Direito Internacional Público
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- João da Fonseca Nunes
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1 Direito Internacional Público Professor Diogo Sens CACD Aula 1: Caráter jurídico do DIP
2 Conceito de DIP Direito das Gentes x Direito Internacional; Ubi societas, ubi ius: sociedade internacional; Tratado de Westphalia (1648): Estados independentes e juridicamente iguais; Sociedade Internacional: descentralizada, regida por coordenação, e não subordinação.
3 Monismo x Dualismo Monismo radicial: normas internacionais são hierarquicamente superiores às constituições nacionais; Monismo nacional: constituições nacionais são hierarquicamente superiores às normas internacionais; Dualismo radical: normas internacionais devem ser recepcionadas como lei interna; Dualismo moderado: normas internacionais devem ser recepcionadas por ordem de execução.
4 Monismo x Dualismo Monismo radicial: normas internacionais são hierarquicamente superiores às constituições nacionais; Monismo nacional: constituições nacionais são hierarquicamente superiores às normas internacionais; Dualismo radical: normas internacionais devem ser recepcionadas como lei interna; Dualismo moderado: normas internacionais devem ser recepcionadas por ordem de execução.
5 Monismo x Dualismo Superação da discussão: Tratados: processo legislativo (subjetivamente complexo); Costumes: aplicação imediata (monismo); Decisão de OI: decreto de execução (tratado constitutivo) Tratado de direitos humanos: bloco de constitucionalidade/bloco de convencionalidade.
6 Voluntarismo x Objetivismo Soberania dos Estados x submissão aos princípios da sociedade internacional; Superação: Direito Internacional de Cooperação; Normas de coexistência x normas de cooperação; Paz de Westphalia x pós-2gm (ONU); Interdependência complexa: global commons.
7 Ordenamento jurídico internacional Produção normativa descentralizada: não há hierarquia entre as normas de DIP (ius cogens) Normas criadas pelos próprios destinatários; Ausência de órgão central de coerção (coerção pelos próprios Estados: desigualdade material) Naming e shaming (Direitos Humanos).
8 Coercitividade do DIP Norberto Bobbio: normas promocionais ; Princípio da reciprocidade; Cooperação: realização da finalidade dos Estados (e da sociedade internacional); Paz e segurança, defesa dos direitos humanos e promoção do desenvolvimento, proteção do meio ambiente; justiça formal, justiça distributiva e justiça intergeracional.
9 Objetivos do DIP Reduzir a anarquia ; Regulamentar a cooperação internacional ; Conferir tutela adicional a questões cuja importância transcende as fronteiras estatais. Portela. Direito Internacional Público e Privado
10 Direito Internacional Privado Não faz parte do DIP, mas do Direito Interno (LINDB, antiga LICC; e CPC); Conflitos de lei/jurisdição no espaço; Elementos de conexão: território, domicílio, nacionalidade e autonomia da vontade.
11 Direito Internacional Privado Conflito de jurisdição (art , CPC) Competência concorrente (88): domiciliado no Brasil, obrigação executada no Brasil, ato ou fato ocorrido no Brasil; Competência exclusiva (89): imóveis localizados no Brasil, inventário ou partilha de bens no Brasil
12 Direito Internacional Privado Conflito de lei (LINDB): elementos de conexão Sujeito (pessoa jurídica): aplica-se a lei do local de sua constituição (art. 11); Sujeito (pessoa física): aplica-se a lei do domicílio (arts. 7º e 10); Objeto (bens imóveis): aplica-se a lei do local onde o bem se encontra (art. 8º); Objeto (bens móveis): aplica-se a lei do domicílio do dono do bem (art. 8º, 1º); Ato jurídico: aplica-se a lei do local de celebração do contrato/constituição da obrigação (art. 9º).
13 Exemplo de Prova Terceira Fase (CACD 2013) Comente o trecho seguinte, adaptado da obra de Serge Sur: "Há certamente um vocabulário jurídico nas relações internacionais, toda uma coleção de acordos e compromissos, mas isso não seria apenas a aparência dissimulada da realidade nua das relações de força e, para citar Bismarck, o poder normativo dos fatos. Extensão do texto: máximo de 60 linhas [valor: 30 pontos]
14 Exemplo de Prova Terceira Fase O excerto da obra de Serge Sur e a menção ao estadista alemão Otto von Bismarck evidenciam a relevância do vínculo entre as relações internacionais e as normas do Direito Internacional. Referência é feita à concepção clássica de Direito Internacional, mediante a qual são reguladas as relações de coexistência entre os sujeitos internacionais por excelência, os Estados soberanos. O fulcro dessas relações é a definição da paz e da guerra as relações de força do excerto, fenômenos lícitos e recorrentes no sistema de coerção descentralizado do Direito Internacional Clássico.
15 Exemplo de Prova Terceira Fase A transição entre a vigência do Direito Internacional Clássico e o advento do Direito Internacional Contemporâneo é marcada por transformações relevantes ao debate introduzido pelo trecho de Sur. A primeira dessas transformações vincula-se ao ius ad bellum, uma vez que o atual Direito Internacional restringe sobremaneira o recurso à força nas relações internacionais. A Carta da ONU é que encabeça essas normas internacionais de limitação da força às hipóteses de legítima defesa, de ameaça à segurança internacional (por conta de ameaça à paz, ruptura da paz e ato de agressão) e de luta anticolonial, sendo todas essas hipóteses sujeitas às deliberações do Conselho de Segurança da ONU quanto a sua pertinência. Após a prevalência da licicitude da guerra até o início do século XX, a tentativa de implementar a chamada moratória da paz na Liga das Nações e a proscrição do recurso à força como política de Estado propugnada pelo Pacto Briand-Kellogg, não se pode dizer que o direito de ir à guerra é, atualmente, mera aparência dissimulada da realidade, mas, sim, um conjunto de normas que constrange o emprego da força a hipóteses muito específicas.
16 Exemplo de Prova Terceira Fase A segunda transformação que caracteriza o Direito Internacional Contemporâneo é a ascensão de normas internacionais cujo fundamento de validade não decorre da vontade estatal. Em outros termos, a teoria voluntarista, que advoga a volição dos Estados soberanos como fundamento para a validade das normas de Direito Internacional e que explica grande parte das normas internacionais vigentes, passa a dividir terreno com a teoria objetivista, segundo a qual a realidade objetiva de certas normas internacionais independe da vontade estatal. A Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados é comprovação contumaz dessa coexistência voluntarista-objetivista, por ser resultante da vontade estatal que reconhece que normas convencionais que conflitem com normas de jus cogens cuja vigência está acima das volições soberanas são nulas ao Direito Internacional. Assenta-se não só o poder normativo dos fatos, mas também o poder mesmo das normas.
17 Exemplo de Prova Terceira Fase A terceira transformação decorrente da ascensão do Direito Internacional Contemporâneo é o surgimento de novos sujeitos, para além dos Estados soberanos. Organizações internacionais tiveram sua personalidade jurídica reconhecida já na década de 1940, quando o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça sobre o Caso Bernadotte esclareceu a existência de direitos e de obrigações internacionais das OIs. Indivíduos têm seus direitos protegidos pelas normas do Direito Internacional dos Direitos Humanos e por tribunais permanentes, principalmente em âmbito regional a exemplo da Corte Interamericana de Direitos Humanos. O dever de respeitar as normas imperativas de Direito Internacional cogente por parte dos indivíduos é assinalado pelas hipóteses de jurisdição do Tribunal Penal Internacional quanto a crimes contra a humanidade, crimes de guerra e de genocídio.
18 Exemplo de Prova Terceira Fase A densidade incrementada do vocabulário jurídico nas relações internacionais é decorrência de um Direito Internacional Contemporâneo em que há restrição ao uso da força, normas independentes da vontade estatal e novos titulares de direitos e de obrigações. Tais transformações são coerentes com o robustecimento do Direito Internacional de cooperação, para solução de problemas comuns aos sujeitos internacionais, e de solidariedade, para proteção de um núcleo duro de valores compartilhados por toda a humanidade. HEITOR FIGUEIREDO SOBRAL TORRES (30/30)
19 Bibliografia Paulo Henrique Gonçalves Portela. Direito Internacional Público; Peter Haberle. Estado Constitucional Cooperativo.
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