LAUDO TÉCNICO 01/2010
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- Gilberto Bugalho Damásio
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1 LAUDO TÉCNICO 01/2010 São Paulo, 19 de Julho de INTRODUÇÃO Esse Laudo está fundamentado na legislação vigente, consubstanciado na NBR 13752/1996 Perícias de engenharia na construção civil e na NBR 6118/2004 Projetos de Estruturas de Concreto Procedimentos, e atende a Lei Federal nº 5194/66 e Resoluções nºs 205, 218 e 345 do CONFEA. 1.1 Interessado O Laudo ora elaborado foi uma solicitação da Verde-Administradora, responsável pela administração do Condomínio Residencial Recanto das Graças IV. 1.2 Descrição do objeto do laudo O objeto desse laudo se trata de um sumidouro enterrado, situado em área comum do condomínio. 1.3 Localização O sumidouro se encontra localizado na cidade de Cotia-SP, no Bairro Jd. Petrópolis, à Rua das Ameixeiras, nº 347, mais precisamente, de acordo com a planta Projeto para disposição final de esgoto, folha nº 10/10, na área denominada VERDE 1, ao lado da portaria do condomínio (vide Figura 1). Figura 1 Croqui da localização do sumidouro vistoriado. 1
2 1.4 Responsáveis pela elaboração do laudo A elaboração do laudo foi um trabalho realizado pela empresa Captiva Engenharia e Construção Ltda-ME, sob responsabilidade do Engenheiro Civil Raphael Tavares, devidamente registrado no CREA-SP, sob o nº de registro , e está registrado sob a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica) nº XXXXXXXXXXX, que segue anexada ao final, conforme estabelece a Lei nº 6496/77. 2 OBJETIVO DO LAUDO O presente laudo tem como objetivo identificar, analisar e apontar possíveis soluções para o problema relacionado ao estado físico do sumidouro ainda em utilização, objeto do laudo. 2.1 Relato da vistoria A vistoria ao sumidouro foi realizada no dia 28 de Maio de 2010, 6ª feira à tarde, pelos engenheiros Raphael Tavares e Carlos Renato Rouxinol, sendo acompanhada pela síndica atual do condomínio, Sra XXXXXXXXXXXXXX Devido à falta de planta e da impossibilidade de entrada completa ao local de análise para medição, não foi possível precisar as dimensões do sumidouro em questão, porém estimamos que tenha dimensões aproximadas de 5 m por 5 m O sumidouro é enterrado no solo, tendo em sua vizinhança um depósito de ferramentas do condomínio e um muro de divisa entre a Rua das Ameixeiras e o condomínio (vide Figura 2). Figura 2 Croqui da localização aproximada do depósito e muro de divisa Em cima da laje do sumidouro existe um jardim gramado, onde em sua área pode circular condôminos e funcionários do condomínio. 2
3 2.1.5 O sumidouro é feito de alvenaria, com revestimento de reboco, laje mista de vigotas pré-moldadas de concreto e armadura de aço treliçada, e elemento de enchimento de EPS (poliestireno expandido). Essas vigotas são armadas em uma direção, sendo apoiadas em suas extremidades. 2.2 Constatação dos Danos Existem locais em que a alvenaria encontra-se danificada, com a camada de reboco destacada e perfurada (vide Foto 1). Foto 1 Alvenaria danificada Existe formação de sulfeto de cálcio (CaSO 4 ) no concreto das vigotas e argamassa de cimento das paredes (vide Fotos 2 e 3) Expansão do concreto, provocando o estufamento e desagregação do concreto das vigotas, e consequentemente perda de material resistente e principalmente de proteção ao elemento solicitado à flexão, que é o aço. 3
4 Foto 2 Formação de sulfeto de cálcio (CaSO 4 ). Foto 3 Formação de sulfeto de cálcio (CaSO 4 ) Corrosão da armadura, causando perda na seção do aço, consequentemente perda da resistência da laje. 4
5 Foto 4 Corrosão da armadura Flecha acentuada da laje (aproximadamente entre 8 e 10 cm), visualmente excedendo os limites normativos. Foto 5 Flecha acentuada da laje posição 1. 5
6 Foto 6 Flecha acentuada da laje posição Causas dos danos Algumas bactérias anaeróbias degradam as proteínas e aminoácidos naturalmente presentes nos esgotos. Estes compostos orgânicos geralmente apresentam radicais de enxofre em sua molécula, que são os formadores de gases como o H 2 S, que fica dissolvido no esgoto. Com a movimentação da água este gás se desprende, iniciando-se então uma série de reações, que podem se dar por via química ou biológica, descritas abaixo, e têm como conseqüência a corrosão do concreto. A formação de ácido por via química obedece à seguinte sequência de reações: H 2 S + O 2 H 2 O + SO (1) H 2 O + SO + O 2 H 2 SO 4 (2) H 2 SO 4 + CaCO 3 CaSO 4 + H 2 CO 3 (3) Da equação (1), com o oxigênio presente no interior do sumidouro, resultando então em enxofre absoluto, que em presença de umidade (natural do sumidouro), oxida-se a ácido sulfúrico (equação (2)), e em ausência pode-se acumular como produto de oxidação, nas paredes ou teto do sumidouro. Durante estas etapas de oxidação o ph baixa drasticamente para aproximadamente 0,5. Na reação (3), a de neutralização, o sulfato de cálcio formado possui volume molecular maior do que o carbonato de cálcio, ou 6
7 seja, é mais expansivo, provocando desta maneira estufamento e desagregação do concreto. A formação de ácido por via biológica, uma segunda forma de produção de ácido sulfúrico dá-se por via biológica, por meio de microrganismos como o Thiobacillus concretivorus. A bactéria é autotrófica, ou seja, possui grande capacidade de crescimento e alta atividade metabólica em ausência de compostos orgânicos. Estes microrganismos necessitam como nutrientes apenas alguma fonte de enxofre, neste caso o H 2 S, e pequenas quantidades de gás carbônico, oxigênio, sais minerais e água, para que produzam o ácido sulfúrico, que por sua vez reage com o carbonato de cálcio, originando o estufamento e desagregação como já analisado anteriormente. Portanto a falta da produção de concreto com resistência química adequada ao caso, com baixa relação água/cimento, compactação rigorosa e cura apropriada, bem como a escolha de um cimento adequado (Portland Pozolânico), visando obter desta forma baixa taxa de absorção e permeabilidade, além da falta de isolamento completo da estrutura do meio corrosivo, com revestimentos resistentes a ácidos, tais como termoplásticas, pinturas e processos de ocratização, são as causas dos itens a O excesso de deformação pode ter sido ocasionado por erro de execução, erro de projeto ou cálculo estrutural, ou mesmo a falta de um projeto. As causas apresentadas no item podem contribuir para a corrosão do aço, e consequentemente a diminuição de sua seção transversal. Explicando assim nesse item, as causas do item SOLUÇÕES Apresentaremos algumas opções de soluções em ordem crescente de custo, conforme as possibilidades expostas a seguir. 3.1 Na possibilidade de ligação do sistema de esgoto com a rede pública existente Caso essa possibilidade exista, recomendamos que a tubulação de esgoto seja desviada para a rede pública, sendo o sumidouro desativado e aterrado por segurança, conforme procedimentos abaixo. - Isolamento da área com a devida demarcação de segurança; - Desvio da tubulação de saída da caixa de esgoto à montante do sumidouro, de modo a efetua ligação direta com a rede pública; - Esgotamento do esgoto existente; - Escoramento da laje com pontalete de eucalipto e sarrafos de madeira, cobrindo uma área de 1 m² cada pontalete; 7
8 - Retirada total da grama e terra sobre a laje; - Abertura criteriosa de janelas na laje do sumidouro, e remoção total da laje; - Colocação de terra em camadas de 20 cm, com a compactação da mesma utilizando sapo mecânico, até atingir a cota do jardim; - Dessa maneira o local está pronto para a execução da jardinagem. 3.2 Na impossibilidade de ligação do sistema de esgoto com a rede pública Caso não seja possível essa ligação, devido à inexistência de rede, recomendamos a remoção da laje e execução de nova laje devidamente preparada para o meio que estará sujeita, conforme procedimentos abaixo: - Repete-se o item anterior todo (3.1) até a remoção da laje; - Remoção do reboco danificado das paredes e tratamento; - Execução de nova laje com concreto adequado (baixa relação água/cimento); - Reboco interno e contrapiso impermeabilizante por cima; - Proteção do concreto interno com pintura em borracha clorada ou epóxi betuminosa, que se constitui numa barreira química para superfícies de concreto expostas em ambientes de média a alta agressividade, desta forma impedindo a ação do ácido sulfúrico sobre as paredes de concreto. Estas pinturas devem ser altamente resistentes à passagem de gases, visando impedir a formação de ácido sulfúrico sob a película aplicada, bem como resistir ao ataque ácido concentrado, diminuindo a destruição gradativa do concreto, ou progressiva ao atingir-se a armadura (a borracha clorada apresenta o inconveniente da baixa resistência a ácidos graxos vegetais ou animais; já as epóxi betuminosas são mais resistentes, podendo ser aplicadas com espessuras maiores e menor número de demãos, bem como possui menor permeabilidade, comparada à borracha clorada, porém o preço da epóxi betuminosa é mais elevado, o que em certos casos pode inviabilizar sua aplicação); - Execução do jardim após tempo de cura especificado pelo projetista. 4 - CONCLUSÃO A laje do sumidouro em questão está condenada devido ao estado de degradação que ela se encontra, além da excessiva deformação. A falta de proteção de sua estrutura contra a agressividade do meio, a falta de manutenção, além da eventual especificação incorreta do concreto, levaram a laje ao seu estado atual. Dessa forma, não sendo possível sua recuperação. 8
9 Contra a deformação excessiva da laje, é inviável a execução de reforço pela falta de espaço para a colocação de viga. Portanto, recomendamos a intervenção o mais rapidamente possível, para que a situação não se agrave ainda mais, ao ponto de por em risco funcionários e condôminos que por ali circulem. Sem mais para o momento, subscrevemo-nos, Responsável Técnico: Engº Raphael Tavares - CREA: Captiva Engenharia Ltda-ME 9
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