Políticas Públicas e Legislação sobre Drogas

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2 Universidade Federal do Espírito Santo Centro de Ciências da Saúde Centro de Estudos e Pesquisas sobre Álcool e outras Drogas Políticas Públicas e Legislação sobre Drogas Enfª. Camila Barcelos Vieira Mestranda do Programa de Pós-graduação em Saúde Coletiva UFES VITÓRIA 2015

3 O que são Políticas Públicas? Ações coletivas para a garantia dos direitos sociais Políticas Públicas Compromisso Público para dar conta de determinada demanda Expressam a construção de ação do governo

4 O que são Políticas Públicas? As políticas públicas refletem a ação ou a omissão do Estado ante a problemas e necessidades da população, do coletivo. (PAIM, 2003)

5 Como são construídas? 1º 2º 3º 4º Reconhecimento do problema Formulação Etapa em que se projetam os objetivos e se idealiza o que política irá fazer. Implementação Etapa em que a política é colocada em prática e vivemos a experiência real de concretizá-la. Avaliação Nesta etapa é avaliado se a política atingiu os objetivos traçados na fase de formulação.

6 Como são construídas? Para que uma política passe a fazer parte do nosso cotidiano, muitas vezes é necessário que existam programas e planos que possam construí-la. Estes planos e programas são as linhas de ação que possibilitam que a política avance além da fase de formulação e passe a fazer parte do mundo real.

7 Como são classificadas? Políticas Alocatórias Políticas Regulatórias Promovem recursos para prevenção e tratamento. Influenciam comportamentos e decisões individuais por meio de ações mais diretas.

8 Política Regulatória

9 Como são classificadas? Políticas Redução de Demanda Políticas Redução de Oferta São ações que visam a prevenção do uso indevido de drogas lícitas e ilícitas, como também disponibilizar ações assistenciais para tratamento, recuperação e reinserção social. Envolvem as ações de repressão ao tráfico das drogas ilícitas. Por exemplo, temos as ações de apreensão das drogas como maconha, cocaína, etc..

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12 Inicialmente construíram seus discursos em dispositivos de criminalização e medicalização POLÍTICA REPRESSIVA. Fortemente influenciado por movimentos e decisões internacionais A guerra às drogas propagada pelos Estados Unidos.

13 Lei Seca 1920 (EUA) 18ª Emenda à Constituição Americana - proibiu a fabricação, o transporte, a venda e o consumo de bebidas alcoólicas no país com justificativas morais e de segurança.

14 1924 Inclusão no Código Penal Brasileiro: Decreto pena de prisão para aqueles que vendessem ópio e seus derivados e cocaína; e, Decreto criou o sanatório para toxicômanos.

15 Primeira lei proibicionista no Brasil (1830) - é originária da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, que aplicava penalidades aos negros vadios que fossem pego fumando maconha Código Penal Republicano - primeiro diploma penal brasileiro, que dispôs, no artigo 159, a proibição a algumas substâncias tidas como venenosas.

16 Inércia dos governantes perante o consumo de álcool; Surgimento gradativo de sociedades de caráter privado que promoviam: Educação Antialcoólica + Medidas Assistenciais para alcoolistas Concepções moralistas e Higienistas Exemplos Liga Paulista de Profilaxia Moral e Sanitária; Liga Brasileira de Higiene Mental; e, União Brasileira Pró-Temperança.

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18 Após o fim da Segunda Guerra Mundial: - globalização da economia globalização do mercado das drogas A Organização das Nações Unidas (ONU) realizou três grandes convenções internacionais - Nova Iorque, 1961, e Viena, 1971, 1988; - reafirmando a concepção internacional repressiva de combate ao uso e tráfico de drogas war of drug. - o Brasil foi signatário das 3 convenções Lei nº 5.726, que dispõe sobre medidas preventivas e repressivas ao tráfico e ao uso de substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica. - Não faz nenhuma referência ao tratamento à saúde da população usuária de drogas; - Exceto aqueles referidos como infratores viciados, que eram internados compulsoriamente em hospitais psiquiátricos.

19 Lei que dispõe sobre medidas de prevenção e repressão ao tráfico ilícito e uso indevido de substâncias entorpecentes ou que determinem dependência física ou psíquica. - Amplia o leque de ações preventivas dependente; - Forte influência da concepção médico-psiquiátrica Conselho Federal de Entorpecentes (COFEN) - responsável pela formulação de políticas públicas para o enfrentamento das drogas. - Privilegiou ações de repressão à produção, tráfico e consumo de drogas; - Algumas iniciativas nas práticas de atenção ao usuário de álcool e outras drogas. Ex.: - apoio a centros de referência de tratamento; - apoio às pesquisas em prevenção na área de álcool e outras drogas.

20 1998 Conselho Nacional Antidrogas (CONAD) órgão normativo e deliberativo da Secretaria Nacional Antidrogas (SENAD): - A drogas passam a ser assunto de Segurança Nacional; - Estrutura Militar Decreto Política Nacional Antidrogas - Narcoguerrilha ; - Ideal de sociedade livre de do uso de drogas ilícitas Lei Tratamento multiprofissional ao dependente; - Sempre que possível acompanhado do tratamento familiar; e, - Indicava a redução de danos. - Não revogou por completo a Lei 6.368/1976.

21 2003 Política de Atenção Integral aos Usuários de Álcool e Outras Drogas (PAIUD) Ministério da Saúde PREVENÇÃO MODELOS DE ATENÇÃO CAPS E REDES ASSISTENCIAIS PROTEÇÃO E PROMOÇÃO À SAÚDE DE USUÁRIOS CONTROLE DE INTORPECEN- TES E SUBST. QUE CAUSEM DEPENDÊNCIA PAIUD DIRETRIZES PARA POLÍTICA DE REDUÇÃO DE DANOS ATENÇÃO INTEGRAL INTERSETO- RIALIDADE

22 2005 Política Nacional sobre Drogas (PNAD) Mudanças no cenário político Programa de Redução de Danos Realinhamento do Discurso ANTI SOBRE

23 2005 Política Nacional sobre Drogas (PNAD) PREVENÇÃO ENSINO E PESQUISA PNAD TRATAMENTO/ REINSERÇÃO SOCIAL REPRESSÃO REDUÇÃO DE DANOS

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25 2005 Política Nacional sobre Drogas (PNAD) - Principais Diretrizes: - atingir o ideal de construção de uma sociedade protegida do uso de drogas; - reconhecer o direito de toda pessoa receber tratamento para drogadição; - reconhecer as diferenças entre o usuário, a pessoa em uso indevido, o dependente e o traficante; - priorizar ações de prevenção; - incentivar ações integradas aos setores de educação, saúde e segurança pública; - promover ações de redução de danos; e, - garantir ações para reduzir a oferta de drogas no país.

26 2005 Câmara Especial de Políticas Públicas sobre o Álcool (CEPPA) - Composta por diferentes segmentos: - órgãos governamentais; - especialistas; - legisladores; - representantes da sociedade civil Decreto Política Nacional sobre o Álcool

27 2007 Decreto Política Nacional sobre o Álcool - Dispõe sobre as medidas para redução do uso indevido do álcool e sua associação com a violência e criminalidade; - Objetivo Geral: - Estabelecer princípios que orientem estratégias para o enfrentamento coletivo do problemas relacionados ao álcool; - Intersetorialidade e integralidade das ações para redução dos danos. - Reflete a preocupação da sociedade em relação ao uso cada vez mais precoce dessa substância, assim como o seu impacto negativo na saúde e na segurança.

28 Diagnóstico sobre o consumo Capacitação de profissionais Associaçã o álcool e trânsito Política Nacional sobre o Álcool Redução de demanda de álcool Tratamento e reinserção social Campanhas de Mobilização/ Sensibilizaçã o

29 2007 Decreto Política Nacional sobre o Álcool - É considerada bebida alcoólica aquela que contiver 0,5 grau Gay- Lussac ou mais de concentração, incluindo preparações farmacêuticas que contenham teor alcoólico igual ou acima de 0,5 grau Gay- Lussac.

30 2006 Lei Percurso Histórico - Revogou as leis: - Lei 6368 (1976) - Lei (11 Jan 2002) - Reponsabilidade Compartilhada entre Sociedade e Estado; - Institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas Sobre Drogas (SISNAD); USUÁRIO/ DEPENDENTE TRAFICANTE JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS VARAS CRIMINAIS COMUNS

31 2006 Lei Mas quem é o usuário? - conforme o artigo 28, aquele que: "adquirir, guardar, tiver em depósito, transportar ou trouxer consigo, para consumo pessoal, drogas sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar". - Adquirir é comprar, passar a ser proprietário; - Guardar é ocultar, esconder, não publicar a posse; - Ter em depósito significa manter sob controle, à disposição; - Transportar traz a ideia de deslocamento; - comportamento de trazer consigo é o mesmo que portar a droga.

32 2006 Lei Mas quem é o traficante? - Art 33: Importar, exportar, remeter, preparar, produzir, fabricar, adquirir, vender, expor à venda, oferecer, ter em depósito, transportar, trazer consigo, guardar, prescrever, ministrar, entregar a consumo ou fornecer drogas, ainda que gratuitamente, sem autorização ou em desacordo com determinação legal ou regulamentar. - Para fazer a diferenciação entre usuário/dependente e traficantes é necessário analisar: Análise SUBJETIVA - Qual droga e que quantidade; - Circunstâncias em que se deu a apreensão; - Circunstâncias sociais e pessoais; - Conduta; e, - Antecedentes criminais.

33 2006 Lei Percurso Histórico - SISNAD Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - encarregado de coordenar as atividades relacionadas com a prevenção do uso indevido e assistência aos usuários, bem como a repressão do tráfico ilícito de drogas; - PRINCÍPIO BÁSICO: Responsabilidade compartilhada entre Estado e Sociedade. DESCENTRALIZAÇÃO DAS ATIVIDADES. - Respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana.

34 2006 Lei Percurso Histórico - SISNAD Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas - Objetivos: I. Contribuir para a inclusão social do cidadão, tornando-o menos vulnerável a assumir comportamentos de risco para o uso indevido de drogas, tráfico e outros comportamentos relacionados; II. promover a construção e a socialização do conhecimento sobre drogas no país; III. promover a integração entre as políticas de prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas; IV. reprimir a produção não autorizada e o tráfico ilícito de drogas; V. promover as políticas públicas setoriais dos órgãos do Poder Executivo da União, Distrito Federal, Estados e Municípios.

35 2008 Lei LEI SECA Percurso Histórico - Proíbe a venda de bebidas alcoólicas nas rodovias federais; - Estabelece sanções administrativas e penas para motorista que dirigir sob a influência de álcool.

36 2008 Lei LEI SECA Percurso Histórico - Motorista que apresentasse concentração de álcool igual ou superior a 6,0 dg/l de sangue o que corresponde à concentração alcoólica de 0,30 mg/l no ar alveolar expirado (verificado no teste de etilometria) ficou sujeito à pena de detenção de seis meses a três anos.

37 2013 Resolução Conselho Nacional de Trânsito Acima de 0,05 mg além da multa, suspensão da carteira de habilitação e do direito de dirigir por um ano. A partir de 0,34 mg responde a processo de crime de trânsito (seis meses a três anos de detenção)

38 2010 Decreto Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas - Desenvolver um conjunto de prevenção, tratamento e reinserção social de usuários de crack e outras drogas, bem como enfrentar o tráfico em parceria com Estados, Distrito Federal, municípios e sociedade civil, buscando a redução da criminalidade associada ao consumo pela população. - Definiu, no âmbito federal, o Programa Crack, é possível vencer.

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40 2010 Decreto Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas CUIDADO - Ações para estruturar redes de atenção de saúde e de assistência social para o atendimento aos usuários de drogas e seus familiares. EIXOS AUTORIDADE - Ações para reduzir a oferta de crack e outras drogas ilícitas, pela repressão ao tráfico, crime organizado e pela garantia de condições de segurança PREVENÇÃO - Ações para fortalecer vínculos familiares e comunitários e reduzir fatores de risco para o uso de drogas

41 2010 Decreto Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas - CUIDADO Ações: - Atenção ao usuário nos locais de concentração de uso de crack; - Atendimento especializado para o usuário; - Opção de atendimento.

42 2010 Decreto Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas

43 2010 Decreto Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas - AUTORIDADE Ações: - Articuladas entre as áreas: saúde, assistência social e segurança; - Espaços urbanos seguros: policiamento ostensivo e articulação para revitalização de espaços públicos e de convivência; - Identificação e prisão de traficantes; - Adequação da legislação.

44 2010 Decreto Plano Integrado de Enfrentamento ao Crack e outras Drogas - PREVENÇÃO Ações: - Prevenção nas escolas; - Capacitações de profissionais; - Disseminação contínua de informações.

45 Articulação das políticas e programas de cuidados e tratamento

46 Articulação das políticas e programas de cuidados e tratamento

47 Articulação das políticas e programas de cuidados e tratamento

48 REFERÊNCIAS ANDRADE, T. M. Reflexões sobre políticas de drogas no Brasil. Ciênc. saúde coletiva [online]. v.16, n.12, pp BRASIL. Legislação e Políticas Públicas sobre Drogas. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. Brasília, PAIM, J.S. Políticas de saúde no Brasil. In: ROUQUAYROL, M.Z.; ALMEIDA-FILHO, N.D. (Eds.). Epidemiologia e Saúde. 6 ed. Rio de Janeiro: Medsi, 2003: BASTOS, F.I.; BERTONI, N. (Org.) Pesquisa Nacional sobre o uso de crack: quem são os usuários de crack e/ou similares do Brasil? quantos são nas capitais brasileiras?. Rio de Janeiro: Editora ICICT/FIOCRUZ, SANTOS, J.A.T.; OLIVEIRA, M.L.F. Políticas públicas sobre álcool e outras drogas: breve resgate histórico. J Nurs Health. Pelotas (RS), v.1, n.2, p SIQUEIRA, M.M. et al. (organização). Curso de Atualização em crack e outras drogas com foco no judiciário, ministério público e segurança pública: caderno 6. UFES/CCS/CEPAD: Vitória, 2014.

49 Contatos: Tel Site: crres.ufes.br

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