Pragas da Cultura do Café
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- Margarida Alencar de Caminha
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1 Pragas da Cultura do Café
2 ADULTO: Broca-do-café, Hypothenemus hampei Coleoptera: Scolytidae * Besourinho preto *As fêmeas apresentam asas membranosas normais e voam. *Os machos possuem as asas posteriores (membranosas) atrofiadas, não voam e permanecem dentro das sementes nos frutos de onde se originaram.
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5 Proporção dos sexos: um macho para 10 fêmeas. Macho Fêmea Adultos broca-do-café, Hypothenemus hampei (Coleoptera: Scolytidae).
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7 Biologia -Após o acasalamento a fêmea perfura o fruto -Abre um túnel até a semente -Inicia a postura
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11 30 dias
12 Ciclo de ovo a adulto
13 Normalmente, a infestação começa em outubro a dezembro, época de trânsito da broca, quando ela deixa os frutos que lhe serviram de abrigo para infestar novos frutos. Condições microclimáticas de alta umidade (ou seja, espaçamentos menores e lavouras bem enfolhadas) favorece o aumento da praga.
14 Perdas econômicas causadas pela broca. 1.Perda de peso no café beneficiado devido aos danos das larvas da broca. 2.Queda de frutos novos broqueados. 3.Apodrecimento de grãos de frutos broqueados Fruto cai precocemente no chão. Fruto caído apodrece.
15 4. Depreciação do tipo e da bebida, pelo aumento do número de defeitos: Grãos brocados, quebrados, preto verde e preto ardido Grãos contaminados por microrganismos. Grãos com presença de resíduos de insetos Na classificação por tipo, Cinco(5) grãos broqueados: constitui 1 defeito. Presença de microorganismos nas galerias construídas pela broca altera a qualidade da bebida.
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19 Frutos atacados pela broca e com posterior infecção por fungos
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21 Manejo da broca em cafeeiro 1.Controle cultural Espaçamento Os cafezais devem ser plantados em espaçamentos que permitam arejamento e penetração de luz, a fim de propiciar baixa umidade em seu interior, condições desfavoráveis à praga.
22 2. Colheita (repasse) A colheita deve ser bem feita devendo-se evitar que fiquem frutos nas plantas e no chão. Essas brocas sobrevivem na entressafra e poderão infestar a nova frutificação. Depois da colheita fazer o repasse ou catação dos frutos remanescentes na planta e no solo.
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24 3.Local de início da colheita A colheita deve ser iniciada nos talhões que apresentam cafeeiros mais infestados para evitar a dispersão para outros locais. Eliminar os cafeeiros não explorados comercialmente (talhões velhos, já improdutivos) com o objetivo de reduzir fontes de infestação da broca.
25 4. Controle biológico 4.1. Fungo Beauveria bassiana (existem formulações comerciais, como o Boveril)
26 4.2.Parasitóides da broca: parasitóide de larvas e pupas da broca. *vespa de Uganda Prorops nasuta (Hymenoptera: Bethylidae)
27 *Vespa da Costa do Marfim: Cephalonomia stephanoderis
28 5. CONTROLE COM ARMADILHA ISCA 500 ml de Metanol (álcool metílico comercial) 500 ml de Álcool de cozinha (álcool etílico comercial) 10 g de café puro torrado ou moído ou 6 g de café solúvel Colocar em um vidro transparente de 10 ml, com uma tampa de borracha com furo de 2mm de diâmetro na parte central da tampa. Água + detergente
29 *Ao entrar na armadilha, o inseto vai de encontro à parede interna da garrafa e cai na solução de água e detergente, morrendo afogado. *Pode ser usada como método de controle ou em integração com outros métodos de combate à praga, como o uso do fungo Beauveria bassiana. *Colocar 25 dispositivos por hectare, com espaçamento de 20 metros entre cada um. *Plantas jovens: prender as armadilhas em estacas fixadas a 1,20 metro do solo. *No cafeeiro adulto, colocar as garrafas nos galhos. *Trocar a água com detergente e a mistura de metanol toda semana.
30 MONITORAMENTO Do período de trânsito da broca (outubro a dezembro) até a colheita TALHÃO DE 2000 COVAS AVALIAÇÃO DE 50 COVAS POR TALHÃO COLETAR 100 FRUTOS POR COVA (25 de cada face da planta) DO TERÇO MÉDIO/INFERIOR, AO REDOR DA PLANTA NIVEL DE CONTROLE 5% DE FRUTOS ATACADOS
31 Bicho-mineiro, Leucoptera coffeella Lepidoptera: Lyonetiidae -África: origem -Hoje: mundo todo -Mariposa pequena, de coloração branca
32 Características * Postura à noite * Ovos na parte superior da folha, depositados isoladamente * 7 ovos por noite (60)
33 -As lagartas penetram diretamente no mesófilo foliar (não entram em contato com o meio) -Destruição do parênquima -As regiões atacadas vão secando
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36 * As lagartas abandonam o interior das folhas, saindo pela página inferior * Confeccionam um casulo em forma de X
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40 Sintomas
41 Bicho mineiro: porque produz minas nas folhas devido à destruição do mesófilo foliar Diminui a área foliar Diminui a fotossíntese Provoca queda de folhas
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45 Antes de 1970, esta praga era frequente apenas no período seco do ano, com poucos prejuízos. Posteriormente, passou a ocorrer, também, no período chuvoso. Em geral, a população de P. coffeella é maior em cafezais com maiores espaçamentos; portanto, mais abertos e arejados.
46 Em regiões mais quentes ocorre maior número de gerações, com maior risco de prejuízos. Assim, em São Paulo, nas regiões da Paulista, Alta Paulista e Noroeste, a praga ocorre em altas infestações quase o ano todo. Na região da Mogiana (São Paulo) e Sul de Minas, onde as temperaturas são menores, a praga ocorre em determinadas épocas e em níveis populacionais menores.
47 Perdas econômicas causadas pelo bicho mineiro 1.Desfolha drástica até julho Não ocorre a formação de botões florais normais em setembro/outubro. Não há frutificação. 2.Desfolha drástica entre agosto e outubro. Há formação de botões florais normais em setembro/outubro e fecundação, mas com baixo pegamento de frutos.
48 3. Longevidade do cafeeiro. Menor longevidade devido às desfolhas drásticas que ocorrem anualmente. As plantas desfolhadas gastam mais energia para recompor a parte aérea destruída.
49 Danos -Até 37% (SP) e 53% (MG) de prejuízos -Redução capacidade fotossintética -Queda das folhas: 82% das folhas com lesões caem precocemente.
50 Manejo do bicho mineiro do cafeeiro Controle biológico natural 1. Vespas predadoras As vespas predadoras dilaceram a epiderme superior ou inferior da lesão à procura das larvas.
51 5 Perioto et al. Pesquisa & Tecnologia, vol. 8, n. 2, Jul-Dez 2011 Vespas predadoras. 5. Polybia paulista Ihering, 6. Brachygastra lecheguana Latreille, 6
52 2. Vespas parasitoides A fêmea do parasitóide detecta a larva dentro da lesão. Em cada larva o parasitóide coloca somente um ovo. Ocorre 18% de parasitismo da larva do bicho mineiro por microhimenópteros.
53 Orgilus niger Penteado-Dias (Hymenoptera: Braconidae). Fotomicrografia: PqC Dra. Rogéria Inês Rosa Lara. Vespas parasitoides Stiropius reticulatus Penteado-Dias (Hymenoptera: Braconidae). Fotomicrografia: PqC Dra. Rogéria Inês Rosa Lara.
54 Controle químico Monitoramento Talhão de ± 2000 covas, coletar folhas em 20 covas, sendo 5 folhas por cova. Coletar folhas do 4º par de folhas a partir do ápice do ramo. Coletar folhas do ramo localizado na saia da planta.
55 Posição das folhas em ramos de cafeeiros
56 NÍVEL DE CONTROLE EM SÃO PAULO 1. Ocorrência no período seco (julho a agosto) 40% de folhas minadas com lagartas vivas 2. Ocorrência no período chuvoso (dezembro a fevereiro) 20% de folhas minadas com lagartas vivas.
57 NÍVEL DE CONTROLE EM MINAS GERAIS Em Minas Gerais, o nível de controle é de 30% nas regiões de clima ameno (como o sul de Minas) e de 20% nas regiões mais quentes (como o Triangulo e Alto Paranaiba).
58 Considerações -Fungicidas cúpricos e uso indiscriminado de inseticidas podem alterar o complexo de parasitoides causando explosões populacionais do bicho mineiro. Piretroides e fungicidas cúpricos pode provocar aumento populacional do ácaro vermelho, Oligonychus ilicis.
59 Oligonychus ilicis Ácaro vermelho do cafeeiro Roberto Lomba Nicastro
60 Foto: Carlos Amadeu de Oliveira
61 Foto: Eng.Agr. Eduardo Mosca
62 Foto: Eng.Agr. Eduardo Mosca
63 Foto: Eng.Agr. Eduardo Mosca
64 Foto: Eng.Agr. Eduardo Mosca
65 Foto: Eng.Agr. Eduardo Mosca
66 Cochonilhas: Coccus viridis Saissetia coffeae Planococcus spp. Orthezia praelonga
67 Sintomas e Danos: Devido à sucção de seiva e introdução de toxinas Amarelecimento de folhas Desfolhamento de plantas Queda prematura de frutos Frutos pequenos Maturamento precoce de frutos Definhamento e morte de plantas
68 Sintomas e Danos * Devido à excreção de substância açucarada Desenvolvimento de fumagina: fungo Capnodium sp. de coloração preta que pode recobrir a superfície foliar dificultando a fotossíntese.
69 Folhas com fumagina devido à infestação de cochonilhas
70 Cochonilha verde - Coccus viridis Fotos: Heraldo Negri de Oliveira
71 Cochonilha-parda Saissetia coffeae
72 Planococcus spp.
73 Planococcus sp. em cafeeiro Santa-Cecília et al. Centro de Pesquisa em Manejo Ecológico de Pragas e Doenças de Plantas-EcoCentro/EPAMIG/Lavras-MG
74 Planococcus sp. em cafeeiro Santa-Cecília et al. Centro de Pesquisa em Manejo Ecológico de Pragas e Doenças de Plantas-EcoCentro/EPAMIG/Lavras-MG
75 Planococcus sp. em cafeeiro Santa-Cecília et al. Centro de Pesquisa em Manejo Ecológico de Pragas e Doenças de Plantas-EcoCentro/EPAMIG/Lavras-MG
76 Cochonilha-de-placa, Orthezia praelonga Ataca várias frutíferas, dentre elas citros e outras espécies de plantas, como o café, plantas ornamentais e plantas daninhas
77 Cochonilha Orthezia praelonga em folha de cróton
78 ovissaco Fêmea de cochonilha Orthezia praelonga em folhas de cróton
79 Cochonilha-da-raiz, Dysmicoccus cryptus -Vive nas raízes de cafeeiros novos formando nodosidades, e pela sucção de seiva, causam definhamento das plantas com amarelecimento e queda total das folhas.
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81 Cochonilha-da-raiz, Dysmicoccus cryptus
82 Santa-Cecília et al. Centro de Pesquisa em Manejo Ecológico de Pragas e Doenças de Plantas-EcoCentro/EPAMIG/Lavras-MG
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84 Cochonilha-da-raiz, Dysmicoccus cryptus Plantas com até 3 anos de idade em solos arenosos são as mais prejudicadas
85 Como realizar a inspeção Examinar a região do colo e interior da planta, raízes e rosetas com botões florais e frutos. Anotar a presença de formigas doceiras. Constatada a presença da praga, identificar as reboleiras e efetuar o controle.
86 Santa-Cecília et al. Centro de Pesquisa em Manejo Ecológico de Pragas e Doenças de Plantas-EcoCentro/EPAMIG/Lavras-MG
87 Controle químico Coccus viridis, Saissetia coffeae: Óleo mineral Planococcus spp.: clorpirifós (organoforado) - Lorsban Orthezia: fenpropatrina (piretróide) Dysmicoccus: tiametoxam (Actara); dissulfotom (Baysiston)
88 Controle biológico natural * Coccinelidae (joaninhas): Azya luteipes Pentilia egena
89 Cigarras Quesada gigas
90 Cigarras: Quesada gigas (principal) e outras: Dorisiana drewseni; Dorisiana viridis; Fidicinoides pronoe; Carineta fasciculata; Carineta spoliata; Carineta matura -A fêmea coloca os ovos no interior da casca dos ramos do cafeeiro com o uso do ovipositor -Ninfas penetram no solo (20 a 50 cm) -Fixam-se nas raízes, onde sugam a seiva - A fase ninfal dura mais de um ano e no seu final as ninfas abandonam o solo por orifícios circulares
91 Ninfa da cigarra Quesada gigas em raiz do cafeeiro. Rogério Antonio Silva - EPAMIG
92 -Fixam-se em seguida no tronco das plantas durante algum tempo (ninfa imóvel) -Rompe-se o tegumento na região dorsal do tórax e emergem os adultos, deixando a exúvia
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94 -Devido à sucção de seiva, as plantas apresentam uma clorose nas folhas da extremidade dos ramos, semelhante a deficiências nutricionais -Queda precoce de folhas e frutos - Extremidades dos ramos secam -São registradas, em ataques intensos, até 400 ninfas por cova, o que pode levar a planta à morte
95 Controle com armadilha sonora
96 A armadilha é deslocada dentro da lavoura, em cima de uma carreta puxada pelo trator. Como o som alcança um raio de 80 metros, o caminhamento deve ser feito pelos carreadores e a distância entre os mesmos deve ser de, no máximo, 160 metros.
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99 *Devem ficar ligadas de 30 a 40 minutos por ponto de amostragem. O rendimento do levantamento por armadilha e de 20 a 30 ha/dia. *A máquina deve percorrer a mesma área todos os dias, pois todas as noites surgem novas fêmeas que devem ser eliminadas. UTILIZAR DE SETEMBRO A OUTUBRO
100 CONTROLE QUÍMICO * Utilização de inseticidas sistêmicos para o bicho-mineiro, aumentando-se a dose em 20 a 30% * A poda, após o controle em altas infestações, pode favorecer a recuperação da planta
101 Tecnologia de aplicação do controle químico
102 Tecnologia de aplicação do controle químico
103 Aplicação via drench ou esguicho com equipamento costal em cafeeiro. Usado em áreas muito declivosas e pequenas propriedades. O mesmo equipamento pode ser usado em citros e outras plantas de grande porte
104 Aplicação tratorizada tipo drench ou esguicho em cafeeiro. O equipamento possui uma haste que aciona o esguicho ao ser pressionada contra o tronco da planta Fonte: Correio Bayer, 2002.
105 Detalhe do equipamento. O solo deve estar livre de folhas, para que o produto não fique retido e seja absorvido pelas raízes das plantas Fonte: Correio Bayer, 2002.
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