput Contagio + morte culposa = art. 129, 3º

146 Perigo para a vida ou saúde de outrem Art Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena - detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave. Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais.

147 Perigo para vida ou saúde de outrem (art. 132) Perigo + les. leve = art. 132 (penas iguais) Perigo + les. culposa = art. 132 (pena maior) Perigo + morte culposa = art. 121, 3º Perigo + les. ou morte dolosa = art. 129 ou art. 121

148 Perigo para vida ou saúde (det. 3m. a 1a.) x disparo de arma de fogo (art. 15, Lei nº /03) x Tentativa branca de homicídio (art. 121, c.c. 14, II, CP) Disparo de arma de fogo Art. 15. Disparar arma de fogo ou acionar munição em lugar habitado ou em suas adjacências, em via pública ou em direção a ela, desde que essa conduta não tenha como finalidade a prática de outro crime: Pena reclusão, de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa.

149 Abandono de incapaz Art Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender-se dos riscos resultantes do abandono: Pena - detenção, de seis meses a três anos. 1º - Se do abandono resulta lesão corporal de nat. grave: Pena - reclusão, de um a cinco anos. 2º - Se resulta a morte: Pena - reclusão, de quatro a doze anos. Aumento de pena 3º - As penas cominadas neste artigo aumentam-se de 1/3: I - se o abandono ocorre em lugar ermo; II - se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima. III se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos

150 Abandono de incapaz art. 133, CP - Simples (caput); - Qualificado ( 1º e 2º); - Aumento de pena ( 3º) P1: abandono culposo? R.: lesão corporal ou homicídio culposo P2:abandono de idoso? R.: art. 98, Lei nº /03 pena: det. 6 m. a 3 a.

151 Exposição ou abandono de recém-nascido Art Expor ou abandonar recém-nascido, para ocultar desonra própria: Pena - detenção, de seis meses a dois anos. 1º - Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena - detenção, de um a três anos. 2º - Se resulta a morte: Pena - detenção, de dois a seis anos.

152 Exposição ou abandono de recém-nascido (art. 134, CP) Simples (caput); Qualificado ( 1º e 2º)

153 Omissão de socorro Art Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo único - A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte.

154 Omissão de socorro (art. 135, CP) Caput = simples (det. 1 a 6 m. ou multa) Par. único = Causa de aumento de pena: + 1/2 = lesão grave + 3 x = morte

155 Condicionamento de atendimento médico-hospitalar emergencial (Incluído pela Lei nº , de 2012). Art. 135-A. Exigir cheque-caução, nota promissória ou qualquer garantia, bem como o preenchimento prévio de formulários administrativos, como condição para o atendimento médico-hospitalar emergencial: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. Parágrafo único. A pena é aumentada até o dobro se da negativa de atendimento resulta lesão corporal de natureza grave, e até o triplo se resulta a morte.

156 Maus-tratos Art Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa sob sua autoridade, guarda ou vigilância, para fim de educação, ensino, tratamento ou custódia, quer privando-a de alimentação ou cuidados indispensáveis, quer sujeitando-a a trabalho excessivo ou inadequado, quer abusando de meios de correção ou disciplina: Pena - detenção, de dois meses a um ano, ou multa. 1º - Se do fato resulta lesão corporal de nat. grave: Pena - reclusão, de um a quatro anos. 2º - Se resulta a morte: Pena - reclusão, de quatro a doze anos. 3º - Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (catorze) anos.

157 Maus-tratos (art. 136) Expor a perigo a vida ou a saúde de pessoa Sob sua autoridade, guarda ou vigilância Para o fim de educação, ensino, tratamento ou custódia Pena: detenção de 2 m a 1 a ou multa 1º = les. corp. nat. grave = recl. 1 a 4 anos 2º = morte = recl. 4 a 12 anos 3º + 1/3 < 14 anos

158 Lei 9.455/97: Art. 1º: Constitui crime de tortura: I -... II - submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo (TORTURA CASTIGO). Pena - reclusão, de 2 a 8 anos.

159 Lei /03 (Estatuto do Idoso), Art. 99. Expor a perigo a integridade e a saúde, física ou psíquica, do idoso, submetendo-o a condições desumanas ou degradantes ou privando-o de alimentos e cuidados indispensáveis, quando obrigado a fazê-lo, ou sujeitando-o a trabalho excessivo ou inadequado: Pena detenção de 2 (dois) meses a 1 (um) ano e multa. 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos. 2º Se resulta a morte: Pena reclusão de 4 (quatro) a 12 (doze) anos.

160 Cap. IV - Da Rixa Art. 137: Rixa simples = caput Pena: det. 15 d a 2 m. ou M Rixa qualificada = parágrafo único - Les. Corp. grave; - Morte Pena: det. 6 m a 2 a

161 P.: Se um dos contendores sai antes do resultado qualificado? R.: Responde pelo resultado, uma vez que há nexo de causalidade. P.: Se um dos contendores entra após o resultado qualificado? R.: Não responde pelo resultado, pois não há nexo de causalidade.

162 CRIMES CONTRA AS PESSOAS DOS CRIMES CONTRA A VIDA Artigos 121 a 128 DAS LESÕES CORPORAIS Artigo 129 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE Artigos 130 a 136 DA RIXA Artigo 137 DOS CRIMES CONTRA A HONRA Artigos 138 a 145 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL Artigos 146 a 154

163 Cap. V - Dos Crimes contra a honra (art. 138/145) Art Calúnia - det. 6m a 2a e M; Art Difamação - det. 3m a 1a e M; Art Injúria - det. 1 a 6 m ou M; 2º - injúria real - det. 3m a 1a e M + da lesão; 3º - injúria discriminação - recl. 1 a 3a e M

164 Honra objetiva: em relação aos outros Honra subjetiva: em relação a si próprio Ação Penal Privada = Queixa Crime

165 Honra é um conjunto de atributos que tornam a pessoa merecedora de um apreço no convício social e que promovem a auto-estima Honra Objetiva sentimento do grupo social é o que os outros pensam a respeito do sujeito; Honra Subjetiva sentimento próprio juízo de si mesmo amor-próprio auto-estima

166 Art. 138 Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Se o agente acha que a imputação é verdadeira, há erro de tipo, que exclui o dolo - Crime de ação pública ou privada, doloso ou culposo, punido com detenção ou reclusão - Fato concreto

167 CONSUMAÇÃO A calúnia se consuma no momento em que a imputação chega ao conhecimento de terceira pessoa, já que se trata de crime que atinge a honra objetiva Possível na forma escrita TENTATIVA

168 CALÚNIA x DENUNCIAÇÃO CALUNIOSA Art Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Art Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente:

169 Art º - Na mesma pena incorre quem, sabendo falsa a imputação, a propala ou divulga. Propalar verbalmente Divulgar por qualquer outro meio Apenas uma pessoa ocorre o crime Somente dolo direto sabendo falsa 2º - É punível a calúnia contra os mortos.

170 EXCEÇÃO DA VERDADE A lei permite que o ofensor se proponha a provar, no mesmo processo, que a imputação era verdadeira; A regra é que cabe na calúnia; Não será admitida em 03 hipóteses

171 Exceção da verdade 3º - Admite-se a prova da verdade, salvo: I - se, constituindo o fato imputado crime de ação privada, o ofendido não foi condenado por sentença irrecorrível; II - se o fato é imputado a qualquer das pessoas indicadas no nº I do art. 141; III - se do crime imputado, embora de ação pública, o ofendido foi absolvido por sentença irrecorrível

172 Difamação Art Difamar alguém, imputando-lhe fato ofensivo à sua reputação: Também atenta contra a Honra Objetiva Fato que ofenda a reputação da vítima Uma contravenção Mesmo que verdadeira porém desabonadora Quem propala o fato comete nova difamação Consuma-se quando um terceiro fica sabendo

173 EXCEÇÃO DA VERDADE Em regra não cabe DIFAMAÇÃO Exceção : Parágrafo único - A exceção da verdade somente se admite se o ofendido é funcionário público e a ofensa é relativa ao exercício de suas funções. Excludente de ilicitude visto que a falsidade não integra o tipo

174 INJÚRIA Art Injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro: Xingamento ou qualidade negativa A exceção da verdade é incabível Crime contra a honra subjetiva apenas se consuma quando o fato chega ao conhecimento da vítima Injúria contra funcionário público só na ausência.

175 INJÚRIA Perdão Judicial 1º - O juiz pode deixar de aplicar a pena: I - quando o ofendido, de forma reprovável, provocou diretamente a injúria; II - no caso de retorsão imediata, que consista em outra injúria.

176 INJÚRIA REAL 2º - Se a injúria consiste em violência ou vias de fato, que, por sua natureza ou pelo meio empregado, se considerem aviltantes: Pena - detenção, de três meses a um ano, e multa, além da pena correspondente à violência. Uma agressão que tenha o potencial de causar vergonha, desonra Lesão corporal soma as penas / Vias de fato absorvida

177 INJÚRIA REAL Pela natureza do ato rasgar a roupa, esbofetear, baixar a roupa alheia (mostrando o cofrinho) art 61 LCP Pelo meio empregado cuspir no rosto, sujar de fezes, atirar um bolo ou jogar panetone de frutas cristalizadas no rosto art 65 - LCP

178 INJÚRIA RACIAL 3º Se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência: Endereçado a pessoa ou pessoas determinadas Racismo Lei 7.716/89 generalizado preconceito segregação racial

179 CALÚNIA DIFAMAÇÃO INJÚRIA Imputa-se fato criminoso Imputa-se fato que não é criminoso Atribui-se qualidade negativa e não um fato Crime Ofensa a reputação Ofensa a dignidade Honra Objetiva Honra Objetiva Honra Subjetiva Terceira pessoa toma conhecimento Terceira pessoa toma conhecimento Formal Formal Formal A própria pessoa toma conhecimento

180 Imunidade parlamentar art. 53 da Constituição Federal os deputados e senadores são invioláveis por suas palavras, votos e opiniões, quando no exercício do mandato. Os vereadores também são invioláveis, mas apenas nos limites do município onde exercem suas funções Os advogados possuem imunidade, não praticando injúria e difamação, quando no exercício regular de suas atividades art. 7º, da Lei nº 8906/94 Pessoa jurídica calúnia crimes ambientais 9605/98

181 Exige-se seriedade na conduta Se a ofensa é feita por brincadeira jocandi animu não há crime repreender ou aconselhar a vítima não há crime

182 Art As penas cominadas neste Capítulo aumentam-se de um terço, se qualquer dos crimes é cometido: I - contra o Presidente da República, ou contra chefe de governo estrangeiro; II - contra funcionário público, em razão de suas funções; *** desacato / injúria *** III - na presença de várias pessoas, ou por meio que facilite a divulgação da calúnia, da difamação ou da injúria. ***** pelo menos 03 **** IV contra pessoa maior de 60 (sessenta) anos ou portadora de deficiência, exceto no caso de injúria. *** injúria racista *** Parágrafo único - Se o crime é cometido mediante paga ou promessa de recompensa, aplica-se a pena em dobro.

183 Exclusão do crime Art Não constituem injúria ou difamação punível: I - a ofensa irrogada em juízo, na discussão da causa, pela parte ou por seu procurador; *** oral ou escrita *** II - a opinião desfavorável da crítica literária, artística ou científica, salvo quando inequívoca a intenção de injuriar ou difamar; III - o conceito desfavorável emitido por funcionário público, em apreciação ou informação que preste no cumprimento de dever do ofício. Parágrafo único - Nos casos dos ns. I e III, responde pela injúria ou pela difamação quem lhe dá publicidade.

184 Retratação Art O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente da calúnia ou da difamação, fica isento de pena. Retirar o que disse assumir que errou Total e incondicional Causa extintiva da punibilidade art. 107, VI do CP Subjetiva não se estende aos outros querelados Independe de aceitação Somente em ação privada Apenas até a sentença de 1º grau não se aplica a injúria

185 Art Se, de referências, alusões ou frases, se infere calúnia, difamação ou injúria, quem se julga ofendido pode pedir explicações em juízo. Aquele que se recusa a dá-las ou, a critério do juiz, não as dá satisfatórias, responde pela ofensa. Art Nos crimes previstos neste Capítulo somente se procede mediante queixa, salvo quando, no caso do art. 140, 2º, da violência resulta lesão corporal. Parágrafo único - Procede-se mediante requisição do Ministro da Justiça, no caso do n.º I do art. 141, e mediante representação do ofendido, no caso do n.º II do mesmo artigo.

186 Funcionário público Súmula 714 STF É concorrente a legitimidade do ofendido, mediante queixa, e do ministério público, condicionada à representação do ofendido, para a ação penal por crime contra a honra de servidor público em razão do exercício de suas funções.

187 Crimes contra a Honra e PJ STF: A pessoa jurídica pode ser sujeito passivo de crime de difamação. Não, porém, de injúria ou calúnia. (RT 596/421) *** lei de imprensa **** TACRSP: Sendo a ofensa à honra fruto de incontinência verbal, provocada por explosão emocional ocorrida em acirrada discussão, não se configuram os delitos previstos nos atrs. 138, 139 e 140 do CP (RT 544/381) TACRSP: Constitui injúria o ato de quem despeja saco de lixo à porta de apartamento vizinho(...) (RT 516/346)

188

189 Calúnia (art. 138, CP) Imputar falsamente Fato definido como crime 1º divulgação; 2º contra os mortos; 3º exceção da verdade Obs.1: Art. 20, Lei nº 5.250/67 (Lei de Imprensa) Obs.2: art. 339 (denunciação caluniosa)

190 Difamação (art. 139, CP) Imputar fato ofensivo À reputação Parágrafo único: Exceção da verdade

191 Injúria (art. 139, CP) Ofender A dignidade ou o decoro 1º isenção de pena (perdão judicial); 2º injúria real 3º injúria discriminatória (preconceituosa)

192 Art. 141 causa de aumento de pena (+ 1/3): I- contra PR ou chefe de governo estrangeiro; II- contra funcionário público, em razão da função; III- na presença de várias pessoas ou meio que facilite a divulgação; IV- contra > 60 ou portador de deficiência, exceto na injúria. Parágrafo único: mediante paga ou promessa de recompensa = dobro

193 Art. 142: Exclusão do crime: I- ofensa irrogada em juízo; II- crítica literária, artística ou científica, salvo quando com intenção de injuriar ou difamar; III- emitido por funcionário público em informação prestada no cumprimento do dever; Parágrafo único: nas hipóteses I e III, responde quem der divulgação.

194 Art. 143: Retratação - Calúnia e difamação - Antes da sentença - Isento de pena Art. 144: Pedido de explicações - referências; - alusões ou - frases

195 Representação = ct. funcionário público no exercício de suas funções Ação Penal (art. 145, CP) Regra: ação penal privada (= queixa crime); Exceção: Injúria real com lesão corporal (= cond. a representação) Parágrafo único: Requisição do Ministro da Justiça = ct. PR ou chefe de governo estrangeiro;

196 CRIMES CONTRA AS PESSOAS DOS CRIMES CONTRA A VIDA Artigos 121 a 128 DAS LESÕES CORPORAIS Artigo 129 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE Artigos 130 a 136 DA RIXA Artigo 137 DOS CRIMES CONTRA A HONRA Artigos 138 a 145 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE INDIVIDUAL Artigos 146 a 154

197 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL Constrangimento ilegal Art Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. Se o agente for funcionário público no exercício de suas funções abuso de autoridade (Lei 4898/65) Discernimento exclui os menores de pouca idade, loucos, embriagados

198 DOS CRIMES CONTRA A LIBERDADE PESSOAL Constrangimento ilegal Tipo objetivo constranger, obrigar, coagir Fazer algo ou não fazer Violência, grave ameaça ou qualquer outro meio que reduza a capacidade da vítima hipnose, bebida, drogas Crime subsidiário

199 Constrangimento ilegal - Aumento de pena 1º - As penas aplicam-se cumulativamente e em dobro, quando, para a execução do crime, se reúnem mais de três pessoas, ou há emprego de armas. 2º - Além das penas cominadas, aplicam-se as correspondentes à violência. pelo menos 04 pessoas arma própria ou imprópria arma de brinquedo duas correntes prevalece a não aplicação do aumento face o cancelamento da súmula 174 do STJ

200 Constrangimento ilegal 3º - Não se compreendem na disposição deste artigo: I - a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal, se justificada por iminente perigo de vida; II - a coação exercida para impedir suicídio. Espécie de estado de necessidade Excludente de antijuridicidade Ex. transfusão de sangue caráter religioso

201 Ameaça Art Ameaçar alguém, por palavra, escrito ou gesto, ou qualquer outro meio simbólico, de causarlhe mal injusto e grave: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo único - Somente se procede mediante representação. objetividade jurídica liberdade, tranquilidade, sossego Sujeito passivo pessoas determinadas e capazes de entender a ameaça

202 Ameaça Direta/indireta, explícita/implícita ou condicional grave e injusta verossímil discussão, cólera momentânea ou raiva profunda dois entendimentos seriedade crime formal tentativa possível por escrito

203 Ameaça arma de fogo descarregada ou de brinquedo possibilidade Mal impossível / praga impossibilidade Mal futuro / presente Contra os presidentes (República, Senado, Câmara e STF) -> Segurança Nacional art. 28 da Lei 7170/83 Embriaguez -> dois entendimentos

204 Sequestro e cárcere privado Art Privar alguém de sua liberdade, mediante seqüestro ou cárcere privado: Pena - reclusão, de um a três anos. Objetividade jurídica liberdade de ir e vir Cárcere local fechado, clausura (quarto) Sequestro privada da liberdade em local aberto (sítio, praia) Crime permanente Tentativa possível

205 Sequestro e cárcere privado 1º - A pena é de reclusão, de dois a cinco anos: I se a vítima é ascendente, descendente, cônjuge ou companheiro do agente ou maior de 60 (sessenta) anos; II - se o crime é praticado mediante internação da vítima em casa de saúde ou hospital; 59/60 anos observar que o crime é permanente

206 Sequestro e cárcere privado III - se a privação da liberdade dura mais de quinze dias. IV se o crime é praticado contra menor de 18 (dezoito) anos;

207 V se o crime é praticado com fins libidinosos. Inserida pela lei nº /2005 Revogou o tipo de rapto violento mas não a conduta Tanto homem quanto mulher Não se exige que a vítima seja honesta Privada -> pública incondicionada Elementar -> qualificadora Crime contra os costumes -> pessoa não houve abolitio criminis de quem cometeu o tipo (219)

208 Seqüestro e cárcere privado 2º - Se resulta à vítima, em razão de maus-tratos ou da natureza da detenção, grave sofrimento físico ou moral: Pena - reclusão, de dois a oito anos.

209 Redução a condição análoga à de escravo Art Reduzir alguém a condição análoga à de escravo, quer submetendo-o a trabalhos forçados ou a jornada exaustiva, quer sujeitando-o a condições degradantes de trabalho, quer restringindo, por qualquer meio, sua locomoção em razão de dívida contraída com o empregador ou preposto: Após alteração dada pela Lei nº /2003 forma vinculada Crime de ação múltipla tipo misto alternativo crime único

210 Redução a condição análoga à de escravo 1º Nas mesmas penas incorre quem: I cerceia o uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho; II mantém vigilância ostensiva no local de trabalho ou se apodera de documentos ou objetos pessoais do trabalhador, com o fim de retê-lo no local de trabalho.

211 Violação de domicílio Art Entrar ou permanecer, clandestina ou astuciosamente, ou contra a vontade expressa ou tácita de quem de direito, em casa alheia ou em suas dependências: casa é asilo inviolável do indivíduo CF (art. 5º, XI) Tutela-se a tranquilidade e não o patrimônio

212 Violação de domicílio Entrar permanecer clandestina ou astuciosamente contra a vontade expressa ou tácita quem de direito (locador, proprietário) casa ou dependência (quarto, quintal, jardim murado, garagem)

213 Violação de domicílio 1º - Se o crime é cometido durante a noite, ou em lugar ermo, ou com o emprego de violência ou de arma, ou por duas ou mais pessoas: Arma de brinquedo súmula 174 cancelada STJ própria ou imprópria 2º - Aumenta-se a pena de um terço, se o fato é cometido por funcionário público, fora dos casos legais, ou com inobservância das formalidades estabelecidas em lei, ou com abuso do poder. * Tangencia o crime de abuso de autoridade - especial

214 Violação de domicílio 3º - Não constitui crime a entrada ou permanência em casa alheia ou em suas dependências: I - durante o dia, com observância das formalidades legais, para efetuar prisão ou outra diligência; II - a qualquer hora do dia ou da noite, quando algum crime está sendo ali praticado ou na iminência de o ser.

215 Violação de domicílio 4º - A expressão "casa" compreende: I - qualquer compartimento habitado; (barraca de campo, favela, iate, trailers) II - aposento ocupado de habitação coletiva; (cortiço, pensionato, hotel) III - compartimento não aberto ao público, onde alguém exerce profissão ou atividade. (consultório, escritório)

216 Violação de domicílio 5º - Não se compreendem na expressão "casa": I - hospedaria, estalagem ou qualquer outra habitação coletiva, enquanto aberta, salvo a restrição do n.º II do parágrafo anterior; II - taverna, casa de jogo e outras do mesmo gênero. (bares, restaurante)

217 Violação de domicílio Crime de mera conduta Não exige fim ou propósito especial Não cabe desistência voluntária (para este crime) Proprietário pode ser sujeito ativo violência quanto a pessoa ou coisa (qualificadora) casa habitada

218 Seção II - Dos crimes contra a violação de domicílio (art. 150) Fundamento: Art. 5º, XI, CF Caput: entrar ou permanecer... 4º e 5º: o que é ou não casa 1º: forma qualificada: durante a noite ou em lugar ermo; com emprego de violência ou de arma; por duas ou mais pessoas.

219 2º: causas de aumento de pena (+1/3) cometido por funcionário público; fora dos casos legais; inobservância das formalidades; abuso de poder. 3º: causas de exclusão da ilicitude durante o dia com mandado; flagrante.

220 Seção III - Dos crimes ct. Inviolabilidade de correspondência (art. 151 e 152) Fundamento: art. 5º, XIII, CF Art. 151, caput: REVOGADO pelo art. 40 da Lei nº 6.538/78 (mesma redação!!) Art. 152: correspondência comercial Parágr. Único: representação

221 Violação de correspondência Art Devassar indevidamente o conteúdo de correspondência fechada, dirigida a outrem: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. Sonegação ou destruição de correspondência 1º - Na mesma pena incorre: I - quem se apossa indevidamente de correspondência alheia, embora não fechada e, no todo ou em parte, a sonega ou destrói;

222 ... Violação de comunicação telegráfica, radioelétrica ou telefônica II - quem indevidamente divulga, transmite a outrem ou utiliza abusivamente comunicação telegráfica ou radioelétrica dirigida a terceiro, ou conversação telefônica entre outras pessoas; III - quem impede a comunicação ou a conversação referidas no número anterior; IV - quem instala ou utiliza estação ou aparelho radioelétrico, sem observância de disposição legal. 2º - As penas aumentam-se de metade, se há dano para outrem. 3º - Se o agente comete o crime, com abuso de função em serviço postal, telegráfico, radioelétrico ou telefônico: Pena - detenção, de um a três anos. 4º - Somente se procede mediante representação, salvo nos casos do 1º, IV, e do 3º.

223 Correspondência comercial Art Abusar da condição de sócio ou empregado de estabelecimento comercial ou industrial para, no todo ou em parte, desviar, sonegar, subtrair ou suprimir correspondência, ou revelar a estranho seu conteúdo: Pena - detenção, de três meses a dois anos. Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.

224 Seção IV - dos crimes ct. Inviolabilidade dos segredos (art. 153/154) Art. 153: Divulgação de segredo Art. 154: violação do segredo profissional Parágr. Único: representação

225 Divulgação de segredo Art Divulgar alguém, sem justa causa, conteúdo de documento particular ou de correspondência confidencial, de que é destinatário ou detentor, e cuja divulgação possa produzir dano a outrem: Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa. 1º Somente se procede mediante representação. 1º-A. Divulgar, sem justa causa, informações sigilosas ou reservadas, assim definidas em lei, contidas ou não nos sistemas de informações ou banco de dados da Administração Pública: Pena detenção, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. 2o Quando resultar prejuízo para a Administração Pública, a ação penal será incondicionada.

226 Violação do segredo profissional Art Revelar alguém, sem justa causa, segredo, de que tem ciência em razão de função, ministério, ofício ou profissão, e cuja revelação possa produzir dano a outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa. Parágrafo único - Somente se procede mediante representação.

227 Art. 154-A. Invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular do dispositivo ou instalar vulnerabilidades para obter vantagem ilícita: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa.

228 Art. 154-A, CP 1 o Na mesma pena incorre quem produz, oferece, distribui, vende ou difunde dispositivo ou programa de computador com o intuito de permitir a prática da conduta definida no caput. 2 o Aumenta-se a pena de um sexto a um terço se da invasão resulta prejuízo econômico. 3 o Se da invasão resultar a obtenção de conteúdo de comunicações eletrônicas privadas, segredos comerciais ou industriais, informações sigilosas, assim definidas em lei, ou o controle remoto não autorizado do dispositivo invadido: Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave.

229 4 o Na hipótese do 3 o, aumenta-se a pena de um a dois terços se houver divulgação, comercialização ou transmissão a terceiro, a qualquer título, dos dados ou informações obtidos. 5 o Aumenta-se a pena de um terço à metade se o crime for praticado contra: I - Presidente da República, governadores e prefeitos; II - Presidente do Supremo Tribunal Federal; III - Presidente da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, de Assembleia Legislativa de Estado, da Câmara Legislativa do Distrito Federal ou de Câmara Municipal; ou IV - dirigente máximo da administração direta e indireta federal, estadual, municipal ou do Distrito Federal.

230 Ação penal Art. 154-B. Nos crimes definidos no art. 154-A, somente se procede mediante representação, salvo se o crime é cometido contra a administração pública direta ou indireta de qualquer dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal ou Municípios ou contra empresas concessionárias de serviços públicos.

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