AULA 5: Criptografia e Esteganografia
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- Ricardo Borja Peixoto
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1 AULA 5: Criptografia e Esteganografia Criptografia A forma mais utilizada para prover a segurança em pontos vulneráveis de uma rede de computadores é a utilização da criptografia. A criptografia é utilizada para barrar as ameaças e os ataques. A palavra tem origem grega (kriptos = escondido, oculto e grifo = grafia) e define a arte ou ciência de escrever em cifras ou em códigos (Figura 1), utilizando um conjunto de técnicas que torna a mensagem incompreensível e chamada comumente de texto cifrado, através de um processo chamado cifragem, permitindo que apenas o destinatário desejado consiga decodificar e ler a mensagem com clareza. As mensagens legíveis são chamadas de texto plano ou texto limpo e as ilegíveis, são chamadas de texto cifrado. A criptografia fornece técnicas para codificar e decodificar dados, tais que os mesmos possam ser armazenados, transmitidos e recuperados sem sua alteração ou exposição. Em outras palavras, as técnicas de criptografia podem ser usadas como um meio efetivo de proteção de informações suscetíveis a ataques, estejam elas armazenadas em um computador ou sendo transmitidas pela rede. A RFC 2828 (Request for Coments nº 2828) define o termo criptografia como a ciência matemática que lida com a transformação de dados para mudar seu significado em algo ininteligível para o inimigo, isto é, esconder seu conteúdo semântico prevenindo sua alteração ou o seu uso sem autorização. A criptografia é o meio primário para oferecer confidencialidade às informações transmitidas entre as redes locais de computadores ou através da Internet. Pode ser usada para qualquer tipo de dado transmitido, desde um até um arquivo com dados confidenciais. Também pode ser usada para proteger dados armazenados onde a segurança física é de difícil implementação ou impossível. Pode-se citar o exemplo dos laptops, que, ao serem deixados em um quarto de hotel, poderiam ter as tuas informações lidas por pessoas não autorizadas.
2 O processo criptográfico consiste em transformar um texto simples, através de uma função parametrizada por uma chave (senha), em um texto inteligível. A saída desse processo de criptografia é chamada texto cifrado ou criptograma. Após o processo de criptografia, o texto é então transmitido ao destinatário. Este conhece o método utilizado para a criptografia e também conhece a chave, possibilitando a transformação do texto criptografado em texto simples novamente. Se a mensagem for interceptada por alguém, será necessário descobrir a chave de criptografia bem como o seu método, para que se possa utilizar a mensagem capturada. Tipos de Criptografia A criptografia é um mecanismo de segurança que permite a implementação de diversos serviços (autenticação, não-repúdio, integridade, confidencialidade). Para tanto existem dois tipos básicos de criptografia: simétrica e assimétrica. Na criptografia simétrica os usuários envolvidos devem ter prévio conhecimento da chave (senha). Isto a torna muito vulnerável a falhas de segurança. Na criptografia assimétrica existem duas chaves relacionadas entre si. Qualquer texto encriptado com uma delas somente poderá ser decriptografado com a outra. Embora a criptografia simétrica seja menos segura, ela é mais rápida, sendo atualmente utilizada em conjunto com a criptografia assimétrica para aumentar a eficiência da troca de mensagens seguras. As chaves são criadas através de operações matemáticas de tal forma que, apesar de serem relacionadas, é virtualmente impossível descobrir a outra, tendo apenas uma delas. A criptografia utiliza conceitos matemáticos para a construção de seus algoritmos. Assim, um texto cifrado pode ser representado da seguinte maneira: Y = EK(X), ou seja, um texto plano (X) é encriptado por um algoritmo que contém uma chave (senha) K; X = DK(Y), para a obtenção do texto plano inicial, deve-se submeter o texto cifrado (Y) ao mesmo algoritmo e a mesma chave (K). Sistema de chave simétrica A criptografia por chave simétrica (ou chave privada) é utilizada para prover a segurança das informações (Figura 2). Nesta técnica uma mesma chave (senha) é utilizada para criptografar e decriptografar uma mensagem que, portanto, deve ser de conhecimento tanto do emissor como do receptor da mensagem. Em cifradores simétricos, o algoritmo de criptografia e descriptografia são os mesmos, mudando apenas a forma como são utilizadas as chaves. Um exemplo de algoritmo simétrico é o DES (Data Encryption Standard), cuja chave possui tamanho de 56 bits. Entretanto algoritmos com chaves maiores já estão disponíveis resultando em maior segurança.
3 Uma mensagem para ser enviada é encriptada pelo emissor, com uma chave secreta compartilhada que é de seu conhecimento. Para o receptor conseguir decifrar esta mensagem, deve ter a mesma chave secreta utilizada pelo transmissor. Esta chave secreta compartilhada é então enviada por um canal seguro para o receptor. Com este modelo pode-se garantir a confidencialidade da mensagem, porque somente o transmissor e o receptor têm conhecimento da chave secreta. O texto cifrado não sofre alteração quanto ao seu tamanho. É importante salientar também que o texto cifrado não contém qualquer parte da chave. Sistema de chave assimétrica A criptografia por chave assimétrica (ou chave pública) utiliza um par de chaves, sendo uma chave para cifrar a informação e uma outra chave diferente para decifrar a informação. O que for encriptado utilizando uma chave somente poderá ser visualizado com a outra. A chave pública, como o próprio nome diz, é de conhecimento público e é divulgada em diversas maneiras. Com a chave pública é possível prover os serviços de confidencialidade, autenticação e distribuição de chaves. A garantia da confidencialidade é que somente as pessoas ou organizações envolvidas na comunicação possam ler e utilizar as informações transmitidas de forma eletrônica pela rede. Já a autenticação é a garantia de identificação das pessoas ou organizações envolvidas na comunicação. Esse sistema tem como principal padrão o RSA. As chaves são criadas através de operações matemáticas de tal forma que, apesar de serem relacionadas, é virtualmente impossível adivinhar a outra, tendo apenas uma delas.
4 Em um sistema de chave assimétrica (Figura 3) cada pessoa tem duas chaves: uma chave pública que pode ser divulgada e outra privada que deve ser mantida em segredo. Mensagens cifradas com a chave pública só podem ser decifradas com a chave secreta e vice-versa. Se duas pessoas quiserem se comunicar secretamente usando a criptografia com chave assimétrica, elas terão de fazer o seguinte: O emissor escreve uma mensagem e a criptografa utilizando a chave pública do receptor. Essa chave está disponível para qualquer pessoa; O emissor envia a mensagem através de um meio qualquer, por exemplo, a Internet, para o receptor; O receptor recebe a mensagem e a descriptografa utilizando a chave privada que só ele conhece; O receptor lê a mensagem e se quiser responder ao emissor deverá fazer o mesmo procedimento anterior com a diferença de que dessa vez a chave pública do emissor é que será utilizada. Como apenas o receptor da mensagem tem acesso a sua chave privada, somente ele pode decifrar a mensagem. A grande vantagem é que não só emissor pode enviar mensagens criptografadas para o receptor, mas qualquer pessoa, bastando conhecer a chave pública do receptor, além disto, emissor e receptor não precisam combinar chaves antecipadamente. Pode-se também criar uma assinatura digital com chaves assimétricas. Para isso basta inverter o processo: o emissor criptografa a mensagem com sua própria chave privada e envia ao receptor. Para descriptografar deve-se usar a chave pública de emissor. Agora qualquer pessoa pode ler a mensagem, mas tem-se a certeza de foi o emissor que a enviou (acreditando-se que somente ele conhece sua chave privada).
5 Objetivos da Criptografia A criptografia computacional protege o sistema quanto à ameaça de perda de confiabilidade, integridade ou não repudiação, é utilizada para garantir: Sigilo: somente os usuários autorizados têm acesso à informação; Integridade: garantia oferecida ao usuário de que a informação correta, original, não foi alterada, nem intencionalmente, nem acidentalmente. Autenticação do usuário: é o processo que permite ao sistema verificar se a pessoa com quem se está comunicando é de fato a pessoa que alega ser. Autenticação de remetente: é o processo que permite a um usuário certificar-se que a mensagem recebida foi de fato enviada pelo remetente, podendo-se inclusive provar perante um juiz, que o remetente enviou aquela mensagem. Autenticação do destinatário: consiste em se ter uma prova de que a mensagem enviada foi como tal recebida pelo destinatário. Autenticação de atualidade: consiste em provar que a mensagem é atual, não se tratando de mensagens antigas reenviadas. O que a criptografia não protege Não adianta imaginarmos que a criptografia irá solucionar todos os nossos problemas de segurança. Existem coisas que por melhor que sejam os processos de criptografia, não conseguiremos proteger: A criptografia não impede um atacante de apagar todos os seus dados. Um atacante pode comprometer o programa de criptografia modificando o programa para usar uma chave diferente ou gravar as chaves em arquivo para análise posterior. Um atacante pode encontrar uma forma de descriptografar a mensagem dependendo do algoritmo utilizado. Um atacante pode acessar os arquivos antes de serem criptografados ou após a decriptação.
6 Por tudo isso, a criptografia deve fazer parte da sua estratégia de segurança, mas não deve ser a substituta de outras técnicas de segurança. Esteganografia A palavra esteganografia vem do grego e significa "escrita coberta". Trata-se de um ramo particular da criptografia que consiste, não em fazer com que uma mensagem seja ininteligível, mas em camuflá-la, mascarando a sua presença (Figura 4). Por exemplo, uma sequência de letras de cada palavra pode formar a palavra de uma mensagem escondida. Algumas formas de esteganografia: Marcação de caracteres: utilização de uma tinta com composto diferente que ao ser colocada frente à luz faz com que os caracteres fiquem de forma diferente, compondo a mensagem secreta; Tinta invisível: pode-se utilizar uma tinta invisível para a escrita da mensagem em cima de outra pré-existente, aonde, somente com produtos químicos poderíamos obter o conteúdo; Bits não significativos: A moderna esteganografia utiliza o uso de bits não significativos que são concatenados a mensagem original e faz uso também de área não usada.
7 Os dois métodos (criptografia e esteganografia) podem ser combinados para aumento da segurança. Por exemplo, pode-se criptografar uma mensagem e em seguida, utilizar a técnica de esteganografia, trocando-se os bits menos significativos de uma imagem digitalizada pelos bits da mensagem criptografada, e então transmitir a imagem. Se a imagem for interceptada, primeiro será necessário descobrir a mensagem oculta entre os bits da imagem, e, somente após isso, poderá ocorrer a tentativa de descriptografia.
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