VIA MATRIS Novena Perpétua de Nossa Senhora das Dores 1

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1 VIA MATRIS Novena Perpétua de Nossa Senhora das Dores 1 Introdução Assim como celebramos a Via Sacra, caminho percorrido por Jesus na sua paixão e morte de cruz, celebramos também a Via Matris, isto é, o caminho de dor percorrido por Maria, desde a profecia do justo Simeão até a morte de cruz e o sepultamento do seu filho Jesus. Foi o caminho que ela fez ao lado de Jesus, cooperando com ele na obra de redenção humana. Celebramos as dores de Maria não para mover-nos de compaixão por ela, pelo que ela sofreu, mas antes para encher-nos de coragem e enfrentar como ela, de pé, os sofrimentos desta vida e, ao mesmo tempo, para colocar-nos, como ela, aos pés das infinitas cruzes que afligem os homens e mulheres de hoje, para levar-lhes conforto e esperança de libertação. Não é, portanto, uma celebração para provocar sentimentalismo ou pietismo, mas sim com-paixão e solidariedade com os que sofrem. Desde as origens, os Servos de Maria sempre tiveram a Virgem Gloriosa, Mãe da Misericórdia, como sua Senhora e fundadora. Mas, a partir do século XVII até meados do século XX, a devoção a Nossa Senhora das Dores passou a ser considerada como o aspecto predominante do seu carisma mariano. A Via Matris é uma expressão dessa devoção e foi introduzida no Brasil em 1920, quando os primeiros Servos 1 O presente roteiro da Via Matris foi composto por frei José M. Milanez, segundo o esquema tradicional (Leitura Bíblica, reflexão, invocações e canto). São originais do autor apenas a reflexão que segue à leitura do evangelho e as orações. 109

2 de Maria aqui chegaram. Até a década de sessenta, era celebrada toda sexta-feira em nossas igrejas. Depois, ficou alguns anos esquecida e hoje volta a ser valorizada. O presente roteiro da Via Matris segue o esquema tradicional, isto é: leitura do evangelho, breve reflexão, invocações e canto. Esse exercício de piedade também evoca as sete dores de Maria. A Via Matris, como a Via Sacra, celebra-se em procissão, passando de uma estação para outra. Cada estação representa uma das sete principais dores de Maria. A origem dessa prática de piedade remonta ao século XVIII. Era praticada inicialmente, de maneira privada, nas igrejas dos Servos de Maria da Espanha. É de 1842 um documento conservado até hoje, que apresenta o método de celebração da Via Matris. Esse piedoso exercício é conhecido também como Novena perpétua de Nossa Senhora das Dores e teve como seu maior propagador frei Tiago M. Keane ( ), servita norte-americano, que, em 1937, introduziu sua celebração toda sexta-feira na igreja dos Servos de Maria de Chicago, dedicada a Nossa Senhora das Dores. Daí a devoção expandiu-se rapidamente em 45 Estados do país e em cerca de 20 países do mundo. Frei Tiago escreveu um opúsculo intitulado Novena em honra de Nossa Mãe Dolorosa que alcançou a tiragem de seis milhões de exemplares e dezessete edições, e foi traduzido em vinte e dois idiomas 2. 2 Esses dados sobre a Via Matris foram extraídos do Dicionário de Mariologia (dirigido por Stefano de Fiores e Salvatore Meo), edição em língua portuguesa, Paulus, São Paulo 1995, p ; cf. também ALESSIO MARIA ROSSI, Manuale di storia dell Ordine dei Servi di Maria, Roma 1956, p ; e Livro de Oração dos 110

3 A primeira edição em língua portuguesa foi publicada em São Paulo, em No frontispício do opúsculo dizse que foi extraída de fontes aprovadas e preparada para uso do povo pelo Revdo. Pe. Thiago M. Keane, O.S.M., e traduzida para o português por frei Thiago M. Mattioli, O.S.M. 3. Os trechos evangélicos são tirados da Bíblia Sagrada, tradução da CNBB. As orações e a breve reflexão que segue à leitura evangélica são uma humilde tentativa do autor para adaptar o conteúdo da mensagem e da oração à nossa realidade brasileira. A estrofe e o refrão do canto entoado enquanto se passa de uma estação para outra são do cancioneiro popular tradicional. Servos de Maria, 2ª edição revista e ampliada por frei José M. Milanez, São José dos Campos 2002, p Novena Perpétua em honra de Nossa Senhora das Dores, trad. frei Thiago M. Mattioli, Tipografia do Orfanato Cristóvão Colombo, São Paulo, 1942, 26 p. 111

4 Primeira dor PROFECIA DE SIMEÃO Evangelho de Lucas (2, 22.25a.34-35) Quando se completaram os dias da purificação, segundo a lei de Moisés, levaram o menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor... Ora, em Jerusalém vivia um homem piedoso e justo, chamado Simeão, que esperava a consolação de Israel... Simeão os abençoou e disse a Maria, a Mãe: «Este menino será causa de queda e de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. E a ti, uma espada traspassará tua alma, e assim serão revelados os pensamentos de muitos corações». 112

5 Reflexão Jesus, segundo Simeão, haveria de ser um sinal de contradição. De fato, para alguns, isto é, para os que o rejeitaram e o levaram à cruz, foi motivo de queda e de condenação; para outros, isto é, para os que o aceitaram e acreditaram nele, foi motivo de reerguimento e de salvação. Maria guardava todas estas coisas e as meditava no seu coração (Lc 2,19), mas seu olhar deixava, sem dúvida, transparecer a dor. O poeta contempla o olhar de Maria e canta 4 : Num sonho todo feito de incerteza, de noturna e indizível ansiedade, é que eu vi teu olhar de piedade e, mais que piedade, de tristeza... Maria conviveu com Jesus na casa de Nazaré e o acompanhou depois na vida pública. Participou de suas alegrias e tristezas, mas principalmente do seu sofrimento, quando o viu rejeitado pelos seus, condenado, flagelado e levado à cruz e à morte. Tudo isso foi como uma espada a lhe traspassar a alma. O célebre hino Stabat Mater, que descreve a presença de Maria ao pé da cruz, assim recorda as palavras do justo Simeão: Na sua alma agoniada / enterrou-se a dura espada / de uma antiga profecia. Pensemos nas mães dos dias de hoje que vêem seus filhos levados à morte, vítimas das guerras, da fome e de todo tipo de violência. A espada continua a traspassar o 4 Trata-se de Antero de Quental, ( 1891). É a primeira estrofe do soneto intitulado: À Virgem Santíssima, cheia de graça, Mãe de misericórdia, citado por CLODOVIS M. BOFF, OSM, Nossa Senhora das Bem-aventuranças, Edições Paulinas, São Paulo, 1984, p

6 coração de muitas mães. O homem e a mulher foram feitos para ter vida e vida em abundância e não para morrer, vítimas das espadas fabricadas pela maldade humana. Oração Deus nosso Pai, pelas palavras de Simeão, predissestes uma vida de sofrimento para a mãe do vosso Filho. Concedei, vos pedimos, que seguindo o exemplo da mesma Virgem Maria, cujo coração foi traspassado pela espada da dor, saibamos enfrentar os sofrimentos da vida presente e ser solidários com o sofrimento dos irmãos. Por Cristo nosso Senhor. Amém! Invocações D. Ave, Maria, cheia de graça... T. Santa Maria, mãe de Deus... D. Nossa Senhora das Dores. T. Rogai por nós! Canto De Simeão as vozes no templo escutais, cruéis profecias. Bendita sejais! Bendita sejais, Senhora das Dores! Ouvi nossos rogos, mãe dos pecadores! 114

7 Segunda dor FUGA PARA O EGITO Evangelho de São Mateus (2,13-15) Depois que os magos se retiraram, o anjo do Senhor apareceu em sonho a José e lhe disse: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para matálo». José levantou-se, de noite, com o menino e a mãe, e partiu para o Egito e lá ficou até a morte de Herodes. Assim se cumpriu o que o Senhor tinha dito pelo profeta: Do Egito chamei o meu filho. 115

8 Reflexão Herodes dissera aos magos: Quando encontrardes o menino, avisai-me para que também eu vá adorá-lo (Mt 2,8). Mas, conhecendo as más intenções dele, os magos voltaram para suas terras por outro caminho. Herodes então encheu-se de furor, porque não podia admitir que houvesse outro rei em Israel. Diante das ameaças de Herodes, José, avisado pelo anjo de Deus, teve que fugir com a esposa e a criança. Abandonar a própria terra e casa, a oficina de carpinteiro, parentes e amigos, e rumar para uma terra longínqua e desconhecida, percorrendo de Belém ao delta do Nilo um caminho de mais de 250 quilômetros, foi um ato de coragem e de fé de Maria e de José. Mas a ordem de Deus a José era clara: Toma o menino e sua mãe e foge para o Egito! Fica lá até que eu te avise. Era preciso salvar o filho a qualquer custo. Quantos são hoje os que vivem em constante exílio e migração, sempre fugindo dos Herodes atuais, que se chamam perseguição política, racismo, conflitos étnicos, fome, desemprego, falta de moradia, de assistência medica e de educação, sempre buscando, no desconhecido, melhores condições de vida. Milhões são os prófugos, os exilados e os migrantes que vagueiam pelo mundo, longe de sua terra, dos seus parentes e amigos, erradicados de sua cultura. A história se repete. É o desterro forçado da Família de Nazaré que se prolonga na história da humanidade. 116

9 Oração Deus nosso Pai, fizestes da Virgem Maria, mãe do vosso Filho, a mulher forte que conheceu a pobreza e o sofrimento, a fuga e o exílio. Suplicantes, vos pedimos que, seguindo o exemplo da Virgem das Dores, saibamos lutar para defender a vida e os direitos fundamentais da pessoa humana contra as injustiças e a perseguição dos prepotentes. Por Cristo nosso Senhor. Amém! Invocações D. Ave, Maria, cheia de graça... T. Santa Maria, mãe de Deus... D. Nossa Senhora das Dores T. Rogai por nós! Canto Manda o céu um anjo dizer que fujais do sevo tirano, Bendita sejais! Bendita sejais, Senhora das Dores, ouvi nossos rogos, mãe dos pecadores! 117

10 Terceira dor PERDA DE JESUS NO TEMPLO Evangelho de Lucas (2, 41-49) Todos os anos, os pais de Jesus iam a Jerusalém para a festa da Páscoa. Quando o menino completou doze anos, eles foram para a festa, como de costume. Terminados os dias da festa, enquanto eles voltavam, Jesus ficou em Jerusalém, sem que seus pais percebessem. Pensando que se encontrasse na caravana, caminharam um dia inteiro. Começaram então a procurálo entre os parentes e conhecidos. Mas como não o encontrassem, voltaram a Jerusalém, procurando-o. Depois de três dias, o encontraram no templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo-lhes perguntas. 118

11 Reflexão Aos doze anos, todo menino judeu era levado ao templo e confiado aos mestres da lei ou rabis para ser iniciado no conhecimento da Lei do Senhor, ou seja, do Tora ou Pentateuco, que contém os primeiros cinco livros da Bíblia. No caminho de volta para Nazaré, seus pais se dão conta que o Menino não está na caravana. Podemos imaginar a aflição de Maria e José que o procuram por toda parte, não o encontram e têm de voltar até Jerusalém. E já tinham feito o caminho de um dia. È bom saber que Nazaré dista de Jerusalém mais de cem quilômetros. À angústia une-se o cansaço da viagem. Além do mais, Maria e José tinham ainda gravadas na memória as ameaças e a perseguição de Herodes e a fuga para o Egito. Em nossos dias, é viva e dramática a situação de tantas crianças perdidas, que vagueiam pelas ruas e praças das nossas cidades e metrópoles, fugidas de casa ou roubadas às suas famílias, matriculadas pelo destino na escola das drogas, da prostituição e da violência, alvo elas próprias de todo tipo de violência. São as crianças de rua que vemos todos os dias nos noticiários de TV: maltrapilhas, sujas, dormindo na calçada, pedindo esmola, assaltando os passantes. Vivendo em tal situação, o que podem aprender para a vida essas crianças? Como poderão crescer sadias? Que futuro terão? Quando aparecerá alguém que vá procurá-las e resgatá-las dessa situação? 119

12 Oração Deus nosso Pai, por três dias, Maria e José procuraram, aflitos, seu filho Jesus. Suplicantes, vos pedimos que, amparados pela Virgem das Dores, busquemos sempre na penitência e na conversão o reencontro com o vosso Filho, e sejamos solidários com tantas crianças, que vagueiam pelas ruas e praças de nossas cidades, vítimas da injustiça social, da desagregação familiar e da violência. Por Cristo nosso Senhor. Amém! Invocações D. Ave, Maria, cheia de graça... T. Santa Maria, mãe de Deus... D. Nossa Senhora das Dores T. Rogai por nós! Canto Voltando do templo, Jesus não achais. Que susto sofrestes! Bendita sejais! Bendita sejais, Senhora das Dores, ouvi nossos rogos, mãe dos pecadores! 120

13 Quarta dor ENCONTRO COM JESUS NO CAMINHO DO CALVÁRIO Evangelho de Lucas (23,26-28) Enquanto levavam Jesus, tomaram um certo Simão de Cirene, que voltava do campo, e mandaram-no carregar a cruz atrás de Jesus. Seguia-o uma grande multidão do povo, bem como de mulheres que batiam no peito e choravam por ele. Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: Mulheres de Jerusalém, não choreis por mim! Chora por vós mesmas e por vossos filhos! 121

14 Reflexão Não se diz explicitamente se no meio da grande multidão que o seguia ou das mulheres que batiam no peito estava também a mãe de Jesus, mas certamente ela devia estar aí e o acompanhou até a cruz. É o encontro doloroso da mãe aflita com o filho condenado à morte. Ao sofrimento físico de Jesus junta-se o sofrimento daquela que vê o filho, que passara a vinda pregando e fazendo o bem, ser incompreendido, injustiçado, caluniado, vilipendiado e condenado à morte de cruz. Jesus e Maria unem-se na dor para realizar a obra de redenção da humanidade. Quem nunca viu, nos dias de hoje, mães perderem seus filhos, vítimas da violência e da maldade humana? Referindo-se a Maria, assim canta o poeta 5 : «Tu és, ó mãe, toda mãe que hoje ama; tu és, ó mãe, toda a mãe que hoje chora seu filho morto, seu filho traído, mães aos milhares, mães amortalhadas! Filhos que sempre se estão a matar, filhos vendidos, traídos, sem número, filhos feridos e em cruzes pregados: ímpia bandeira de um ímpio poder». 5 Trata-se de frei David M. Turoldo, escritor e poeta da Ordem dos Servos de Maria, que compôs os hinos dos Ofícios Próprios OSM. Estes versos são do hino do Ofício das Leituras da festa da Bemaventurada Virgem Maria ao pé da Cruz. 122

15 Oração Deus nosso Pai, no caminho do Calvário, vosso filho Jesus e Maria sua mãe se encontram. Suplicantes, vos pedimos que, seguindo o exemplo da Virgem das Dores, saibamos ir ao encontro dos que sofrem, compreendendo, compartilhando e aliviando suas dores. Por Cristo nosso Senhor. Amém! Invocações D. Ave, Maria, cheia de graça... T. Santa Maria, mãe de Deus... D. Nossa Senhora das Dores T. Rogai por nós! Canto Que dor indizível quando o encontrais com a cruz às costas. Bendita sejais! Bendita sejais, Senhora das Dores, ouvi nossos rogos, mãe dos pecadores! 123

16 Quinta dor MARIA AO PÉ DA CRUZ Evangelho de João (19,25-27) Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe e a irmã de sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: Mulher, eis o teu filho! Depois disse ao discípulo: Eis a tua mãe! A partir daquela hora, o discípulo a acolheu junto de si. 124

17 Reflexão É a cena clássica do Calvário, descrita por João e tão comentada pelos santos Padres da Igreja, que a iconografia ilustrou com as mais variadas formas e estilos e que o poeta canta dizendo: «Sim, no Calvário, ó Mãe, tu choraste, ao pé da cruz, traspassada de dor: como pudeste sofrer tanto assim, sem sucumbir, nem fugir, nem gritar?» 6. Eram poucos ao pé da Cruz. Dos doze discípulos, apenas um. De todos os que haviam sido beneficiados pelos milagres e curas de Jesus, ninguém. Mas lá estava Maria, a mãe, de pé, e outras mulheres. Colocar-se com Maria aos pés das infinitas cruzes que afligem os homens e as mulheres do nosso tempo é missão prioritária do cristão. Tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; fui peregrino e me acolhestes; estive nu e me vestistes, enfermo e me visitastes, preso e viestes ver-me... (Mt 25,35-36) Basta olhar ao nosso redor, abrir um jornal ou ver um noticiário de TV para constatarmos quantas são as cruzes que afligem a humanidade de hoje. Toda criação espera ser libertada da escravidão, exclama São Paulo (Rm 8,21). Que fazer? É nosso dever de cristãos e de Servos de Maria colocar-nos aos pés dessas infinitas cruzes, onde o Filho do Homem continua sendo crucificado nos irmãos e irmãs, para levar-lhes conforto e esperança de libertação. Maria, a mãe da misericórdia e da compaixão, nos dá o exemplo. Seja ela a nossa imagem-guia. 6 Do Hino das Vésperas da festa da B. Virgem Maria ao pé da Cruz. 125

18 Oração Deus nosso Pai, ao pé da cruz unistes a Virgem Maria aos sofrimentos do vosso Filho, fazendo-a co-redentora da humanidade. Suplicantes, vos pedimos que, seguindo o exemplo da Virgem das Dores, saibamos colocar-nos aos pés das infinitas cruzes dos nossos irmãos e irmãs, para levar-lhes conforto e esperança de libertação. Por Cristo nosso Senhor. Amém! Invocações D. Ave Maria, cheia de graça... T. Santa Maria, Mãe de Deus... D. Nossa Senhora das Dores, T. Rogai por nós! Canto A dor ainda cresce quando contemplais Jesus expirando. Bendita sejais! Bendita sejais, Senhora das Dores, ouvi nossos rogos, mãe dos pecadores! 126

19 Sexta dor MARIA RECEBE NOS BRAÇOS O CORPO DE JESUS Evangelho de Marcos (15,43-46a) José de Arimatéia, membro respeitável do Sinédrio, que também esperava o reino de Deus, cheio de coragem foi a Pilatos pedir o corpo de Jesus. Pilatos ficou admirado quando soube que Jesus estava morto. Chamou o centurião e perguntou se tinha morrido havia muito tempo. Informado pelo centurião, Pilatos entregou o corpo a José. Ele comprou um lençol de linho, desceu Jesus da cruz e envolveu-o no lençol. 127

20 Reflexão Aí está a Pietà (a Piedade), obra-prima de Michelangelo, venerada na basílica de São Pedro, no Vaticano, e reproduzida em milhares de cópias espalhadas pelo mundo inteiro. Maria, sentada, aconchega ao colo seu filho morto. A perfeição dos traços das imagens marmóreas de Jesus e de Maria e a dor reproduzida com solenidade e perfeição no rosto da mãe, suscitam piedade e compaixão. Diante desse quadro, canta o poeta: «Pouco mais tarde da cruz o tiraram e o depuseram, ó Mãe, em teu colo; não parecias gerá-lo de novo e, qual criança de peito, aleitá-lo? Eras o colo de todas as mães: vendo-te assim, quem não há de chorar? Era uma cena jamais antes vista: és a Piedade que abraça os que sofrem!» 7 Abraçar a dor do irmão, abraçar a causa dos pobres, dos excluídos, dos doentes, dos angustiados e deprimidos, não é para os fracos. É para os fortes. Para aqueles que, como Maria, sabem permanecer de pé junto à cruz e não se abalam diante do sofrimento, nem desanimam. Para aqueles que alicerçam sua vida em Deus e na sua Palavra. Para aqueles que, diante da morte, acreditam na ressurreição, e por isso lutam para renovar o mundo e se empenham com obras de caridade e de misericórdia, a exemplo do bom samaritano. Sim, porque não existe fé sem obras. Mostra-me tua fé sem as obras que eu por minhas obras te mostrarei a fé, diz São Tiago. 7 Do hino das II Vésperas da solenidade de Nossa Senhora das Dores, 15 de setembro. 128

21 Oração Deus, nosso Pai, estando tudo consumado, o corpo do vosso filho foi descido da cruz e entregue nos braços de Maria, sua mãe. Suplicantes, vos pedimos que, seguindo o exemplo da Virgem das Dores, tenhamos os braços sempre abertos para acolher os excluídos da sociedade, escutar seus clamores e solidarizar-nos com eles na luta pela vida. Por Cristo nosso Senhor. Amém! Invocações D. Ave, Maria, cheia de graça... T. Santa Maria, Mãe de Deus... D. Nossa Senhora das Dores T. Rogai por nós! Canto No vosso regaço seu corpo abrigais, com ele abraçada, bendita sejais! Bendita sejais, Senhora das Dores, ouvi nossos rogos, mãe dos pecadores. 129

22 Sétima dor SEPULTAMENTO DE JESUS Evangelho de João (19,40-42) Eles pegaram então o corpo de Jesus e o envolveram, com perfumes, em faixas de linho, do modo como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ninguém tinha sido ainda sepultado. Por ser dia de preparação para os judeus, e como o túmulo estava perto, foi lá que eles colocaram Jesus. 130

23 Reflexão Foi um enterro de pobre, feito às pressas no final da tarde, porque era, para os Judeus, o dia de preparação do sábado, e acompanhado por poucos, como canta o poeta: «Para o sepulcro o carregam amigos, não mais que sete, segundo João: este é o enterro mais pobre do mundo, ouve-se apenas a pedra a rolar...» 8. Tudo parece ter chegado ao fim. A Mãe, João e os poucos amigos e amigas, depois que o tútmulo foi fechado com uma pedra, voltam para casa. A desolação é total. A dor da mãe atingira seu nível mais profundo. Sem marido e sem filho. Estava só! Era a Senhora da Soledade. Mas Ela não perde a esperança: seu Filho ressuscitará, como ele mesmo disse. Ela o deposita no sepulcro, sim, mas espera sua ressurreição. Ademais, Ela toma consciência do alcance das palavras de Jesus: «Eis aí o teu filho!» E assume a sua função de mãe de todos os homens e mulheres. No Natal, tornara-se mãe de Jesus. Agora, no Calvário, mãe de todos os seres humanos. E, mais tarde, em Pentecostes, mãe da Igreja. Maria alcança a plenitude da maternidade. Esta a fé que deve acompanhar-nos quando sepultamos uma pessoa querida: o corpo é posto debaixo da terra, mas sua vida continua. Uma vez gerados no ventre materno, nossa vida dura para sempre: alguns anos, envolvida no corpo humano, depois, revestida de um corpo 8 Hino das II Vésperas do Ofício da Solenidade de Nossa Senhora das Dores. 131

24 incorruptível. Como será isso? Deus sabe e isso nos basta. Oração Deus, nosso Pai, a Virgem Maria com alguns irmãos e irmãs acompanhou o seu filho à sepultura. Suplicantes, vos pedimos que, seguindo o exemplo da Virgem das Dores, caminhemos ao lado a lado dos que sofrem, para criarmos com eles uma aliança de amor, que os faça passar da morte para a ressurreição. Por Cristo nosso Senhor. Amém! Invocações D. Ave, Maria, cheia de graça... T. Santa Maria, mãe de Deus... D. Nossa Senhora das Dores T. Rogai por nós! Canto Sem filho, e tal filho! Então suportais cruel soledade. Bendita sejais! Bendita sejais, Senhora das Dores, ouvi nossos rogos, mãe dos pecadores. 132

25 CONCLUSÂO [Conclui-se a Via Matris com a ladainha de Nossa Senhora das Dores, o oremos e a bênção final, como segue:] Ladainha de Nossa Senhora das Dores (p ) Oração Ó Deus, quisestes que a vida da Virgem Maria fosse marcada pelo mistério da dor. Humildemente vos pedimos: concedei-nos trilhar a seu lado o caminho da fé e unir nossos sofrimentos à paixão de Cristo, para que se tornem momentos de graça e instrumentos de salvação. Por Cristo nosso Senhor. Amém! Bênção D. O Senhor esteja convosco T. Ele está no meio de nós! D. Por intercessão da Virgem das Dores, abençoe-vos o Deus todo-poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo. T. Amém 133

26 Í N D I C E Apresentação INTRODUÇÃO 1. A devoção mariana na história dos Servos de Maria 2. O culto a Nossa Senhora das Dores 3. A devoção a Nossa Senhora das Dores no Brasil COROA DE NOSSA SENHORA DAS DORES Introdução I. PERFIL HISTÓRICO - Formas incipientes - Como nasceu a Coroa - Os capítulos gerais - A Coroa nas Constituições - Concessão de indulgências II. NATUREZA E CARÁTER DA COROA - Oração comunitária - Oração bíblica - Oração de significado cristológico, eclesial e antropológico - Oração de estrutura numérica III. FORMA E ESTRUTURA DA COROA - Formulário tradicional - Formulário novo - Duas formas de celebração - Elementos estruturais da Coroa 134

27 IV. VALOR E USO PASTORAL DA COROA - A Coroa e os Servos de Maria hoje - Tempo litúrgico e Coroa de N. Sra. Das Dores - O Rosário e a Coroa V. COMO REZAR A COROA 1. Formulário tradicional - 1º Roteiro - 2º Roteiro 2. Formulário novo - 1º Roteiro - 2º Roteiro VIA MATRIS Introdução 1ª Dor: Profecia de Simeão 2ª Dor: Fuga para o Egito 3ª Dor: Perda de Jesus no Templo 4ª Dor: Encontro com Jesus no caminho do Calvário 5ª Dor: Maria ao pé da Cruz 6ª Dor: Maria recebe nos braços o corpo de Jesus 7ª Dor: Sepultamento de Jesus Conclusão Í N D I C E 135

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