APELAÇÃO CÍVEL Nº
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- Ana Carolina Rios Borja
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1 PAULO SERGIO PRESTES DOS SANTOS: Assinado em 03/12/ :06:23 Local: GAB. DES PAULO SERGIO PRESTES DOS SANTOS 249 Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro TRIBUNAL DE JUSTIÇA 2ª CÂMARA CÍVEL ================================================================ APELAÇÃO CÍVEL Nº APELANTE: RODRIGO FELIPE GONÇALVES DA CONCEIÇÃO APELADO : ESTADO DO RIO DE JANEIRO RELATOR : DES. PAULO SÉRGIO PRESTES DOS SANTOS Juízo: 6ª Vara de Fazenda Pública da Comarca da Capital - Juiz: Ana Cecília Argueso Gomes de Almeida DECISÃO APELAÇÃO CÍVEL. CONCURSO PÚBLICO. APELANTE QUE FOI REPROVADO NO EXAME PSICOTÉCNICO. AUSÊNCIA DE CRITÉRIOS OBJETIVOS NA AVALIAÇÃO DO AUTOR. LAUDO PSICOLÓGICO QUE SE LIMITA A AFIRMAR QUE OS INSTRUMENTOS PSICOMÉTRICOS APLICADOS NO CONCURSO SÃO VALIDADOS CIENTIFICAMENTE PELO CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, NÃO MENCIONANDO O MOTIVO PELO QUAL O AUTOR NÃO FOI CONSIDERADO APTO PARA EXERCER O CARGO DE POLICIAL MILITAR. ILEGALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. EXAME PSICOTÉCNICO BASEADO EM CRITÉRIOS SUBJETIVOS, SEM UM GRAU MÍNIMO DE OBJETIVIDADE. SENTENÇA QUE DEVE SER REFORMADA PARA INVALIDAR O ATO ADMINSTRTIVO QUE ELIMINOU O AUTOR DO CONCURSO PÚBLICO DE ADMISSÃO AO CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADO DA POLICIA MILITAR. DECISÃO MONOCRÁTICA. ART. 557, 1º-A DO CPC. PROVIMENTO DO RECURSO. Página 1 de 6
2 250 RELATÓRIO Trata-se de ação ordinária c/c pedido de antecipação dos efeitos da tutela proposta por RODRIGO FELIPE GONÇALVES DA CONCEIÇÃO em face de ESTADO DO RIO DE JANEIRO, em que o autor, em síntese, aduziu que foi indevidamente reprovado em exame psicológico realizado no decorrer de certame público para o preenchimento do cargo de Soldado da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Alegou que possuiria todas as condições psicológicas para o exercício de cargo e que desempenharia atividade de vigilante, profissão que guardaria semelhança com a de policial. Asseverou que o exame seria conduzido de forma subjetiva não sendo apto a avaliar se o mesmo possuiria condições de exercer as atividades de policial. Requereu em antecipação dos efeitos da tutela a determinação de realização de novo teste psicotécnico a fim de que seja possível sua participação nas demais fases do concurso e ao final requereu a anulação do ato que acarretou a sua reprovação, bem como que seja declarada a ilegalidade da avaliação feita pela banca examinadora após a realização de nova avaliação a ser conduzida por meio de perito de confiança do Juízo. Decisão, à fl. 102, deferiu o benefício da gratuidade de justiça e indeferiu o pedido de antecipação dos efeitos da tutela, ante a ausência dos requisitos autorizadores, sendo a decisão mantida em segundo grau de jurisdição. Contestação, às fls. 128/138, requereu a improcedência do pedido autoral, tendo destacado a legalidade da aplicação do exame psicológico, tendo aduzido que o mesmo foi aplicado pautado em critérios objetivos e científicos, não tendo havido qualquer espécie de ilegalidade. Outrossim, destacou a impossibilidade de invasão do mérito administrativo por parte do Poder Judiciário. Sentença de fls. 189/192, julgou improcedente o pedido, tendo extinguido o processo, nos moldes do disposto no art. 269, I, do CPC e condenado o autor ao pagamento das custas processuais e honorários fixados em R$ 500,00, observada a gratuidade de justiça deferida. Apelação do autor, às fls. 195/206, pleiteou, em síntese, a anulação da r. sentença, eis que o magistrado teria proferido a sentença sem decidir acerca da produção de prova pericial requerida e em atenção ao princípio da eventualidade requereu reforma total da r. sentença a fim de que os pleitos autorais sejam julgados integralmente procedentes, tendo reiterado os argumentos expostos na exordial. Contrarrazões do réu, às fls. 217/227, pleiteando, em síntese, a manutenção da r. sentença e o desprovimento do recurso do autor. Parecer do Ministério Público, à fl. 233, opinou pelo conhecimento do recurso ante a presença dos requisitos de admissibilidade. Página 2 de 6
3 251 Parecer da Douta Procuradoria de Justiça, às fls. 239/248, opinou pelo conhecimento do recurso e, no mérito, pelo desprovimento do mesmo com a manutenção da r. sentença. É o Relatório. Passo a decidir. Conheço o recurso já que presentes os requisitos de sua admissibilidade. Insurge-se o apelante contra sentença que julgou improcedente o pedido para invalidar o ato administrativo que culminou na reprovação do ora apelante no exame psicológico do concurso para soldado da Policia Militar do Estado do Rio de Janeiro. Consoante o entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exame psicológico como requisito para aprovação em concurso público precisa revestir-se de critérios objetivos, sob pena de ilegalidade. Nesse sentido são os julgados que ora colaciono: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. 1. CONCURSO PÚBLICO. POLÍCIA MILITAR. EXAME PSICOTÉCNICO. AUSÊNCIA DE CRITÉRIOS OBJETIVOS. ILEGITIMIDADE. 2. REEXAME DE FATOS E PROVAS. PROVIDÊNCIA VEDADA NA INSTÂNCIA RECURSAL EXTRAORDINÁRIA. 1. Os atos administrativos praticados na condução de concurso para provimento de cargos públicos devem-se pautar em critérios objetivos. Isso para permitir ao candidato a compreensão e eventual impugnação da nota que lhe foi atribuída em determinado exame. Precedentes. 2. É de incidir a Súmula 279/STF. Agravo regimental a que se nega provimento. AI AgR / BA BAHIA AG.REG. NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Relator(a): Min. AYRES BRITTO Julgamento: 01/02/ Órgão Julgador: Segunda Turma. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. CONCURSO PÚBLICO. EXAME PSICOTÉCNICO. PREVISÃO LEGAL. Nos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o exame psicológico para habilitação em concurso público deve estar previsto em lei em sentido formal e possuir critérios objetivos. A análise quanto à aptidão do candidato ao cargo pleiteado depende do Página 3 de 6
4 252 exame do conjunto probatório constante dos autos, o que encontra óbice na Súmula 279 do STF. Agravo regimental a que se nega provimento. AI AgR / RS - RIO GRANDE DO SUL AG.REG.NO AGRAVO DE INSTRUMENTO Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA Julgamento: 02/03/2010 Órgão Julgador: Segunda Turma Publicação DJe-055 DIVULG PUBLIC EMENT VOL PP ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. CONCURSO PÚBLICO. POLICIAL MILITAR DO ESTADO DE SANTA CATARINA. EXAME PSICOTÉCNICO. ILEGALIDADE. FALTA DE MOTIVAÇÃO DA REPROVAÇÃO. NULIDADE. NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE NOVO EXAME. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. O chamado exame psicotécnico, que se enquadra nos requisitos subjetivos, tem sua legalidade subordinada a três pressupostos necessários: sua previsão legal; a cientificidade dos critérios adotados (de modo a afastar a possibilidade teórica do arbítrio); e o poder de revisão (para o fim de evitar qualquer forma de subjetivismo que viole o princípio da impessoalidade na Administração). 2. Esse entendimento tem contado com o beneplácito da jurisprudência desta Corte, que admite a exigência de aprovação em exame psicotécnico para preenchimento de cargo público, desde que claramente previsto em lei e pautado em critérios objetivos, possibilitando ao candidato o conhecimento da fundamentação do resultado, a fim de oportunizar a interposição de eventual recurso. 3. No caso em comento, conforme atestam os documentos acostados aos autos, o Página 4 de 6
5 253 candidato reprovado no exame não teve acesso à motivação de sua reprovação, tendo em vista que o resultado limitou-se a especificar que este fora considerado inapto. Tem-se, pois, que o requisito da recorribilidade não foi respeitado, o que atesta a ilegalidade da avaliação psicológica. 4 jurisprudência desta Corte Superior se firmou no sentido de que, declarada a nulidade do exame psicotécnico, em razão da existência de ilegalidade na avaliação, o candidato deve submeter-se a novo exame. 5. Agravo Regimental desprovido. - AgRg no RMS / SC AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EM MANDADO DE SEGURANÇA 2010/ Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO - PRIMEIRA TURMA - DJe 30/09/2015. Na hipótese em tela, ao verificar o edital do certame acostado aos autos às fls. 40/84 observa-se que as regras atinentes ao exame psicológico não possuem critérios objetivos acerca do método a ser empregado na avaliação, sendo o edital bastante genérico quanto às disposições do exame. Depreende-se pelo laudo do exame psicológico colacionado aos autos às fls. 157/161 que as psicólogas limitaram-se a afirmar que os instrumentos psicométricos aplicados no concurso são validados cientificamente em nível nacional e aprovados pelo Conselho Federal de Psicologia CPF, não mencionando o motivo pelo qual o autor foi considerado com característica de instabilidade emocional, tampouco demonstrando como foi feito o teste no mesmo. Observa-se, portanto, que nada foi dito que fundamentasse a reprovação do candidato por ausência de perfil para o exercício do cargo, limitando-se o laudo, repita-se, a esclarecer que os instrumentos psicométricos são validados pelo conselho de Psicologia. Desta forma, verifica-se, através do laudo psicológico que o critério de avaliação foi subjetivo, não tendo como aferir de forma objetiva, científica e clara que o candidato não poderá exercer o cargo de policial militar. A Página 5 de 6
6 254 Soma-se a isso o fato de que o apelante labora como vigilante; função que apesar de não poder ser considerada idêntica guarda correlação com a do cargo pretendido, possuindo atestado de saúde ocupacional para o seu exercício, bem como o respectivo curso de reciclagem, situação que milita a favor do mesmo. Desta forma, tendo em vista que o exame psicológico do ora apelante foi realizado com base em critérios subjetivos, sem um grau mínimo de objetividade, deve a r. sentença ser reformada a fim de viabilizar a realização de novo exame psicológico, desta vez atentando-se para o fato de que o mesmo deverá ser realizado de forma a possibilitar a demonstração dos reais motivos que porventura possam levar a uma reprovação do candidato, atendendo-se, por óbvio os critérios estabelecidos pelo CRP, porém, viabilizando o conhecimento dos mesmos de forma objetiva, científica e clara a fim de que seja assegurada a legitimidade do novo exame. Outrossim,, inverto o ônus da sucumbência para condenar o Estado ao pagamento de honorários advocatícios que ora arbitro em R$ 500,00, nos moldes do disposto no art. 20, 4º do CPC. Diante do exposto, CONHEÇO O RECURSO E DOU-LHE PROVIMENTO, NOS TERMOS DO ART. 557, 1º-A DO CPC, PARA REFORMAR A R. SENTENÇA, JULGANDO PROCEDENTE O PEDIDO PARA: A) INVALIDAR O ATO ADMINISTRATIVO QUE ELIMINOU O AUTOR DO CONCURSO PÚBLICO DE ADMISSÃO AO CURSO DE FORMAÇÃO DE SOLDADO PM; B) DETERMINAR A REALIZAÇÃO DE NOVO EXAME PSICOLÓGICO PELO MESMO; C) O EXAME DEVERÁ SER REALIZADO DE FORMA A POSSIBILITAR A DEMONSTRAÇÃO DOS REAIS MOTIVOS QUE PORVENTURA POSSAM LEVAR A UMA REPROVAÇÃO DO CANDIDATO, ATENDENDO-SE, POR ÓBVIO AOS CRITÉRIOS ESTABELECIDOS PELO CRP; D) O NOVO EXAME DEVERÁ VIABILIZAR AO CANDIDATO O CONHECIMENTO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS, DE FORMA OBJETIVA, CIENTÍFICA E CLARA A FIM DE QUE SEJA GARANTIDA A LEGITIMIDADE DA NOVA AVALIAÇÃO; E) FICA ASSEGURADA A PARTICIPAÇÃO DO CANDIDATO NAS PRÓXIMAS ETAPAS DO CERTAME, ESTANDO CONDICIONADA A POSSE À APROVAÇÃO EM TODAS AS DEMAIS ETAPAS, INCLUSIVE NO NOVO EXAME PSICOLÓGICO REALIZADO. OUTROSSIM, CONDENO O ESTADO AO PAGAMENTO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS QUE ARBITRO EM R$ 500,00 (QUINHENTOS REAIS), NOS TERMOS DO ARTIGO 20, 4º do CPC. PAULO SÉRGIO PRESTES DOS SANTOS Desembargador Relator Rio de Janeiro, 03 de dezembro de Página 6 de 6
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