Segurança Privada no Brasil Panorama Atual - Situação dos Vigilantes e Seguranças

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1 1 UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO NAIPPE - NÚCLEO DE ANÁLISE INTEDISCIPLINAR DE POLÍTICAS E ESTRATÉGIA Mauro Tavares Cerdeira Segurança Privada no Brasil Panorama Atual - Situação dos Vigilantes e Seguranças Monografia apresentada no Curso de Pós- Graduação em Políticas e Estratégia do Naippe Universidade de São Paulo Orientador: Prof. Dr. Braz de Araújo SÃO PAULO 2004

2 2 ÍNDICE Introdução Capítulo 1 Segurança Privada Conceito e Regulação Introdução ao panorama dos serviços de vigilância privada Legislação e outras normas de regulação Análise dos principais pontos da normatização Caráter privado dos serviços de segurança Outras questões relevantes Capítulo 2 Direitos consolidados e convencionados dos vigilantes Situação dos vigilantes no contexto das legislação trabalhista - CLT Direitos previstos na próprias normas reguladoras da atividade Normas de segurança do Ministério do Trabalho Os instrumentos coletivos e os direitos convencionados Funções convencionadas e remunerações Jornadas e escalas de trabalho Registro de ocorrências policiais Desgaste do profissional e equipamentos de trabalho Formação profissional Uniformes Colete à prova de balas... 51

3 Assistência jurídica aos empregados Seguro de vida Auxílio funeral Assistência nas rescisões Medidas de proteção ao emprego Inibição ao desvio funcional Câmara setorial da categoria Conclusão acerca das normas convencionais Capítulo 3 Custo dos serviços de segurança privada Capítulo 4 Desvio funcional e clandestinidade As diversas facetas do mesmo problema Prerrogativas dos fiscalizadores Financiamento das atividades de fiscalização Atuações do poder jurisdicional O nocivo aproveitamento dos policiais Violência descontrolada Segurança descontrolada Possíveis soluções Mundo (im)possível A ética nos serviços de segurança Conclusão Bibliografia

4 4 INTRODUÇÃO O presente texto, procura tratar das questões atuais atreladas à prestação dos serviços de vigilância e segurança privada no Brasil. Tratam-se, os serviços de segurança privada, de uma modalidade de transferência do uso lícito da força, do estado para os particulares, criando uma atividade paramilitar, e portanto com necessidade de ampla e integral regulação. Embora informalmente executados há algumas décadas, sua regulamentação surge em 1.969, através de um decreto, em face da onda de assaltos a bancos, promovidos muitas vezes por atos políticos e inclusive para o financiamento de atividades terroristas. A sua regulação por lei, surge em 1.983, com o publicação da Lei 7.102, que vige, com diversas modificações, até hoje, e que contempla também especialmente os serviços de segurança e vigilância do setor financeiro, em face do risco inerente à atividade, à exigência de grandes companhias seguradoras para a diminuição desses riscos, e também das necessidades particulares existentes à época. Ocorre que, de lá para cá, a atividade do setor se elevou significativamente. Alastrou-se por setores públicos e privados, empresariais e residenciais, passando a contemplar inclusive a forma orgânica prestação dos serviços por empresas de outros ramos de atividade, para as suas necessidades internas -. Os responsáveis apontados por esta onda gigante de crescimento, são o aumento exacerbado da violência, principalmente nos grandes centros, e o fraco desempenho da segurança pública. Há ainda, nós sabemos, outros fatores relacionados a este intenso crescimento da atividade, como a tendência mundial contemporânea de privatização dos serviços públicos, a elitização da segurança formação de uma milícia protetora à acumulação capitalista -, e mesmo o efeito psicológico e multiplicador da onda de violência, que cria extensões da atividade por um movimento apenas aparente. Em um segundo momento, já na orla da ilegalidade, começam a gerir e multiplicar este processo as próprias polícias públicas, que comercializam a diferenciação dos serviços e a formação de esquadrões de autônomos agindo extra-muros em realidade, a regulação da segurança privada indica

5 5 exatamente o contrário, ou seja, que os seguranças devem estar sempre atrelados a uma empresa específica e responsável, e atuar apenas em ambientes privados (intra-muros) -. Importante, porém, é que a elevação dos níveis da atividade, deveria ser necessariamente acompanhada, dada a sua natureza e a necessidade de máximo controle da sociedade, de uma regulamentação firme e abrangente, e, mais ainda, de uma fiscalização absolutamente rigorosa e eficaz. No que tange ao primeiro aspecto, temos que a legislação hoje existente não é das piores. Exige a satisfação de vários requisitos para o exercício das atividades pelas empresas. Tem, contudo, alguns problemas sérios. Está desatualizada, não contemplando várias modalidades de serviço hoje existentes. Nem mesmo os auto-atendimentos e caixas eletrônicos, que são uma realidade, estão inseridos no sistema. Não há, até hoje, uma regulamentação da função do profissional vigilante, o que auxiliaria no controle da atividade e no controle da terceirização freqüentemente ilegal. Há poucas penalidades para questões relevantes, como o funcionamento de empresas clandestinas e crimes praticados. Há, ainda, leis acessórias, como é o caso da Lei 8.666, que cuida das licitações públicas, que por seus critérios, não impede a apresentação de propostas inexeqüíveis, que criam diversos problemas no futuro. Este é também o caso da legislação penal utilizada para a punição dos infratores. Ainda outros problemas existem, conforme se verá. No segundo aspecto, no que se refere a fiscalização, realmente a questão se complica de vez. O Departamento da Polícia Federal, encarregado da fiscalização e acompanhamento da atividade em nível nacional, não possui efetivo suficiente, nem ao menos para o cuidado das empresas que atuam legalmente. Os recursos, inclusive provenientes de taxas de atos administrativos, ao contrário do que prevê a legislação, não são efetivamente utilizados na atividade. A corrupção e o pagamento de propinas é outro problema sério do setor. E os problemas não param por aí. Estes dois fatores conjugados levaram a uma proliferação de serviços ilegais e clandestinos, inclusive com uso de armamento, atuação de verdadeiros bandidos, transgressão recorrente dos direitos e garantias trabalhistas, sonegação de impostos e contribuições previdenciárias, desvio freqüente de função, e as mais diversas infrações. A segurança privada, portanto, está absolutamente descontrolada. O sistema de fiscalização é precário. Os trabalhadores são freqüentemente enganados e lesados, e possuem condições, de trabalho e de vida, muitas vezes

6 6 também precárias. Armas são utilizadas sem autorização. Há criminosos infiltrados no sistema. Órgãos públicos acumulam dívidas em face de sua responsabilidade civil e trabalhistas por serviços mal prestados e por danos gerados. E tudo isso cria, ao invés de segurança, um risco efetivo a toda a sociedade. Este trabalho de monografia visa a análise desse ambiente. Possui um primeiro tópico, bastante amplo, que objetiva situar o leitor no universo da regulação da atividade em nosso País. Em um segundo tópico, procuramos analisar a questão da ótica do vigilante, trabalhador da segurança privada, em uma tentativa de mostrar ao leitor de que efetivamente se trata este serviço e como são e vivem os profissionais envolvidos. No terceiro tópico, faz-se uma análise dos custos dos serviços de segurança. No último tópico, também bastante amplo, há uma análise do mercado atual da segurança privada, especialmente dos problemas atrelados à clandestinidade e ao desvio funcional, em que são apontados os diversos problemas e os riscos à sociedade. Ao final, procuramos contribuir com algum direcionamento para a análise crítica do problema, indicando os principais pontos que deverão ser revistos pela sociedade, apontando inclusive que a solução definitiva do problema passa necessariamente por um processo de conscientização social sobre de que exatamente trata a segurança privada e de como executar seus objetivos com verdadeira responsabilidade e segurança.

7 7 Capítulo 1) Segurança Privada conceito e regulação 1.1) Introdução ao panorama dos serviços de vigilância privada A segurança tornou-se um dos maiores ideais de toda a sociedade brasileira. É, sem dúvidas, junto com a geração de empregos, a maior preocupação dos grandes centros urbanos, e passa, cada vez mais, a constar da pauta também dos pequenos municípios e das áreas rurais. Talvez a primeira causa para a situação de crescente violência social, seja realmente a péssima distribuição de renda que enfrentamos, asseverada nos tempos de hiperinflação, e mantida como barreira ao próprio crescimento sustentado da economia, o que nos leva a concluir que a verdadeira solução do problema está muito distante, e a exigir uma profunda alteração na estrutura econômico-social, cumulada necessariamente com farto crescimento. Enquanto, no entanto, espera-se pelas mudanças capazes de afetar a causa do problema, o certo é que convivemos hoje com um ambiente de franca violência, que abarca tanto o crime organizado quanto a criminalidade avulsa, em constante desenvolvimento e mutação, capazes de colocar o nosso país nos níveis de países que convivem com guerras e catástrofes. A população, oprimida, busca formas de proteção que superem os patamares da insuficiente e fraca segurança pública. Há que se dizer, que o conceito de segurança, no momento em que vivemos, não passa mesmo de um ideal. Melhor talvez seria se falar em formas de defesa para se chegar a segurança. Pois o que realmente é atingível pela população são formas, melhores ou piores, de defesa contra a patente insegurança. Some-se a isto, o fato de que a segurança, freqüentemente associada ao combate à violência, não é conceito que se restringe a isso, pura e simplesmente. Segurança atinge também todas as outras situações e processos que possam colocar em risco as pessoas e seu patrimônio. O desenvolvimento, particularmente, traz inúmeras formas de proteção contra eventos da natureza e suas conseqüências, como é o caso das enchentes e alagamentos; furacões e ciclones, como está em moda, além de eventos naturais ou provocados, como incêndios, tumultos, arrastões, e outros tantos, que fazem parte de um leque enorme de situações que se encontram acolhidas no conceito amplo de segurança, definida como a proteção das pessoas e dos patrimônios. Acompanhando, pois, este movimento da violência urbana, bem como a elevação do número de eventos que colocam em risco a vida e o patrimônio das

8 8 pessoas, é que surge e ganha grande força a segurança privada, como conceito mais amplo, e a vigilância privada, como parte daquele conceito mais ligado a situações propriamente de ameaça e violência, que tem em seu centro a figura de um homem, o vigilante ou segurança, contratado, sempre através de uma empresa de segurança, com o fim específico de aumentar a defesa na esfera particular de indivíduos, empresas, e outras entidades. As ações de segurança, de iniciativa privada, somente são possíveis através de uma regulamentação legal, que transfere, licitamente, o monopólio do uso da força, do Estado seu legítimo detentor - para o particular, a partir de certas regras de conduta rígidas estampadas obrigatoriamente na legislação. A transferência de tal poder de monopólio, no princípio inconcebível, mas atuante no estado moderno, como se vê na maioria dos governos atuais, sobre o qual se estrutura e amolda a sociedade ocidental contemporânea, é bem identificada já na obra de Max Weber 1, um dos maiores teóricos sobre o tema do uso lícito da violência como forma de dominação. Na época atual, a relação entre violência e Estado é profundamente próxima. No passado, associações tão diferenciadas começando pela família utilizaram como instrumento de poder a força física como algo inteiramente normal. Entretanto, atualmente, devemos dizer que um Estado é uma comunidade humana que se atribui (com êxito) o monopólio legítimo da violência física, nos limites de um território definido. (...) No período contemporâneo, o direito ao emprego da coação física é assumido por outras instituições à medida que o Estado o permita. Esta transferência da prerrogativa/poder do estado, é que permite a existência da denominada segurança privada, como forma das pessoas protegerem, a si e a seu patrimônio, em ambiente privado. Como sabemos, o direito ao patrimônio e a sua manutenção é protegido constitucionamelmente 2, sendo uma das maiores garantias da estrutura jurídica do capitalismo moderno. O processo de proteção da propriedade, consoante se observa, permite uma superconcentração, em quantidade e qualidade, da segurança privada, nas mãos das elites econômicas e políticas, em face de seu poder econômico atual, o que favorece a manutenção da ordem, e intensifica o problema patente da elevada concentração de renda, circunstância que será melhor abordada mais adiante neste trabalho. 1 A Política como Vocação pág Constituição da República 1988 art. 5 o Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País, a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, a igualdade, a segurança e a propriedade, nos termos seguintes: XXII é garantido o direito à propriedade.

9 9 Esta característica relaciona-se com uma tendência clara de que os serviços de vigilância privada, verdadeira transferência do monopólio da força do Estado para o cidadão, seja cada vez mais atrelado à proteção da propriedade, mesmo aquela adstrita ao domínio público. A figura do vigilante privado, como todos sabemos, é antiga e se evidenciou com o advento do capitalismo, e está portanto agregada ao conceito de proteção, principalmente do patrimônio privado. Era, para centrarmos o passado menos longínquo, há algumas décadas atrás, o guarda de quarteirão, o fiscal da obra, ou o protetor (ou jagunço) das propriedades rurais. O crescimento da atividade, no entanto, exigiu sua regulamentação, e o ritmo rápido e desordenado, aliado à grande e confusa preocupação com a segurança, acabou gerando inúmeros problemas sérios nos últimos anos, que passam pelo questionamento sobre a necessidade e conveniência do uso de armas por tais profissionais, a um maciço desvio funcional na atividade, que acaba por gerar uma clandestinidade perigosa, por vezes criminosa. O crescimento a que nos referimos, que pode inclusive ser facilmente notado, fica bem evidenciado pela matéria publicada no Jornal do Brasil, em data de , baseada em dados do IBGE: O crescimento da violência fez com que mais empresas contratassem serviços de transporte de valores, segurança, vigilância e investigação privadas em todo o país. É o que mostra a Pesquisa Anual de Serviços, divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento aponta um crescimento de 26,8 % no número de empresas que prestam serviços de segurança em todo o país. Em 2001, 2580 companhias atuavam nesse seguimento. Em 2000, eram O aumento da violência tem levado mais gente a contratar os serviços dessas empresas. Basta olhar quantas estão surgindo disse Roberto Saldanha, técnico do IBGE. O maior exército de vigilantes particulares está em São Paulo. Em 2000 havia no Estado 579 empresas. Em 2001 o número se elevou para 885, com um aumento de 52 %. No Rio, onde a população convive com a violência diariamente, houve aumento de 57 %. No Estado, 385 empresas prestavam serviços relacionados a segurança em 2001, contra 244 em Com o aumento do número de empresas, o faturamento do setor também cresceu. Passou de R$5,939 bilhões em 2000 para R$6,036 bilhões em Também cresceu o número de profissionais de segurança privada empregados. Houve um aumento de 4,2 % em 2001, segundo o IBGE. Em 2000, trabalhavam no ramo pessoas. No ano seguinte, o número subiu para No Rio, o crescimento foi de 3,8 % - de pessoas empregadas para Somados aos fatores ligados ao inquestionável aumento da violência, existem outras causas para a elevação, hoje indiscriminada, das atividades privadas de segurança. O maior deles, talvez, seja a efetiva ineficácia do estado como ente garantidor da segurança social. Outras causas ainda se prendem a maior especificidade das ações criminosas, e a sua organização técnica. Atrelase, ainda, ao desenvolvimento do próprio liberalismo, e das leis de mercado, que

10 10 de um lado torna natural a menor presença do estado nas atividades econômicas, e de outro se tem um mercado altamente rentável, que se desenvolve a cada dia, oferecendo inovações tanto no que diz respeito ao treinamento humano, quanto na tecnologia empregada. Em seu texto, Leonarda Musumeci 1 expõe com clareza muitas destas questões relacionadas à diminuição e mesmo ineficiência do estado na modernidade, em seus múltiplos espectros, e inclusive nas relações da vigilância privada com o seu poder intrínseco, originariamente público: Para alguns, esse fenômeno ultrapassa muito em seus efeitos a tendência geral de encolhimento do Estado e ampliação dos espaços sob domínio da iniciativa privada, abalando, no limite, a própria definição moderna de Estado comunidade humana que pretende, com êxito, o monopólio do uso legítimo da força física dentro de um determinado território (Weber (1974)), e à qual cumpre garantir ordem e segurança para as vidas e propriedades dos seus cidadãos. Transformação da segurança em mercadoria e a transferência crescente para mãos privadas do uso legítimo da força poderiam trazer sérias ameaças à manutenção dos direitos humanos e civis penosamente conquistados ao longo dos últimos dois séculos. (...). Na outra ponta do debate, estão os que defendem com maior ou menor radicalismo a transferência de funções de segurança para a iniciativa privada, utilizando como argumentos básicos: a) a comprovada incapacidade de o Estado deter o avanço da criminalidade nos grandes centros urbanos; b) a ineficiência da segurança pública (e dos serviços estatais de um modo geral), em termos de relação custo-benefício; c) a inoperância concreta dos mecanismos protetores de que o indivíduo dispõe contra os abusos do Estado, mesmo em países democráticos (segundo esse argumento, seria mais fácil defender-se de vigilantes particulares, submetidos à lei comum, que de policiais, promotores e juízes, acobertados pela corporação estatal); d) a disciplina rigorosa que o mercado impõe sobre as empresas privadas de segurança e estas sobre o comportamento de seus agentes: omissão e Reynolds (1990 e 1994), Hakin e Shachmurove (1996), Anderson e Cannan (1997)). Campo próspero, portanto, a atividade da vigilância privada, sofrendo influência tanto da tendência de substituição do estado por serviços de ordem privada, quanto do crescimento da violência e das impressões e previsões que este movimento geral. Sobre este último tema, argumentam Sérgio Olímpio e Márcio Lemos 2. A violência tem amplo campo para progredir no Brasil devido aos seguintes aspectos: miséria social, drogas, consumismo estimulado pela mídia, facilidade de obtenção de armas, organização arcaica do Sistema de Segurança Pública, legislação defasada e complacente, Estatuo da Criança e maioridade penal. Todos estes fatores contribuem para uma nefasta sensação de impunidade que se solidifica nos seguintes dados: a 1 Serviços Privados de Vigilância no Brasil pág Insegurança Pública e Privada pág. 157

11 11 probabilidade, no Brasil, de alguém ser preso em flagrante; indiciado pela Polícia, julgado pela Justiça, condenado, e cumprir pena sentenciada é de 0,001483%, ou seja, para cada 1000 delitos praticados, apenas 1 chega a reta final. Por um ou outro motivo, o certo é que a segurança privada cresce, tanto no que diz respeito ao enfrentamento da maior criminalidade, quanto no que se refere à ampliação do leque das suas atividades, vindo muitas vezes a substituir a segurança pública. É o caso da crescente aplicação de tais serviços junto a órgãos públicos, que constituem, no entanto, espaços privados, como é o caso de estações de trem e metrô, museus, hospitais, parques e praças, e mais recentemente até para a guarda e fiscalização de presídios; tudo com ampla propaganda de resultados positivos. As atividades dos vigilantes, na atualidade, estão ligadas, em aspecto amplo, à defesa, proteção e fiscalização de patrimônios, pessoas e situações. Segundo a particularização de objetivos do professor Paulo Roberto Aguiar Portella 1, as principais atividades corriqueiras específicas dos vigilantes são as seguintes: implementar e fiscalizar a obediência ao sistema de controle e identificação do pessoal; observar e patrulhar perímetros designados, áreas, estruturas e atividades do interesse da segurança; apreender pessoas ou veículos que tenham entrado sem autorização nas áreas de segurança; fiscalizar determinados depósitos, salas ou edifícios do interesse da segurança, particularmente fora do horário de expediente normal, visando verificar se estão corretamente protegidos e em ordem; executar serviços essenciais de escolta; implementar e fiscalizar a obediência ao sistema estabelecido de controle sobre circulação de documentos e materiais de interesse da segurança nas áreas controladas; responder aos sinais de alarme de proteção ou outras indicações de atividade suspeita; agir conforme necessário em situações que afetem a segurança, inclusive em acidentes, incêndios, desordem internas, tentativas de espionagem, sabotagem ou outros atos criminosos; 1 Gestão de Segurança págs. 101/102

12 12 comunicar ao supervisor, como dever prescrito de rotina, as condições de trabalho e, conforme necessário, em todas as circunstâncias anormais; e proteger de modo geral dados, materiais e equipamentos contra acesso não autorizado, perda, furto ou dano. 1.2) Legislação e outras normas de regulação Feitas as considerações iniciais e descrição sumária das características da atividade profissional, e para começarmos a melhor entender a questão, é providencial o conhecimento dos termos principais das normas que regem a atividade no Brasil. Em primeiro lugar, diga-se que a vigilância privada é atividade que necessita de regulamentação. Conforme o artigo 5 o, inciso XII, da Constituição Federal vigente, é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer. Oficialmente, os serviços particulares de segurança surgiram em 1.969, através de um decreto-lei (decreto-lei 1.034, de ) que obrigava a sua contratação pelos bancos, sob pena de intervenção pelo Banco Central. O objetivo primeiro, naquela época, era combater os ataques subversivos. Mas foi em que se estabeleceu uma regulação mais abrangente e válida da matéria, através da lei que instituiu e regulamentou a atividade de segurança e vigilância privada no país, que é a 7.102/83, e data de 20 de junho de 1.983, estando vigente até hoje, e que passa a ser analisada. Vejamos o teor da referida lei. LEI Nº 7.102, DE 20 DE JUNHO DE Dispõe sobre segurança para estabelecimentos financeiros, estabelece normas para constituição e funcionamento das empresas particulares que exploram serviços de vigilância e de transporte de valores, e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte lei: Art.1º - É vedado o funcionamento de qualquer estabelecimento financeiro onde haja guarda de valores ou movimentação de numerário, que não possua sistema de segurança com parecer favorável à sua aprovação, elaborado pelo Ministério da Justiça, na forma desta Lei. (Art.1º com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995).

13 13 A competência estabelecida ao Ministério da Justiça será exercida pelo Departamento de Polícia Federal, conforme o Art.16 da Lei nº 9.017, de 30/03/1995. Parágrafo único. Os estabelecimentos financeiros referidos neste artigo compreendem bancos oficiais ou privados, caixas econômicas, sociedades de crédito, associações de poupanças, suas agências, subagências e seções Art.2º - O sistema de segurança referido no artigo anterior inclui pessoas adequadamente preparadas, assim chamadas vigilantes; alarme capaz de permitir, com segurança, comunicação entre o estabelecimento financeiro e outro da mesma instituição, empresa de vigilância ou órgão policial mais próximo; e, pelo menos, mais um dos seguintes dispositivos: I - equipamentos elétricos, eletrônicos e de filmagens que possibilitem a identificação dos assaltantes; II - artefatos que retardem a ação dos criminosos permitindo sua perseguição, identificação ou captura; e III - cabina blindada com permanência ininterrupta de vigilante durante o expediente para o público e enquanto houver movimentação de numerário no interior do estabelecimento. Parágrafo único - (Revogado pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995) Art.3º - A vigilância ostensiva e o transporte de valores serão executados: (Art.3º, "caput", com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995). I - por empresa especializada contratada; ou II - pelo próprio estabelecimento financeiro, desde que organizado e preparado para tal fim, com pessoal próprio, aprovado em curso de formação de vigilante autorizado pelo Ministério da Justiça e cujo sistema de segurança tenha parecer favorável à sua aprovação emitido pelo Ministério da Justiça. Parágrafo único. Nos estabelecimentos financeiros estaduais, o serviço de vigilância ostensiva poderá ser desempenhado pelas Polícias Militares, a critério do Governo da respectiva Unidade da Federação. (Parágrafo único com redação dada pela Lei 9.017, de 30/03/1995). Art.4º - O transporte de numerário em montante superior a vinte mil UFIR, para suprimento ou recolhimento do movimento diário dos estabelecimentos financeiros, será obrigatoriamente efetuado em veículo especial da própria instituição ou de empresa especializada. (Art.4º com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995) Art.5º - O transporte de numerário entre sete mil e vinte mil UFIR poderá ser efetuado em veículo comum, com a presença de dois vigilantes. (Art.5º com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995).

14 14 Art.6º - Além das atribuições previstas no Art.20, compete ao Ministério da Justiça: (Art.6º, "caput", com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995). I - fiscalizar os estabelecimentos financeiros quanto ao cumprimento desta Lei; II - encaminhar parecer conclusivo quanto ao prévio cumprimento desta Lei, pelo estabelecimento financeiro, à autoridade que autoriza o seu funcionamento; III - aplicar aos estabelecimentos financeiros as penalidades previstas nesta Lei. A competência estabelecida ao Ministério da Justiça será exercida pelo Departamento de Polícia Federal, conforme o Art.16 da Lei nº 9.017, de 30/03/1995). Parágrafo único. Para a execução da competência prevista no inciso I, o Ministério da Justiça poderá celebrar convênio com as Secretarias de Segurança Pública dos respectivos Estados e Distrito Federal. (Parágrafo único com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995). Art.7º - O estabelecimento financeiro que infringir disposição desta Lei ficará sujeito às seguintes penalidades, conforme a gravidade da infração e levando-se em conta a reincidência e a condição econômica do infrator: (Art.7º com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995). I - advertência; II - multa, de mil a vinte mil UFIR; III - interdição do estabelecimento. A aplicação das penalidades referidas neste artigo é da competência do Ministério da Justiça - Departamento de Polícia Federal -, conforme o Art.16 da Lei nº 9.017, de 30/03/1995. Art. 8º - Nenhuma sociedade seguradora poderá emitir, em favor de estabelecimentos financeiros, apólice de seguros que inclua cobertura garantindo riscos de roubo e furto qualificado de numerário e outros valores, sem comprovação de cumprimento, pelo segurado, das exigências previstas nesta lei. Parágrafo único. As apólices com infringência do disposto neste artigo não terão cobertura de resseguros pelo Instituto de Resseguros do Brasil. Art. 9º - Nos seguros contra roubo e furto qualificado de estabelecimentos financeiros, serão concedidos descontos sobre os prêmios aos segurados que possuírem, além dos requisitos mínimos de segurança, outros meios de proteção previstos nesta lei, na forma de seu regulamento. Art São considerados como segurança privada as atividades desenvolvidas em prestação de serviços com a finalidade de: (Art. 10, caput alterado, incisos e parágrafos incluídos pela Lei nº 8.863, de 28/03/1994).

15 15 I - proceder à vigilância patrimonial das instituições financeiras e de outros estabelecimentos, públicos ou privados, bem como a segurança de pessoas físicas; carga; II - realizar o transporte de valores ou garantir o transporte de qualquer outro tipo de 1º - Os serviços de vigilância e de transporte de valores poderão ser executados por uma mesma empresa. 2º - As empresas especializadas em prestação de serviços de segurança, vigilância e transporte de valores, constituídas sob a forma de empresas privadas, além das hipóteses previstas nos incisos do caput deste artigo, poderão se prestar ao exercício das atividades de segurança privada a pessoas; a estabelecimentos comerciais, industriais, de prestação de serviços e residências; a entidades sem fins lucrativos; e órgãos e empresas públicas. 3º - Serão regidas por esta lei, pelos regulamentos dela decorrentes e pelas disposições da legislação civil, comercial, trabalhista, previdência e penal, as empresas definidas no parágrafo anterior. 4º - As empresas que tenham objeto econômico diverso da vigilância ostensiva e do transporte de valores, que utilizem pessoal de quadro funcional próprio, para execução dessas atividades, ficam obrigadas ao cumprimento do disposto nesta lei e demais legislações pertinentes. 5º - (Vetado) 6º - (Vetado) Art A propriedade e a administração das empresas especializadas que vierem a se constituir são vedadas a estrangeiros. Art Os diretores e demais empregados das empresas especializadas não poderão ter antecedentes criminais registrados. Art.13 - O capital integralizado das empresas especializadas não pode ser inferior a cem mil UFIR. (Art.13 com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995). Art São condições essenciais para que as empresas especializadas operem nos Estados, Territórios e Distrito Federal: I - autorização de funcionamento concedida conforme o Art. 20 desta lei; e II - comunicação à Secretaria de Segurança Pública do respectivo Estado, Território ou Distrito Federal. Art Vigilante, para os efeitos desta lei, é o empregado contratado para a execução das atividades definidas nos incisos I e II do caput e parágrafos 2º, 3º e 4º do Art. 10. (Art. 15 com redação dada pela Lei nº 8.863, de 28/03/1994).

16 16 Art Para o exercício da profissão, o vigilante preencherá os seguintes requisitos: I - ser brasileiro; II - ter idade mínima de 21 (vinte e um) anos; III - ter instrução correspondente à quarta série do primeiro grau; IV - ter sido aprovado em curso de formação de vigilante, realizado em estabelecimento com funcionamento autorizado nos termos desta lei; (Inciso IV com redação dada pela Lei nº 8.863, de 28/03/1994). V - ter sido aprovado em exame de saúde física, mental e psicotécnico; VI - não ter antecedentes criminais registrados; e VII - estar quite comas obrigações eleitorais e militares. Parágrafo único. O requisito previsto no inciso III deste artigo não se aplica aos vigilantes admitidos até a publicação da presente lei. Art O exercício da profissão de vigilante requer prévio registro na Delegacia Regional do Trabalho do Ministério do Trabalho, que se fará após a apresentação dos documentos comprobatórios das situações enumeradas no artigo anterior. (Vide Medida Provisória nº , de ) Parágrafo único. Ao vigilante será fornecida Carteira de Trabalho e Previdência Social, em que será especificada a atividade do seu portador. Art O vigilante usará uniforme somente quando em efetivo serviço. Art É assegurado ao vigilante: I - uniforme especial às expensas da empresa a que se vincular; II - porte de arma, quando em serviço; III - prisão especial por ato decorrente do serviço; IV - seguro de vida em grupo, feito pela empresa empregadora. Art.20 - Cabe ao Ministério da Justiça, por intermédio do seu órgão competente ou mediante convênio com as Secretarias de Segurança Pública dos Estados e Distrito Federal: (Art.20, "caput", com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995). I - conceder autorização para o funcionamento: a) das empresas especializadas em serviços de vigilância; b) das empresas especializadas em transporte de valores; e c) dos cursos de formação de vigilantes.

17 17 II - fiscalizar as empresas e os cursos mencionados no inciso anterior; III - aplicar às empresas e aos cursos a que se refere o inciso I deste artigo as penalidades previstas no Art.23 desta Lei; IV - aprovar uniforme; V - fixar o currículo dos cursos de formação de vigilantes; VI - fixar o número de vigilantes das empresas especializadas em cada Unidade da Federação; VII - fixar a natureza e a quantidade de armas de propriedade das empresas especializadas e dos estabelecimentos financeiros; VIII - autorizar a aquisição e a posse de armas e munições; e IX - fiscalizar e controlar o armamento e a munição utilizados. X - rever anualmente a autorização de funcionamento das empresas elencadas no inciso I deste artigo. (Inciso X acrescido pela Lei nº 8.863, de 28/03/1994). Parágrafo único. As competências previstas nos incisos I e V deste artigo não serão objeto de convênio. (Parágrafo único com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995). Art As armas destinadas ao uso dos vigilantes serão de propriedade e responsabilidade: I - das empresas especializadas; II - dos estabelecimentos financeiros quando dispuserem de serviço organizado de vigilância, ou mesmo quando contratarem empresas especializadas. Art Será permitido ao vigilante, quando em serviço, portar revólver calibre 32 ou 38 e utilizar cassetete de madeira ou de borracha. Parágrafo único. Os vigilantes, quando empenhados em transporte de valores, poderão também utilizar espingarda de uso permitido, de calibre 12, 16 ou 20, de fabricação nacional. Art.23 - As empresas especializadas e os cursos de formação de vigilantes que infringirem disposições desta Lei ficarão sujeitos às seguintes penalidades, aplicáveis pelo Ministério da Justiça, ou, mediante convênio, pelas Secretarias de Segurança Pública, conforme a gravidade da infração, levando-se em conta a reincidência e a condição econômica do infrator: I - advertência; II - multa de quinhentas até cinco mil UFIR; (Inciso II com redação dada pela Lei nº 9.017, de 30/03/1995).

18 18 III - proibição temporária de funcionamento; e IV - cancelamento do registro para funcionar. Parágrafo único. Incorrerão nas penas previstas neste artigo as empresas e os estabelecimentos financeiros responsáveis pelo extravio de armas e munições. Art As empresas já em funcionamento deverão proceder à adaptação de suas atividades aos preceitos desta lei no prazo de 180 (cento e oitenta) dias, a contar da data em que entrar em vigor o regulamento da presente lei, sob pena de terem suspenso seu funcionamento até que comprovem essa adaptação. Art O Poder Executivo regulamentará esta lei no prazo de 90 (noventa) dias a contar da data de sua publicação. Art Esta lei entrará em vigor na data de sua publicação. Art Revogam-se os Decretos-leis nº 1034, de 21/10/1969, e nº 1103, de 06/04/1970, e as demais disposicões em contrário. Brasília, 20 de junho de 1983; 162º da Independência e 95º da República. A vigilância privada no Brasil, compreende, portanto, segundo a legislação vigente, constituída pela Lei 7.102/83, e alterada pelas Leis 8.863/94 e 9.017/95 os seguintes serviços e prestadores: empresas prestadoras de serviços de vigilância patrimonial, transporte de valores ou cargas, de segurança privada a pessoas, a estabelecimentos comerciais, industriais, de prestação de serviços e residências e órgãos e empresas públicas e à entidades sem fins lucrativos; serviços orgânicos de segurança em empresas; empresas de fabricação, instalação, manutenção e operação de dispositivos de segurança. A lei transcrita, como bem se vê, contém as alterações legislativas posteriores, bem como remissões aos decretos regulamentadores, e as portarias que disciplinam os seus desdobramentos.

19 19 1.3) Análise dos principais pontos da normatização A avaliação crítica da lei, nos dá um panorama exato das condições em que foram regulados, os serviços de vigilância privada no Brasil, forma na qual permanecem até os dias atuais. A primeira constatação, para o entendimento dos referidos serviços, é de que não existe vigilante fora do âmbito de uma empresa privada especializada em segurança, ou departamento análogo existente em empresa de outro setor de atividade. A regulamentação que se faz, para o bom entendedor, tem como objeto não o vigilante em si, mas a empresa de prestação de serviços de segurança e vigilância ou transporte de valores, em que o vigilante logicamente é a célula dos serviços prestados. - Art. 15 Vigilante, para os efeitos desta lei, é o empregado contratado para a execução das atividades definidas nos incisos I e II do caput e parágrafos 2º, 3º e 4º do Art. 10. (Art. 15 com redação dada pela Lei nº 8.863, de 28/03/1994) -. O próprio registro do profissional empregado das empresas, denominado vigilante, no Ministério do Trabalho, conforme originalmente previsto em lei, foi abolido, sendo substituído pelo registro na própria Polícia Federal na verdade, foi estabelecido um convênio entre os dois órgãos, para passagem do registro para o Ministério da Justiça. De qualquer forma, o registro está sempre vinculado à empresa em que o profissional trabalha. Essa primeira constatação é muito importante, pois que é bastante comum depararmos com um vigilante que se diz autônomo, vendendo seus serviços a particulares, em ambientes domésticos ou comerciais. Essa forma de contratação, portanto, é absolutamente ilegal. Pode tratar-se de um homem irregularmente armado, despreparado, e sem qualquer responsabilidade efetiva, que põe em risco a vida das pessoas, que contraditoriamente se julgam protegidas. É providencial a citação do entendimento de Carlos Mauritônio Júnior 1 : A legislação diz que o vigilante é o empregado. Tal expressão é sábia, pois evita-se a possibilidade da existência de uma associação de vigilantes para que estes prestem o serviço de forma autônoma. Portanto, de acordo com a nossa legislação, a segurança privada sempre é prestada através de uma empresa, que é responsável pela atuação dos vigilantes a ela vinculados. 1 - Vigilância Patrimonial Privada pág. 269

20 20 Mais recentemente, ante à necessidade, cada vez mais premente, de controle das atividades de vigilância privada, através da portaria 891, de 12 de agosto de 1.999, foi instituída uma carteira de identificação, de uso obrigatório para o vigilante, denominada CNV Carteira Nacional do Vigilante. Isso, porém, não significou a quebra do sistema de vínculo empresarial obrigatório, uma vez que dispõe o artigo 4 o da referida portaria ministerial: Portaria 891/99 Departamento de Polícia Federal Art. 4 o Somente será expedida a Carteira para o vigilante que comprovar vínculo empregatício com empresa especializada ou empresa executante de serviços orgânicos de segurança autorizada a funcionar pelo DPF. Pela mesma razão, temos que é ilegal a prestação de serviços de vigilância por cooperativas e associações, uma vez que transfeririam a responsabilidade da atividade para o próprio profissional, em situação não prevista na lei ora analisada. Agora, além disso, para que se torne um vigilante de alguma empresa, o profissional deverá obrigatoriamente preencher certos requisitos, que são: - ser brasileiro; ter idade mínima de 21 (vinte e um) anos; ter instrução correspondente à quarta série do primeiro grau; ter sido aprovado em curso de formação de vigilante, realizado em estabelecimento com funcionamento autorizado nos termos desta lei; (Inciso IV com redação dada pela Lei nº 8.863, de 28/03/1994); ter sido aprovado em exame de saúde física, mental e psicotécnico; não ter antecedentes criminais registrados; e estar quite comas obrigações eleitorais e militares. ; tudo de acordo com o que está previsto no artigo 16 da mesma lei. São ainda garantidos aos vigilantes, os direitos ao seguro de vida, prisão especial, uso de uniformes e armamentos. Esses direitos e outros serão melhor abordados em parte específica deste trabalho, em que trataremos do espectro legal protetor à coletividade profissional dos vigilantes. Tem sido notado, inclusive, que os requisitos exigidos pelas empresas vão além dos que estão previstos no artigo da lei. Aquelas costumam exigir maior escolaridade, porte e habilidades específicas, além de facilidade de comunicação e grande controle psicológico, todos ditados pelas necessidades cada vez mais qualificadas dos mercados. Somente para informação, o que será melhor analisado posteriormente, temos que o exercício da função do vigilante e sua regulamentação específica, independentemente do que se relaciona com as empresas, é hoje objeto de projeto de lei que tramita no poder legislativo, cuja tentativa é a regulamentação do exercício, na iniciativa privada, da função de Agente de Segurança Privada. Na visão de alguns, a nova lei serviria a melhor regulamentar o exercício da atividade, resolvendo problemas atrelados à clandestinidade. Para outros,

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