Aula nº. 258 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO

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1 Página1 Curso/Disciplina: Direito Processual Civil (NCPC) Aula: Agravo Interno 258 Professor(a): Edward Carlyle Monitor(a): Sarah Padilha Gonçalves Aula nº. 258 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 1. Cabimento São cabíveis embargos de declaração nas hipóteses listadas no art do Código de Processo Civil: Art Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: I - esclarecer obscuridade ou eliminar conntradição; II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III - corrigir erro material. Examinemos cada uma das hipóteses de cabimento dos embargos: 1.1. Erro Material O pronunciamento judicial pode conter inexatidões materiais ou erros de cálculo. Tais inexatidões ou erros são denominados de erro material. Quando isso ocorre, o juiz pode, de ofício ou a requerimento da parte, alterar sua decisão para corrigir essas inexatidões (art. 494, CPC). A alteração da decisão para corrigir erros de cálculo ou inexatidões materiais não implica a possibilidade de o juiz proferir nova decisão ou proceder a um rejulgamento da causa. O que se permite é que o juiz possa corrigir evidentes e inequívocos enganos involuntários ou inconscientes, retratados em discrepâncias entre o que se quis afirmar e o que restou consignado no texto da decisão. Enfim, há erro material, quando o que está escrito na decisão não corresponde à intenção do juiz, desde que isso seja perceptível por qualquer homem média. Ex¹.: o juiz afirma que a ação é de reintegração de posse, quando, na realidade, a ação é de alimentos. Ex².: Erros de cálculo ou erros aritméticos - Juiz condena o réu a pagar R$ ,00 (dez mil reais) a titulo de danos materiais e R$ ,00 (trinta mil reais) à guisa de danos morais, estabelecendo uma condenação total de R$ ,00 (cinquenta mil reais). Nesse caso, há evidente erro de cálculo, pois a soma deve importar um total de R$ ,00 (quarenta mil reais), e não R$ ,00 (cinquenta mil reais).

2 Página2 Em hipóteses assim, permite-se ao juiz corrigir, de oficio ou a requerimento, o erro material ou o erro de cálculo. Tais erros - como, aliás, já se consolidou na jurisprudência - não são atingidos pela coisa julgada, podendo ser revistos a qualquer momento. De igual modo, o juiz pode corrigir um erro material identificado em sua decisão por meio de embargos de declaração (art , III, CPC). Não opostos embargos de declaração, o erro material pode, como visto, ser corrigido a qualquer momento Obscuridade A decisão é obscura quando for ininteligível, quer porque mal-redigida, quer porque escrita à mão com letra ilegível', quer porque escrita com passagens em língua estrangeira ou dialeto incompreensível. Um dos requisitos da decisão judicial é a clareza; quando esse requisito não é atendido, cabem embargos de declaração para buscar esse esclarecimento. A obscuridade é a qualidade do texto de difícil ou impossível compreensão. É obscuro o texto dúbio, que careça de elementos que o organize e lhe confira harmonia interpretativa. O obscuro é o antônimo de claro. A decisão obscura é aquela que não ostenta clareza. A decisão que não é clara desatende à exigência constitucional da fundamentação. Quando o juiz ou tribunal não é preciso, não é claro, não fundamenta adequadamente, está a proferir decisão obscura, que merece ser esclarecida. Decisão obscura é, ainda, violação a dever de cooperação, a que está obrigado o órgão julgador por força do art. 6 do CPC. Não atende ao dever de esclarecimento, o órgão jurisdicional que profere decisão obscura Contradição Assim como a petição inicial, a decisão judicial deve ter coerência. Se da narração dos fatos não decorrer logicamente a conclusão, será inepta a petição inicial (art. 330, 10, III, CPC). Da mesma forma, não é devidamente fundamentada a decisão que contenha contradição. Isso porque toda e qualquer decisão deve conter coerência interna, sendo congruente. Se a conclusão não decorre logicamente da fundamentação, a DECISÃO É CONTRADITÓRIA, devendo ser eliminada a contradição. E o mecanismo oferecido para provocar essa correção é o recurso de embargos de declaração (art , 1, CPC). Os embargos de declaração não são cabíveis para corrigir uma contradição entre a decisão e alguma prova, argumento ou elemento contido em outras peças constantes dos autos do processo. Não cabem, em outras palavras, embargos de declaração para eliminação de CONTRADIÇÃO EXTERNA. A contradição que rende ensejo a embargos de declaração é a interna, aquela havida entre trechos da decisão embargada Omissão Considera-se OMISSA a decisão que não se manifestar: a) sobre um pedido de tutela jurisdicional;

3 Página3 b) sobre fundamentos e argumentos relevantes lançados pelas partes (art. 489, 1, IV); c) sobre questões apreciáveis de oficio pelo magistrado, tenham ou não tenham sido suscitadas pela parte. A decisão deve apreciar as questões, ou seja, os pontos controvertidos. A petição inicial apresenta pontos de fato e pontos de direito. Quando o réu impugna, cada ponto torna-se uma questão. Há, portanto, pontos controvertidos de fato e pontos controvertidos de direito. São, em outras palavras, questões de fato e questões de direito. Ao juiz cabe examinar tais questões. Ao órgão julgador não se franqueia escolher o que deve ou não apreciar em sua decisão. Cabe-lhe examinar os pontos controvertidos de fato e os de direito. Se não o fizer, haverá omissão, sanável por embargos de declaração. Se, entretanto, o juiz resolve acolher uma questão preliminar, não deve avançar para examinar as que ficaram prejudicadas. A falta de análise dessas questões, nesse caso, NÃO CARACTERIZA OMISSÃO, pois não deviam tais questões mais ser examinadas, já que foi acolhida uma questão preliminar Presunção de omissão: Art. 489, 1º, CPC O inciso II do parágrafo único do art do CPC considera omissa a decisão que incorra em qualquer das condutas descritas no 1 do art. 489 do CPC. Os embargos de declaração, nessa hipótese, funcionam como técnica de correção da fundamentação da decisão. Art Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para: II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; Art São elementos essenciais da sentença: 1º Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I - se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II - empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III - invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV - não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V - se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; VI - deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento. Ademais, a decisão é considerada omissa, não apenas quando descumpre o disposto no 1º do art. 489, mas também quando não atende ao comando de seu 2. Art São elementos essenciais da sentença:

4 Página4 2º No caso de colisão entre normas, o juiz deve justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as razões que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas que fundamentam a conclusão. Se o órgão jurisdicional, ao proferir sua decisão, deparar-se com um CONFLITO DE NORMAS, deverá solucionálo nos seus fundamentos, demonstrando a razão pela qual há de prevalecer uma norma em detrimento de outra. Se não o fizer, haverá omissão, a ser sanada por embargos de declaração 1.5. Decisão ultra e extra petita Os embargos de declaração constituem recurso de fundamentação vinculada, somente sendo cabíveis se o embargante alegar a existência de uma omissão, obscuridade, contradição e/ou erro material. A prolação de decisão ultra ou extra petita equipara-se à decisão que incorre em erro material. Dai serem cabíveis embargos de declaração. O Superior Tribunal de Justiça entende cabíveis embargos de declaração para corrigir decisão extra ou ultra petita Ausência de requisitos extrínsecos de admissibilidade do recurso art. 897-A, CLT Para que se admita qualquer recurso, é preciso, como se sabe, que haja o preenchimento dos requisitos de admissibilidade, extrínsecos ou intrínsecos. Como já explicado no Capitulo de Teoria dos Recursos, os requisitos intrínsecos dizem respeito à própria existência do direito de recorrer e consistem no cabimento, na legitimação, no interesse e na inexistência de fato impeditivo ou extintivo do poder de recorrer. Por sua vez, os requisitos extrínsecos concernem ao modo de exercício do direito de recorrer e são o preparo, a tempestividade e a regularidade formal. A ausência de algum desses requisitos acarreta a inadmissibilidade do recurso, que, por isso mesmo, não deve ser conhecido. É possível, porém, que o órgão jurisdicional inadmita o recurso por entender, equivocadamente, não estar presente algum requisito de admissibilidade. O erro dessa decisão deve ser combatido por outro recurso. Não é raro, porém, que haja erro material no exame de requisitos extrínsecos. Quando isso ocorrer, é cabível a oposição de embargos de declaração para corrigir o erro material e, consequentemente, modificar a decisão, passando-se a admitir o recurso que fora inadmitido. Nesse sentido, o art. 897-A da CLT permite, expressamente, o cabimento dos embargos de declaração: "Art. 897-A. Caberão embargos de declaração da sentença ou acórdão, no prazo de cinco dias, devendo seu julgamento ocorrer na primeira audiência ou sessão subsequente a sua apresentação, registrado na certidão, admitido efeito modificativo da decisão nos casos de manifesto equívoco no exame dos pressupostos extrínsecos do recurso". Tal dispositivo deve ser aplicado por analogia ao processo civil, pois reforça o disposto no inciso III do art do CPC, que prevê o cabimento dos embargos de declaração para correção de erro material.

5 Página5 Se o órgão jurisdicional inadmite o recurso, por considerar, em manifesto equivoco, que haveria intempestividade, deserção ou ausência de regularidade formal, cabem embargos de declaração para, observado o contraditório, corrigir o erro material e alterar a decisão, passando-se a admitir o recurso que fora inadmitido Embargos de Declaração nos Juizados Especiais (Lei /95) O art. 48 da Lei no 9.099/1995 dispunha que caberiam embargos de declaração quando, na sentença ou acórdão, houvesse obscuridade, contradição, omissão ou dúvida. Originariamente, o CPC/1973 previa o cabimento dos embargos de declaração quando houvesse "dúvida" na decisão. Com o advento da Lei n 8.950/1994, tal hipótese foi suprimida, mantendo-se a previsão para os embargos em casos de omissão, obscuridade ou contradição. Isso porque decisão não tem dúvida; decisão gera dúvida. A atecnia foi corrigida, embora, no âmbito dos Juizados Especiais, tenha permanecido a referência ao cabimento de embargos de declaração na hipótese de dúvida. Essa desarmonia legislativa deve-se ao fato (que não justifica, mas explica) de que o projeto, que se tornaria a Lei dos Juizados Especiais (Lei no 9.099/1995), tramitava no Congresso Nacional desde antes da mudança do CPC/1973 em dezembro de e repetia o texto da Lei no 7.244/1984, que cuidava dos antigos Juizados de Pequenas Causas. Assim, tomavase em consideração o CPC/1973 pré-reforma, que admitia o cabimento dos embargos de declaração quando houvesse dúvida. O CPC-2015 elimina essa desarmonia legislativa'. Seu art altera o art. 48 da Lei no 9.099/1995, ao dispor: Art. 48. Caberão embargos de declaração contra sentença ou acórdão, nos casos previstos no Código de Processo Civil. Significa que os embargos de declaração, nos Juizados Especiais, passam a ser regidos pelo disposto no art do CPC, de modo que são cabíveis para esclarecer obscuridade ou eliminar contradição, para suprir omissão de ponto ou questão sobre o qual devia se pronunciar o órgão jurisdicional de ofício ou a requerimento, bem como para corrigir erro material. Seu parágrafo único explicita hipóteses que devem ser consideradas como de decisão omissa. Tudo isso passa a ser aplicável aos Juizados Especiais, cujas decisões devem ser devidamente fundamentadas, sendo nulas se configurada uma das hipóteses previstas no 1º do art. 489 do novo CPC.

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