Florianópolis, agosto de 2000.
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- Derek Alcântara Alves
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1 LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO TECNOLÓGICO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL NÚCLEO DE PESQUISA EM CONSTRUÇÃO LABORATÓRIO DE EFICIÊNCIA ENERGÉTICA EM EDIFICAÇÕES DISCIPLINA: ECV DESEMPENHO TÉRMICO DE EDIFICAÇÕES LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE Desempenho térmico de edificações LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE Roberto Lamberts, PhD Enedir Ghisi, M.Eng. Ana Lígia Papst, M.Eng. LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE LabEEE Florianópolis, agosto de 2000.
2 Desempenho térmico de edificações 2 LabEEE Sumário 1 Conforto térmico Mecanismos de termo-regulação A pele Trocas térmicas entre corpo e ambiente As variáveis de conforto térmico Metabolismo A vestimenta Temperatura radiante média Temperatura do ar Velocidade do ar Umidade relativa do ar Índices de conforto A carta bioclimática O índice de temperatura efetiva O voto médio predito O programa Analysis Bioclimatologia Estratégias bioclimáticas Zona de conforto Ventilação Resfriamento evaporativo Massa térmica para resfriamento Resfriamento artificial Umidificação Massa térmica e aquecimento solar Aquecimento solar passivo Aquecimento artificial O programa Analysis Proteções solares Movimentos da Terra Rotação Translação ao redor do Sol Diagramas solares Transferidor de ângulos Projeto de proteções solares Traçado de máscaras Brise horizontal infinito Brise vertical infinito Brise horizontal finito Brise vertical finito Brises mistos Desempenho térmico de paredes e coberturas Desempenho térmico de paredes Formas de transmissão de calor Condução Convecção Radiação...29 Tipo de superfície...29 Tipo de superfície Condensação Comportamento dos materiais opacos diante da radiação solar...30 Tipo de superfície Desempenho térmico de coberturas Exemplos...33
3 Desempenho térmico de edificações 3 5 Desempenho térmico de janelas Vidro comum Vidros especiais Fluxo de calor através da janela Exemplos Ventilação Ventilação de inverno e de verão Mecanismos de ventilação Ventilação natural por diferença de temperatura Ventilação natural por diferença de pressão causada pelo vento Cálculo de ventilação por efeito do vento Exemplo Exemplo do uso das Diretrizes Construtivas para Habitações Unifamiliares de Interesse Social no Zoneamento Bioclimático Brasileiro Exemplo Concluindo Consumo de eletricidade em edificações Uso final de eletricidade no Brasil Uso final de eletricidade em outros países Simulações O programa DOE 2.1E Referências bibliográficas Anexos Apresentação Esta apostila, preparada para a Disciplina ECV Desempenho Térmico de Edificações - do Curso de Engenharia Civil da Universidade Federal de Santa Catarina está estruturada de forma a tratar do tema Desempenho Térmico de Edificações através de 8 diferentes módulos. O primeiro deles está relacionado às variáveis de conforto térmico humano em edificações e aos índices de avaliação de conforto. A seguir, ressalta-se a importância da adoção de padrões arquitetônicos relacionados ao clima no qual se insere a edificação através da bioclimatologia. O projeto e a avaliação de proteções solares são apresentadas no terceiro módulo. No quarto e quinto módulos avalia-se o desempenho térmico de paredes, coberturas e janelas como forma de alertar para a escolha adequada de componentes construtivos. No sexto módulo discute-se a necessidade de ventilação do ambiente construído e apresenta-se um algoritmo para cálculo das condições de ventilação em ambientes. No sétimo módulo exemplifica-se como avaliar a eficiência da edificação ao clima que ela está inserida. No oitavo e último módulo apresenta-se um panorama mundial referente ao consumo de eletricidade em edificações. Ementa Conforto térmico: variáveis e índices de conforto. Arquitetura bioclimática. Desempenho térmico de paredes, coberturas e janelas. Proteções solares: diagramas solares e projeto de brises. Ventilação: ventilação de inverno e verão, mecanismos de ventilação, cálculo de ventilação natural por efeito do vento. Consumo e uso final de eletricidade em edificações: simulações computacionais.
4 Desempenho térmico de edificações 4 1 Conforto térmico Define-se Conforto Térmico como o estado mental que expressa a satisfação do homem com o ambiente térmico que o circunda. A não satisfação pode ser causada por sensação de desconforto pelo calor ou pelo frio Mecanismos de termo-regulação Reação ao calor Com o verão existem dificuldades para eliminar o calor devido a alta temperatura do meio. Desta forma, origina-se a vasodilatação. Esta aumenta o volume de sangue acelerando o ritmo cardíaco provocando a transpiração. Reação ao frio Com o frio existem as dificuldades para manter o calor devido a baixa temperatura do meio. Desta forma origina-se a vasoconstrição. Esta provoca a diminuição do volume de sangue e do ritmo cardíaco. O arrepio e o tiritar provocam atividade, gerando calor A pele Em função do que já foi visto, pode-se afirmar que é através da pele que se realizam as trocas de calor, ou seja, a pele é o principal órgão termo-regulador do organismo humano. A temperatura da pele é regulada pelo fluxo sangüíneo que a percorre, ou seja, quanto mais intenso o fluxo, mais elevada sua temperatura. Ao sentir desconforto térmico, o primeiro mecanismo fisiológico a ser ativado é a regulagem vasomotora do fluxo sangüíneo da camada periférica do corpo, a camada subcutânea, através da vasodilatação ou vasoconstrição, reduzindo ou aumentando a resistência térmica dessa camada subcutânea. Outro mecanismo de termo-regulação da pele é a transpiração, que tem início quando as perdas por convecção e radiação são inferiores às perdas necessárias à termo-regulação Trocas térmicas entre corpo e ambiente A quantidade de calor liberado pelo organismo é função da atividade desenvolvida. Este calor será dissipado através de mecanismos de trocas térmicas entre o corpo e o ambiente envolvendo: - trocas secas: - condução; - convecção; - radiação; - trocas úmidas: - evaporação. O calor perdido para o ambiente através das trocas secas é denominado calor sensível e é função das diferenças de temperatura entre o corpo e o ambiente. O calor perdido através das trocas úmidas é denominado calor latente e envolve mudanças de fase o suor (líquido) passa para o estado gasoso através da evaporação As variáveis de conforto térmico As variáveis de conforto térmico são função da atividade física (metabolismo), da resistência térmica oferecida pela vestimenta e dos parâmetros ambientais:
5 Desempenho térmico de edificações 5 - temperatura do ar; - temperatura radiante média; - velocidade do ar; - umidade relativa do ar. Além disso, variáveis como sexo, idade, raça, hábitos alimentares, peso, altura etc exercem influência nas condições de conforto de cada pessoa e devem ser consideradas Metabolismo É o processo de produção de energia interna a partir de elementos combustíveis orgânicos, ou seja, através do metabolismo, o organismo adquire energia. Porém, de toda energia produzida pelo organismo humano, apenas 20% é transformada em potencialidade de trabalho. Os 80% restantes são transformados em calor que deve ser dissipado para que a temperatura interna do organismo seja mantido em equilíbrio. Isto acontece porque a temperatura interna do organismo humano deve ser mantida praticamente constante em 37 o C (variando entre 36,1 e 37,2 o C). Os limites para sobrevivência estão entre 32 e 42 o C. Como a temperatura interna do organismo deve ser mantida constante, quando o meio apresenta condições térmicas inadequadas, o sistema termo-regulador do homem é ativado, reduzindo ou aumentando as perdas de calor pelo organismo através de alguns mecanismos de controle, como reação ao frio e ao calor. Quando o organismo, sem recorrer a nenhum mecanismo de termo-regulação, perde para o ambiente o calor produzido pelo metabolismo compatível com a atividade realizada, experimenta-se a sensação de conforto térmico. A tabela 1 apresenta dados relativos ao calor dissipado pelo corpo em função da atividade do indivíduo. Tabela 1. Taxa metabólica para diferentes atividades segundo ISO 7730 (1994) A vestimenta Atividade Metabolismo (W/m 2 ) Reclinado 46 Sentado, relaxado 58 Atividade sedentária (escritório, escola etc.) 70 Fazer compras, atividades laboratoriais 93 Trabalhos domésticos 116 Caminhando em local plano a 2 km/h 110 Caminhando em local plano a 3 km/h 140 Caminhando em local plano a 4 km/h 165 Caminhando em local plano a 5 km/h 200 A vestimenta equivale a uma resistência térmica interposta entre o corpo e o meio, ou seja, ela representa uma barreira para as trocas de calor por convecção. A vestimenta funciona como isolante térmico, pois mantém junto ao corpo uma camada de ar mais aquecido ou menos aquecido, conforme seja mais ou menos isolante, conforme seu ajuste ao corpo e a porção do corpo que cobre. Em climas secos (desertos), onde se atinge elevadas temperaturas, poderia-se pensar
6 Desempenho térmico de edificações 6 que a ausência de roupas poderia garantir condições mais confortáveis para os habitantes destas regiões. No entanto, em climas secos, vestimentas adequadas podem manter a umidade advinda do organismo pela transpiração e evitar a desidratação. A vestimenta reduz o ganho de calor relativo à radiação solar direta, as perdas em condições de baixo teor de umidade e o efeito refrigerador do suor. A vestimenta reduz também a sensibilidade do corpo às variações de temperatura e de velocidade do ar. Sua resistência térmica depende do tipo de tecido, da fibra, do ajuste ao corpo, e deve ser medida através das trocas secas relativas a quem usa. Sua unidade é o clo (que origina de clothes). Assim: 1 clo = 0,155 m 2. o C/W = 1 terno completo. A tabela 2 apresenta o índice de resistência térmica (I cl ) para as principais peças de roupa, sendo que o índice de resistência térmica (I) para a vestimenta de uma pessoa será, segundo a ISO 7730 (1994), o somatório de I cl, ou seja, I = ΣI cl Tabela 2. Índice de resistência térmica para vestimentas segundo ISO 7730 (1994). Vestimenta Índice de resistência térmica I cl (clo) Meia calça 0,10 Meia fina 0,03 Meia grossa 0,05 Calcinha e sutiã 0,03 Cueca 0,03 Cuecão longo 0,10 Camiseta de baixo 0,09 Camisa de baixo mangas compridas 0,12 Camisa manga curta 0,15 Camisa fina mangas comprida 0,20 Camisa manga comprida 0,25 Camisa flanela manga comprida 0,30 Blusa com mangas compridas 0,15 Saia grossa 0,25 Vestido leve 0,15 Vestido grosso manga comprida 0,40 Jaqueta 0,35 Calça fina 0,20 Calça média 0,25 Calça flanela 0,28 Sapatos 0, Temperatura radiante média A temperatura radiante média representa a temperatura uniforme de um ambiente imaginário no qual a troca de calor por radiação é igual ao ambiente real não uniforme.
7 Desempenho térmico de edificações 7 O seu cálculo pode ser feito através da determinação da temperatura de termômetro de globo e da temperatura do ar. As equações 1 e 2 apresentam a sua forma de determinação, respectivamente, para convecção natural e forçada. t r Convecção natural = ( tg + 273) + 0,4x10 x 4 tg ta x g a ( t t ) 273 (1) t r Convecção forçada , = ( t + 273) + 2, g x xv x g a ( t t ) 273 (2) Onde t g t a V é a temperatura de termômetro de globo ( o C); é a temperatura do ar ( o C); é a velocidade do ar (m/s). Para definir a equação a ser utilizada deve-se determinar o coeficiente de troca de calor por convecção do globo apresentado nas equações 3 e 4 e adotar-se a temperatura radiante média para a forma de convecção que apresentar o maior coeficiente de troca de calor. h = 1 4 cg,. 4 Convecção natural T D Convecção forçada 0, 6 V h = 6 3 cg, 0, 4 D (3) (4) Onde h cg é o coeficiente de troca de calor por convecção do globo; T é a diferença de temperatura (t g - t a ); D é o diâmetro do globo (normalmente 15 cm); V é a velocidade do ar (m/s) Temperatura do ar A temperatura do ar não é conseqüência da ação direta dos raios do sol, pois o ar é transparente a todos os comprimentos de ondas eletromagnéticas. O processo ocorre indiretamente: a radiação solar atinge o solo onde é absorvida em parte e transformada em calor. Portanto, a temperatura do solo aumenta e, por convecção, aquece o ar. A temperatura do ar será conseqüência, portanto, de um balanço energético onde intervém: A radiação solar incidente e o coeficiente de absorção da superfície receptora; A condutividade e a capacidade térmica do solo que determinam a transmissão de calor por condução; As perdas por evaporação, convecção e radiação.
8 Desempenho térmico de edificações 8 O resultado destes fenômenos simultâneos é que a temperatura do ar começa a elevarse a partir da saída do sol, chegando a um máximo que ocorre cerca de duas horas após a passagem do sol pelo meridiano como conseqüência do calor armazenado na Terra. A partir deste momento, o balanço começa a ser negativo: a energia perdida, especialmente por radiação em direção as altas camadas da atmosfera, é maior que a recebida, fazendo com que a temperatura da superfície da Terra comece a descer até alcançar um mínimo pouco antes do nascer do sol. Por que a amplitude térmica é maior em climas secos do que em climas úmidos? Os climas secos caracterizam-se por sua baixa umidade e pouca nebulosidade. Nos climas úmidos, durante o dia, a radiação é menor por causa da nebulosidade, além do que, as perdas por evaporação são favorecidas devido à umidade que cobre o solo. Desta forma, a temperatura superficial não atinge os valores dos solos secos. Durante a noite, as nuvens se interpõem entre a superfície e as camadas altas da atmosfera, que têm uma temperatura muito baixa, originando uma perda menor por radiação. Ao mesmo tempo, ao diminuir a temperatura superficial numa atmosfera saturada de umidade, produz-se elevada condensação acompanhada de liberação de calor, fazendo com que a temperatura atinja valores maiores do que no clima seco Velocidade do ar Uma das principais causas da distribuição dos ventos no globo é o desequilíbrio de radiação entre as latitudes baixas e altas. O aquecimento desigual da Terra e de sua atmosfera pela radiação solar gera energia potencial, parte da qual se transforma em energia cinética pela elevação do ar quente e descida do ar frio. No caso de regiões marítimas, durante o dia, o movimento do ar acontece do mar para a terra, e durante a noite, da terra para o mar. Isto se deve ao fato da terra se aquecer mais facilmente que a água. Portanto, durante o dia, o ar próximo ao solo se aquecerá, subirá e permitirá o movimento do ar fresco do mar para a terra. Durante a noite, a terra resfria mais facilmente e a água que armazenou o calor durante o dia, aquece o ar próximo permitindo a sua subida e a substituição pelo ar fresco vindo da terra Umidade relativa do ar A umidade é caracterizada pela quantidade de vapor d água contido no ar. Este vapor se forma pela evaporação da água, processo que supõe a mudança do estado líquido ao gasoso, sem modificação da sua temperatura. O ar, a uma determinada temperatura, somente pode conter uma certa quantidade de vapor de água. Quando chegamos a esse valor máximo dizemos que o ar está saturado. Ultrapassado este limite, ocorre a condensação, no qual o vapor excedente passa ao estado líquido, provocando o aumento da temperatura da superfície onde ocorre a condensação. Estes processos dão lugar a uma forma particular de transferência de calor: um corpo perde calor por evaporação que será ganho por aquele no qual se produz a condensação. A umidade do ar conjuntamente com a velocidade do ar intervém na perda de calor por evaporação. Como aproximadamente 25% da energia térmica gerada pelo organismo é eliminada sob a forma de calor latente (10% por respiração e 15% por transpiração) é importante que as condições ambientais favoreçam estas perdas. À medida que a temperatura do meio se eleva, dificultando as perdas por convecção e radiação, o organismo aumenta sua eliminação por evaporação. Isto mostra a importância de
9 Desempenho térmico de edificações 9 uma ventilação adequada. Porém, quando a temperatura do ar é superior a da pele, a pessoa estaria ganhando calor por convecção. Mas, ao mesmo tempo se produz um fenômeno de efeito contrário, já que a circulação do ar acelera as perdas por evaporação. No momento em que o balanço começa a ser desfavorável, ou seja, quando apenas ganharíamos calor, a umidade do ar tornase importante. Se o ar está saturado, a evaporação não é possível, o que faz a pessoa começar a ganhar mais calor assim que a temperatura do ar seja superior a da pele. No caso em que o ar está seco, as perdas continuam ainda com as temperaturas mais elevadas. Assim, a umidade absoluta representa o peso de vapor d água contido em uma unidade de massa de ar (g/kg) e a umidade relativa, a relação entre a umidade absoluta do ar e a umidade absoluta do ar saturado para a mesma temperatura. A figura 1 apresenta uma carta psicrométrica, onde pode-se obter a umidade relativa do ar em função das temperaturas de bulbo úmido (TBU) e seco (TBS). No anexo 1 apresenta-se a mesma carta em formato A-4. Figura 1. Carta psicrométrica Índices de conforto Com o intuito de avaliar o efeito conjunto das variáveis de conforto térmico, alguns pesquisadores sugerem diferentes índices de conforto térmico. De forma geral, estes índices são desenvolvidos fixando um tipo de atividade e a vestimenta do indivíduo para, a partir daí, relacionar as variáveis do ambiente e reunir, sob a forma de cartas ou nomogramas, as diversas condições ambientais que proporcionam respostas iguais por parte dos indivíduos. Existem vários índices de conforto térmico, porém, para fins de aplicação às condições ambientais correntes nos edifícios e para as condições climáticas brasileiras, serão
10 Desempenho térmico de edificações 10 apresentados apenas três: - carta bioclimática; - temperatura efetiva; - voto médio predito A carta bioclimática Esta carta foi desenvolvida por Olgyay e organizada em função da temperatura de bulbo seco e da umidade relativa do ar (OLGYAY, 1973). A carta bioclimática apresentada na figura 2 foi desenvolvida para habitantes de regiões de clima quente, em trabalho leve e com vestimenta de 1 clo. Deve-se atentar que combinações de temperatura de bulbo seco e umidade relativa que recaiam fora da zona de conforto representam situações que podem obter conforto térmico com a incidência de ventos ou de radiação solar, respectivamente, para pontos acima e abaixo da zona de conforto. Figura 2. Carta bioclimática de Olgyay segundo KOENIGSBERGER et alii (1980) O índice de temperatura efetiva O índice de temperatura efetiva, desenvolvido por Yaglow e Houghten em 1923, correlaciona as sensações de conforto com as condições de temperatura, umidade e velocidade do ar e é apresentado sob a forma de um nomograma, conforme mostra a figura 3.
11 Desempenho térmico de edificações 11 Figura 3. Temperatura efetiva e efetiva corrigida para 1 clo segundo KOENIGSBERGER et alii (1980). Em 1932, Vernon e Warner apresentaram uma proposta de correção para este índice, utilizando a temperatura do termômetro de globo em vez da temperatura do ar, para base dos cálculos, pois a temperatura de radiação, sendo superior ou inferior à temperatura do ar, proporciona alterações na sensação de conforto. A figura 4 apresenta este nomograma.
12 Desempenho térmico de edificações 12 Figura 4. Temperatura efetiva e efetiva corrigida para 0,1 clo segundo KOENIGSBERGER et alii (1980) O voto médio predito Este método foi desenvolvido por Fanger (FANGER, 1972) e é considerado o mais completo dos índices de conforto pois analisa a sensação de conforto em função das 6 variáveis. Faz uma relação entre o voto médio predito (PMV Predicted Mean Vote) e a porcentagem de pessoas insatisfeitas (PPD Predicted Percentage of Dissatisfied). Este índice prevê o voto de um grande grupo de pessoas através da escala mostrada na tabela 3.
13 Desempenho térmico de edificações 13 Tabela 3. Escala térmica de Fanger. Escala Sensação +3 muito quente +2 quente +1 levemente quente 0 neutro -1 levemente frio -2 frio -3 muito frio Porém, este índice deve ser usado apenas para valores entre 2 e +2, pois acima destes limites teríamos aproximadamente mais de 80% das pessoas insatisfeitas (ISO 7730, 1984), como pode-se perceber na figura 5. Figura 5. PMV e PPD. Devido as diferenças individuais é difícil especificar um ambiente térmico que satisfaça a todos, sempre haverá uma percentagem de insatisfeitos. Segundo a ISO 7730, um ambiente é considerado termicamente aceitável quando PPD < 10%, ou seja, -0,5 < PMV < +0, O programa Analysis Este programa, desenvolvido no NPC, visa tornar mais acessível o método desenvolvido por Fanger. Através das condições ambientais e das variáveis humanas como atividade e vestimenta, o Analysis indica o PMV e o PPD para o ambiente em questão. A figura 6 apresenta a tela de entrada e a figura 7 a tela de resultados para avaliação de desempenho térmico de ambientes no programa Analysis.
14 Desempenho térmico de edificações 14 Figura 6. Tela de entrada de dados para avaliação de conforto térmico no Analysis. Figura 7. Tela de resultados para avaliação de conforto térmico no Analysis.
15 Desempenho térmico de edificações 15 2 Bioclimatologia A bioclimatologia estuda as relações entre o clima e o ser humano. Como forma de tirar partido das condições climáticas para criar uma arquitetura com desempenho térmico adequado, OLGYAY (1973) criou a expressão Projeto Bioclimático, que visa a adequação da arquitetura ao clima local. 2.1 Estratégias bioclimáticas Estas estratégias, corretamente utilizadas durante a concepção do projeto da edificação, podem proporcionar melhoras nas condições de conforto térmico e redução no consumo de energia. A seguir apresenta-se uma discussão breve a respeito de cada estratégia. Porém, informações mais detalhadas podem ser obtidas em ANDRADE (1996) ou em LAMBERTS et alii (1997) Zona de conforto Figura 8. Zona de conforto Ventilação Figura 9. Zona de ventilação. Para condições climáticas que resultem em pontos delimitados por esta região existe uma grande probabilidade das pessoas perceberem a sensação de conforto térmico. Desta forma, pode-se verificar que a sensação de conforto térmico pode ser obtida para umidade relativa variando de 20 a 80% e temperatura entre 18 e 29 o C. A ventilação corresponde uma estratégia de resfriamento natural do ambiente construído através da substituição do ar interno (mais quente) pelo externo (mais frio). As soluções arquitetônicas comumente utilizadas são ventilação cruzada, ventilação da cobertura e ventilação do piso sob a edificação.
16 Desempenho térmico de edificações Resfriamento evaporativo O resfriamento evaporativo é uma estratégia utilizada para aumentar a umidade relativa do ar e diminuir a sua temperatura. O resfriamento evaporativo pode ser obtido de forma direta ou indireta. O uso de vegetação, de fontes d água ou de outros recursos que resultem na evaporação da água diretamente no ambiente que se deseja Figura 10. Zona de resfriamento evaporativo. resfriar constituem-se em formas diretas de resfriamento evaporativo. Uma forma indireta pode ser obtida através de tanques d água sombreados executados sobre a laje de cobertura Massa térmica para resfriamento A utilização de componentes construtivos com inércia térmica (capacidade térmica) superior faz com que a amplitude da temperatura interior diminua em relação a exterior, ou seja, os picos de temperatura verificados externamente não serão percebidos internamente.componentes construtivos com elevada capacidade térmica são indicados para climas quente e seco onde Figura 11. Zona de massa térmica para a temperatura atinge valores muito altos resfriamento. durante o dia e extremamente baixos durante a noite. Nestes casos, a capacidade térmica do componente permite o atraso da onda de calor fazendo com que este calor incida no ambiente interno apenas no período da noite, quando existe a necessidade de aquecimento Resfriamento artificial O resfriamento artificial deve ser utilizado quando as estratégias de ventilação, resfriamento evaporativo e massa térmica não proporcionam as condições desejadas de conforto. Figura 12. Zona de resfriamento artificial.
17 Desempenho térmico de edificações Umidificação Figura 13. Zona de umidificação. A estratégia de umidificação é recomendada quando a temperatura do ar apresenta-se menor que 27 o C e a umidade relativa abaixo de 20% (EVANS & SCHILLER, 1988). Recursos simples, como recipientes com água colocados no ambiente interno podem aumentar a umidade relativa do ar. Da mesma forma, aberturas herméticas podem manter esta umidade, além do vapor d água gerado por atividades domésticas ou produzido por plantas Massa térmica e aquecimento solar Neste caso, pode-se adotar componentes construtivos com maior inércia térmica, além de aquecimento solar passivo e isolamento térmico, para evitar perdas de calor, pois esta zona situa-se entre temperaturas de 14 a 20 o C. Figura 14. Zona de massa térmica e aquecimento solar Aquecimento solar passivo Figura 15. Zona de aquecimento solar passivo. O aquecimento solar passivo deve ser adotado para os casos com baixa temperatura do ar. Recomenda-se que a edificação tenha superfícies envidraçadas orientadas para o sol e aberturas reduzidas nas fachadas que não recebem insolação para evitar perdas de calor. Esta estratégia pode ser conseguida através de orientação adequada da edificação e de cores que maximizem os ganhos de calor, através de aberturas zenitais ou de coletores de calor colocados no telhado.
18 Desempenho térmico de edificações Aquecimento artificial Este tipo de estratégia deve ser utilizado apenas em locais extremamente frios, com temperatura inferior a aproximadamente 10,5 o C, em que a estratégia de aquecimento solar passivo não seja suficiente para produzir sensação de conforto. Figura 16. Zona de aquecimento artificial. 2.2 O programa Analysis Através de um ano climático de referência pode-se determinar as estratégias bioclimáticas mais adequadas para cada localidade através do programa Analysis Bio. A figura 17 apresenta a carta bioclimática para a cidade de Florianópolis e a figura 18 as estratégias bioclimáticas para este caso. 30 ZONAS: Conforto 2. Ventilacao Resfriamento Evaporativo Massa Térmica p/ Resfr Ar Condicionado 2 6. Umidificação Massa Térmica/Aquecimento Solar 8. Aquecimento Solar Passivo Aquecimento Artificial Ventilação/Massa Vent./Massa/Resf. Evap Massa/Resf. Evap TBU[ C] TBS[ C] UFSC - ECV - LabEEE - NPC W[g/kg] Figura 17. Carta bioclimática para Florianópolis pelo Analysis Bio.
19 Desempenho térmico de edificações 19 Sensação Estratégia % horas Conforto % Desconforto % Desconforto por Calor Ventilação 36.5% Resfriamento Evaporativo 0.89% Massa Térmica para Resfriamento 0.94% Ar Condicionado 1.68% Desconforto por Frio Massa Térmica +Aquecimento Solar 35.4% Aquecimento Solar 3.84% Aquecimento Artificial 1.53% Tabela 4. Resultado das estratégias bioclimáticas para Florianópolis pelo Analysis Bio. Como pode-se perceber na Tabela 4, no período anual em Florianópolis obtém-se condições de conforto térmico em apenas 21% deste período. Porém, estratégias como ventilação, aquecimento solar passivo e massa térmica podem tornar o ambiente termicamente confortável em mais de 95% do período anual.
20 Desempenho térmico de edificações 20 3 Proteções solares Para facilitar o estudo da influência do Sol no ambiente construído, o entendimento do seu movimento aparente em relação à Terra deve ser conhecido. Portanto, para traçar os diagramas solares, considera-se a Terra fixa e o Sol percorrendo a trajetória diária da abóbada celeste, variando de caminho em função da época do ano, conforme mostra Figura 18. Figura 18. Movimento aparente do Sol para a latitude 27 o Sul. Para se localizar qualquer posição do Sol na abóbada celeste deve-se conhecer a altitude e o azimute solar, conforme mostra a Figura 19. Figura 19. Altitude e azimute solar. 3.1 Movimentos da Terra Rotação A rotação ao redor de um eixo Norte-Sul, que passa por seus pólos, origina o dia e a noite (Figura 20).
21 Desempenho térmico de edificações 21 Figura 20. Rotação da Terra Translação ao redor do Sol A Terra realiza um movimento elíptico ao redor do Sol conforme mostra a Figura 21. Figura 21. Translação da Terra ao redor do Sol. O movimento de translação da Terra ao redor do Sol determina as quatro diferentes estações do ano. A Tabela 5 apresenta a data de início destas estações no hemisfério sul, bem como a sua denominação. Tabela 5. Datas de início das estações do ano para o hemisfério sul. 3.2 Diagramas solares Data Denominação 21 de março Equinócio de outono 21 de setembro Equinócio de primavera 21 de junho Solstício de inverno 21 de dezembro Solstício de verão Através das informações mostradas até o momento e do conhecimento do traçado de projeção estereográfica (existem outros métodos) pode-se traçar os diagramas solares. A Figura 22 apresenta um exemplo de projeção estereográfica para a latitude 27 o Sul e a Figura 23, o diagrama solar para esta latitude.
22 Desempenho térmico de edificações 22 Figura 22. Projeção estereográfica para a latitude 27 o Sul. Figura 23. Diagrama solar para a latitude 27 o Sul. A Figura 24 apresenta o diagrama solar para a latitude 28 o Sul, muito próxima à latitude de Florianópolis (27 o 35 Sul). Neste caso, a projeção utilizada é a eqüidistante. Figura 24. Diagrama solar para Florianópolis (latitude 28 o Sul). 3.3 Transferidor de ângulos Para facilitar o traçado de máscaras deve-se utilizar o transferidor de ângulos
23 Desempenho térmico de edificações 23 apresentado na Figura 25. Figura 25. Transferidor de ângulos. 3.4 Projeto de proteções solares Entendido o movimento aparente do sol percebido por um observador na Terra, podese utilizar este conhecimento para o traçado de proteções solares (brises) que impeçam a entrada de raios solares no interior do ambiente durante as horas do dia e os meses do ano em que se deseja esta proteção. O tipo de brise e suas dimensões são função da eficiência desejada. Portanto, um brise será considerado eficiente quando impedir a entrada de raios solares no período desejado Traçado de máscaras Para projetar proteções solares, a segunda informação que deve ser conhecida é o tipo de mascaramento que cada tipo de brise proporciona. Portanto, o traçado de máscaras é a ferramenta utilizada no projeto de proteções solares Brise horizontal infinito Os brises horizontais impedem a entrada dos raios solares através da abertura a partir do ângulo de altitude solar. O traçado do mascaramento proporcionado por este brise é determinado em função do ângulo α e é apresentado na Figura 26.
24 Desempenho térmico de edificações 24 Figura 26. Mascaramento proporcionado pelo brise horizontal infinito. Pode-se perceber que há incidência do sol no interior do ambiente apenas quando o seu ângulo de altitude estiver entre a linha do horizonte e o ângulo α Brise vertical infinito Os brises verticais impedem a entrada dos raios solares através da abertura a partir do ângulo de azimute solar. O traçado do mascaramento proporcionado por este brise é determinado em função do ângulo β e é apresentado na Figura 27.
25 Desempenho térmico de edificações 25 Figura 27. Mascaramento proporcionado pelo brise vertical infinito. Neste caso, a incidência de raios solares no ambiente ocorre quando o ângulo de azimute solar está entre os dois ângulos β determinados. Como em situações reais é difícil a existência de brises que podem ser considerados infinitos, surge a necessidade de definição de um terceiro ângulo, o γ. Este ângulo limita o sombreamento produzido pelos ângulos α e β Brise horizontal finito Este tipo de brise tem a sua eficiência limitada pois a sua projeção lateral é limitada pelos ângulos γ, como mostra a Figura 28. Figura 28. Mascaramento proporcionado pelo brise horizontal finito.
26 Desempenho térmico de edificações Brise vertical finito Para o brise vertical o sombreamento produzido pelos ângulos β será limitado pelos ângulos γ, como mostra a Figura 29. Figura 29. Mascaramento proporcionado pelo brise vertical finito Brises mistos Através do mascaramento produzido pelos quatro tipos básicos de brises apresentados anteriormente pode-se determinar o mascaramento para qualquer tipo de brise com diferentes combinações de brises horizontais e verticais, conforme mostra a Figura 30.
27 Desempenho térmico de edificações 27 Figura 30. Brises mistos. O anexo 5 apresenta alguns exemplos de mascaramento proporcionado por diferentes tipos de brises.
28 Desempenho térmico de edificações 28 4 Desempenho térmico de paredes e coberturas 4.1 Desempenho térmico de paredes A condição essencial para a transmissão de calor é que os corpos tenham temperaturas diferentes. A Figura 31 exemplifica esta afirmação. T 1 T 1 > T 2 T 2 A Figura 31. Condição para transferência de calor. O corpo A cede parte de sua energia térmica, o que provoca um abaixamento de sua temperatura enquanto que o B, ao assimilar esta energia térmica, aumentará sua temperatura. O processo continua até que as temperaturas se igualem (T 1 = T 2 ), ou seja, até que se atinja o equilíbrio térmico. Para o caso de paredes, a Figura 32 apresenta o sentido do fluxo de calor em função da diferença de temperatura externa e interna. B T ext q T int T ext > T int Figura 32. Transferência de calor em uma parede. Portanto, a equação 5 mostra o fluxo de calor que atravessa a parede. q = U.(T T ) = U. T (5) ext int Onde U é a transmitância térmica (W/m 2.K); T é a diferença de temperatura entre os meios externo e interno (K); q é a densidade de fluxo de calor (W/m 2 ). A transmitância térmica, capacidade térmica, atraso térmico e fator de calor solar podem ser determinados através dos procedimentos apresentados pelo Projeto 02: (1998) de Norma da ABNT: Desempenho térmico de edificações - Parte 2: Métodos de cálculo da transmitância térmica, da capacidade térmica, do atraso térmico e do fator de calor solar de elementos e componentes de edificações. Este projeto de norma, bem como o projeto para definições dos termos utilizados são apresentadas nos anexos 2 e 3. Todas as propriedades térmicas calculadas pelo Projeto de Norma são para um regime estacionário de transmissão de calor, que se caracteriza por apresentar temperaturas constantes, que não
29 Desempenho térmico de edificações 29 variam com o tempo, e consequentemente a quantidade de calor transmitida por uma seção é sempre igual. Já num regime transiente há variações do fluxo de calor que atravessa uma seção com o tempo, causado pela variação da temperatura em pelo menos uma das faces. O fluxo de calor que incidirá no ambiente interno será dado pela equação 6. φ = q.a = U. T.A (6) Porém, o fluxo de calor não é função apenas de T. Ele é função, também, da radiação solar incidente na superfície. Assim, antes de incluir a radiação solar nos cálculos (seção 4.3) apresenta-se uma breve revisão das formas de transmissão de calor. 4.2 Formas de transmissão de calor Condução A condução se realiza por contato molecular, ou melhor, por contato entre as moléculas dos corpos. Ocorre em sólidos, líquidos e gases. No entanto, nos fluidos ocorrem fenômenos convectivos que alteram o processo original. Por esta razão, a condução refere-se aos sólidos. Poderá ser relacionada aos fluidos quando não se verificam movimentos convectivos Convecção A convecção se verifica quando os corpos estão em contato molecular e um deles, pelo menos, é um fluido. O processo possui duas fases: na primeira o calor se transmite por condução, na segunda, a alteração sofrida pela temperatura do fluido modifica sua densidade provocando o movimento convectivo Radiação A radiação ocorre mediante uma dupla transformação da energia: uma parte do calor do corpo com maior temperatura se converte em energia radiante que chega até o corpo com menor temperatura, onde é absorvida numa proporção que depende das propriedades da superfície receptora, sendo novamente transformada em calor. As propriedades da superfície receptora são representadas pela emissividade ε (ou poder emissivo) do corpo (Tabela 6). Tabela 6. Emissividade de superfícies. Tipo de superfície ε Chapa de alumínio (nova e brilhante) 0,05 Chapa de alumínio (oxidada) 0,12 Chapa de aço galvanizada (nova e brilhante) 0,25 Caiação nova 0,90 Concreto aparente 0,85 / 0,95 Telha de barro 0,85 / 0,95 Tijolo aparente 0,85 / 0,95 Reboco claro 0,85 / 0,95 Revestimento asfáltico 0,90 / 0,98 Vidro comum de janela 0,90 / 0,95
30 Desempenho térmico de edificações 30 Tabela 6. Emissividade de superfícies (cont.). Tipo de superfície Pintura: - branca - amarela - verde claro - alumínio verde escuro - vermelha - preta Fonte: Projeto de Norma da ABNT 02: (1998) ε 0,90 0,90 0,90 0,50 0,90 0,90 0,90 A emissividade está relacionada à fontes de baixa temperatura (ondas longas). Quando a superfície está exposta à radiação solar (fonte de alta temperatura onda curta) as propriedades desta superfície são representadas pela absortividade α (tabela 5) Condensação O ar, a uma temperatura determinada, pode conter apenas uma certa quantidade de vapor d água. Esta quantidade aumenta à medida que aumenta a temperatura do ar. Quando se atinge o valor máximo diz-se que o ar está saturado e atingiu-se a temperatura de orvalho. Deste modo, qualquer abaixamento em relação a este valor significará o começo da condensação. 4.3 Comportamento dos materiais opacos diante da radiação solar Quando a energia radiante incide sobre um corpo opaco ela é absorvida ou refletida, como pode-se observar na Figura 33. Figura 33. Radiação solar em superfícies opacas. A equação 7 mostra o balanço térmico para a Figura 33. α.rs + ρ.rs = RS α + ρ = 1 (7)
31 Desempenho térmico de edificações 31 Onde α ρ é a absortividade solar (função da cor); é a refletividade solar. A Tabela 7 apresenta a absortividade para alguns materiais utilizados na construção civil e algumas cores. Tabela 7. Absortividade de cores e superfícies. Tipo de superfície α Chapa de alumínio (nova e brilhante) 0,05 Chapa de alumínio (oxidada) 0,15 Chapa de aço galvanizada (nova e brilhante) 0,25 Caiação nova 0,12 / 0,15 Concreto aparente 0,65 / 0,80 Telha de barro 0,75 / 0,80 Tijolo aparente 0,65 / 0,80 Reboco claro 0,30 / 0,50 Revestimento asfáltico 0,85 / 0,98 Vidro comum de janela Transparente Pintura: - branca - amarela - verde claro - alumínio verde escuro - vermelha - preta 0,20 0,30 0,40 0,40 0,70 0,74 0,97 Fonte: Projeto de Norma da ABNT 02: (1998) A energia radiante absorvida se transforma em energia térmica ou calor; a refletida não sofre modificação alguma. Desta forma, a radiação solar será incluída no cálculo do fluxo de calor através de uma temperatura equivalente ou, como é comumente chamada, temperatura sol-ar. Portanto, a equação 6 pode ser reescrita na forma da equação 8. φ = U. T.A = U.A.(T sol-ar T int ) (8) A temperatura sol-ar (T sol-ar ) representa o efeito combinado da radiação solar incidente no fechamento e dos intercâmbios de energia por radiação e convecção entre a superfície e o meio envolvente; nestes processos intervêm o coeficiente de absorção (α) e a emissividade (ε) do material. A temperatura sol-ar é dada pela equação 9. T sol-ar = T + α. RS. R ε. R. R (9) ext se L se R se Onde RS é a radiação total incidente na superfície (W/m 2 ); é a resistência superficial externa; representa os intercâmbios de calor por convecção e radiação entre a superfície e o meio;
32 Desempenho térmico de edificações 32 R L é a diferença entre a radiação de onda longa emitida e recebida pela superfície. Para planos verticais, a diferença entre a radiação de onda longa emitida e recebida pela superfície ( R L ) é nula pois as perdas ficam compensadas pela radiação de onda longa recebida do solo e das superfícies do meio. Portanto, para paredes, a equação 9 pode ser reescrita na forma da equação 10. T sol-ar = T + α. RS. R (10) ext se Assim, substituindo-se a temperatura sol-ar na equação 8, o fluxo de calor em planos verticais (paredes) será dado pela equação 11. φ = U.A.(T ext + α. RS. R se T int ) (11) No Projeto de Norma do anexo 4 são apresentados exemplos da transmitância térmica (U), a capacidade térmica (C T ) e o atraso térmico (ϕ) de paredes comumente utilizadas em edificações brasileiras. As características térmicas dos materiais, fórmulas e exemplos de cálculo são apresentados no Projeto de Norma do anexo Desempenho térmico de coberturas Para planos horizontais, como coberturas, o termo ε. R L.R se, segundo dados experimentais, é igual a 4 o C, visto que as camadas altas da atmosfera têm sempre uma baixa temperatura fazendo com que estes planos percam permanentemente energia por radiação. Portanto, para coberturas, a equação 9 pode ser reescrita na forma da equação 12. T sol-ar = T + α. RS. R 4 (12) ext se Esta subtração de 4 o C também se aplica durante o período noturno. A condensação da umidade atmosférica é facilmente percebida nestas superfícies horizontais devido as perdas de calor por radiação. Assim, substituindo-se a temperatura sol-ar (equação 12) na equação 8, o fluxo de calor em planos horizontais (coberturas) será dado pela equação 13. φ = U.A.(T ext + α. RS. Rse 4 T int ) (13) Exemplos de transmitância (U), capacidade térmica (C T ), e o atraso térmico (ϕ) de coberturas são apresentados no Projeto de Norma do anexo 4. As características térmicas dos materiais, fórmulas e exemplos de cálculo são apresentados no Projeto de Norma do anexo 3. Duas observações devem ser consideradas: As transmitâncias térmicas e os atrasos térmicos das coberturas são calculados para condições de verão. A semelhança entre a transmitância térmica da cobertura com telha de barro e aquela com telha de fibro-cimento se deve ao fato da condutividade térmica do material cerâmico não expressar a sua capacidade de absorção d água (de chuva ou de condensação) devido a sua porosidade. Este fenômeno contribui para a redução da taxa de fluxo de calor para o interior da edificação pois parte deste calor será dissipado no aquecimento e evaporação da água
33 Desempenho térmico de edificações 33 contida nos poros da telha. A tabela 7 apresenta a radiação solar (RS) incidente em diferentes orientações e em diferentes horas do dia para o dia 22 de dezembro na latitude 30 o Sul. Informações para outras latitudes ou outros períodos do ano podem ser obtidas em FROTA & SCHIFFER (1995). Tabela 8. Radiação solar incidente em planos verticais e horizontais para o dia 22 de dezembro na latitude 30 o Sul segundo FROTA & SCHIFFER (1995). Orientação Radiação solar (W/m 2 ) 6h 7h 8h 9h 10h 11h 12h 13h 14h 15h 16h 17h 18h Sul Sudeste Leste Nordeste Norte Noroeste Oeste Sudoeste Horizontal Exemplos a) Dada uma parede com transmitância térmica de 2,00 W/m 2 K, orientada a oeste (latitude 30 o Sul) com pintura externa na cor branca, determinar o fluxo de calor para a pior situação de verão. A temperatura externa é de 30 o C e a interna de 25 o C. A parede tem dimensões de 5,00 x 3,00 m. Solução O fluxo de calor é dado pela equação: φ = U.A.(T ext + α. RS. R se T int ) Assume-se α = 0,3 (parede branca); R se = 0,04 m 2 K/W (tabela 1 do anexo 2); RS = 715 W/m 2 (às 16 horas tabela 8). Portanto, o fluxo de calor será: φ = 2,00.5,00.3,00.(30 + 0, ,04 25) = 407,4 W. b) O mesmo problema anterior com parede na cor preta. Solução Nesta nova situação, a única variável alterada é a absortividade, que para a parede preta será assumida igual a 0,8. Portanto, teremos: φ = 2,00.5,00.3,00.(30 + 0, ,04 25) = 836,4 W. c) Tem-se uma parede de cor branca com transmitância térmica de 3,00 W/m 2 K. Determinar a
34 Desempenho térmico de edificações 34 transmitância que deve ter uma parede equivalente quando pintada de preto para que a densidade de fluxo de calor (W/m 2 ) seja a mesma. Orientação leste. Latitude 30 o Sul. Pior situação de verão. Solução Temos que: q = U.(T ext + α.rs. R se T int ) Para a parede branca, temos: q b = 3,00.(30 + 0, ,04 20) Para a parede preta, temos: q p = U.(30 + 0, ,04 20) Parede branca Parede preta U = 3,00 W/m 2 K U =? α = 0,3 α = 0,8 RS = 715 W/m 2 RS = 715 W/m 2 R se = 0,04 m 2 K/W R se = 0,04 m 2 K/W T ext = 30 o C T ext = 30 o C T int = 20 o C T int = 20 o C Para a situação proposta, a densidade de fluxo de calor deve ser a mesma para as duas situações. Portanto, q b = q p 3,00.(30 + 0, ,04 20) = U.(30 + 0, ,04 20) U = 1,46 W/m 2 K. d) Determinar a espessura de cada uma das paredes do exemplo c, supondo-as de concreto maciço (λ concreto = 1,75 W/mK). Solução Parede branca: U = 3,00 W/m 2 K R T = 1/U = 1/3,00 = 0,3333 m 2 K/W R T = R se + R t + R si onde R si = 0,13 m 2 K/W R se = 0,04 m 2 K/W Logo, R t = 0,3333 0,13 0,04 = 0,1633 m 2 K/W Por definição, temos: R t = e/λ e = R t.λ = 0,1633.1,75 = 0,30 m = 30 cm. Parede preta: U = 1,46 W/m 2 K R T = 1/U = 1/1,46 = 0,6849 m 2 K/W R T = R se + R t + R si onde R si = 0,13 m 2 K/W R se = 0,04 m 2 K/W Logo,
35 Desempenho térmico de edificações 35 R t = 0,6849 0,13 0,04 = 0,5149 m 2 K/W Por definição, temos: R t = e/λ e = R t.λ = 0,5149.1,75 = 0,90 m = 90 cm. e) Uma cobertura com telhas de fibro-cimento e forro de pinus apresenta uma transmitância térmica de 2,00 W/m 2 K para a situação de verão. Latitude 30 o Sul. Área = 28,00 m 2. Determinar o fluxo de calor para o horário de máxima radiação solar. Admitir temperatura externa e interna iguais. Solução O fluxo de calor é dado pela equação: φ = U.A.(T ext + α.rs. R se 4 T int ) Assume-se α = 0,8 (fibro-cimento escurecido pelo tempo); R se = 0,04 m 2 K/W (tabela 1 do anexo 2); RS = 1134 W/m 2 (às 12 horas tabela 8). Portanto, o fluxo de calor será: φ = 2,00.28,00.(0, ,04 4) = 1808 W.
36 Desempenho térmico de edificações 36 5 Desempenho térmico de janelas Os vidros são materiais transparentes às radiações visíveis e que permitem a iluminação natural do espaço interior e estabelecem uma conexão visual com o exterior. Porém, podem gerar problemas térmicos, acústicos e econômicos. Quando a energia radiante incide sobre uma superfície transparente ela é absorvida, refletida ou transmitida como pode-se observar na Figura 34. Figura 34. Radiação solar em superfícies transparentes. A equação 14 mostra o balanço térmico para a Figura 34. α. RS + ρ. RS + σ. RS = RS α + ρ + σ = 1 (14) Onde α ρ σ é a absortividade do vidro; é a refletividade do vidro; é a transmissividade do vidro. Um corpo ao receber energia radiante, reage seletivamente, o que significa que a quantidade de energia que absorve, reflete ou transmite depende do comprimento de onda do raio incidente. Com o vidro acontece um fenômeno similar como mostra a Figura 35.
37 Desempenho térmico de edificações 37 Figura 35. Comportamento de alguns vidros diante da energia radiante. 5.1 Vidro comum Se um raio formado exclusivamente por uma onda eletromagnética de 1,6 µm, por exemplo, incide perpendicularmente sobre este vidro, 80% de sua energia se transmitirá por transparência e os 20% restantes serão refletidos e absorvidos. Este vidro é muito transparente aos comprimentos de onda entre 0,4 e 2,8 µm, isto é, numa banda que inclui as radiações visíveis, o infravermelho próximo e parte de infravermelho médio. A partir deste limite, a transmissão desce bruscamente até que após os 4 µm o vidro passa a comportar-se como um material totalmente opaco à radiação incidente. Quais os fenômenos térmicos que ocorrem em um local quando um raio de sol incide sobre um vidro comum? Parte dessa energia passa por transparência ao interior do local e é absorvida e refletida pelos móveis e paredes. A energia absorvida se transforma em calor provocando a elevação da temperatura do meio. Como essa energia retorna ao exterior? A primeira possibilidade é por convecção. Nos locais fechados esta forma de transmissão constitui um processo lento já que primeiro deve ser aquecido o ar; depois, mediante movimentos convectivos, este atingirá o vidro, o qual, mediante processos de condução, será transmitido em parte ao exterior. A outra forma é por radiação. No entanto, os corpos, à temperatura normal do ambiente em que estamos, emitem energia radiante de onda longa (em torno de 9 µm). Para este comprimento de onda, o vidro é opaco. Este processo onde a radiação solar
38 Desempenho térmico de edificações 38 entrou facilmente no local e encontrou dificuldades para sair é denominado efeito estufa. 5.2 Vidros especiais Para amenizar as conseqüências térmicas criadas pelo vidro comum desenvolveram-se outros tipos de vidro como os vidros absorventes (ou atérmicos) e os vidros refletores. A tabela 9 apresenta o percentual transmitido, absorvido e refletido por alguns tipos de vidro. Tabela 9. Comportamento térmico de alguns vidros segundo RIVERO (1986). Tipo de vidro σ α ρ Comum 0,85 0,07 0,08 Absorvente claro 0,52 0,41 0,07 Absorvente médio 0,31 0,63 0,06 Absorvente escuro 0,09 0,86 0,05 Refletor médio 0,25 0,42 0,33 Refletor escuro 0,11 0,42 0, Fluxo de calor através da janela Com base na equação 12 para paredes, pode-se perceber que no caso de janelas devese acrescentar a parcela de fluxo de calor que penetra no ambiente por transparência. A equação 15 esclarece esta situação. q = U.(T ext + α. RS. R T ) + σ. RS se int (15) Separando-se os ganhos de calor devido a diferença de temperatura e devido a incidência de radiação solar obtém-se a equação 16. q = U.(T ext T ) + ( U. α. int Rse + σ ). RS (16) Desta forma, a parcela U.α.R se +σ é chamada de fator solar (F s ). Este fator representa a razão entre a quantidade de radiação solar que atravessa e a que incide na janela. A equação 17 apresenta a forma simplificada de determinação de densidade de fluxo de calor em janelas. q = U. T + F. RS (17) s As Tabela 10 e Tabela 11 apresentam, respectivamente, o fator solar para alguns tipos de superfícies transparentes e proteções solares.
39 Desempenho térmico de edificações 39 Tabela 10. Fator solar para alguns tipos de superfícies transparentes segundo LAMBERTS et alii (1997). Superfícies transparentes F s Vidros Transparente (simples) 3 mm 0,87 Transparente (simples) 6 mm 0,83 Transparente (duplo) 3 mm 0,75 Cinza (fumê) 3 mm 0,72 Cinza (fumê) 6 mm 0,60 Verde 3 mm 0,72 Verde 6 mm 0,60 Reflexivo 3 mm 0,26 0,37 Películas Reflexiva 0,25 0,50 Absorvente 0,40 0,50 Acrílico Claro 0,85 Cinza ou bronze 0,64 Reflexivo 0,18 Policarbonato Claro 0,85 Cinza ou bronze 0,64 Domos Claro 0,70 Translúcido 0,40 Tijolo de vidro 0,56 Tabela 11. Fator solar para alguns tipos de proteções solares segundo LAMBERTS et alii (1997). Proteções solares F s Internas Cortina translúcida 0,50 0,75 Cortina semi-translúcida 0,40 0,60 Cortina opaca 0,35 0,60 Persiana inclinada 45 o 0,64 Persiana fechada 0,54 Externas Toldo 45 o translúcido*** 0,36 Toldo 45 o opaco*** 0, Venezianas 0,09 Esteira de madeira 0,09 Venezianas horizontais** 0,19 Brise horizontal*** 0,25 Light-shelf (espelhada)* 0,58 * Com vidro duplo, horizontal, metade da abertura com insolação direta. ** Com vidro duplo, branca e razão largura/espaçamento =1,0. *** Toda a abertura está sombreada. Os casos não especificados apresentam vidro simples 3 mm.
40 Desempenho térmico de edificações Exemplos a) Determinar a densidade de fluxo de calor em uma janela oeste com vidro comum de 3 mm (U = 5,8 W/m 2 K). Latitude 30 o Sul. Solução F s = 0,87 (tabela 10); RS = 715 W/m 2 (tabela 8); T ext = 30 o C; T int = 25 o C. q = U. T + F s.rs = 5,8.(30 25) + 0, = 651,05 W/m 2. b) Substituindo o vidro anterior por vidro cinza fumê de 3 mm (F s = 0,72), teremos: q = U. T + F s.rs = 5,8.(30 25) + 0, = 543,80 W/m 2. c) Utilizando persiana fechada (F s = 0,54) no exemplo a, teremos: q = U. T + F s.rs = 5,8.(30 25) + 0, = 415,10 W/m 2. d) Utilizando venezianas (F s = 0,09) no exemplo a, teremos: q = U. T + F s.rs = 5,8.(30 25) + 0, = 93,35 W/m 2.
41 Desempenho térmico de edificações 41 6 Ventilação A ventilação de um ambiente é entendida como a troca de ar interno por ar externo. Suas principais funções são as seguintes: Manter o ambiente livre de impurezas e odores indesejáveis, além de fornecer O 2 e reduzir a concentração de CO 2 ; Remover o excesso de calor acumulado no interior da edificação produzido por pessoas ou fontes internas; Resfriar a estrutura do edifício e seus componentes evitando o aquecimento do ar interno; Facilitar as trocas térmicas do corpo humano com o meio ambiente (especialmente no verão); Remover o excesso de vapor d água existente no ar interno evitando a condensação superficial. 6.1 Ventilação de inverno e de verão Qualquer período do ano exige a necessidade de ventilação no ambiente construído. Porém, suas necessidades são bastante diferentes. No verão as necessidades de ventilação dizem respeito às questões térmicas e higiênicas. Porém, no inverno a necessidade é apenas de ordem higiênicas. As exigências higiênicas têm caráter permanente e devem ser satisfeitas a qualquer época do ano. As térmicas só interessam quando o microclima interno é quente e o ar exterior tem uma temperatura menor que a interior. 6.2 Mecanismos de ventilação Um ambiente pode ser ventilado através de diferentes formas: Ventilação natural: - por diferença de pressão causada pelo vento; - por diferença de temperatura. Ventilação artificial: - produzida por equipamentos Ventilação natural por diferença de temperatura Baseia-se na diferença entre as temperaturas do ar interior e exterior provocando um deslocamento da massa de ar da zona de maior para a de menor pressão. Quando, nestas condições, existem duas aberturas em diferentes alturas, se estabelece uma circulação de ar da abertura inferior para a superior, denominada efeito chaminé. Este efeito é apresentado na Figura 36.
42 Desempenho térmico de edificações 42 Figura 36. Efeito chaminé. O efeito chaminé não é muito eficiente em casas térreas pois depende da diferença entre as alturas das janelas. Como depende, também, das diferenças entre a temperatura do ar interior e exterior, para climas quentes, especialmente no verão, esse mecanismo de ventilação não deve ser visto como a forma mais eficiente de gerar situações de conforto térmico e/ou remover o excesso de calor acumulado no interior da edificação. Neste caso, deve-se dar maior importância à ventilação dos ambientes pelo efeito do vento Ventilação natural por diferença de pressão causada pelo vento Para que a edificação seja ventilada devido à diferença de pressão provocada pelo vento não basta que a mesma seja simplesmente exposta ao vento. É necessário que os ambientes sejam atravessados transversalmente pelo fluxo de ar, como mostra a Figura 37. Figura 37. Ventilação cruzada. Figura 38. Ventilação unilateral. A ventilação cruzada ocorre, essencialmente, devido à existência de zonas com diferentes pressões, ou seja, na face de incidência do vento existe uma zona de alta pressão e na face oposta, uma zona de baixa pressão. No caso de ambientes sem abertura para saída do vento, tem-se a ventilação unilateral, como mostra a Figura Cálculo de ventilação por efeito do vento Uma forma de avaliar as condições de ventilação de um ambiente comumente utilizada é a determinação do número de trocas de ar que ocorrem a cada hora. O algoritmo apresentado abaixo permite esta determinação de forma simplificada e fácil.
43 Desempenho térmico de edificações 43 A) Coeficiente de pressão do vento ( C P ) Este coeficiente visa quantificar as eventuais reduções sofridas pelo vento em função do ângulo de incidência na abertura e do afastamento entre edificações. A Figura 39 caracteriza o ângulo de incidência. Figura 39. Ângulo de incidência do vento. A Tabela 12 apresenta a diferença entre os coeficientes de pressão do vento ( C PL ) para casas em campo aberto em função do ângulo de incidência do vento. Tabela 12. Diferença entre os coeficiente de pressão do vento para casas em campo aberto. Ângulo de incidência (θ) Diferença entre os coeficiente de pressão do vento ( C PL ) 0 θ 30 o 1,2 30 o < θ 90 o 0,1 + 0,0183.(90 - θ) Para o caso de loteamentos, o coeficiente de pressão do vento deve ser corrigido em função do afastamento entre as casas, conforme mostra a Tabela 13. Tabela 13. Coeficiente de pressão do vento para loteamentos. Distância entre casas Coeficiente de pressão do vento ( C P ) Uma casa 0,30. C PL Duas casas 0,60. C PL B) Correção da velocidade do vento A velocidade do vento, normalmente fornecida por estações meteorológicas a 10 metros de altura deve ser corrigida para a altura de interesse, conforme mostra a equação 18. A V = V 10. K. Z (18) z Onde V z V 10 Z é a velocidade do vento na altura Z de interesse (m/s); é a velocidade do vento a 10 metros de altura (m/s); é a altura da cumeeira para edificações de até dois andares ou a altura da janela para
44 Desempenho térmico de edificações 44 edificações mais altas (m); K e A são função da localização da edificação e podem ser obtidos na Tabela 14. Tabela 14. Coeficientes K e A. Localização da edificação K A Campo aberto plano 0,68 0,17 Campo com algumas barreiras 0,52 0,20 Ambiente urbano 0,40 0,25 Centro da cidade 0,31 0,33 C) Área útil de ventilação (A) Deve-se atentar que a área útil de ventilação pode não corresponder à área total da janela, como mostra a Figura 40. Guilhotina A = 0,50.A janela Correr (2 folhas) A = 0,50.A janela Figura 40. Área útil de ventilação. D) Fluxo de ar O fluxo de ar é determinado de forma diferenciada para ventilação cruzada (Q w ) e unilateral (Q). Ventilação cruzada O fluxo de ar (Q w ) é determinado através da equação 19. Q = 0, 6. A. V. C (m 3 /s) (19) w w z P Onde A w é a área equivalente de aberturas, dada pela equação A 2 W 1 1 = ( A ) ( A ) entrada saída (20) Caso existam portas intermediárias (em série entre a entrada e a saída), deve-se acrescentar a parcela 1/( A porta ) 2 na equação 20. Ventilação unilateral O fluxo de ar (Q) é determinado através da equação 21.
45 Desempenho térmico de edificações 45 Q = 0, 025. A. V z (m 3 /s) (21) E) Redução do fluxo de ar O fluxo de ar pode sofrer reduções significativas em função do tipo de barreira que se interpõe a este fluxo. A Tabela 15 apresenta as reduções provocadas no fluxo de ar através da adoção de telas contra mosquitos. Q m representa o fluxo de ar reduzido. Tabela 15. Redução do fluxo de ar com a adoção de telas contra mosquitos. Tipo de tela Ventilação cruzada Ventilação unilateral Algodão Q m = 0,30.Q w Q m = 0,30.Q Nylon Q m = 0,65.Q w Q m = 0,65.Q F) Número de trocas de ar (N) 22. O número de trocas de ar por hora para ventilação cruzada é determinado pela equação N Q.3600 (trocas/hora) (22) = V Onde V é o volume do ambiente ventilado (m 3 ). Q é o fluxo de ar (m 3 /s) Q, na equação 22 deve ser substituído por Q w ou por Q m, respectivamente, no caso de ventilação cruzada ou no caso de se utilizar telas contra mosquitos Exemplo a) Determinar o número de trocas de ar em uma residência com dimensões de 4,00 x 5,00 m e pé-direito de 2,50 m com duas janelas de correr (50% de aproveitamento para ventilação), uma na fachada norte, com 1,20 x 2,00 m e outra na fachada sul com 1,00 x 1,00 m, ambas com telas de nylon contra mosquitos. O vento incide normalmente à fachada norte com velocidade, a 10 m de altura, de 3,0 m/s. A altura até a cumeeira é de 3,5 m. Esta edificação está localizada em um loteamento (ambiente urbano) cuja distância entre as casas é igual a largura de uma casa. Solução Coeficiente de pressão do vento C pl = 1,2 C p = 0,3. 1,2 = 0,36 A) Correção da velocidade do vento V z = V 10. K. Z A Para ambiente urbano, K = 0,40 e A = 0,25 (tabela 15). Portanto a velocidade do vento na
46 Desempenho térmico de edificações 46 altura da cumeeira será: V 3,5 = 3,0. 0,40. 3,5 0,25 = 1,64 m/s B) Área útil de ventilação A entrada = 0,5. 1,20. 2,00 = 1,20 m² A saída = 0,5. 1,00. 1,00 = 0,50 m² C) Fluxo de ar Ventilação cruzada (quando as duas janelas estão abertas) QW = 0,6. AW. VZ. CP Área equivalente: = + = 0, 46m A W (1,20) (0,50) Logo, Q w = 0,6. 0,46. 1,64. (0,36) 1/2 = 0,272 m³/s Ventilação Unilateral (considerando a janela de 1,00 x 1,00m fechada) Q = 0,025. A. V z Neste caso, A = 1,20 m² Logo, Q = 0,025. 1,20. 1,64 = 0,049 m³/s D) Redução do fluxo de ar devido ao uso de tela contra mosquitos Ventilação cruzada Da tabela 16 temos que: Q m = 0,65. 0,272 = 0,177 m³/s Ventilação unilateral Da tabela 16 temos que: Q m = 0,65. 0,049 = 0,032 m³/s E) Número de trocas de ar Q.3600 N = V O volume da edificação é 4,00. 5,00. 2,5 = 50 m³. Portanto, teremos: Ventilação cruzada 0, N = = 12,7 trocas/hora 50 Ventilação unilateral 0, N = = 2,3 trocas/hora 50
47 Desempenho térmico de edificações 47 7 Exemplo do uso das Diretrizes Construtivas para Habitações Unifamiliares de Interesse Social no Zoneamento Bioclimático Brasileiro O Projeto de Norma 02: no anexo 4, apresenta o Zoneamento Bioclimático Brasileiro e as Diretrizes Construtivas para Habitações Unifamiliares de Interesse Social. O Brasil foi dividido, segundo a norma, em oitos zonas bioclimáticas. Os parâmetros e diretrizes para cada uma das zonas são: a) tamanho das aberturas para ventilação; b) proteção das aberturas; c) vedações externas, parede externa e cobertura, informando valores máximos ou mínimos de transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar. d) estratégias de condicionamento térmico passivo. 7.1 Exemplo Considere que você está projetando uma edificação para Florianópolis/SC, com características térmicas de paredes e cobertura conforme a Tabela 16. As paredes externas são pintadas com a cor amarela (α = 0,30), e a telha é cor de barro (α = 0,75). Tabela 16 Transmitância Térmica, capacidade térmica e atraso térmico para uma edificação exemplo. Parede / Cobertura Descrição Parede de tijolos de 6 furos circulares, assentados na maior dimensão Dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm Espessura arg. de assentamento: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 20,0 cm Cobertura de telha de barro com forro de madeira Espessura da telha: 1,0 cm Espessura da madeira: 1,0 cm U [W/(m 2.K)] C T [kj/(m 2.K)] ϕ [horas] 1, ,8 2, ,3 A Figura 41 mostra a planta baixa da edificação e o tamanho das aberturas. Considere todas as janelas de correr com duas folhas de vidro. O beiral está a 2,20 m acima do piso interno. Segundo o Anexo A do Projeto de Norma 02: (anexo 4), a cidade de Florianópolis/SC (27 35 Latitude Sul) encontra-se na zona bioclimática 3. As diretrizes construtivas apresentadas para esta zona bioclimática serão analisadas por item para verificar se a edificação é ideal a este local específico.
48 Desempenho térmico de edificações 48 N J2=1.20x J7=2.00x1.00 peit.=1.10 J1=1.50x1.00 peit.=1.10 Dormitório 1 Dormitório 2 A= 11.20m2 A= 12.80m2 Cozinha A= 10.50m2 projeção beiral h=2.20m peit.=1.60 BWC A= 4.80m2 J3=2.00x1.00 peit.=1.10 Sala A= 24.40m2 J6=1.20x1.00 peit.=1.10 J5=1.20x1.00 peit.=1.10 J4=1.20x1.00 peit.= Figura 41 Planta Baixa edificação exemplo. a) Aberturas para ventilação: superior a 40% da área do piso; Tabela 17. Cálculo das aberturas conforme Norma e da edificação exemplo. Ambiente Área ambiente (m²) Área abertura Norma (m²) 15%<A<25% Área abertura projeto (m²) Aceitabilidade Dormitório 1 11,20 1,68<A<2,80 0,75 não Dormitório 2 12,80 1,92<A<3,20 1,00 não BWC 4,80 0,72<A<1,20 0,30 não Cozinha 10,50 1,58<A<2,63 1,00 não Sala 24,40 3,66<A<6,10 1,80 não As janelas do dormitório 2 e da cozinha caso fossem de abrir (100% da área da abertura) em vez de correr (50% da área da abertura), estariam dentro das diretrizes propostas pela Norma, mas os outros ambientes precisariam aumentar as dimensões de suas janelas para poderem atender as recomendações do Projeto de Norma. Uma das soluções propostas é aumentar a altura das janelas para 1,20m e a janela do banheiro para 0,70m, com sistemas de abertura tipo de abrir (100% da abertura). Este aumento de 20 cm na parte superior da abertura poderá ser usado como uma janela basculante, permitindo ventilação higiênica no inverno (mínimo de trocas de ar por hora para um ar saudável), e ventilação noturna no verão evitando problemas com a segurança. Para o uso de ventilação noturna, o uso de venezianas nas janelas também é recomendado, pois permite a ventilação com segurança.
49 Desempenho térmico de edificações 49 b) Sombreamento das aberturas A Figura 42 mostra o mscaramento das janelas da edificação exemplo, e na Tabela 18 é feita uma análise do sombreamento e da aceitabilidade de cada abertura. N N O 23.9 L O 23.9 L S Máscara Janela 1 Máscara Janela 2 N 22.6 O 23.9 L S N 22.6 O 23.9 L S Máscara Janela 3 Máscara Janela 4 S L 23.9 O 22.6 N O 23.9 L S Máscara Janela 5 e 6 Máscara Janela 7 N 22.6 Figura 42 Mascaramento das aberturas da edificação exemplo. Tabela 18. Sombreamento das aberturas para a edificação exemplo. Janela Sombreamento Aceitabilidade J1 permite entrada de sol só no período frio sim J2 evita sol setembro a março sim J3 permite entrada de sol só no período frio sim J4 permite entrada de sol período matutino parcial J5 permite entrada de sol início manhã e fim da tarde período quente parcial J6 permite entrada de sol início manhã e fim da tarde período quente parcial J7 permite entrada de sol a partir 14:00 h. no inverno e 15:00 h. no verão não As janelas J5 e J6 precisariam de algum tipo de proteção solar (brise vertical, veneziana, etc) ou alguma proteção pela vegetação para impedir a entrada do sol durante o período quente (vegetação caduca). Já a J7 precisaria de algum tipo de proteção solar frontal, como
50 Desempenho térmico de edificações 50 vegetação ou venezianas, que impedissem a entrada indesejada de sol. Uma outra opção para a J7, seria orientar a abertura na direção sul, necessitando protegê-la apenas nos períodos de início e fim do dia no período quente. A Figura 43 apresenta um corte esquemático mostrando como foi determinado o ângulo de altitude solar para as aberturas que possuem peitoril de 1.10 m de altura Figura 43 Corte esquemático para determinação do ângulo de altitude solar (α). c) Vedações Externas Pelo projeto de Norma, a parede deve ser leve e refletora, e a cobertura leve e isolada. As características de transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar da edificação e os especificados pela Proposta de Norma são apresentados na Tabela 19. Tabela 19. Transmitância Térmica, atraso térmico e Fator de Calor Solar conforme a Norma e da edificação exemplo. U (W/m 2 K) Atraso térmico (h) FCS (%) Parede Parede Aceitabilidade Cobertura Cobertura Aceita- Norma exemplo Norma exemplo bilidade 3,60 1,92 Sim 2,00 2,00 Sim 4,3 4,8 Não 3,3 1,3 Sim 4,0 2,3 Sim 6,5 6 Sim Seguindo as diretrizes do Projeto de Norma o Atraso térmico estaria acima dos valores recomendados, mas a transmitância térmica e o Fator de Calor Solar são aceitáveis. O recomendado seria usar uma composição de parede que apresentasse menor atraso térmico, como as duas paredes apresentadas na Tabela 20. O FCS das duas paredes da Tabela 20 usando α = 0,30 (amarelo), atendem a Norma. Mas para α = 0,40 (verde claro e cor alumínio ), só a parede de tijolo de 8 furos é que apresentaria FCS dentro da Norma. d) Estratégia de condicionamento térmico passivo para o verão: Ventilação cruzada. Para garantir a ventilação cruzada nos dormitórios, sugere-se o uso de venezianas nas janelas, garantindo a ventilação no período noturno sem ter-se preocupações com
51 Desempenho térmico de edificações 51 segurança, e em cima das portas internas, colocar uma bandeira de veneziana, permitindo a ventilação cruzada, mesmo com as portas dos dormitórios estando fechadas. Nas aberturas das sala e cozinha, sugere-se o uso de janelas basculantes sobre as janelas ou uso de venezianas, pois pode-se garantir a segurança e permitir a ventilação noturna. O uso de venezianas é mais recomendado para o período quente, pois protege a abertura da incidência solar sem bloquear totalmente a ventilação. Tabela 20. Transmitância Térmica, atraso térmico e Fator de Calor Solar conforme a Norma e da edificação exemplo. Parede Descrição U [W/(m 2.K)] C T [kj/(m 2.K)] ϕ [horas] Parede de tijolos de 8 furos quadrados, assentados na menor dimensão Dimensões do tijolo: 9,0x19,0x19,0 cm Espessura arg. de assentamento: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 14,0 cm 2, ,3 Parede de tijolos maciços, assentados na menor dimensão Dimensões do tijolo: 10,0x6,0x22,0 cm Espessura arg. de assentamento: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 15,0 cm 3, ,8 e) Estratégia de condicionamento térmico passivo para o inverno: Aquecimento Solar da edificação; Nos ambientes íntimos o aquecimento solar na edificação se dará pelo fato de se permitir a incidência solar pelas aberturas apenas no inverno. O uso de venezianas é recomendado em todas as aberturas, pois permite no verão controlar a incidência solar indesejada, e à noite garante a ventilação. No inverno durante o dia a veneziana pode permanecer aberta com as folhas de vidro fechadas, como uma estufa, e à noite, as folhas de venezianas e as folhas de vidro fechadas, diminuem as perdas de calor internas para o exterior. Vedações internas pesadas. As paredes internas continuarão sendo de tijolos de 6 furos circulares, assentados na maior dimensão (dimensões do tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm). 7.2 Concluindo Esta edificação para atender a Proposta de Norma 02: no anexo 4, precisaria modificar algumas de suas características a princípio propostas: 1. Aumentar área das aberturas para ventilação; 2. Sombreamento das aberturas nos períodos críticos de verão; 3. Alterar as características térmicas da parede externa para atender ao atraso térmico determinado pela Norma; 4. Alterar as características de suas aberturas para permitir a ventilação cruzada. 5. Usar venezianas nas aberturas, pois permitem proteção solar no verão, e diminuem as perdas de calor internas para o exterior no período frio.
52 Desempenho térmico de edificações 52 8 Consumo de eletricidade em edificações Para se verificar a importância dos tópicos tratados anteriormente frente ao consumo de energia elétrica da edificação, apresenta-se a seguir, informações breves a respeito do consumo e do uso final de eletricidade em edificações para alguns países, além do Brasil. Informações adicionais a respeito de usos finais e consumo de energia elétrica em edificações podem ser obtidas em um levantamento realizado por GHISI (1997 a ). 8.1 Uso final de eletricidade no Brasil Do total de eletricidade consumida no Brasil, 42% é utilizado no setor de edificações, ou seja, nos setores residencial, comercial e público. A Tabela 21 apresenta o consumo percentual para cada um destes setores. Desta forma, pode-se perceber a influência que arquitetos e engenheiros têm na quantidade de eletricidade consumida neste país, pois edificações corretamente planejadas desde a fase de projeto, utilizando estratégias bioclimáticas e equipamentos energeticamente eficientes, podem reduzir significativamente o consumo de energia. Tabela 21. Consumo de eletricidade por setores no Brasil segundo GELLER (1990). Setor Consumo (%) Residencial 23 Comercial 11 Público No setor residencial, o uso final de eletricidade comporta-se de acordo com a Tabela Tabela 22. Usos finais no setor residencial segundo GELLER (1990). Sistema Uso final (%) Refrigeração 32 Aquecimento d água 26 Iluminação 23 Televisores 8 Outros 10 Segundo PROCEL (1993), o uso final de eletricidade em edifícios comerciais e públicos brasileiros, avaliado para instalações com e sem ar condicionado, está distribuído como mostra a Tabela 23.
53 Desempenho térmico de edificações 53 Tabela 23. Usos finais para edifícios com e sem ar condicionado no Brasil segundo PROCEL (1993). Sistema Uso final (%) Edifícios com ar condicionado Edifícios sem ar condicionado Ar condicionado 48 - Iluminação Equipamentos de escritório Elevadores e bombas Percebe-se que nos edifícios em que se utiliza sistemas de ar condicionado, este é responsável por 48% do consumo total e a iluminação por 24%. Nos edifícios condicionados naturalmente, a iluminação é responsável por 70% do consumo da edificação. GELLER (1990) apresenta um levantamento de usos finais para edifícios comerciais e públicos de São Paulo, conforme mostra a Tabela 24. Tabela 24. Usos finais para edifícios comerciais e públicos de São Paulo segundo GELLER (1990). Sistema Uso final (%) Iluminação 44 Ar condicionado 20 Refrigeração 17 Cocção 8 Outros 11 Como pode-se perceber, os valores apresentados na Tabela 24 representam valores próximos às médias daqueles da Tabela 23 (para sistemas de iluminação e ar condicionado, pelo menos), ou seja, estes novos valores são levantados tanto para ambientes com ou sem ar condicionado. Percebe-se novamente a importante participação da iluminação no consumo global dos edifícios. Para GELLER (1990), o consumo com iluminação no Brasil poderia ser reduzido em 40% até o ano 2000 e em 60% até o ano 2010 através do uso de tecnologias eficientes como a substituição de lâmpadas incandescentes por fluorescentes, o uso de luminárias reflexivas, reatores eletrônicos e implantação de sistemas de controle de iluminação. Segundo ABILUX (1995 b ), se o Brasil substituísse todas as lâmpadas incandescentes em uso por fluorescentes compactas e instalasse lâmpadas de vapor de sódio na rede de iluminação pública, economizaria cerca de 12 GWh (US$ 25 bilhões), o equivalente à produção da Usina de Itaipu. Porém, no ano de 1994, segundo LEONELLI et alii (1995), as lâmpadas incandescentes representaram 71% das lâmpadas vendidas. As fluorescentes representaram apenas 9%, as de descarga, 2% e as demais lâmpadas, 18%. Segundo ABILUX (1996 a ), a iluminação, distribuída entre mais de 30 milhões de residências e 3 milhões de estabelecimentos, representa 24% de toda energia elétrica consumida no Brasil. LEONELLI et alii (1995) afirmam que a iluminação representa cerca de 17% do consumo de energia elétrica no Brasil. É responsável por 25% da energia consumida no setor residencial e 44% no setor de serviços. Segundo ABILUX (1996 b ), o emprego de padrões arquitetônicos adequados, a
54 Desempenho térmico de edificações 54 especificação de produtos e materiais energeticamente eficientes e a adequação de critérios de projetos racionais permitem reduções de até 60% no consumo de eletricidade de edificações residenciais. ROMÉRO (1994) verificou que o sistema de iluminação da Universidade de São Paulo é responsável por 65,5% do consumo total daquele campus. Como o potencial para economia com iluminação neste caso é de 40%, poderia haver uma economia total no consumo de energia de 26%. Num projeto piloto de iluminação eficiente, o Governo do Estado de São Paulo conseguiu uma redução de 28% nas contas de energia elétrica da Escola Estadual de Primeiro e Segundo Graus "Major Arcy". As lâmpadas convencionais de 40 W foram substituídas por fluorescentes de 32 W, as luminárias comuns por reflexivas e os reatores eletromagnéticos por eletrônicos (ABILUX, 1995 a ). No caso da UFSC, GHISI (1997 b ) verificou, em sua dissertação de mestrado, os usos finais apresentados na Tabela 25. Tabela 25. Usos finais na UFSC segundo GHISI (1997 b ). Sistema Uso final (%) Iluminação 63 Computação 19 Ar condicionado 16 Outros 2 O uso final outros inclui equipamentos como geladeiras, máquinas de escrever elétricas, bebedouros etc. Neste trabalho, constatou-se que com a adoção de tecnologias energeticamente eficientes e de um projeto luminotécnico criterioso que considere todas as variáveis envolvidas no processo, além de uma metodologia adequada, pode-se reduzir o consumo de iluminação do campus da UFSC em 67%. Isto equivale a uma redução de 42% no seu consumo total de eletricidade. Esta economia pode chegar a 49,5% através da implantação de circuitos de iluminação independentes e paralelos de forma a permitir que as luminárias próximas às janelas permaneçam desligadas nos períodos em que a iluminação natural supre as necessidades de iluminação. 8.2 Uso final de eletricidade em outros países Como forma de verificar o comportamento do consumo de eletricidade e de comparálo com a situação do Brasil, são apresentados os finais para alguns países como Estados Unidos, México e Tailândia. Na Tabela 26 apresenta-se o uso final médio da eletricidade consumida em diferentes tipos de edifícios nos Estados Unidos (EIA, 1994).
55 Desempenho térmico de edificações 55 Tabela 26. Uso final de eletricidade para edifícios nos Estados Unidos segundo EIA (1994). Sistema Uso final (%) Iluminação 39 Outros equipamentos 16 Equipamentos de escritório 14 Ventilação 10 Refrigeração 10 Geladeiras 7 Aquecimento 3 Cocção 2 Aquecimento d água 1 BANDALA (1995) verificou o uso final para edifícios onde se desenvolvem diferentes atividades no México. A Tabela 27 apresenta os resultados. Tabela 27. Usos finais no México segundo BANDALA (1995). Edifício Quantidade Uso final (%) Iluminação Ar cond. Refrigeração Outros Escritórios Supermercados Lojas de depto Restaurantes Hotéis Os pesquisadores tailandeses Chirarattananon e Rakwamsuk, numa proposta de normalização a respeito do consumo de energia elétrica nos edifícios da Tailândia, apresentada em LBL (1989), mostram que o consumo de energia elétrica em 1989 vinha crescendo 15% ao ano nos últimos anos e que o número de edifícios comerciais também aumentava significativamente. A Tabela 28 apresenta o consumo anual de alguns edifícios e também o uso final com ar condicionado e iluminação. Tabela 28. Usos finais na Tailândia segundo LBL (1989). Tipo de edifício Nome Uso final (%) Ar condicionado Iluminação Escritórios Ua-Chuliang Siam Motor 67,8 21,9 Hospitais Bumrungraj Montien Siam Intercontinental Hotéis Sheraton Shangrila 58 7,8 Tara 49 40
56 Desempenho térmico de edificações 56 Em relação aos consumos por uso final, verifica-se o ar condicionado como o principal responsável pelo consumo, variando, na maioria dos casos, entre 50 e 60%. O consumo com iluminação também se mostra significativo, oscilando entre 10 e 30%. No caso do Hotel Tara, representa 40% do consumo total. Segundo THE EUROPEAN COMMISSION (1994), o consumo de iluminação em escolas condicionadas artificialmente na Europa varia de 10 a 15%. No entanto, nas escolas brasileiras, segundo ABILUX (1995 c ), a iluminação pode ser responsável por até 90% do consumo de eletricidade pois, geralmente, não são condicionadas artificialmente. Em termos percentuais, nos Estados Unidos, a iluminação é responsável por 20 a 25% do total de eletricidade utilizada. Sendo que a iluminação utilizada em indústrias, lojas, escritórios e depósitos representa de 80 a 90% do total de eletricidade em iluminação (IAEEL, 1992). Na China, em 1993, a iluminação respondia por 15% do total de eletricidade consumida no país (MIN et alii, 1995). Estudos de caso realizados em escritórios em idênticas condições em Atenas, Londres e Copenhagem indicaram que o consumo de iluminação artificial representa 35% do total, com pouquíssima variação entre os três lugares (GOULDING et alii, 1993). Na Holanda, segundo SLIEPENBEEK & VAN BROEKHOVEN (1995), o consumo com iluminação em centros de saúde, escolas e escritórios é superior a 50%, conforme mostra a Tabela 29. Tabela 29. Uso final em iluminação na Holanda segundo SLIEPENBEEK & VAN BROEKHOVEN (1995). Edifício Iluminação (%) Centros de saúde 50 Escolas 51 Escritórios 55 SANTAMOURIS (1995) afirma que em edifícios comerciais na Grécia, através da implantação de sistemas energeticamente eficientes, pode-se obter economia no consumo total do edifício da ordem de 20 a 30%. No entanto, segundo EPRI (1993), retrofits em iluminação podem oferecer economia de energia da ordem de até 40% em edifícios comerciais. Segundo IAEEL (1992), caso se utilizasse iluminação energeticamente eficiente, o consumo de eletricidade exigido para iluminação poderia ser reduzido em aproximadamente 50% e a demanda total de eletricidade poderia ser reduzida em 10%. Segundo EPRI (1993), o consumo com iluminação em edifícios comerciais nos Estados Unidos representa mais da metade da eletricidade consumida nestes edifícios. Um edifício comercial típico, neste país, consome aproximadamente 36 kwh/m 2.ano em iluminação e um adicional de 6 kwh/m 2.ano (16,7%) para retirar o calor gerado pela iluminação artificial. Da mesma forma, EIA (1992) afirma que o consumo de eletricidade com iluminação em edifícios comerciais nos Estados Unidos no ano de 1986 foi de 40 a 50% do consumo total destes edifícios. Este trabalho afirma ainda que este consumo poderia ser reduzido de 30 a 80% através do uso de tecnologias eficientes. Isto permitiria economias entre 12 e 40% no consumo total do edifício.
57 Desempenho térmico de edificações 57 CADDET (1995) também apresenta a iluminação do setor comercial nos Estados Unidos como responsável por 57% da carga total de eletricidade para iluminação daquele país. Na Koréia, segundo KOREAN NATIONAL TEAM (1996), a iluminação é responsável por 20% de toda energia elétrica consumida no país. No México, a iluminação representa 30% do total de energia elétrica consumida no país (BANDALA, 1995). Na Inglaterra, segundo CADDET (1995), os edifícios comerciais são responsáveis por 63% da energia elétrica consumida em iluminação. Como se vê, em função dos diferentes percentuais de economia apontados através de alguns estudos ou de retrofits já executados, a alteração de sistemas ineficientes de iluminação pode ser responsável por reduções significativas de energia, permitindo economias de até 40% no consumo total da edificação. A iluminação, como visto, é um dos grandes responsáveis pelo consumo de energia elétrica em edificações, principalmente naquelas não condicionadas artificialmente. Além do que, é, dentre os responsáveis pelo consumo do edifício, aquele item que permite maior facilidade de redução de consumo frente ao forte desenvolvimento tecnológico dos componentes de sistemas de iluminação verificados nos últimos anos. E permite, também, além da redução do consumo, a correção de eventuais falhas no sistema e nos níveis de iluminação. 8.3 Simulações Atualmente, as simulações computacionais constituem-se em excelentes formas de avaliar o desempenho de edificações, seja térmico, lumínico ou energético. Os principais softwares para avaliação termo-energética elaborados no Brasil são o THEDES, o ACTERM, o COBRA e o ARQUITROP. O NBSLD, o COMFIE, o BLAST, o ESP-r e o TRNSYS são softwares desenvolvidos por outros países. Informações detalhadas a respeito de diferentes programas de simulação termo-energética, podem ser obtidas em BARBOSA (1997). Neste trabalho, apresenta-se uma análise mais aprofundada apenas do programa DOE 2.1E (desenvolvido nos Estados Unidos), que é o programa utilizado no LabEEE Laboratório de Eficiência Energética em Edificações O programa DOE 2.1E As informações apresentadas nesta seção a respeito do DOE 2.1E são obtidas no manual de Simulação energética de edificações usando o DOE 2.1E elaborado por LAMBERTS (1995). O DOE 2.1E é um software elaborado para analisar o desempenho termo-energético de edificações. Foi desenvolvido pelo Lawrence Berkeley Laboratory da Universidade da Califórnia em conjunto com o Department of Energy (DOE), nos Estados Unidos, e implementado no Brasil pelo NPC (Núcleo de Pesquisa em Construção). Este programa simula o consumo horário e os custos de energia de uma edificação considerando as variáveis que influenciam direta ou indiretamente no consumo, tais como: Características arquitetônicas: a forma, os materiais utilizados nas paredes, nas janelas e na cobertura, a orientação, detalhes de sombreamento e isolamento térmico; Regime de utilização: quantidade de pessoas, tipo de atividade, horário de trabalho; Sistema de ar condicionado: quantidade e tipo de aparelhos ou sistemas de ar condicionado e seu período de utilização ao longo do dia, dos meses e do ano, temperatura
58 Desempenho térmico de edificações 58 de ajuste; Sistema de iluminação e equipamentos: potência instalada por unidade de área; Dados climáticos: temperatura, umidade e radiação solar; Estrutura tarifária: custo do kwh de consumo e do kw de demanda de energia elétrica. Estas informações podem ser melhor visualizadas através da Figura 44. Figura 44. Estrutura do programa DOE 2.1E segundo PEDRINI (1997). O programa DOE 2.1E pode ser utilizado no estudo de conservação de energia elétrica em edifícios existentes de forma a avaliar possíveis alterações de equipamentos, ou regime de utilização, ou até mesmo nos padrões arquitetônicos. Da mesma forma, pode-se avaliar edifícios ainda em fase de projeto, garantindo o menor consumo de energia elétrica possível em função de padrões arquitetônicos adequados e equipamentos energeticamente eficientes. Atualmente, já de dispõe do programa VisualDOE, que é a versão mais recente do programa DOE, com a vantagem de apresentar uma interface gráfica bastante amigável e rodar em ambiente Windows (Figura 45). Figura 45. Modelamento da edificação no VisualDOE.
59 Desempenho térmico de edificações 59 Para avaliar a influência dos padrões construtivos de um edifício no seu consumo de eletricidade, SIGNOR (1996) realizou uma série de simulações. O seu caso base é constituído por dois edifícios com razão entre os lados de 4:1 e com área total de m 2. Um dos prédios possui apenas um pavimento e o outro, 10 pavimentos com m 2 cada. O pédireito é de 3 metros e as janelas compreendem 1/3 de suas fachadas. A cobertura é composta apenas por uma laje de concreto e reboco com espessura total de 9,5 cm (absortividade de 80%). As paredes são compostas por tijolos de 6 furos assentados na maior dimensão e reboco em ambas as faces totalizando 18,0 cm (absortividade de 70%). As simulações indicam um consumo de MWh e MWh, respectivamente, para o prédio de 1 pavimento e de 10 pavimentos. A Tabela 30 apresenta as reduções percentuais proporcionadas por diferentes alterações realizadas nos casos base. Tabela 30. Reduções percentuais do consumo de eletricidade para diferentes alterações. Alteração Redução percentual do consumo (%) 1 pavimento 10 pavimentos Isolamento térmico da cobertura 64 5 Pintura branca da cobertura (absortividade de 30%) 37 6 Pintura branca das paredes (absortividade de 30%) 1 5 Janelas com vidro duplo de 6 mm 2 16 Ar condicionado eficiente Adoção de forro a 30 cm da laje 37 - Iluminação natural 2 11 A Tabela 31 apresenta os aumentos percentuais do consumo de eletricidade para os dois casos base a medida que se adota alternativas ineficientes. Tabela 31. Aumentos percentuais do consumo de eletricidade para diferentes alterações. Alteração Aumento do consumo (%) 1 pavimento 10 pavimentos Aumento da taxa de infiltração de 1 para 5 trocas/h Aumento da área de janelas para 80% - 32 Aumentando a densidade de iluminação de 10 para 20 W/m Através destes exemplos, pode-se perceber a necessidade de se avaliar o edifício ainda em fase de projeto, como forma de garantir um menor consumo energético. Deve-se atentar que os valores apresentados aplicam-se apenas aos casos discutidos anteriormente e servem apenas como um indicativo dos benefícios que se pode obter em função de determinadas alterações no projeto, não devendo ser tomados para outras situações.
60 Desempenho térmico de edificações 60 9 Referências bibliográficas ABILUX (1996 a ). Iluminação eficiente é uma das lutas da ABILUX. Associação Brasileira da Indústria de Iluminação. Jornal ABILUX, ano VI, n o 64, p 3. ABILUX (1996 b ). Projetos arquitetônicos adequados reduzem o consumo de energia em até 60%. Associação Brasileira da Indústria de Iluminação. Jornal ABILUX, ano VI, n o 62, p 4. ABILUX (1995 a ). Escola reduz consumo de energia com iluminação eficiente. Associação Brasileira da Indústria de Iluminação. Jornal ABILUX, ano V, n o 60, p 3. ABILUX (1995 b ). Projeto garante segurança através da iluminação. Associação Brasileira da Indústria de Iluminação. Jornal ABILUX, ano V, n o 56, p 2. ABILUX (1995 c ). Conservar energia significa mais verbas para educação e saúde. Associação Brasileira da Indústria de Iluminação. Jornal ABILUX, ano V, n o 55, p 3. ANDRADE, S. F. (1996). Estudo de estratégias bioclimáticas no clima de Florianópolis. Dissertação de Mestrado. Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, abril/96, 135 p. BANDALA, A. I. (1995). Importance of the Mexican lighting systems in commerce and services. In: Right Light Three, 3 rd European Conference on Energy-Efficient Lighting. Proceedings. Volume I: presented papers. England, p BARBOSA, M. J. (1997). Uma metodologia para especificar e avaliar o desempenho térmico de edificações residenciais unifamiliares. Tese de Doutorado. Curso de Pós-Graduação em Engenharia de Produção. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, janeiro/97, 274 p. CADDET (1995). Saving energy with efficient lighting in commercial buildings. Maxi brochure 01.CADDET Energy Efficiency - Centre for the Analysis and Dissemination of Demonstrated Energy Technologies. The Netherlands. 22 p. EIA (1992). Energy consuption series: lighting in commercial buildings. Energy Information Administration. Washington, DC, 96 p. EIA (1994). Energy end-use intensities in commercial buildings. Energy Information Administration. U.S. Department of Energy. Washington. September. EPRI (1993). Advanced lighting guidelines: Electric Power Research Institute. California Energy Commission. U. S. Department of Energy. Washington. EVANS, M.; SCHILLER, S. (1988). Diseno bioambiental y arquitectura solar. Universidad de Buenos Aires, Serie Ediciones Previas, n o 9. FANGER, P. O. (1972). Thermal comfort: analysis and applications in environmental engineering. McGraw-Hill, New York, USA. FROTA, A. B.; SCHIFFER, S. R.; (1995). Manual de conforto térmico, 2 a edição. Nobel, São Paulo, 243 p. GELLER, H. S. (1990). Efficient electricity use: a development strategy for Brazil. American Council for an Energy-Efficient Economy, Washington, DC, 164 p. GHISI, E. (1997 a ). Uso final de energia elétrica em edificações: um panorama mundial. Relatório interno. Laboratório de Eficiência Energética em Edificações, Núcleo de Pesquisa em Construção, Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, julho/97, 38 p. GHISI, E.; (1997 b ). Desenvolvimento de uma metodologia para retrofit em sistemas de iluminação: estudo de caso na Universidade Federal de Santa Catarina. Dissertação de Mestrado. Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil. UFSC. Florianópolis, agosto/97, 246 p.
61 Desempenho térmico de edificações 61 GHISI, E.; RODAS, P. A. G. (1997). Transmitância térmica de elementos construtivos. Relatório interno, LabEEE - Laboratório de Eficiência Energética em Edificações, UFSC. Florianópolis, abril/97. GHISI, E.; LAMBERTS, R. (1996). Desempenho térmico de edificações: cálculo da transmitância e da capacidade térmica de elementos e componentes. Texto base para norma. Núcleo de Pesquisa em Construção. UFSC. Florianópolis, 19 p. GIVONI, B. (1992). Comfort, climate analysis and building design guidelines. In: Energy and building, vol 18, July/92, p GOULDING, J. R.; LEWIS, J. O.; STEEMERS, T. C. (1993). Energy conscious design: a primer for architects. Batsford for the Commission of the European Communities. London, 135 p. IAEEL (1992). Big Business sees the light. IAEEL International Association for Energy- Efficient Lighting, Newsletter 1/92. Issue n o 1, vol 1. ISO 7730 (1984). Moderate thermal environments determination of the PMV e PPD indices and specification of the conditions for thermal comfort. International Standard, 19 p. KOENIGSBERGER, O. H.; INGERSOLL, T. G.; MAYHEW, A.; SZOKOLAY, S. V. (1980). Manual of tropical housing and building. Part 1: climatic design. Longman Group Limited, London, 320 p. KOREAN NATIONAL TEAM (1996). New lighting systems. In: New lighting systems, Newsletter CADDET Energy Efficiency - Centre for the Analysis and Dissemination of Demonstrated Energy Technologies. The Netherlands, p 20. LAMBERTS, R. (1995). Simulação energética de edificações usando o DOE 2.1E. Núcleo de Pesquisa em Construção, Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. LAMBERTS, R.; DUTRA, L.; PEREIRA, F. O. R. (1997). Eficiência energética na arquitetura. Livro a ser publicado. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. LBL (1989). Proceedings of the ASEAN special sessions of the ASHRAE far east conference on air conditioning in hot climates. Lawrence Berkeley Laboratory. United States Agency for International Development. American Society of Heating, Refrigeration, and Air- Conditioning Engineers, Inc. Berkeley. October. LEONELLI, P. A.; ARAÚJO, I. M. T; SILVA, H. V. (1995). O uso racional de energia e as perspectivas da iluminação eficiente no país. In: Eletricidade Moderna. Aranda Editora. Ano XXIII, n o 261, dezembro/95, p MIN, G. F.; MILLS, E.; ZHANG, Q. (1995). Energy-efficient lighting in China: problems and prospects. In: Right Light Three, 3 rd European Conference on Energy-Efficient Lighting. Proceedings. Volume I: presented papers. England, p OLGYAY, V. (1973). Design with climate: bioclimatic approach to architectural regionalism. 4 a ed. Princeton University Press, Princeton, New Jersey, USA. PEDRINI, A. (1997). Desenvolvimento de metodologia para calibração do programa DOE 2.1E. Dissertação de Mestrado. Curso de Pós-Graduação em Engenharia Civil. UFSC. Florianópolis, junho/97, 173 p. PROCEL (1993). Manual de conservação de energia elétrica em prédios públicos e comerciais. PROCEL Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica. 3 a edição, 20 p. RIVERO, R. (1986). Arquitetura e clima: acondicionamento térmico natural. 2 a edição, DC Luzzatto Editores Ltda, 240 p.
62 Desempenho térmico de edificações 62 ROMÉRO, M. A. (1994). Método de avaliação do potencial de conservação de energia elétrica em campi universitários: o caso da cidade universitária Armando de Salles Oliveira. Tese de Doutorado. Vol I. FAUUSP. São Paulo. SANTAMOURIS, M. (1995). Energy retrofitting of office buildings. Vol 1: Energy efficiency and retrofit measures for offices. Series: Energy Conservation in Buildings. Editors: M. Santamouris & D. Asimakopoulos. University of Athens, Greece, 178 p. SIGNOR, R. (1996). Análise de sensitividade do consumo de energia elétrica devido a padrões construtivos de edifícios. Trabalho de conclusão de curso, Departamento de Engenharia Civil, Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, dezembro/96. SLIEPENBEEK, W.; VAN BROEKHOVEN, L. (1995). Evaluation of stimev, the all-dutch utility-sponsered lighting rebate programs. In: Right Light Three, 3 rd European Conference on Energy-Efficient Lighting. Proceedings. Volume I: presented papers. England, p THE EUROPEAN COMMISSION (1994). Daylighting in buildings. The European Commission. Dictorate - General for Energy (DGXVII). The THERMIE Programme Action. Dublin, 26 p.
63 Desempenho térmico de edificações Anexos
64 Desempenho térmico de edificações 64 Anexo 1
65
66 Desempenho térmico de edificações 65 Anexo 2
67 Dezembro 1998 Projeto 02: Desempenho térmico de edificações - Parte 1: Definições, símbolos e unidades. Origem: 02: :1998 CB-02- Comitê Brasileiro de Construção Civil CE-02: Comissão de Estudo de Desempenho Térmico de Edificações 02: Thermal performance in buildings - Terminology, symbols and units Descriptors: Thermal. Performance. Buildings. Terminology. Symbols. Units Palavras-chave: Desempenho térmico. 11 páginas Edificações. Definições. Símbolos. Unidades SUMÁRIO Prefácio 1 Objetivo 2 Definições Anexos A Referências bibliográficas B Tabelas de conversão de unidades Prefácio A ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - é o Fórum Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (CB) e dos Organismos de Normalização Setorial (ONS), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros). Os projetos de Norma Brasileira, elaborados no âmbito dos CB e ONS, circulam para Votação Nacional entre os associados da ABNT e demais interessados.
68 2 Projeto 02: :1998 As definições, símbolos e unidades adotadas nesta Norma são também utilizados nas seguintes Normas que compõem o conjunto de Normas de Desempenho Térmico de Edificações: Parte 2: Métodos de cálculo da transmitância térmica, da capacidade térmica, do atraso térmico e do fator de calor solar de elementos e componentes de edificações; Parte 3: Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social; Parte 4: Medição da resistência térmica e da condutividade térmica pelo princípio da placa quente protegida; Parte 5: Medição da resistência térmica e da condutividade térmica em regime estacionário pelo método fluximétrico. Os anexos A e B são de caráter informativo. 1 Objetivo Esta norma estabelece as definições e os correspondentes símbolos e unidades de termos relacionados com o desempenho térmico de edificações. Notas: 1) O anexo A apresenta a fonte de algumas definições abordadas nesta Norma. 2) O anexo B apresenta tabelas de conversão de unidades para facilitar o uso da literatura internacional sobre o assunto. 2 Definições Para os efeitos desta Norma aplicam-se as definições, símbolos e unidades indicadas nas tabelas 1, 2 e 3 conforme o campo de estudo. \Tabela 1
69 Projeto 02: : Tabela 1 - Características térmicas de materiais, elementos e componentes construtivos N o Grandeza Definição Símbolo Unidade 1 Calor Ver NBR Q J ou Energia térmica 2 Fluxo de calor ou Taxa de fluxo de calor Quociente da quantidade de calor que atravessa uma superfície durante um intervalo de tempo pela Q W 3 Densidade de fluxo de calor ou Densidade de taxa de fluxo de calor 4 Condutividade térmica 5 Resistência térmica de elementos e componentes 6 Resistência superficial interna 7 Resistência superficial externa 8 Resistência térmica total duração desse intervalo. Quociente do fluxo de calor que atravessa uma superfície pela área dessa superfície (1). Quociente do fluxo de calor pelo gradiente de temperatura (2). Quociente da diferença de temperatura verificada entre as superfícies de um elemento ou componente construtivo pela densidade de fluxo de calor, em regime estacionário. Resistência térmica da camada de ar adjacente à superfície interna de um componente que transfere calor por radiação e/ou convecção. Resistência térmica da camada de ar adjacente à superfície externa de um componente que transfere calor por radiação e/ou convecção. Associação das diversas resistências térmicas do componente em questão com as resistências superficiais interna e externa. q W/m 2 λ R R si R se R T W/(m.K) (m 2.K)/ W (m 2.K)/ W (m 2.K)W (m 2.K)/ W (1) Esta grandeza também pode ser expressa por unidade de comprimento. Neste caso, seu símbolo é q e sua unidade W/m. (2) Quando existe transferência de calor por condução, convecção e radiação em materiais porosos deve-se usar o termo condutividade térmica aparente. \continua
70 4 Projeto 02: :1998 continuação N o Grandeza Definição Símbolo Unidade 9 Transmitância térmica ou Coeficiente global de transferência de calor Inverso da resistência térmica total. 10 Capacidade térmica C=dQ/dT, onde dt é o aumento de temperatura em um sistema, como resultado da adição de uma pequena quantidade de calor dq (3). 11 Calor específico ou Capacidade térmica específica 12 Capacidade térmica de componentes 13 Densidade de massa aparente Quociente da capacidade térmica pela massa. Quantidade de calor necessária para variar em uma unidade a temperatura de um componente, por unidade de área. Quociente da massa pelo volume aparente de um corpo. 14 Difusividade térmica Quociente da capacidade de um material de conduzir calor (λ) pela sua capacidade de armazenar energia térmica (ρc). 15 Atraso térmico Tempo que transcorre entre os momentos de ocorrência da temperatura máxima do ar no exterior e no interior da edificação quando se verifica um fluxo de calor através de um componente construtivo submetido a uma variação periódica da temperatura do ar no exterior (4). 16 Fator de calor solar Quociente da energia solar absorvida por um componente pela energia solar total incidente sobre a superfície externa do mesmo. 17 Emitância Taxa de emissão de radiação por unidade de área em todos os comprimentos de onda e em todas as direções. 18 Irradiância Taxa de radiação incidente sobre um corpo, por unidade de área da superfície, em todos os comprimentos de onda e em todas as direções. U W/(m 2.K ) C C J/K J/(kg.K ) C T J/(m 2.K ) ρ kg/m 3 α m 2 /s ϕ h FS - E W/m 2 G W/m 2
71 Projeto 02: : continuação N o Grandeza Definição Símbolo Unidade 19 Radiosidade Taxa de energia radiante que deixa uma superfície, incluindo a parcela refletida da radiação incidente e a emissão direta da superfície. J W/m 2 20 Emissividade Quociente da taxa de ε - radiação emitida por uma superfície pela taxa de radiação emitida por um corpo negro, à mesma temperatura. 21 Absortância à radiação solar 22 Absortância em ondas longas 23 Refletância à radiação solar 24 Refletância em ondas longas 25 Transmitância à radiação solar 26 Transmitância em ondas longas Quociente da taxa de radiação solar absorvida por uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma superfície (5). Quociente da taxa de radiação emitida por fontes de baixa temperatura que é absorvida por uma superfície pela taxa de radiação incidente sobre esta mesma superfície (6). Quociente da taxa de radiação solar refletida por uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma superfície. Quociente da taxa de radiação emitida por fontes de baixa temperatura que é refletida por uma superfície pela taxa de radiação incidente sobre esta mesma superfície. Quociente da taxa de radiação solar que atravessa uma superfície pela taxa de radiação solar incidente sobre esta mesma superfície. Quociente da taxa de radiação transmitida por fontes de baixa temperatura que atravessa um corpo pela taxa de radiação incidente sobre esta mesma superfície. α - α ol - ρ - ρ ol - τ - τ ol - (3) Para que esta grandeza seja completamente definida, é necessário que o tipo de transformação seja especificado. (4) O atraso térmico depende da capacidade térmica do componente construtivo e da ordem em que as camadas estão dispostas.
72 6 Projeto 02: :1998 (5) A radiação solar está concentrada na região do espectro eletromagnético compreendida entre comprimento de onda de 0,2µm e 3,0 µm. (6) Fontes de baixa temperatura emitem radiação térmica de onda longa com comprimento de onda compreendido entre 3,0µm e 100,0 µm.
73 Projeto 02: : Tabela 2 - Características térmicas de ambientes N o Grandeza Definição Símbolo Unidade 27 Temperatura radiante Temperatura uniforme do T o rp C plana ambiente no qual o fluxo radiante incidente em um lado de um pequeno elemento plano é o mesmo que no ambiente real não 28 Temperatura radiante média 29 Assimetria de radiação 30 Temperatura operativa uniforme (7). Temperatura uniforme de um ambiente imaginário no qual a troca de calor do corpo humano por radiação é igual a troca de calor por radiação no ambiente real não uniforme. Diferença entre as temperaturas radiantes planas medidas em lados opostos de um pequeno elemento plano. É a temperatura uniforme de um ambiente negro imaginário no qual o ocupante poderia trocar a mesma quantidade de calor por radiação e convecção que no ambiente real não uniforme. 31 Temperatura efetiva Temperatura de um ambiente com 50% de umidade relativa que resulta na mesma perda total de calor pela pele que em um ambiente real. 32 Temperatura neutra Temperatura operativa para a qual o corpo humano encontra-se em neutralidade térmica. 33 Temperatura termodinâmica Definida de acordo com os princípios da termodinâmica (8) 34 Temperatura Celsius t = T T o onde T o é fixado por convenção como sendo 273,15 K (9). (7) A temperatura radiante plana é uma quantidade que descreve a radiação em uma direção. (8) A unidade de temperatura termodinâmica, kelvin (K), é a fração 1/273,16 da temperatura termodinâmica do ponto tríplice da água. A temperatura termodinâmica é uma das sete grandezas de base do SI. (9) A temperatura termodinâmica To é, por definição, 0,01 K inferior à temperatura termodinâmica do ponto tríplice da água. Graus Celsius é um nome especial para a unidade kelvin, para uso na indicação de valores da temperatura Celsius. \continua T rm T rp T o T ef T N T t o C o C o C o C o C K o C
74 8 Projeto 02: :1998 continuação N o Grandeza Definição Símbolo Unidade 35 Temperatura ar-sol Temperatura fictícia que T ar-sol o C representa o efeito combinado da radiação solar incidente no fechamento e dos intercâmbios de energia por radiação e convecção entre a superfície e o meio envolvente. 36 Taxa de ventilação Vazão de ar exterior que V ar m 3 /s circula por um ambiente através de aberturas intencionais. 37 Taxa de infiltração Vazão de ar exterior que circula por um ambiente através de aberturas não V i m 3 /s 38 Taxa de renovação de ar intencionais. Número de trocas de ar de um ambiente por unidade de tempo. N v Renovações/ hora
75 Projeto 02: : Tabela 3 - Grandezas do clima, do ambiente e da fisiologia humana relacionadas ao condicionamento térmico de edificações N o Grandeza Definição Símbolo Unidade 39 Conforto térmico Satisfação psicofisiológica de um indivíduo com as condições térmicas do ambiente Neutralidade térmica Estado físico no qual a densidade do fluxo de calor entre o corpo humano e o ambiente é igual à taxa metabólica do corpo, sendo mantida constante a temperatura do corpo Desconforto local Aquecimento ou - - resfriamento de uma parte do corpo gerando insatisfação do indivíduo. 42 Taxa metabólica Taxa de produção de TM W/m 2 energia do corpo (10). 43 Isolamento térmico das roupas Representa a resistência à troca de calor sensível através de um conjunto de I r clo 44 Percentagem de pessoas insatisfeitas com o ambiente 45 Temperatura de bulbo seco 46 Temperatura de bulbo úmido 47 Temperatura de bulbo úmido com ventilação natural roupas (11). Percentagem de pessoas em um ambiente que não se encontram termicamente satisfeitas (12). Temperatura do ar medida por um termômetro com dispositivo de proteção contra a influência da radiação ambiente. Temperatura do ar medida por um termômetro cujo bulbo está embutido em uma mecha embebida em água destilada, sobre o qual atua um exaustor de ar, tornando forçada a convecção entre a mecha e o ar. Temperatura do ar medida por um termômetro cujo bulbo está embutido em uma mecha embebida em água destilada, o qual está sujeito à circulação de ar existente no ambiente. PPI % T BS T BU T BUn o C o C o C
76 10 Projeto 02: :1998 (10) A Taxa metabólica, função da intensidade da atividade física desenvolvida pelo corpo humano, pode também ser expressa na unidade met (do inglês metabolic unit), que corresponde a 58,2 W/m 2. (11) É descrito como um isolamento intrínseco da pele para a superfície da roupa, não incluindo a resitência proporcionada pela camada de ar existente entre a pele e a roupa. É expressa em clo, do inglês clothing. Desta forma, 1 clo = 0,155 (m 2.K)/W. (12) Esta grandeza também pode ser chamada de PPD Predicted Percentage of Dissatisfied. \continua
77 Projeto 02: : continuação N o Grandeza Definição Símbolo Unidade 48 Umidade absoluta do UA ar 49 Umidade relativa do ar Quociente da massa de vapor d água (em g) pela massa de ar seco (em Kg). Quociente da umidade absoluta do ar pela umidade absoluta do ar saturado para a mesma temperatura. 50 Velocidade do ar Velocidade unidirecional do ar em relação à um ponto de referência. 51 Zona bioclimática Região geográfica homogênea quanto aos fatores climáticos que interferem nas relações entre ambiente construído e conforto humano. 52 Irradiância solar direta 53 Irradiância solar difusa 54 Radiação solar refletida 55 Irradiância solar total Fluxo de radiação solar direta incidente sobre uma superfície por unidade de área. Fluxo de radiação solar incidente sobre uma superfície por unidade de área, no conjunto de todas as direções, exceto a de incidência direta (13). Radiação solar refletida por superfícies externas à edificação. Fluxo de radiação solar direto e difuso incidente sobre uma superfície unitária, a uma dada inclinação e orientação. g vapor/ kg ar seco UR % V m/s - - G dir W/m 2 G dif W/m 2 G r W/m 2 G W/m 2 (13) Com céu claro a sua distribuição é considerada anisotrópica.
78 12 Projeto 02: :1998 N o da grandeza 1, 2, 3, 4, 10, 11, 33 e 34 27, 28, 29 e 31 Fonte Anexo A (informativo) Referências bibliográficas ABNT (1992). NBR Grandezas e unidades de termodinâmica. Associação Brasileira de Normas Técnicas. ASHRAE (1997). Ashrae Handbook Fundamentals. Capítulo 8 - Physiological principles for comfort and health. ISO 7726 (1996). Thermal environments: Instruments and methods for measuring physical quantities. 30 ISO 7730 (1994). Moderate thermal environments: Determination of the PMV and PPD indices and specification of the conditions for thermal comfort. ASHRAE (1997). Ashrae Standard 55/1992 Thermal environmental conditions for human occupancy. 42 e 43 ASHRAE (1997). Ashrae Standard Thermal environmental conditions for human occupancy.
79 Projeto 02: : Anexo B (informativo) Tabelas de conversão de unidades As tabelas B.1 a B.5 indicam as conversões de unidades conforme sua natureza. Tabela B.1 - Medidas lineares Metros Pés Polegadas Milhas 1 3,281 39,37 0, , , ,0254 0, , , Tabela B.2 - Medidas de massa kg Libra 1 2,203 0,454 1 Tabela B.3 - Energia kj kcal Btu kwh 1 0,239 0,948 0, , ,968 0, ,055 0, , ,00 859, ,66 1 Tabela B.4 - Condutividade térmica W/(m.K) kcal/(m.h.k) Btu/(pé 2.h. F) 1 0,861 6,94 1, ,064 0,144 0,124 1 Tabela B.5 - Temperaturas T [ C] = 5/9 (T [ F] - 32) T [ F] = (9 T [ C]/5) + 32 T [K] = T [ C] + 273,15 T [R] = T [ F] + 459,
80 Desempenho térmico de edificações 66 Anexo 3
81 Dezembro 1998 Projeto 02: Desempenho térmico de edificações - Parte 2: Métodos de cálculo da transmitância térmica, da capacidade térmica, do atraso térmico e do fator de calor solar de elementos e componentes de edificações. Origem: 02: :1998 CB-02- Comitê Brasileiro de Construção Civil CE-02: Comissão de Estudo de Desempenho Térmico de Edificações 02: Thermal performance in buildings - Calculation methods of thermal transmittance, thermal capacity, thermal delay and solar heat factor of elements and components of buildings. Descriptors: Thermal. Performance. Buildings. Calculations. Transmittance. Capacity. Delay. Solar heat factor. Palavras-chave: Desempenho térmico. 27 páginas Edificações. Cálculos. Transmitância térmica. Capacidade térmica. Atraso térmico. Fator de calor solar. SUMÁRIO Prefácio 1 Objetivo 2 Referências normativas 3 Definições e símbolos 4 Fórmulas básicas 5 Resistência térmica de um componente 6 Capacidade térmica de um componente 7 Atraso térmico de um componente 8 Fator de calor solar Anexos
82 2 Projeto 02: :1998 A Resistências térmicas superficiais B Resistência térmica de câmaras de ar não ventiladas, Absortância e emissividade de superfícies e cores e propriedades térmicas de materiais C Exemplos de cálculo Prefácio A ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - é o Fórum Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (CB) e dos Organismos de Normalização Setorial (ONS), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros). Os projetos de Norma Brasileira, elaborados no âmbito dos CB e ONS, circulam para Votação Nacional entre os associados da ABNT e demais interessados. Esta Norma faz parte do conjunto de Normas de Desempenho Térmico de Edificações constituído pelas partes: Parte 1: Definições, símbolos e unidades; Parte 3: Zoneamento bioclimático brasileiro e diretrizes construtivas para habitações unifamiliares de interesse social; Parte 4: Medição da resistência térmica e da condutividade térmica pelo princípio da placa quente protegida; Parte 5: Medição da resistência térmica e da condutividade térmica em regime estacionário pelo método fluximétrico. O anexo A é de caráter normativo e os anexos B e C são de caráter informativo. 1 Objetivo Esta norma estabelece procedimentos para o cálculo das propriedades térmicas - resistência, transmitância e capacidade térmica, atraso térmico e fator de calor solar - de elementos e componentes de edificações quando sujeitos a um regime estacionário de transmissão de calor. Notas: 1) O anexo A apresenta as resistências térmicas superficiais a serem consideradas na aplicação desta Norma. 2) O anexo B apresenta a resistência térmica de câmaras de ar não ventiladas, a absortância e a emissividade de superfícies e cores e as propriedades térmicas (condutividade térmica, calor específico e densidade de massa aparente) de materiais. 3) O anexo C apresenta exemplos de cálculo das grandezas tratadas nesta Norma. No anexo D do projeto 02: Parte 3 desta Norma apresenta-se a transmitância térmica, a capacidade térmica e o atraso térmico de vários exemplos de paredes e coberturas. 2 Referências normativas As normas relacionadas a seguir contêm disposições que, ao serem citadas neste texto, constituem prescrições para esta Norma Brasileira. As edições indicadas estavam em vigor no momento desta publicação. Como toda norma está sujeita a revisão, recomenda-se àqueles que realizam acordos com base nesta que verifiquem a conveniência de se usarem as edições mais recentes das normas citadas a seguir. A ABNT possui a informação das Normas Brasileiras em vigor em um dado momento. Projeto 02: : Desempenho térmico de edificações -
83 Projeto 02: : Parte 1: Definições, símbolos e unidades. Projeto 02: : Desempenho térmico de edificações - Parte 3: Procedimentos para avaliação de habitações de interesse social. ISO 6946:1996: Building components and building elements - Thermal resistance and thermal transmittance - Calculation methods. 3 Definições, símbolos e subscritos Para os efeitos desta Norma aplicam-se as definições, símbolos e abreviaturas constantes do projeto 02: Parte 1 desta Norma e os seguintes símbolos, unidades, subscritos e definições, conforme 3.1 a 3.3, válidos para todas as expressões desenvolvidas daqui para frente. 3.1 Símbolos A Área R Resistência térmica de um componente U Transmitância térmica de um componente C T Capacidade térmica de um componente ϕ Atraso térmico de um componente FS Fator de calor solar c Calor específico e Espessura de uma camada λ Condutividade térmica do material ρ Densidade de massa aparente do material ε Emissividade hemisférica total m 2 (m 2.K)/W W/(m 2.K) kj/(m 2.K) horas - kj/(kg.k) m W/(m.K) kg/m Subscritos ar referente a uma câmara de ar n número total de seções ou camadas (a, b, c,, n-1, n.) de um elemento ou componente s superfície e exterior da edificação i interior da edificação t total, superfície a superfície T total, ambiente a ambiente 3.3 Definição de seções e camadas Denomina-se seção à uma parte de um componente tomada em toda a sua espessura (de uma face à outra), e que contenha apenas resistências térmicas em série. Denomina-se camada à uma parte de um componente tomada paralelamente às suas faces e com espessura constante. Desta forma, conforme item 5.2.1, a figura 1 possui 4 seções (S a, S b, S c e S d ). A seção S a é composta por uma única camada, a seção S b é composta por duas camadas, a seção S c também é composta por uma única camada (diferente daquela da seção S a ) e a seção S d é composta por duas camadas. 4 Fórmulas básicas 4.1 Resistência térmica Camadas homogêneas Valores da resistência térmica, R, obtidos através de medições baseadas em testes normalizados, devem ser usados sempre que
84 4 Projeto 02: :1998 possível. Na ausência de valores medidos, conforme ISO 6946, recomenda-se que a resistência térmica, R, de uma camada homogênea de material sólido, seja determinada pela expressão 1. R = e/λ...1) Os valores recomendados de condutividade térmica de alguns materiais de uso corrente são encontrados na tabela B.3 do anexo B Câmara de ar A resistência térmica de câmaras de ar (R ar ) não ventiladas pode ser obtida na tabela B.1 do anexo B. Para tijolos ou outros elementos com câmaras de ar circulares, devese transformar a área da circunferência em uma área equivalente a um quadrado com centros coincidentes. Para coberturas, independentemente do número de águas, a altura equivalente da câmara de ar para cálculo é determinada dividindo-se por dois a altura da cumeeira Superfícies A resistência superficial externa (R se ) e a superficial interna (R si ) são obtidas na tabela A.1 do anexo A. 4.2 Transmitância térmica A transmitância térmica de componentes, de ambiente a ambiente, é o inverso da resistência térmica total, conforme expressão 2. U = 1/R T...2) 4.3 Capacidade térmica de componentes A capacidade térmica de componentes pode ser determinada pela expressão 3. C n n T = λi.r i.ci. ρi = e i.ci. i= 1 i= 1 ρ i...3) onde λ é a condutividade térmica do material da camada i a. ; R é a resistência térmica da camada i a. ; e é a espessura da camada i a. c é o calor específico do material da camada i a. ; ρ é a densidade de massa aparente do material da camada i a.. 5 Resistência térmica de um componente 5.1 Componentes com camadas homogêneas A resistência térmica total de um componente plano constituído de camadas homogêneas perpendiculares ao fluxo de calor é determinada pelas expressões 4 e Superfície a superfície (R t ) A resistência térmica de superfície a superfície de um componente plano constituído de camadas homogêneas, perpendiculares ao fluxo de calor, é determinada pela expressão 4.
85 Projeto 02: : R t = R t1 + R t R tn + R ar1 + R ar R arn...4) onde R t1, R t2,, R tn R ar1, R ar2,..., R arn são as resistências térmicas das n camadas homogêneas, determinadas pela expressão 1; são as resistências térmicas das n câmaras de ar, obtidas da tabela B.1 do anexo B Ambiente a ambiente (R T ) A resistência térmica de ambiente a ambiente é dada pela expressão 5. R T = R se + R t + R si...5) onde R t R se e R si é a resistência térmica de superfície a superfície, determinada pela expressão 4; são as resistências superficiais externa e interna, respectivamente, obtidas da tabela A.1 do anexo A. 5.2 Componentes com camadas homogêneas e não homogêneas A resistência térmica total de um componente plano constituído de camadas homogêneas e não homogêneas perpendiculares ao fluxo de calor é determinada pelas expressões 6 e 7. Nota: O procedimento de cálculo da resistência térmica de componentes apresentado nesta Norma é diferente daquele apresentado pela ISO 6946, sendo que o apresentado neste Norma é mais rápido e simples e os resultados são equivalentes Superfície a superfície (R t ) A resistência térmica de superfície a superfície de um componente plano constituído de camadas homogêneas e não homogêneas (ver figura 1), perpendiculares ao fluxo de calor, é determinada pela expressão 6. a b n R = A + A A t Aa Ab An Ra Rb Rn...6) onde R a, R b,..., R n A a, A b,..., A n são as resistências térmicas de superfície à superfície para cada seção (a, b,, n), determinadas pela expressão 4; são as áreas de cada seção
86 6 Projeto 02: :1998 Figura 1 - Seções de um componente com camadas homogêneas e não homogêneas Ambiente a ambiente (R T ) A resistência térmica de ambiente a ambiente é dada pela expressão 7. R T = R se + R t + R si...7) onde R t R se e R si é a resistência térmica de superfície a superfície, determinada pela expressão 6; são as resistências superficiais externa e interna, respectivamente, obtidas da tabela A.1 do anexo A. 5.3 Componentes com câmara de ar ventilada Condições de ventilação para as câmaras de ar São considerados dois tipos de ventilação para as câmaras de ar - pouco ou muito ventiladas - segundo sua posição. As relações são dadas na tabela 1. Tabela 1 - Condições de ventilação para câmaras de ar Posição da Câmara de ar Câmara de ar pouco ventilada muito ventilada Vertical (paredes) S/L < 500 S/L 500 Horizontal S/A < 30 (coberturas) S/A 30 S é a área total de abertura de ventilação, em cm 2 ; L é o comprimento da parede, em m; A é a área da cobertura Em condições de verão (ganho de calor) A resistência térmica da câmara de ar ventilada deve ser igual a da câmara de ar não ventilada e obtida da tabela B.1 do anexo B Em condições de inverno (perda de calor) Distingue-se dois casos:
87 Projeto 02: : a) câmara pouco ventilada: a resistência térmica da câmara será igual a da câmara não ventilada e obtida da tabela B.1 do anexo B; e b) câmara muito ventilada: a camada externa à câmara não será considerada e a resistência térmica total (ambiente a ambiente) deve ser calculada pela expressão 8. R T = 2.R si + R t...8) onde R t R si é a resistência térmica da camada interna do componente construtivo. No caso de coberturas, é a resistência térmica do componente localizado entre a câmara de ar e o ambiente interno forro; é a resistência superficial interna obtida da tabela A.1 do anexo A. Nota: No caso de coberturas, a câmara de ar existente entre o telhado e o forro pode ser chamada de ático Considerações quanto a ventilação de áticos A ventilação do ático em regiões quentes é desejável e recomendável. Isto aumenta a resistência térmica da câmara de ar e consequentemente reduz a transmitância térmica e os ganhos de calor. Porém, alerta-se que em regiões com estação fria (inverno) a ventilação do ático provoca perdas de calor pela cobertura, o que não é desejável. 6 Capacidade térmica de um componente 6.1 Componentes com camadas homogêneas A capacidade térmica de um componente plano constituído de camadas homogêneas perpendiculares ao fluxo de calor é determinada pela expressão 3, conforme item Componentes com camadas homogêneas e não homogêneas A capacidade térmica de um componente plano constituído de camadas homogêneas e não homogêneas (ver figura 1), perpendiculares ao fluxo de calor, é determinada pela expressão 9. C T = Aa + Ab An Aa Ab A C C C Ta Tb n Tn...9) onde C Ta, C Tb,..., C Tn A a, A b,..., A n são as capacidades térmicas do componente para cada seção (a, b,, n), determinadas pela expressão 3; são as áreas de cada seção 6.3 Componentes com câmaras de ar Como o ar apresenta uma densidade de massa aparente muito baixa ( ρ = 1,2 kg/m 3 ), a sua capacidade térmica, em componentes com câmaras de ar, pode ser desprezada. 7 Atraso térmico de um componente 7.1 Caso de elemento homogêneo
88 8 Projeto 02: :1998 Em uma placa homogênea (constituída por um único material), com espessura e e submetida à um regime térmico com período de 24 horas, o atraso térmico pode ser estimado pela expressão 10 ou pela 11. ϕ = 1,382.e. ñ.c 3,6.ë...10) ϕ = 0,7284. R t.c...11) T onde ϕ é o atraso térmico ; e é a espessura da placa ; λ é a condutividade térmica do material ; ρ é a densidade de massa aparente do material; c é o calor específico do material; R t é a resistência térmica de superfície a superfície do componente ; C T é a capacidade térmica do componente. 7.2 Caso de elemento heterogêneo No caso de um componente formado por diferentes materiais superpostos em n camadas paralelas às faces (perpendiculares ao fluxo de calor), o atraso térmico varia conforme a ordem das camadas. Para calor específico quando em (kj/(kg.k)), o atraso térmico é determinado através da expressão 12. ϕ = 1,382.R. B + B...12) t 1 2 onde R t é a resistência térmica de superfície a superfície do componente; B 1 é dado pela expressão 13; B 2 é dado pela expressão 14. B 0 B 1 = 0, ) Rt onde B 0 é dado pela expressão 15. B ( λ. ρ.c) = 0,205. Rt ext 2. R ext R t R 10 ext...14) B 0 = C T - C Text...15) onde C T é a capacidade térmica total do componente ; C Text é a capacidade térmica da camada externa do componente. Notas: 1) Nas equações acima, o índice "ext" se refere à última camada do componente, junto à face externa. 2) Considerar B 2 nulo caso seja negativo.
89 Projeto 02: : Fator de calor solar O fator de calor solar (ou apenas fator solar) é dado pela expressão 16. FS = 100.U.α.R se...16) onde FS é o fator solar em percentagem ; U é a transmitância térmica do componente; α é a absortância à radiação solar função da cor; R se é a resistência superficial externa, dada pela tabela A.1 do Anexo A. Como R se é admitido constante e igual a 0,04, a expressão 16 pode ser reescrita na forma da expressão 17. FS = 4.U.α...17) Quando deve-se respeitar um limite de fator solar para uma determinada região, pode-se determinar o máximo valor de α em função do fator solar e da transmitância térmica, conforme mostra a expressão 18. α FS/(4.U)...18) A tabela B.2 do anexo B apresenta a absortância (α) e a emissividade (ε) de algumas superfícies e cores. 9 Precisão A precisão das grandezas tratadas nesta Norma deve obedecer ao número de casas decimais apresentadas na tabela 2. Tabela 2 - Precisão das principais grandezas Grandeza N o de casas decimais Resistência térmica 4 Transmitância 2 térmica Capacidade térmica 0 (valor inteiro) Fator solar 1 Atraso térmico 1
90 10 Projeto 02: :1998 Anexo A (normativo) Resistências térmicas superficiais A resistência térmica superficial varia de acordo com vários fatores tais como: emissividade, velocidade do ar sobre a superfície e temperaturas da superfície, do ar e superfícies próximas. A tabela A.1 apresenta valores médios recomendados. Tabela A.1 - Resistência térmica superficial interna e externa. R si (m 2.K)/W Direção do fluxo de calor Horizontal Ascendente Descendent e R se (m 2.K)/W Direção do fluxo de calor Horizonta Ascendent Descendente l e 0,13 0,10 0,17 0,04 0,04 0,04
91 Projeto 02: : Anexo B (informativo) Resistência térmica de câmaras de ar não ventiladas, Absortância e emissividade de superfícies e cores e Propriedades térmicas de materiais B.1 - Resistência térmica de câmaras de ar não ventiladas Os valores da resistência térmica de câmaras de ar não ventiladas apresentados na tabela B.1 são válidos para uma temperatura média da camada entre 0 C e 20 C e com uma diferença de temperatura entre as superfícies limitantes menor do que 15 C. Tabela B.1 - Resistência térmica de câmaras de ar não ventiladas, com largura muito maior que a espessura. Natureza da superfície da câmara de ar Resistência térmica R ar m 2.K/W Espessura e Direção do fluxo de calor da câmara de ar Horizonta Ascendente Descendente l cm Superfície de alta emissividade ε > 0,8 Superfície de baixa emissividade ε < 0,2 1,0 e 2,0 2,0 < e 5,0 e > 5,0 1,0 e 2,0 2,0 < e 5,0 e > 5,0 0,14 0,16 0,17 0,29 0,37 0,34 0,13 0,14 0,14 0,23 0,25 0,27 0,15 0,18 0,21 0,29 0,43 0,61 1) ε é a emissividade hemisférica total. 2) Os valores para câmaras de ar com uma superfície refletora só podem ser usados se a emissividade da superfície for controlada e prevê-se que a superfície continue limpa, sem pó, gordura ou água de condensação. 3) Para coberturas, recomenda-se a colocação da superfície refletora paralelamente ao plano das telhas (exemplo C.6 do anexo C); desta forma, garante-se que pelo menos uma das superfícies - a inferior - continuará limpa, sem poeira. 4) Caso, no processo de cálculo, existam câmaras de ar com espessura inferior a 1,0 cm, pode-se utilizar o valor mínimo fornecido por esta tabela.
92 12 Projeto 02: :1998 Tabela B.2 - Absortância (a) para radiação solar (ondas curtas) e emissividade(e) para radiações a temperaturas comuns (ondas longas) Tipo de superfície a e Chapa de alumínio (nova e 0,05 0,05 brilhante) Chapa de alumínio (oxidada) 0,15 0,12 Chapa de aço galvanizada (nova e 0,25 0,25 brilhante) Caiação nova 0,12 / 0,15 0,90 Concreto aparente 0,65 / 0,80 0,85 / 0,95 Telha de barro 0,75 / 0,80 0,85 / 0,95 Tijolo aparente 0,65 / 0,80 0,85 / 0,95 Reboco claro 0,30 / 0,50 0,85 / 0,95 Revestimento asfáltico 0,85 / 0,98 0,90 / 0,98 Vidro comum de janela Transparente 0,90 / 0,95 Pintur a: - branca - amarela - verde claro - alumínio verde escuro - vermelha - preta 0,20 0,30 0,40 0,40 0,70 0,74 0,97 0,90 0,90 0,90 0,50 0,90 0,90 0,90
93 Projeto 02: : B.3 - Propriedades térmicas de materiais A tabela B.3, de caráter não restritivo, apresenta - quando não houver resultados de ensaios - a condutividade térmica (λ) e o calor específico (c) para diversos materiais de construção em função de sua densidade de massa aparente (ρ). Tabela B.3 - Densidade de massa aparente (r), condutividade térmica (l) e calor específico (c) de materiais Material r (kg/m 3 ) l (W/(m.K)) c (kj/(kg.k )) Argamassas argamassa comum ,15 1,00 argamassa de gesso (ou cal e ,70 0,84 gesso) argamassa celular ,40 1,00 Cerâmica tijolos e telhas de barro Cimento-amianto placas de fibro-cimento ,70 0,90 1,00 1,05 0,95 0,65 0,92 0,92 0,92 0,92 0,84 0,84 Concreto (com agregados de pedra) concreto normal ,75 1,00 concreto cavernoso ,40 1,00 Concreto com pozolana ou escória expandida com estrutura cavernosa (r dos inertes ~750 kg/m 3 ) com finos ,52 0,44 1,00 1,00 sem finos ,35 1,00 Concreto com argila expandida dosagem de cimento > 300 kg/m 3, ρ dos inertes > 350 kg/m dosagem de cimento < 250 Kg/m 3, ρ dos inertes < 350 Kg/m concreto de vermiculite (3 a 6 mm) ou perlite expandida fabricado em obra < ,05 0,85 0,70 0,46 0,33 0,25 0,20 0,31 0,24 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 dosagem (cimento/areia) 1: ,29 1,00 dosagem (cimento/areia) 1: ,24 0,20 1,00 1,00 concreto celular autoclavado ,17 1,00 \continua
94 14 \continuação Material Gesso Projetado ou de densidade massa aparente elevada r (kg/m 3 ) Projeto 02: :1998 l (W/(m.K)) c (kj/(kg.k )) ,50 0,84 placa de gesso; gesso cartonado ,35 0,84 com agragado leve (vermiculita ou perlita expandida) dosagem gesso:agregado = 1:1 dosagem gesso:agregado = 1: ,30 0,25 0,84 0,84 Granulados brita ou seixo ,70 0,80 argila expandida < 400 0,16 areia seca ,30 2,09 Areia (10% de umidade) ,93 Areia (20% de umidade) ,33 Areia saturada ,88 terra argilosa seca ,52 0,84 Impermeabilizantes membranas betuminosas ,23 1,46 asfalto ,43 0,92 asfalto ,15 0,92 betume asfáltico ,17 1,46 Isolantes térmicos lã de rocha ,045 0,75 lã de vidro ,045 0,70 poliestireno expandido moldado ,040 1,42 poliestireno expandido ,035 1,42 espuma rígida de poliuretano extrudado ,030 1,67 Madeiras e derivados madeiras com densidade de massa aparente elevada carvalho, freijó, pinho, cedro, pinus ,29 1, ,23 0,15 0,12 1,34 1,34 1,34 aglomerado de fibras de madeira ,20 2,30 (denso) aglomerado de fibras de madeira ,058 2,30 (leve) aglomerado de partículas de ,17 2,30 madeira ,14 placas prensadas ,12 0,10 2,30 2,30 placas extrudadas ,16 2,30 compensado ,15 0,12 2,30 2,30 aparas de madeira aglomerada com cimento em fábrica ,15 0, ,10 palha (capim Santa Fé) 200 0,12 \continua 2,30 2,30 2,30
95 Projeto 02: : \continuação Material r (kg/m 3 ) l (W/(m.K)) c (kj/(kg.k )) Metais aço, ferro fundido ,46 alumínio ,88 cobre ,38 zinco ,38 Pedras (incluindo junta de assentamento) granito, gneisse ,00 0,84 ardósia, xisto ,20 0,84 basalto ,60 0,84 calcáreos/mármore > ,90 0,84 outras ,40 0, ,40 0, ,00 0,84 < ,85 0,84 Plásticos borrachas sintéticas, poliamidas, poliesteres, polietilenos ,40 polimetacrilicos de metila (acrílicos) policloretos de vinila ,20 (PVC) Vidro chapa de vidro comum ,10 0,84
96 16 Projeto 02: :1998 Anexo C (informativo) Exemplos de cálculo C.1 Exemplo 1: Parede de tijolos maciços rebocados em ambas as faces ( ver figura C.1 ) Dados: Dimensões do tijolo = 5 x 9 x 19 cm ρ cerâmica = 1600 kg/m 3 λ cerâmica = 0,90 W/(m.K) (ver tabela B.3) c cerâmica = 0,92 kj/(kg.k) (ver tabela B.3) ρ argamassa = ρ reboco = 2000 kg/m 3 λ argamassa = λ reboco = 1,15 W/(m.K) (ver tabela B.3) c argamassa = c reboco = 1,00 kj/(kg.k) (ver tabela B.3) Elemento isolado Vista em perspectiva Vista superior Figura C.1 - Parede de tijolos maciços rebocados em ambas as faces a) Resistência térmica da parede: Seção A (reboco + argamassa + reboco): A a = 0,01 x 0,19 + 0,01 x 0,06 = 0,0025 m 2 e e reboco argamassa ereboco 0,02 0,09 0,02 0,13 Ra = + + = + + = = 0,1130 (m 2.K)/W λ λ λ 1,15 1,15 1,15 1,15 reboco argamassa reboco
97 Projeto 02: : Seção B (reboco + tijolo + reboco): A b = 0,05 x 0,19 = 0,0095 m 2 ereboco ecerâmica ereboco 0,02 0,09 0,02 Rb = + + = + + = 0, 1348 (m 2.K)/W λreboco λcerâmica λreboco 1,15 0,90 1,15 Portanto, a resistência térmica da parede será: Aa + Ab 0, ,0095 0,0120 Rt = = = = 0,1296 (m 2.K)/W A a Ab 0,0025 0,0095 0, R R 0,1130 0,1348 a b b) resistência térmica total: R T = R si + R t + R se = 0,13 + 0, ,04 = 0,2996 (m 2.K)/W c) transmitância térmica: 1 1 U = = = 3,34 W/(m 2.K) R 0,2996 T d) capacidade térmica da parede: Seção A (reboco+argamassa+reboco): A a = 0,01 x 0,19 + 0,01 x 0,06 = 0,0025 m 2 C 3 Ta = e i.c i. ρi =. i= 1 ( e.c. ρ) reboco + ( e.c. ρ) argamassa + ( e.c ρ) reboco Como ρ reboco = ρ argamassa = 2000 kg/m 3 e c reboco = c argamassa = 1,00 kj/(kg.k), teremos C Ta = 0,13x1,00x2000 = 260 kj/(m 2.K) Seção B (reboco + tijolo + reboco): A b = 0,05 x 0,19 = 0,0095 m 2 C 3 Tb = e i.c i. ρi =. i= 1 ( e.c. ρ) reboco + ( e.c. ρ) cerâmica + ( e.c ρ) reboco C Tb = 0,02x1,00x ,09x0,92x ,02x1,00x2000 = 212 kj/(m 2.K) Portanto, a capacidade térmica da parede será: A a + Ab CT = = 220 kj/(m 2.K) A a Ab + C C Ta Tb e) atraso térmico: R t = 0,1296 (m 2.K)/W B 0 = C T - C Text = 220 0,02.1, = 180 B0 180 B1 = 0,226. = 0,226. = 313,9 R 0,1296 B B ( λ. ρ.c) = 0,205. Rt ext 2. t R ext (1, ,00) = 0,205. 0,1296 R t R 10 ext 0,02 0, ,15 10 ( 0,02 ) 1,15 ext 2 = 22,4 ϕ = 1,382.R t. B1 + B2 = 1,382.0, ,9 + 22,4 = 3,3 horas f) fator solar: FS = 100.U.α.R se = 100.U.α.0,04 = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), teremos: FS = 4.3,34.0,3 = 4,0%
98 18 Projeto 02: :1998 Pode-se verificar, também, a absortância máxima permitida em função do limite máximo permitido de fator solar para a zona bioclimática onde será executada a parede. Por exemplo, se para uma determinada região FS < 5,5%, teremos: α FS/(4.U.) 5,5/(100.3,34) 0,4 C.2 Exemplo 2: Parede com blocos de concreto colados, sem reboco (ver figura C.2) Dados: Dimensões do bloco = 39 x 19 x 9 cm ρ concreto = 2400 kg/m 3 λ concreto = 1,75 W/(m.K) (ver tabela B.3) c concreto = 1,00 kj/(kg.k) (ver tabela B.3) Nota: despresa-se a cola. Para a câmara de ar, R ar = 0,16 (m2.k)/w (ver tabela B.1, superfície de alta emissividade, espessura da câmara de ar = 5,0 cm, fluxo horizontal). Vista em perspectiva Figura C.2 - Parede com blocos de concreto colados, sem reboco a) resistência térmica da parede: Seção A (concreto): A a = 0,02 x 0,19 = 0,0038 m 2 econcreto 0,09 Ra = = = 0,0514 (m 2.K)/W λconcreto 1,75 Seção B (concreto + câmara de ar + concreto): A b = 0,165 x 0,19 = 0,03135 m 2 econcreto econcreto 0,02 0,02 Rb = + Rar + = + 0,16 + = 0, 1829 (m 2.K)/W λconcreto λconcreto 1,75 1,75 Portanto, a resistência da parede será: 3xA a + 2xAb 3x0, x0, ,0741 Rt = = = = 0,1312 (m 2.K)/W 3xA a 2xAb 3x0,0038 2x0, , Ra Rb 0,0514 0,1829 b) resistência térmica total: R = R T si + R t + R se = 0,13 + 0, ,04 = 0,3012 (m 2.K)/W c) transmitância térmica:
99 Projeto 02: : U = = = 3,32 W/(m 2.K) R 0,3012 T d) capacidade térmica da parede: Seção A (concreto): A a = 0,02 x 0,19 = 0,0038 m 2 ( e.c. ρ) = 0,09x1,00x CTa = concreto = kj/(m 2.K) Seção B (concreto + câmara de ar + concreto): A b = 0,165 x 0,19 = 0,03135 m 2 C 3 Tb = e i.c i. ρi =. i= 1 ( e.c. ρ) concreto + ( e.c. ρ) ar + ( e.c ρ) concreto Desprezando a capacidade térmica da câmara de ar, teremos: C Tb = 0,02x1,00x ,02x1,00x2400 = 96 kj/(m 2.K) Portanto, a capacidade térmica da parede será: 3xA a + 2xAb CT = = 105 kj/(m 2.K) 3xA a 2xAb + C C Ta Tb e) atraso térmico: R t = 0,1312 (m 2.K)/W B 0 = C T - C Text = 105 0,02.1, = 57 B0 57 B1 = 0,226. = 0,226. = 98,2 R 0,1312 t ( λ. ρ.c) ext Rt Rext B = 2 0,205.. Rext Rt 10 0,1312 ( 0,02 ) (1, ,00) ext 0,02 1,75 B2 = 0,205.. = -3,6 0,1312 1,75 10 B 2 é desconsiderado pois resultou em valor negativo. ϕ = 1,382.R t. B1 + B2 = 1,382.0, ,2 = 1,8 horas f) fator solar: FS = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), teremos: FS = 4.3,32.0,3 = 4,0% Com α = 0,5, teremos: FS = 4.3,32.0,5 = 6,6% C.3 Exemplo 3: Parede de tijolos cerâmicos de seis furos rebocados em ambas as faces ( ver figura C.3 ) Dados: Dimensões do tijolo = 32 x 16 x 10 cm ρ cerâmica = 1600 kg/m 3 λ cerâmica = 0,90 W/(m.K) (ver tabela B.3) c cerâmica = 0,92 kj/(kg.k) (ver tabela B.3) ρ argamassa = ρ reboco = 2000 kg/m 3 λ argamassa = λ reboco = 1,15 W/(m.K) (ver tabela B.3) c argamassa = c reboco = 1,00 kj/(kg.k) (ver tabela B.3) Para a câmara de ar, R ar = 0,16 (m2.k)/w (tabela B.1, superfície de alta emissividade, espessura da câmara de ar = 3,0 cm, fluxo
100 20 Projeto 02: :1998 horizontal). Este exemplo é resolvido de duas formas, seguindo o mesmo procedimento apresentado por esta Norma. Na primeira forma, a resistência térmica do tijolo é calculada isoladamente e, em seguida, calcula-se a resistência térmica da parede. Na segunda forma, a resistência térmica da parede é calculada considerando-se a argamassa e o tijolo ao mesmo tempo. Primeira forma (ver figura C.3): Elemento isolado Vista em perspectiva Figura C.3 - Parede de tijolos cerâmicos de seis furos rebocados em ambas as faces a) resistência térmica do tijolo (R tijolo ): Seção 1 (tijolo): A 1 = 0,01 x 0,32 = 0,0032 m 2 ecerâmica 0,10 R1 = = = 0,1111 (m 2.K)/W λcerâmica 0,90 Seção 2 (tijolo + câmara de ar + tijolo + câmara de ar + tijolo): A 2 = 0,04 x 0,32 = 0,0128 m 2 ecerâmica ecerâmica ecerâmica R2 = + Rar + + Rar + λ λ λ cerâmica cerâmica cerâmica 0,015 0,01 0,015 R 2 = + 0, ,16 + = 0,3644 (m 2.K)/W 0,90 0,90 0,90 Portanto, a resistência do tijolo será: 4xA1 + 3xA 2 4x0, x0,0128 0,0512 Rtijolo = = = = 0,2321 (m 2.K)/W 4xA1 3xA 2 4x0,0032 3x0,0128 0, R R 0,1111 0, b) resistência térmica da parede (R t ): Seção A (reboco + argamassa + reboco): A a = 0,01 x 0,32 + 0,01 x 0,17 = 0,0049 m 2 e e reboco argamassa ereboco 0,02 0,10 0,02 0,14 Ra = + + = + + = = 0,1217 (m 2.K)/W λreboco λargamassa λreboco 1,15 1,15 1,15 1,15 Seção B (reboco + tijolo + reboco): A b = 0,16 x 0,32 = 0,0512 m 2 ereboco ereboco 0,02 0,02 Rb = + Rtijolo + = + 0,2321+ = 0, 2669 (m 2.K)/W λreboco λreboco 1,15 1,15 Portanto, a resistência da parede será:
101 Projeto 02: : Aa + Ab 0, ,0512 0,0561 Rt = = = = 0,2417 (m 2.K)/W Aa Ab 0,0049 0,0512 0, Ra Rb 0,1217 0,2669 c) resistência térmica total: R = R T si + R t + R se = 0,13 + 0, ,04 = 0,4117 (m 2.K)/W d) transmitância térmica: 1 1 U = = = 2,43 W/(m 2.K) R 0,4117 T Segunda forma (ver figura C.4): Elemento isolado Vista em perspectiva Figura C.4- Parede de tijolos cerâmicos de seis furos rebocados em ambas as faces a) resistência térmica da parede: Seção A (reboco + argamassa + reboco): A a = 0,01 x 0,32 + 0,01 x 0,17 = 0,0049 m 2 e e reboco argamassa ereboco 0,02 0,10 0,02 0,14 Ra = + + = + + = = 0,1217 (m 2.K)/W λreboco λargamassa λreboco 1,15 1,15 1,15 1,15 Seção B (reboco + tijolo + reboco): A b = 0,01 x 0,32 = 0,0032 m 2 ereboco ecerâmica ereboco 0,02 0,10 0,02 Rb = + + = + + = 0, 1459 (m 2.K)/W λreboco λcerâmica λreboco 1,15 0,90 1,15 Seção C (reboco + tijolo + câmara de ar + tijolo + câmara de ar + tijolo + reboco): A c = 0,04 x 0,32 = 0,0128 m 2 ereboco ecerâmica ecerâmica ecerâmica ereboco Rc = + + Rar + + Rar + + λ λ λ λ λ reboco cerâmica cerâmica cerâmica 0,02 0,015 0,01 0,015 0,02 R c = + + 0, , = 0,3992 (m 2.K)/W 1,15 0,90 0,90 0,90 1,15 Portanto, a resistência da parede será: A a + 4xAb + 3xAc 0, x0, x0,0128 0,0561 Rt = = = = 0,2502 (m 2.K)/W Aa 4xAb 3xA c 0,0049 4x0,0032 3x0,0128 0, R R R 0,1217 0,1459 0,3992 a b c reboco b) resistência térmica total: R T = R si + R t + R se = 0,13 + 0, ,04 = 0,4202 (m 2.K)/W c) transmitância térmica:
102 U = = = 2,38 W/(m 2.K) R 0,4202 T Projeto 02: :1998 Notas: 1) A transmitância térmica calculada pelas duas diferentes formas no exemplo 3 mostra uma pequena diferença (2%) entre os valores, indicando que a forma como o problema pode ser resolvido não é única e que os resultados serão equivalentes; 2) Esta diferença se deve ao fato de estar se admitindo regime estacionário e unidimensional de transmissão de calor; 3) Pode-se dar preferência ao primeiro processo quando diferentes paredes forem construídas com o mesmo tijolo e ocorrer variação nas espessuras das argamassas de assentamento e de reboco. d) capacidade térmica da parede: Seção A (reboco + argamassa + reboco): A a = 0,01 x 0,32 + 0,01 x 0,17 = 0,0049 m 2 C 3 Ta = e i.c i. ρi =. i= 1 ( e.c. ρ) reboco + ( e.c. ρ) argamassa + ( e.c ρ) reboco Como ρ reboco = ρ argamassa = 2000 kg/m 3 e c reboco = c argamassa = 1,00 kj/(kg.k), teremos C Ta = 0,14x1,00x2000 = 280 kj/(m 2.K) Seção B (reboco + tijolo + reboco): A b = 0,01 x 0,32 = 0,0032 m 2 C 3 Tb = e i.c i. ρi =. i= 1 ( e.c. ρ) reboco + ( e.c. ρ) cerâmica + ( e.c ρ) reboco C Tb = 0,02x1,00x ,10x0,92x ,02x1,00x2000 = 227 kj/(m 2.K) Seção C (reboco + tijolo + câmara de ar + tijolo + câmara de ar + tijolo + reboco): A c = 0,04 x 0,32 = 0,0128 m 2 C C Tc Tc 7 = e i.c i. ρi = i= 1 ( e.c. ρ) reboco + ( e.c. ρ) cerâmica + ( e.c. ρ) ar + ( e.c. ρ) cerâmica + ( e.c. ρ) ar + ( e.c. ρ) cerâmica + ( e.c. ρ) reboco C Tc = 0,04x1,00x ,04x0,92x1600 = 139 kj/(m 2.K) Portanto, a capacidade térmica da parede será: Aa + 4xAb + 3xAc CT = = 160 kj/(m 2.K) Aa 4xAb 3xAc + + C C C Ta Tb Tc e) atraso térmico: R t = 0,2502 (m 2.K)/W B 0 = C T - C Text = 160 0,02.1, = 120 B0 120 B1 = 0,226. = 0,226. = 108,4 R 0,2502 t ( λ. ρ.c) ext Rt Rext B2 = 0,205.. Rext Rt 10 0,2502 ( 0,02 ) (1, ,00) ext 0,02 1,15 B2 = 0,205.. = -11,1 0,2502 1,15 10 B 2 é desconsiderado pois resultou em valor negativo. ϕ = 1,382.R t. B1 + B2 = 1,382.0, ,4 = 3,6 horas
103 Projeto 02: : f) fator solar: FS = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), teremos: FS = 4.2,38.0,3 = 2,9% Com α = 0,5, teremos; FS = 4.2,38.0,5 = 4,8% C.4 Exemplo 4: Parede dupla com placas de concreto e câmara de ar não ventilada (ver figura C.5) Dados: ρ concreto = 2400 kg/m 3 λ concreto = 1,75 W/(m.K) (ver tabela B.3) c concreto = 1,00 kj/(kg.k) (ver tabela B.3) Para a câmara de ar, R ar = 0,16 (m2.k)/w (tabela B.1, superfície de alta emissividade, espessura da câmara de ar = 5,0 cm, fluxo horizontal). Vista em perspectiva Figura C.5 - Parede dupla com placas de concreto e câmara de ar não ventilada a) resistência térmica da parede: econcreto econcreto 0,03 0,03 Rt = + Rar + = + 0,16 + = 0,1943 (m 2.K)/W λ λ 1,75 1,75 concreto concreto b) resistência térmica total: R T = R si + R t + R se = 0,13 + 0, ,04 = 0,3643 (m 2.K)/W c) transmitância térmica: 1 1 U = = = 2,74 W/(m 2.K) RT 0,3643 d) capacidade térmica da parede: C 3 T = e i.c i. ρi =. i= 1 ( e.c. ρ) concreto + ( e.c. ρ) ar + ( e.c ρ) concreto C T = 0,03x1,00x ,03x1,00x2400 = 144 kj/(m 2.K)
104 Projeto 02: :1998 e) atraso térmico: R t = 0,1943 (m 2.K)/W B 0 = C T - C Text = 144 0,03.1, = 72 B0 72 B1 = 0,226. = 0,226. = 83,7 R 0,1943 t ( λ. ρ.c) ext Rt Rext B = 2 0,205.. Rext Rt 10 0,1943 ( 0,03 ) (1, ,00) ext 0,03 1,75 B2 = 0,205.. = -2,5 0,1943 1,75 10 B 2 é desconsiderado pois resultou em valor negativo. ϕ = 1,382.R t. B1 + B2 = 1,382.0, ,7 = 2,5 horas f) fator solar: FS = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), teremos: FS = 4.2,74.0,3 = 3,3% Com α = 0,5, teremos: FS = 4.2,74.0,5 = 5,5% C.5 Exemplo 5: Telhado inclinado de chapas de fibro-cimento com forro de pinus e câmara de ar ventilada (ver figura C.6) Dados: comprimento do telhado = 7 m abertura de ventilação de 5 cm por 7 metros em cada beiral Fibro-cimento: ρ fibro-cimento = 1700 kg/m 3 λ fibro-cimento = 0,65 W/(m.K) c fibro-cimento = 0,84 kj/(kg.k) B.3) Pinus: ρ pinus = 500 kg/m 3 B.3) (ver tabela B.3) (ver tabela λ pinus = 0,15 W/(m.K) (ver tabela B.3) c pinus = 1,34 kj/(kg.k) (ver tabela Telhado real(cm) Equivalente para calculo(cm) Figura C.6 - Telhado inclinado de chapas de fibro-cimento com forro
105 Projeto 02: : de pinus e câmara de ar ventilada Verificação das condições de ventilação da câmara de ar: S = 2 (700 x 5) = 7000 cm 2 A = 4 x 7 = 28 m 2 S 7000 = = 250 cm 2 /m 2 A 28 S/A >> 30 logo, a câmara é muito ventilada (ver tabela 1). a) no verão (ver 5.3.2): Para a câmara da ar, R ar = 0,21 (m 2.K)/W (tabela B.1, superfície de alta emissividade, espessura da câmara de ar = 31,795 cm > 5,0 cm, direção do fluxo descendente). Resistência térmica: e e fibro cimento pinus 0,008 0,01 Rt = + Rar + = + 0,21+ = 0,2890 (m 2.K)/W ëfibro cimento ëpinus 0,65 0,15 Resistência térmica total: R = R T si + R t + R se = 0,17 + 0, ,04 = 0,4990 (m 2.K)/W Transmitância térmica: 1 1 U = = = 2,00 W/(m 2.K) R 0,4990 T b) no inverno (ver 5.3.3): Resistência térmica total: epinus 0,01 RT = 2.Rsi + Rpinus = 2.0,10 + = 0,20 + = 0,2667 (m 2.K)/W ëpinus 0,15 Transmitância térmica: 1 1 U = = = 3,75 W/(m 2.K) R 0,2667 T c) capacidade térmica da cobertura: C 3 T = e i.c i. ρi =. i= 1 ( e.c. ρ) fibro cimento + ( e.c. ρ) ar + ( e.c ρ) pinus C T = 0,008x0,84x ,01x1,34x500 = 18 kj/(m 2.K) d) atraso térmico para o verão: R t = 0,2890 (m 2.K)/W B 0 = C T - C Text = 18 0,008.0, = 6,6 B0 6,6 B1 = 0,226. = 0,226. = 5,1 R 0,2890 t ( λ. ρ.c) ext Rt Rext B = 2 0,205.. Rext Rt 10 0,2890 ( 0,008 ) (0, ,84) ext 0,008 0,65 B2 = 0,205.. = -10,1 0,2890 0,65 10 B 2 é desconsiderado pois resultou em valor negativo. ϕ = 1,382.R t. B1 + B2 = 1,382.0, ,1 = 0,9 horas e) fator solar para o verão: FS = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), teremos: FS = 4.2,00.0,3 = 2,4%
106 Com α = 0,5, teremos: FS = 4.2,00.0,5 = 4,0% Projeto 02: :1998 Notas: 1) O atraso térmico e o fator solar são determinados apenas para o verão em virtude de ser a condição predominante no Brasil; 2) A transmitância térmica é determinada também para o inverno apenas para efeito didático; 3) As duas notas anteriores também se aplicam ao exemplo seguinte (C.6). C.6 Exemplo 6: Telhado inclinado de chapas de fibro-cimento com forro de pinus, lâminas de alumínio polido e câmara de ar ventilada (ver figura C.7) Dados: comprimento do telhado = 7 m abertura de ventilação de 5 cm por 7 metros em cada beiral Fibro-cimento: ρ fibro-cimento = 1700 kg/m 3 λ fibro-cimento = 0,65 W/(m.K) (ver tabela B.3) c fibro-cimento = 0,84 kj/(kg.k) (ver tabela B.3) Pinus: ρ pinus = 500 kg/m 3 λ pinus = 0,15 W/(m.K) (ver tabela B.3) c pinus = 1,34 kj/(kg.k) (ver tabela B.3) Telhado real(cm) Equivalente para calculo(cm) Figura C.7 - Telhado inclinado de chapas de fibro-cimento com forro de pinus, lâminas de alumínio polido e câmara de ar ventilada Verificação das condições de ventilação da câmara de ar: S = 2 (700 x 5) = 7000 cm 2 A = 4 x 7 = 28 m 2 S 7000 = = 250 cm 2 /m 2 A 28 S/A >> 30 logo, a câmara é muito ventilada (ver tabela 1). a) no verão (ver 5.3.2): Para a câmara da ar, R ar = 0,61 (m 2.K)/W (tabela B.1, superfície de baixa emissividade, espessura da câmara de ar = 31,795 cm > 5,0 cm, direção do fluxo descendente).
107 Projeto 02: : Resistência térmica: e e fibro cimento pinus 0,008 0,01 Rt = + Rar + = + 0,61+ = 0,6890 (m 2.K)/W ëfibro cimento ëpinus 0,65 0,15 Resistência térmica total: R = R T si + R t + R se = 0,17 + 0, ,04 = 0,8990 (m 2.K)/W Transmitância térmica: 1 1 U = = = 1,11 W/(m 2.K) R 0,8990 T b) no inverno (ver 5.3.3): Resistência térmica total: epinus 0,01 RT = 2.Rsi + Rpinus = 2.0,10 + = 0,20 + = 0,2667 (m 2.K)/W ëpinus 0,15 Transmitância térmica: 1 1 U = = = 3,75 W/(m 2.K) R 0,2667 T c) capacidade térmica da cobertura: C 3 T = e i.c i. ρi =. i= 1 ( e.c. ρ) fibro cimento + ( e.c. ρ) ar + ( e.c ρ) pinus C T = 0,008x0,84x ,01x1,34x500 = 18 kj/(m 2.K) d) atraso térmico para o verão: R t = 0,6890 (m 2.K)/W B 0 = C T - C Text = 18 0,008.0, = 6,6 B0 6,6 B1 = 0,226. = 0,226. = 2,2 R 0,6890 t ( λ. ρ.c) ext Rt Rext B = 2 0,205.. Rext Rt 10 0,6890 ( 0,008 ) (0, ,84) ext 0,008 0,65 B2 = 0,205.. = -15,3 0,6890 0,65 10 B 2 é desconsiderado pois resultou em valor negativo. ϕ = 1,382.R t. B1 + B2 = 1,382.0, ,2 = 5,5 horas e) fator solar para o verão: FS = 4.U.α Utilizando cor externa branca (α = 0,3), teremos: FS = 4.1,11.0,3 = 1,3% Com α = 0,5, teremos: FS = 4.1,11.0,5 = 2,2% Com α = 0,8, teremos: FS = 4.1,11.0,8 = 3,6%
108 Desempenho térmico de edificações 67 Anexo 4
109 Dezembro 1998 Projeto 02: Desempenho térmico de edificações Parte 3: Zoneamento Bioclimático Brasileiro e Diretrizes Construtivas para Habitações Unifamiliares de Interesse Social Origem: 02: :1998 CB-02- Comitê Brasileiro de Construção Civil CE-02: Comissão de Estudo de Desempenho Térmico de Edificações 02: Thermal performance in buildings Brazilian Bioclimatic Zones and Building Guidelines for Low-Cost Houses. Descriptors: Thermal. Performance. Comfort. Buildings. Low-Cost Houses. Bioclimatic Zones. Bioclimatic Strategies Palavras-chaves: Desempenho térmico. Conforto Térmico. 28 páginas Edificações. Habitação Social. Zoneamento Bioclimático. Estratégias Bioclimáticas SUMÁRIO Prefácio Introdução 1 Objetivos e campo de aplicação 2 Referências normativas 3 Definições 4 Zoneamento bioclimático brasileiro 5 Parâmetros e condições de contorno 6 Diretrizes construtivas para cada Zona Bio-Climática Brasileira 7 Detalhamento das estratégias de condicionamento térmico passivo Anexos A Relação das 330 cidades cujos climas foram classificados B Metodologia adotada para o zoneamento bioclimático do Brasil C Transmitância térmica, capacidade térmica e atraso térmico de paredes e coberturas
110 2 Projeto 02: :1998 Prefácio A ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas - é o Fórum Nacional de Normalização. As Normas Brasileiras, cujo conteúdo é de responsabilidade dos Comitês Brasileiros (CB) e dos Organismos de Normalização Setorial (ONS), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE), formadas por representantes dos setores envolvidos, delas fazendo parte: produtores, consumidores e neutros (universidades, laboratórios e outros). Os projetos de Norma Brasileira, elaborados no âmbito dos CB e ONS, circulam para Votação Nacional entre os associados da ABNT e demais interessados. Esta Norma faz parte do conjunto de Normas de Desempenho Térmico de Edificações constituído por: Parte 1: Definições, símbolos e unidades; Parte 2: Métodos de cálculo da transmitância térmica, da capacidade térmica, do atraso térmico e do fator de calor solar de elementos e componentes de edificações; Parte 4: Medição da condutividade térmica pelo princípio da placa quente protegida; Parte 5: Determinação da resistência térmica e da condutividade térmica em regime estacionário pelo método fluximétrico. Os anexos A e B são de caráter normativo e o anexo C é de caráter informativo. Introdução A avaliação de desempenho termico de uma edificação pode ser feita tanto na fase de projeto, quanto após a construção. Em relação à edificação construída, a avaliação pode ser feita através de medições in-loco de variáveis representativas do desempenho, enquanto que na fase de projeto esta avaliação pode ser feita por meio de simulação computacional ou através da verificação do cumprimento de diretrizes construtivas (objeto desta parte da Norma). Esta parte da Norma apresenta uma metodologia - aplicável na fase de projeto - para a avaliação do desempenho térmico de habitações unifamiliares de interesse social, ao mesmo tempo em que, estabelecendo um Zoneamento Bioclimático Brasileiro, traz recomendações de diretrizes construtivas e detalhamento de estratégias de condicionamento térmico passivo, com base em parâmetros e condições de contorno fixados. Propôs-se, então, a divisão do território brasileiro em oito zonas relativamente homogêneas quanto ao clima e, para cada uma destas zonas, formulou-se um conjunto de recomendações tecno-construtivas que otimizam o desempenho térmico das edificações, através de sua melhor adequação climática. Adaptou-se uma Carta Bioclimática a partir da sugerida por Givoni ( Comfort Climate Analysis and Building Design Guidelines. Energy and Building, 18 (1), 11-23, 1992), detalhadas no anexo B. Outras partes desta Norma - a serem elaborados posteriormente - apresentarão os procedimentos para avaliação do desempenho térmico de edificações, seja através de cálculos, de medições in loco ou de simulações computacionais. 1 Objetivos e campo de aplicação 1.1 Esta Norma estabelece um Zoneamento Bioclimático Brasileiro que embasa um conjunto de recomendações e estratégias construtivas destinadas às habitações unifamiliares de interesse social. 1.2 Esta Norma estabelece requisitos mínimos de projeto que proporcionam condições aceitáveis de conforto térmico nas habitações unifamiliares de interesse social. 1.3 Esta Norma também é aplicável às habitações de interesse social com até três pavimentos.
111 Projeto 02: : Referências normativas As normas relacionadas a seguir contêm disposições que, ao serem citadas neste texto, constituem prescrições para esta Norma Brasileira. As edições indicadas estavam em vigor no momento desta publicação. Como toda norma está sujeita a revisão, recomenda-se àqueles que realizam acordos com base nesta que verifiquem a conveniência de se usarem as edições mais recentes das mesmas. A ABNT possui a informação das normas em vigor em um dado momento. Projeto 02: : Desempenho térmico de edificações - Parte 1: Definições, símbolos e unidades. Projeto 02: : Desempenho térmico de edificações - Parte 2: Métodos de cálculo da transmitância térmica, da capacidade térmica, do atraso térmico e do fator de calor solar de elementos e componentes de edificações. Projeto 02: : Desempenho térmico de edificações - Parte 4: Medição da resistência térmica e da condutividade térmica pelo princípio da placa quente protegida Projeto 02: : Desempenho térmico de edificações - Parte 5: Medição da resistência térmica e da condutividade pelo método fluximétrico ASHRAE: Algorithms for Buiding Heat Transfer Subroutines 3 Definições Para os efeitos desta Norma aplicam-se as definições, símbolos e unidades dos projetos 02: , 02: , 02: e 02: Zoneamento bioclimático brasileiro O zoneamento bioclimático brasileiro compreende oito diferentes zonas, conforme indica a figura 1. O anexo A apresenta a relação de 330 cidades cujos climas foram classificados e o anexo B apresenta a metodologia adotada na determinação do zoneamento Figura 1 - Zoneamento bioclimático brasileiro.
112 4 Projeto 02: : Parâmetros e condições de contorno Para a formulação das diretrizes construtivas - para cada Zona Bioclimática Brasileira - e para o estabelecimento das estratégias de condicionamento térmico passivo, foram considerados os parâmetros e condições de contorno seguintes: a) tamanho das aberturas para ventilação; b) proteção das aberturas; c) vedações externas (tipo de parede externa e tipo de cobertura) 1 ; e d) estratégias de condicionamento térmico passivo. 6 Diretrizes 2 construtivas para cada Zona Bioclimática 6.1 Diretrizes construtivas para a Zona Bioclimática 1 Na zona bioclimática 1( ver figuras 2 e 3 ) devem ser atendidas as diretrizes apresentadas nas tabelas 1, 2 e 3. Figura 2 - Zona Bioclimática 1 Figura 3 - Carta Bioclimática com as normais de cidades desta zona, destacando a cidade de Caxias do Sul, RS Tabela 1 - Aberturas para ventilação e sombreamento das aberturas para a Zona Bioclimática 1 Aberturas para ventilação Sombreamento das aberturas A (em % da área de piso) Médias: 15% < A < 25% Permitir sol durante o período frio Tabela 2 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para vedações externas para a Zona Bioclimática 1 Vedações externas Transmitância térmica Atraso Térmico j Fator de calor Solar FCS U W/m 2.K Horas % Parede: Leve U 3,00 ϕ 4,3 FCS 5,0 Cobertura: Leve Isolada U 2,00 ϕ 3,3 FCS 6,5 \Tabela 3 1 Transmitância térmica, Atraso térmico e Fator de calor solar (ver 02: ) 2 - As aberturas efetivas para ventilação são dadas em % da área de piso em ambientes de longa permanência (cozinha, dormitório, sala de estar). - No caso de coberturas (este termo deve ser entendido como o conjunto telhado mais ático mais forro), a transmitância térmica deve ser verificada para fluxo descendente. - O termo ático refere-se à câmara de ar existente entre o telhado e o forro.
113 Projeto 02: : Tabela 3 - Estratégias de condicionamento térmico passivo para a Zona Bioclimática 1 Estação Estratégias de condicionamento térmico passivo Inverno A) Aquecimento solar da edificação B) Vedações internas pesadas (inércia térmica) Nota: O condicionamento passivo será insuficiente durante o período mais frio do ano Os códigos A e B são os mesmos adotados na metodologia utilizada para definir o Zoneamento Bioclimático do Brasil (ver Anexo B). 6.2 Diretrizes construtivas para a Zona Bioclimática 2 Na zona bioclimática 2 ( ver figuras 4 e 5 ) devem ser atendidas as diretrizes apresentadas nas tabelas 4, 5 e 6. Figura 4 - Zona Bioclimática 2 Figura 5 - Carta Bioclimática apresentando as normais de cidades desta zona, destacando a cidade de Ponta Grossa, PR Tabela 4 - Aberturas para ventilação e sombreamento das aberturas para a Zona Bioclimática 2 Aberturas para ventilação Sombreamento das aberturas A (em % da área de piso) Médias: 15% < A < 25% Permitir sol durante o inverno Tabela 5 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para vedações externas para a Zona Bioclimática 2 Vedações externas Transmitância térmica Atraso Térmico j Fator de calor Solar FCS U W/m 2.K Horas % Parede: Leve U 3,00 ϕ 4,3 FCS 5,0 Cobertura: Leve Isolada U 2,00 ϕ 3,3 FCS 6,5 \Tabela 6
114 6 Projeto 02: :1998 Tabela 6 - Estratégias de condicionamento térmico passivo para a Zona Bioclimática 2 Estação Estratégias de condicionamento térmico passivo Verão J) Ventilação cruzada Inverno A) Aquecimento solar da edificação B) Vedações internas pesadas (inércia térmica) Nota: O condicionamento passivo será insuficiente durante o período mais frio do ano Os códigos A e B são os mesmos adotados na metodologia utilizada para definir o Zoneamento Bioclimático do Brasil (ver Anexo B). 6.3 Diretrizes construtivas para a Zona Bioclimática 3 Na zona bioclimática 3 ( ver figuras 6 e 7 ) devem ser atendidas as diretrizes apresentadas nas tabelas 7, 8 e 9. Figura 6 - Zona Bioclimática 3 Figura 7 - Carta Bioclimática apresentando as normais de cidades desta zona, destacando a cidade de Florianópolis, SC Tabela 7 - Aberturas para ventilação e sombreamento das aberturas para a Zona Bioclimática 3 Aberturas para ventilação A (em % da área de piso) Médias: 15% < A < 25% Sombreamento das aberturas Permitir sol durante o inverno Tabela 8 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para vedações externas para a Zona Bioclimática 3 Vedações externas Transmitância térmica Atraso Térmico j Fator de calor Solar FCS U W/m 2.K Horas % Parede: Leve Refletora U 3,60 ϕ 4,3 FCS 4,0 Cobertura: Leve Isolada U 2,00 ϕ 3,3 FCS 6,5 \Tabela 9
115 Projeto 02: : Tabela 9 - Estratégias de condicionamento térmico passivo para a Zona Bioclimática 3 Estação Estratégias de condicionamento térmico passivo Verão J) Ventilação cruzada Inverno B) Aquecimento solar da edificação C) Vedações internas pesadas (inércia térmica) Os códigos J, B e C são os mesmos adotados na metodologia utilizada para definir o Zoneamento Bioclimático do Brasil (ver anexo B). 6.4 Diretrizes construtivas para a Zona Bioclimática 4 Na zona bioclimática 4 ( ver figuras 8 e 9 ) devem ser atendidas as diretrizes apresentadas nas tabelas 10, 11 e 12. Figura 8 - Zona Bioclimática 4 Figura 9 - Carta Bioclimática apresentando as normais de cidades desta zona, destacando a cidade de Brasília, DF Tabela 10 - Aberturas para ventilação e sombreamento das aberturas para a Zona Bioclimática 4 Aberturas para ventilação Sombreamento das aberturas A (em % da área de piso) Médias: 15% < A < 25% Sombrear aberturas Tabela 11 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para vedações externas para a Zona Bioclimática 4 Vedações externas Transmitância térmica Atraso Térmico j Fator de calor Solar FCS U W/m 2.K Horas % Parede: Pesada U 2,20 ϕ 6,5 FCS 3,5 Cobertura: Leve Isolada U 2,00 ϕ 3,3 FCS 6,5 \Tabela 12
116 8 Projeto 02: :1998 Tabela 12 - Estratégias de condicionamento térmico passivo para a Zona Bioclimática 4 Estação Estratégias de condicionamento térmico passivo Verão H) Resfriamento evaporativo e Massa térmica para resfriamento J) Ventilação seletiva (nos períodos quentes em que a temperatura interna seja superior à externa) Inverno B) Aquecimento solar da edificação C) Vedações internas pesadas (inércia térmica) Os códigos H, J, B e C são os mesmos adotados na metodologia utilizada para definir o Zoneamento Bioclimático do Brasil (ver anexo B). 6.5 Diretrizes construtivas para a Zona Bioclimática 5 Na zona bioclimática 5 ( ver figuras 10 e 11 ) devem ser atendidas as diretrizes construtivas apresentadas nas tabela 13, 14 e 15. Figura 10 - Zona Bioclimática 5 Figura 11 - Carta Bioclimática apresentando as normais de cidades desta zona, destacando a cidade de Santos, SP Tabela 13 - Aberturas para ventilação e sombreamento das aberturas para a Zona Bioclimática 5 Aberturas para ventilação Sombreamento das aberturas A (em % da área de piso) Médias: 15% < A < 25% Sombrear aberturas Tabela 14 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para vedações externas para a Zona Bioclimática 5 Vedações externas Transmitância térmica Atraso Térmico j Fator de calor Solar FCS U W/m 2.K Horas % Parede: Leve Refletora U 3,60 ϕ 4,3 FCS 4,0 Cobertura: Leve Isolada U 2,00 ϕ 3,3 FCS 6,5 \Tabela 15
117 Projeto 02: : Tabela 15 - Estratégias de condicionamento térmico passivo para a Zona Bioclimática 5 Estação Estratégias de condicionamento térmico passivo Verão J) Ventilação cruzada Inverno C) Vedações internas pesadas (inércia térmica) Os códigos J e C são os mesmos adotados na metodologia utilizada para definir o Zoneamento Bioclimático do Brasil (ver anexo B). 6.6 Diretrizes construtivas para a Zona Bioclimática 6 Na zona bioclimática 6 ( ver figuras 12 e 13 ) devem ser atendidas as diretrizes apresentadas nas tabelas 16, 17 e 18. Figura 12 - Zona Bioclimática 6 Figura 13 - Carta Bioclimática apresentando as normais de cidades desta zona, destacando a cidade de Goiânia, GO Tabela 16 - Aberturas para ventilação e sombreamento das aberturas para a Zona Bioclimática 6 Aberturas para ventilação Sombreamento das aberturas A (em % da área de piso) Médias: 15% < A < 25% Sombrear aberturas Tabela 17 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para vedações externas para a Zona Bioclimática 6 Vedações externas Transmitância térmica Atraso Térmico j Fator de calor Solar FCS U W/m 2.K Horas % Parede: Pesada U 2,20 ϕ 6,5 FCS 3,5 Cobertura: Leve Isolada U 2,00 ϕ 3,3 FCS 6,5 \Tabela 18
118 10 Projeto 02: :1998 Tabela 18- Estratégias de condicionamento térmico passivo para a Zona Bioclimática 6 Estação Estratégias de condicionamento térmico passivo Verão H) Resfriamento evaporativo e Massa térmica para resfriamento J) Ventilação seletiva (nos períodos quentes em que a temperatura interna seja superior à externa) Inverno C) Vedações internas pesadas (inércia térmica) Os códigos H, J e C são os mesmos adotados na metodologia utilizada para definir o Zoneamento Bioclimático do Brasil (ver anexo B). 6.7 Diretrizes construtivas para a Zona Bioclimática 7 Na zona bioclimática 7 ( ver figuras 14 e 15 ) devem ser atendidas as diretrizes apresentadas nas tabelas 19, 20 e 21. Figura 14 - Zona Bioclimática 7 Figura 15 - Carta Bioclimática apresentando as normais de cidades desta zona, destacando a cidade de Picos, PI Tabela 19 - Aberturas para ventilação e sombreamento das aberturas para a Zona Bioclimática 7. Aberturas para ventilação Sombreamento das aberturas A (em % da área de piso) Pequenas: 10% < A < 15% Sombrear aberturas Tabela 20 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para vedações externas para a Zona Bioclimática 7 Vedações externas Transmitância térmica Atraso Térmico j Fator de calor Solar FCS U W/m 2.K Horas % Parede: Pesada U 2,20 ϕ 6,5 FCS 3,5 Cobertura: Pesada U 2,00 ϕ 6,5 FCS 6,5 \Tabela 21
119 Projeto 02: : Tabela 21 - Estratégias de condicionamento térmico passivo para a Zona Bioclimática 7 Estação Estratégias de condicionamento térmico passivo Verão H) Resfriamento evaporativo e Massa térmica para resfriamento J) Ventilação seletiva (nos períodos quentes em que a temperatura interna seja superior à externa) Os códigos H e J são os mesmos adotados na metodologia utilizada para definir o Zoneamento Bioclimático do Brasil (ver anexo B). 6.8 Diretrizes construtivas para a Zona Bioclimática 8 Na zona bioclimática 8 ( ver figuras 16 e 17 ) devem ser atendidas as diretrizes apresentadas nas tabelas 22, 23 e 24. Figura 16 - Zona Bioclimática 8 Figura 17 - Carta Bioclimática apresentando as normais de cidades desta zona, destacando a cidade de Belém, PA Tabela 22 - Aberturas para ventilação e sombreamento das aberturas para a Zona Bioclimática 8 Aberturas para ventilação Sombreamento das aberturas A (em % da área de piso) Grandes: A > 40% Sombrear aberturas Tabela 23 - Transmitância térmica, atraso térmico e fator de calor solar admissíveis para vedações externas para a Zona Bioclimática 8 Vedações externas Transmitância térmica Atraso Térmico j Fator de calor Solar FCS U W/m 2.K Horas % Parede: Leve Refletora U 3,60 ϕ 4,3 FCS 4,0 Cobertura: Leve Refletora U 2,30.FT ϕ 3,3 FCS 6,5 Notas: 1) Coberturas com telha de barro sem forro, embora não atendam aos critérios da tabela 23, poderão ser aceitas na Zona 8, desde que as telhas não sejam pintadas ou esmaltadas. 2) Na Zona 8, também serão aceitas coberturas com transmitâncias térmicas acima dos valores tabelados, desde que atendam às seguintes exigências: a) contenham aberturas para ventilação em, no mínimo, dois beirais opostos; e b) as aberturas para ventilação ocupem toda a extensão das fachadas respectivas. c) Nestes casos, em função da altura total para ventilação (ver figura 18), os limites aceitáveis da transmitância térmica poderão ser multiplicados pelo fator (FT) indicado pela expressão 1.
120 12 Projeto 02: :1998 Figura 18 - Abertura (h) em beirais, para ventilação do ático FT = 1,17-1,07. h -1,04 (1) Onde: FT igual ao fator de correção da transmitância aceitável para as coberturas da zona 8 (adimensional); h igual à altura da abertura em dois beirais opostos, em centímetros. 3) Para coberturas sem forro ou com áticos não ventilados, FT = 1. Tabela 24 - Estratégias de condicionamento térmico passivo para a Zona Bioclimática 8 Estação Estratégias de condicionamento térmico passivo Verão J) Ventilação cruzada permanente Nota: O condicionamento passivo será insuficiente durante as horas mais quentes O código J é o mesmo adotado na metodologia utilizada para definir o Zoneamento Bioclimático do Brasil (ver anexo B).
121 Projeto 02: : Detalhamento das estratégias de condicionamento térmico passivo A tabela 25 apresenta o detalhamento das diferentes estratégias de condicionamento térmico passivo. Tabela 25 - Detalhamento das estratégias de condicionamento térmico passivo. Estratégia Detalhamento A Para melhorar as sensações térmicas com relação às condições de desempenho térmico da edificação durante o período mais frio do ano será necessário o uso de roupas pesadas, tanto pessoais quanto de cama. O uso de aquecimento artificial também poderá amenizar a eventual sensação de desconforto térmico por frio. B A forma, a orientação e a implantação da edificação, além da correta orientação de superfícies envidraçadas, podem contribuir para otimizar o seu aquecimento no período frio através da incidência de radiação solar. A cor externa dos componentes também desempenha papel importante no aquecimento dos ambientes através do aproveitamento da radiação solar. C A adoção de paredes internas pesadas pode contribuir para manter o interior da edificação aquecido. D Caracteriza a zona de conforto térmico (a baixas umidades). E Caracteriza a zona de conforto térmico. F As sensações térmicas são melhoradas através da desumidificação dos ambientes. Esta estratégia pode ser obtida através da renovação do ar interno por ar externo através da ventilação dos ambientes. G e H Em regiões quentes e secas, a sensação térmica no período de verão pode ser amenizada através da evaporação da água. O resfriamento evaporativo pode ser obtido através do uso de vegetação, fontes de água ou outros recursos que permitam a evaporação da água diretamente no ambiente que se deseja resfriar. H e I Temperaturas internas mais agradáveis também podem ser obtidas através do uso de paredes (externas e internas) e coberturas com maior massa térmica, de forma que o calor armazenado em seu interior durante o dia seja devolvido ao exterior durante a noite quando as temperaturas externas diminuem. I e J A ventilação cruzada é obtida através da circulação de ar pelos ambientes da edificação. Isto significa que se o ambiente tem janelas em apenas uma fachada, a porta deveria ser mantida aberta para permitir a ventilação cruzada. Também deve-se atentar para os ventos predominantes da região e para o entorno, pois este pode alterar significativamente a direção dos ventos. K Para melhorar as sensações térmicas com relação às condições de desempenho térmico da edificação durante o período mais quente do ano será necessário o uso de roupas leves. O uso de resfriamento artificial também poderá amenizar a eventual sensação de desconforto térmico por calor. L Nas situações em que a umidade relativa do ar for muito baixa e a temperatura do ar estiver entre 21 e 30 o C, a umidificação do ar proporcionará sensações térmicas mais agradáveis. Essa estratégia pode ser obtida através da utilização de recipientes com água e do controle da ventilação pois esta é indesejável por eliminar o vapor proveniente de plantas e atividades domésticas.
122 14 Projeto 02: :1998 Anexo A (normativo) Relação das 330 cidades cujos climas foram classificados A.1 Notas sobre as colunas A primeira coluna (UF) indica a Unidade Federativa a que a cidade pertence e a quarta coluna (Zona) indica a Zona Bioclimática na qual a cidade está inserida. Os estados e as cidades são apresentados em ordem alfabética. A terceira coluna apresenta as estratégias bioclimáticas recomendadas, de acordo com a metodologia utilizada. UF Cidade Estrat. Zona UF Cidade Estrat. Zona AC Cruzeiro do Sul FJK 8 BA Paulo Afonso FHIJK 7 AC Rio Branco FIJK 8 BA Remanso DFHI 7 AC Tarauacá FJK 8 BA Salvador (Ondina) FIJ 8 AL Água Branca CFI 5 BA Santa Rita de Cássia CFHIJ 6 AL Anadia FIJ 8 BA São Francisco do Conde FIJ 8 AL Coruripe FIJ 8 BA São Gonçalo dos Campos FIJ 8 AL Maceió FIJ 8 BA Senhor do Bonfim FHI 7 AL Palmeira dos Índios FIJ 8 BA Serrinha FIJ 8 AL Pão de Açucar FIJK 8 BA Vitória da Conquista CFI 5 AL Pilar FIJ 8 CE Barbalha DFHIJ 7 AL Porto de Pedras FIJ 8 CE Campos Sales DFHIJ 7 AM Barcelos FJK 8 CE Crateús DFHIJ 7 AM Coari FJK 8 CE Fortaleza FIJ 8 AM Fonte Boa FJK 8 CE Guaramiranga CFI 5 AM Humaitá FIJK 8 CE Iguatu DFHIJ 7 AM Iaurete FJK 8 CE Jaguaruana FIJK 8 AM Itacoatiara FJK 8 CE Mondibim FIJ 8 AM Manaus FJK 8 CE Morada Nova FHIJK 7 AM Parintins JK 8 CE Quixadá FHIJK 7 AM Taracua FJK 8 CE Quixeramobim FHIJK 7 AM Tefé FJK 8 CE Sobral FHIJK 7 AM Uaupes FJK 8 CE Tauá DFHIJ 7 AP Macapá FJK 8 DF Brasília BCDFI 4 BA Alagoinhas FIJ 8 ES Cachoeiro de Itapemirim FIJK 8 BA Barra do Rio Grande CDFHI 6 ES Conceição da Barra FIJ 8 BA Barreiras DFHIJ 7 ES Linhares FIJ 8 BA Bom Jesus da Lapa CDFHI 6 ES São Mateus FIJ 8 BA Caetité CDFI 6 ES Vitória FIJ 8 BA Camaçari FIJ 8 GO Aragarças CFHIJ 6 BA Canavieiras FIJ 8 GO Catalão CDFHI 6 BA Caravelas FIJ 8 GO Formosa CDFHI 6 BA Carinhanha CDFHI 6 GO Goiânia CDFHI 6 BA Cipó FIJK 8 GO Goiás FHIJ 7 BA Correntina CFHIJ 6 GO Ipamerí BCDFI 4 BA Guaratinga FIJ 8 GO Luziânia BCDFI 4 BA Ibipetuba CFHIJ 6 GO Paranã CFHIJ 6 BA Ilhéus FIJ 8 GO Pirenópolis CDFHI 6 BA Irecê CDFHI 6 GO Posse CDFHI 6 BA Itaberaba FI 8 GO Rio Verde CDFHI 6 BA Itiruçu CFI 5 MA Barra do Corda FHIJK 7 BA Ituaçu CDFHI 6 MA Carolina FHIJ 7 BA Jacobina FI 8 MA Caxias FHIJK 7 BA Lençóis FIJ 8 MA Coroatá FIJK 8 BA Monte Santo CFHI 6 MA Grajaú FHIJK 7 BA Morro do Chapéu CFI 5 MA Imperatriz FHIJK 7 BA Paratinga FHIJK 7 MA São Bento FIJK 8 continua
123 Projeto 02: : continuação UF Cidade Estrat. Zona UF Cidade Estrat. Zona MA São Luiz JK 8 MS Aquidauana CFIJK 5 MA Turiaçu FIJ 8 MS Campo Grande CFHIJ 6 MA Zé Doca FIJK 8 MS Corumbá FIJK 8 MG Aimorés CFIJK 5 MS Coxim CFHIJ 6 MG Araçuai CFIJ 5 MS Dourados BCFIJ 3 MG Araxá BCFI 3 MS Ivinhema CFIJK 5 MG Bambuí BCFIJ 3 MS Paranaíba CFHIJ 6 MG Barbacena BCFI 3 MS Ponta Porã BCFI 3 MG Belo Horizonte BCFI 3 MS Três Lagoas CFHIJ 6 MG Caparaó ABCFI 2 MT Cáceres FIJK 8 MG Capinópolis CFIJ 5 MT Cidade Vera CFIJK 5 MG Caratinga BCFI 3 MT Cuiabá FHIJK 7 MG Cataguases CFIJ 5 MT Diamantino FHIJK 7 MG Conceição do Mato Dentro BCFI 3 MT Meruri CFHIJ 6 MG Coronel Pacheco BCFIJ 3 MT Presidente Murtinho BCFIJ 3 MG Curvelo BCFIJ 3 PA Altamira FJK 8 MG Diamantina BCFI 3 PA Alto Tapajós FJK 8 MG Espinosa CDFHI 6 PA Belém FJK 8 MG Frutal CFHIJ 6 PA Belterra FJK 8 MG Governador Valadares CFIJ 5 PA Breves FJK 8 MG Grão Mogol BCFI 3 PA Conceição do Araguaia FIJK 8 MG Ibirité ABCFI 2 PA Itaituba FJK 8 MG Itabira BCFI 3 PA Marabá FJK 8 MG Itajubá ABCFI 2 PA Monte Alegre FIJ 8 MG Itamarandiba BCFI 3 PA Óbidos FJK 8 MG Januária CFHIJ 6 PA Porto de Moz FJK 8 MG João Pinheiro CDFHI 6 PA Santarém (Taperinha) FJK 8 MG Juiz de Fora BCFI 3 PA São Félix do Xingú FIJK 8 MG Lavras BCFI 3 PA Soure JK 8 MG Leopoldina CFIJ 5 PA Tiriós FIJ 8 MG Machado ABCFI 2 PA Tracuateua FIJK 8 MG Monte Alegre de Minas BCFIJ 3 PA Tucuruí FJK 8 MG Monte Azul DFHI 7 PB Areia FIJ 8 MG Montes Claros CDFHI 6 PB Bananeiras FIJ 8 MG Muriaé BCFIJ 3 PB Campina Grande FIJ 8 MG Oliveira BCDFI 4 PB Guarabira FIJK 8 MG Paracatu CFHIJ 6 PB João Pessoa FIJ 8 MG Passa Quatro ABCFI 2 PB Monteiro CFHI 6 MG Patos de Minas BCDFI 4 PB São Gonçalo FHIJK 7 MG Pedra Azul CFI 5 PB Umbuzeiro FI 8 MG Pirapora BCFHI 4 PE Arco Verde FHI 7 MG Pitangui BCFHI 4 PE Barreiros FJK 8 MG Poços de Calda ABCF 1 PE Cabrobó DFHI 7 MG Pompeu BCFIJ 3 PE Correntes FIJ 8 MG Santos Dumont BCFI 3 PE Fernando de Noronha FIJ 8 MG São Francisco CFHIJ 6 PE Floresta FHIK 7 MG São João Del Rei ABCFI 2 PE Garanhuns CFI 5 MG São João Evangelista BCFIJ 3 PE Goiana FIJ 8 MG São Lourenço ABCFI 2 PE Nazaré da Mata FIJ 8 MG Sete Lagoas BCDFI 4 PE Pesqueira FI 8 MG Teófilo Otoni CFIJ 5 PE Petrolina DFHI 7 MG Três Corações ABCFI 2 PE Recife FIJ 8 MG Ubá BCFIJ 3 PE São Caetano FIJ 8 MG Uberaba BCFIJ 3 PE Surubim FIJ 8 MG Viçosa BCFIJ 3 PE Tapera FIJ 8 Continuação
124 16 Projeto 02: :1998 UF Cidade Estrat. Zona UF Cidade Estrat. Zona PE Triunfo CFHI 6 RS Caxias do Sul ABCF 1 PI Bom Jesus do Piauí DFHIJ 7 RS Cruz Alta ABCFI 2 PI Floriano FHIJK 7 RS Encruzilhada do Sul ABCFI 2 PI Parnaíba FIJ 8 RS Iraí BCFIJ 3 PI Paulistana DFHIJ 7 RS Passo Fundo ABCFI 2 PI Picos DFHIJ 7 RS Pelotas ABCFI 2 PI Teresina FHIJK 7 RS Porto Alegre BCFI 3 PR Campo Mourão BCFI 3 RS Rio Grande BCFI 3 PR Castro ABCF 1 RS Santa Maria ABCFI 2 PR Curitiba ABCF 1 RS Santa Vitória do Palmar ABCFI 2 PR Foz do Iguaçu BCFIJ 3 RS São Francisco de Paula ABCF 1 PR Guaíra BCFIJ 3 RS São Luiz Gonzaga ABCFI 2 PR Guarapuava ABCF 1 RS Torres BCFI 3 PR Ivaí ABCFI 2 RS Uruguaiana ABCFI 2 PR Jacarezinho BCFIJ 3 SC Araranguá ABCFI 2 PR Jaguariaiva ABCFI 2 SC Camboriu BCFIJ 3 PR Londrina BCFI 3 SC Chapecó BCFI 3 PR Maringá ABCD 1 SC Florianópolis BCFIJ 3 PR Palmas ABCF 1 SC Indaial BCFIJ 3 PR Paranaguá BCFIJ 3 SC Lages ABCF 1 PR Ponta Grossa ABCFI 2 SC Laguna ABCFI 2 PR Rio Negro ABCFI 2 SC Porto União ABCFI 2 RJ Angra dos Reis FIJ 8 SC São Francisco do Sul CFIJ 5 RJ Barra do Itabapoana CFIJ 5 SC São Joaquim ABCF 1 RJ Cabo Frio FIJ 8 SC Urussanga ABCFI 2 RJ Campos CFIJ 5 SC Valões ABCFI 2 RJ Carmo BCFIJ 3 SC Xanxerê ABCFI 2 RJ Cordeiro BCFIJ 3 SE Aracajú FIJ 8 RJ Escola Agrícola CFIJ 5 SE Itabaianinha FIJ 8 RJ Ilha Guaíba FIJ 8 SE Propriá FIJK 8 RJ Itaperuna CFIJ 5 SP Andradina CFHIJ 6 RJ Macaé CFIJ 5 SP Araçatuba CFIJK 5 RJ Niterói CFIJ 5 SP Avaré BCFIJ 3 RJ Nova Friburgo ABCFI 2 SP Bandeirantes BCFI 3 RJ Petrópolis BCF 3 SP Bariri BCFI 3 RJ Piraí BCFIJ 3 SP Barra Bonita BCFI 3 RJ Rezende BCFIJ 3 SP Campinas BCFI 3 RJ Rio de Janeiro (15 Nov) FIJ 8 SP Campos do Jordão ABCF 1 RJ Rio Douro CFIJ 5 SP Casa Grande ABCFI 2 RJ Teresópolis ABCFI 2 SP Catanduva CFHIJ 6 RJ Vassouras BCFIJ 3 SP Franca BCDF 4 RJ Xerém CFIJ 5 SP Graminha BCFI 3 RN Apodí FIJK 8 SP Ibitinga BCFIJ 3 RN Ceará Mirim FIJ 8 SP Iguape CFIJ 5 RN Cruzeta FHIJK 7 SP Itapeva ABCFI 2 RN Florania FHIJ 7 SP Jau BCDFI 4 RN Macaiba FIJ 8 SP Juquiá CFIJ 5 RN Macau FIJ 8 SP Jurumirim BCFI 3 RN Mossoró FHIJK 7 SP Limeira BCDFI 4 RN Natal FIJ 8 SP Limoeiro BCDFI 4 RN Nova Cruz FIJ 8 SP Mococa BCDFI 4 RO Porto Velho FIJK 8 SP Mogi Guaçu (Campininha) BCFIJ 3 RS Alegrete ABCFI 2 SP Paraguaçu Paulista CDFI 6 RS Bagé ABCFI 2 SP Pindamonhangaba BCFIJ 3 RS Bom Jesus ABCF 1 SP Pindorama CDFHI 6 continua
125 Projeto 02: : continuação UF Cidade Estrat. Zona SP Piracicaba ABCFI 2 SP Presidente Prudente CDFHI 6 SP Ribeirão das Antas BCFI 3 SP Ribeirão Preto BCDFI 4 SP Salto Grande BCFIJ 3 SP Santos CFIJ 5 SP São Carlos BCDFI 4 SP São Paulo BCFI 3 SP São Simão BCDFI 4 SP Sorocaba BCFI 3 SP Tietê BCFI 3 SP Tremembé BCFI 3 SP Ubatuba BCFIJ 3 SP Viracopos BCDFI 4 SP Votuporanga CDFHI 6 TO Peixe FHIJK 7 TO Porto Nacional FHIJK 7 TO Taguatinga DFHIJ 7
126 18 Projeto 02: :1998 Anexo B (normativo) Metodologia adotada para o zoneamento bioclimático do Brasil B.1 Conceituação Propõe-se a divisão do território brasileiro em oito zonas relativamente homogêneas quanto ao clima. Para cada uma destas zonas, formula-se um conjunto de recomendações tecno-construtivas, objetivando otimizar o desempenho térmico das edificações, através de sua melhor adequação climática. B.2 Base de dados climáticos B.2.1 O território brasileiro foi dividido em 6500 células, cada uma das quais foi caracterizada pela posição geográfica e pelas seguintes variáveis climáticas: a) Médias mensais das temperaturas máximas; b) Médias mensais das temperaturas mínimas; e c) Médias mensais das Umidades Relativas do ar B.2.2 Para 330 células (ver figura B.1) contou-se com: a) dados Normais Climatológicas medidos desde 1961 a 1990 em 206 cidades: b) dados Normais e outras fontes medidos desde 1931 a 1960 em 124 cidades c) para as demais células o clima foi estimado, por interpolação, através dos passos B e B Figura B.1 B Médias mensais de temperaturas máximas e mínimas Os valores de cada célula foram considerados como médias ponderadas entre quatro células vizinhas (acima, abaixo, à esquerda e à direita). Na ponderação, as células com dados medidos tiveram peso quatro e as demais peso um. B Médias mensais de Umidades Relativas Através dos algorítmos das relações psicrométricas ( Algorithms for Buiding Heat Transfer Subroutines, ASHRAE, 1996) foram primeiramente calculadas as Umidades Absolutas (gramas de vapor d água/ quilo de ar seco) das cidades com clima medido. Em seguida, estas umidades foram interpoladas pelo mesmo procedimento adotado para as temperaturas. Finalmente, para cada célula, foram obtidas as Umidades Relativas correspondentes às Temperaturas Médias Mensais. B.3 Método para a classificação bioclimática Adotou-se uma Carta Bioclimática (ver figura B.2) adaptada a partir da sugerida por Givoni ( Comfort, climate analysis and building design guidelines. Energy and Building, vol.18, july/92). Figura B.2 As zonas da carta correspondem às seguintes estratégias: A Zona de aquecimento artificial (calefação) G + H Zona de resfriamento evaporativo B Zona de aquecimento solar da edificação C Zona de massa térmica para aquecimento D Zona de Conforto Térmico (baixa umidade) E Zona de Conforto Térmico F Zona de desumidificação (renovação do ar) H + I Zona de massa térmica de refrigeração I + J Zona de ventilação K Zona de refrigeração artificial L Zona de umidificação do ar
127 Projeto 02: : Sobre esta carta, foram registrados e classificados os climas de cada ponto do território brasileiro. Para cada mês do ano, os dados mensais de temperatura e umidade do ar foram representados por uma reta (ver figura B.3), obtida da seguinte maneira: Dados de entrada: a) Tmin igual à temperatura média das mínimas b) Tmax igual à temperatura média das máximas c) UR igual à média mensal da Umidade Relativa Cálculo da temperatura média mensal e seqüência Tmed = (Tmin + Tmax) / 2 Figura B.3 - Marcar o ponto a, na interseção entre Tmed e UR. - A umidade absoluta correspondente ao ponto a será considerada como a média mensal da umidade absoluta (Umed, em g. de vapor / kg de ar seco). - Calcular Umin (umidade absoluta correspondente a Tmin) pela seguinte expressão: Umin = Umed 1, 5 (gr. Vapor / kg ar seco) - Calcular Umax (umidade absoluta correspondente a Tmax) pela seguinte expressão: Umax = Umed + 1, 5 (gr. Vapor / kg ar seco) Nota: A variação média da umidade da absoluta do ar, adotada nas expressões acima, é sugerida por Lamberts, Dutra e Pereira ( Eficiência Energética na Arquitetura, 1997, página 144). - Localizar o ponto b na interseção entre as retas que passam por Tmin e por Umin - Localizar o ponto c na interseção entre as retas que passam por Tmax e por Umax A reta bc representa todas as horas de um dia médio do mês considerado. Calcula-se, então, a percentagem destas horas que corresponda a cada uma das estratégias indicadas na carta bioclimática. Figura B.4 No exemplo indicado na figura B.4, as horas mais frias do dia estão na região C da carta (massa térmica para aquecimento), enquanto as mais quentes estão na região D. Como a reta inteira equivale a 100% do tempo, os seguimentos C, E e D indicam, respectivamente, as percentagens das horas correspondentes a cada uma destas estratégias. Esta operação é repetida para os 12 meses, calculando-se, assim, as percentagens de cada estratégia acumuladas ao longo de um ano.
128 20 Projeto 02: :1998 B.4 Um caso particular A figura B.5, mostra uma condição climática sob a qual a aplicação do procedimento indicado implicaria em localizar o ponto b acima da curva de saturação do ar. Nestes casos, fazendo corresponder o ponto b a uma umidade relativa 100%, adota-se uma amplitude maior que 3 para a umidade absoluta (du > 3 gr vapor / kg ar seco). Figura B.5 A carta indicada na figura B.6 apresenta o clima de Brasília, com as respectivas percentagens das horas/ano correspon-dentes à cada estratégia. Valores menores que 1% são desprezados. Em seguida, são selecionadas as 5 principais estratégias, exceto a da região E (conforto térmico). No caso de Brasília, restariam as Seguintes: F 15,2 % D 11,9 % C 12,7 % I 3,7% B 1,5% Figura B.6 Reunidas em ordem alfabética, estas letras definem o código BCDFI para o clima analisado. Este código permitirá a classificação de cada tipo de clima, em uma das 8 Zonas Bioclimáticas, através dos critérios apresentados na tabela B.1 Tabela B.1 - Critérios para classificação bioclimática Classificação Zona N o Cidades A B C D H I J Sim Não Não 1 12 Sim 2 33 Sim Não Não 3 62 Sim 4 17 Sim Não Não 5 30 Sim 6 38 Sim 7 39 Não 8 99 Legenda: Sim = presença obrigatória - Não = presença proibida 1) As estratégias não assinaladas com sim ou não podem estar no código do clima, mas sua presença não é obrigatória. 2) Percorrer a tabela de cima para baixo, adotando a primeira zona cujos critérios coincidam com o código.
129 Projeto 02: : B.5 Exemplo de aplicação Como já foi visto, o clima de Brasília é identificado pelas letras BCDFI. Percorre-se, então, a tabela, de cima para baixo, procurando a primeira Zona cujos critérios aceitem esta seqüência: Zona 1: A é obrigatório e I e J são proibidos. Portanto, Brasília não faz parte desta Zona Bioclimática pois não tem A e tem I. Zona 2: A é obrigatório. Brasília não faz parte desta Zona Bioclimática pois não tem A. Zona 3: B é obrigatório e D e H são proibidos. Brasília tem D, portanto não faz parte desta Zona Bioclimática. Zona 4: B é obrigatório. Como Brasília tem B, sua Zona Bioclimática é a 4.
130 22 Projeto 02: :1998 Anexo C (informativo) Transmitância, capacidade térmica e atraso térmico de algumas paredes e coberturas Tabela C.1 - Propriedades térmicas dos materiais utilizados nos componentes das tabelas C.3 Material r (kg/m 3 ) l (W/(m.K)) c (kj/(kg.k)) Cerâmica ,90 0,92 Argamassa de emboço ou assentamento ,15 1,00 Concreto ,75 1,00 Tabela C.2 - Propriedades térmicas dos materiais utilizados nos componentes das tabelas C.4 Material r (kg/m 3 ) l (W/(m.K)) c (kj/(kg.k)) Cerâmica ,05 0,92 Fibro-cimento ,95 0,84 Madeira 600 0,14 2,30 Concreto ,75 1,00 Lâmina de alumínio polido (ε< 0,2) ,88 Lã de vidro 50 0,045 0,70 Tabela C.3 - Transmitância, capacidade térmica e atraso térmico para algumas paredes. Parede Descrição U [W/(m 2.K)] C T [kj/(m 2.K)] j [horas] Parede de concreto maciço Espessura total da parede: 5,0 cm 5, ,3 Parede de concreto maciço Espessura total da parede: 10,0 cm 4, ,7 Parede de tijolos maciços aparentes Dimens. tijolo: 10,0x6,0x22,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura total da parede: 10,0 cm 3, ,4 Parede de tijolos 6 furos quadrados, assentados na menor dimensão Dimens. tijolo: 9,0x14,0x19,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 14,0 cm Parede de tijolos 8 furos quadrados, assentados na menor dimensão Dimens. tijolo: 9,0x19,0x19,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 14,0 cm 2, ,3 2, ,3 continua
131 Projeto 02: : Continuação Tabela C.3 - Transmitância, capacidade térmica e atraso térmico para algumas paredes. Parede Descrição U [W/(m 2.K)] C T [kj/(m 2.K)] j [horas] Parede de tijolos de 8 furos circulares, assentados na menor dimensão Dimens. tijolo: 10,0x20,0x20,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 15,0 cm 2, ,7 Parede de tijolos de 6 furos circulares, assentados na menor dimensão Dimens. tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 15,0 cm 2, ,7 Parede com 4 furos circulares Dimensões do tijolo: 9,5x9,5x20,0 cm Espessura arg. de assentamento: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 14,5 cm Parede de blocos cerâmicos de 3 furos Dimensões do bloco: 13,0x28,0x18,5 cm Espessura arg. assentam.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 18,0 cm Parede de tijolos maciços, assentados na menor dimensão Dimensões do tijolo: 10,0x6,0x22,0 cm Espessura arg. de assentamento: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 15,0 cm Parede de blocos cerâmicos de 2 furos Dimensões do bloco: 14,0x29,5x19,0 cm Espessura arg. de assentamento: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 19,0 cm Parede de tijolos com 2 furos circulares Dimensões do tijolo: 12,5x6,3x22,5 cm Espessura arg. de assentamento: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 17,5 cm 2, ,7 2, ,8 3, ,8 2, ,0 2, ,2 continua
132 24 Projeto 02: :1998 Continuação Tabela C.3 - Transmitância, capacidade térmica e atraso térmico para algumas paredes. Parede Descrição U [W/(m 2.K)] C T [kj/(m 2.K)] j [horas] Parede de tijolos de 6 furos quadrados, assentados na maior dimensão Dimens. tijolo: 9,0x14,0x19,0 cm Espessura arg. assentam.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 19,0 cm 2, ,5 Parede de tijolos de 21 furos circulares, assentados na menor dimensão Dimens. tijolo: 12,0x11,0x25,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 17,0 cm Parede de tijolos de 6 furos circulares, assentados na maior dimensão Dimens. tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 20,0 cm Parede de tijolos de 8 furos quadrados, assentados na maior dimensão Dimens. tijolo: 9,0x19,0x19,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 24,0 cm Parede de tijolos de 8 furos circulares, assentados na maior dimensão Dimens. tijolo: 10,0x20,0x20,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 25,0 cm Parede dupla de tijolos de 6 furos circulares, assentados na menor dimensão Dimens. tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 26,0 cm Parede dupla de tijolos maciços, assentados na menor dimensão Dimens. tijolo: 10,0x6,0x22,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 26,0 cm 2, ,5 1, ,8 1, ,5 1, ,9 1, ,5 2, ,6 continua
133 Projeto 02: : Continuação Tabela C.3 - Transmitância, capacidade térmica e atraso térmico para algumas paredes. Parede Descrição U [W/(m 2.K)] C T [kj/(m 2.K)] j [horas] Parede de tijolos maciços, assentados na maior dimensão Dimens. tijolo: 10,0x6,0x22,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 27,0 cm 2, ,8 Parede dupla de tijolos de 21 furos circulares, assentados na menor dimensão Dimens. tijolo: 12,0x11,0x25,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 30,0 cm Parede dupla de tijolos de 6 furos circulares, assentados na maior dimensão Dimens. tijolo: 10,0x15,0x20,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 36,0 cm 1, ,1 1, ,6 Parede dupla de tijolos de 8 furos quadrados, assentados na maior dimensão Dimens. tijolo: 9,0x19,0x19,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 44,0 cm Parede dupla de tijolos de 8 furos circulares, assentados na maior dimensão Dimens. tijolo: 10,0x20,0x20,0 cm Espessura arg. de assent.: 1,0 cm Espessura arg. de emboço: 2,5 cm Espessura total da parede: 46,0 cm 1, ,9 0, ,8 \Tabela C.4
134 26 Projeto 02: :1998 Tabela C.4 - Transmitância, capacidade térmica e atraso térmico para algumas coberturas Cobertura Descrição U [W/(m 2.K)] C T [kj/(m 2.K)] j [horas] Cobertura de telha de barro sem forro Espessura da telha: 1,0 cm 4, ,3 Cobertura de telha de fibro-cimento sem forro Espessura da telha: 0,7 cm Cobertura de telha de barro com forro de madeira Espessura da telha: 1,0 cm Espessura da madeira: 1,0 cm Cobertura de telha de fibro-cimento com forro de madeira Espessura da telha: 0,7 cm Espessura da madeira: 1,0 cm Cobertura de telha de barro com forro de concreto Espessura da telha: 1,0 cm Espessura do concreto: 3,0 cm Cobertura de telha de fibro-cimento com forro de concreto Espessura da telha: 0,7 cm Espessura do concreto: 3,0 cm Cobertura de telha de barro com forro de laje mista Espessura da telha: 1,0 cm Espessura da laje: 12,0 cm R t(laje) = 0,0900 (m 2.K/W) C T(laje) = 95 kj/(m 2.K) Cobertura de telha de fibro-cimento com forro de laje mista Espessura da telha: 0,7 cm Espessura da laje: 12,0 cm R t(laje) = 0,0900 (m 2.K/W) C T(laje) = 95 kj/(m 2.K) Cobertura de telha de barro com laje de concreto de 20 cm Espessura da telha: 1,0 cm 4, ,2 2, ,3 2, ,3 2, ,6 2, ,6 1, ,6 1, ,6 1, ,0 Cobertura de telha de fibro-cimento com laje de concreto de 20 cm Espessura da telha: 0,7 cm Cobertura de telha de barro com laje de concreto de 25 cm Espessura da telha: 1,0 cm Cobertura de telha de fibro-cimento com laje de concreto de 25 cm Espessura da telha: 0,7 cm Cobertura de telha de barro, lâmina de alumínio polido e forro de madeira Espessura da telha: 1,0 cm Espessura da madeira: 1,0 cm 1, ,9 1, ,3 1, ,2 1, ,0 continua
135 Projeto 02: : Continuação Tabela C.4 - Transmitância, capacidade térmica e atraso térmico para algumas coberturas Cobertura Descrição U [W/(m 2.K)] C T [kj/(m 2.K)] j [horas] Cobertura de telha de fibro-cimento, lâmina de alumínio polido e forro 1, ,0 de madeira Espessura da telha: 0,7 cm Espessura da madeira: 1,0 cm Cobertura de telha de barro, lâmina de alumínio polido e forro de 1, ,2 concreto Espessura da telha: 1,0 cm Espessura do concreto: 3,0 cm Cobertura de telha de fibro-cimento, lâmina de alumínio polido e forro 1, ,2 de concreto Espessura da telha: 0,7 cm Espessura do concreto: 3,0 cm Cobertura de telha de barro, lâmina de alumínio polido e forro de laje mista 1, ,4 Espessura da telha: 1,0 cm Espessura da laje: 12,0 cm R t(laje) = 0,0900 (m 2.K/W) C T(laje) = 95 kj/(m 2.K) Cobertura de telha de fibro-cimento, lâmina de alumínio polido e forro de laje mista 1, ,4 Espessura da telha: 0,7 cm Espessura da laje: 12,0 cm R t(laje) = 0,0900 (m 2.K/W) C T(laje) = 95 kj/(m 2.K) Cobertura de telha de barro, lâmina de alumínio polido e laje de 1, ,8 concreto de 20 cm Espessura da telha: 1,0 cm Cobertura de telha de fibro-cimento, lâmina de alumínio polido e laje de 1, ,8 concreto de 20 cm Espessura da telha: 0,7 cm Cobertura de telha de barro, lâmina de alumínio polido e laje de 1, ,4 concreto de 25 cm Espessura da telha: 1,0 cm Cobertura de telha de fibro-cimento, lâmina de alumínio polido e laje de 1, ,4 concreto de 25 cm Espessura da telha: 0,7 cm Cobertura de telha de barro com 2,5 cm de lã de vidro sobre o forro de 0, ,3 madeira Espessura da telha: 1,0 cm Espessura da madeira: 1,0 cm Cobertura de telha de barro com 5,0 cm de lã de vidro sobre o forro de madeira Espessura da telha: 1,0 cm Espessura da madeira: 1,0 cm 0, ,1
136 28 Projeto 02: :1998 Notas: 1) As transmitâncias térmicas e os atrasos térmicos das coberturas são calculados para condições de verão (fluxo térmico descendente). 2) Deve-se atentar que, apesar da semelhança entre a transmitância térmica da cobertura com telhas de barro e aquela com telhas de fibrocimento, o desempenho térmico proporcionado por estas duas coberturas é significativamente diferente pois as telhas de barro são porosas e permitem a absorção de água (de chuva ou de condensação). Este fenômeno contribui para a redução do fluxo de calor para o interior da edificação, pois parte deste calor será dissipado no aquecimento e evaporação da água contida nos poros da telha. Desta forma, sugere-se a utilização de telhas de barro em seu estado natural, ou seja, isentas de quaisquer tratamentos que impeçam a absorção de água
137 Desempenho térmico de edificações 68 Anexo 5
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