DO CIDADÃO MANUAL DOS DIREITOS
|
|
|
- Theodoro Leão Coelho
- 10 Há anos
- Visualizações:
Transcrição
1 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO LUCAS DE SOUZA LEHFELD (ORG) FLÁVIA TRINDADE DO VAL LEOPOLDO E SILVA, LUIZ GONZAGA MEZIARA JÚNIOR, MARILDA FRANCO DE MOURA (COLABORADORES)
2 Apoio: producão coletiva Comunicação ágil e inteligente
3 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO LUCAS DE SOUZA LEHFELD (ORG) FLÁVIA TRINDADE DO VAL LEOPOLDO E SILVA, LUIZ GONZAGA MEZIARA JÚNIOR, MARILDA FRANCO DE MOURA (COLABORADORES) MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 3
4 Lehfeld, Lucas de Souza (org.) Manual dos direitos do cidadão/ Lucas de Souza Lehfeld (org.). Flávia Trindade do Val Leopoldo e Silva, Luiz Gonzaga Meziara Júnior, Marilda Franco De Moura (colaboradores) -- Ribeirão Preto: Centro Universitário Barão de Mauá Centro de Cidadania Dr. Hélio Bicudo, f.; 31 cm. ISBN 1. Direitos. 2. Cidadania. 4 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
5 LUCAS DE SOUZA LEHFELD (ORG) FLÁVIA TRINDADE DO VAL LEOPOLDO E SILVA, LUIZ GONZAGA MEZIARA JÚNIOR, MARILDA FRANCO DE MOURA (COLABORADORES) MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO CENTRO DE CIDADANIA DR. HÉLIO BICUDO CENTRO UNIVERSITÁRIO BARÃO DE MAUÁ RIBEIRÃO PRETO 2010 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 5
6 6 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
7 APRESENTAÇÃO O Centro da Cidadania Dr. Hélio Bicudo e o Núcleo de Práticas Jurídicas são órgãos do curso de Direito que têm por responsabilidade o desenvolvimento de projetos de extensão junto à comunidade local, bem como promover e coordenar práticas e estudos relacionados às atividades complementares e estágio supervisionado do curso, visando ao aprimoramento nas áreas jurídico-profissionais e sociais. Eles permitem a interlocução, na iniciação à pesquisa e na extensão, da teoria com a prática, buscando orientar, solucionar problemas emergentes da esfera social e atender às demandas da comunidade. A orientação jurídica tornou-se um fator significativo para a esfera social, porquanto, muitas vezes, os cidadãos não têm conhecimento dos seus direitos e deveres o que pode acarretar-lhes inúmeros danos, bem como à comunidade no qual está inserido. Com efeito, o Manual dos Direitos do Cidadão busca incentivar a pesquisa jurídica pelos alunos e professores do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá e, ao mesmo tempo, prestar assessoria jurídica à sociedade, orientando sobre a garantia dos direitos dos cidadãos. Os temas foram selecionados, portanto, a partir de experiências no atendimento jurídico à população carente, desenvolvidos no Centro da Cidadania Dr. Hélio Bicudo e no Núcleo de Práticas Jurídicas do Centro Universitário Barão de Mauá, considerando-se ainda a realidade cultural da região de Ribeirão Preto. Além da finalidade pedagógica e científica, destaca-se, também, o aspecto da aproximação do conteúdo da legislação do seu público, o cidadão. Isso porque, devido à dificuldade de acesso à informação e ao próprio formalismo característico da área jurídica, constata-se um distanciamento entre o cidadão e o direito, o que é um grande contra censo, já que o direito existe para servir ao cidadão e não o contrário. Dessa forma, os alunos foram incentivados a desenvolver seu estudo, levando em consideração temas jurídicos que fazem parte do cotidiano dos cidadãos, bem como as principais dúvidas que são apresentadas por eles quando procuram pelo atendimento jurídico. Mais do que um projeto acadêmico, o Manual é um projeto social que vem prestar um verdadeiro serviço informativo à população de Ribeirão Preto, para diminuir a distância entre a lei e os sujeitos aos quais ela se refere. Em razão disso, os artigos selecionados contêm informações relevantes para o exercício da cidadania, consciência dos direitos e deveres a ela inerentes. Além disso, as unidades editadas serão distribuídas para a população no Centro da Cidadania Dr. Hélio Bicudo e em escolas públicas do município de Ribeirão Preto. Não raro, deparamo-nos com atitudes anti-sociais, motivadas pela desinformação e pelo MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 7
8 Sumário NO BRASIL, QUEM NÃO PODE PAGAR TEM ACESSO GRATUITO À JUSTIÇA Alex Rafael Gonçalves *, Dênio Furlanetti Nasser * JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS: O INSTRUMENTO DA JUSTIÇA AO ALCANCE DO CIDADÃO Ana Júlia de Bastos* A IMPORTÂNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FRENTE AOS DIREITOS DO CIDADÃO Paulo Rogério Marcussi* PUBLICIDADE ENGANOSA E ABUSIVA NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Jair Rodrigo Viaboni* Código de Defesa do Consumidor e práticas abusivas Katia Helena Zerbini Palmeira de Morais* O DIREITO A RECLAMAÇÃO POR SERVIÇOS E PRODUTOS Lucas Paulo Souza Oliveira* COBRANÇAS INDEVIDAS Lucimara Cristina dos Santos* PROBLEMAS COM PLANOS DE SAÚDE Carolina Yamada Junqueira Garcia* NOVO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA: EXERÇA SEUS DIREITOS Washington Luis dos Santos Magalhães* SEGURO DPVAT Natália Aparecida Lattaro de Castro* O FIM DA QUEIMA DA CANA-DE-AÇÚCAR NO ESTADO DE SÃO PAULO José Márcio dos Santos* O EXERCÍCIO DA CIDADANIA POR MEIO DOS DIREITOS POLÍTICOS. Kerton Nascimento e Costa* CANDIDATO FICHA LIMPA Lilian de Menezes San Martino*, Matheus Alexandre da Silva Camargo* POR QUE É IMPORTANTE VOTAR CONSCIENTE? O EXERCÍCIO DA CIDADANIA Misaque Moura de Barros* BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA, UM DIREITO QUE PODE SER SEU Bruno da Silva Oliveira* DESMISTIFICANDO A VELHICE COM AUXÍLIO DA LEI Claudimilson Bonardi Gonçalves* MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
9 DIREITOS DOS IDOSOS: UMA NOVA REALIDADE SOCIAL Delber de Carvalho Ribeiro* DIREITOS ESPECIAIS DOS IDOSOS NO BRASIL Guilherme Henrique Fogarollo* A INTEGRAL APLICABILIDADE DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ECA João Rafael Mião* IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL, O QUE É, PARA QUE SERVE? Adriano Romanini de Andrade* AS VANTAGENS DA APLICAÇÃO DE PENAS ALTERNATIVAS Camila Silvia Martinez Perbone* COMEÇAR DE NOVO: RESSOCIALIZANDO OS MARGINALIZADOS Renato Teixeira* ESCLARECIMENTOS SOBRE INJÚRIA RACIAL E RACISMO Nathan Castelo Branco de Carvalho*, Priscila Aprile* A NOVA LEI DE ESTÁGIO E RELAÇÃO DE TRABALHO Marli de Andrade Santos* ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO, COMO DETECTAR? Priscila Botelho Lima*, Amanda Botelho Lima* NOVA LEI DE ADOÇÃO NO BRASIL Alessandra Cristina de Souza* O CASAMENTO É UM CONTRATO Carolina Cândido da Silva *...69 DIVÓRCIO OU SEPARAÇÃO? Elisangela Batista da Silva* FILHOS DO DIVÓRCIO E ALIENAÇÃO PARENTAL Flávia Trindade do Val Leopoldo e Silva* A LEI MARIA DA PENHA E O APARATO PROTECIONISTA À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Maria Auxiliadora Gorita dos Santos* GUARDA COMPARTILHADA E GUARDA ALTERNADA Paulo Eduardo Lépore* GUIA DE ENDEREÇOS ÚTEIS NO MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO PRETO MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 9
10 10 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
11 NO BRASIL, QUEM NÃO PODE PAGAR TEM ACESSO GRATUITO À JUSTIÇA Alex Rafael Gonçalves 1* Dênio Furlanetti Nasser 2* Vivemos em uma sociedade organizada por leis. Entre elas existe uma que é superior a todas as outras e não pode ser contrariada por ninguém e nem por outra lei. É nessa lei maior, chamada Constituição Federal, que estão garantidos direitos iguais para todos os cidadãos brasileiros, são garantias expressas em muitos artigos da nossa Constituição Federal, e nos art. 5º e 6º que ganham maior destaque. O art. 5º inicia dizendo: Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros, residentes no País, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade..., e segue por seus incisos descrevendo nossos direitos. O art. 6º diz São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, e a assistência aos desamparados..., assim, cada um de nós tem o direito de viver, de ser livre, de ter onde morar, de ser respeitado como pessoa, de não viver com medo, de não ser menosprezado por causa de sua cor, de sua idade, de seu sexo, de seu trabalho, ou por causa de qualquer outra discriminação. Esses direitos são garantias essenciais ao homem, jamais poderão ser violados e, diante de alguma ameaça ou efetiva lesão a qualquer um desses, deveremos lutar pela sua validade e reconhecimento. Mas, como fazer isso sem recursos para contratar um advogado? A resposta para essa pergunta também está na Constituição, em seu artigo 5º, prescrevendo assistência jurídica gratuita para as pessoas pobres e na lei nº 1060/50 que diz: Art. 1º - Os poderes públicos federal e estadual, [...] [...] concederão assistência judiciária aos necessitados......considera-se necessitado, para os fins legais, todo aquele cuja situação econômica não lhe permita pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo do sustento próprio ou da família. Sendo assim, quem precisa de um advogado e não pode pagar, mediante simples afir- 1 * Graduando do 1º ano de Direito, Fiscal de vigilância sanitária no município de Jardinópolis. [email protected]. 2 * Bacharel e licenciado em Psicologia, graduando do 1º ano de Direito, Fiscal de vigilância sanitária no município de Jardinópolis. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 11
12 mação dessa condição, na petição inicial, terá direito a utilizar o serviço de assistência jurídica do Estado gratuitamente. A assistência judiciária integral e gratuita poderá ser obtida pelo necessitado perante a Defensoria Pública dos Estados e da União. Em algumas localidades, essa assistência também é prestada pela prefeitura municipal, por escritórios experimentais de faculdades de direito e por associações benemerentes. Agora você já sabe que, mesmo não dispondo de recursos financeiros, você tem direito à assistência jurídica gratuita e, provavelmente, estará pensando: Mas, de graça? Será que um advogado não pago terá empenho e dedicação ao cuidar do meu caso? Sim, pois o advogado do Estado não recebe de você, mas do governo; na verdade, ele não trabalha de graça e você tem direito de exigir qualidade na prestação do serviço e fazer, assim, valer seus direitos. Por isso, é importante conhecermos nossas leis e garantir os direitos de todos nós cidadãos. BIBLIOGRAFIA BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, PGE. Desenvolvido pela Procuradoria Geral do Estado de São Paulo. Apresenta informações gerais sobre os direitos e deveres dos cidadãos. Disponível em: < centrodeestudos/bibliotecavirtual/cartilha.htm>. Acesso em 18 abr NÓBREGA, Airton Rocha. Assistência judiciária aos necessitados: um fator de ampliação do acesso à Justiça. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 202, 24 jan Disponível em: < jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4735>. Acesso em: 18 abr MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
13 JUIZADOS ESPECIAIS CÍVEIS: O INSTRUMENTO DA JUSTIÇA AO ALCANCE DO CIDADÃO Ana Júlia de Bastos 3* A Lei 9099/1995 instituiu os Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Estes Juizados são órgãos da Justiça criados para a conciliação, processo, julgamento e execução, nas causas de sua competência, sendo orientados por princípios, dos quais se destacam os princípios da simplicidade e celeridade (rapidez), objetivando sempre a conciliação. A conciliação é a forma preferida de resolução de conflitos no nosso sistema processual porque ela é a melhor das duas: é mais rápida, mais barata, mais eficaz e pacifica muito mais. E nela não há risco de injustiça, na medida em que são as próprias partes que, mediadas e auxiliadas pelo juiz/conciliador, encontram a solução para o conflito de interesses. Nela não há perdedor4. A Lei que instituiu os Juizados Especiais Cíveis, expressamente, previu requisitos ou condições para que os interessados possam utilizar deste instrumento de justiça, os requisitos são: 1-as causas cujo valor não exceda a 40 (quarenta vezes) o salário mínimo; 2- nas causas, qualquer que seja o valor: a) arrendamento rural e de parceria agrícola; b) de cobrança ao condômino de quaisquer quantias devidas ao condomínio; c) de ressarcimento por danos em prédio urbano ou rústico; d) de ressarcimento por danos causados em acidente de veículo de via terrestre; e) de cobrança de seguro, relativamente aos danos causados em acidente de veículo, ressalvados os casos de processo de execução; f) de cobrança de honorários dos profissionais liberais, ressalvado o disposto em legislação especial; g) que versem sobre revogação de doação. 3 * Graduada no curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá, monitora no Núcleo de Práticas Jurídicas do Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. 4 BRASIL.Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. O que é conciliação?.disponível em < conciliacao>. Acesso em 21 set MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 13
14 3-a ação de despejo para uso próprio; 4- as ações possessórias sobre bens imóveis de valor não excedente a quarenta vezes o salário mínimo. Quanto à competência (lugar para conhecer juridicamente o pedido ou a causa de pedir) dos Juizados Especiais Cíveis, a lei dispõe: I domicílio do réu ou o local onde aquele exerça a sua atividade econômica ou profissional; II - do lugar onde a obrigação deva ser satisfeita; III - do domicílio do autor ou do local do ato ou fato, nas ações para reparação de dano de qualquer natureza. Não comparecendo o réu/reclamado à sessão de conciliação ou à audiência de instrução e julgamento, reputar-se-ão verdadeiros os fatos alegados no pedido inicial, salvo se o contrário resultar da convicção do Juiz, enquanto que o não comparecimento do autor levará ao arquivamento da demanda, conforme abaixo: Se o reclamante (autor) não comparecer à sessão de conciliação ou à audiência de instrução e julgamento, sem justificativa, o processo será extinto e arquivado, com a condenação ao pagamento das custas processuais. Se o reclamante (réu) não comparecer, será tido como revel, isto é, o Juiz considerará que são verdadeiros todos os fatos alegados pelo autor e decidirá em seguida.5 Nas causas de valor até 20 (vinte) salários mínimos, as partes (Autor e Réu) comparecerão pessoalmente ao Juízo, podendo ou não ser assistidas por Advogado. Porém, nas causas de valor superior a 20 (vinte) salários mínimos, necessariamente, as partes deverão obrigatoriamente ser assistidas por um Advogado. Assim, concluímos que, de acordo com estas informações, podemos constatar a importância dos Juizados Especiais Cíveis como um instrumento de busca e satisfação de um direito, todavia cabe ao cidadão a consciência e o conhecimento deste instrumento da justiça como um meio de resolução de conflitos. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Lei nº , de 26 de setembro de Disponível em: < 5 BRASIL.Tribunal de Justiça do Estado de Goiás.Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Disponível em: < jus.br/juizado/paginajuizado.php?pgmenu=menu_juizado.htm&pgconteudo=perguntas_frequentes.htm>. Acesso em 21 set MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
15 br/ccivil/leis/l9099.htm>. Acesso em 16 set BRASIL. Lei nº. 5869, de 11 de Janeiro de Disponível em: < ccivil/leis/l5869.htm. Acesso em 21 set.2010>. Acesso em 21 set BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado do Paraná. O que é conciliação?.disponível em < portal.tjpr.jus.br/web/conciliacao>. Acesso em 21 set BRASIL. Tribunal de Justiça do Estado de Goiás. Juizados Especiais Perguntas mais freqüentes e suas respostas. Disponível em: < juizado.htm&pgconteudo=perguntas_frequentes.htm>. Acesso em 21 set MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 15
16 A IMPORTÂNCIA DO MINISTÉRIO PÚBLICO FRENTE AOS DIREITOS DO CIDADÃO Paulo Rogério Marcussi 6* Com a Constituição Federal de 1988, o Ministério Público foi desvinculado do Poder Executivo, passando a integrar com autonomia a instituição do Ministério Público e adquirindo status de quarto Poder, frente aos já existentes Poder Executivo, Poder Legislativo e Poder Judiciário, uma vez que o legislador constituinte inseriu o Ministério Público dentro do título IV da Carta Magna denominado Da Organização Dos Poderes. Segundo Alexandre de Moraes: O direito constitucional contemporâneo, apesar de permanecer na tradicional linha da idéia de tripartição de poderes, já entende que esta fórmula, se interpretada com rigidez, tornou-se inadequada para um estado que assumiu a missão de fornecer a todo o seu povo o bem estar, devendo, pois, separar as funções estatais, dentro de um mecanismo de controles recíprocos, denominado freios e contrapesos.7 Assim, em análise ao artigo 127 caput, bem como em seu 1º, ambos da Constituição Federal, encontramos alicerçados as funções precípuas e os princípios que regem o Ministério Público. Já, o artigo 129 da Constituição Federal dispõe que são funções do Ministério Público: I- promover, privativamente, a ação penal pública, na forma da lei; II- zelar pelo efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos assegurados nesta Constituição, promovendo as medidas necessárias a sua garantia; III - promover o inquérito civil e a ação civil pública, para a proteção do patrimônio público e social, do meio ambiente e de outros interesses difusos e coletivos; IV - promover a ação de inconstitucionalidade ou representação para fins de intervenção da União e dos Estados, nos casos previstos nesta Constituição; V - defender judicialmente os direitos e interesses das populações indígenas; VI - expedir notificações nos procedimentos administrativos de sua competência, requisitando informações e documentos para instruí-los, na forma da lei complementar respectiva; 6 * Graduando do 5º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. 7 MORAES, Alexandre de. Direito constitucional. 21 ed. São Paulo: Editora Atlas, p MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
17 VII - exercer o controle externo da atividade policial, na forma da lei complementar mencionada no art. anterior; VIII - requisitar diligências investigatórias e a instauração de inquérito policial, indicados os fundamentos jurídicos de suas manifestações processuais; IX - exercer outras funções que lhe forem conferidas, desde que compatíveis com sua finalidade, sendo-lhe vedada a representação judicial e a consultoria jurídica de entidades públicas. Dentre estas funções, as que serão destacadas no presente texto são as previstas no inciso I, III e VII, pois estão diretamente ligadas aos interesses diretos dos cidadãos seja na proteção dos seus direitos, do patrimônio público ou na fiscalização das atividades das autoridades policiais. Assim sendo, diante da ocorrência de um crime, o Estado-acusação (representado pelo Ministério Público) promove a ação penal pública, objetivando que o Estado-juiz (representado pelo Poder Judiciário) aplique a punição adequada àquele que transgrediu a norma penal incriminadora, conforme menciona o inciso I do artigo 129 da Constituição Federal de Ressalta-se que nem todos os crimes dependem da manifestação do Ministério Público para que se promova a ação penal, pois, em alguns casos, cabe ao particular (cidadão) manifestar ou não seu interesse em promover a ação penal, que neste caso será privada. É importante lembrar que o particular (cidadão) terá o prazo de 6 (seis) meses a partir da data que conheceu a autoria do crime, para manifestar seu interesse em promover a ação penal privada, o que se dará por meio da queixa crime ou representação. Por sua vez, com o objetivo de proteger o patrimônio público e social, o meio ambiente e outros de interesses difusos e coletivos, o Ministério Público, representado pelo Promotor de Justiça, se vale da ação civil pública para responsabilizar àqueles que de alguma forma causaram prejuízo ao patrimônio público, dano ao meio ambiente ou qualquer atividade que fira aos interesses difusos e coletivos, conforme dispõe o inciso III do artigo 129 da Constituição Federal. Por fim, o inciso VII do artigo 129 da Constituição Federal, dispõe que o Ministério Público exerce o controle externo da atividade policial, cujo objetivo é reprimir abusos de autoridade bem como responsabilizar, junto às Corregedorias de Polícia, àqueles policiais que no exercício de suas atividades ou em razão dela cometeram desvios funcionais. Com a letra da lei, o doutrinador Júlio Fabbrini Mirabete assim dispõe sobre este controle: Deverá ser regulada a fiscalização da polícia judiciária, não em todas as suas atividades, pois não se permite pelos dispositivos citados poderes gerais de tutela nem ascendência hierárquica ou disciplinar do ministério público sobre as polícias federal, civil ou militar, mas para se prever mecanismos de controle in genere no sentido de assegurar a colheita de elementos seguros, de forma lícita, para a instauração do devido processo legal. Esse controle externo deve se orientar no MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 17
18 sentido de se verificar se estão sendo corretamente apurados os fatos materiais e empregados os métodos legais para a sua completa elucidação.8 Contudo, a partir da Constituição Federal de 1988, a Instituição do Ministério Público passou a exercer papel fundamental dentro do contexto nacional, pois ao mesmo tempo em que representa os interesses difusos e coletivos, age como defensor da criança e do adolescente, defensor dos idosos e, sobretudo, como fiscal da lei, um verdadeiro depositário natural de tais interesses. Portanto, à luz do texto constitucional, o Ministério Público é Instituição permanente, essencial à função jurisdicional do Estado, e uma das principais ferramentas para a promoção da democracia de um povo, legalmente inserido nos direitos do cidadão. BIBLIOGRAFIA MIRABETE, Júlio Fabrini. Código de processo penal interpretado. 11 ed. São Paulo: Editora Atlas, MORAES, Alexandre. Direito constitucional.21 ed. São Paulo: Atlas, MIRABETE, Julio Fabbrini. Código de processo penal interpretado. 11 ed. São Paulo: Editora Atlas, 2008, p MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
19 PUBLICIDADE ENGANOSA E ABUSIVA NO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR Jair Rodrigo Viaboni 9* A criação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) visa proteção do consumidor como parte mais frágil nas relações de consumo, ocasionada pela falta de informação dos consumidores quanto aos seus direitos e diante da grande capacidade econômica-política das empresas. Portanto, o CDC busca não somente a proteção de direitos violados, mas também se antecipa à violação, como nos casos da propaganda enganosa. Ao realizar a propaganda, a empresa cria um vínculo obrigacional com o consumidor, devendo cumprir o prometido, sob penas de multas previstas em lei. O anúncio de determinada matéria publicitária proporciona ao consumidor, ou seja, ao destinatário final do produto, a possibilidade de exigir o anunciado, resguardando-lhe a boa-fé, pois, em regra, o consumidor acreditou no que foi proposto e buscará tal produto para a satisfação de sua necessidade. Com o intuito, portanto, de resguardar esta boa-fé o CDC proíbe a publicidade enganosa e abusiva. Segundo a lei, é enganosa: (...) qualquer modalidade de informação ou comunicação de caráter publicitário, inteira ou parcialmente falsa, ou, por qualquer outro modo, mesmo por omissão, capaz de induzir em erro o consumidor a respeito da natureza, características, qualidade, quantidade, propriedades, origem, preço e quaisquer outros dados sobre produtos e serviços. E abusiva: (...) dentre outras a publicidade discriminatória de qualquer natureza, a que incite à violência, explore o medo ou a superstição, se aproveite da deficiência de julgamento e experiência da criança, desrespeita valores ambientais, ou que seja capaz de induzir o consumidor a se comportar de forma prejudicial ou perigosa à sua saúde ou segurança. Caso muito comum de publicidade enganosa é a diferença de preço entre o anunciado e o preço de venda ou a falta de mercadoria anunciada. No caso de diferença de preço, devese notificar durante o pagamento, no caixa, a existência da diferença entre o anunciado e o valor que será pago, para que se faça o abatimento. Caso já se tenha comprado a mercadoria 9 * Graduando do 3º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 19
20 e posteriormente notado a diferença de preço, deve-se levar a nota fiscal onde adquiriu o produto com o encarte da propaganda, no prazo de até sete dias após a data de compra, para que seja ressarcida a diferença. Na falta da mercadoria anunciada, caso não tenha sido especificado que a promoção seria válida enquanto durassem os estoques, deverá a empresa vendedora substituir a mercadoria faltante por outra de igual qualidade sem nenhuma cobrança adicional. Vale lembrar que, caso ocorra algum desrespeito ao consumidor, este que foi desrespeitado deve procurar o PROCON ou ajuizar ação de reparação de danos, procurando um advogado para fazer valer seus direitos. No caso de pessoas hipossuficientes, ou seja, com pequena renda mensal que passam por situação financeira a qual não permita pagar à custa processual e os honorários advocatícios, sem comprometer o seu sustento e da sua família, terá o consumidor direito ao acesso a Justiça por meio da Defensoria Pública. BIBLIOGRAFIA ANDREUCCI, Ricardo Antonio. Legislação Penal Especial. 7ª edição. Editora Saraiva, NUNES, Luiz Antonio Rizzatto. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor. Editora Saraiva, 5ª edição.são Paulo, SANSEVERINO, Paulo de Tarso Vieira. Responsabilidade Civil no Código do Consumidor e a Defesa do Fornecedor. Editora Saravia, 3ª Ed MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
21 Código de Defesa do Consumidor e práticas abusivas Katia Helena Zerbini Palmeira de Morais 10* Em vigor desde 1990, o Código de Defesa do Consumidor demonstra a importância que o sistema jurídico tem nos dado como consumidores nas últimas décadas, fornecendo-nos poderes para exercer com eficiência o papel de fiscais e agentes reguladores do mercado. Portanto, de acordo com o CDC, o consumidor não será obrigado a comprar produtos ou serviços, condicionados à aquisição de outro, podendo, assim, escolher livremente o que for de seu interesse, ou seja, não será obrigado a submeter-se à vendas casadas para aquisição do produto desejado. Além disso, o fornecedor não poderá limitar a quantidade de produtos que o consumidor queira comprar, para mais ou para menos, a não ser num momento de crise de abastecimento para evitar que alguns façam estoques e outros fiquem sem determinado produto. Mas, essa limitação deverá ser fiscalizada por algum órgão de defesa do consumidor. Também não poderá o fornecedor enviar qualquer produto ou fornecer quaisquer serviços sem sua solicitação prévia, ou mesmo aproveitar da fraqueza ou ignorância do consumidor, tendo em vista sua idade, saúde, conhecimento ou condição social, para forçar a compra de produtos ou serviços. Tampouco é permitido ao fornecedor executar serviços sem a prévia elaboração de orçamento e autorização do consumidor, sendo que aquele que assim proceder não terá direito a pagamento e os produtos ou serviços prestados serão considerados amostras grátis. Além disso, mediante pronto pagamento, o fornecedor está proibido de recusar a venda de bens ou serviços, exceto nos casos regulados em leis especiais, pois o fornecedor não pode escolher quando e para quem vender. Não poderá também elevar os preços de suas mercadorias ou serviços sem justificativa, ou mesmo aplicar fórmula ou índice de reajuste ilegal ou diferente do que está estipulado no contrato. O CDC também garante a qualidade, segurança e a eficiência dos produtos e serviços, determinando ao fornecedor a estipulação de um prazo de entrega ou realização dos mesmos, e aplicando normas expedidas por órgãos oficiais competentes para colocar esses produtos ou serviços no mercado. Além disso, proporciona ao consumidor o equilíbrio contratual, para que o fornecedor não possa utilizar de sua condição de superioridade econômica para causar prejuízos a ele, proibindo o repasse de informação depreciativa acerca de ato praticado pelo consumidor no 10 * Graduanda do 2º semestre do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. katia.zerbini@ hotmail.com. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 21
22 exercício de seus direitos, como, por exemplo, a formulação de queixa nos órgãos de defesa (PROCON) e o ajuizamento de demanda. Essas práticas estão expressas no art. 39 do CDC que as denomina de abusivas e, conforme já mencionado, são proibidas sujeitando o fornecedor à sanções. Todavia, para a aplicação da lei, o consumidor deve agir com fiscal das condutas ilegais dos fornecedores, denunciando-as aos órgãos competentes. O que realmente nos falta é o conhecimento das determinações legais para que possamos, de uma maneira mais plena, gozar de nossos direitos e exigir que a lei seja cumprida na sua integridade. BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, João Batista de. Manual de direito do consumidor. Saraiva, São Paulo, LAZZARINI, Marilena. Código de defesa do consumidor comentado. Globo Livros, MONTORO, André Franco. Introdução à ciência do direito. Revista dos Tribunais, São Paulo, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
23 O DIREITO A RECLAMAÇÃO POR SERVIÇOS E PRODUTOS Lucas Paulo Souza Oliveira 11* O Código de Defesa do Consumidor disciplina as garantias e proteções para o destinatário final de produtos e serviços, nas relações de consumo, os defeitos ou problemas que porventura vier a acontecer quando se adquire algum produto, ou no término de uma prestação de serviço que não atenderam o que foi contratado. A primeira providência a ser tomada é comunicar, de forma expressa, o problema para o fornecedor ou prestador de serviço. Não sendo atendida sua solicitação, ou não obtendo a troca do produto, ou mesmo o conserto, o consumidor não poderá perder a garantia que o fabricante estabeleceu, por decurso do prazo, pois a formalização da reclamação o suspende. A segunda providência é denunciar à Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor (PROCON) qualquer ato lesivo ou que tente ludibriar o adquirente de mercadoria ou serviços. Sendo que esses atos feitos futuramente servirão de prova a favor do consumidor, que ficará demonstrado que foram esgotadas as vias administrativas. Cumprindo estas duas etapas, o Consumidor tem uma proteção mais eficaz quanto ao seu Direito, possuindo a faculdade de demandar judicialmente. Os Consumidores têm a proteção contra possíveis fornecedores ou prestadores de serviços que descumprem a lei, sendo que no artigo 26 do Código de Defesa do Consumidor, que disciplina o direito para reclamar sobre os produtos e serviços com defeito aparentes ou de fácil constatação, que são facilmente identificáveis, tais como alimentos com sujeira, eletroeletrônicos com mau funcionamento ou riscados, entre outros. Contudo, o Consumidor deve ficar atento à aquisição de produtos e serviços, devendo tomar as medidas cabíveis para que esteja resguardado o seu direito, e que consiga a resolução efetiva na relação de consumo. BIBLIOGRAFIA GLOBEKNER, Osmir Antonio. A prescrição e a decadência no Código de Defesa do Consumidor. Jus Navegandi, Teresina, ano 3, n. 30, abr Disponível em: 11 * Graduando do 3º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. lucas_p_so@ hotmail.com. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 23
24 na/texto.asp?id=718>. Acesso em: 20 maio OLIVEIRA, José Carlos de. Código de Defesa do Consumidor: doutrina, jurisprudência e legislação complementar. 3º.ed. São Paulo: Lemos e Cruz, SÃO PAULO (Estado) Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania. Orientações de Consumo e Produtos. Disponível em: Acesso em: MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
25 COBRANÇAS INDEVIDAS Lucimara Cristina dos Santos 12* Verifica-se, hoje em dia, as cobranças indevidas, que, por vezes, expõem o consumidor ou a pessoa a situação constrangedora e vexatória, quando, ao tentar auferir crédito, se deparam com seus CPFs incluídos nos órgãos de proteção ao crédito. Na prática, são três as hipóteses mais frequentes: as cobranças por débitos jamais efetuados pela pessoa; as cobranças por dívidas já quitadas; e, principalmente, cobranças de cheques emitidos há vários anos repassados às empresas de cobrança, as denominadas factorings que compram ativos financeiros. Na primeira hipótese, ao serem vítimas de cobrança totalmente indevida, a solução jurídica será o ajuizamento de uma Ação Declaratória de Inexistência/Inexigibilidade de débito. Caso haja a necessidade da imediata exclusão do nome do rol dos maus pagadores, deverá conter um pedido de tutela antecipada para que o Judiciário autorize esta exclusão de imediato, enquanto transcorrer a discussão sobre a legalidade da dívida, podendo ainda ser pleiteados, nesta ação, os danos materiais (desde que comprovados) e danos morais, caso tenham ocorrido, dependendo do caso concreto. Nas cobranças indevidas por dívidas integralmente quitadas, a medida judicial será a mesma, com a peculiaridade que poderá ser pleiteada, ainda, a devolução em dobro daquilo cobrado indevidamente, conforme artigo 42, parágrafo único, do Código de Defesa do Consumidor. Na última hipótese, quando ocorre o protesto indevido de cheques, muitas vezes, prescritos, há duas alternativas: ajuizar ação cautelar para a imediata suspensão dos efeitos do protesto, ou ainda, ajuizar a ação de conhecimento competente com pedido de tutela antecipada para a suspensão dos efeitos do protesto. Tanto na ação cautelar como na principal, faz- se necessário a consignação do valor protestado, devidamente atualizado ou oferecimento de caução idônea, pois, têm entendido os Juízes que, para a concessão da tutela (sustar/ suspender o protesto), é indispensável a prestação de caução, além do que o procedimento encontra-se amparado pela Súmula n. 16 do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que diz: Insere-se na discrição do Juiz a exigência de caução e análise de sua idoneidade para sustação de protesto. A prescrição do crédito do cheque ocorre em 05 (cinco) anos contados da data em que perder a eficácia executiva, nos moldes do artigo 206, 5º, inciso I, do Código Civil, portanto, 12 * Especialista em Direito Processual Civil na Universidade de Ribeirão Preto. Advogada atuante na área da Direito do Consumidor, Cível e Família e no Núcleo de Práticas Jurídicas do Centro Universitário Barão de Mauá. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 25
26 ao ter o cheque protestado com sua emissão há mais de 06 (seis) anos, necessário o ajuizamento da ação declaratória de inexigibilidade de débito, pautada na prescrição do título. Cumpre ainda informar, que nestas ações o dano moral apenas será devido se não houver outra inserção lícita, pois, é sumulado que Da anotação irregular em cadastro de proteção ao crédito, não cabe indenização por dano moral quando preexistente legítima inscrição, ressalvado o direito de cancelamento (Súmula 385 STJ). Portanto, terá direito da exclusão do nome, mas, sem o ressarcimento pelos danos morais sofridos. Sendo assim, caro leitor, se possuir problemas com cobranças indevidas, é necessária a valia de seus direito, tendo em vista que a lei põe a salvo a integridade do nome que é considerado hoje direito da personalidade. Conforme visto, há medidas judiciais para cessar a cobrança e, dependendo do caso concreto, a empresa que irresponsavelmente a realizou estará obrigada no ressarcimento de todos os danos materiais e morais experimentados, tanto nas relações de consumo quanto nas relações civis. BIBLIOGRAFIA FILOMENO. José Geraldo Brito. Curso fundamental de Direito do Consumidor São Paulo: Atlas, NERY JR. Nelson. Código Civil Comentado 5ª Ed. rev. ampl. e atual. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, NUNES. Luiz Antonio Rizzatto. Curso de Direito do Consumidor: com exercícios. São Paulo: Saraiva, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
27 PROBLEMAS COM PLANOS DE SAÚDE Carolina Yamada Junqueira Garcia 13* Os planos de saúde têm sido uma das maiores reclamações dos consumidores nos últimos anos, pois são totalmente problemáticos e causam transtornos nos momentos que os cidadãos mais precisam. As maiores discussões são sobre os contratos antigos, principalmente os anteriores a 1990, época em que não havia a Lei nº 8.080/90, que instituiu o Código de Defesa do Consumidor. Nesses contratos, há cláusulas que prevêem a exclusão de cobertura de exames e outros procedimentos, infringindo o artigo 51, IV, XV, 1o, I a III do Código de Defesa do Consumidor, que em seu conteúdo descreve as possibilidades de serem nulas as cláusulas contratuais relativas ao fornecimento de serviços nos casos de desconformidade com a legislação consumeirista, que estabeleçam obrigações abusivas, que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada, que restringe o direito ou obrigações fundamentais que seriam inerentes à própria finalidade contratual. Todavia, verifica-se que mesmo aos contratos existentes anteriormente à entrada em vigência da lei foi determinado que os planos se adaptassem ao novo diploma. Além desta discussão, há vários outros problemas que poderão ser resolvidos pelo Poder Judiciário, como, por exemplo, nos casos emergenciais, que possuem limitações ou negativa de cobertura ou assistência médica ou até mesmo o aumento de mensalidade quando a idade do usuário ultrapassa 60 anos. Ao se encontrar em qualquer uma dessas situações, como consumidor em desvantagem em relação à operadora de plano de saúde, é preciso saber como exigir seus direitos toda vez que estes não forem respeitados. Apesar de ser uma atitude que necessita de disposição e paciência, o consumidor deve buscar resolver o seu problema pessoal e, com isso, também contribuirá para a melhoria dos serviços prestados pelas operadoras de planos de saúde, beneficiando assim toda a comunidade. Antes de qualquer ajuizamento de ação judicial, aconselha-se que o consumidor faça a reclamação diretamente com a operadora de seu plano de saúde, para tentar uma solução amigável do problema em questão, isto pode ser formalizado por uma carta manuscrita enviada à operadora, juntando, para tanto, documentos que comprovem o alegado e demonstrem sua insatisfação. Se não obtiver o resultado esperado, o indicado seria procurar o Juizado Especial Cível (JEC), órgão do Poder Judiciário, que se dedica somente às ações que não ultrapassem * Graduanda do 5º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. carol_himawari@ hotmail.com. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 27
28 (quarenta) salários mínimos, tendo assim o objetivo de simplificar o andamento das causas de menor complexidade, caracterizado pela sua celeridade quando comparado à Justiça Comum, não havendo necessidade de advogado. Para casos mais complexos em que há necessidade de um advogado, aconselha-se a procura pela Defensoria Pública, instituição criada pela Constituição Federal de 1988, que tem o dever de prestar assistência jurídica gratuita aos necessitados que não possuam condições de pagar os honorários advocatícios e à custa de um processo judicial sem prejuízo próprio e de sua família. Nesses casos, é responsável a Defensoria Pública Estadual. Já nas cidades onde esta ainda não foi implantada, aconselha-se que os cidadãos dirijam-se à escritórios experimentais da Ordem dos Advogados de Brasil (OAB) ou escritórios modelos das faculdades de Direito. BIBLIOGRAFIA ANGHE, Anne Joyce (org). Vadem Mecum acadêmico de direito. 4. Ed., São Paulo: Rideel, FILOMENO, José Geraldo Brito. Manual de direitos do consumidor. 8 ed., São Paulo : Atlas: MARQUES, Cláudia Lima, BRUNO, Antônio Herman V. Beijamin. Comentários ao Código de Defesa do Consumidor, Miragem 2.ed.rev., atual e ampl.- São Paulo : Editora Revista dos Tribunais, SALAZAR, Andrea Lazzarini, SCHEFFER, Mário. Planos de Saúde Conheça os abusos e suas armadilhas, São Paulo. Disponível em < pdf> Acesso em : 17 de Julho de MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
29 NOVO CÓDIGO DE ÉTICA MÉDICA: EXERÇA SEUS DIREITOS Washington Luis dos Santos Magalhães 14* A boa conduta médica é prática imprescindível para o exercício da medicina, porém não são raras as notícias que se têm sobre abusos e negligência por parte de alguns profissionais da área. O problema se agrava, principalmente, na rede pública de saúde, onde quase sempre o paciente é desprovido de conhecimento sobre seus direitos no respectivo tema, e, quando os conhece, fica sem saber a quem reclamar e reivindicar seus direitos como paciente. Sendo assim, o Conselho Federal de Medicina promoveu alterações no antigo código de ética médica, a fim de tornar mais clara e transparente a relação entre médico e paciente, nascendo, assim, o Novo Código de Ética Médica (Resolução CFM n 1931/2009) que entrou em vigor no dia 13/04/2010. Entre seus artigos, destaca-se os que consideram de maior importância e que tratam sobre a maior parte de conflitos ocorridos entre médicos e pacientes. No seu art. 23, o código de ética deixa claro que é dever do médico tratar, com total respeito e sem qualquer tipo de preconceito, todo paciente. O art. 1 visa à proibição de dano ao paciente por falta de atenção aos procedimentos, descuido ou até mesmo descaso ao paciente, sendo responsabilizado pelos danos causados. O art. 9 traz, em seu texto, a proibição da falta do médico ao plantão, salvo tendo substituto ou justo impedimento. No seu parágrafo único, o artigo delega a responsabilidade de substituição, a Direção da unidade de saúde. Já no art. 11 a principal e mais desejada mudança foi a proibição de se receitar ou atestar por parte do médico, de forma ilegível, ou seja, de forma que não se faça entender. Também, na área de documentos médicos, é importante lembrar que por veto do art. 91 fica obrigado ao médico fornecer o atestado médico a pedido do paciente ou de seu representante legal. Outra prática comum de se ver é o médico receitar medicamentos ao paciente, sem ao menos examiná-lo. Essa prática fica vedada pelo art. 37, salvo em casos de urgência ou emergências. Também a lei obriga o médico (art. 39), a pedido do paciente ou de seu representante legal, a colaborar com outros médicos, afim de uma segunda opinião, e de forma alguma se opor a tal pedido. No art. 41, o médico, em caso de doenças terminais, fica proibido de praticar atos que provoquem sofrimento desnecessário ao paciente, procurando, amenizar o padecimento daquela pessoa no final de sua vida. O novo Código de Ética da Medicina se enquadra na esfera administrativa, não tendo força de lei, porém, qualquer descumprimento de seus artigos pode ser reclamado junto aos 14 * Graduando do Segundo Semestre do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 29
30 conselhos regionais de saúde do respectivo município, podendo o médico até ser afastado de suas funções, dependendo da conduta exercida. O telefone do conselho regional de saúde de Ribeirão Preto, para reclamações é: (16) ou (16) Vale lembra que o médico está sujeito a três tipos de punições: na esfera Administrativa, Civil e Penal, dependendo da sua conduta. Lembre-se, a prestação de serviço publico não é gratuita, você a paga, e paga caro através do recolhimento de impostos. Cobre qualidade, exerça seus direitos. BIBLIOGRAFIA Aprova o Código de ética Médica. In: Resolução CFM Nº 1931/2009. Disponível em: < Acesso em: 19 out MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
31 SEGURO DPVAT Natália Aparecida Lattaro de Castro 15* O Seguro DPVAT é um seguro obrigatório de danos pessoais causados por veículos automotores. Esse seguro é pouco conhecido pelos cidadãos, muitos o pagam sem ao menos saber de seus benefícios. O DPVAT foi criado em 1974 pela Lei 6.194/74, a qual determina que todos os proprietários de veículos automotores de via terrestre, sem exceção, paguem-no. A obrigatoriedade do pagamento garante às vítimas de acidentes com veículos o recebimento de indenização, ainda que os responsáveis pelos acidentes não arquem com sua responsabilidade, sendo tais benefícios custeados pelo Estado. O DPVAT é um seguro que indeniza vítimas de acidentes causados por veículos, que têm motor próprio e circulam por terra ou por asfalto. Em caso de acidente, as situações indenizadas são morte, invalidez permanente e reembolso de despesas médico-hospitalares. Na indenização por morte, os beneficiários são os herdeiros da vítima, recebendo o valor de R$13.500,00 por vítima (valor válido no ano de 2010), podendo esta ser motorista, passageiros ou pedestres. Na indenização por invalidez, o beneficiário é a própria vítima do acidente, mas apenas é indenizado se a impossibilidade de reabilitação for atestada em laudo pericial. O Valor da indenização pode chegar até a R$13.500,00 por vítima, variando conforme a gravidade das sequelas e de acordo com a tabela do Seguro de Acidentes Pessoais. Já nos casos de reembolso de Despesas Médico-Hospitalar (DAMS) o beneficiário também será a própria vítima que poderá receber o valor de até R$ 2.700,00, valor este que irá variar de acordo com a soma das despesas cobertas e devidamente comprovadas, considerando-se, ainda, os limites definidos nas tabelas autorizadas pela Superintendência de Seguros Privados SUSEP. Conforme informações do site oficial do DPVAT: (...) nos casos de serem menores de 16 anos (incapazes), a indenização será paga ao representante legal. Se for menor entre 16 e 18 anos (relativamente incapazes), a indenização será paga ao menos desde que assistido por representante legal. Em caso de tutor, é necessária a apresentação de Alvará Judicial. Conforme se verifica a partir da análise acima, o DPVAT destina-se exclusivamente a cobertura de danos pessoais decorrentes de acidentes com veículos automotores terrestres, 15 * Graduanda do 2º semestre do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. naty_castro90@ hotmailcom. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 31
32 ocorridos dentro do território nacional, não prevendo a cobertura dos danos materiais, nem tampouco de acidentes fora do país. BIBLIOGRAFIA O que é e quem pode usar? In: Seguro DPVAT Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre. Disponível em: oquee.asp. Acesso em: 19 out MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
33 O FIM DA QUEIMA DA CANA-DE- AÇÚCAR NO ESTADO DE SÃO PAULO José Márcio dos Santos 16* Durante muito tempo, a queima da palha da cana-de-açúcar, no país, está sendo alvo de estudo e discussão pela sociedade, principalmente por entidades de pesquisas ambientais governamentais, controladas por diferentes níveis de governo, e não governamentais nacionais e internacionais, cuja finalidade social é a preservação do meio ambiente, sendo objeto de preocupação por vários países do planeta. O uso da queima da cana como forma de prática agrícola encontra-se prevista no artigo 27 do Código Florestal e na lei estadual paulista n /2002, os quais prevêem o fim da queimada da palha em Influenciado pelo aquecimento global e pela preocupação com a qualidade de ar, ocorreu um evento na capital paulista que contou com a participação da UNICA (União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo), no qual foi assinado um protocolo que antecipa o fim da queima da cana no Estado, que estava previsto para ocorrer em 2031, para 2014, visando à redução de impacto ambiental e a emissão de partículas na atmosfera. Tal decisão se justifica, pois não é possível deixar de avaliar os desastres na fauna e flora que ocorrem nos períodos de queimada, já que muitos animais são mortos, matas são queimadas acidentalmente e há um aumento de doenças respiratórias, devido ao excesso de partículas espelidas na atmosfera. Em que pese tal decisão resolver uma questão ambiental relevante, constata-se que haverá impacto social com o término da queima da cana, pois muitos boias-frias ficarão sem trabalho, porque a maioria não tem qualificação profissional e dependem dela para sobreviver, podendo ficar sem alternativa de subsistência. Porém, a sociedade deverá se precaver e buscar soluções o quanto antes. O setor canavieiro, junto com o Estado, precisa buscar alternativas para essa questão social desde já. Faz-se necessário, portanto, criar cursos de qualificação profissional, por meio dos quais se promova a capacitação desses trabalhadores, para reaproveitá-los no próprio setor, proporcionando melhor qualidade de vida, a fim de que se atinja a finalidade de proteger o meio ambiente, além de um padrão de existência para os seres humanos desta e das futuras gerações sem, contudo, criar um problema social que pode gerar consequências gravíssimas para a sociedade. 16 * Graduando do 3º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá, mmarcio91@yahoo. com.br. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 33
34 Reconhece-se a importância do término do processo da queima da cana-de-açúcar. Também, está-se consciente de que a preservação do meio ambiente é um bem coletivo essencial para a preservação da vida humana no planeta. A União, todos os Estados e municípios da Federação devem criar legislações específicas para contribuir com a redução gradativa da poluição no país, visando ao desenvolvimento sustentável. Portanto, a necessidade de cessar a queimada por questões ambientais é preemente. Ela não pode ocorrer sem que haja um planejamento com relação ao futuro de todos os empregados rurais que trabalham na colheita da cana, além dos danos ambientais e da proteção da espécie humana. BIBLIOGRAFIA MILARÉ Edis, COSTA JÚNIOR, Paulo José da Costa. Direito Penal Ambiental. Millennium Editor, Campinas SP MUKAI, Toshio. Direto Ambiental Sistematizado. Editora Forense Universitária, 5 Edição Rio de Janeiro - RJ SILVA. José Afonso. Direito Ambiental Constitucional. São Paulo - SP: Malheiros MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
35 O EXERCÍCIO DA CIDADANIA POR MEIO DOS DIREITOS POLÍTICOS. Kerton Nascimento e Costa 17* Muito se fala em cidadania e no seu exercício, porém, pouco se fala dos requisitos necessários para ser considerado cidadão e ter o pleno exercício de cidadania. A cidadania está intimamente ligada ao exercício dos direitos políticos, e, sem este correto exercício, ficamos impossibilitados da prática de alguns atos. Só é considerado cidadão aquele que é alistado na Justiça Eleitoral e que possua o título de eleitor. Os direitos de cidadania são conquistados com o alistamento eleitoral, que significa a qualificação e a inscrição da pessoa, perante a Justiça Eleitoral, como um eleitor. Por ser obrigatório, todos os brasileiros, homens e mulheres que são maiores de dezoito anos devem se alistar, estando livres desta obrigação os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos, os maiores de setenta anos e os analfabetos, sendo que para esses casos o alistamento é facultativo. O título de eleitor, documento que comprova o alistamento junto à Justiça Eleitoral, muitas vezes, é relegado para segundo plano, e não raras vezes desaparece no amontoado de documentos que guardamos. Esquecemos o quão é importante esse pequeno documento que nos garante a participação na vida política de nosso país e o ingresso aos cargos públicos, tão almejados por tantos. É comum presenciarmos, nos dias de votação, as pessoas sem o título de eleitor, votando apenas com a identidade ou a carteira nacional de habilitação, prova do descuido com o exercício da cidadania. O Brasil se caracteriza por ser um Estado Democrático de Direito, onde, segundo o parágrafo único do art. 1º da Constituição Federal, o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente. Portanto, a mudança dos rumos e políticas públicas de nossa nação está em nossas mãos, assim como a força de trabalho que move este país. Ao exercer seus direitos políticos corretamente e com seriedade, estamos contribuindo para o crescimento do Brasil e a melhoria das condições de vida de nossa população. 17 * Graduando do 3º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. kertoncosta@hotmail. com. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 35
36 BIBLIOGRAFIA SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo, 33ª Edição, São Paulo: Editora Malheiros,2009. BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional, 25ª edição, São Paulo: Editora Malheiros, MENDES, Gilmar Ferreira; COELHO, Inocêncio Mártires; BRANCO,Paulo Gustavo Gonet. Curso de Direito Constitucional, 4º edição, São Paulo: Saraiva, LENZA, Pedro; Direito Constitucional Esquematizado, 12ª edição, São Paulo: Saraiva, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
37 CANDIDATO FICHA LIMPA Lilian de Menezes San Martino 18* Matheus Alexandre da Silva Camargo 19* Eleição, o mais importante evento democrático onde são eleitos aqueles que irão representar o país junto aos poderes Executivo e Legislativo. Por isso, antes de votar, a população deve conhecer bem o perfil ético e moral dos candidatos que irão concorrer nas urnas. Uma vez eleitos, os representantes políticos têm como função (de acordo com o preâmbulo da Constituição da República Federativa do Brasil, art 3º) visar os interesses sociais e individuais da sociedade, a liberdade, a segurança, o bem estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna. No entanto, não é isso que ocorre. Constantemente, os políticos, em sua grande maioria, estão ligados à escândalos como: desvio de verbas públicas, nepotismo e outros. Isso gera graves problemas sociais, além da desmotivação dos eleitores em participar da vida política do país, o que acarreta em votos inconscientes, praticados apenas pela obrigatoriedade da lei. Devido à importância das eleições, foi criada, por meio da Lei Complementar n. 135/2010, a lei denominada Candidato Ficha Limpa, a qual visa melhorar a qualidade da classe política. O projeto dessa lei Candidato Ficha Limpa foi elaborado por um grupo de trabalho da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, e tem por finalidade impedir o ingresso de candidatos nos pleitos eleitorais quando condenados, em decisão transitada em julgado ou proferida por órgão judicial colegiado em crimes tais como: contra a economia popular, fé pública, patrimônio público e administração pública; contra o patrimônio privado, o sistema financeiro; contra o meio ambiente e saúde pública; crimes eleitorais, abuso de autoridade, dentre outros descritos no art 2º da Lei Complementar 135/2010, que alterou o artigo 1º da Lei Complementar n. 64/90. Tal restrição foi determinada para que os interessados em concorrer nas eleições resolvam suas pendências com a Justiça antes de assumirem cargos, no Poder Público. Portanto, o dever do eleitor consiste (de acordo com a Constituição da República Federativa do Brasil, art. 1º, parágrafo único) em eleger, fiscalizar, exigir seus direitos e, principalmente, escolher melhor os representantes do Brasil, para que essa lei não fique apenas no plano material. 18 * Graduanda do 2º semestre do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. 19 *Graduando do 2º semestre do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 37
38 BIBLIOGRAFIA Ficha Limpa A Lei que o Brasil faz Pegar. In: MCCE: Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral. Disponível em: < Acesso em: 19 out MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
39 POR QUE É IMPORTANTE VOTAR CONSCIENTE? O EXERCÍCIO DA CIDADANIA Misaque Moura de Barros 20* Desde a proclamação da república, em 15 de novembro de 1889, por Marechal Deodoro da Fonseca, surgiu, mesmo que precariamente, o direito ao voto, o que ainda era atribuído apenas aos que possuíam maior poder econômico. Mas hoje, esse direito é garantido pela nossa Constituição a todos, conforme dita em seu art. 14, caput. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto com valor igual para todos, e, nos termos da lei. E o que é essa soberania popular? É o poder do qual eu, você, nós brasileiros temos de criar o Estado e escolher nossos representantes, pois é do povo que emana o poder político. Você ainda tem a falsa ideia de que o voto em branco favorece aqueles candidatos de maior votação? Ou que o voto nulo barra os maus políticos e assim estaremos fazendo o exercício do voto de protesto? No art. 2º, da Lei nº /97, está previsto que Será considerado eleito o candidato a Presidente que obtiver a maioria absoluta de votos, não computados os em branco e os nulos. A mesma lei, em seu art. 5, dispõe que só serão válidos os votos dados a candidatos regularmente inscritos e às legendas partidárias, ou seja, os brancos e os nulos, não serão computados a ninguém e não influenciarão no resultado final da eleição. As pessoas esquecem ou desconhecem o fato de que as demais pessoas que votam, validamente, elegem o candidato do mesmo jeito, dede que o candidato receba 50% + 1 dos votos apurados, conforme estabelece a nossa CF./88 e a lei 9.504/97. E aquele que opta por não votar, na verdade, renegam um direito constitucional adquirido com muita luta, permitindo, ainda, que os maus políticos continuem no poder, interferindo em nossas vidas ao administrar, ao legislar e ao julgar interesses do nosso cotidiano. Por esses motivos, é importante que nós, cidadãos, procuremos votar consciente, analisando os políticos que vão nos representar: se tem um passado digno, uma história de luta e se suas propostas são para o bem da coletividade. Diante desses fatos, é importante enfatizar que as escolhas dos futuros lideres, repre- 20 * Graduando pelo 3 ano de direito do Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 39
40 sentantes diretos do povo e que nortearão o futuro do País com benefícios e obrigações, é de cada um de nós cidadãos, pois o voto é nosso cheque em branco aos nossos representantes políticos. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de Ed. São Paulo: Saraiva, COSTA, Emília Viotti da. Da Monarquia à República. São Paulo: Brasiliense, SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
41 BENEFÍCIO DE PRESTAÇÃO CONTINUADA, UM DIREITO QUE PODE SER SEU Bruno da Silva Oliveira 21* A preocupação comum entre as pessoas é o que ela irá fazer quando completar a idade em que poderia se aposentar, porém surge o fato de nunca ter trabalhado com registro em carteira e, por isso, descobre que não poderá usufruir de tal garantia. No entanto, poucos sabem que a Constituição Federal brasileira, tida como uma Constituição cidadã, traz em seu primeiro artigo o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana como requisito fundamental para que todos brasileiros tenham uma vida digna e justa. Com isso, fora criada uma lei para regulamentar a garantia daqueles que precisam valer-se do direito de um piso vital mínimo, o que pode ser entendido como um meio de subsistência às tantas necessidades de quem não possui nenhuma fonte de renda. Esse direito é diferente de uma aposentadoria, pois esta é devida somente àqueles que contribuíram com a Previdência Social durante um determinado tempo com registro em carteira. A lei trouxe, em seu bojo, o Benefício de Prestação Continuada, que foi criado em 1993 e, desde então, tem beneficiado às milhares de pessoas que têm direito a recebê-lo. De tal forma, a lei dá essa garantia aos Idosos com 65 anos ou mais e aos Portadores de Necessidades Especiais, necessidades estas que tornaram a pessoa incapaz para o trabalho. A renda por indivíduo na família não deve ultrapassar R$127,50 (Cento e vinte e sete reais e cinquenta centavos), no ano de 2010, ou seja, 25% do salário mínimo vigente, e também não poderá receber outro benefício previdenciário ou assistencial juntamente ao BPC. Ao cumprir tais requisitos, o beneficiado passa a receber mensalmente o valor de um salário mínimo, o qual no ano de é de R$510,00 (quinhentos e dez reais), para suprir suas necessidades essenciais básicas com alimentação, habitação, vestuário, higiene, transporte, entre outras. Existem duas maneiras de se requerer o BPC : a primeira é procurar algum posto de atendimento da Previdência Social (Antigo INPS atual INSS), mediante agendamento de horário que pode ser feito eletronicamente ou por telefone, com os documentos pessoais e que comprovem os requisitos que darão direito ao benefício; a segunda forma de requerer é procurar atendimento no Fórum da Justiça Federal de sua cidade, com os mesmos documentos e dirigir-se ao atendimento ao público. 21 * Graduando do 5º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. bruno.soliveira@hotmail. com. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 41
42 Importante lembrar que o BPC não é devido quando a condição da pessoa muda e ela deixa de configurar os requisitos que o originaram e, assim, a Previdência Social é a responsável por averiguar se as condições alegadas são verdadeiras e contínuas, mediante perícias, exames e outros instrumentos que a lei determina que serão feitos oportunamente. A intenção da lei é assegurar o mínimo de direitos que uma pessoa possa se beneficiar em vida, e nada mais justo que assegurar uma quantia mínima para quem não tenha condições de suprir suas despesas básicas necessárias para sua sobrevivência. Por isso, o BPC Benefício de Prestação Continuada é assistencial e é devido somente a quem não possui meios de subsistência e se encontra desamparado financeiramente. Lembre-se que a dignidade do ser humano é um fundamento para que lhe seja garantido qualidade de vida, bem-estar social, e uma vida justa com amparos sociais que correspondam ao seu título de cidadão, melhor representado por seu direito ao voto e o seu respeito à Pátria. Portanto, faça do seu direito um instrumento capaz de reduzir as desigualdades sociais e que lhe traga vida digna e justa, pois é um direito de todos! BIBLIOGRAFIA BRASIL. Constituição da República Federal do Brasil, 46. ed. São Paulo: Saraiva, SILVA, JOSÉ AFONSO DA. Curso de Direito Constitucional Positivo. 30. ed. São Paulo: Malheiros, SIMÕES, CARLOS. Curso de Direito do Serviço Social. 02. ed. São Paulo: Cortez, RAMOS, DERISCLÉIA RODRIGUES. O processo de revisão do Benefício de Prestação Continuada BPC: uma lógica de exclusão ou inclusão na avaliação social? Rio Grande do Norte: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Disponível em: tedesimplificado//tde_busca/arquivo.php?codarquivo=814. Acesso em: 05 jun MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
43 DESMISTIFICANDO A VELHICE COM AUXÍLIO DA LEI Claudimilson Bonardi Gonçalves 22* Velhice não é doença, ela é apenas uma das fases da vida, mas, até então, ela não era vista por este ângulo, pois, à medida que envelhecemos, sofremos uma série de mudanças que podem nos tornar mais frágeis, necessitando de cuidados especiais, ocasionando uma interpretação errônea sobre a verdadeira condição, uma vez que saúde não é ausência de doenças, mas um estado de bem estar biológico, psicológico e até mesmo social. Daí a necessidade de reflexão e revisão dos pré conceitos estabelecidos ao longo dos anos. Decorrente disso, para garantir os direitos dos idosos, foi instituído pela Lei n.º , de 1º de outubro de 2003, o Estatuto do Idoso destinado a regular os direitos assegurados às pessoas com idade igual ou superior a sessenta anos, dentre os quais, encontra-se o DIREITO À SAÚDE, que também é assegurado pela Constituição Federal que diz: Saúde é direito de todos e dever do Estado. Ademais, haja vista que as leis advêm dos anseios de um povo, com o referido instrumento legal vigente, resta, então, uma preocupação por parte da sociedade com esta parcela da população que cresce a cada dia, justificando-se, assim, a necessidade de salvaguardar e regulamentar os direitos mais importantes e essenciais daqueles que alcançam e ultrapassam a faixa dos 60 anos. Todavia, não há de se falar em lei sem falar nos direitos e obrigações elencadas por ela, ou seja, faz-se necessário trazer à luz do conhecimento geral todos os seus preceitos. No entanto, para esta ocasião, discorreremos de forma simples e direta sobre os relacionados à saúde. De um lado, estão os direitos que, conforme determina o Estatuto, é obrigação do Estado fornecer de forma gratuita aos idosos todos os medicamentos, bem como órteses, próteses e demais recursos destinados ao processo de restabelecimento de sua saúde. Importante ressaltar que a lei não faz distinção de classe social, uma vez que, segundo dados do IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a grande maioria dos que possuem mais de 60 anos estão classificados como sendo baixa renda, ou seja, apenas uma pequena parcela possui situação econômica privilegiada. Também, ao idoso internado ou em observação é assegurado o direito à acompanhante, devendo o órgão de saúde proporcionar as condições adequadas para a sua permanência em tempo integral. Os direitos não param por aí, pois, os planos de saúde estão proibidos de fazer reajustes, levando-se em conta a cobrança diferen- 22 * Graduando do 2º semestre do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. Tradutor de inglês. Servidor Público do Município de Ribeirão Preto/SP. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 43
44 ciada por idade; e no Sistema único de Saúde SUS, o atendimento, obrigatoriamente, deverá ser preferencial. Por outro, encontram-se as sanções, ou seja, as penalidades aplicadas àqueles que desobedecem às normas contidas no Estatuto, para garantir o cumprimento da norma, dispondo penalidades que podem variar de seis meses e três anos de prisão às famílias que abandonarem idosos em hospitais e casas de saúde ou detenção de seis meses a um ano àqueles que deixarem de prestar assistência a idoso sem justa causa, por exemplo. Contudo, é preciso fazer valer os direitos, buscando informações nas Secretarias Municipais de Saúde e de Assistência Social ou até mesmo, através do Ministério Público. Logo, resta claro que a sociedade está caminhando, evoluindo, oferecendo uma devida e justa contrapartida, instituindo esta importante conquista da cidadania em nosso País, conferindo mais dignidade àqueles que foram os precursores na luta dos direitos que temos hoje. BIBLIOGRAFIA ABREU, H.F; ABREU, A.H. (et al.) (ORG). Comentários sobre o Estatuto do idoso. Secretaria dos Direitos Humanos, BRAGA, Pérola Melissa Vianna. O idoso tem direito a receber gratuitamente seus medicamentos. Disponível em: entos.pdf. Acesso em: 20 jun MINISTÉRIO DA SAÚDE Estatuto do Idoso - Série E. Legislação de Saúde, 1.ª edição, 2.ª reimpressão, Editora MS, Brasília/DF, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
45 DIREITOS DOS IDOSOS: UMA NOVA REALIDADE SOCIAL Delber de Carvalho Ribeiro 23* A população brasileira, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), envelhece em ritmo acelerado e a legislação brasileira acompanha gradativamente esta nova realidade social, concedendo garantias e direitos a essa classe emergente. Muito se tem discutido acerca dos direitos conferidos aos idosos e, muitas vezes, não se tem ideia de como as pessoas com idade superior a 60 anos podem valer dessas garantias oferecidas pela lei. Os direitos da pessoa idosa estão estabelecidos no Estatuto do Idoso (Lei /03) que, com efeito, visa ao bem-estar e atender às necessidades desta categoria, dentre outros benefícios, concede: (...) atendimento preferencial imediato e individualizado junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população (agências bancárias, p.ex.), bem como nas redes de atendimento médico-hospitalar público (SUS); gratuidade na utilização do transporte público coletivo aos idosos com 65 anos completos e desconto de 50% quando o transporte coletivo é privado e de uso interestadual e, quanto ao último, reserva ainda dois assentos para transporte gratuito, desde que o utilitário tenha renda individual igual ou inferior a dois salários-mínimos; gratuidade para remédios de uso continuado (diabetes, hipertensão, etc.); concessão de 50% de desconto para ingressar em atividades culturais, de lazer e esporte. Todavia, o que fazer quando esses direitos são violados ou não são respeitados pelos serviços prestados em nossa sociedade? Conforme o art. 6º desse diploma, caberá a todo cidadão comunicar autoridade competente por qualquer violação as garantias firmadas em lei e ao Poder Público, segundo seu art. 52, fiscalizar o cumprimento efetivo dessas garantias. Igualmente, fica ressalvado ao idoso comparecer, por si só ou por meio de pessoa legalmente capacitada, perante o Conselho Municipal (estadual, distrital ou nacional) do Idoso órgão permanente, composto por representantes do Poder Público e da sociedade civil, responsável por representar todo tipo de violação aos direitos oferecidos à pessoa idosa junto às autoridades competentes. Em Ribeirão Preto/SP, esse órgão fica vinculado à Secretaria Municipal de Governo. Restando-lhes, ainda, recorrer ao Ministério Público (MP) para reclamar a efetivação de seus 23 * Graduando do primeiro período A do curso de Direito, Centro Universitário Barão de Mauá, dcr_182@ hotmail.com. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 45
46 direitos e, se necessário, incumbirá à Promotoria de Justiça acionar o Poder Judiciário para exigir o respeito às garantias e aos direitos conferidos a esses cidadãos. BIBLIOGRAFIA MARINS, Vinicius. Apontamentos sobre o Estatuto do Idoso. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 179, 1 jan Disponível em: < doutrina/texto.asp?id=4619>. Acesso em: 16 mai SIMONE, Ladeira; TERRAZAS, Fernanda Vargas. Idosos e Direitos Humanos. Disponível em: < Acesso em: 16 mai IBGE, Diretoria de Pesquisas. Coordenação de População e Indicadores Sociais. Gerência de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica. População brasileira envelhece em ritmo acelerado. Disponível em: < noticia=1272&id_pagina>. Acesso em: 16 jun PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL: ESTATUTO DO IDOSO, banco de dados. Disponível em : < Acesso em 16 mai MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
47 DIREITOS ESPECIAIS DOS IDOSOS NO BRASIL Guilherme Henrique Fogarollo 24* A Constituição Federal de 1988, ao tratar da Ordem Social, concede tutela jurídica à família, à criança, ao adolescente e também ao idoso (artigos 226 a 230), mas o faz de modo bastante tímido, especialmente com relação aos direitos e garantias da pessoa idosa. Além da Constituição, a Lei nº /03, conhecida popularmente como Estatuto do Idoso é o diploma legal que detalha os direitos especiais das pessoas com idade mais avançada, que institui penas severas para quem desrespeitar ou abandonar cidadãos idosos. Como destacado por Juliana Moreira Mendonça: (...) em suas normas encontram-se preceitos amplamente debatidos pela sociedade, revelando um caráter protetivo dos direitos fundamentais desta parcela da população com idade igual ou superior a 60 anos (C.f. Art. 1º do Estatuto), cuja situação é extremamente precária, seja no quesito aposentadoria, na dificuldade de transportes, ou de recursos básicos para sobrevivência, como, moradia, saúde, lazer, educação, transporte, entre outros. 25 Como regra geral, a Lei /03 estabelece a idade igual ou superior a 60 anos para determinar quem será considerado idoso, refletindo uma tendência de países emergentes, cuja expectativa de vida é menor. Entretanto, em alguns casos especiais, os direitos de quem tem idade avançada se iniciam aos 65 anos, a exemplo da gratuidade do transporte público e do benefício assistencial, que só se dão a partir dessa faixa etária, segundo o texto da Constituição Federal e da Legislação Previdenciária. Dentre esses direitos que tange à regra especial aos idosos com 65 anos ou mais, encontra-se o benefício mensal de um salário mínimo garantido pela Lei Orgânica da Assistência Social LOAS, Lei 8.472/93, que é dirigido apenas aos idosos com idade igual ou superior a 65 anos, e que não possuam meios de prover sua subsistência e nem tê-la provida por sua família. Outro que se enquadra nessa regra especial é o direito à gratuidade dos transportes coletivos públicos urbanos e semi-urbanos. A lei assegura aos idosos, nesse caso, apenas aos 24 * Graduado em Administração de Empresas e Graduando do 2º semestre do Curso de Direito do Centro Universitário de Barão de Mauá. [email protected]. 25 MENDONÇA, Juliana Moreira. Breves Considerações a Respeito do Estatuto do Idoso. Disponível em < lfg.com.br>. Acesso em 16 de junho de MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 47
48 maiores de 65 anos, o transporte gratuito, bastando que apresentem qualquer documento pessoal que faça prova de sua idade. Além da gratuidade no transporte dos idosos, os veículos coletivos urbanos e semiurbanos deverão reservar 10% dos assentos para os idosos, com a devida identificação de preferencial ocupação. Uma das disposições mais relevantes do Estatuto é o benefício do atendimento preferencial o qual determina a necessidade de efetivação dos direitos da pessoa idosa com absoluta prioridade, pela família, pela sociedade e pelo Estado. Para tanto, a lei traz um rol de situações que exemplificam os momentos em que esse tratamento prioritário deve ser efetivado, tais como: atendimento preferencial junto aos órgãos públicos e privados prestadores de serviços à população; preferência na formulação e na execução de políticas sociais públicas específicas; destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas à proteção ao idoso; a viabilização de formas alternativas de participação, ocupação e convívio do idoso com as demais gerações; priorização do atendimento do idoso por sua própria família, em detrimento de atendimento em asilo, que deve ser reservado apenas para os casos em que o idoso não possui família e careça de condições de manter sua própria sobrevivência; capacitação e reciclagem dos recursos humanos nas áreas de geriatria e gerontologia e na prestação de serviços aos idosos. Vale notar que, recentemente, a Lei nº /08 incluiu uma nona situação em que deve ser garantida prioridade ao idoso. Trata-se da prioridade no recebimento da restituição do Imposto de Renda. Outro benefício do idoso é o acesso à justiça e prioridade de tramitação judicial. A lei determina a prioridade na tramitação de processos e procedimentos e na execução de atos e diligências judiciais em que figure como parte ou interveniente o idoso, em qualquer instância. Para receber esse atendimento prioritário o interessado deve apenas requerer o benefício à autoridade, fazendo prova de sua idade. Ademais, o Estatuto complementa dizendo que a prioridade não acaba com a morte do idoso, estendendo ao seu cônjuge ou companheiro maior de 60 anos. Portanto, ainda que antes do fim do processo ou procedimento o idoso faleça, possuindo cônjuge ou companheiro também idoso a prioridade do processo segue válida. Por fim, destaca-se também o direito à vagas preferenciais, sendo assegurada ao idoso a reserva, nos termos da lei local, de pelo menos 5% das vagas nos estacionamentos públicos e privados, as quais deverão ser posicionadas de forma a garantir a melhor comodidade ao idoso. Especificados quem são os idosos titulares dos direitos elencados pelo Estatuto e alguns dos benefícios nele previstos, é importante destacar quem são os obrigados por eles, ou seja, aqueles que deverão acatar e zelar pela efetiva aplicação dos direitos garantidos às pessoas maiores de 60 anos, em regra, ou 65 anos, excepcionalmente. Nesse sentido, conforme determinado pelo próprio art. 230 da Constituição, são obrigados por esses direitos a família, a 48 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
49 sociedade e o Estado, devendo todos cuidar pela sua efetivação. Em complementação, o art. 6º do Estatuto determina que todo cidadão tem o dever de comunicar à autoridade competente qualquer forma de violação a direitos dos idosos. Trata-se de aplicação do princípio da solidariedade no âmbito da proteção aos idosos. É frequente a insistência do brasileiro em tratar a pessoa idosa, como sendo velha, rabugenta ou inválida. Entretanto, a velhice não torna um ser humano menos cidadão que outro. Garantir dignidade aos idosos é exigência humanística, reflexo do valor alteridade, imprescindível para manutenção do respeito a todos os componentes da sociedade brasileira. BIBLIOGRAFIA BOAS, Marco Antônio Vilas. Estatuto do Idoso Comentado. 2 ed.são Paulo: Forense, 2009 EXPERIAN Serasa. Disponível em <http: // Acesso em 12 de maio de MENDONÇA, Juliana Moreira. Breves Considerações a Respeito do Estatuto do Idoso. Disponível em < Acesso em 12 de maio de RAMAYANA, Marcos. Estatuto do Idoso Comentado. 1 ed. Rio de Janeiro: Roma Victor, 2004 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 49
50 A INTEGRAL APLICABILIDADE DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ECA João Rafael Mião 26* Preconizados pela legislação vigente, à criança e ao adolescente, é garantido o direito à vida, à saúde, à liberdade, ao respeito, à dignidade, à convivência familiar e comunitária, à educação, à cultura, ao esporte e lazer, à profissionalização e à proteção no trabalho. De acordo com o art. 70, do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), é dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. É dever, portanto, da sociedade e não somente de parentes e responsáveis, prevenir a lesão ou ameaça a esses direitos. Porém, quantos denunciam a lesão ou ameaça a tais direitos? Conforme Azevedo (2004), é imprescindível uma: (...) quebra do pacto do silêncio, ou seja, a denúncia explícita do descumprimento da lei ou dos maus tratos praticados. É necessário, muitas vezes, que se ocupe o lugar da criança, que se denuncie por ela. A criança e o adolescente estão em constante evolução, e, para que esta seja a mais sólida e íntegra possível, o adulto, assumindo o seu papel de agente educador, formador do caráter cidadão do indivíduo em evolução, deve denunciar o trabalho infantil, a falta de acesso à saúde da criança, a falta de lazer, de educação, de cultura etc. Os direitos sociais do indivíduo, descritos no art. 6 º da Constituição Federal de 1988, estão claramente traduzidos e aplicados à criança e ao adolescente. No título II do ECA, tidos como direitos fundamentais dos menores, estão previstos: o direito à vida e à saúde; direito à liberdade, ao respeito e à dignidade; o direito à convivência familiar e comunitária; direito ao atendimento médico igualitário, efetivado por políticas sociais públicas, conforme cita os art. 7º e 11º, do ECA; direitos que prezam pela inviolabilidade de sua integridade moral, física e psíquica; direito de ser protegida de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor; direito de conviver no seio de uma família que a trate com dignidade, amor e carinho, e de não ser utilizada como objeto de satisfação de perversos desejos de torturadores, como os casos reais divulgados na mídia. 26 * Graduado em Educação Física pela Universidade Estadual de Londrina. Graduando em Direito pelo Centro Universitário Barão de Mauá, Agente Educacional da Fundação CASA SP; [email protected]. 50 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
51 Conforme noticiado em janeiro de 2009, fato ocorrido em Pirituba, zona norte de São Paulo, uma mãe espancou o seu filho de 5 anos até a morte, crime este motivado, de acordo com relato da própria mãe, porque o menino comia e tinha refluxo 27. Outro fato ocorrido, divulgado em abril de 2010, a ex-procuradora de justiça, residente na cidade do Rio de Janeiro, adotou uma criança de 2 anos e a maltratava física e psicologicamente 28. Assegurando os direitos sociais do indivíduo, art. 6 º da Constituição Federal de 1988, citados, estará garantido ao indivíduo sua formação integral, tornando-o conhecedor de seu papel como cidadão e capaz de exercer seus direitos e deveres ao longo de sua vida. A partir desta formação, o cidadão saberá qual o real valor da vida. O valor de se desenvolver como pessoa, ter um trabalho, constituir família e dar continuidade ao ciclo da existência humana. Se ao indivíduo é garantido, entre outros direitos fundamentais previstos no art. 5º da Constituição Federal de 1988, o direito à vida para depois serem lhe impostas também obrigações, devemos, como cidadãos, garantir e cobrar a quem compete a efetivação dos direitos garantidos pelo ECA. Para que o indivíduo seja um cidadão de direitos e deveres em sua mais digna forma, é necessário que a legislação vigente seja aplicada na íntegra e não apenas surja preocupação com os menores quando ocorra a prática de ato infracional por eles. Conforme diz Themis Bezerra Buna, professora e coordenadora do Centro Universitário do Maranhão UNICEUMA: O Estado, a família e a sociedade necessitam, cada um na sua função primordial, cumprir as legislações para exclusão de tais violações, sob pena de estarmos submetendo o futuro a condições insustentáveis de opressão e sofrimento. Ao Estado, que faça cumprir a lei. À família, que trate com dignidade e respeito suas crianças. À sociedade, que denuncie a lesão aos direitos que devem ser assegurados pelo Estado e respeitado por todos, dando voz às crianças caladas pelo medo e ameaças de seus agressores. 27 VENTURA, Ivan. Mãe é acusada de matar filho adotivo. Diário do Comércio. Disponível em com.br/materia.aspx?id=8070, acesso em Procuradora aposentada é acusada de agredir filha adotiva. Portal G1. Disponível em acesso em MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 51
52 BIBLIOGRAFIA AZEVEDO, Antonia Cristina Peluso de. Os direitos da criança na família e na escola: um levantamento de dados. In: Revista de Ciências da Educação. n. 10, p BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: Texto constitucional de 5 de outubro de ed. Brasília: Câmara dos Deputados, Coordenação de Publicações, BUNA, Themis Bezerra. Confronto com o Direito Fundamental contido na Constituição Federal e no E.C.A. e as políticas sociais públicas existentes em São Luís Ma, Disponível em: < Acesso em: 30 de maio de ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (E.C.A.). Lei nº de 13 de julho de Procuradora aposentada é acusada de agredir filha adotiva. Portal G1. Disponível em g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2010/04/procuradora-aposentada-e-acusada-de-agredir-filha-adotiva-de-2-anos.html, acesso em VENTURA, Ivan. Mãe é acusada de matar filho adotivo. Diário do Comércio. Disponível em acesso em MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
53 IDENTIFICAÇÃO CRIMINAL, O QUE É, PARA QUE SERVE? Adriano Romanini de Andrade 29* Dispõe a Constituição Federal, artigo 5º, inciso LVIII, que a pessoa civilmente identificada não deverá ser submetida à identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei. Identificar criminalmente alguém consiste em reunir informações acerca de uma pessoa envolvida em uma prática criminosa, com objetivo de se criar uma identidade criminal (registros policiais e folha de antecedentes) para diferenciá-la dos demais indivíduos no âmbito penal. Assim, é por meio dessa identificação que se levantam dados válidos e confiáveis das características do provável autor de um ilícito penal, uma vez que dele são extraídas informações peculiares (qualificação, características e sinais físicos, modo de agir, etc.), dentre outras de interesse policial. Os dados são coletados por ocasião da prisão em flagrante ou indiciamento em inquérito policial (ato pelo qual a autoridade policial atribui a alguém a prática de uma infração penal, baseado em indícios de autoria) e, posteriormente, inseridos nos bancos de dados dos Estados, para auxiliar os órgãos policiais e o Poder Judiciário. Importa mencionar que, em havendo dúvida sobre a identidade da pessoa que está sendo identificada criminalmente, a autoridade policial poderá proceder à colheita de suas impressões digitais (método datiloscópico) e fotografá-lo. Contudo, para que não haja prejuízo e constrangimento desnecessários à pessoa, a lei determina, em respeito à norma constitucional, que o processo datiloscópico e o fotográfico somente ocorrerão nas hipóteses arroladas na Lei nº /2009. São elas: o documento apresentar rasura, haver indício de falsificação, estar mal conservado ou for insuficiente para identificar a pessoa; o indiciado portar documentos de identidade com informações conflitantes entre si; a identificação criminal for essencial às investigações policiais; constar de registros policiais o uso de outros nomes. Afora essas hipóteses, bastará à pessoa apresentar documento de identidade (cédula de identidade ou outro documento público que permita a identificação) para não ser submetida à identificação criminal. Ao contrário, haverá desrespeito à garantia constitucional que poderá ser sanado por meio de Hábeas Corpus, uma vez que a pessoa sofrerá violência ou coação em sua liberdade de locomoção por ilegalidade ou abuso de poder. 29 * Graduando do 4º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. adromande@ hotmail.com. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 53
54 BIBLIOGRAFIA ALFERES, Eduardo Henrique. Novamente a Velha Identificação Criminal. São Paulo: Boletim IBCCrim, nº 17, fev BONFIM, Edílson Mougenot. Curso de Processo Penal. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, CAPEZ, Fernando. Prática Forense. 3ª ed. São Paulo: Saraiva, LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 12ª Ed. São Paulo: Saraiva, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
55 AS VANTAGENS DA APLICAÇÃO DE PENAS ALTERNATIVAS Camila Silvia Martinez Perbone 30* As penalidades, desde os primórdios da civilização, sempre tiveram a finalidade de punir de modo severo, apenas para restabelecer a ordem jurídica na sociedade, porém, muitas vezes, a aplicação da condenação não era justa em sua proporção e não servia para coibir novos delitos, apenas punia. No Brasil, em tempos modernos, vemos que a forma de punir tem sido falha. A maior prova disso está em nosso sistema penitenciário que apenas funciona como instrumento de encarceramento e, portanto, não regenera, não reeduca e tão pouco efetua a ressocialização do infrator, fazendo com que saia com mais sequelas e ainda mais violento, como explica Haroldo Caitano da Silva (2009): Não é apenas difícil a recuperação no cárcere ou pelo cárcere. O propósito ressocializador mostra-se, simplesmente incompatível com a prisão. Se o encarceramento dessocializa, despersonifica e produz sequelas irremediáveis na mente do homem, o discurso ressocializador muito se aproxima do nonsense, do absurdo mesmo, beirando o ridículo. 31 Verificou-se que a pena privativa de liberdade é mais adequada para transgressores de menor potencial ofensivo, que não provocam uma desorganização social de grande repercussão. Isso, porque, quando inseridos em um sistema carcerário, tem acarretado, em muitos casos, o aumento da criminalidade do indivíduo, proporcionando a ele, mesmo que contra a sua vontade, a inserção em organizações criminais, criando assim a possibilidade deste indivíduo reincidir em crimes de grande prejuízo para a sociedade. A partir dessa visão de que o sistema penal não reabilita o criminoso, a busca por soluções alternativas, para penalizar o indivíduo, geraram não somente no Brasil, mas em muitos países que buscam um sistema penal racional e mais humano, uma corrente de ideias progressistas que visavam punir de forma justa de acordo com o delito cometido, com penas não privativas de liberdade. No Brasil, as penas alternativas à prisão surgiram em 1984, pela Lei 7.209, porém pouco 30 * Graduanda do 5º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. camilasmpjur@hotmail. com. 31 SILVA, Haroldo Caetano da. Ensaio sobre a pena de prisão, pg. 50. Curitiba: Juruá, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 55
56 foi usado pelo fato de que não existia estrutura para a fiscalização do seu cumprimento. Somente em 1995, com o advento da Lei 9.099, iniciou-se a tendência valorativa destas penas e, em 1998, houve uma readequação, alterando, profundamente, alguns dispositivos do Código Penal com a Lei 9.714, que ficou conhecida como Lei de Penas e Medidas Alternativas. As penas alternativas poderão substituir as penas privativas de liberdade nas seguintes hipóteses previstas no artigo 41 do Código Penal: I - aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; II - o réu não for reincidente em crime doloso; III - a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. As penas alternativas se diferenciam das penas privativas de liberdade por serem cumpridas na forma de prestação de serviços à comunidade, interdição temporária de alguns direitos, a proibição de exercer cargo público ou mandatos, nos quais foi eleito para essa função: a suspensão da habilitação para dirigir, a proibição de frequentar alguns lugares específicos, prestação em dinheiro em favor da vítima para sanar o dano que cometeu e prestação em dinheiro ou alimentos a entidades que exerçam atividades sociais. Para a sua concretização, todo o período que o indivíduo estiver dentro do programa deverá prestar contas às Centrais de Penas e Medidas Alternativas, que são instituições governamentais que fiscalizam e acompanham o comportamento do beneficiário. Enquanto as penas privativas de liberdade detêm o culpado e fazem com que ele se afaste do convívio social, aumentando a possibilidade do indivíduo cometer o mesmo crime ou outros de potencial ainda maior, marginalizando o indivíduo e não dando oportunidade de reconhecer o seu erro e de deixá-lo pagar de uma forma mais coerente com o tipo de ato ilícito que cometeu; as penas alternativas geram um gasto menor para a sociedade, reduz as chances de o infrator voltar a cometer crimes, não o retira do convívio social e com a sua família e não acarreta o abandono do emprego. Além do que, quando o infrator é beneficiário desta oportunidade, toda a sociedade ganha, pois permite que integre mão de obra em ações sociais, em entidades públicas e organizações não governamentais A busca por uma melhor punição não visa apenas o reconhecimento da dignidade humana, visa também que o infrator não reincida em práticas penais reprovadas pela sociedade. Na penalização alternativa, tem se verificado um baixo índice de reincidência criminal, por ter como característica a não retirada de seu apenado da sociedade e tentando, de forma gradativa, que este reconheça seu erro e não volte a delinquir, conforme adverte Geder Luiz Rocha Gomes: 56 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
57 Paralelo a esse cenário, o que se tem verificado com relação àqueles indivíduos submetidos ao denominado sistema alternativo de penas, que possui uma filosofia de operacidade bastante distinta da empregada no cárcere, é uma externação inversa quanto ao fenômeno da reincidência 32. Um Estado Social Democrático de Direito, para a aplicação de penas, deve se preocupar com a dignidade da pessoa humana, como previsto em nossa Constituição Federal, e com a punição severa e justa que, de alguma forma, coíba a ocorrência de novos crimes. As penas alternativas, portanto, aplicadas a crimes de menor potencial ofensivo, garantem o respeito a essa dignidade, garantindo a recomposição do mal efetuado pelo criminoso e a possibilidade de puni-lo de forma consciente para que não reincida em outros crimes no futuro. BIBLIOGRAFIA BITENCOURT, Cezar R. Falência da penas de prisão: causas e alternativas. 2ª Ed. São Paulo: Saraiva, GOMES, Geder Luiz Rocha. A substituição da Prisão: legitimidade e adequação. Salvador: Jus Podivm, GOMES, Geder Luiz Rocha. A substituição da Prisão: legitimidade e adequação, p.194.salvador: Jus Podivm, JESUS, Damásio E. de. Penas Alternativas: anotações à Lei n de 25 de novembro de 1998, 2ª ed. São Paulo: Saraiva, LUZ, Orandir T. Aplicação de Penas Alternativas. Goiânia: AB, SILVA, Haroldo Caetano da. Ensaio sobre a pena de prisão. Curitiba: Juruá, GOMES, Geder Luiz Rocha. A substituição da Prisão: legitimidade e adequação, p.194.salvador: Jus Podivm, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 57
58 COMEÇAR DE NOVO: RESSOCIALIZANDO OS MARGINALIZADOS Renato Teixeira 33* No dia 27 de outubro de 2009, foi criada a resolução n.º 96 colocando em vigor o projeto Começar de Novo, lançado em 28/12/2008 pelo Conselho Nacional de Justiça e Supremo Tribunal Federal. O projeto tem por objetivo ressocializar pessoas presas, egressos do sistema carcerário, pessoas que cumprem penas alternativas e adolescentes em conflito com a lei, dando a estas pessoas o direito de se reintegrar a sociedade através de empregos e cursos profissionalizantes feitos em parcerias com as empresas cadastradas, que receberam o selo do projeto pelo Conselho Nacional de Justiça e se encontram junto ao portal de oportunidades no site do projeto. O projeto Começar de Novo tem como público alvo as pessoas que se encontram presas, as pessoas chamadas egressos, que são as pessoas que já cumpriram suas penas e estão soltas, as pessoas que cometeram crimes de menor poder ofensivo que tem como condenação as penas alternativas, tais como: lesões corporais culposas (acidentes de trânsito), crimes contra a honra (calúnia, difamação e injúria), dano, apropriação indébita e estelionato; também foram beneficiados os adolescentes que cometeram crimes, no projeto descrito como adolescentes em conflitos com a lei. Para fazer parte do projeto, basta acessar o site e se inscrever, as empresas cadastradas possuem o selo outorgado pelo Conselho Nacional de Justiça e caso ocorra algum tipo de dificuldade, está disponível o comecardenovo@ cnj.jus.br, onde é possível pedir informações sobre o programa. O projeto também possui um número de telefone (61) o qual os interessados poderão entrar em contato. O Supremo Tribunal Federal e o Conselho Nacional de Justiça firmaram acordo para garantir o projeto na Copa de 2014, serão contratados ex-detentos e detentos para trabalhar nas empresas que irão atuar nas cidades-sede da copa. E atualmente o Superior Tribunal Federal possui 40 vagas ocupadas com sentenciados contratados e pagam para os egressos que possuem o primeiro grau, o salário de R$ 550,00 e R$ 650,00 para os que possuem nível médio ou superior, além de vale-transporte e auxílio-alimentação e para as pessoas presas a cada três dias de trabalho, reduz-se um dia do total da pena a ser cumprida. Também aderiram ao projeto as empresas Hering e Sport Club Corinthians Paulista, 33 * Graduando do 2º semestre do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. renato.teixeira1@ hotmail.com. 58 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
59 que possuem o selo de aprovação. A Hering que confecciona roupas emprega no momento 265 ex-detentos no estado de Goiás e, abriu 160 novas vagas em diversos estados que possui fabricas; enquanto que o Clube de Futebol Corinthians conta com 100 adolescentes assistidos pelo clube em programas de esportes como futebol, vôlei e basquete. BIBLIOGRAFIA ANGHER, Anne Joyce. Vade Medum de Direito. São Paulo: Rideel, MENDES, Gilmar. Resolução n.º 96. Brasília, 27/10/2009. MENDES, Gilmar, Ex-detentos na copa de 2014, Disponível em Acesso em 14/01/2010. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 59
60 ESCLARECIMENTOS SOBRE INJÚRIA RACIAL E RACISMO Nathan Castelo Branco de Carvalho 34* Priscila Aprile 35* Com a repetição de episódios de preconceito, a exemplo do caso Grafite, jogador de futebol insultado durante uma partida em razão da cor de sua pele, muita confusão foi feita a respeito do crime cometido por aquele que profere a ofensa racial. Esses casos são sempre noticiados pela imprensa como racismo, o que nem sempre é correto, dando margem a interpretações errôneas pela sociedade. Para esclarecer o equívoco, é importante tratar, em primeiro lugar, do crime de injúria. A injúria é crime contra a honra que consiste em ofender um sujeito, proferindo contra a vítima palavras que atentam contra sua dignidade. E a lei entendeu que quando esta ofensa estiver relacionada com elementos referentes à raça, cor, etnia, religião ou origem, o crime de injúria merece uma punição mais grave, tornando-se qualificado, sendo prevista uma pena de um a três anos de reclusão, justamente com a finalidade de coibir este tipo de comportamento. Feitos esses esclarecimentos iniciais, é importante ressaltar que não se confunde esse crime de injúria qualificada pelo preconceito com o delito de racismo, previsto na Lei nº 7.716/89. Enquanto na injúria preconceito, como visto, o agente atribui qualidade negativa à vítima, no racismo o agente segrega a vítima do convívio social em razão de sua cor, raça etc. Seria exemplo o dono de estabelecimento comercial que nega a entrada de cliente em razão de sua cor. O racismo é crime de gravidade maior, ao qual a lei atribui um tratamento mais duro ao autor. De fato, enquanto o crime de injúria preconceito é prescritível, afiançável e de ação penal pública condicionada (Lei nº /09) o racismo é imprescritível, inafiançável e de ação penal pública incondicionada. E é importante ressaltar as diferenças entre estas duas modalidades de delito, que constantemente são confundidas diante de fatos trazidos pela mídia, como o exemplo citado 34 * Advogado. Professor do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. Especialista em Direito Público. Mestrando em Direito Processual Coletivo pela Universidade de Ribeirão Preto. 35 * Advogada atuante na área de direito criminal e no Núcleo de Práticas Jurídicas do Centro Universitário Barão de Mauá. 60 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
61 ocorrido com o jogador Grafite, a fim de evitar críticas infundadas pela sociedade. Isto porque o crime de injúria por preconceito possui um tratamento e uma pena mais branda que o de racismo e, embora possa ocasionar a prisão em flagrante do agente, dificilmente esta pena será mantida ao final do processo, já que a lei prevê a possibilidade de substituição por uma restritiva de direitos. Diante da confusão terminológica feita em exemplos como o do caso citado, as pessoas passaram a criticar a suposta impunidade do agente que teria ofendido o jogador e foi logo solto, quando, na realidade, ele não cometeu o crime de racismo, que ensejaria prisão mais longa, e sim o de injúria qualificada. Mas deixando de lado as conceituações dos delitos, nota-se que a sociedade anseia por um tratamento mais duro contra os autores de crimes que envolvem preconceito. Mesmo concordando com esse entendimento, concluímos que a atual legislação prevê essa diferença mais acentuada de tratamento entre o crime de racismo e de injúria racial, sendo recomendável uma alteração legislativa para conferir uma punição mais severa àquele que pratica delito motivado em preconceito de raça, ainda que com uma mera ofensa, sobretudo, numa sociedade orientada por uma Constituição que, no seu art. 3º, determina que é objetivo do Estado promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. BIBLIOGRAFIA BITENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal, vol. 1, 15ª ed., São Paulo: Saraiva, GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal - Parte Geral. 12ª ed., Niterói: Impetus, MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de Direito Penal. Vol I. 16ª ed., São Paulo: Atlas, 2010 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 61
62 A NOVA LEI DE ESTÁGIO E RELAÇÃO DE TRABALHO Marli de Andrade Santos 36* O presente trabalho tem como objetivo esclarecer não só à população estudantil, mas também àqueles que contratam esses estudantes, sobre a nova lei de estágio Lei nº /08 (art.22), a qual revogou expressamente as Leis nº 6.494/77, 8.859/94 e o artigo 6º da Medida Provisória nº 2.164/41. Reza o artigo 1º da Lei nº /08 sobre o estágio: (..,) é ato educativo escolar supervisionado, desenvolvido no ambiente de trabalho, que visa à preparação para o trabalho produtivo de educandos que estejam freqüentando o ensino regular em instituições de educação superior, de educação profissional de ensino médio, da educação especial e dos anos finais do ensino fundamental, na modalidade profissional da educação de jovens e adultos. Estágio é considerado um negócio jurídico de natureza civil, ocorre por meio da escrita e tem característica pessoal, ou seja, é celebrado entre o estagiário e a concedente sob a supervisão da instituição de ensino, estando aquele subordinado, visando a sua educação profissional. A matrícula e frequência na escola são os requisitos e objetivos fundamentais advindos do termo de compromisso, compatibilidade nas atividades desenvolvidas, acompanhamento por professor-orientador, tendo o prazo máximo de dois anos, exceto quando se tratar de estagiário portador de necessidades especiais que poderá fazer o estágio por mais de dois anos. Entretanto, o prazo deve ser observado quanto à duração do curso, haja vista que terminado o curso, não há mais que se falar em estágio. É garantido, por meio do contrato, o seguro contra acidentes pessoais. A subordinação é atípica, pois o estagiário não é considerado empregado e atende os requisitos da Lei nº /08. A formação profissional do estagiário é de finalidade pedagógica, ou seja, é de característica escolar. Não pode ser considerado primeiro emprego, conforme dispõe o art. 3º da referida lei, sobre os estágios cuja carga horária é requisito para aprovação e obtenção de diploma; ou, quando desenvolvido como atividade opcional, acrescida à carga horária regular e obrigatória, não havendo salário nesta condição, e, sim, bolsa. Recebe também auxílio- 36 * Graduanda do 5º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. Graduada em Letras pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia UESB. Especializada em Linguística Aplicada ao Ensino da Língua Portuguesa pela Pontifícia Universidade Católica de Belo Horizonte. Especializada em Língua Portuguesa e Estudos Literários pelo Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. 62 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
63 transporte cuja natureza é de ressarcimento pelo já utilizado em virtude do deslocamento feito para ir e voltar ao estabelecimento de estágio. Há intervenção obrigatória da instituição na qual o aluno está matriculado, para verificar se realmente está havendo estágio. Há uma diferença em ser estagiário e menor aprendiz. O estagiário depende de supervisão da instituição de ensino; deve estar matriculado e frequentando as aulas; assina termo de compromisso e não possui vínculo empregatício no local em que presta serviços; é regulamentado pela lei nº /08, enquanto o menor aprendiz possui contrato de trabalho especial, ajustado por escrito e por prazo determinado de dois anos, exceto se portador de deficiências especiais, em que o empregador se compromete a assegurar ao maior de quatorze e menor de vinte e quatro anos inscrito, em programa de aprendizagem formação técnicoprofissional metódica, compatível com o seu desenvolvimento físico, moral e psicológico, e o aprendiz, a executar com zelo e diligência, as tarefas necessárias a essa formação, conforme expresso no art. 428 da Consolidação das leis do trabalho (CLT). O 1º deste mesmo artigo diz a respeito à validade do contrato de aprendizagem o qual pressupõe anotação na Carteira de Trabalho e Previdência Social, matrícula e frequência do aprendiz na escola, caso não haja concluído o ensino médio. O contrato de aprendizagem não poderá ser estipulado por mais de 02(dois) anos. A idade para se fazer estágio é de 16 anos, pois é vedado qualquer trabalho antes dessa idade, conforme expresso no art. 7º, XXXIII da Constituição Federal/88: proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de quatorze anos. A Resolução nº 1/2004 do Conselho Nacional de Educação já previa que o estágio supervisionado somente poderia ser realizado pelos alunos que na data do início do estágio tivesse 16 anos completos. Caso esteja prestando serviço à Administração Pública, não fica configurada a relação de emprego pois, para ser empregado público, é necessário prestar concurso público. A jornada da atividade em estágio deve ser compatível com as atividades escolares não atrapalhando a frequência às aulas ou o próprio aprendizado, observando a duração de quatro horas diárias e 20 horas semanais e seis horas diárias no caso de estudante de educação especial e dos anos finais do ensino fundamental e 30 horas semanais no caso de estudante do ensino superior e educação profissional. A lei anterior não dava direito a recesso, a lei atualmente, em vigor, concede esse direito ao estagiário e se justifica pelas mesmas razões de férias sendo esse direito indisponível, não podendo ser renunciado. No entanto, caso seja remunerado por meio de bolsa recebê-la-á durante o recesso, tornando-se direito adquirido após um ano de estágio, não sendo permitido um terço a mais por não se tratar de férias anuais. Caso durante o período de um ano ocorra em faltas injustificadas, os dias serão descontados do recesso. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 63
64 BIBLIOGRAFIA MARTINS, Sérgio Pinto. Estágio e relação de emprego. São Paulo: Atlas, MEIRELLES, Hely Lopes. et.al. Direito administrativo. 19.ed. São Paulo: Malheiros, SAAD, Eduardo Gabriel. Consolidação das leis do trabalho comentada. 10. Ed. São Paulo: LTr, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
65 ASSÉDIO MORAL NO TRABALHO, COMO DETECTAR? Priscila Botelho Lima 37* Amanda Botelho Lima 38* Diferentemente do que se possa pensar, o assédio moral não é novo. Ele é tão antigo quanto às relações de trabalho, atualmente ele está mais em evidência devido à difusão de conhecimento pelos vários veículos de comunicação, divulgando casos levados à Justiça, bem como pelos Sindicatos de Classes. Segundo Mara Vidigal Darcanchy, o assédio caracteriza-se pela exposição de trabalhadores a situações humilhantes e constrangedoras, repetitivas e prolongadas durante a jornada de trabalho e no exercício de suas funções, geralmente em relações hierárquicas autoritárias e assimétricas, que denotam condutas negativas, relações desumanas de longa duração, desestabilizando a relação da vitima com o ambiente de trabalho. Muitos trabalhadores suportam esse tipo de ofensa assédio - por medo de perder o emprego ou porque, na grande maioria das vezes, não conhecem seus direitos. Existem, basicamente, três tipos: Assédio Vertical Descendente: É o mais comum, é aquele que se dá de forma vertical nas relações de emprego, ou seja, exige uma hierarquia na distribuição de poder, de cima (proprietário, chefes, diretores), para baixo, (subordinados/empregados). Assédio Vertical Ascendente: É mais raro, dá-se de forma vertical, portanto, exige que exista hierarquia, contudo, desta vez, de baixo (subordinados/empregados), para cima (proprietários, chefes, diretores), geralmente é praticado por um grupo de empregados contra a chefia ou em casos excepcionais, quando um único empregado descobre algum segredo do seu superior, que pode lhe causar sérios problemas se revelado, e faz exigências utilizando a chantagem como arma para alcançar seu objetivo. Assédio horizontal Paritário: Ocorre de forma horizontal, portanto, não existe diferença de poder de mando ou de- 37 * Graduanda do 2º semestre do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. Gestora em Micro e Pequenas Empresas pelo Centro Universitário Barão de Mauá. Especializando em Redes de Atenção Básica, pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Sírio Libanês. [email protected]. 38 * Graduanda do 2º semestre do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. Gestora em Micro e Pequenas Empresas pelo Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 65
66 cisão. Acontece quando um grupo determinado isola, por qualquer motivo, um colega de trabalho. Não é tarefa fácil comprovar o assédio moral, por se tratar de uma violência psicológica. Embora possa parecer que submeter a pessoa a suportar trabalhos além da sua condição física, de idade, sexo ou formação, seja violência física, na verdade, o cerne da questão reside no fato de se tentar obter o resultado que se sabe impossível sub-julgando o psicológico da vítima, por exemplo, fazer chacota com uma mulher que não suportou carregar o mesmo peso que seu colega de trabalho do sexo oposto, dizendo que se arrependeu de tê-la contratado, que ela não serve para nada, senão, limpar o chão ou coisa parecida. Isso cria na vítima um sentimento de submissão que a fará se esforçar cada vez mais para tentar agradar o seu superior e isso lhe causará desgaste físico e mental, que se não tratado a tempo, pode lhe trazer sequelas permanentes. Então, é importante se assegurar de guardar todas as provas do assédio, quando forem escritas, ou por meio de s, gravações de fita magnética ou testemunhas, quando os ataques forem públicos e verbais, que é o mais comum. Não sendo possível comprová-lo, o melhor é buscar auxílio profissional de um advogado, Delegacia do Trabalho, Ministério Público do Trabalho ou Sindicato. Quando comprovado, a vítima pode entrar com uma ação de reparação de danos morais, pleiteando uma indenização. Devemos estar sempre atentos contra esse mal que nos ronda e atinge trabalhadores de forma invisível, mas que prejudica seriamente a vida dos que são assediados. BIBLIOGRAFIA DARCANCHY, Mara Vidigal. Assédio Moral no Ambiente de Trabalho. Revista Justiça do Trabalho. Ano 22, N Porto Alegre: HS Editora, outubro de UNIÂO, Escola Superior do Ministério Publico, Ed.Raiz da Terra Ltda., Ano 2003 ; Assédio Moral no Trabalho: Chega de humilhação! In: Assédio Moral. Disponível em: < Acesso em: 19 out MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
67 NOVA LEI DE ADOÇÃO NO BRASIL Alessandra Cristina de Souza 39* No dia 03 de agosto de 2.009, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº que trouxe importantes modificações para a adoção no Brasil, pois seu objetivo é acelerar os processos e impedir que as crianças e adolescentes permaneçam mais de dois anos em abrigos, salvo por recomendação expressa da Justiça. Uma das novidades da nova lei é que a adoção seja a última medida a ser tomada quando se tornar impossível a permanência da criança com os pais biológicos, aperfeiçoando a sistemática do direito à convivência familiar a todas as crianças e adolescentes. Desta forma, aprimora os mecanismos de prevenção do afastamento do convívio familiar e inclui a chance da criança ficar com parentes próximos como avós, tios, primos, cunhados com os quais convive ou mantém vínculos de afinidade e/ou afetividade que é a chamada família extensa ou ampliada. A Nova Lei de Adoção prevê que todas as pessoas maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, podem adotar uma criança ou um adolescente e, no caso de adoção conjunta, os adotantes deverão ser casados civilmente ou manter união estável, reconhecida pela autoridade judicial, porém, a única restrição é que o adotante tenha 16 anos a mais que o adotado. Continua não permitida a adoção para casais do mesmo sexo, embora já se venha reconhecendo nos Tribunais essa possibilidade. Para melhor gestão dos procedimentos de adoção, foi criado o cadastro nacional (CNA) de crianças e adolescentes em condições de serem adotados, bem como de pessoas ou casais habilitados à adoção. A grande função destes cadastros é facilitar as possibilidades de quem quer adotar e da criança a ser adotada. É um mecanismo para se fazer a verificação por meio de um sistema informatizado, sendo que as pessoas ou casais residentes fora do país interessados em adotar também poderão ser cadastrados. Mas, a adoção internacional será possível somente em última hipótese. A preferência será, pela ordem, das adotantes nacionais e de brasileiros residentes no exterior. Na nova lei, a separação de irmãos não será permitida, ou seja, em princípio devem permanecer juntos em uma nova família. A separação só poderá ocorrer nos casos em que houver situação comprovada que justifique a medida como o risco de abuso de um irmão sobre o outro que será analisado pela Justiça. Além disso, a Nova Lei estipula que os abrigos enviem relatórios semestralmente sobre 39 * Graduanda do 5º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 67
68 a situação de cada criança, comunicando as condições de adoção ou até mesmo de retorno à família dos menores. Outra modificação na Lei é que permite que os filhos adotivos possam conhecer e ter informações sobre seus pais biológicos e crianças maiores de 12 anos poderão opinar sobre o processo de adoção, devendo o juiz colher seus depoimentos e levá-los em conta na hora de decidir. O processo de adoção deverá, ainda, contar com a intervenção de uma equipe técnica, formada por assistentes sociais e psicólogos, que auxiliará na preparação da família no acolhimento da criança e o poder público deverá dar total assistência para as gestantes ou até mesmo mães que queiram entregar seus filhos para a adoção. Segundo a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), (...) a medida é fundamental para evitar que mães desesperadas deixem suas crianças em locais inadequados, colocando em risco a própria vida e a dos recémnascidos. É uma decisão difícil de ser tomada e, neste momento, o que a genitora precisa é de acolhimento e orientação. A adoção representa uma das maneiras de modificar a vida das crianças e adolescentes esquecidos nas instituições, transformando-a num ato de vinculação da criança desamparada a uma nova família, sendo que, para que tal fato se concretize, inúmeras regras são apresentadas visando a proteção da criança. Entretanto, ainda é um ato que necessita de avanços no Brasil, assim como adequação do Judiciário para que realmente possa se tornar um processo simples, rápido e menos burocrático, mas hábil a promover a proteção de fato da criança a ser adotada. BIBLIOGRAFIA AMB Associação dos Magistrados Brasileiros. Adoção Passo a Passo. Cartilha da Adoção de Crianças e Adolescentes no Brasil. Disponível em: < docs/manual de adocao.pdf>. Acesso em 03 mar CURY, Munir. Estatuto da Criança e do Adolescente comentado - Comentários jurídicos e sociais. São Paulo: Malheiros, ROSSATO, Luciano Alves; LÉPORE, Paulo Eduardo. Comentários à Lei Nacional da Adoção Lei , de 3 de agosto de São Paulo: Editora Revista dos Tribunais Ltda., MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
69 O CASAMENTO É UM CONTRATO Carolina Cândido da Silva 40* Feliz para sempre, beijos, juras de amor e promessas... Antes de casar é importante que o casal converse sobre o regime de bens que será adotado. Pois o casamento é um contrato e como tal tem suas regras. O regime de bens é um instituto que determina a comunicação ou não do patrimônio do casal após a realização do casamento. Tem por finalidade regular o patrimônio de propriedade dos noivos adquirido anterior ou posteriormente à união. Os regimes de bens existentes na legislação são: o regime de comunhão parcial, de comunhão universal, o de separação de bens e o de participação final nos aquestos. O Regime de comunhão parcial de bens é regime legal, quando o casal não escolhe é esse que prevalece. Todos os bens adquiridos após a data do casamento serão comuns ao casal. E os que cada um adquiriu quando solteiro continua sendo de propriedade individual do mesmo, ou seja, os bens que cada um já possuía e os que adquirirem, durante o casamento, por doação ou por sucessão e os sub-rogados em lugar não se dividem. No regime de comunhão universal de bens não se discute quem comprou, quando foi adquirido, pois todos os bens presentes e os que forem adquiridos após o casamento serão divididos em partes iguais, excluindo, os bens doados ou herdados com cláusula de incomunicabilidade, as dívidas anteriores ao casamento, as doações antenupciais feitas por um dos cônjuges ao outro com cláusulas de incomunicabilidade, os bens de uso pessoal, os salários de trabalho pessoal de cada cônjuge e as pensões ou rendas semelhantes. No regime de separação de bens os bens não se comunicam, cada cônjuge administra o seu. Há casos em que a lei impõe o regime de separação obrigatória de bens. Por exemplo, no caso de casamento no qual um dos cônjuges é menor de 16 ou maior de 60 anos, de todos que dependerem de suprimento judicial. Na participação final nos aquestos cada um administra o seu patrimônio, muito semelhante ao que ocorre no regime da separação de bens. A participação final nos aquestos ocorre com a dissolução (rompimento) do casamento, sendo divido em iguais proporções os bens adquiridos com o custo dos dois. Excluem as dívidas feitas posterior ao casamento por um dos cônjuges. Importante destacar ainda, que além do casamento como instituto que regulamenta a união entre o homem e a mulher, a lei regula também o instituto da união estável que pode ser definida como a união prolongada pública e duradoura entre homem e mulher, sem casa- 40 * Graduanda do 5º ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 69
70 mento sejam na qualidade de solteiros, separados judicialmente ou de fato, divorciados e viúvos, com o intuito de constituir família. Nessa união, como não há ato formal reconhecendo-a aplicar-se-á a divisão de bens do regime de comunhão parcial. No momento do casamento os noivos devem optar pelo regime de bens a ser adotado, todavia a alteração do regime de bens poderá ser feita posteriormente mediante autorização judicial através de pedido motivado pelo casal. BIBLIOGRAFIA DINIZ, MARIA HELENA. Curso de Direito Civil. Vol. 3. Saraiva, Ed. RODRIGUES, SÍLVIO. Direito Civil. Vol.3. Saraiva, 2007, 22 Ed. SILVA, ULISSES DA. Direito Imobiliário O registro de imóveis e suas atribuições. Sérgio Antônio Fabris, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
71 DIVÓRCIO OU SEPARAÇÃO? Elisangela Batista da Silva 41* O presente artigo irá abordar as mudanças introduzidas nos institutos civis que visam dissolver a sociedade conjugal, em razão da entrada em vigência da Emenda Constitucional n. 66. Até pouco tempo, para se obter a dissolução da sociedade conjugal, havia a necessidade da ocorrência da separação judicial, que é causa terminativa da união entre o homem e a mulher a qual, todavia, não tem o condão de extingui-la. Essa separação poderia ser feita pela via consensual e litigiosa, exigindo a princípio a propositura de ação judicial para a sua realização. Posteriormente, em 2007, foi permitida através de legislação específica, a possibilidade da separação judicial consensual administrativa, via cartório, quando o casal não tinha filhos menores ou incapazes, evitando a necessidade de propositura de uma ação com esta finalidade. O divórcio, por sua vez, é que apresenta a finalidade de extinguir a sociedade conjugal, podendo ser direto ou indireto. O divórcio direto exigia a comprovação da separação de fato de dois anos, podendo ser consensual ou litigioso. O divórcio indireto exigia a prévia separação judicial, também, podendo ser consensual ou litigioso. O divórcio, portanto, se apresentava de quatro maneiras: a) o divórcio consensual indireto, que autorizava o pedido de conversão da prévia separação judicial consensual ou litigiosa em divórcio, após o transcurso do prazo de 1 ano da separação judicial; b) o divórcio litigioso indireto, quando se tinha a separação judicial há mais de um ano, e havia recusa do outro em consentir com ele, postulando a conversão judicial em divórcio; c) o divórcio direto consensual, quando transcorrido 2 anos da separação de fato e as partes consentiam com a extinção do casamento; d) divórcio direto litigioso, na mesma situação relatada anteriormente, mas com uma das partes não concordando com a sua ocorrência. Agora, tudo isso é passado. Com a Emenda Constitucional n. 66 de 2010 foi modificado o artigo 226, 6 da Constituição da República Federativa do Brasil o qual passou a ter a seguinte redação: O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, enquanto o texto anterior à Emenda Constitucional n. 66 de 2010, dizia: o casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio consensual ou litigioso na forma da lei. (grifo nosso) Verifica-se que houve duas mudanças significativas: O fim da exigência da prévia separação judicial (quer dizer que para o desfazimento do casamento será as partes poderão requerer diretamente o divórcio); Extinção do prazo mínimo estipulado para dissolução do vínculo conjugal do casamento (não fazendo qualquer menção à separação de fato do casal). 41 * Graduanda do 5 Ano Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 71
72 A partir da promulgação da Emenda Constitucional, há alguns estudiosos do Direito que defendem que desapareceu de nosso sistema o instituto da separação judicial, pois toda a legislação que a regulava, teria sido revogada por esse dispositivo constitucional. No entanto, há entendimento que, somente após a revogação expressa da legislação que regulamentava a dissolução do casamento, se vai ter realmente extinto o instituto da separação. O que importa é que o cidadão tem a oportunidade de fazer o divórcio direto sem muita intervenção do Estado, o que implica na economia processual e na desburocratização do Poder Judiciário. A Emenda Constitucional que deu ensejo à modificação do artigo 226 6º da Constituição Federal foi sugerida pelo instituto Brasileiro de Direito de Família, atendendo à antiga reivindicação da sociedade brasileira que trouxe para o nosso ordenamento jurídico uma forma mais viável de facilitar o divórcio e até mesmo de facilitar um novo matrimônio. BIBLIOGRAFIA AMARAL. Do Mendonça Maria Sylvia. O fim da separação judicial. Disponível em: ibdfam.org.br/?artigos&artigo=358> Acesso em 18, abril. 2010, 19:34:15. AZEVEDO, Álvaro Villaça. Dever de Coabitação: inadimplemento- 2. Ed. São Paulo: Atlas, BRASÍLIA. DF. Serviço De Redação Da Secretária Da Mesa Do Senado Federal. Quadro Comparativo entre a Constituição Federal e a Proposta de Emenda à Constituição nº 28, de 2009 (nº 413, de 2005, na Câmara dos Deputados). Brasília, Disponível em: gov.br/sf/atividade/materia/getpdf.asp?t=74839> Acesso em 17, abril GAGLIANO, Pablo Stoze; Filho, Rodolfo Pamplona. O novo Divórcio- São Paulo: Saraiva, GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro/ Direito de Família. 7. Ed. rev. e atual- São Paulo: Saraiva LEITE, Eduardo de Oliveira. Monografia Jurídica- 8. Ed. rev. São Paulo: Editora dos Tribunais, MAMEDE, Gladston. Mamede. C. Eduarda. Separação, Divórcio na partilha de bens: simulações empresariais e societárias. São Paulo: Atlas, PAULO, Filho Pedro. Paulo, Rangel Castro de A. Guiomar. Divórcio e Separação - 3ª Ed. Leme, SP: J. H. Misuno, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
73 FILHOS DO DIVÓRCIO E ALIENAÇÃO PARENTAL Flávia Trindade do Val Leopoldo e Silva 42* Após as modificações sociais decorrentes da previsão da Lei de Divórcio, no final da década de 1970, bem como da modificação no comportamento sexual da sociedade, acarretando a difusão de um número cada vez maior de mães e pais solteiros, vários filhos passaram a conviver com a realidade de estar longe de um dos seus pais no dia-a-dia, pelo fato da família não conviver sob o mesmo teto. O Código Civil disciplina os efeitos da separação e do divórcio dos pais na relação deles com seus filhos, prevendo que os pais não perdem o poder familiar com relação a eles, havendo apenas uma modificação na situação cotidiana pelo fato de um deles não estar na presença constante dos filhos, em decorrência da necessidade de fixação de guarda para um dos genitores, quando não seja possível a fixação da guarda compartilhada. Valendo a mesma interpretação quando se tratem de pais que sequer chegaram a casar ou a manter uma união estável, no que tange à sua relação com o filho nascido desse relacionamento efêmero. Em razão disso, houve o surgimento de uma prática cruel no seio dessas famílias, que têm como autor o pai ou mãe que detém a guarda do filho e, como vítimas, o próprio filho e o pai ou mãe, o qual não detém a guarda desse filho. A chamada alienação parental, que é identificada quando aquele pai ou mãe estando na companhia do filho, por mais tempo em razão de deter sua guarda, passa a destruir a imagem do outro genitor perante a criança ou adolescente. Em decorrência disso, esse filho cria um sentimento de rejeição contra o genitor ausente, chegando ao ponto de se recusar a manter uma relação com este pai e, ao extremo, de decidir excluí-lo, definitivamente, da sua vida, acarretando inúmeros problemas emocionais e psicológicos ao menor que se estenderão na sua fase adulta. Visando desinibir tal prática, em agosto de 2010, foi aprovada pelo Congresso Nacional a Lei /2010, a qual dispõe sobre a alienação parental criando uma definição jurídica para tal prática e prevendo consequências contra aqueles que adotarem tal conduta. Sendo assim, a lei definiu a alienação parental no seu artigo 2º como: (...) a interferência na formação psicológica da criança ou do adolescente, promo- 42 * Mestre em Direito pela Universidade de Ribeirão Preto (UNAERP). Pós-graduada lato senso em Direito Ambiental pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), em Direito dos Contratos pelo Centro de Extensão Universitária (CEU) e em Direito Processual Civil pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUC-Campinas). Professora do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá. Advogada. [email protected]. MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 73
74 vida ou induzida por um dos genitores, pelos avós ou pelos que tenham a criança ou adolescente sob a sua autoridade, guarda ou vigilância para que repudie genitor ou que cause prejuízo ao estabelecimento ou à manutenção de vínculos com este. A lei apresenta, ainda, no mesmo artigo, um elenco meramente exemplificativo 43 de condutas que se caracterizam como alienação parental, podendo esta, entretanto, ser configurada em situações diversas daquelas relatadas, desde que constatado em ação própria sua efetiva ocorrência. Um dos aspectos que não pode deixar de ser abordado é a previsão da tramitação prioritária dos processos, nos quais se discutam indícios de ocorrência de alienação parental. Isso porque a demora da Justiça atua favoravelmente ao autor dos atos de alienação, pois o passar do tempo agrava a imagem ruim que o filho nutre do pai ou mãe que está sendo vítima da alienação e que está sendo afastado do convívio com o filho. Por fim, a lei dispõe quais medidas poderão ser aplicadas pelo juiz em virtude da ocorrência da alienação parental sendo elas: advertência ao alienador; aumentar o tempo de convivência familiar entre o filho e o genitor que está sendo alienado; fixar uma multa contra o autor da alienação; inclusão em programas de acompanhamento psicossocial; determinar a alteração da guarda unilateral para compartilhada ou inverter a guarda em favor do genitor que está sendo afastado do filho, podendo culminar com a suspensão da autoridade do pai alienador sobre o filho. Verifica-se, portanto, que o objetivo da legislação é justamente a preservação dos laços familiares entre pais e filhos, evitando-se que os filhos menores sejam manipulados, garantindo-se o direito a uma convivência familiar saudável. BIBLIOGRAFIA A MORTE INVENTADA alienação parental. Roteiro de direção Alan Minas. Produção Daniela Vitorino. Rio de Janeiro: Caraminhola Produções. 1 DVD ( 60 min), widescreen, son., color. DUARTE, Marcos. Alienação parental: a morte inventada por mentes perigosas. Disponível em 43 Lei n /2010 Art. 2º, parágrafo único: (...) I - realizar campanha de desqualificação da conduta do genitor no exercício da paternidade ou maternidade; II - dificultar o exercício da autoridade parental; III - dificultar contato de criança ou adolescente com genitor; IV - dificultar o exercício do direito regulamentado de convivência familiar; V - omitir deliberadamente a genitor informações pessoais relevantes sobre a criança ou adolescente, inclusive escolares, médicas e alterações de endereço; VI - apresentar falsa denúncia contra genitor, contra familiares deste ou contra avós, para obstar ou dificultar a convivência deles com a criança ou adolescente; VII - mudar o domicílio para local distante, sem justificativa, visando a dificultar a convivência da criança ou adolescente com o outro genitor, com familiares deste ou com avós. 74 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
75 Acesso em ROSÁRIO, Maria do (relatora). Parecer da Comissão de Constituição Justiça e Cidadania, sobre o Projeto de Lei n /2008. Câmara dos Deputados. outubro de Disponível em Acesso em MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 75
76 A LEI MARIA DA PENHA E O APARATO PROTECIONISTA À MULHER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Maria Auxiliadora Gorita dos Santos 44* A Lei /06, popularmente conhecida como Lei Maria da Penha, criou mecanismos de prevenção e repressão à violência doméstica e familiar contra a mulher, prevendo a atuação articulada dos entes federativos e integração operacional entre o Poder Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública, visando garantir ampla proteção na defesa dos direitos da mulher. Segundo essa lei, configura-se violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer ação ou omissão que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial. A lei também especifica a figura do agressor, podendo este ser qualquer pessoa com quem a mulher conviva nas dependências de sua residência ou com quem mantenha ou tenha mantido relação íntima de afeto, independentemente de coabitação. Além disso, a lei prevê diversas medidas de caráter protetivo à vítima deste tipo de violência, dando-lhe toda assistência e amparo estatal para posicionar-se contrariamente a essa ocorrência. Deste modo, se você mulher sofrer qualquer agressão do gênero acima apresentado, deverá dirigir-se a uma Delegacia de Polícia e registrar Boletim de Ocorrência (BO), relatando a agressão sofrida e manifestar, por oportuno, o interesse em ver seu agressor processado criminalmente. Uma vez registrado o BO, a Autoridade Policial procederá a investigações com o objetivo de reunir provas da ocorrência do delito, bem como de sua autoria. Em seguida, serão remetidas ao Ministério Público que poderá oferecer denúncia em face do agressor, ocasião na qual se inicia o processo criminal. O processo criminal se materializará por meio de uma série de atos coordenados, dentro do qual o agressor terá oportunidade de se defender. Ao final, o juiz analisará as provas produzidas e, se o caso, condenará o agressor nas penas do delito praticado, como, por exemplo, em se tratando de lesão corporal de natureza grave (CP, art. 129, 1º, e incisos), na pena de reclusão de um a cinco anos, sendo-lhe, inclusive, vedada a hipótese de aplicação de pena de 44 * Graduanda do 4º Ano do Curso de Direito do Centro Universitário Barão de Mauá mariauxiliadorag@hotmail. com. 76 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
77 entrega de cesta básica ou outras de prestação pecuniária. Insta registrar que, durante todo este procedimento, a mulher poderá, se o caso, ser amparada por uma série de medidas que têm por objetivo assegurar sua integral proteção, bem como de sua família e testemunhas. Assim sendo, diante de todo esse arcabouço jurídico, cabem às mulheres lutar pelos direitos e não permitir a ocorrência ou perpetuação da violência no seio da família. BIBLIOGRAFIA BRASIL. Congresso Nacional. Lei nº , de 7 de agosto de GOMES, Luiz Flávio, e BIANCHINI, Alice. Aspectos Criminais da Lei de Violência Contra a Mulher. Disponível em acessado em 18/06/10. GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal. Volume III. 2ª. ed. Niterói: Impetus, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 77
78 GUARDA COMPARTILHADA E GUARDA ALTERNADA Paulo Eduardo Lépore 45* Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente, a guarda é a modalidade de colocação em família substituta destinada a regularizar a posse de fato. Assim, ela obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo ao seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais. Além disso, deve-se destacar que a guarda é sempre provisória, pois é medida que antecede a devolução da pessoa em desenvolvimento para o seio de sua família natural ou que vige até que haja o encaminhamento da criança ou adolescente para uma família substituta definitiva, ou seja, para pais adotivos. Vale ressaltar que a guarda como modalidade de colocação em família substituta só existirá se for descumprido o dever de guarda, decorrência do exercício do poder familiar, que implica no zelo que os pais devem ter com sua prole, e que encontra previsão expressa no Código Civil. Ante o exposto, pode-se concluir que se os pais descumprirem com a obrigação de bem cuidar de seus filhos, o dever de guarda se destacará do poder familiar e ganhará natureza jurídica diferenciada, transformando-se em modalidade de colocação em família substituta. Assim, vale a advertência que guarda, no direito, é termo que tem dois sentidos. Existe o dever de guarda, que é inerente ao exercício do poder familiar, como dispõe o Código Civil; e a modalidade de colocação em família substituta sob a forma de guarda, prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente, e que só surge quando o dever de guarda é descumprido pelos exercentes do Poder Familiar. Além disso, recentemente, a lei /2008 positivou uma nova forma de exercício do dever de guarda, denominada de guarda compartilhada. A guarda compartilhada consiste na responsabilização conjunta e simultânea do pai e da mãe, que não vivam sob o mesmo teto, pelo exercício dos direitos e deveres relativos ao poder familiar em relação aos filhos comuns. Opõe-se, portanto, à guarda unilateral, que é aquele em que o pai, a mãe ou alguém que os substitua, de forma isolada, exerce os direitos e deveres inerentes ao poder familiar. Ao ser exercida unilateralmente e com exclusi- 45 * Mestre em Direitos Coletivos e Função Social do Direito pela Universidade de Ribeirão Preto. Especialista em Direito Público pela Faculdade de Direito Damásio de Jesus. Professor do Centro Universitário Barão de Mauá (Ribeirão Preto-SP) e da Universidade do Estado de Minas Gerais (Frutal-MG). Coordenador de Pesquisa da Faculdade Barretos (Barretos-SP). Advogado. [email protected] 78 MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
79 vidade a guarda por um dos genitores, caberá ao outro o direito de visitas. Vale ainda destacar que não se deve confundir a guarda compartilhada com a guarda alternada. A guarda compartilhada pressupõe exercício simultâneo do dever de guarda por ambos os pais, enquanto a guarda alternada se configura pela presença de períodos isolados e exclusivos de guarda que se sucedem entre os pais. Na guarda alternada, enquanto o dever de guarda estiver sendo exercido exclusivamente por um dos pais, caberá ao outro o direito de visitas. Em ambos os casos, é o juiz quem determina como se dará a guarda. BIBLIOGRAFIA DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Famílias. 4 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, ISHIDA, Valter Kenji. Estatuto da Criança e do Adolescente: doutrina e jurisprudência. 11 ed. São Paulo: Atlas, ROSSATO, Luciano Alves, LÉPORE, Paulo Eduardo, CUNHA, Rogério Sanches. Estatuto da Criança e do Adolescente Comentado. São Paulo: Revista dos Tribunais, SIMÃO, José Fernando, TARTUCE, Flávio. Direito Civil. V ed. São Paulo: Método, MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 79
80 GUIA DE ENDEREÇOS ÚTEIS NO MUNICÍPIO DE RIBEIRÃO PRETO Câmara Municipal de Ribeirão Preto Avenida Jerônimo Gonçalves, 1.200, Centro F: (16) CIRETRAN Av. Mogiana, F: (16) Conselho Municipal da Assistência Social Rua Marcondes Salgado, 1.221, Centro F: (16) Conselho Municipal da Mulher Vitimizada Rua Gonçalves Dias, 299, Vila Tibério F: (16) Conselho Municipal do Direito da Criança e do Adolescente Rua Barão do Amazonas, 143, Centro F: (16) Conselho do Municipal do Idoso Rua Flávio Uchoa, 1.180, Campos Elíseos F: (16) / CREMESP Conselho Regional de Medicina Delegacia de Ribeirão Preto Rua Chile, º andar, salas 600, 601 e 603 Santa Cruz F: (16) Conselho Tutelar Dos Direitos da Criança e do Adolescente: - Região Centro Oeste Rua Visconde do Rio Branco, 653, Centro F: (16) / Região Norte Rua Pará, 437, Sumarezinho F: (16) / Região Sul Avenida Pio XII, 1.015, Vila Virgínia F: (16) / Defensoria Pública Rua Alice Além Saadi, 1.256, 1º andar Nova Ribeirânia F: (16) MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
81 Delegacia de Defesa da Mulher Rua Piracicaba, 217, Campos Elíseos F: (16) DIG Delegacia de Investigações Gerais Rua Duque de Caxias, 1.048, Centro F: (16) Delegacia Regional do Trabalho Rua Afonso Taranto, 500, Nova Ribeirânia F: (16) Fórum Estadual Rua Alice Aléem Saad, 1.010, Nova Ribeirânia F: (16) Fórum Federal Rua Afonso Taranto, 455, Nova Ribeirânia F: (16) / Fórum Trabalhista Rua Afonso Taranto, 105, Nova Ribeirânia F: (16) INSS Instituto Nacional de Seguridade Social Rua Amador Bueno, 786, Centro F: (16) Juizado de Menores Rua Alice Aléem Saad, 950, Nova Ribeirânia F: (16) Juizado Especial Cível COC Rua Abrahão Issa Halack, 980, F: (16) Juizado Especial Cível Moura Lacerda Rua Capitão Salomão, 1.384, Campos Elíseos F: (16) Juizado Especial Cìvel UNIP Avenida Carlos Consoni, 10, Jardim Nova Aliança F: Juizado Especial Criminal Rua Alice Aléem Saad, 1.010, Nova Ribeirânia F: (16) Justiça Eleitoral Rua Cerqueira César, 333, Centro F: (16) MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO 81
82 Ministério Público do Estado de São Paulo Rua Otto Benz, 1.070, Nova Ribeirânia F: (16) Núcleo de Práticas Jurídicas do Centro Universitário Barão de Mauá Rua Aureliano Garcia de Oliveira, 218, Nova Ribeirânia F: (16) Ordem dos Advogados do Brasil 12ª Subsecção de Ribeirão Preto Av. Cavalheiro Torquato Rizzi, 215, Jardim São Luís F: (16) Polícia Ambiental Avenida Fábio Barreto, 42, Centro F: (16) Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto Praça Barão do Rio Branco, s/n., Centro F: (16) / POUPATAMPO Avenida Presidente Kennedy, 1.500, Novo Shopping Center F: PROCON Rua Minas, 353, Campos Elíseos F: (16) e MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO
83
84
DO CIDADÃO MANUAL DOS DIREITOS
MANUAL DOS DIREITOS DO CIDADÃO LUCAS DE SOUZA LEHFELD (ORG) FLÁVIA TRINDADE DO VAL LEOPOLDO E SILVA, LUIZ GONZAGA MEZIARA JÚNIOR, MARILDA FRANCO DE MOURA (COLABORADORES) Apoio: producão coletiva Comunicação
MENSALIDADES ESCOLARES
MENSALIDADES ESCOLARES O aumento das mensalidades escolares deve obedecer a algum parâmetro legal? O assunto mensalidades escolares é regulado pela Lei 9870, de 23 de novembro de 1999. Esta Lei, dentre
http://www.receita.fazenda.gov.br/prepararimpressao/imprimepagina.asp
Page 1 of 5 Decreto nº 6.260, de 20 de novembro de 2007 DOU de 20.11.2007 Dispõe sobre a exclusão do lucro líquido, para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre
RELAÇÃO DE CONSUMO DIREITO DO CONSUMIDOR
DIREITO DO CONSUMIDOR RELAÇÃO DE CONSUMO APLICABILIDADE O presente código estabelece normas de proteção e defesa do consumidor, de ordem pública e interesse social, nos termos dos arts. 5, inciso XXXII,
"A POLEMICA SOBRE "OS CRITÉRIOS TÉCNICOS" NA RESTRIÇÃO DE SEGUROS"
"A POLEMICA SOBRE "OS CRITÉRIOS TÉCNICOS" NA RESTRIÇÃO DE SEGUROS" Contribuição de Dr Rodrigo Vieira 08 de julho de 2008 Advocacia Bueno e Costanze "A POLEMICA SOBRE "OS CRITÉRIOS TÉCNICOS" NA RESTRIÇÃO
Relato de Casos: Comissão Técnica Riscos Pessoais
Relato de Casos: Comissão Técnica Riscos Pessoais Convidado para Diretor Sem Fronteiras Dr. Lodi Maurino Sodré Comissão indicou para os Grupos de Trabalhos e demais Comissões. A questão está na aplicação
BuscaLegis.ccj.ufsc.br
BuscaLegis.ccj.ufsc.br O que é uma ONG? Rodrigo Mendes Delgado *. Uma ONG é uma Organização Não-Governamental. Mas, para que serve uma ONG? Simples, serve para auxiliar o Estado na consecução de seus objetivos
RESOLUÇÃO Nº, DE DE 2010.
RESOLUÇÃO Nº, DE DE 2010. Dispõe sobre a divulgação de dados processuais eletrônicos na rede mundial de computadores, expedição de certidões judiciais e dá outras providências. O PRESIDENTE DO CONSELHO
DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR
DIREITOS BÁSICOS DO CONSUMIDOR O PROCON MUNICIPAL tem como principal tarefa a proteção e defesa do consumidor, por isso desenvolveu este guia para melhor transparência e respeito, para você, consumidor.
do Idoso Portaria 104/2011
DEVER DE NOTIFICAR- do Idoso Portaria 104/2011 Lei 6.259/75l Lei 10.778/03, ECA, Estatuto n Médicos n Enfermeiros n Odontólogos n Biólogos n Biomédicos n Farmacêuticos n Responsáveis por organizações e
ARTIGO: Efeitos (subjetivos e objetivos) do controle de
ARTIGO: Efeitos (subjetivos e objetivos) do controle de constitucionalidade Luís Fernando de Souza Pastana 1 RESUMO: há diversas modalidades de controle de constitucionalidade previstas no direito brasileiro.
Aluguel O que é preciso saber sobre aluguel Residencial
Aluguel O que é preciso saber sobre aluguel Residencial Ao alugar um imóvel é necessário documentar a negociação por meio de um contrato, de preferência, escrito. O inquilino deve ler atentamente todas
Projeto de Lei Municipal dispondo sobre programa de guarda subsidiada
Projeto de Lei Municipal dispondo sobre programa de guarda subsidiada LEI Nº..., DE... DE... DE... 1. Dispõe sobre Programa de Guarda Subsidiada para Crianças e Adolescentes em situação de risco social
A PROTEÇÃO E OS DIREITOS HUMANOS DO IDOSO E A SUA DIGNIDADE
A PROTEÇÃO E OS DIREITOS HUMANOS DO IDOSO E A SUA DIGNIDADE Maíra Sgobbi de FARIA 1 Resumo: O respeito e a proteção que devem ser concedidos aos idosos sempre foram um dever da sociedade, uma vez que as
RESOLVEU: I - probidade na condução das atividades no melhor interesse de seus clientes e na integridade do mercado;
Estabelece normas e procedimentos a serem observados nas operações em bolsas de valores e dá outras providências. O PRESIDENTE DA COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS torna público que o Colegiado, em sessão
Dúvidas e Esclarecimentos sobre a Proposta de Criação da RDS do Mato Verdinho/MT
Dúvidas e Esclarecimentos sobre a Proposta de Criação da RDS do Mato Verdinho/MT Setembro/2013 PERGUNTAS E RESPOSTAS SOBRE A CRIAÇÃO DE UNIDADE DE CONSERVAÇÃO 1. O que são unidades de conservação (UC)?
Questões Dissertativas (máximo 15 linhas)
Questões Dissertativas (máximo 15 linhas) 1) O que é tributo? Considerando a classificação doutrinária que, ao seguir estritamente as disposições do Código Tributário Nacional, divide os tributos em "impostos",
PARECER Nº, DE 2011. RELATOR: Senador LUIZ HENRIQUE
PARECER Nº, DE 2011 Da COMISSÃO DE ASSUNTOS ECONÔMICOS, sobre o Projeto de Lei do Senado nº 244, de 2011, do Senador Armando Monteiro, que acrescenta os arts. 15-A, 15-B e 15-C à Lei nº 6.830, de 22 de
CONSELHOS TUTELARES FUNÇÕES E ATRIBUIÇÕES
CONSELHOS TUTELARES FUNÇÕES E ATRIBUIÇÕES Conselho Tutelar Órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente,
COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO
COMISSÃO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO PROJETO DE LEI N o 3.847, DE 2012 (Apensados os PLs nº 5.158, de 2013, e nº 6.925, de 2013) Institui a obrigatoriedade de as montadoras de veículos,
PROJETO DE LEI Nº de 2007 (Da Deputada Luiza Erundina)
PROJETO DE LEI Nº de 2007 (Da Deputada Luiza Erundina) Cria isenção de Imposto de Renda para pessoas físicas beneficiárias de ações de cunho previdenciário e assistencial. O Congresso Nacional decreta:
Como proceder à notificação e para onde encaminhá-la?
Se a família não quiser ou não puder assumir a notificação, o educador deverá informar a família que, por força da lei, terá que notificar o fato aos órgãos competentes. Como proceder à notificação e para
MJ ORIENTA CONSUMIDOR PARA COMPRAS PELA INTERNET
MJ ORIENTA CONSUMIDOR PARA COMPRAS PELA INTERNET O Ministério da Justiça divulgou na sexta-feira (20/8), durante a 65ª reunião do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor (SNDC), um documento com as diretrizes
SOCIEDADE VIRTUAL: UMA NOVA REALIDADE PARA A RESPONSABILIDADE CIVIL
SOCIEDADE VIRTUAL: UMA NOVA REALIDADE PARA A RESPONSABILIDADE CIVIL FABRICIO DOS SANTOS RESUMO A sociedade virtual, com suas relações próprias vem se tornando uma nova realidade para a responsabilidade
Considerando que as Faculdades Integradas Sévigné estão em plena reforma acadêmica que será implementada a partir de 2009 e;
RESOLUÇÃO CSA 02/2009 REFERENDA A PORTARIA DG 02/2008 QUE APROVOU A INSERÇÃO DOS ESTÁGIOS SUPERVISIONADOS NÃO OBRIGATÓRIOS NOS PROJETOS PEDAGÓGICOS DOS CURSOS OFERTADOS PELAS FACULDADES INTEGRADAS SÉVIGNÉ.
CONSIDERANDO o que o Sr. João Lima Goes relatou ao Conselho Tutelar de Alto Piquiri Paraná, cuja cópia segue em anexo;
RECOMENDAÇÃO ADMINISTRATIVA nº 05/2012 CONSIDERANDO que, nos termos do art. 201, inciso VIII, da Lei nº 8.069/90, compete ao Ministério Público zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais
Conflitos entre o Processo Penal E o Processo Administrativo sob O ponto de vista do médico. Dr. Eduardo Luiz Bin Conselheiro do CREMESP
Conflitos entre o Processo Penal E o Processo Administrativo sob O ponto de vista do médico Dr. Eduardo Luiz Bin Conselheiro do CREMESP PRÁTICA MÉDICA A prática médica se baseia na relação médicopaciente,
Torna obrigatória a contratação do serviço de Inspeção de Segurança Veicular mediante processo de licitação pública.
PROJETO DE LEI N 3005 DE 2008 Business Online Comunicação de Dados Torna obrigatória a contratação do serviço de Inspeção de Segurança Veicular mediante processo de licitação pública. Autor: Regis de Oliveira
COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 215, DE 2015 (EM APENSO OS PLS NºS 1.547 E 1.589, DE 2015)
COMISSÃO DE CONSTITUIÇÃO E JUSTIÇA E DE CIDADANIA PROJETO DE LEI Nº 215, DE 2015 (EM APENSO OS PLS NºS 1.547 E 1.589, DE 2015) Acrescenta inciso V ao art. 141 do Decreto- Lei nº 2.848, de 7 de dezembro
Art. 99. As medidas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo.
Conforme o Estatuto da Criança e do Adolesecente Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados: I -
DIREITO ADMINISTRATIVO
DIREITO ADMINISTRATIVO RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO Atualizado até 13/10/2015 RESPONSABILIDADE CIVIL DO ESTADO NOÇÕES INTRODUTÓRIAS Quando se fala em responsabilidade, quer-se dizer que alguém deverá
AMAJUM. No próximo dia 7 de outubro, o povo brasileiro retorna às urnas, desta vez para escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores.
No próximo dia 7 de outubro, o povo brasileiro retorna às urnas, desta vez para escolher prefeitos, vice-prefeitos e vereadores. Produção: Ação conjunta: Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso Parceiro:
O COMÉRCIO ELETRÔNICO E O CÓDIGO DE DEFESA E PROTEÇÃO DO CONSUMIDOR
O COMÉRCIO ELETRÔNICO E O CÓDIGO DE DEFESA E PROTEÇÃO DO CONSUMIDOR OSMAR LOPES JUNIOR O COMÉRCIO ELETRÔNICO E O CÓDIGO DE DEFESA E PROTEÇÃO DO CONSUMIDOR Introdução Não é preciso dizer o quanto a internet
A Lei 6.019/74 que trata da contratação da mão de obra temporária abrange todos os segmentos corporativos ou há exceções?
LUANA ASSUNÇÃO ALBUQUERK Especialista em Direito do Trabalho Advogada Associada de Cheim Jorge & Abelha Rodrigues - Advogados Associados O CONTRATO TEMPORÁRIO DE TRABALHO São as conhecidas contratações
REGULAMENTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM PUBLICIDADE E PROPAGANDA
REGULAMENTO DO ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM PUBLICIDADE E PROPAGANDA CAPÍTULO I DISPOSIÇÕES PRELIMINARES Art. 1º O presente regulamento normatiza as atividades do Estágio Supervisionado em Publicidade e Propaganda
CONSELHO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL
CONSELHO SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL RESOLUÇÃO N O 20 (Alterada pelas Resoluções CSMPF Nº 23, de 23/4/1996; Nº 26, de 4/6/1996; Nº 31, de 27/6/1997; Nº 40, de 31/3/1998 e Nº 119, de 4/10/2011
O Acordo de Haia Relativo ao Registro. Internacional de Desenhos Industriais: Principais características e vantagens
O Acordo de Haia Relativo ao Registro Internacional de Desenhos Industriais: Principais características e vantagens Publicação OMPI N 911(P) ISBN 92-805-1317-X 2 Índice Página Introdução 4 Quem pode usufruir
CONSELHO TUTELAR E AS MODIFICAÇÕES PROPORCIONADAS PELA LEI n. 12.696/2012.
CONSELHO TUTELAR E AS MODIFICAÇÕES PROPORCIONADAS PELA LEI n. 12.696/2012. Luiz Antonio Miguel Ferreira 1 Promotor de Justiça da Infância e da Juventude do Ministério Público do Estado de São Paulo. Mestre
O que são Direitos Humanos?
O que são Direitos Humanos? Por Carlos ley Noção e Significados A expressão direitos humanos é uma forma abreviada de mencionar os direitos fundamentais da pessoa humana. Sem esses direitos a pessoa não
PROJETO DE LEI Nº, DE 2012
PROJETO DE LEI Nº, DE 2012 (Do Sr. Marco Tebaldi) Dispõe sobre o Programa de agendamento de consultas e entrega domiciliar de medicamentos de uso contínuo às pessoas portadoras de necessidades especiais
O Dever de Consulta Prévia do Estado Brasileiro aos Povos Indígenas.
O Dever de Consulta Prévia do Estado Brasileiro aos Povos Indígenas. O que é o dever de Consulta Prévia? O dever de consulta prévia é a obrigação do Estado (tanto do Poder Executivo, como do Poder Legislativo)
CONDICIONAR A EXPEDIÇÃO DO CRLV AO PAGAMENTO DE MULTAS É LEGAL?
CONDICIONAR A EXPEDIÇÃO DO CRLV AO PAGAMENTO DE MULTAS É LEGAL? A matéria que pretendemos colocar em discussão neste breve estudo concerne na legalidade do condicionamento da expedição do CRLV Certificado
CONSTITUIÇÃO FEDERAL
CONSTITUIÇÃO FEDERAL Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida,
Termo de Uso A AGENDA SUSTENTABILIDADE única e exclusiva proprietária do domínio www.agenda SUSTENTABILIDADE.com.br, doravante denominado AGENDA SUSTENTABILIDADE, estabelece o presente TERMO DE USO para
PRESCRIÇÃO SEGURO-SAÚDE
BuscaLegis.ccj.ufsc.br PRESCRIÇÃO SEGURO-SAÚDE Autor: Valcir Edson Mayer Advogado e Professor OAB/SC 17.150 Rua General Osório, n.º 311 - Salas 202 e 205 Centro Coml. Diplomata - Centro - Timbó/SC CEP
RESOLUÇÃO Nº 6/2013 (ELEIÇÕES-IBDFAM) ADITIVO
RESOLUÇÃO Nº 6/2013 (ELEIÇÕES-IBDFAM) ADITIVO Dispõe sobre os procedimentos, critérios, condições de elegibilidade, normas de campanha eleitoral e pressupostos de proclamação dos eleitos nas eleições do
Ato Normativo nº. 473-CPJ, de 27 de julho de 2006. (pt. nº. 3.556/06)
Ato Normativo nº. 473-CPJ, de 27 de julho de 2006 (pt. nº. 3.556/06) Constitui, na comarca da Capital, o Grupo de Atuação Especial de Inclusão Social, e dá providências correlatas. O Colégio de Procuradores
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA SECRETARIA DE DIREITO ECONÔMICO DEPARTAMENTO DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR
MINISTÉRIO DA JUSTIÇA SECRETARIA DE DIREITO ECONÔMICO DEPARTAMENTO DE PROTEÇÃO E DEFESA DO CONSUMIDOR Escola Nacional de Defesa do Consumidor Oficina Desafios da Sociedade da Informação: comércio eletrônico
www.santahelenasuade.com.brmecanismos de
1 www.santahelenasuade.com.brmecanismos de Regulação 2 A CONTRATADA colocará à disposição dos beneficiários do Plano Privado de Assistência à Saúde, a que alude o Contrato, para a cobertura assistencial
RESOLUÇÃO Nº 031/2009 CONSUNI (Alterado pela Resolução 006/2014 CONSUNI)
RESOLUÇÃO Nº 031/2009 CONSUNI (Alterado pela Resolução 006/2014 CONSUNI) Cria o Programa Institucional de Serviços Voluntários da Fundação Universidade do Estado de Santa Catarina UDESC, e dá outras providências.
Política Uniforme de Solução de Disputas Relativas a Nomes de Domínio
Política Uniforme de Solução de Disputas Relativas a Nomes de Domínio Política aprovada em 26 de agosto de 1999 Documentos de implementação aprovados em 24 de outubro de 1999 Versão em português da Organização
11/11/2010 (Direito Empresarial) Sociedades não-personificadas. Da sociedade em comum
11/11/2010 (Direito Empresarial) Sociedades não-personificadas As sociedades não-personificadas são sociedades que não tem personalidade jurídica própria, classificada em: sociedade em comum e sociedade
Considerando que a Officer S.A. Distribuidora de Produtos de Tecnologia. ( Officer ) encontra-se em processo de recuperação judicial, conforme
São Paulo, 26 de outubro de 2015. C O M U N I C A D O A O S F O R N E C E D O R E S E R E V E N D A S D A O F F I C E R D I S T R I B U I D O R A Prezado Parceiro, Considerando que a Officer S.A. Distribuidora
CURSO DE DIREITO DA INFORMÁTICA LUIZ MÁRIO MOUTINHO
1 CURSO DE DIREITO DA INFORMÁTICA LUIZ MÁRIO MOUTINHO 03/09/2013 2 PROTEÇÃO DO CONSUMIDOR NO COMÉRCIO ELETRÔNICO E AS LIMITAÇÕES DO DECRETO 7.962/2013 3 Conclusões O CDC é mais do que suficiente para a
POLÍTICA DE GARANTIA AUTORIDADE DE REGISTRO PRONOVA
POLÍTICA DE GARANTIA AUTORIDADE DE REGISTRO PRONOVA Obrigado por adquirir um produto e/ou serviço da AR PRONOVA. Nossa Política de Garantia foi desenvolvida com objetivo de fornecer produtos e serviços
COMUNICADO SINDICÂNCIA DE VIDA PREGRESSA ESCLARECIMENTOS DA BANCA EXAMINADORA.
COMUNICADO SINDICÂNCIA DE VIDA PREGRESSA ESCLARECIMENTOS DA BANCA EXAMINADORA. Referências: Edital Bacen Analista n o 1 e Edital Bacen Técnico n o 1, ambos de 18 de novembro de 2009 Itens 14 e 12, respectivamente.
CONTRATO DE TRABALHO. Empregado Preso
CONTRATO DE TRABALHO Empregado Preso Muitas dúvidas surgem quando o empregador toma conhecimento que seu empregado encontra-se preso. As dúvidas mais comuns são no sentido de como ficará o contrato de
200 Questões Fundamentadas do Estatuto do Idoso Lei 10.741/2003
1 Para adquirir a apostila de 200 Estatuto do Idoso - Lei 10.741/2003 acesse o site: www.odiferencialconcursos.com.br SUMÁRIO Apresentação...3 Questões...4 Respostas...66 Bibliografia...93 2 APRESENTAÇÃO
O PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO P NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE
O PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO P NA DEFESA DO MEIO AMBIENTE DAS DISPOSIÇÕES CONSTITUCIONAIS RELATIVAS ÀS FUNÇÕES DO MINISTÉRIO PÚBLICO Art. 129. São funções institucionais do Ministério Público: I- promover,
Legislação e tributação comercial
6. CRÉDITO TRIBUTÁRIO 6.1 Conceito Na terminologia adotada pelo CTN, crédito tributário e obrigação tributária não se confundem. O crédito decorre da obrigação e tem a mesma natureza desta (CTN, 139).
E m p r é s t i m o E cartão consignado direcionados a aposentados E pensionistas
Empréstimo e ca rt ã o c o n s i g n a d o d irec io na do s a apos e nta do s e pe ns io nis ta s Todo aquele que recebe benefícios de aposentadoria ou pensão por morte pagos pela Previdência Social,
Orientações sobre Micro Empreendedor Individual
Orientações sobre Micro Empreendedor Individual Micro Empreendedor individual Definição Microempreendedor Individual (MEI) é a pessoa que trabalha por conta própria e que se legaliza como pequeno empresário.
DECRETO nº 53.464 de 21-01-1964
DECRETO nº 53.464 de 21-01-1964 Regulamenta a Lei nº 4.119, de agosto de 1962, que dispõe sobre a Profissão de Psicólogo. O Presidente da República, usando das atribuições que lhe confere o art.87, item
A proteção previdenciária do brasileiro no exterior
A proteção previdenciária do brasileiro no exterior Hilário Bocchi Junior Especialista em Previdência Social 1 A Seguridade Social está prevista no capítulo II do título VIII (Da Ordem Social) da Constituição
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA COMISSÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 02/2010/CPG
INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 02/2010/CPG Estabelece procedimento para o reconhecimento e o registro de diploma de conclusão de curso de Pós-Graduação expedidos por instituições de ensino superior estrangeiras.
RESOLUÇÃO Nº 05/2013
RESOLUÇÃO Nº 05/2013 Disciplina a prática do Escotismo no Brasil e os requisitos para reconhecimento das Unidades Escoteiras Locais (UELs) e Regiões Escoteiras Considerando: 1. Que, no Brasil, a prática
Luiz Eduardo de Almeida
Luiz Eduardo de Almeida Apresentação elaborada para o curso de atualização do Instituo Brasileiro de Direito Tributário IBDT Maio de 2011 Atividade da Administração Pública: ato administrativo Em regra
PROJETO BÁSICO AGÊNCIA DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA
PROJETO BÁSICO AGÊNCIA DE PUBLICIDADE E PROPAGANDA Projeto Básico da Contratação de Serviços: Constitui objeto do presente Projeto Básico a contratação de empresa especializada em serviços de comunicação
Disciplina a corretagem de seguros, resseguros, previdência complementar aberta e capitalização e estabelece aplicáveis às operações de seguro,
MINUTA DE RESOLUÇÃO CNSP Disciplina a corretagem de seguros, resseguros, previdência complementar aberta e capitalização e estabelece aplicáveis às operações de seguro, resseguro, previdência complementar
Resumo Aula-tema 07: Direito do Consumidor.
Resumo Aula-tema 07: Direito do Consumidor. O Direito do Consumidor estabelece as regras que regulam as relações de consumo entre consumidores e fornecedores de produtos ou serviços. Como vivemos em um
NORMATIZAÇÃO DE ESTÁGIO PARA OS CURSOS TÉCNICOS E SUPERIORES DO IFSULDEMINAS
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLÓGICA INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO SUL DE MINAS GERAIS NORMATIZAÇÃO DE ESTÁGIO PARA OS CURSOS TÉCNICOS E SUPERIORES
COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO PROJETO DE LEI Nº 5.339, DE 2013
COMISSÃO DE TRABALHO, DE ADMINISTRAÇÃO E SERVIÇO PÚBLICO PROJETO DE LEI Nº 5.339, DE 2013 (Apenso: Projeto de Lei nº 4.865, de 2012) Altera o art. 20 da Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991, para instituir
Mondial Pet Protection CONDIÇÕES GERAIS PRINCIPAIS BENEFÍCIOS: Assistência Emergencial. Implantação de Microchip. Desconto em Cirurgias
MONDIAL PET PROTECTION é um conjunto de serviços oferecido a cachorros e gatos (domésticos), disponível nas Capitais do Nordeste, Sudeste e Sul e Centro-Oeste do Brasil e grandes centros metropolitanos.
A configuração da relação de consumo
BuscaLegis.ccj.ufsc.br A configuração da relação de consumo Samuel Borges Gomes 1. Introdução O Código de Defesa do Consumidor (CDC) foi sem dúvida um marco na legislação brasileira no sentido de legitimação
EDITAL Nº 21/2011 CHAMAMENTO PARA INSCRIÇÃO CURSO SOBRE TRANSPORTE ESCOLAR
EDITAL Nº 21/2011 CHAMAMENTO PARA INSCRIÇÃO CURSO SOBRE TRANSPORTE ESCOLAR 1. OBJETIVO DO CURSO Analisar os aspectos que devem ser contemplados no regulamento municipal do transporte escolar, através de
Resumo do Contrato de seu Cartão de Crédito Instituto HSBC Solidariedade
Resumo do Contrato de seu Cartão de Crédito Instituto HSBC Solidariedade Leia estas informações importantes para aproveitar todas as vantagens do seu novo cartão de crédito. Resumo do Contrato de seu
Perguntas F requentes Relacionadas à Inscrição de Entidades de Assistência Social nos Conselhos Municipais de Assistência Social e do Distrito Federal
Perguntas F requentes Relacionadas à Inscrição de Entidades de Assistência Social nos Conselhos Municipais de Assistência Social e do Distrito Federal 1. Onde localizar os procedimentos para inscrição
PEDIDOS DE AUTORIZAÇÃO PARA RETIRADA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ACOLHIDAS DAS ENTIDADES ORIENTAÇÕES TÉCNICAS DO CAOPCAE/PR
PEDIDOS DE AUTORIZAÇÃO PARA RETIRADA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES ACOLHIDAS DAS ENTIDADES ORIENTAÇÕES TÉCNICAS DO CAOPCAE/PR 1 - A autorização para que crianças e adolescentes passem as festas de final de
FABIANA PRADO DOS SANTOS NOGUEIRA CONSELHEIRA CRMMG DELEGADA REGIONAL UBERABA
FABIANA PRADO DOS SANTOS NOGUEIRA CONSELHEIRA CRMMG DELEGADA REGIONAL UBERABA FABIANA PRADO DOS SANTOS NOGUEIRA CONSELHEIRA CRMMG DELEGADA REGIONAL UBERABA Conjunto de normas que definem os aspectos da
CONDIÇÕES GERAIS DE ASSISTÊNCIA PROTEÇÃO A CARTÕES PLANO 1
CONDIÇÕES GERAIS DE ASSISTÊNCIA PROTEÇÃO A CARTÕES PLANO 1 1. QUADRO RESUMO DE SERVIÇOS ITEM SERVIÇOS LIMITES DO SERVIÇO 1 Assistência Global de Proteção a Cartões e Serviço de Solicitação de Cartão Substituto
PROVA ORAL PONTO II DISCIPLINA: DIREITO CIVIL QUESTÃO 1
DISCIPLINA: DIREITO CIVIL QUESTÃO 1 Discorra sobre a utilização da usucapião como instrumento de defesa em ações petitórias e possessórias. DISCIPLINA: DIREITO CIVIL QUESTÃO 2 Considere que um indivíduo,
A SEGURADORA GLOBAL DE CONFIANÇA
A SEGURADORA GLOBAL DE CONFIANÇA RESPONSABILIDADE CIVIL Principais Características ÍNDICE O que é RC Riscos Excluídos Forma de Contratação e Prescrição O que é a Responsabilidade Civil Responsabilidade
PODER JUDICIÁRIO. PORTARIA Nº CF-POR-2012/00116 de 11 de maio de 2012
PODER JUDICIÁRIO JUSTIÇA FEDERAL CONSELHO DA JUSTIÇA FEDERAL PORTARIA Nº CF-POR-2012/00116 de 11 de maio de 2012 Dispõe sobre a composição, o funcionamento e as atribuições dos Comitês Gestores do Código
Orientações Jurídicas
São Paulo, 13 de agosto de 2015. OJ-GER/030/15 Orientações Jurídicas Legitimidade da cobrança da taxa de adesão nos planos de saúde. Devido a inúmeros questionamentos acerca da licitude da cobrança da
INSTRUÇÃO Nº 402, DE 27 DE JANEIRO DE 2004
Ministério da Fazenda Comissão de Valores Mobiliários INSTRUÇÃO Nº 402, DE 27 DE JANEIRO DE 2004 Estabelece normas e procedimentos para a organização e o funcionamento das corretoras de mercadorias. O
Poder Judiciário JUSTIÇA FEDERAL Seção Judiciária do Paraná 2ª TURMA RECURSAL JUÍZO C
JUIZADO ESPECIAL (PROCESSO ELETRÔNICO) Nº201070510020004/PR RELATORA : Juíza Andréia Castro Dias RECORRENTE : LAURO GOMES GARCIA RECORRIDO : UNIÃO FAZENDA NACIONAL V O T O Dispensado o relatório, nos termos
PREFEITURA MUNICIPAL DE BARRA DO CHOÇA ESTADO DA BAHIA
LEI Nº 272, DE 06 DE JUNHO DE 2014. Dispõe sobre a criação do Conselho Comunitário de Segurança Pública e Entidades Afins do Município de Barra do Choça e dá outras Providências. O PREFEITO MUNICIPAL DE
Conselho Nacional de Justiça Corregedoria PROVIMENTO Nº 12
Conselho Nacional de Justiça Corregedoria PROVIMENTO Nº 12 O Corregedor Nacional de Justiça, Ministro Gilson Dipp, no uso de suas atribuições legais e regimentais, CONSIDERANDO que durante as inspeções
Brasília, 27 de maio de 2013.
NOTA TÉCNICA N o 20 /2013 Brasília, 27 de maio de 2013. ÁREA: Desenvolvimento Social TÍTULO: Fundo para Infância e Adolescência (FIA) REFERÊNCIAS: Lei Federal n o 4.320, de 17 de março de 1964 Constituição
SUMÁRIO. Questões comentadas dos exames da OAB - 2ª edição
SUMÁRIO Questões comentadas dos exames da OAB - 2ª edição Apresentação - Marco Antonio Araujo Junior Sobre os autores 1.1 Introdução princípios e poderes 1.2 Ato administrativo 1.3 Organização da Administração
RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE
compilações doutrinais RESPONSABILIDADE PESSOAL DOS SÓCIOS ADMINISTRADORES NOS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS QUANDO DA DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE Carlos Barbosa Ribeiro ADVOGADO (BRASIL) VERBOJURIDICO VERBOJURIDICO
ESTADO DO MARANHÃO MINISTÉRIO PÚBLICO PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE
0000000000000000000000000 TERMO DE COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA OBJETIVANDO GARANTIR TRANSPORTE ESCOLAR DE QUALIDADE que firmam o ESTADUAL, por meio da Promotoria de Justiça de... e o MUNICÍPIO
COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA
COMPROMISSO DE AJUSTAMENTO DE CONDUTA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, representado pelo Procurador da República RICARDO BALDANI OQUENDO, ora denominado COMPROMITENTE, e a ANHANGUERA EDUCACIONAL S/A, mantenedora
O fornecimento de senhas e caracteres de acesso à terceiros, causa negativa em indenização
O fornecimento de senhas e caracteres de acesso à terceiros, causa negativa em indenização Contribuição de Dr. Rodrigo Vieira 17 de dezembro de 2008 Advocacia Bueno e Costanze O fornecimento de senhas
INDAIAL SANTA CATARINA CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL RESOLUÇÃO Nº 001/2010
INDAIAL SANTA CATARINA CONSELHO MUNICIPAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL RESOLUÇÃO Nº 001/2010 DISPÕE SOBRE APROVAÇÃO DO BENEFÍCIO ALIMENTAÇÃO. O Conselho Municipal de Assistência Social de Indaial, no uso de suas
