Implementação de subprogramas
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1 Implementação de subprogramas Marco A L Barbosa malbarbo.pro.br Departamento de Informática Universidade Estadual de Maringá cba Este trabalho está licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.
2 Conteúdo A semântica geral das chamadas e retornos Implementação de subprogramas simples Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha Subprogramas aninhados Blocos Implementação escopo dinâmico
3 A semântica geral das chamadas e retornos 3/54
4 A semântica geral das chamadas e retornos As operações de chamada e retorno de subprogramas são denominadas conjuntamente de ligação de subprograma A implementação de subprogramas deve ser baseada na semântica da ligação de subprogramas 4/54
5 A semântica geral das chamadas e retornos Ações associadas com as chamadas de subprogramas Passagem de parâmetros Alocação e vinculação das variáveis locais dinâmicas na pilha Salvar o estado de execução do subprograma chamador Transferência do controle para o subprograma chamado Mecanismos de acesso a variáveis não locais (no caso de subprogramas aninhados) 5/54
6 A semântica geral das chamadas e retornos Ações associadas com os retornos de subprogramas Retorno dos parâmetros out e inout Desalocação das variáveis locais Restauração do estado da execução Retorno do controle ao subprograma chamador 6/54
7 Implementação de subprogramas simples 7/54
8 Implementação de subprogramas simples Subprogramas simples Subprogramas não podem ser aninhados Todas as variáveis locais são estáticas 8/54
9 Implementação de subprogramas simples Semântica da chamada requer as ações 1. Salvar o estado da unidade de programa corrente 2. Computar e passar os parâmetros 3. Passar o endereço de retorno ao subprograma chamado 4. Transferir o controle ao subprograma chamado 9/54
10 Implementação de subprogramas simples Semântica do retorno requer as ações 1. Copiar os valores dos parâmetros formais inout (passagem por cópia) e out para os parâmetros reais 2. Copiar o valor de retorno (no caso de função) 3. Restaurar o estado de execução do chamador 4. Transferir o controle de volta ao chamador 10/54
11 Implementação de subprogramas simples Como estas ações são distribuídas entre o subprograma chamador e o subprograma chamado? 11/54
12 Implementação de subprogramas simples Memória requerida para a chamada e retorno Estado do chamador Parâmetros Endereço de retorno Valor de retorno para funções Valores temporários utilizados no código do subprograma 12/54
13 Implementação de subprogramas simples As ações do subprograma chamado podem ocorrer No início da execução (prólogo) No final da execução (epílogo) 13/54
14 Implementação de subprogramas simples Um subprograma simples consiste de duas partes de tamanhos fixos Código do subprograma As variáveis locais e os dados (não código, listados anteriormente) 14/54
15 Implementação de subprogramas simples O formato (layout) da parte não código do subprograma é chamado de registro de ativação Uma instância do registro de ativação é um exemplo concreto do registro de ativação Como as linguagens com subprogramas simples não suportam recursão só pode haver uma instância do registro de ativação de cada subprograma Como o registro de ativação tem tamanho fixo, pode ser alocado estaticamente 15/54
16 Implementação de subprogramas simples Variáveis locais Parâmetros Endereço de retorno Figura 10.1 Um registro de ativação para subprogramas simples. 16/54
17 Implementação de subprogramas simples Dados MAIN A B C Variáveis locais Variáveis locais Parâmetros Endereço de retorno Variáveis locais Parâmetros Endereço de retorno Variáveis locais Parâmetros Endereço de retorno MAIN Código A B Figura 10.2 Um registro de ativação para subprogramas simples. C 17/54
18 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha 18/54
19 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha Registros de ativação mais complexos O compilador precisa gerar código para alocação e desalocação das variáveis locais Suporte a recursão (mais de uma instância de registro de ativação para um subprograma) 19/54
20 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha O formato de registro de ativação é conhecido em tempo de compilação (na maioria das linguagens) O tamanho do registro de ativação pode variar (se existirem arranjos dinâmicos na pilha, por exemplo) Os registros de ativação precisam ser criados dinamicamente 20/54
21 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha Variáveis locais Parâmetros Topo da Pilha Endereço de retorno Figura 10.3 Um registro de ativação típico para uma linguagem com variáveis locais dinâmicas da pilha. 21/54
22 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha O endereço de retorno geralmente consiste em um ponteiro para a instrução que segue a chamada do subprograma O vínculo dinâmico aponta para a base da instância do registro de ativação do chamador Os parâmetros são valores ou endereços dados pelo chamador As variáveis locais são alocadas (e possivelmente inicializadas) no subprograma chamado 22/54
23 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha void sub(float total, int part){ int list[5]; float sum;... } Parâmetro Parâmetro Endereço de retorno sum list [4] list [3] list [2] list [1] list [0] part total Figura 10.4 O registro de ativação para a função sub. 23/54
24 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha Ativar um subprograma requer a criação dinâmica de um registro de ativação O registro de ativação é criado na pilha de execução (run-time stack) O ponteiro de ambiente (EP - Enviromnet Pointer) aponta para a base do registro de ativação da unidade de programa que está executando 24/54
25 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha O EP é mantido pelo sistema O EP é salvo como vínculo dinâmico do novo registro de ativação quando um subprograma é chamado O EP é alterado para apontar para a base do novo registro de ativação No retorno, o topo da pilha é alterado para EP - 1, e o EP é alterado para o vínculo dinâmico do registro de ativação do subprograma que está terminado O EP é usado como base do endereçamento por deslocamento dos dados na instância do registro de ativação 25/54
26 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha Ações do subprograma chamador 1. Criar um registro de ativação 2. Salvar o estado da unidade de programa corrente 3. Computar e passar os parâmetros 4. Passar o endereço de retorno ao subprograma chamado 5. Transferir o controle ao subprograma chamado 26/54
27 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha Ações no prólogo do subprograma chamado 1. Salvar o antigo EP com vínculo dinâmico, e atualizar o seu valor 2. Alocar as variáveis locais 27/54
28 Implementação de subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha Ações no epílogo do subprograma chamado 1. Copiar os valores dos parâmetros formais inout (passagem por cópia) e out para os parâmetros reais 2. Copiar o valor de retorno (no caso de função) 3. Atualizar o topo da pilha e restaurar o EP para o valor do antigo vinculo dinâmico 4. Restaurar o estado de execução do chamador 5. Transferir o controle de volta ao chamador 28/54
29 Exemplo sem recursão void fun1(float r) { int s, t;... // <- 1 fun2(s); } void fun2(int x) { int y;... // <- 2 fun3(y); } void fun3(int q) {... // <- 3 } void main() { float p;... fun1(p); } IRA para fun1 IRA para main Parâmetro Retorno (para main) Topo t s r p IRA para fun2 IRA para fun1 IRA para main Parâmetro Retorno (para fun1) Parâmetro Retorno (para main) no Ponto 1 no Ponto 2 no Ponto 3 y x t s r p Topo IRA = instância de registro de ativação Figure 10.5 Conteúdo da pilha para três pontos em um programa. IRA para fun3 IRA para fun2 IRA para fun1 IRA para main Parâmetro Retorno (para fun2) Parâmetro Retorno (para fun1) Parâmetro Retorno (para main) q y x t s r p Topo 29/54
30 Implementação subprogramas com variáveis locais dinâmicas na pilha A coleção de vínculos dinâmicos na pilha em um determinado momento é chamado de cadeia dinâmica ou cadeia de chamadas Referência as variáveis locais podem ser representadas por deslocamentos a partir do início do registro de ativação, cujo endereço é armazenado em EP Este é o deslocamento local (local_offset) O deslocamento local pode ser determinado em tempo de compilação 30/54
31 Exemplo com recursão int fat(int n) { // <- 1 if (n <= 1) { return 1; } else { return n * fat(n - 1); } // <- 2 } void main() { int value; value = fat(3); // <- 3 } Valor funcional Parâmetro n Endereço de retorno Figura 10.6 O registro de ativação para factorial. 31/54
32 Exemplo com recursão int fat(int n) { // <- 1 if (n <= 1) { return 1; } else { return n * fat(n - 1); } // <- 2 } void main() { int value; value = fat(3); // <- 3 } Primeiro IRA para factorial IRA para main Segundo IRA para factorial Primeiro IRA para factorial IRA para main Valor funcional Parâmetro Retorno (para main) Primeira chamada Valor funcional Parâmetro Retorno (para factorial) Valor funcional Parâmetro Retorno (para main) Segunda chamada? 3 n Topo? valor? 2? 3? n n Topo valor Terceiro IRA para factorial Segundo IRA para factorial Primeiro IRA para factorial IRA para main Valor funcional Parâmetro Topo? 1 n Retorno (para factorial) Valor funcional Parâmetro? 2 n Retorno (para factorial) Valor funcional Parâmetro? 3 n Retorno (para main)? valor Terceira chamada IRA = instância de registro de avaliação Figura 10.7 Conteúdo da pilha na posição 1 de factorial. 32/54
33 Exemplo com recursão int fat(int n) { // <- 1 if (n <= 1) { return 1; } else { return n * fat(n - 1); } // <- 2 } void main() { int value; value = fat(3); // <- 3 } Terceiro IRA para factorial Segundo IRA para factorial Primeiro IRA para factorial IRA para main Primeiro IRA para factorial IRA para main Valor funcional Parâmetro Valor funcional Parâmetro Retorno (para factorial) Valor funcional Parâmetro Retorno (para main) 1 n Retorno (para factorial)? 2 n? 3 n Na posição 2 em factorial terceira chamada completada Valor funcional Parâmetro Retorno (para main) Na posição 2 em factorial primeira chamada completada 6 3 1? n Topo valor Topo? valor Segundo IRA para factorial Primeiro IRA para factorial IRA para main IRA para main Valor funcional Parâmetro Retorno (para factorial) Valor funcional Parâmetro Retorno (para main) Na posição 2 em factorial segunda chamada completada Na posição 3 em main resultados finais 2 2? 3? 6 n n Topo valor Topo valor IRA = instância de registro de avaliação Figura 10.8 Conteúdo da pilha durante a execução de main e factorial. 33/54
34 Subprogramas aninhados 34/54
35 Subprogramas aninhados Algumas linguagens com escopo estático permitem subprogramas aninhados (Fortran 95, Ada, Python, Javascript, Ruby, Lua) Todas as variáveis não locais que podem ser acessadas estão em algum registro de ativação na pilha 35/54
36 Subprogramas aninhados Processo para encontrar um referência não local Encontrar o registro de ativação correto Determinar o deslocamento dentro do registro de ativação A forma mais comum de implementação é o encadeamento estático 36/54
37 Subprogramas aninhados Um vínculo estático aponta para a base de uma instância do registro de ativação de uma ativação do pai estático Uma cadeia estática é uma cadeia de vínculos estáticos que conecta certas instâncias de registros de ativação A cadeia estática conecta todos os ancestrais estáticos de um subprograma em execução A cadeia estática é usado para implementar acesso as variáveis não locais 37/54
38 Subprogramas aninhados Encontrar a instância do registro de ativação correta é direto, basta seguir os vínculos. Mas pode ser ainda mais simples static_depth é um inteiro associado com o escopo estático cujo valor é a profundidade de aninhamento deste escopo O chain_offset ou nesting_depth de uma referência não local é a diferença entre o static_depth do subprograma que faz a referência e do subprograma onde a variável referenciada foi declarada Uma referência a uma variável pode ser representada por um par (chain_offset, local_offset), sendo local_offset o deslocamento no registro de ativação da variável referenciada 38/54
39 Exemplo procedure Main is X : Integer; procedure Bigsub is A, B, C : Integer; procedure Sub1 is A, D : Integer; begin -- of Sub1 A := B + C; -- < end; -- of Sub1 procedure Sub2(X : Integer) is B, E : Integer; procedure Sub3 is C, E : Integer; begin -- of Sub3 Sub1; E := B + A; -- < end; -- of Sub3 begin -- of Sub2 Sub3; A := D + E; -- < end; -- of Sub2 begin -- of Bigsub Sub2(7); end; -- of Bigsub begin Bigsub; end; -- of Main Qual é o valor (chain_offset, local_offset) da referência a variável A nos pontos 1, 2 e 3? Ponto 1 Variável local (0, 3) Ponto 2 Variável não local (bigsub) (2, 3) Ponto 3 Variável não local (bigsub) (1, 3) 39/54
40 IRA para Sub1 IRA para Sub3 IRA para Sub2 IRA para Bigsub IRA para Main_2 D Top A Ligação estática Retorno (para Sub3) E C Ligação estática Retorno (para Sub2) E B Parâmetro X Ligação estática Retorno (para Bigsub) C B A Ligação estática Retorno (para Main_2) X IRA = instância de registro de ativação Figura 10.9 Conteúdo da pilha na posição 1 do programa. 40/54
41 Subprogramas aninhados Como a cadeia estática é mantida? A cadeia estática precisa ser modificada a cada chamada ou retorno de subprograma O retorno é trivial A chamada é mais complexa 41/54
42 Subprogramas aninhados Embora o escopo do pai seja facilmente determinado em tempo de compilação, a mais recente instância do registro de ativação do pai precisa ser encontrada a cada chamada Este processo pode ser feito com dois métodos Buscar pela cadeia dinâmica Tratar as declarações e referências de subprogramas como as de variáveis 42/54
43 Subprogramas aninhados Críticas ao método de encadeamento estático Acesso a uma referência não local pode ser lento se a profundidade do aninhamento for grande Em sistemas de tempo crítico, é difícil determinar o custo de acesso a variáveis não locais 43/54
44 Blocos 44/54
45 Blocos Algumas linguagens (incluindo C), permitem a criação de escopos definidos pelos usuários, chamados blocos { } int temp; temp = list[upper]; list[upper] = list[lower]; list[lower] = temp; 45/54
46 Blocos Blocos podem ser implementados de duas maneiras Usando encadeamento estáticos (blocos são tratados como subprogramas sem parâmetros) Como o valor máximo de memória requerido pelas variáveis de bloco podem ser determinados em tempo de compilação, esta memória poder ser alocada na pilha e as variáveis de bloco são tratadas como variáveis locais 46/54
47 Blocos void main() { int x, y, z; while (...) { int a, b, c;... while (...){ int d, e;... } } while (...) { int f, g;... }... } Variáveis de bloco Variáveis locais e d c b e g a e f z y x Instância de registro de ativação para main Figura Armazenamento de variáveis de blocos quando os blocos não são tratados como procedimentos sem parâmetros. 47/54
48 Implementação escopo dinâmico 48/54
49 Implementação escopo dinâmico Existem duas maneiras para implementar acesso a variáveis não locais em linguagens com escopo dinâmico Acesso profundo Acesso raso 49/54
50 Implementação escopo dinâmico Acesso profundo As referências não locais são encontradas seguindo os registros de ativação na cadeia dinâmica O tamanho da cadeia não pode ser estaticamente determinada Os nomes das variáveis devem ser armazenadas nos registros de ativação 50/54
51 Implementação escopo dinâmico void sub3() { int x, z; x = u + v;... } void sub2() { int w, x;... } void sub1() { int v, w;... } void main() { int v, u;... } IRA para sub3 IRA para sub2 IRA para sub1 IRA para sub1 IRA para main Retorno (para sub2) Retorno (para sub1) Retorno (para sub1) Retorno (para main) IRA = instância de registro de ativação Figura Conteúdo da pilha para um programa de escopo dinâmico. z x x w w v w v u v 51/54
52 Implementação escopo dinâmico Acesso raso As variáveis locais ficam em um lugar central (não ficam no registro de ativação) Uma pilha para cada nome de variável 52/54
53 Implementação escopo dinâmico void sub3() { int x, z; x = u + v;... } void sub2() { int w, x;... } void sub1() { int v, w;... } void main() { int v, u;... } Chamadas: main, sub1, sub1, sub2, sub3. sub1 sub2 sub1 sub3 sub1 main main sub2 sub3 sub1 u v x z w (Os nomes nas células da pilha indicam as unidades de programa da declaração da variável.) Figura Um método de uso do acesso raso para implementar escopo dinâmico. 53/54
54 Referências Robert Sebesta, Concepts of programming languages, 9ª edição. Capítulo /54
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