ESTUDO DE TRATABILIDADE DA ÁGUA DO RIO CÁVADO
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- Rui Beretta Franco
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1 ESTUDO DE TRATABILIDADE DA ÁGUA DO RIO CÁVADO Carla SÁ FERNANDES (1) ; Chia-Yau CHENG (2) RESUMO A qualidade da água bruta do rio Cávado, na zona da futura captação da Águas do Cávado, S.A., é considerada muito elevada e relativamente constante. Contudo, o processo de tratamento para esta água deve incluir, no mínimo, etapas de floculação, filtração e desinfecção, destinadas à redução de matéria orgânica dissolvida, turvação e microrganismos. Resultados obtidos na estação piloto de tratamento de água que vem sendo explorada pela Águas do Cávado, S.A., sita na margem esquerda do rio Cávado, em Areias de Vilar, Barcelos, com caudal de água tratada de 0,6 m 3 /h, mostram que a água bruta pode ser facilmente tratada utilizando sulfato de alumínio como floculante. Em termos gerais, a redução de matéria orgânica dissolvida após floculação e decantação atinge 50%, enquanto a remoção de turvação e sólidos em suspensão por filtração em leito de areia ou antracite e areia é da ordem de 100%. Nas condições normais, a dosagem óptima de floculante é apenas de 5 mg/l de sulfato de alumínio comercial, sem necessidade de ajuste do ph de floculação. A presença ocasional de elevada concentração de azoto amoniacal na água bruta pode ser corrigida por cloragem de que resulta a formação de cloro residual em cloraminas com concentrações sempre inferiores a 0,7 mg/l, sendo a dosagem de hipoclorito de 3 mg/l. Prevê-se que, mesmo após pré-oxidação por cloragem e desinfecção na ETA e no sistema de condução e armazenamento, não haverá formação significativa de compostos organoclorados na água tratada. Palavras-chave: estação piloto, rio Cávado, floculação, filtração directa, UV 254, azoto amoniacal, pré-oxidação, cloragem, sub-produtos de desinfecção. (1) Engenheira Química (FEUP), Águas do Cávado, S.A., Portugal (2) Consultor, Águas do Cávado, S.A., Professor Auxiliar Convidado, FEUP, Portugal
2 1 - INTRODUÇÃO A empresa Águas do Cávado, S.A. possui uma estação piloto de tratamento de água, em Areias de Vilar, Barcelos, a operar em contínuo desde Março de 1997, captando e tratando água do rio Cávado. Na Figura 1 apresenta-se o fluxograma do processo de tratamento implantado, enquanto as dimensões, os equipamentos e as condições operativas da instalação são apresentados em MAGALHÃES e CHENG (1998). Como objectivos desta estação piloto destacam-se: avaliar a eficiência de purificação do processo de tratamento instalado; confirmar a adequação do processo na resposta a alterações de qualidade da água; estudar processos de tratamento e reagentes químicos alternativos; optimizar a localização no processo das etapas de pré-oxidação e redução de amónia; investigação, experimentação e preparação de operadores. Nesta comunicação são apresentados os resultados obtidos no primeiro estudo de tratabilidade da água do rio que envolveu comparações entre o processo de filtração convencional após decantação e o de filtração directa (sem decantação) e entre os filtros com meio filtrante de monocamada (areia siliciosa) e os de dupla camada (areia siliciosa e antracite). Al 2(SO 4) 3 NaOCl H 2SO 4 ou NaOH Controlo do ph Arejamento (1000 l/h) Mistura rápida (300 l/h) (3000 l/h) R1 Esgoto (2000 l/h) R2 (700 l/h) (150 l/h) (150 l/h) (150 l/h) (150 l/h) R3 Captação Esgoto (400 l/h) Floculação e decantador F1 F2 F3 F4 Legenda: F1 - Filtro 1 F2 - Filtro 2 F3 - Filtro 3 F4 - Filtro 4 Pontos de amostragem: Lamas R4 R5 R6 R7 NaOCl Armazenamento de água tratada R8 Figura 1 - Fluxograma da instalação da ETA piloto
3 2 - PROGRAMA DE TRABALHO De modo a alcançar os objectivos estabelecidos, o trabalho na ETA piloto, relativo ao estudo de tratabilidade da água, foi dividido em 2 partes, nomeadamente, a caracterização da água bruta captada e os ensaios de tratamento em contínuo Caracterização da água bruta Durante o período entre 28/03/97 e 21/09/97, um total de 124 amostras de água bruta foram recolhidas no ponto de amostragem R1 correspondente à entrada da ETA piloto, com a frequência de amostragem de 5 vezes/semana. Na recolha da amostra, foram determinadas a temperatura (TEMP) e a concentração de oxigénio dissolvido (OD) utilizando um medidor de OD (Yellow Spring Instrument, model 52). Os outros parâmetros de análise foram determinados no laboratório, de acordo com os métodos descritos em AWWA, APHA e WEF (1995) e indicados no Decreto- Lei nº 74/90. Uma vez que todas as análises foram realizadas no dia de amostragem, as amostras não foram sujeitas a conservação. O equipamento laboratorial de análise é citado por PEIXOTO e CHENG (1998) Ensaios de tratamento em contínuo Os ensaios de tratamento foram executados em 2 fases, de acordo com as sequências apresentadas nas Figuras 2-1 e 2-2, sendo na 1ª fase excluídas a pré-oxidação e a desinfecção por cloragem com hipoclorito de sódio. No Quadro 1 apresentam-se as condições de operação, em termos de dosagem de produtos químicos, das 2 fases de ensaios citadas. De acordo com os resultados de jar-test apresentados em PEIXOTO e CHENG (1998), todos os ensaios foram realizados com uma dosagem óptima de 5 mg/l de sulfato de alumínio (produto comercial). Quadro 1 Condições de operação dos ensaios de tratamento da ETA piloto Fase Etapa Ensaio ph Hipoclorito 1 Hipoclorito 2 Horas de operação 3 1ª A (21/04-30/04) 1ª B 4.1 6, (25/06-03/07) 1ª B 4.2 5, (04/07-14/07) 1ª B 4.3 5, ((14/07-18/07) 2ª A 5 6,2 2,5-164 (18/07-25/07) 2ª A 5.1 6,2 3,0-103 (28/07-01/08) 2ª A 5.2 6,2 1,0-79 (11/08-14/08) 2ª B 6 6,2 2,5 3,0 175 (25/08-01/09) 2ª B 6.1 6,2 2,5 1,5 179 (03/09-11/09) 1 Dosagem (mg/l) para pré-oxidação; 2 Dosagem (mg/l) para desinfecção final 3 ( ) datas de início e fim de ensaio em 1997 As condições hidráulicas de operação da ETA piloto, em termos de caudal, tempo de retenção, remoção de lamas e lavagem dos filtros são apresentadas em MAGALHÃES e CHENG (1998).
4 A Arejamento Coagulação Decantação Filtração B A: água bruta B: água tratada Filtração B Figura Sequência de tratamento dos ensaios da 1ª fase A Préoxidação Arejamento Coagulação Decantação Filtração A: água bruta Filtração Cloragem B B: água tratada 3 - RESULTADOS Figura Sequência de tratamento dos ensaios da 2ª fase Características da água bruta A água do rio Cávado é uma água de bastante boa qualidade, caracterizada por valores baixos de turvação (TURV), sólidos suspensos totais (SST), condutividade (COND), matéria orgânica dissolvida (em termos de absorção no UV a 254 nm, UV254), alcalinidade (ALC), dureza (DUZ) e nitratos (NO3). É uma água sensivelmente neutra, com valores de ph cerca de 6,7-6,8, e fortemente arejada. Quanto aos teores de azoto amoniacal (NH4) verificados, pode considerar-se que não é uma água problemática, em relação a este parâmetro, podendo, no entanto, esporádica e pontualmente, surgirem valores elevados que devem ser levados em consideração. No Quadro 2 apresentam-se, em resumo, as características gerais da água bruta. Devido à boa qualidade da água bruta e aos objectivos pré-determinados, o laboratório da ETA piloto não está preparado para realização de análises de metais pesados e substâncias perigosas ou tóxicas. Contudo, periodicamente amostras da água bruta são analisadas em laboratórios externos, seguida a exigência do Decreto-Lei nº 74/90.
5 Quadro 2 Características gerais das águas brutas (1997)* Parâmetro Abril Maio Junho Julho Agosto Setembro TEMP (ºC) 17,0 (15,5-19,2) OD (mg O 2 /l) 9,90 (8,8-11,3) ph (escala Sorensen) 6,71 (6,53-6,90) COND (µs/cm) 55 (41-109) TURV (NTU) 3,24 (0,5-7,2) UV254 (1/cm) 0,0300 (0,0113-0,0465) ALC (mg CaCO 3 /l) 7,25 (3,8-8,5) DUZ (mg CaCO 3 /l) 9,60 (7,6-12,1) AL (µg Al/l) < 7 (<6-10) NO3 (mg NO 3 /l) 0,84 (0,69-1,19) SST (mg/l) 3,15 (0,7-8,7) 16,7 (14,9-18,0) 9,36 (7,5-10,1) 6,81 (6,72-6,89) 48 (28-66) 11,98 (5,6-48) 0,0254 (0,0051-0,0650) 5,89 (3,7-7,3) 9,09 (4,6-14,6) < 10 (<6-30) 0,75 (0,51-0,96) 4,46 (2,2-6,4) NH4 (mg NH 4 /l) _ 0,38 (0,22-0,98) 17,7 (16,5-19,2) 9,38 (8,8-10,0) 6,72 (6,44-6,88) 33 (29-43) 7,79 (2,0-19) 0,0231 (0,0028-0,0334) 4,46 (3,1-5,7) 6,14 (4,0-9,3) < 13 (<6-34) 0,57 (0,45-0,80) 8,49 (2,6-40) 0,20 (0,14-0,40) 19,8 (17,7-23,0) 9,10 (8,0-10,2) 6,75 (6,53-6,92) 27 (25-65) 4,45 (1,8-14,5) 0,0314 (0,0235-0,0421) 4,69 (3,6-6,4) 4,76 (3,8-6,5) < 6 (<6 - <6) 20,2 (18,0-21,7) 8,54 (7,9-9,2) 6,75 (6,52-6,99) 25 (22-41) 3,23 (0,5-7,8) 0,0311 (0,0241-0,0452) 4,43 (3,2-5,6) 5,12 (3,2-9,1) < 8 (<6-21) _ 0,37 (0,25-0,47) 5,10 (1,4-13) 0,24 (0,16-0,45) 4,80 (0,6-17) 0,16 (0,08-0,37) 20,4 (19,2-22,8) 8,25 (7,6-9,0) 6,84 (6,67-7,00) 30 (24-44) 2,55 (1,0-3,9) 0,0345 (0,0257-0,0403) 4,88 (2,9-6,7) 5,37 (3,7-10,6) < 6 (<6-8) 0,48 (0,28-0,69) _ 0,30 (0,10-1,34) BORO (mg B/l) _ < 1 (<1 - <1) COR (mg Pt-Co/l) _ 5,5 ( 1,4-14) * Valores entre parentes são os mínimo e máximo Resultados dos ensaios Embora todos os parâmetros indicados no Quadro 2 tenham sido analisados para a água tratada durante os períodos de ensaio, apenas os considerados relevantes à avaliação da eficácia de tratamento são apresentados nos Quadros 3 a 11, em termos de valores médios. Relativamente à qualidade bacteriológica da água tratada nos ensaios 6 e 6.1, nunca foram detectados coliformes ou estreptococos, enquanto os números de germes totais são substancialmente inferiores aos limites legais. Quadro 3
6 Resultados do ensaio nº 4 ph (escala Sorensen) 6,67 6,38 6,53 6,51 6,53 6,51 6,60 COND (µs/cm) TURV (NTU) 4,19 1,08 0,00 0,11 0,00 0,10 0,00 UV254 (1/cm) 0,0287 0,0088 0,0089 0,0079 0,0081 0,0078 0,0131 AL (mg Al/l) < 0,007 < 0,008 0,019 < 0,011 0,014 < 0,013 < 0,020 NH4 (mg NH 4 /l) 0,35 0,35 0,32 0,34 0,32 0,33 0,42 NO3 (mg NO 3 /l) 0,84 0,86 0,70 0,76 0,68 0,77 0,71 Quadro 4 Resultados do ensaio nº 4.1 ph (escala Sorensen) 6,70 6,66 6,84 6,82 6,95 6,96 6,94 COND (µs/cm) TURV (NTU) 3,26 0,82 0,32 0,20 0,00 0,00 0,00 UV254 (1/cm) 0,0269 0,0129 0,0150 0,0148 0,0135 0,0128 0,0123 AL (mg Al/l) < 0,006 <0,008 <0,006 <0,006 <0,006 <0,006 < 0,006 NH4 (mg NH 4 /l) 0,20 0,21 0,19 0,17 0,16 0,17 0,17 NO3 (mg NO 3 /l) 0, ,52 Quadro 5 Resultados do ensaio nº 4.2 ph (escala Sorensen) 6,75 6,13 6,11 6,02 5,95 5,84 6,56 COND (µs/cm) TURV (NTU) 4,14 0,96 0,42 0,29 0,05 0,08 0,00 UV254 (1/cm) 0,0286 0,0106 0,0113 0,0103 0,0100 0,0100 0,0141 AL (mg Al/l) < 0,006 <0,024 <0,006 <0,008 <0,012 <0,007 < 0,009 NH4 (mg NH 4 /l) 0,21 0,23 0,20 0,19 0,17 0,18 0,20 NO3 (mg NO 3 /l) ,37 Quadro 6 Resultados do ensaio nº 4.3
7 ph (escala Sorensen) 6,80 5,39 5,56 5,52 5,18 5,49 6,38 COND (µs/cm) TURV (NTU) 6,08 0,64 0,02 0,00 0,00 0,00 0,00 UV254 (1/cm) 0,0368 0,0162 0,0154 0,0143 0,0165 0,0164 0,0150 AL (mg Al/l) < 0,006 0,151 <0,119 <0,121 0,172 0,135 0,006 NH4 (mg NH 4 /l) 0,25 0,27 0,24 0,25 0,24 0,24 0,16 NO3 (mg NO 3 /l) ,42 Quadro 7 Resultados do ensaio nº 5 ph (escala Sorensen) 6,76 6,54 6,61 6,57 6,61 6,58 6,78 COND (µs/cm) TURV (NTU) 3,65 0,86 0,02 0,02 0,00 0,00 0,00 UV254 (1/cm) 0,0320 0,0180 0,0185 0,0165 0,0130 0,0128 0,0184 AL (mg Al/l) < 0,006 <0,006 <0,008 <0,010 0,012 0,013 < 0,007 NH4 (mg NH 4 /l) 0,25 0,24 0,21 0,21 0,16 0,19 0,20 NO3 (mg NO 3 /l) ,63 CRT (mg Cl 2 /l) - 0,43 0,33 0,33 0,46 0,47 0,35 CRL (mg Cl 2 /l) - 0,05 0,07 0,05 0,10 0,08 0,08 CRT = cloro residual total, CRL = cloro residual livre Quadro 8 Resultados do ensaio nº 5.1 ph (escala Sorensen) 6,69 6,60 6,61 6,59 6,53 6,53 6,67 COND (µs/cm) TURV (NTU) 5,77 2,43 0,32 0,30 0,00 0,00 0,15 UV254 (1/cm) 0,0313 0,0199 0,0186 0,0173 0,0114 0,0115 0,0196 AL (mg Al/l) < 0,008 <0,022 <0,006 <0,007 <0,008 <0,007 < 0,006 NH4 (mg NH 4 /l) 0,25 0,22 0,21 0,19 0,17 0,18 0,17 NO3 (mg NO 3 /l) ,39 CRT (mg Cl 2 /l) - 0,34 0,33 0,53 0,56 0,58 0,28 CRL (mg Cl 2 /l) - 0,08 0,12 0,14 0,16 0,22 0,20 CRT = cloro residual total, CRL = cloro residual livre
8 Quadro 9 Resultados do ensaio nº 5.2 ph (escala Sorensen) 6,77 6,44 6,51 6,48 6,47 6,42 6,80 COND (µs/cm) TURV (NTU) 3,77 0,31 0,00 0,00 0,00 0,51 0,00 UV254 (1/cm) 0,0264 0,0115 0,0122 0,0107 0,0107 0,0126 0,0119 AL (mg Al/l) < 0,006 <0,006 <0,006 <0,006 <0,006 <0,009 < 0,006 NH4 (mg NH 4 /l) 0,12 0,11 0,10 0,09 0,08 0,08 0,07 NO3 (mg NO 3 /l) 0, ,35 CRT (mg Cl 2 /l) - 0,41 0,28 0,34 0,28 0,28 0,38 CRL (mg Cl 2 /l) - 0,22 0,14 0,18 0,14 0,14 0,18 CRT = cloro residual total, CRL = cloro residual livre Quadro 10 Resultados do ensaio nº 6. Parâmetro R1* R3 R4 R5 R6 R7 R8** ph (escala Sorensen) 6,72 6,56 6,46 6,45 6,46 6,46 6,65 COND (µs/cm) TURV (NTU) 3,05 1,58 0,01 0,04 0,05 0,16 0,00 UV254 (1/cm) 0,0333 0,0170 0,0159 0,0154 0,0140 0,0143 0,0127 AL (mg Al/l) < 0,008 <0,014 0,010 <0,009 0,013 0,018 0,014 NH4 (mg NH 4 /l) 0,22 0,17 0,17 0,18 0,16 0,17 0,06 NO3 (mg NO 3 /l) 0, ,15 CRT (mg Cl 2 /l) - 0,74 0,70 0,69 0,88 0,95 1,10 CRL (mg Cl 2 /l) - 0,01 0,01 0,01 0,01 0,03 0,85 ** A água tratada resulta de uma mistura das águas provenientes dos quatro filtros. CRT = cloro residual total, CRL = cloro residual livre Quadro 11 Resultados do ensaio nº 6.1
9 Parâmetro R1* R3 R4 R5 R6 R7 R8** ph (escala Sorensen) 6,79 6,65 6,73 6,64 6,61 6,61 6,64 COND (µs/cm) TURV (NTU) 2,99 1,74 0,46 0,00 0,06 0,18 0,02 UV254 (1/cm) 0,0341 0,0153 0,0143 0,0109 0,0123 0,0121 0,0120 AL (mg Al/l) < 0,007 <0,008 <0,008 <0,008 <0,008 <0,006 < 0,008 NH4 (mg NH 4 /l) 0,38 0,12 0,13 0,10 0,10 0,09 0,06 NO3 (mg NO 3 /l) 0, ,20 CRT (mg Cl 2 /l) - 0,77 0,68 0,69 0,78 0,81 0,78 CRL (mg Cl 2 /l) - 0,05 0,10 0,08 0,14 0,16 0,31 COR (mg Pt-Co/l) 8,7 2, ,9 ** A água tratada resulta de uma mistura das águas provenientes dos quatro filtros. CRT = cloro residual total, CRL = cloro residual livre Estudo de simulação de formação de compostos organoclorados Tendo em consideração a formação de compostos de halometanos devido à cloragem na água bruta e na água filtrada na ETA, foi realizado um estudo utilizando um modelo descrito em JAMES (1991) para cálculo de produção de cloro residual, halometanos totais (THMs), ácidos dicloroacéticos (DCAA) e ácidos tricloroacéticos (TCAA). No Quadro 12 apresentamse os resultados da simulação do modelo, considerando-se um tempo de contacto total de 18 horas, uma temperatura constante de 20 ºC e uma concentração de brometo de 0,05 mg/l. Quadro 12 Resultados de simulação da formação de THMs, DCAA e TCAA Parâmetro Ensaio nº 5 Ensaio nº 5.1 Ensaio nº 5.2 Ensaio nº 6 Ensaio nº 6.1 Dosagem (mg Cl 2 /l) 2,5 3,0 1,0 5,5 4,0 CRL (mg Cl 2 /l) 0,44 0,79 0,02 2,2 0,49 THMs (µg/l) DCAA (µg/l) 2,7 3,0 1,3 3,1 2,8 TCAA (µg/l) 1,0 1,2 0,3 1,1 1,0 4 - DISCUSSÃO E CONCLUSÃO De acordo com as características da água bruta do rio Cávado, captada em Areias de Vilar, Barcelos, as concentrações das impurezas dissolvidas são relativamente constantes, apesar das flutuações consideráveis dos parâmetros físicos tais como turvação, cor e sólidos em suspensão. Verificou-se que, durante o período de ensaio de cerca de 185 dias, a qualidade da água bruta indesejável encontrada era pontual e nunca persistiu mais de 1 dia. Na série de ensaios nº 4, pode constatar-se que o ensaio 4.3, realizado a ph = 5, deu valores de alumínio dissolvido nas águas tratadas bastante próximos do VMA (valor máximo admissível) de 0,2 mg/l estabelecido por lei, enquanto os outros ensaios forneceram valores muito reduzidos de alumínio residual. Assim, considerou-se que o intervalo de ph de floculação óptimo, no caso do sulfato de alumínio se situa entre, 5,5 e 7,0, o qual é atingível mesmo sem ajuste adicional de ph.
10 No Quadro 13 apresenta-se a eficácia do tratamento em termos de percentagem de remoção dos parâmetros indicativos, sendo os outros parâmetros, excepto ph, sem alterações significativas. Quadro 13 Eficácia de tratamento (em % remoção) Ensaio TURV UV254 NH < < < 4 5* * * ** ** * com pré-oxidação por cloragem; ** com pré-oxidação e desinfecção final Os resultados obtidos dos filtros nº 3 e 4 indicam que a água bruta pode ser tratada por processo de filtração directa, pois contém baixa turvação e a dosagem de floculante é reduzida. Contudo, a exigência operativa dos filtros favorece a utilização de decantação que prolonga consideravelmente o intervalo de lavagem por um factor de, pelo menos, 3. De todas as séries de ensaios realizadas, pode concluir-se que, para turvações inferiores a 10 NTU, as condições óptimas de operação, em termos de adição de produtos químicos, são as seguintes: 5 mg/l de sulfato de alumínio, como floculante; ph de floculação compreendido entre 5,5 e 7,0; 2,5 mg/l de hipoclorito de sódio, como pré-oxidante; 1,5 mg/l de hipoclorito de sódio, na desinfecção final. De salientar que o ensaio 6.1, efectuado em Setembro, quando a qualidade da água do rio era pior, sob as condições de operação consideradas óptimas, apresenta resultados excelentes para todos os parâmetros analisados, obedecendo aos requisitos do Decreto-Lei nº 74/90 todos os parâmetros que estão atribuídos no mesmo. Relativamente à produção de sub-produtos de cloragem na pré-oxidação, resultados de simulação mostram que as concentrações de THMs, após 78 horas de contacto, à temperatura de 20 ºC, serão da ordem de µg/l, sendo a dosagem total de cloro de 8 mg/l e a concentração de cloro residual livre de 2,3 mg/l. Uma vez que no processo de tratamento e no subsequente armazenamento de água tratada será necessária uma dosagem máxima de cloro inferior a 6 mg/l, a possível concentração de THMs será inferior a 65 µg/l e a de cloro residual livre de 0,9 mg/l.
11 AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à empresa Águas do Cávado, S.A. a disponibilização dos dados de análises de água, as sugestões do Professor Engº Tentúgal Valente, Presidente do Conselho de Administração, e a colaboração dos técnicos laboratoriais. BIBLIOGRAFIA AWWA, APHA e WEF - Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. 19ª ed., EUA, CHENG, C-Y; MAGALHÃES, A. - Exploração da Estação Piloto de Tratamento de Água da Águas do Cávado, S.A., em Areias de Vilar, Barcelos, in 4º Congresso da Água, Lisboa (Portugal), Março, CHENG, C-Y; PEIXOTO, F. - Remoção de Matéria Orgânica da Água do Rio Cávado, in 4º Congresso da Água, Lisboa (Portugal), Março, JAMES, M. Final Report: Disinfection/Disinfection By-products Database and Model Project. AWWA, Denver, USA, 1991.
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