UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ ADELINE BEATRIZ COUTO

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ ADELINE BEATRIZ COUTO"

Transcrição

1 UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ ADELINE BEATRIZ COUTO MONOGRAFIA RESPONSABILIDADE CIVIL NOS CONTRATOS DE FRETAMENTO E DE TRANSPORTE MARÍTIMO EVIDENCIADO PELO CONHECIMENTO DE EMBARQUE PERANTE A LEGISLAÇÃO NACIONAL ITAJAÍ 2009

2 1 ADELINE BEATRIZ COUTO MONOGRAFIA RESPONSABILIDADE CIVIL NOS CONTRATOS DE FRETAMENTO E DE TRANSPORTE MARÍTIMO EVIDENCIADO PELO CONHECIMENTO DE EMBARQUE PERANTE A LEGISLAÇÃO NACIONAL Monografia desenvolvida para o Estágio Supervisionado do Curso de Comércio Exterior do Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Gestão da Universidade do Vale do Itajaí. Orientador: Bruno Tussi, LL.M. (IMLI) ITAJAÍ 2009

3 Agradeço a Deus pela vida, e por ter me dado forças nesta jornada, aos meus familiares e amigos, que compreenderam todas as vezes em que estive ausente, ao meu orientador, Bruno Tussi, por seu infinito apoio e paciência ao longo deste trabalho, enfim, agradeço a todos que de alguma forma se tornaram fundamentais em minha vida.

4 É preferível suportar os males que temos do que voar para aqueles que não conhecemos. William Shakespeare

5 EQUIPE TÉCNICA a) Nome do estagiário Adeline Beatriz Couto b) Área de estágio Direito Marítimo c) Orientador de conteúdo Prof. Bruno Tussi, LL.M. (IMLI) e) Responsável pelo Estágio Profª. Natalí Nascimento

6 RESUMO A responsabilidade civil que decorre do contrato de fretamento e do contrato de transporte marítimo evidenciado pelo conhecimento de embarque, foi apresentada por meio qualitativo, ou seja, a coleta de dados foi feita por meio bibliográfico e o conteúdo será disposto por textos explicativos. Relatando os motivos pelo qual o contrato de fretamento é realizado, e apresentando seu instrumento de contrato e a natureza jurídica, assim como as principais espécies de contrato de fretamento existentes. Outro contrato demonstrado é o contrato de transporte marítimo evidenciado pelo conhecimento de embarque, cabendo uma análise especifica sobre o conhecimento de embarque, suas formas de emissão e finalidades. No inadimplemento dos contratos de fretamento e contrato de transporte, surge a responsabilidade civil para responsabilizar o causador do dano, ou ainda apontar as hipóteses excludente de responsabilidade civil, cabendo desta forma, uma análise específica do caso. Palavras-chave: Responsabilidade civil. Contrato de fretamento. Contrato de transporte marítimo.

7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Objetivo geral Objetivos específicos Justificativa Abordagem geral do problema Questões específicas Pressupostos METODOLOGIA Tipo de pesquisa Área de abrangência Coleta e tratamento dos dados Apresentação e análise dos dados CONTRATO DE FRETAMENTO Instrumento do contrato de fretamento: carta-partida Natureza jurídica da carta-partida Gestão náutica e gestão comercial relativas ao contrato de fretamento Espécies de carta-partida Fretamento a casco nu: seu conceito e obrigações Da obrigação do fretador Das obrigações do afretador Fretamento por tempo: seu conceito e obrigações Das obrigações do fretador Das obrigações do afretador Fretamento por viagem: seu conceito e obrigações Das obrigações do fretador Das obrigações do afretador CONTRATO DE TRANSPORTE MARÍTIMO Conhecimento de embarque marítimo Emissão Nota de reserva (booking note) Mate s receipt e dock s receipt Espécies de conhecimento de embarque Nominativo não à ordem (sea way bill) Conhecimento de embarque nominal Conhecimento de embarque ao portador Funções do conhecimento de embarque O conhecimento de embarque como evidência escrita da existência do contrato de transporte O conhecimento de embarque como recibo de entrega da mercadoria O conhecimento de embarque como título de propriedade da mercadoria RESPONSABILIDADE CIVIL NOS CONTRATOS DE FRETAMENTO E DE TRANSPORTE EVIDENCIADO PELO CONHECIMENTO DE EMBARQUE PERANTE A LEGISLAÇÃO NACIONAL Responsabilidade civil contratual e extracontratual...36

8 5.2 Responsabilidade civil contratual atinente ao contrato de fretamento Responsabilidade civil perante terceiros Responsabilidade civil contratual decorrente do contrato de transporte marítimo Da identificação do transportador Responsabilidade civil do transportador pelas perdas e avarias nas cargas Responsabilidade civil do transportador por atrasos Cláusulas de limitação de responsabilidade Excludentes de responsabilidade civil do transportador marítimo Ausência de nexo causal e culpa exclusiva Caso fortuito ou força maior Vício próprio e vício redibitório CONSIDERAÇÕES FINAIS...50 REFERÊNCIAS...51 ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS...53

9 1 INTRODUÇÃO Os contratos de fretamento e de transporte marítimo evidenciado pelo conhecimento de embarque são distintos contratos de utilização do navio. Enquanto o primeiro, visa a exploração do navio ou de seus serviços, o segundo, contempla apenas o transporte de cargas e de pessoas por água. Considerando a destinação econômica do navio, se evidencia o navio como elemento técnico da navegação, como o instrumental econômico na atividade marítima, seja na empresa de navegação ou seja na empresa de transporte. Logo, o seu emprego na indústria da navegação torna-o sujeito à riscos nas variadas formas, seja em relação ao próprio navio, em relação à carga ou pessoas transportadas, ou ainda, em relação à terceiros. Ao tornar-se estes riscos em danos concretos, como avarias ou perdas, temse inicialmente a preocupação em identificar o agente causador do dano, para que este possa repará-lo da forma mas justa possível. Neste momento, o Direito Brasileiro atua como regulador das responsabilidades ou possíveis excludentes de responsabilidade decorrente dos danos causados. Tendo em vista a preocupação em responsabilizar àquele que causou o dano, com este trabalho, pretende-se analisar a responsabilidade civil decorrente da inadimplência do contrato de fretamento e contrato de transporte de mercadorias. Na monografia, constarão informações sobre os conceitos de contrato de fretamento e contrato de transporte marítimo evidenciado pelo conhecimento de embarque, destacando suas principais espécies, e definindo, por fim, a responsabilidade civil decorrente de danos, avarias ou perdas de acordo com cada contrato, bem como as hipóteses de exclusão da responsabilidade civil.

10 1.1 Objetivo geral Apresentar a responsabilidade civil atinente ao contrato de fretamento e contrato de transporte evidenciado pelo conhecimento de embarque, perante a legislação brasileira. 1.2 Objetivos específicos Os objetivos específicos são: apresentar as espécies de contratos de fretamento marítimo e respectivas obrigações entre as partes contratantes; descrever as funções do conhecimento de embarque, como evidência do contrato de transporte; relatar a responsabilidade civil atinte ao contrato de fretamento e contrato de transporte perante a legislação brasileira. 1.3 Justificativa O transporte marítimo de mercadorias, seja por meio de contrato de fretamento ou contrato de transporte, envolve de uma parte, a retribuição pelo serviço ou transporte, e de outra parte, a disponibilização do navio ou seus serviços, ou ainda o transporte. Contratualmente, os envolvidos no contrato possuem responsabilidades específicas em relação ao transporte das mercadorias, e ainda, perante terceiros, devendo sempre responder por seus atos que ocasionem danos a algo ou à alguem. Justifica-se por esta pesquisa a importância da análise da responsabilidade civil decorrente do contrato de fretamento, e do contrato de transporte evidenciado pelo conhecimento de embarque.

11 A realização da pesquisa será viável devido a ampla quantidade de material, no que diz respeito à livros, artigos, sites e abrangência existente acerca do assunto deste trabalho. A pesquisa é relevante, tanto para os acadêmicos do Curso de Comércio Exterior, quanto para aquele que o desenvolve, por ampliar seus conhecimentos e obter uma visão aprofundada sobre o tema. 1.4 Abordagem geral do problema O transporte de mercadorias efetuado através de contrato de fretamento ou contrato de transporte está sempre sujeito à riscos e possíveis danos às mercadorias, seja por culpa do transportar ou de terceiros. A identificação e responsabilização do causador dos danos encontra amparo na legislaçao brasileira, a fim de garantir que o agente causador do dano seja responsabilizado por seus atos. Desta forma, serão abordados neste trabalho as principais responsabilidades civil decorrente do contrato de fretamento e do contrato de transporte marítimo evidenciado pelo conhecimento de embarque. 1.5 Questões específicas As questões específicas que norteiam este trabalho são: Quais as principais espécies de contratos de fretamento marítimo existentes? Quais as principais funções do conhecimento de embarque marítimo? Como surge a responsabilidade civil nos contratos de fretamento e de transporte marítimo evidenciado pelo conhecimento de embarque?

12 1.6 Pressupostos Os pressupostos que respondem às questões específicas são: O contrato de fretamento marítimo abrange três espécies principais: fretamento a casco nu, fretamento por tempo e fretamento por viagem. A maior diferenciação das espécies está relacionada a gestão náutica e a gestão comercial do navio. No contrato a casco nu, o fretador disponibiliza o navio ao afretador, sem estar armado e equipado para fins de navegação marítima, atribuindo ao afretador a responsabilidade pela gestão náutica e gestão comercial do navio. No contrato por tempo, o fretador disponibiliza os serviços do navio ao afretador, totalmente armado e equipado, sendo que a gestão náutica permanece com o fretador, enquanto a gestão comercial passa para o afretador. No contrato por viagem, o fretador disponibiliza o navio ou seus serviços para a realização de uma ou mais viagens pré-estabelecidas, onde a gestão náutica e a gestão comercial permanecem com o fretador. As principais funções do conhecimento de embarque marítimo são: evidenciar a existência de um contrato de transporte marítimo entre a companhia marítima e o embarcador, poder ser utilizado como recibo de entrega da carga ao transportador e representar um título de propriedade da mercadoria, podendo ser transferível e negociável. A responsabilidade civil surge no momento em que é configurado o inadimplemento contratual, ocorrendo principalmente, no que diz respeito ao transporte marítimo, de avarias ou perdas das cargas confiadas para o transporte.

13 2 METODOLOGIA Este capítulo indicará a metodologia utilizada no desenvolvimento da monografia, bem como os aspectos relacionados à caracterização do projeto e sua área de abrangência. 2.1 Tipo de pesquisa Para o desenvolvimento deste traballho, o método utilizado foi de caráter qualitativo, pois na pesquisa qualitativa a preocupação do pesquisador não é com a representatividade numérica do grupo pesquisado, mas com o aprofundamento da compreensão de um grupo social, de uma organização, de uma instituição, de uma trajetória etc. (GOLDENBERG 2000, p. 14). Em relação aos meios de investigação, a pesquisa foi do tipo bibliográfica. Segundo Gil (1987, p. 44), Trata-se de levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e impresa e artigos científicos. Quando aos fins, foi utilizado o método explicativo, expondo as características de um determinado procedimento. Na visão de Mattar (2001), a pesquisa descritiva agrupa uma série de pesquisas cujos processos apresentam importantes características em comum. Diferentemente do que ocorre na pesquisa exploratória, a elaboração das questões de pesquisa pressupõe profundo conhecimento do problema a ser estudado. O pesquisador precisa saber examente o que pretende com a pesquisa, isto é, quem ou o que deseja medir, quando e onde fará, como o fará e por que deverá fazê-lo.

14 2.2 Área de abrangência A pesquisa foi realizada na área de Comércio Exterior, mas especificamente na área de Direito Marítimo. 2.3 Coleta e tratamento dos dados Os dados utilizados para esta pesquisa foram extraídos de fontes secundárias, por meio de bibliografias, artigos, livros e sites da internet. 2.4 Apresentação e análise dos dados As informações geradas da coleta de dados, que correspondem aos objetivos, questões específicas e pressupostos, foram apresentados em forma de textos descritivos e conclusivos, a fim de facilitar a compreensão dos leitores.

15 3 CONTRATO DE FRETAMENTO No contrato de fretamento, uma das partes contratantes, o fretador, disponibiliza o navio ou parte dele a outra parte contratante, denominado afretador, para fins de navegação marítima. Martins (2008) sustenta, que o elemento fundamental dos contratos de fretamento é a exploração comercial e a utilização do navio inclusive para o transporte de mercadorias ou pessoas pelo mar, e que o fretamento contempla em segundo plano, e não como consequência obrigatória o transporte. Com efeito, o fretamento visa a utilização dos serviços do navio e não o transporte propriamente dito. Diante de tais entendimentos, é importante ressaltar, que um contrato de fretamento pode ser realizado por diversos motivos. Pode ser realizado por um exportador ou importador em decorrência da falta de navio de linha regular para o transporte da carga, falta de espaço neste mesmo navio ou vantagem em relação ao frete, dentre outros aspectos. Por derradeiro, o contrato de fretamento permite aos empresários da navegação obter no mercado não regular os navios apropriados aos seus propósitos comerciais, sejam estes de realizar o transporte de cargas próprias ou de terceiros. (MARTINS, 2008, p. 145). Nesse sentido, um navio pode ser afretado por um armador para complementação de sua frota, ou por um armador que deseja utilizar comercialmente um navio mas não pretende investir um alto custo na sua compra. Já Gibertoni (2005), entende que um contrato de fretamento também pode ser utilizado por um armador em decorrência de um acidente com um de seus navios, afretando outro em substituição ao avariado. Por fim, diante das diversas razões pelo qual um contrato de fretamento é realizado, a seguir será apresentado o instrumento pelo qual se evidenciam os contratos de fretamento, sua natureza jurídica, bem como as espécies de contratos existentes e consequente obrigações entre as partes.

16 3.1 Instrumento do contrato de fretamento: carta-partida O instrumento pelo qual se evidencia um contrato de fretamento é a cartapartida. A expressão carta-partida surgiu na Idade Média, quando os contratos de fretamento eram redigidos em apenas um pedaço de papel e posteriormente divididos ao meio, de alto a baixo, ficando uma parte do contrato com o fretador e outra com o afretador. Segundo Gibertoni (2005), a justaposição e o confronto das duas partes era o meio de se averiguar, mais tarde, a autenticidade do título e o que se houvera ajustado. Na carta-partida são estabelecidas as relações jurídicas entre fretador e afretador, ou seja, nela são mencionados todos os detalhes acertados entre as partes, como: nome do navio; valor e forma de pagamento; prazos de vigência do contrato; penalidades por atrasos; obrigações das partes e outras informações. (GOMES, 1978). Na visão de Martins (2008, p. 156), a carta-partida é o instrumento por excelência que comprova o contrato de fretamento firmado entre as duas partes principais do contrato de fretamento: fretador e afretador. A carta-partida, portanto é, o documento que evidencia a existência de um contrato de fretamento, e nela são estabelecidos os termos e as condições contratuais acordadas. 3.2 Natureza jurídica da carta-partida Existem quatro correntes de doutrinas que se destacam e definem a natureza jurídica dos contratos de fretamento. A primeira doutrina caracteriza o contrato de fretamento como contrato de transporte, pois tem como obrigação o transporte de coisa.

17 Nesta doutrina, na opinião de Fernandes e Leitão (2007), enquadram-se os contratos de fretamento por viagem, pois o fretador tem a obrigação de transportar a mercadoria de um porto a outro mediante retribuição. [ ] em relação aos afretamentos por viagem, [ ] estes contratos são uma espécie do gênero contrato de transporte, tendo-se a espécie a mesma natureza do gênero. (FERNANDES; LEITÃO, 2007, p. 36). Os autores desta corrente afirmam, que o objetivo nesta modalidade de fretamento é apenas o transporte, diferente do fretamento a casco nu que visa o uso total do navio, e do fretamento por tempo que visa a utilização dos serviços do navio para a realização de uma viagem, e não o transporte da mercadoria. Na segunda corrente, Lanari (1999) e Gibertoni (2005) defendem que o fretamento apresenta certas características que o aproximam do contrato de transporte, contrato de locação e contrato de prestação de serviços. Para Gibertoni (2005), não há diferenciação entre contrato de fretamento e contrato de transporte, mantendo o mesmo entendimento dos autores da primeira doutrina, porém ela enquadra todas as modalidades de fretamento como contratos de locação do navio. A terceira corrente sustenta que o contrato de fretamento seria um negócio misto de locação de coisa e prestação de serviços. Segundo Martins (2008), muitos autores 1 enquadram o contrato de fretamento por tempo nesta corrente doutrinária, por defenderem que há uma natureza mista de locação de coisa e prestação de serviços nesta espécie de contrato. A quarta doutrina defende que o contrato de fretamento é autônomo, e que não há ligação entre contrato de transporte e contrato de fretamento, conforme Martins (2008). No contrato de transporte a obrigação do contratado é efetuar uma operação de transporte, ou seja, movimentar algo ou alguém de um ponto a outro, diverso daquele existente no contrato de fretamento, que, por sua vez, impõe ao fretador a obrigação de disponibilizar a embarcação ou o seu serviço, independente da sua utilização para o transporte. Levando-se em consideração que o direito marítimo é um ramo do direito autônomo e possui características, peculiaridades e princípios diversos dos demais 1 Anjos e Gomes (1992); Sampaio de Lacerda (1984); Azeredo Santos (1968); Filho (1990).

18 ramos, não há como se filiar a uma doutrina diversa daquela defendida por Martins 2, ou seja, de que o fretamento marítimo possui natureza jurídica própria e autônoma, diversa do mero transporte, locação ou prestação de serviço. 3.3 Gestão náutica e gestão comercial relativas ao contrato de fretamento Para melhor entendimento das espécies de contrato de fretamento, é necessário dividir a gestão de um navio em gestão náutica e gestão comercial, distinguindo as responsabilidades relativas ao fretador e afretador de acordo com cada espécie de contrato. De acordo com Gibertoni (2005), a gestão náutica diz respeito à navegação em geral, referindo-se ao equipamento e armação do navio, manutenção, conservação, custos de reparos, seguros, salários da tripulação e outros. Anjos e Gomes (1992, p. 189), afirmam que, a gestão náutica se subdivide em gestão náutica administrativa e gestão náutica propriamente dita. A gestão administrativa se ocupa dos cuidados com o casco, máquinas e aparelhos do navio, seu aprovisionamento, equipagem, etc. A gestão náutica propriamente dita, refere-se à navegação, estabilidade, manobra do navio e aparelhos, etc. Enquanto a gestão náutica diz respeito ao equipamento e armação em geral do navio, a gestão comercial diz respeito aos assuntos referente às cargas. Nela, se insere o aprovisionamento da máquina, operações relativas ao carregamento e descarga, despesas de escala e de portos. (MARTINS, 2008, p. 148). Destaca-se, ainda, que a gestão comercial engloba os assuntos relativos à carga e ao frete, isto é, fechamento de novos contratos, conclusão dos contratos, relacionamento com corretores e outros. 2 Reitera-se que a autora sustenta a autonomia do contrato de fretamento, independente de sua modalidade, afirmando que em seara de contratos marítimos, tal visão engendra diferenciação entre contrato de transporte e contrato de fretamento e resvala-se na pressuposição básica de que o contrato de transporte diz respeito apenas ao transporte de mercadorias pelo mar. O contrato de fretamento diz respeito a operacionalização do navio, ao uso do navio. (MARTINS, 2008, p. 141).

19 Para fins didáticos, apresenta-se a seguinte tabela, com o intuito de auxiliar na compreensão da distinção das responsabilidades decorrentes da gestão náutica e gestão comercial do navio, de acordo com cada espécie de contrato. Tabela 1: Distinção das responsabilidades decorrentes da gestão náutica e gestão comercial do navio, de acordo com cada espécie de contrato. Contrato de Fretamento Gestão náutica Gestão comercial por viagem fretador fretador por tempo fretador afretador a casco nu afretador afretador Fonte: Elaboração própria Da análise da tabela, percebe-se, claramente, a função de cada parte envolvida no contrato de fretamento marítimo, podendo-se, ainda, afirmar quem será o responsável pela gestão náutica e comercial da embarcação durante o tempo de vigência de cada espécie de contrato. Desta forma, é correto afirmar que o fretador assume a gestão náutica completa no fretamento por viagem e por tempo, não permitindo ao afretador que tome qualquer decisão quando o assunto é a armação e navegabilidade do navio. Por sua vez, a gestão comercial é sempre bem definida nos dois tipos de contratos acima descritos, recaindo na esfera do afretador apenas no caso do fretamento por tempo. Quando o assunto é fretamento a casco nu, tanto a gestão náutica como a comercial estão sob responsabilidade do afretador, até porque, neste tipo de contrato, o afretador assume a posse e o controle da embarcação, tornando-se, perante terceiros, o armador do navio. Assim, a análise do contrato realizado entre as partes é fundamental para estipulação da responsabilidade do fretador e afretador em cada caso concreto que se apresente, devendo-se estar atento sempre para as obrigações assumidas por cada um deles ao contratar o serviço. Finalmente, estando bem definidas as responsabilidades decorrentes da gestão de exploração de um navio, o estudo das espécies poderá ser iniciado.

20 3.4 Espécies de carta-partida Os contratos de fretamento abrangem três espécies principais: fretamento a casco nu (bareboat charter party), fretamento por tempo (time charter party) e fretamento por viagem (voyage charter) Fretamento a casco nu: seu conceito e obrigações No contrato de fretamento a casco nu (bareboat charter party ou demise charter party), o afretador tem a posse, o uso e o controle total do navio por um prazo determinado, contra o pagamento de uma prestação denominada hire. Nos contratos de afretamento a casco nu, o fretador, obriga-se a disponibilizar o navio, sem estar armado e equipado, ao afretador mediante o pagamento de uma retribuição (hire) pagável em intervalos determinados durante o período do contrato. (MARTINS, 2008, p. 208). O traço predominante nesta modalidade de contrato é o controle da embarcação pelo afretador, pois é ele quem arma, provisiona, fornece a equipagem define o capitão e demais tripulação, paga o combustível e os reparos necessários a embarcação. Destarte, a gestão náutica e gestão comercial são de responsabilidade do afretador, que assumirá, por conseguinte, a responsabilidade por tudo o que ocorrer dentro do navio, seja em relação à carga, ao maquinário, equipamentos ou à tripulação. (GIBERTONI, 2005). A esse respeito, afirma Martins (2008), que como o controle total do navio fica por conta do afretador, em casos de acidentes ou qualquer dano causado a terceiros, o afretador é o único responsável pelo navio, não podendo o fretador ser responsabilizado por qualquer dano ou ato do afretador. Há que se analisar, por oportuno, a diferenciação entre bareboat charter party e demise charter party. No demise charter party o fretador poderá nomear o comandante e o chefe de máquinas, porém, estes serão contratados e controlados,

21 e, por consequência, empregados do afretador a casco nu. Entretanto, no bareboat charter party o afretador nomeia e contrata o comandante e o chefe de máquinas de sua escolha, sem qualquer intervenção do fretador. (MARTINS, 2008). Na seqüência, serão apresentadas as obrigações entre fretador e afretador nos contratos de fretamento a casco nu Da obrigação do fretador No contrato de fretamento a casco nu, a principal obrigação do fretador é entregar o navio, na data e local acordado na carta-partida, em perfeito estado de navegabilidade e adequado às especificações do contrato de fretamento. Para que o navio seja considerado em perfeito estado de navegabilidade, é necessário que ele reúna todos os requisitos pré-estabelecidos na carta-partida, como por exemplo, o bom funcionamento do maquinário do navio. (GIBERTONI, 2005). Como consequência da obrigação anterior, o fretador deverá proceder com todos os reparos e substituições decorrentes de vício ou desgaste natural do navio sempre que necessário. Martins (2008), afirma que, as demais reparações e substituições que não decorram de vício ou desgaste natural, serão de responsabilidade do afretador Das obrigações do afretador A principal obrigação do afretador no contrato a casco nu é pagar o hire - retribuição pela utilização do navio. O valor do hire e a forma de pagamento são especificados na carta-partida, e calculado em função da Tonelada de Porte Bruto 3 e por mês de uso do navio. (ANJOS; GOMES, 1992). 3 A Tonelada de Porte Bruto diz respeito ao tamanho da embarcação, o navio como um todo. (MARTINS, 2008).

22 Segundo Martins (2008), poderá ocorrer situações onde o navio deixará de atender às especificações da carta-partida, e por consequência, o pagamento do hire poderá ser suspenso. Essa suspensão recebe o nome de off-hire. 4 Todavia, há apenas uma hipótese que ampara o off-hire independente de amparo contratual, a saber: o vício ou desgaste natural do navio. Nas demais manutenções, reparos e substituições no navio que não decorram de vício ou desgaste natural, o hire continuará sendo cobrado pelo fretador. De acordo com Martins (2008), insere-se ainda nas obrigações do afretador a restituição do navio ao fretador, nas mesmas condições em que foi recebido, salvo os vícios ou desgaste natural pelo uso e tempo; e as obrigações contratuais com o comandante e a tripulação, por serem contratados e subordinados a ele Fretamento por tempo: seu conceito e obrigações No contrato de fretamento por tempo (time charter party), o fretador entrega os serviços do navio ao afretador mediante uma retribuição ou contra-prestação. Entregar os serviços do navio ao afretador significa entregar o navio totalmente armado e equipado, com comandante e tripulação a bordo. O contrato de fretamento por tempo TCP define-se como o contrato pelo qual o fretador se obriga a disponibilizar o navio armado, equipado e em condição de navegabilidade à disposição do afretador, por tempo determinado, mediante uma retribuição (hire). (MARTINS, 2008, p. 192). Outrossim, cabe mencionar que no fretamento por tempo não há transferência de posse do navio, apenas haverá a partilha das gestões, onde o fretador permanecerá no controle e posse do navio, responsável pela gestão náutica, enquanto a gestão comercial passa para o afretador. Diante da partilha de gestão, mencionada anteriormente, faz-se necessário analisar as obrigações atribuídas ao fretador e afretador no contrato de fretamento por tempo, como será verificado a seguir. 4 Na expressão off-hire se enquadram as hipóteses do navio estar fora de fretamento, ou seja, em inavegabilidade absoluta ou relativa e deixar, por conseguinte, de atender às condições acordadas no contrato de fretamento. (MARTINS, 2008, p. 186).

23 Das obrigações do fretador No contrato de fretamento por tempo, a principal obrigação do fretador é assegurar a eficiência e o desempenho do navio durante a vigência do contrato, devendo proceder com os reparos e substituição de equipamentos decorrentes de vícios ou desgaste natural no navio sempre que necessário. De acordo com Martins (2008, p. 197), O armador-fretador deve manter o navio em condições de navegabilidade desde o momento da colocação do navio à disposição do afretador e assim mantê-lo durante todo o tempo de duração do contrato. Por este motivo, os contratos de fretamento por tempo devem reunir características necessárias para o bom funcionamento da embarcação, sendo que as mais importantes são a velocidade, a capacidade de carga e o consumo de combustível pelo navio. Segundo Martins (2008), essas características afetam diretamente o afretador, pois se o navio não apresentar estas características durante o contrato, o afretador terá sérios prejuízos financeiros. Estes prejuízos se justificam, à medida que, no contrato por tempo é acordado a velocidade que o navio deverá alcançar, tal como sua capacidade de carga e consumo de combustível. Quaisquer alterações nessas características afetam diretamente ao afretador, como por exemplo, se o navio ter capacidade de carga menor que a esperada, o afretador não poderá transportar a quantidade de carga que tem à sua disposição, deixando de lucrar com isto. Deverá, ademais, o fretador manter o navio em perfeitas condições de navegabilidade, devidamente armado e equipado, desde o momento da colocação do navio à disposição do afretador até o encerramento do contrato.

24 Das obrigações do afretador A principal obrigação do afretador é pagar o hire, usualmente pago adiantadamente por um período mensal, independente da efetiva utilização do navio, salvo a hipótese de off-hire. De acordo com Martins (2008), no contrato de fretamento por tempo, o afretador poderá colocar o navio off-hire em qualquer hipótese que afete a navegabilidade ou operacionalidade do navio. Isto significa que durante o período em que o navio estiver off-hire, o hire não poderá ser cobrado ou exigido pelo fretador, salvo as hipóteses previamente acordadas no contrato. No que diz respeito aos gastos do navio, Martins (2008, p. 202) assevera que as despesas relacionadas ao afretador são: [...] todos os combustíveis e água para as caldeiras, despesas portuárias, de praticagem (obrigatória ou não) ou de reboque, despesas consulares, direitos portuários de cais e de tonelagem assim como quaisquer outras taxas que venham a ser impostas ao navio, agenciamentos, comissões, despesas de carregamento, estiva, descarga, pesagem, conferência, vistorias, alimentação. Cabe ainda ressaltar, que o afretador poderá ser responsável, em alguns casos acordados na carta-partida, pelas despesas com lubrificantes. Gibertoni (2005), afirma que, como o combustível é arcado pelo afretador, é de seu interesse na escolha do navio, saber a velocidade e o consumo de combustível, para avaliar a capacidade e eficiência do navio durante a vigência do contrato Fretamento por viagem: seu conceito e obrigações No contrato de fretamento por viagem (voyage charter party), o fretador disponibiliza os serviços do navio ao afretador, para a realização de uma ou mais viagens pré-estabelecidas, de um porto a outro, mediante pagamento de uma retribuição chamada frete.

25 O termo "por viagem" não tem significado restritivo, podendo o contrato ser por várias viagens com o mesmo navio. Quando o contrato é para apenas uma viagem, a carta-partida é chamada de single voyage charter party, e quando é para mais viagens, é chamada de consecutive voyage charter party. (MARTINS, 2008). No single voyage, o fretador obriga-se a transferir mercadorias de um porto a outro em uma única viagem, diferentemente do consecutive voyage que envolve mais de uma viagem do navio por um período de tempo. A seguir, serão analisadas as obrigações cabíveis ao fretador e afretador no contrato de fretamento por viagem Das obrigações do fretador Assim como nas modalidades de fretamento apresentadas anteriormente, a maior obrigação do fretador é disponibilizar o navio na data e local acordados na carta-partida, em perfeito estado de navegabilidade, e assim mantê-lo durante todo o percurso da viagem. Isto significa que o navio deve estar com suas máquinas principais e auxiliares em ótimo estado de funcionamento, tripulado, abastecido, e estruturado para receber e acondicionar as mercadorias do afretador. (ANJOS; GOMES, 1992). Como a gestão náutica e gestão comercial são de responsabilidade do fretador, Gomes (1978) afirma que, como consequência, o fretador deverá assegurar a estabilidade e navegabilidade do navio, além de manter em segurança as cargas no navio e assegurar que sejam mantidas nas mesmas condições em que foram recebidas. No que tange às responsabilidades do fretador, afirma Gibertoni (2005), que o fretador deverá iniciar a viagem imediatamente após o término das operações de carregamento do navio. Qualquer atraso no início da viagem que não seja por força maior ou caso fortuito, ele será responsabilizado. Do mesmo modo, no final da viagem, o navio deverá ser conduzido ao porto de desembarque informado na carta-partida, sob pena do fretador ser responsabilizado por danos causados ao afretador.

26 Ressalta-se ainda, que no contrato de fretamento por viagem, o fretador também é responsável por todos os custos pertinentes à viagem e à movimentação da carga, inclusive pelo combustível utilizado, que geralmente é incluído no valor do frete. (MARTINS, 2008) Das obrigações do afretador Segundo Gibertoni (2005), além da obrigação de pagar o frete, o afretador deverá estar com as cargas prontas para embarque no momento do aviso de prontidão 5, e cumprir com os prazos estabelecidos na carta-partida para embarque ou desembarque da carga. O afretador deverá ainda, entregar ao fretador a carga em quantidade e qualidade acordadas, obedecendo às disposições do contrato, não introduzindo ao navio mercadorias que sejam ilícitas ou proibidas no porto de embarque e/ou desembarque. (MARTINS, 2008). Encerrado o estudo das principais espécies de contrato de fretamento, e consequente obrigação entre as partes contratantes, no capítulo a seguir, será apresentado o contrato de transporte marítimo evidenciado pelo conhecimento de embarque, e suas peculiaridades. 5 Notificação de pronto a operar, notícia de prontidão. [...] é a comunicação a afretador, embarcador, recebedor ou outra pessoa determinada pelo contrato de ter o navio chegado ao porto ou berço, conforme o caso, e estar pronto a carregar ou descarregar. (MARTINS, 2008, p. 221).

27 4 CONTRATO DE TRANSPORTE MARÍTIMO O contrato de transporte marítimo é o contrato pelo qual uma parte contratante se obriga a levar coisa ou pessoas, de um local a outro, mediante uma retribuição previamente estabelecida. É um acordo escrito mediante o qual o armador se compromete a transportar mercadorias por água, numa expedição marítima, recebendo em troca uma quantia em dinheiro denominada frete. (GIBERTONI, 2005, p. 174). Diferentemente do contrato de fretamento, analisado no capítulo anterior, a finalidade dos contratos de transporte marítimo não é utilização do navio ou seus serviços, mas o efetivo transporte da carga de um ponto ao outro pelo mar. Geralmente, os contratos de transporte marítimo são realizados por navios de linha regular, que são navios que seguem rotas fixas e permanentes, com datas de chegada e saída pré-estabelecidas, e transportam mercadorias de centenas de embarcadores em uma mesma viagem. (LANARI, 1999). Isto ocorre, pois os navios de linha regular normalmente transportam mercadorias de embarcadores que desejam remeter pequenas quantidades de mercadorias ao exterior, não sendo necessário optar por um contrato de fretamento, mas sim, por um contrato de transporte. Em suma, o contrato de transporte é firmado de qualquer forma em direito admitido, ou seja, verbal ou escrito, e evidenciado por meio de um documento chamado conhecimento de embarque, analisado a seguir. 4.1 Conhecimento de embarque marítimo O conhecimento de embarque, também conhecido como conhecimento de transporte ou bill of lading, é o principal documento utilizado no transporte marítimo, por via do qual se identificam as mercadorias nele descritas e carregadas no navio para o seu transporte até o porto de destino designado.

28 Gilbertoni (2005), afirma que, o conhecimento de embarque faz prova do recebimento da mercadoria a bordo do navio, resultando na obrigação do transportador em entregá-la no lugar de destino, e somente à pessoa a quem o conhecimento estiver consignado. Além de fazer prova da propriedade da mercadoria, o conhecimento de embarque consagra-se como a evidência escrita do contrato de transporte. De acordo com Vieira (2003, p. 45): O Conhecimento de Embarque (Bill of Lading) é o principal documento utilizado na formalização de um contrato de transporte marítimo de linha regular, devendo estar contida nele toda a informação necessária à realização do transporte e à delimitação das responsabilidades das partes. Diante disso, faz-se necessário verificar as formas de emissão do conhecimento de embarque, bem como analisar as suas espécies Emissão O conhecimento de embarque é emitido e assinado pela companhia de navegação, proprietária ou armador da embarcação responsável pelo transporte da mercadoria. A partir da emissão do conhecimento de embarque o comandante torna-se o verdadeiro depositário das mercadorias que recebeu a bordo de seu navio, obrigando-se a guardar, acondicionar, conservar e entregar as mercadorias nos portos de destino, àquele que lhe apresentar o conhecimento original relativo às mercadorias nele mencionadas. (SALGUES, 2008). O conhecimento de embarque poderá ser emitido em quantas vias forem necessárias e solicitadas pelo embarcador, normalmente emitido em três vias originais e três vias não negociáveis. Todavia a quantidade de vias originais deverá obrigatoriamente constar no conhecimento, para que todos os interessados saibam quantos originais circulam no mercado. (VIEIRA, 2003). Segundo Martins (2008, p. 267) o teor das informações a serem lançadas no conhecimento de embarque é variável. Como regra, as informações exigidas são:

29 nome e endereço da companhia de navegação; nome do exportador; nome do importador; nome de quem vai ser notificado quando da chegada da mercadoria; portos de embarque, destino ou transbordo; total de volumes; tipo de mercadoria; peso bruto e volume cúbico; forma de pagamento do frete (prepaid ou collect); data do embarque; nome do agente da companhia transportadora no porto de embarque, com o carimbo e a assinatura do responsável. (VIEIRA, 2003). Destacam-se ainda, outras peculiaridades na emissão do conhecimento de embarque, que poderá ser precedida pela emissão de documentos denominados nota de reserva, mate's receipt e dock s receipt, que remetem a necessidade de análise específica Nota de reserva (booking note) A nota de reserva ou reserva de praça é um documento preenchido pelo embarcador, através do qual é formalizada a reserva de determinado espaço no navio. Martins (2008, p. 270) define booking note como o ato de reservar um espaço, em determinado navio, para transporte de uma carga de um porto a outro. Na nota de reserva são descritas as condições da reserva, como a definição do transportador, embarcador, o tipo de mercadoria e seus respectivos pesos e volumes, tipo de embalagem, frete e demais informações relevantes Mate s receipt e dock s receipt O mate s receipt é um documento de emissão do imediato, no qual são especificadas todas as características da carga, e que deverão ser verificadas antes do seu embarque.

30 Segundo Lanari (1999), as características verificadas são: marcas de identificação, tipo de empacotamento, quantidade e tamanho da mercadoria, assim como qualquer falha ou vício que a mercadoria possa conter. Para Martins (2008, p. 269), O mate s receipt é considerado o BL temporário, ou inicial, ou ainda o recibo provisório da carga, um recibo para embarque (Bill of ladind for shipment). É um documento de emissão do embarcador que é encaminhado ao transportador para a emissão do BL. Cabe ressaltar que o mate s receipt precede a emissão de um conhecimento de embarque. Segundo Gomes (1978), muitos agentes entregam o original do mate s receipt ao embarcador, porém este não poderá ser utilizado como comprovante de propriedade ou posse da carga, apenas o conhecimento de embarque tem poder para comprovar a posse ou propriedade da carga. Já, o dock s receipt, é um recibo de carga emitido por um armazém ou um cais, atestando que as mercadorias foram recebidas pela companhia de navegação para embarque. Martins (2008), afirma que, o dock s receipt apresenta as mesmas características do mate s receipt, porém, a sua utilização não é tão usual Espécies de conhecimento de embarque O conhecimento de embarque poderá ser emitido de três maneiras: nominativo não a ordem, nominativo, e ao portador Nominativo não à ordem (sea way bill) Também conhecido como consignment note, freight bill ou ainda way bill, o sea way bill é um documento não negociável semelhante a um conhecimento de embarque, utilizado apenas para documentar o transporte da mercadoria.

31 Segundo Martins (2008, p. 268), O way bill, assim como o BL, é considerado prova da prévia conclusão ou evidência do contrato de transporte marítimo internacional de mercadorias e da recepção dos bens pelo transportador. Vale ressaltar, que o way bill é um recibo da mercadoria a ser transportada, e evidência escrita de um contrato de transporte entre as partes, não podendo ser utilizado como título de propriedade da mercadoria, e consequentemente não pode ser transferível. (VIEIRA, 2003). Os way bill são muito úteis para agilizar a liberação das mercadorias no destino, no caso de as mesmas serem consignadas ao próprio embarcador, ou em casos onde a mercadoria chega ao destino antes da documentação Conhecimento de embarque nominal O conhecimento de embarque nominal é o conhecimento nominativo propriamente dito. Nele deve constar o nome do consignatário da carga, ou seja, o proprietário da carga ao qual será facultado exigir a entrega da mercadoria no porto de destino. Como conhecimento nominal, sua emissão poderá ser nominativo à ordem e nominativo não à ordem. Nominativo à ordem significa estar consignado em nome do destinatário ou à ordem do próprio embarcador ou de seu agente no porto de destino. Nominativo não à ordem ocorre mediante claúsula expressa no contrato e não pode ser transferido por endosso. 6 O conhecimento nominativo à ordem é o mais utilizado, visto que possibilita a transmissibilidade de forma rápida, além de configurar relevante instrumento de crédito. (MARTINS, 2008). De acordo com Gomes (1978, p. 243): ). O endosso se dá através da simples assinatura no verso do título de crédito. (MARTINS,

32 Conhecimento nominativo à ordem é o que permite endosso. Conhecimento nominativo NÃO à ordem não pode ser endossado, não obstante a mercadoria possa ser negociada. O endosso é o meio pelo qual se transfere a propriedade de um título nominativo com cláusula à ordem. Endosso em preto é aquele que menciona expressamente no título o nome do beneficiário do endosso, e somente este poderá reclamar a mercadoria 7. Segundo Gomes (1978), o endosso em branco é aquele em que o nome do beneficiário no endosso é omitido, ou seja, quem estiver com sua posse pode reclamar a mercadoria Conhecimento de embarque ao portador O conhecimento de embarque ao portador é aquele que nele não consta o nome do consignatário ou de qualquer outra pessoa, sendo que a carga pertence a quem possuir a via original do conhecimento. Um conhecimento será ao portador quando o nome diz claramente, quando não menciona nenhum nome, quando diz ser à ordem mais não de quem ou ainda quando diz ser à ordem de determinada pessoa e esta o endossa em branco. (ESTEVES, 1988 aput MARTINS, 2008, p. 283). Segundo Martins (2008), a transmissão do conhecimento ao portador se faz apenas por passagem de mão a mão, por mera tradição Funções do conhecimento de embarque O conhecimento de embarque desempenhada três funções básicas: evidenciar a existência de um contrato de transporte, servir de recibo de entrega da mercadoria ao transportador, e representar um título de propriedade da mercadoria. 7 Ou endossá-lo novamente.

33 O conhecimento de embarque como evidência escrita da existência do contrato de transporte O conhecimento de embarque não é efetivamente, o contrato, mas a evidência escrita da existência de um contrato de transporte marítimo, pois reflete os termos e as condições contratuais, consistindo, portanto, em prova escrita da existência do mesmo. Como instrumento do contrato de transporte, o conhecimento marítimo serve para registrar as condições convencionadas, expressa ou taticamente, para o transporte pactuado [...]. (MARTINS, 2008, p. 277). Para Anjos e Caminha (1992, p. 217), o "conhecimento é o documento que prova a propriedade da carga e, nos embarques em navios de linha regular, também evidencia a existência de um contrato de transporte". Todavia, afirma Martins (2008), o contrato de transporte marítimo é um contrato-padrão, elaborado pelo transportador, cujas cláusulas são préestabelecidas unilateralmente por ele, não cabendo ao embarcador, participar efetivamente da negociação do transporte. Em consequência, o conhecimento de embarque, por ser a evidência escrita do contrato de transporte, também é considerado um contrato de adesão, obrigando os embarcadores a aderirem a cláusulas e condições impostas pelo transportador, sem a possibilidade de discutir ou modificar o seu teor O conhecimento de embarque como recibo de entrega da mercadoria O conhecimento de embarque tem a finalidade de recibo de entrega da mercadoria, sendo a comprovação por escrito de recebimento da mercadoria a bordo para o transporte. Conforme Martins (2008), após o embarque da carga no navio, o comandante passa a ser o seu fiel depositário, e como tal está obrigado a guardá-la, protegê-la e acondicioná-la de forma a resguardar seu conteúdo. A responsabilidade do

34 comandante inicia no momento em que recebe a carga até a sua entrega no porto de descarga. O comandante tem ainda, a responsabilidade de verificar o tipo de mercadoria e proceder com a estiva correta relativa a esta carga. Na prática, esta verificação não ocorre, pois como muitas cargas são acondicionadas em contêineres, o comandante não tem como proceder com a vistoria das cargas contidas neles, visto que todos os contêineres são recebidos lacrados. (MARTINS, 2008). Contudo, quando o comandante perceber que determinada mercadoria está danifica, seja em relação à embalagem, quantidade ou à própria carga, o comandante deverá fazer ressalvas no conhecimento de embarque relativas à mercadoria e seu dano. Neste caso diz-se que o conhecimento é sujo (unclean bill of ladind ou foul bill of lading). E não havendo constatação de danos a mercadoria, o conhecimento de embarque é emitido sem ressalvas. Diz-se neste caso que o conhecimento é limpo (clean on board bill of lading). (MARTINS, 2008). Ademais, poderá ocorrer a menção do termo said to contain no conhecimento de embarque. De acordo com Martins (2008, p. 281), este termo indica, que a mercadoria é carregada por um embarcador que a classifica por determinado tipo, quantidade e condição, isentando o emitente do conhecimento de embarque de responsabilidade, mesmo na hipótese de informações incorretas do embarcador. Tais inserções são procedimentos-padrão a favor do transportador, e visa evitar que seja responsabilizado por avarias ou faltas que não provocou O conhecimento de embarque como título de propriedade da mercadoria O conhecimento de embarque utilizado como título de crédito é a prova da propriedade da carga nele descrita, sendo o documento de resgate da mercadoria junto ao transportador no destino final. De acordo com Gibertoni (2005, p. 201), Em tais condições, o conhecimento permite a circulação da propriedade da mercadoria, podendo esta ser vendida quando embarcada, a bordo, ainda em viagem, pela passagem do conhecimento de uma mão para outra, devidamente endossado, quando necessário.

35 Nos termos de análise precedente, o conhecimento de embarque como título de crédito, poderá ser emitido de três modos: nominativo à ordem, nominativo não à ordem e ao portador. Finalizado o estudo do contrato de transporte evidenciado pelo conhecimento de embarque, no capítulo a seguir, será apresentada a responsabilidade civil decorrente do contrato de fretamento marítimo e contrato de transporte evidenciado pelo conhecimento de embarque.

36 5 RESPONSABILIDADE CIVIL NOS CONTRATOS DE FRETAMENTO E DE TRANSPORTE EVIDENCIADO PELO CONHECIMENTO DE EMBARQUE PERANTE A LEGISLAÇÃO NACIONAL O termo responsabilidade está ligado à origem da própria palavra, derivada do latim respondere, que significa responder por alguma coisa. Logo, o termo responsabilidade serve para indicar a situação daquele que, por qualquer título, deva arcar com as consequências de um ato danoso. Neste sentido, a responsabilidade civil contribui na busca pela reparação do dano causado a alguém, justamente em função de um comportamento humano violador de um direito legal ou contratual. A responsabilidade civil para Diniz (1998, p. 42), É a aplicação de medidas que obriguem alguém a reparar o dano moral ou patrimonial causado a terceiros em razão de ato do próprio imputado, de pessoa por quem ele responde, ou de fato de coisa ou de animal sob a sua guarda, ou ainda, de simples imposição penal. Martins (2008, p. 324) afirma que, de fato, o prejuízo causado a terceiros é o dano, e este deve ser compreendido como a lesão de qualquer natureza, em prejuízo de um bem jurídico titulado pela lei. O dano pode ser dividido em dano patrimonial (ou material) e dano moral (ou pessoal ou extrapatrimonial). O dano patrimonial (material) consiste em uma lesão ao patrimônio material da vítima, resultando em uma desvalorização ou destruição do mesmo, sendo passível de avaliação pecuniária ou de indenização, para que o patrimônio afetado se reconduza ao status anterior ao dano. No dano patrimonial, o prejuízo se reveste de um valor econômico, atingindo diretamente o patrimônio do prejudicado, cuja indenização inclui os danos emergentes (damnum emergens), que constitui o prejuízo, iminente e/ou efetivo, e os lucros cessantes (lucrum cessans) correspondente ao que a vítima deixou de ganhar em consequência do ato ilícito do infrator. (ANJOS; CAMINHA GOMES, 1992, p. 228). O cálculo do dano patrimonial é feito através da diferença entre o bem deteriorado e o real valor do bem. Pode haver tanto o ressarcimento em dinheiro ou a restituição natural da coisa quando possível.

37 Já o dano moral, é a lesão a interesses não patrimoniais da vítima, ou seja, se reportam a valores de ordem espiritual, ideal ou moral. O dano moral limita-se ao campo da dignidade, da honra ou da moralidade de uma pessoa. Mas para efeito de responsabilidade civil, o dano moral é inverso ao patrimonial, portanto, abrange todos e quaisquer interesses extrapatrimoniais. (ANJOS; CAMINHA GOMES, 1992, p. 228). Partindo-se do conceito que a responsabilidade civil consiste na obrigação de reparar prejuízo em virtude do dano causado, e para a análise da responsabilidade civil nos contratos de fretamento e transporte marítimo evidenciado através do conhecimento de embarque, faz-se necessário estabelecer algumas distinções entre responsabilidade civil contratual e extracontratual. 5.1 Responsabilidade civil contratual e extracontratual No que diz respeito à responsabilidade civil, destaca-se o interesse na distinção entre a responsabilidade civil contratual da extracontratual 8. Tal diferenciação não se justifica à medida que, qualquer que seja a espécie de responsabilidade civil, sempre será apontado como pressuposto inicial a obrigação de reparar os prejuízos causados a outrem. Afirma Martins (2008, p. 328), que os elementos que se afiguram indispensáveis à configuração da responsabilidade civil, independente da distinção entre responsabilidade contratual e extracontratual, são: Fato lesivo, imputável, causado pelo agente por ação ou omissão voluntária (dolo), negligência, imprudência ou imperícia (culpa), incorrendo em violação patrimonial ou moral; ocorrência de dano patrimonial ou moral; e nexo de casualidade entre o dano patrimonial; ou moral. Cabe ressaltar, que as distinções existentes na responsabilidade contratual e extracontratual dizem respeito à matéria de prova ou à extensão dos efeitos do dano. 8 Também chamada AQUILIANA. (DINIZ, 1998, p. 24).

38 Na responsabilidade civil contratual, o dever de indenizar decorre do incumprimento das obrigações contratuais ou da mora no adimplemento total ou parcial de relações obrigacionais do ato negocial. Conforme Martins (2008), compete ao devedor suscitar ausência de pressupostos 9 da responsabilidade civil e provar que, inobstante o inadimplemento contratual, não estão presentes os pressupostos e/o não houve culpa. Por conseguinte, na responsabilidade civil extracontratual, o dever de indenizar decorre de atos ilícitos extracontratuais, ou seja, a obrigação de reparar o dano não está ligada à existência de um contrato, mas decorre de um comportamento impróprio. Sampaio (2003) sustenta que a responsabilidade extracontratual está relacionada a um comportamento socialmente reprovável, seja este por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violação de direito ou dano causado a terceiros, ainda que exclusivamente no âmbito moral. Na responsabilidade extracontratual, o ônus da prova, como regra geral, é da vítima, que deverá indicar os pressupostos da responsabilidade civil e provar a culpa do causador do dano. (MARTINS, 2008, p ). Diante da diferenciação entre responsabilidade civil contratual e extracontratual, a seguir, será apresentada a responsabilidade civil contratual atinente aos contratos de fretamento. 5.2 Responsabilidade civil contratual atinente ao contrato de fretamento No contrato de fretamento, as responsabilidades que dizem respeito à execução do contrato são sempre bem definidas, e se iniciam, com a obrigação do fretador em disponibilizar o navio ou seus serviços ao afretador, mediante retribuição. 9 Quatro são, portanto, os pressupostos da responsabilidade civil subjetiva ou clássica: 1. Ação ou omissão (comportamento humano). 2. Culpa ou dolo do agente. 3. Relação de casualidade. 4. Dano experimentado pela vítima. (SAMPAIO, 2003, p. 30).

39 No primeiro instante, o fretador tem a responsabilidade de disponibilizar um navio em boas condições de navegabilidade, e adequado aos interesses do afretador, independente da espécie de fretamento contratada. (GIBERTONI, 2005). Qualquer situação em contrário resultará em inadimplência contratual. O mesmo ocorre quando o afretador deixa de pagar o frete ou hire ao fretador. Em sequência, as responsabilidades decorrem das respectivas obrigações assumidas em gestão náutica e gestão comercial, nos termos da análise precedente. (MARTINS, 2008). Todavia, cabe ressaltar, que faz-se necessário uma análise mais profunda das responsabilidades por danos ocorridos a terceiros, verificados a seguir Responsabilidade civil perante terceiros Para análise da responsabilidade civil perante terceiros, faz-se necessário relembrar algumas características importantes relativas a cada espécie de contrato. No contrato a casco nu, conforme já analisado, o navio é entregue desarmado e desequipado, por prazo determinado, para a utilização do afretador na forma que este bem entender. Desta forma, o afretador torna-se perante terceiros e também perante o fretador, o único responsável por todos os assuntos relativos ao navio e às cargas transportadas por ele. Portanto, o afretador a casco nu é responsável tanto pela gestão náutica, quanto a pela gestão comercial do navio. Afirma Martins (2008), que o afretador ainda assume os danos causados ao navio ou às cargas em caso de colisão ou abalroação do navio, e que na hipótese do fretador ser considerado responsável solidário, o afretador deverá reembolsar todas as importâncias que o fretador for obrigado a pagar a terceiros, resultantes da exploração comercial do navio. Neste contexto, existe a figura de apenas um transportador marítimo: o afretador, que como tal, deverá responder por todos os danos causados à carga de terceiros.

40 Já no contrato por viagem ocorre o inverso, ou seja, todas as responsabilidades citadas acima correm por conta do fretador, pois no contrato por viagem, o fretador disponibiliza os serviços do navio ao afretador, para a realização de uma ou mais viagens pré-estabelecidas. Tanto a gestão náutica, quanto a gestão comercial continuam sob aêgide do fretador. Gibertoni (2005) afirma, que o afretador poderá utilizar os serviços do navio para o transporte de mercadorias próprias ou de terceiros. Em caso de transporte de mercadorias de terceiros, o afretador assume a situação jurídica de transportador perante os seus embarcadores, assumindo, por consequência, todas as responsabilidades atribuídas ao transportador marítimo. Por conta do contrato de fretamento inicial, o fretador responde ao afretador em casos de avarias ou perdas nas cargas, e, o afretador responde perante os seus embarcadores, contratualmente ligados, seja por subfretamento, ou por contrato de transporte. (MARTINS, 2008). No contrato de fretamento por tempo, a gestão é compartilhada, ou seja, todas as responsabilidades por avarias ou perdas decorrentes da gestão náutica são atribuídas ao fretador, e as decorrentes da gestão comercial são atribuídas ao afretador. Cabe ressaltar, que nesta modalidade de fretamento, o afretador é considerado o transportador perante os seus embarcadores, e por isso, assume todas as responsabilidades relativas às cargas, podendo responsabilizar o fretador em casos de danos provenientes da falta náutica. Ressalta-se que as responsabilidades perante terceiros atribuídas ao afretador ou fretador, quando caracterizados como transportadores, é igual a responsabilidade do transportador no contrato de transporte. Assim sendo, apresentar-se-á a responsabilidade civil do transportador decorrente do contrato de transporte, aplicável tanto ao afretador como ao fretador, dependendo do caso.

41 5.3 Responsabilidade civil contratual decorrente do contrato de transporte marítimo No contrato de transporte marítimo, a principal responsabilidade do transportador é proceder com a entrega da mercadoria no porto de destino, devendo entregar os bens confiados para o transporte nas mesmas condições recebidas, sob pena de se configurar, a rigor, o inadimplemento da obrigação assumida e, com ela, a respectiva responsabilidade. De acordo com Martins (2008), a responsabilidade do transportador é contratual e objetiva (independente de agir com culpa). Com efeito, o contrato de transporte é um contrato peculiar que tem a obrigação de fim e não de meio, onde o resultado positivo é imprescindível para o seu regular aperfeiçoamento. Nele, o devedor da obrigação, vincula-se ao resultado propriamente dito e não apenas aos meios para se obtê-lo. (CREMONEZE, 2009). Assim, torna-se obrigação do transportador entregar a mercadoria confiada a ele para transporte, nas mesmas condições em que foi recebida. Se o resultado final não for alcançado pelo transportador marítimo, implicará na inexecução da obrigação assumida por ele e, consequentemente, a figura da responsabilidade civil. Diante da possibilidade de não aperfeiçoamento do contrato de transporte, deve-se identificar, primeiramente, a figura do transportador marítimo, para então, identificar suas respectivas responsabilidades decorrentes da sua inadimplência contratual, ou ainda, as hipóteses de limitação ou exclusão das responsabilidades Da identificação do transportador No comércio marítimo, nem sempre a figura do armador coincide com a do transportador, ou seja, o transportador não precisa ser necessariamente o proprietário ou o armador do navio, e poderá nem sempre executar efetivamente o transporte.

42 Por este motivo, faz-se necessário a análise específica de um personagem muito importante do Direito Marítimo, alvo de acirradas e polêmicas discussões no âmbito da responsabilidade civil: o NVOCC (Non Vessel Operating Commom Carrier), conhecido no Brasil como transportador não proprietário de navio. Trata-se, em verdade, de um transportador (ou mesmo um armador) que exerce suas atividades sem navio, valendo-se, para tanto, dos navios de armadores constituídos. O NVOCC é, em síntese, um transportador que mantém o controle sobre parte do navio sem ter que comprá-lo, tampouco tomá-lo em contrato de afretamento e, mesmo, ocupar-se com sua administração. (CREMONEZE, 2009, p. 79). A vantagem em se contratar um NVOCC, está no fato, de que este oferece condições de transporte a pequenos embarcadores que possuem pequenos lotes de mercadorias a serem transportados, contudo, não encontram facilidades para seus embarques, justamente por não haver a necessidade da utilização de todo um container, mas apenas parte dele. Desta forma, o NVOCC, recebe diversas cargas, de diversos embarcadores, para unitização em apenas um container. Para formalizar a operação de transporte, o NVOCC emite para cada um dos embarcadores, um conhecimento de embarque relativo à carga confiada para o transporte, tornando-se perante os embarcadores, o transportador de fato. Todavia, cabe ressaltar, que anteriormente a emissão do conhecimento de embarque, o NVOCC recebeu do armador ou responsável pelo transporte do navio, um conhecimento de embarque em seu nome, relativo às cargas em geral que este irá embarcar. (CREMONEZE, 1999). Percebe-se então, a emissão de dois conhecimentos de embarque: um emitido pelo transportador em nome do NVOCC, e outro emitido pelo NVOCC em nome de um embarcador. No que tange a responsabilidade civil nessa situação, Cremoneze (2009, p. 81) afirma que, analisando-se estritamente a cadeia de responsabilidade civil contratual, tem-se que o NVOCC responde perante o dono da carga ou seu segurador e o transportador de fato, perante o NVOCC. Ocorre muitas vezes, de o NVOCC não ter patrimônio para responder pelos prejuízos decorrentes da inexecução do contrato de transporte. E como indica sua própria denominação, não tem navios para arrestos ou embargos.

43 Com efeito, sempre que o NVOCC não for capaz de arcar com os prejuízos causados em razão do inadimplemento do contrato de transporte, o transportador de fato será responsabilizado em conjunto com o NVOCC: A expedição de dois conhecimentos marítimos para um mesmo contrato de transporte não pode ser ferramenta do inadimplemento, mas, ao contrário, instrumento da responsabilidade conjunta, pois ambas as personagens do Direito Marítimo, NVOCC e transportador de fato, assumiram, em momentos diferentes, mas num mesmo contexto fático, o dever de transportar uma determinada carga. (CREMONEZE, 2009, p ). Importante ressaltar, que o contrato de transporte é um só, apenas dividido em dois instrumentos, razão pelo qual existe o vínculo jurídico entre o transportador de fato e o NVOCC, no que se refere à responsabilidade civil por qualquer evento danoso relacionado o transporte em geral da carga Responsabilidade civil do transportador pelas perdas e avarias nas cargas O transportador marítimo assume diversas obrigações em virtude do contrato de transporte e se descumprir qualquer uma delas, responderá por perdas e danos. O transportador marítimo é responsável pelas avarias ou extravios de mercadorias confiadas ao seu transporte de forma objetiva, isto é independentemente de culpa. Em outras palavras, ocorrendo problemas, com a carga embarcada, ele está a priori obrigado a ressarcir o dono das mercadorias dos prejuízos sofridos, tenha agido ou não com culpa no episódio. Essa obrigação decorre da sua condição de depositário da carga a bordo, pois todo o depositário, como guardião que é da coisa alheia, está obrigado a restituir a coisa depositada tal como ela lhe foi entregue. (CREMONEZE; MACHADO FILHO, 2009).

44 No instante em que recebe a mercadoria, o transportador assume a mesma natureza atribuída a um depositário. 10 A natureza de depositário implica no dever de cuidar da mercadoria, isto é, guardar, conservar e restituir tal como lhe foi confiada. Martins (2008) afirma, que o transportador poderá recusar transportar mercadorias perigosas ou embaladas inadequadamente, visando garantir a segurança do navio e das demais mercadorias a bordo, podendo, ademais, recusar mercadorias cujo transporte ou comercialização não sejam permitidos. Destaca-se ainda, que se constatadas irregularidades na mercadoria, o armador deverá incluir ressalvas no conhecimento de embarque, o que tornará o conhecimento sujo (unclean bill of loading). Martins (2008) ressalta que, a ressalva lançada no conhecimento de embarque não configura prova excludente da responsabilidade civil do transportador, apenas vem sendo considerada, em regra, como indício de prova. Na hipótese de perdas, para ter direito a indenização, o embarcador deverá demonstrar que sua mercadoria não chegou ao seu destinatário, e nas hipóteses de contrato de transporte firmado com a cláusula said to contain, geralmente mencionada nos conhecimentos onde as mercadorias são lacradas, a responsabilidade do transportador restringe-se ao transporte, não podendo ser responsabilizado pelo desaparecimento da carga. (MARTINS, 2008) Responsabilidade civil do transportador por atrasos No transporte marítimo, é admissível responsabilizar o transportador por atrasos na entrega da mercadoria. Como regra, o transportador deverá seguir a rota pré-estabelecida, não podendo alterá-la sem razão plausível. Todavia, poderão ocorrer situações onde o desvio de rota é necessário, como na hipótese de desvio com o propósito de preservar a vida humana ou a carga, ou ainda o próprio navio. Nesses casos, o desvio de viagem exclui a 10 O depositário é obrigado a ter na guarda e conservação da coisa depositada o cuidado e a diligência que costuma com o que lhe pertence, bem como a restituí-la, com todos os frutos e acrescidos, quando lhe exija o depositante. (Art , do Código Civil).

45 responsabilidade do transportador no que diz respeito a perdas e/ou danos decorrentes do atraso na entrega da mercadoria. (MARTINS, 2008). Segundo Salgues (2003), existem outras hipóteses que poderão ocasionar o atraso na entrega da mercadoria, como no caso do navio ficar retido em qualquer porto relativo a sua escala, ou se ficar provado que o atraso foi decorrente da condição de navegabilidade do navio. Em ambos os casos, o transportador responderá por perdas e/ou danos perante seus embarcadores. De acordo com Martins (2008), o atraso na entrega da mercadoria poderá ocorrer ainda em decorrência de arribada, o que é admissível, em regra, independente do prazo ajustado para a efetiva entrega da mercadoria Cláusulas de limitação de responsabilidade O Direito Brasileiro não reconhece a validade das cláusulas de exoneração de responsabilidade do transportador, 11 porém, vêm admitindo cláusulas limitativas de responsabilidade. A limitação de responsabilidade é amparada no Código Civil, art. 750: A responsabilidade do transportador, limitada ao valor constante do conhecimento, começa no momento em que ele, ou seus pressupostos, recebem a coisa; termina quando é entregue ao destinatário, ou depositada em juízo, se aquele não for encontrado. Regra geral, a cláusula de limitação de responsabilidade não se aplica em casos onde houve irregularidades no transporte, apenas em situações onde houve perda, avaria ou atraso. Cabe ressaltar, que a responsabilidade do transportador é prefixada independente de haver ocorrido ou não falta de sua parte. No que diz respeito ao valor a ser indenizado, Lanari (1999, p. 151) assevera que, a soma a indenizar [...] é reduzida consideravelmente pelo transportador que a estabelece no contrato a um determinado valor por unidade de volume ou peso, ou tendo em vista o importe do frete. 11 A Súmula 161 do STF dispõe que: Em contrato de transporte, é inoperante a cláusula de não indenizar.

46 Todavia, se configurada culpa grave, a cláusula de limitação torna-se inoperante à obrigação de indenização, isto porque, o valor da indenização poderá ser irrisória se comparado ao valor real da mercadoria Excludentes de responsabilidade civil do transportador marítimo A responsabilidade do transportador é objetiva, porém, poderá ocorrer situações previstas em lei, que eximirão o transportador da responsabilidade pela inexecução do contrato. De acordo com Martins (2008), o Direito Brasileiro consagra como excludentes de responsabilidade civil do transportador as hipóteses de ausência de nexo causal e culpa exclusiva, vício próprio ou redibitório, caso fortuito e força maior Ausência de nexo causal e culpa exclusiva Entende-se como nexo causal, o vínculo existente entre o prejuízo e a ação. Tal nexo representa uma relação necessária entre o evento danoso e a ação que produziu, de tal modo, que esta é considerada como sua causa. Contudo, não será necessário que o dano resulte imediatamente do fato que o produziu. Basta, apenas, que se verifique que o dano não teria acontecido se o fato não tivesse ocorrido. Segundo Diniz (2007), este poderá não ser a causa imediata do dano, mas, se for condição para a produção, o agente responderá pela consequência. No Direito Marítimo, precisamente no que diz respeito à responsabilidade civil do transportador, a ausência de nexo causal caracteriza como inexistente a responsabilidade civil do transportador marítimo, pois se não há fato ou omissão imputável ao devedor, não há o que ocorrer em mora. A culpa exclusiva da vítima também consagra como excludente a responsabilidade civil do transportador, e isto decorre da ausência de nexo causal.

47 Segundo Martins (2008, p. 560), [...] a responsabilidade civil pressupõe ação ou omissão do agente, excluindo a obrigação de indenizar se comprovada a culpa exclusiva da vítima, admissível nos contratos de transporte. Nesse mesmo sentido, na ausência de nexo causal se enquadra a hipótese de culpa exclusiva de terceiros, amparado pelo art. 14 do Código de Defesa do Consumidor Caso fortuito ou força maior O caso fortuito e força maior são as causas excludentes de responsabilidade mais utilizadas pelo transportador marítimo, e fazem parte do gênero fortuidade, sendo diferentes apenas, no que diz respeito ao agente causador. De acordo com Lanari (1999), enquanto no caso fortuito o agente causador é a força da natureza (tempestades, tufões, raios, tremores de terra, etc), na força maior, o agente causador é a conduta humana (greves, saques, incêndios, etc). Para efeito da exclusão de responsabilidade por caso fortuito ou força maior, é importante ressaltar que a caracterização da fortuidade depende de três pressupostos essenciais: imprevisibilidade, inesperabilidade e irresistibilidade. Segundo Cremoneze (2009), esses elementos precisam estar presentes ao mesmo tempo diante de um caso concreto, para se cogitar a ocorrência de fortuidade. A ausência de qualquer um deles invalida a invocação de fortuidade, levando-se em consideração que quem a invoca, terá o ônus de prová-la. Regra geral, Só se falará em fortuidade se o transportador marítimo conseguir provar, à luz do caso concreto, a ocorrência de um fenômeno imprevisível, inevitável e irresistível, sob pena de não se aproveitar alegação em tal sentido. Significa dizer que a falta de apenas um dos requisitos em destaque tem o condão de afastar eventual caracterização de fortuidade. (CREMONEZE, 2009, p. 105). A falta de qualquer dos elementos é o bastante para descaracterizar a fortuidade. Na prática, os transportadores tem-se utilizado da presença de apenas um dos requisitos para alegarem fortuidade, isto porque, ainda utilizam uma idéia a

48 muito ultrapassada, de que a expedição marítima é uma aventura, sujeita a riscos e perigos, todos imprevisíveis ao homem. Em sentido contrário, Cremoneze (2009), afirma que, atualmente, os navios são planejados e construídos no mais alto padrão de tecnologia, capazes de suportar os mais furiosos e tempestuosos mares. Além disso, a expansão da informática, permitiu a ciência meteorológica, os mais poderosos recursos de comunicação, e radares capazes de prevenir, a qualquer tempo, das condições adversas do mar e do clima. Desta forma, pode-se assegurar que, mesmo em uma adversidade climática, a alegação de fortuidade dificilmente resultará em exclusão de responsabilidade, pois a eficiência dos serviços de plotagem emite informações precisas e confiáveis das condições climáticas, dificultando a alegação de fortuidade pelo transportador. Naquilo que toca a conduta humana, por força maior, o roubo tem sido o aspecto mais discutido na doutrina e na jurisprudência brasileira. De acordo com Cremoneze (2009), muitos doutrinadores entendem que o roubo afasta a responsabilidade do transportador marítimo por eventual inadimplemento contratual, isto porque, defendem que o roubo é um acontecimento inevitável e, sendo também imprevisível, é de fato irresistível. Em contra-partida, o fato de a criminalidade ser frequente em um certo local, nos quais a pirataria não é tão difícil de ocorrer, torna-se previsível pelo transportador a ocorrência de roubos nesses lugares. Afinal, todo aquele que se dispõe a transportar mercadorias e valores sabe que, a qualquer momento, pode vir a ser vítima de roubo ou de um furto [..]. (CREMONEZE, 2009, p. 112). Diante de tais fatos, nunca é tarde lembrar, que o contrato de transporte resulta em obrigação de fim, na qual uma parte obriga-se a pagar uma quantia a outra parte, e esta por sua vez, obriga-se a transportar e assegurar a integridade da mercadoria até sua entrega no porto de destino. Qualquer hipótese de inexecução do contrato, resultará na responsabilidade do transportador.

49 Vício próprio e vício redibitório O vício próprio é a condição natural de certas coisas que tendem a se destruir ou avariar sem intervenção de terceiros. Para Lanari (1999) [...] é o prejuízo resultante de uma culpa só atribuída ao objeto que a sofre [...]. Afirma Martins (2008, p ), que o vício próprio, Compreende, efetivamente, todo e qualquer evento danoso, previsível ou imprevisível, que resulta na própria natureza da carga transportada, sem que ocorra direta ou indiretamente por culpa do transportador. Enquadramse dentre as hipóteses de vício próprio: evaporação ou vazamento de líqüidos; apodrecimento ou deterioração de cargas perecíveis; diminuição de peso e volume de mercadorias, fermentação, acidez ou efervescência de fluidos. Em sentido contrário, o vício oculto ou redibitório resulta em defeito a mercadoria transportada, pré-existente ao embarque, que impede sua utilização ou importa desvalorização. Ora, se os danos constatados nos bens confiados para o transporte marítimo preexistiam ao próprio transporte, não há que se falar em culpa do transportador. Mas, a prova da existência do vício [...] compete exclusivamente ao transportador marítimo [...]. (CREMONEZE, 2009, p. 101). Atente-se, ainda, que caberá ao transportador, a respectiva produção da prova, geralmente por meio de perícia judicial, excluindo sua responsabilidade por vício oculto da mercadoria. De acordo com Cremoneze (2009), não havendo prova específica para tal vício mantém-se, em desfavor do transportador, a responsabilidade pelo inadimplemento contratual. Importante ressaltar, que nas hipóteses de suspeitas de vício, é facultativo ao transportador, lançar ressalvas no conhecimento de embarque, tornando-o sujo (unclean on board). Martins (2008) assevera, que na ausência de ressalvas, o conhecimento de embarque, será considerado limpo (clean on board), e engendra, em tese, responsabilidade do transportador.

50 Por fim, é certo afirmar que a responsabilidade civil do transportador é objetiva, ou seja, independente de culpa, este sempre responderá pelos danos causados à terceiros. O transportador somente poderá se eximir de sua responsabilidade reparatória, caso tenha tomado todas as medidas de segurança para a carga, e tenha provado a ausência de nexo causal entre o fato danoso e a sua conduta perante o fato ocorrido, ou ainda nas hipóteses de ter ocorrido culpa exclusiva de terceiros, ou ainda por vício próprio da mercadoria.

51 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS O presente trabalho teve como objetivo destacar a responsabilidade civil nos contratos de fretamento e contrato de transporte marítimo evidenciado pelo conhecimento de embarque. Para o seu desenvolvimento, o trabalho foi dividido em três partes. Nos primeiros capítulos, foram apresentados os contratos de fretamento marítimo e transporte marítimo, respectivamente, e suas espécies principais. Pode-se identificar, o que contrato de fretamento marítimo distingue-se do contrato de transporte marítimo pelo seu elemento fundamental: a utilização do navio. No contrato de fretamento, o navio ou seus serviços são entregues ao afretador, mediante retribuição, para o transporte de mercadorias próprias ou de terceiros. O instrumento contratual é a carta-partida, e nela constam todos os termos e condições pactuadas entre as partes contratantes. No contrato de transporte marítimo, o transportador tem a obrigação de transportar a mercadoria de um ponto a outro pelo mar, sem a efetiva utilização do navio, tendo como obrigação a entrega da mercadoria no porto de destino, tal como lhe foi confiada para o transporte. O contrato de transporte é evidenciado através do conhecimento de embarque. Percebe-se através do estudo realizado, que na vigência desses contratos, poderão ocorrer avarias ou perda das cargas confiadas para o transporte, configurando inadimplência contratual, e consequentemente, a responsabilidade civil do transportador. Por fim, no terceiro capítulo, foi feita uma análise específica da responsabilidade do transportador, verificando-se ainda, as hipóteses excludentes de responsabilidade civil amparado pela legislação brasileira. Sendo assim, o objetivo geral deste trabalho foi alcançado, uma vez que foram identificadas a responsabilidade civil atinentes aos contratos de fretamento e contrato de transporte evidenciado pelo conhecimento de embarque, bem como, suas hipóteses excludente de responsabilidade.

52 REFERÊNCIAS ANJOS, José Haroldo dos; GOMES, Carlos Rubens Caminha. Curso de Direito Marítimo. Rio de Janeiro: Renovar, CREMONEZE, Paulo Henrique. Do direito marítimo e da responsabilidade civil do transportador marítimo: Aspectos jurídicos que Interessam ao seguro de transporte de cargas. Disponível em: < Acesso em: 09 maio CREMONEZE, Paulo Henrique; MACHADO FILHO, Rubens Walter. O não reconhecimento do roubo de cargas como causa legal excludente de responsabilidade do transportador rodoviário. Disponível em: < Acesso em: 09 maio FERNANDES, Paulo Campos; LEITÃO, Walter de Sá. Contratos de Afretamento: À luz dos Direitos Inglês E Brasileiro. Rio de Janeiro: Renovar, GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo curso de direito civil: volume III - Responsabilidade civil. 2. ed. rev., ampl. e atual. São Paulo, SP: Saraiva, GIBERTONI, Carla Adriana Comitre. Teoria e prática do direito marítimo. 2. ed. Rio de Janeiro: Renovar, LANARI, Flávia de Vasconcellos. Direito marítimo: contratos e responsabilide. Belo Horizonte: Del Rey, MARTINS, Eliane Maria Octaviano. Curso de direito marítimo, volume I. 3. ed. Baueri: Manole, MARTINS, Eliane M. Octaviano. Da incidência do código de defesa do consumidor nos contratos de transporte e fretamento marítimo. Disponível em: Acesso em: 22 abr MOURA, Geraldo Bezerra de. Direito de navegação em comércio exterior. 1. ed. São Paulo: Aduaneiras, RAPHAEL, Leandro. Direito marítimo. São Paulo: Aduaneiras, SALGUES, Oto. Contratos de afretamento e transporte no direito marítimo. Jus Navigandi, Teresina, ano 7, n. 65, maio Disponível em: < Acesso em: 07 set KEEDI, Samir; MENDONÇA, Paulo C. C. de. Transportes e seguros no Comércio Exterior. São Paulo: Aduaneiras, 2000.

53 SANTOS, Herez. Introdução ao Direito Marítimo. Disponível em: < Acesso em: 18 nov SANTOS, Theophilo de Azeredo. Direito da navegação (marítima e aérea): Jurisdição, Jurisprudência, Legislação. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, VIEIRA, Guilherme Bergmann Borges. Transporte internacional de cargas. São Paulo: Aduaneiras, 2003.

54 ASSINATURA DOS RESPONSÁVEIS Nome do estagiário Adeline Beatriz Couto Orientador de conteúdo Prof. Bruno Tussi, LL.M. (IMLI) Responsável pelo Estágio Profª. Natalí Nascimento

ASPECTOS JURÍDICOS NO TRANSPORTE DE CARGAS

ASPECTOS JURÍDICOS NO TRANSPORTE DE CARGAS Reis, Braun e Regueira advogados associados ASPECTOS JURÍDICOS NO TRANSPORTE DE CARGAS Baudilio Regueira I - Responsabilidade Civil no Transporte de Cargas II - Transporte Marítimo Contratos III - Transporte

Leia mais

10A. O instituto da responsabilidade civil no transporte marítimo

10A. O instituto da responsabilidade civil no transporte marítimo Duarte Lynce de Faria, 23 de novembro de 2016 10A. O instituto da responsabilidade civil no transporte marítimo Ano letivo 2016/17 10 A. O INSTITUTO DA RESPONSABILIDADE CIVIL NO TRANSPORTE MARÍTIMO A UTILIZAÇÃO

Leia mais

DÚVIDAS FREQUENTES CLAIMS DEPARTAMENTO DE FALTAS E AVARIAS MERCOSUL LINE

DÚVIDAS FREQUENTES CLAIMS DEPARTAMENTO DE FALTAS E AVARIAS MERCOSUL LINE DÚVIDAS FREQUENTES CLAIMS 2017 1. O que é um Claim? R.: Significa toda reclamação decorrente de algum problema relativo à carga, exemplificadamente, mas não exaustivamente toda perda, extravio e/ou avaria,

Leia mais

INCOTERMS GRUPO E ENTREGA NO ESTABELECIMENTO DO IMPORTADOR/ EXPORTADOR

INCOTERMS GRUPO E ENTREGA NO ESTABELECIMENTO DO IMPORTADOR/ EXPORTADOR Introdução Nas relações de Comércio Internacional, tanto o exportador quanto o importador devem agir de acordo com normas estabelecidas pelos órgãos competentes a fim de haver êxito na logística das mercadorias.

Leia mais

CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA ALUTAL

CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA ALUTAL CONDIÇÕES GERAIS DE VENDA ALUTAL As vendas dos produtos e a prestação de serviços da ALUTAL aos seus clientes e parceiros serão efetuadas de acordo com as presentes condições gerais de vendas, ressalvada

Leia mais

Estado do Pará GOVERNO MUNICIPAL DE SÃO DOMINGOS DO CAPIM Prefeitura Municipal de São Domingos do Capim

Estado do Pará GOVERNO MUNICIPAL DE SÃO DOMINGOS DO CAPIM Prefeitura Municipal de São Domingos do Capim TERMO DE REFERÊNCIA NÚMERO DO PROCESSO: 9/2018-00029 1.0. OBJETO. 1.1. Para atender às necessidades do(a), faz-se necessário a CONTRATAÇAO DE EMPRESA ESPECIALIZADA NO FORNECIMENTO DE TUBOS DE CONCRETO,

Leia mais

TERMO DE REFERÊNCIA USO Nº 126/2017

TERMO DE REFERÊNCIA USO Nº 126/2017 Contratação de empresa especializada em reparo e conserto de Televisão LG 42" Modelo 42LX530H-SB. 1. DA JUSTIFICATIVA O Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Rondônia SEBRAE/RO, visando garantir

Leia mais

CONTRATO DE ADESÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

CONTRATO DE ADESÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONTRATO DE ADESÃO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS 1. DAS PARTES De um lado, o SERVIÇO DE APOIO ÀS MICRO E PEQUENAS EMPRESAS DO ESTADO DE SÃO PAULO SEBRAE-SP, entidade associativa de direito privado, sem fins

Leia mais

AGENTE DE CARGA INTERNACIONAL

AGENTE DE CARGA INTERNACIONAL CURSO FORMAÇÃO AGENTE DE CARGA INTERNACIONAL PROGRAMA DO CURSO 0800-718-3810 / 4062-0660 - Ramal: 0405 www.abracomex.org /abracomexadm /abracomex FORMAÇÃO AGENTE DE CARGA INTERNACIONAL Carga horária: 360h

Leia mais

Termo Aditivo ao Contrato de Abertura, Movimentação e Manutenção de Conta de Depósito à Vista Adesão a Serviços de Banco Liquidante SELIC

Termo Aditivo ao Contrato de Abertura, Movimentação e Manutenção de Conta de Depósito à Vista Adesão a Serviços de Banco Liquidante SELIC Termo Aditivo ao Contrato de Abertura, Movimentação e Manutenção de Conta de Depósito à Vista Adesão a Serviços de Banco Liquidante SELIC CONTA CORRENTE (uso exclusivo do banco) Razão Social do Titular

Leia mais

Escola Secundária com 3º ciclo de Paços de Ferreira

Escola Secundária com 3º ciclo de Paços de Ferreira INCOTERMS CATARINA CAMPOS, Nº7 CATARINA PINTO, Nº8 12ºS INCOTERMS Os INCOTERMS (International Commercial Terms) podem ser considerados como um conjunto de regras internacionais de carácter facultativo

Leia mais

ESTADO DO ACRE Secretaria de Estado da Gestão Administrativa - SGA Secretaria Adjunta de Compras e Licitações. Comissão Permanente de Licitação CPL 03

ESTADO DO ACRE Secretaria de Estado da Gestão Administrativa - SGA Secretaria Adjunta de Compras e Licitações. Comissão Permanente de Licitação CPL 03 01ª RETIFICAÇÃO PREGÃO SRP Nº 728/2015 CPL 03 CGE Objeto: Contratação de pessoa jurídica para prestação de serviços de agenciamento de passagens aéreas em voo nacionais, solicitado através do OF Nº. 541/CGE/GAB

Leia mais

REGULAMENTO MULTIPONTOS MARTINS - RCA

REGULAMENTO MULTIPONTOS MARTINS - RCA REGULAMENTO MULTIPONTOS MARTINS - RCA PROGRAMA MULTIPONTOS MARTINS ( Programa ), desenvolvido pela empresa MARTINS COM. SERV. DISTRIBUIÇÃO SA ( MARTINS ), procura dar liberdade de escolha de prêmios aos

Leia mais

ANEXO I Termo de Referência Material Hidráulico - Válvula Redutora de Pressão

ANEXO I Termo de Referência Material Hidráulico - Válvula Redutora de Pressão ANEXO I Termo de Referência Material Hidráulico - Válvula Redutora de Pressão 1 DO OBJETO 1.1 A presente licitação tem por objeto o REGISTRO DE PREÇOS para futuras contratações de Empresas, visando à Aquisição

Leia mais

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 39/2011

INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 39/2011 * Publicada no DOE em 08/11/2011 INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 39/2011 Uniformiza os procedimentos a serem adotados por ocasião da fiscalização e controle das operações com mercadorias ou bens e das prestações

Leia mais

CONTRATO DE INTERMEDIAÇÃO EM OPERAÇÕES DE CÂMBIO. Pelo presente Instrumento Particular de Intermediação em Operações de Câmbio (o CONTRATO ),

CONTRATO DE INTERMEDIAÇÃO EM OPERAÇÕES DE CÂMBIO. Pelo presente Instrumento Particular de Intermediação em Operações de Câmbio (o CONTRATO ), CONTRATO DE INTERMEDIAÇÃO EM OPERAÇÕES DE CÂMBIO Pelo presente Instrumento Particular de Intermediação em Operações de Câmbio (o CONTRATO ), inscrito no CPF/MF sob nº residente na Bairro Cidade UF CEP

Leia mais

Instituições de Direito Público e Privado. Parte XII Notas Promissórias e Duplicatas

Instituições de Direito Público e Privado. Parte XII Notas Promissórias e Duplicatas Instituições de Direito Público e Privado Parte XII Notas Promissórias e Duplicatas 1. Títulos de Crédito Conceito e Generalidades Título de Crédito é um documento necessário para o exercício do direito

Leia mais

PROCEDIMENTO PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS PERIGOSAS V Importação, Cabotagem, Transbordo e Passagem de Cargas Perigosas

PROCEDIMENTO PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS PERIGOSAS V Importação, Cabotagem, Transbordo e Passagem de Cargas Perigosas PROCEDIMENTO PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS PERIGOSAS V.01 Entende-se como Cargas Perigosas quaisquer cargas que, por serem explosivas, gases comprimidos ou liqüefeitos, inflamáveis, oxidantes, venenosas,

Leia mais

Este Anexo é parte integrante do Regulamento aprovado na Assembleia Geral realizada no dia 08 de Abril de 2018

Este Anexo é parte integrante do Regulamento aprovado na Assembleia Geral realizada no dia 08 de Abril de 2018 1.0 DO OBJETIVO DO PLANO REGULAMENTO DE BENEFÍCIO - CARRO RESERVA 1.1 A destinação desse plano de benefício é disponibilizar, ora contratado, diárias de automóvel de aluguel para as pessoas físicas ou

Leia mais

SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE ITAGUARA (Autarquia Municipal) CNPJ: / Inscrição Estadual: Isento ANEXO VII CONTRATO N.º...

SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO DE ITAGUARA (Autarquia Municipal) CNPJ: / Inscrição Estadual: Isento ANEXO VII CONTRATO N.º... ANEXO VII CONTRATO N.º... CONTRATO DE FORNECIMENTO DE PÃES E LEITE QUE ENTRE SI FAZEM, DE UM LADO, SERVIÇO AUTÔNOMO DE ÁGUA E ESGOTO SAAE DE ITAGUARA, E, DE OUTRO,... DE CONFORMIDADE COM AS CLÁUSULAS E

Leia mais

PÓS-GRADUAÇÃO MBA - DIREITO IMOBILIÁRIO. Prof. Durval Salge Junior TURMAS 14 e 04 (on-line) 02/10/2018 LOCAÇÃO DE COISAS

PÓS-GRADUAÇÃO MBA - DIREITO IMOBILIÁRIO. Prof. Durval Salge Junior TURMAS 14 e 04 (on-line) 02/10/2018 LOCAÇÃO DE COISAS Prof. Durval Salge Junior TURMAS 14 e 04 (on-line) 02/10/2018 LOCAÇÃO DE COISAS Conceito: por este contrato alguém que tenha os poderes de uso e frutificação de bens não fungíveis, vai ceder esses poderes

Leia mais

SEGURO DE LUCROS CESSANTES

SEGURO DE LUCROS CESSANTES Data: 09/10/2017 Prova: PROVA REGULAR DEMAIS RAMOS MOD 2 - Tipo B Tipo: B SEGURO DE LUCROS CESSANTES 1) ANALISE AS PROPOSIÇÕES A SEGUIR E DEPOIS MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA O pequeno volume de arrecadação

Leia mais

TERMO DE REFERÊNCIA PARA CONTRATAÇÃO DE EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE PINTURA EXTERNA E PEQUENOS REPAROS Processo nº 10/2018

TERMO DE REFERÊNCIA PARA CONTRATAÇÃO DE EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE PINTURA EXTERNA E PEQUENOS REPAROS Processo nº 10/2018 TERMO DE REFERÊNCIA PARA CONTRATAÇÃO DE EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS DE PINTURA EXTERNA E PEQUENOS REPAROS Processo nº 10/2018 1 OBJETO 1.1 O objeto desta licitação é a contratação de empresa especializada

Leia mais

Regulamento da Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (RLESTA) Infrações e Penalidades

Regulamento da Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (RLESTA) Infrações e Penalidades 1 Regulamento da Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (RLESTA) Infrações e Penalidades SUMÁRIO Seção I - Disposições Gerais... 3 Seção II - Das Infrações Imputáveis aos Autores Materiais e das Penalidades...

Leia mais

SEGUROS DE TRANSPORTES E RCT

SEGUROS DE TRANSPORTES E RCT Data: 09/10/2017 Prova: PROVA REGULAR DEMAIS RAMOS MOD 2 - Tipo A Tipo: A SEGUROS DE TRANSPORTES E RCT 1) MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA Nos transportes internacionais, quando o transporte e a venda de mercadoria

Leia mais

II CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO MARÍTIMO E PORTUÁRIO [ ]

II CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO MARÍTIMO E PORTUÁRIO [ ] Centro de Direito Marítimo e dos Transportes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa Em Associação com o CIDP Centro de Investigação de Direito Privado da Faculdade de Direito da Universidade

Leia mais

Centro de Direito Marítimo e dos Transportes Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Centro de Direito Marítimo e dos Transportes Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa Centro de Direito Marítimo e dos Transportes Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa Em Associação com o CIDP Centro de Investigação de Direito Privado da Faculdade de Direito da Universidade de

Leia mais

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO CIVIL. Responsabilidade no Código de Defesa do Consumidor.

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO CIVIL. Responsabilidade no Código de Defesa do Consumidor. CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO EM DIREITO CIVIL. Aula Ministrada pelo Prof. Fábio Cáceres (Aula 05/12/2017). Responsabilidade no Código de Defesa do Consumidor. Responsabilidade por vício do produto ou serviço.

Leia mais

Curso/Disciplina: Direito Empresarial Objetivo / 2017 Aula: Endosso (Parte I) / Aula 35 Professor: Priscilla Menezes Monitora: Kelly Silva Aula 35

Curso/Disciplina: Direito Empresarial Objetivo / 2017 Aula: Endosso (Parte I) / Aula 35 Professor: Priscilla Menezes Monitora: Kelly Silva Aula 35 Curso/Disciplina: Direito Empresarial Objetivo / 2017 Aula: (Parte I) / Aula 35 Professor: Priscilla Menezes Monitora: Kelly Silva Aula 35 ENDOSSO é a maneira tradicional pelo qual os títulos de crédito

Leia mais

INCOTERMS. (International Commercial Terms / Termos Internacionais de Comércio)

INCOTERMS. (International Commercial Terms / Termos Internacionais de Comércio) INCOTERMS INCOTERMS (International Commercial Terms / Termos Internacionais de Comércio) Servem para definir, dentro da estrutura de um contrato de compra e venda internacional, os direitos e obrigações

Leia mais

CIANO SOLUÇÕES FINANCEIRAS,

CIANO SOLUÇÕES FINANCEIRAS, ACORDO COMERCIAL Pelo presente instrumento particular e na melhor forma de direito, de um lado, CIANO SOLUÇÕES FINANCEIRAS, inscrita no C.N.P.J. sob nº 17.457.873/0001-20, estabelecida na Rua Beira Rio

Leia mais

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESQUISA DE PUBLICAÇÕES OFICIAIS RECORTE ELETRÔNICO

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESQUISA DE PUBLICAÇÕES OFICIAIS RECORTE ELETRÔNICO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESQUISA DE PUBLICAÇÕES OFICIAIS RECORTE ELETRÔNICO DAS PARTES Este CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E GARANTIA LIMITADA é celebrado entre a Snap Informática Ltda.,

Leia mais

TERMOS DE USO E CONDIÇÕES GERAIS LBA DILIGÊNCIAS JURÍDICAS LTDA

TERMOS DE USO E CONDIÇÕES GERAIS LBA DILIGÊNCIAS JURÍDICAS LTDA TERMOS DE USO E CONDIÇÕES GERAIS LBA DILIGÊNCIAS JURÍDICAS LTDA Pelo presente instrumento e na melhor forma de direito, de um lado, denominado CORRESPONDENTE, a pessoa física ou jurídica, devidamente qualificada

Leia mais

Logística. Oliveira, Felipe Flausino de. Logística : incoterms / Felipe Flausino de Oliveira. Varginha, slides : il.

Logística. Oliveira, Felipe Flausino de. Logística : incoterms / Felipe Flausino de Oliveira. Varginha, slides : il. Logística Oliveira, Felipe Flausino de. O48l Logística : incoterms / Felipe Flausino de Oliveira. Varginha, 2015. 23 slides : il. Sistema requerido: Adobe Acrobat Reader Modo de Acesso: World Wide Web

Leia mais

TERMO DE REFERÊNCIA ITEM CATMAT DESCRIÇÃO QUANTIDADE

TERMO DE REFERÊNCIA ITEM CATMAT DESCRIÇÃO QUANTIDADE TERMO DE REFERÊNCIA 1. OBJETO 1.1 O presente termo de referência tem por objeto a aquisição de Bomba hidráulica centrífuga, trifásica, potência mínima de 1 CV, vazão mínima de 5 m³/h para 20 m.c.a., Tensão

Leia mais

CONTRATO PARA O FORNECIMENTO DE CALCÁRIO ENSACADO

CONTRATO PARA O FORNECIMENTO DE CALCÁRIO ENSACADO CONTRATO PARA O FORNECIMENTO DE CALCÁRIO ENSACADO Poder Executivo de Vale do Sol, pessoa jurídica de direito público, CNPJ nº 94.577.574/0001-70, representado neste ato pelo Prefeito Municipal, Sr. Clécio

Leia mais

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO DIRETORIA DE INFRAESTRUTURA. ANEXO l TERMO DE REFERÊNCIA

PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO DIRETORIA DE INFRAESTRUTURA. ANEXO l TERMO DE REFERÊNCIA PODER JUDICIÁRIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE PERNAMBUCO DIRETORIA DE INFRAESTRUTURA ANEXO l TERMO DE REFERÊNCIA AQUISIÇÃO DE MATERIAIS ELETRICOS A SEREM UTILIZADOS NA CENTRAL DE AUDIÊNCIAS ALA NORTE DO 5 PAVIMENTO

Leia mais

PROCEDIMENTO PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS PERIGOSAS V Importação, Cabotagem, Transbordo e Passagem de Cargas Perigosas

PROCEDIMENTO PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS PERIGOSAS V Importação, Cabotagem, Transbordo e Passagem de Cargas Perigosas PROCEDIMENTO PARA MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS PERIGOSAS V.03 1. Importação, Cabotagem, Transbordo e Passagem de Cargas Perigosas O armador responsável pela embarcação que transporta a carga perigosa deverá

Leia mais

SEGURO DE LUCROS CESSANTES. A forma de contratação de cobertura de Lucros Cessantes que tem como público-alvo os complexos industriais denomina-se:

SEGURO DE LUCROS CESSANTES. A forma de contratação de cobertura de Lucros Cessantes que tem como público-alvo os complexos industriais denomina-se: Data: 29/05/2017 Prova: DEMAIS RAMOS - REG - MÓD. 2 - Tipo B Tipo: B SEGURO DE LUCROS CESSANTES 1) MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA A forma de contratação de cobertura de Lucros Cessantes que tem como público-alvo

Leia mais

SEGURO DE LUCROS CESSANTES

SEGURO DE LUCROS CESSANTES Data: 29/05/2017 Prova: DEMAIS RAMOS - REG - MÓD. 2 Tipo A Tipo: A SEGURO DE LUCROS CESSANTES 1) MARQUE A ALTERNATIVA CORRETA No Seguro de Lucros Cessantes, a garantia compreendida na cobertura básica,

Leia mais

Prof. Mariana M Neves DIREITO DO CONSUMIDOR

Prof. Mariana M Neves DIREITO DO CONSUMIDOR Prof. Mariana M Neves DIREITO DO CONSUMIDOR RESPONSABILIDADE CIVIL NO CDC Ato Lesivo Dano nexo causal Código Civil Art. 927. Aquele que, por ato ilícito, causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo.

Leia mais

ROTEIRO QUERO SER UMA PLATAFORMA DE CROWDFUNDING

ROTEIRO QUERO SER UMA PLATAFORMA DE CROWDFUNDING BAPTISTA LUZ ADVOGADOS R. Ramos Batista. 444. Vila Olímpia 04552-020. São Paulo SP baptistaluz.com.br ROTEIRO QUERO SER UMA PLATAFORMA DE CROWDFUNDING Para se tornar uma plataforma de crowdfunding de investimento,

Leia mais

Considerando que há interesse do LOCATÁRIO na locação desses equipamentos de propriedade da LOCADORA,

Considerando que há interesse do LOCATÁRIO na locação desses equipamentos de propriedade da LOCADORA, CONTRATO DE LOCAÇÃO DE EQUIPAMENTOS PARA SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES Pelo presente instrumento particular, as partes a seguir designadas: VELOMAX TENCNOLOGIA EIRELI., sociedade empresária com sede na

Leia mais

Orientações Consultoria de Segmentos NFC-e e as Modalidades do Frete

Orientações Consultoria de Segmentos NFC-e e as Modalidades do Frete NFC-e e as 31/03/2017 Sumário 1 Questão... 3 2 Normas Apresentadas pelo Cliente... 3 3 Análise da Consultoria... 3 3.1 Frete Modalidades... 4 3.2 Frete tipo CIF... 4 3.3 Frete tipo FOB... 5 3.4 Quanto

Leia mais

Centro de Direito Marítimo e dos Transportes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa

Centro de Direito Marítimo e dos Transportes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa Centro de Direito Marítimo e dos Transportes da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa Em Associação com o CIDP Centro de Investigação de Direito Privado da Faculdade de Direito da Universidade

Leia mais

Conhecimentos Bancários

Conhecimentos Bancários Conhecimentos Bancários Cheque Professor Lucas Silva Conhecimentos Bancários Aula XX CHEQUES CARACTERÍSTICAS BÁSICAS O cheque é uma ordem de pagamento à vista, porque deve ser pago no momento de sua apresentação

Leia mais

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESQUISA DE PUBLICAÇÕES OFICIAIS RECORTE ELETRÔNICO

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESQUISA DE PUBLICAÇÕES OFICIAIS RECORTE ELETRÔNICO CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE PESQUISA DE PUBLICAÇÕES OFICIAIS RECORTE ELETRÔNICO DAS PARTES Este CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E GARANTIA LIMITADA é celebrado entre a Snap Informática Ltda.,

Leia mais

Para utilizar o Acad Facil, é indispensável a aceitação dos termos descritos a seguir.

Para utilizar o Acad Facil, é indispensável a aceitação dos termos descritos a seguir. Termos de Uso Para utilizar o Acad Facil, é indispensável a aceitação dos termos descritos a seguir. Este Contrato de Licença de Usuário Final ("EULA") é um acordo legal entre licenciado (pessoa Física

Leia mais

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (PROMOÇÃO DE VENDAS E DEMONSTRAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS)

CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (PROMOÇÃO DE VENDAS E DEMONSTRAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS) CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS (PROMOÇÃO DE VENDAS E DEMONSTRAÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS) IDENTIFICAÇÃO DAS PARTES CONTRATANTES CONTRATANTE: MUNDIALSAT DO BRASIL, pessoa jurídica de classificação ME,

Leia mais

PARECER À IMPUGNAÇÃO AO EDITAL DO PREGÃO PRESENCIAL I DO RELATÓRIO

PARECER À IMPUGNAÇÃO AO EDITAL DO PREGÃO PRESENCIAL I DO RELATÓRIO Pregão Presencial nº. 22/2015 Processo Licitatório nº: 107/2015 Impugnante: ONILDO DE SOUZA EPP PARECER À IMPUGNAÇÃO AO EDITAL DO PREGÃO PRESENCIAL I DO RELATÓRIO Trata-se de impugnação interposta, tempestivamente,

Leia mais

FLUXOGRAMA DE EXPORTAÇÃO

FLUXOGRAMA DE EXPORTAÇÃO FLUXOGRAMA DE EXPORTAÇÃO 1. PLANEJAMENTO Novos mercados; Mais lucros; Mais empregos Separar uma parte da produção para o mercado interno e outra para o mercado externo, pois a exportação é um processo

Leia mais

Manual de Normas CCB, CCCB, CCE E NCE

Manual de Normas CCB, CCCB, CCE E NCE CCB, CCCB, CCE E NCE Versão: 21/08/2015 Documento Público 2 / 11 MANUAL DE NORMAS CCB, CCCB, CCE E NCE SUMÁRIO CAPÍTULO I DO OBJETIVO... 3 CAPÍTULO II DOS PARTICIPANTES... 3 Seção I Do Registrador de CCB,

Leia mais

EXTRATO DO CONTRATO DE REPRESENTANTE DE SEGUROS DA ASSURANT SEGURADORA S.A.

EXTRATO DO CONTRATO DE REPRESENTANTE DE SEGUROS DA ASSURANT SEGURADORA S.A. EXTRATO DO CONTRATO DE REPRESENTANTE DE SEGUROS DA ASSURANT SEGURADORA S.A. Partes do Contrato Objeto do contrato Seguro(s) oferecido(s) Venda direta Meios de oferta do seguro Obrigações do Seguradora,

Leia mais

Manual de Normas Cetip I Sistema de Contratos. Cetip I Sistema de Contratos

Manual de Normas Cetip I Sistema de Contratos. Cetip I Sistema de Contratos Cetip I Sistema de Contratos 1 Sumário CAPÍTULO I DAS DISPOSIÇÕES GERAIS... 3 Seção I. Objetivo... 3 CAPÍTULO II DAS INFORMAÇÕES... 3 Seção I. Inclusão de Informações pelos Participantes... 3 Seção II.

Leia mais

Termo Aditivo ao Contrato de Abertura, Movimentação e Manutenção de Conta de Depósito à Vista.

Termo Aditivo ao Contrato de Abertura, Movimentação e Manutenção de Conta de Depósito à Vista. Termo Aditivo ao Contrato de Abertura, Movimentação e Manutenção de Conta de Depósito à Vista. Adesão aos Serviços de Custódia de Títulos do Agronegócio e Outras Avenças CONTA CORRENTE (uso exclusivo do

Leia mais

CONTRATO DE ADESÃO AO PROGRAMA BOLSA DE ESTUDO

CONTRATO DE ADESÃO AO PROGRAMA BOLSA DE ESTUDO CONTRATO DE ADESÃO AO PROGRAMA BOLSA DE ESTUDO CONSIDERANDO que o PORTAL BOLSAS DE ESTUDO firmou Contrato de Prestação de Serviços com a Instituição de Ensino Superior, através do qual a IES disponibiliza

Leia mais

TERMO DE CONDIÇÕES GERAIS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS

TERMO DE CONDIÇÕES GERAIS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS TERMO DE CONDIÇÕES GERAIS PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE CARGAS 1. OBJETO DO TERMO 1.1 Este TERMO apresenta as Condições Gerais de Prestação de Serviço de Transporte Rodoviário de

Leia mais

PROJETO BÁSICO FORNECIMENTO DE GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO

PROJETO BÁSICO FORNECIMENTO DE GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO PROJETO BÁSICO FORNECIMENTO DE GÁS LIQUEFEITO DE PETRÓLEO 1. DO OBJETO 1.1 Contratação de empresa especializada no fornecimento de bens de consumo em entrega parcelada de Gás Liquefeito de Petróleo GLP,

Leia mais

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS CONTADOR

CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS CONTADOR CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS CONTADOR 26. Considere os seguintes elementos: - Análise de balanços - Entidade - Balanço Patrimonial Os respectivos significados desses elementos são: a) Técnica, princípio e

Leia mais

ANEXO I.I TERMO DE REFERÊNCIA

ANEXO I.I TERMO DE REFERÊNCIA ANEXO I.I TERMO DE REFERÊNCIA 1.0. OBJETO. 1.1. Para atender às necessidades da Nova Ipixuna, faz-se necessário a CONTRATAÇÃO DE EMPRESA PARA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE LOCAÇÃO DE PALCO, SONORIZAÇÃO, ILUMINAÇÃO,

Leia mais

TERMO DE REFERÊNCIA O prazo para entrega será de até 10 (Dez) dias úteis, a partir da assinatura do contrato;

TERMO DE REFERÊNCIA O prazo para entrega será de até 10 (Dez) dias úteis, a partir da assinatura do contrato; Aquisição licenças de software Prezi Business, para criação e armazenamento de apresentações, tanto offline quanto nas nuvens. Compatível com uma grande variedade de dispositivos, entre desktops, tablets

Leia mais

MODELO DE CONTRATO DE SEGURO DE AUTOMÓVEL CONTRATO DE SEGURO DIRETO DE AUTOMÓVEL

MODELO DE CONTRATO DE SEGURO DE AUTOMÓVEL CONTRATO DE SEGURO DIRETO DE AUTOMÓVEL MODELO DE CONTRATO DE SEGURO DE AUTOMÓVEL CONTRATO DE SEGURO DIRETO DE AUTOMÓVEL IDENTIFICAÇÃO DAS PARTES CONTRATANTES CONTRATANTE: (Nome do Segurado), com residência na Rua (...), nº (...), bairro (...),

Leia mais