A Lei de Hubble e a expansão do Universo

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Transcrição:

Fundamentos de Astronomia e Astrofísica A Lei de Hubble e a expansão do Universo Rogério Riffel

O Universo em Grande Escala Apesar de grandes restrições o homem teve que abandonar a idéia de que vivemos no centro do universo! No começo do século passado (1900) o homem teve que admitir que vivemos, em um planeta nada excepcional, próximos a uma estrela comum, localizada na periferia de uma galáxia normal, em um grupo de aglomerados, localizado na periferia de um grande cúmulo de aglomerados. Este cúmulo (de Virgem) é pequeno se comparado com outros cúmulos (super aglomerados) do universo. Somos insignificantes frente ao universo!!!

O Universo em Grande Escala Universo em Grande Escala Aglomerado de Virgem

O Universo em Grande Escala Observação (Slipher, Hubble e Humason) Slipher Em 1912 estudou o espectro de M31 e concluiu que ela está se aproximando de nos com v=300km/s (blueshift); Estudou + 41 galáxias (2 décadas) e concluiu que quanto mais fraca era a fonte (+ distante) maior era o redshift. Hubble em 19 29, medindo o redshift nas linhas espectrais das galáxias observadas por Humason (1891 1972), e medindo ele próprio suas distâncias. descobre que as galáxias estavam se afastando com velocidades proporcionais à sua distância, isto é, quanto mais distante a galáxia, maior sua velocidade de afastamento.

O Universo em Grande Escala 1929 primeira evidência para a expansão do Universo. já predita: Pelo russo Alexander Friedmann (1888 1925) em dois artigos publicados em 1922 e 1924, Pelo belga Georges Henri Édouard Lemaítre (1894 1966) em 1927.

O Universo em Grande Escala Interpretação (Hubble, baseado no efeito Doppler) A maioria das galáxias estão se afastando de nós, com velocidades proporcionais à sua distância.

O Universo em Grande Escala v = velocidade de recessão em km/s d = distancia em Mpc H0 = taxa de expansão atual (constante de Hubble) = 71 km/s/mpc ( a velocidade de recessão das galáxias aumenta 71 km/s a cada Mpc de distância) galáxias a 1 Mpc têm velocidade de recessão de 71 km/s galáxias a 10 Mpc têm velocidade de recessão de 710 km/s galáxias a 11 Mpc têm velocidade de recessão de 780 km/s galáxias a 100 Mpc têm velocidade de recessão de 7100 km/s etc... Conclusão O universo está em expansão!

O Universo em Grande Escala Em um bolo de passas em crescimento, todas as passas se afastam umas das outras... As passas não se movem dentro do bolo, os espaços entre elas que aumentam. Ou seja, A expansão do universo não é uma expansão das galáxias no espaço, mas uma expansão do próprio espaço. A expansão do universo não tem centro, qualquer observador, em qualquer lugar, vê a mesma expansão.

O Universo em Grande Escala Recessão das galáxias.

O Universo em Grande Escala O Universo em expansão: Implicações O universo não tem bordas O universo não tem centro O Princípio Cosmológico: O Universo é HOMOGÊNEO e ISOTRÓPICO. homogeneidade: não existe lugar especial no universo (em larga escala, a distribuição de galáxias é uniforme) isotropia: não existe direção especial no universo. A aparência do universo é a mesma, em qualquer direção, para qualquer observador.

A constante de Hubble (H0) e a idade do universo(t0) Como podemos estimar a idade do universo? Seja: t0 = tempo que as galáxias distantes, movendo se à mesma velocidade de hoje, teriam levado para chegar aonde estão. Mas

A constante de Hubble (H0) e a idade do universo(t0) H0 esta medido entre: 57 km/s/mpc e 78 km/s/mpc t0 12 a 17 bilhões de anos Se o universo estiver em expansão desacelerada t0 9 a 15 bilhões de anos Consistente com o valor derivado para anãs brancas de aglomerados globulares: 12 e 14 bilhões de anos

O Paradoxo de Olbers Por que o céu é escuro à noite? Num universo uniformemente populado com galáxias cheias de estrelas, que seja: # homogêneo, isotrópico; # infinito e invariável no espaço e no tempo.

O Paradoxo de Olbers Como o número de estrelas em uma certa região em torno da Terra aumenta com o raio da região na mesma proporção em que o tamanho angular da estrela diminui com o raio da região (Num. de estrela R2, tamanho angular R 2), O céu deveria ser totalmente coberto de estrelas, sem espaços entre elas. À medida que um observador olha mais longe, vê um número de estrelas que cresce com o quadrado da distância A linha de visada interceptaria uma estrela em qualquer direção que se olhasse! Próximo Slide

O Paradoxo de Olbers Analogia com a floresta: De dentro da floresta, as árvores próximas estão espaçadas entre elas; as distantes não.

O Paradoxo de Olbers Conclusão: Mantendo o princípio cosmológico, então o universo: não é infinito no espaço, ou não é infinito no tempo ou nenhum dos dois!

O Paradoxo de Olbers Solução do paradoxo: O universo não é infinito no tempo. Mesmo se o universo fosse infinito no espaço, como a luz tem uma velocidade finita, a luz das estrelas mais distantes do que (idade do universo x a velocidade da luz) não teria tipo tempo de chegar até nós.

Qual deveria ser o tamanho do Universo para o céu ser tão brilhante quanto a superfície do Sol?

1) Quantidade de "sóis" necessários para encher o céu A área angular do céu é a área que subtende o ângulo sólido de 4 π radianos; Lembrando que um ângulo sólido ω é definido como ω = área/r2, a área correspondente ao ângulo de 4 π é 4π (1 rad) 2 Lembrando ainda que 1 rad = 360 /2π = 57,3 ; 4π (1 rad)2 = 4πx (57,3 )2 = 41260 (graus quadrados) O tamanho angular do disco solar no céu é 2π(0,25 )2 = 0,4 (graus quadrados) Logo seriam necessários 41260/0,4 = 103150 discos solares para encher o céu.

2) Fluxo correspondente O fluxo total correspondente seria o fluxo de 103150 sóis à distância de 1 unidade astronômica; como fluxo = luminosidade/4πr2, passando unidade astronômica para anos luz isso dá fluxo total = 3x1013 sóis/(ano luz)2 3) Densidade de estrelas na vizinhança solar: Considerando a distância média entre as estrelas como a distância da estrela mais próxima do Sol, que é 4 anos luz, a densidade de estrelas na vizinhança solar é 1 estrelas/(4/3)π(4anos luz)3 = 0,004 estrelas/(ano luz)3; assumindo que elas são similares ao sol, temos 0,004 sóis/(ano luz)3

Raio da esfera que contém tantos "sóis" tal que o fluxo total na Terra seja o de 3x1013 sóis/(ano luz)2: 0,004 sóis/(ano luz)3 x R = 3x1013 sóis/(ano luz)2 R = 7,5 x1015 anos luz Se o universo tivesse esse tamanho e idade suficiente para vermos as estrelas mais distante, então o céu seria tão brilhante quanto a superfície do Sol; como o universo tem apenas 13 bilhões de anos, mesmo que ele tivesse um raio de 7,5 x1015 anos luz, não poderíamos ver as estrelas mais distantes porque sua luz não teria chegado até nós, o que impediria que ele se tornasse brilhante.