1/6/2010 MUTAÇÃO E MECANISMOS DE REPARO Profª Ana Luisa Miranda Vilela MECANISMOS DE ALTERAÇÃO DO MATERIAL GENÉTICO Recombinação Rearranjos cromossômicos: aberrações numéricas aberrações estruturais Mutação gênica Elementos genéticos de transposição Sentido restrito Mutação = Mutação gênica 1
1/6/2010 MUTAÇÃO Qualquer alteração permanente no material genético que não possa ser explicada por recombinação ou variação pré-existente. Evento raro, casual e súbito que pode levar (ou não) a uma mudança no fenótipo. MUTAÇÃO Mundança Funcional Alelo selvagem Alelo nulo (perda de função) Alelo fraco Alelo de ganho de função 2
1/6/2010 MUTAÇÃO Fonte primária de variabilidade genética e de biodiversidade. Matéria-prima para evolução. Sem mutação todos os genes existiriam em uma única forma, os alelos não existiriam, os organismos não poderiam evoluir e se adaptar a mudanças ambientais. Variabilidade Genética e Biodiversidade 3
1/6/2010 Variabilidade Genética e Biodiversidade Variabilidade Genética e Biodiversidade 4
1/6/2010 Variabilidade Genética e Biodiversidade Variabilidade Genética e Biodiversidade 5
Alopoliplóide: indivíduo cujos progenitores são de espécies diferentes, resultando a poliploidia de uma duplicação cromossômica no híbrido. 11
Um loco é dito polimórfico se a frequência do alelo mais comum for 99%. 12
A maior parte do genoma não está relacionada a codificação e regulação gênica maioria das mutações é neutra. 13
Mutações podem ocorrer tanto em tecidos somáticos quanto em tecido germinal, mas somente as mutações germinativas podem passar para a descendência. 14
1/6/2010 SOMÁTICA X GERMINATIVA Mutação germinativa Pai/Mãe Filho Mutação somática Mutação nas células gonadais Todas as células portando a mutação Só afeta as células-filhas da linhagem somática mutada Herdáveis Taxa de mutação maior em homens do que em mulheres Em um gameta: um indivíduo da progênie Toda a gônada: maior chance de perpetuação Não herdáveis Exceção: propagação vegetativa em plantas Origem da maioria dos cânceres Taxa aumentada por mutações no sistema de reparo MUTAÇÃO SOMÁTICA OU GERMINTATIVA? O alelo mutante surgiu na parede do ovário de uma flor. As sementes seriam mutantes? 1
Normalmente nós só podemos ver os efeitos de mutações somáticas que ocorreram no estágio embrionário. Exceção: qualquer mutação somática que faça um grupo de células crescer mais rápido ou mais extensamente do que o selvagem. 17
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Mutações de ponto podem alterar a expressão gênica se ocorrerem em sítios de emenda éxon/intron, cap, poliadenilação (relacionados ao processamento do RNA) ou em regiões regulatórias (promotores e enhancers). 19
1/6/2010 Pode: Mutação em promotor bloquear transcrição aumentar taxa de transcrição produzir constitutivamente Fita molde Promotor gene (região codificadora) G 3 - ACCGCCACTATTACCAACGTACATACAAAGAAGAGTC -5 X (a montante) (a jusante) -10 + 1 +9 Substituição de base Pode alterar ou não a seqüência de aminoácidos na proteína. Tipos: mutação de sentido trocado altera um aminoácido da proteína mutação sem sentido gera precocemente um dos códons de parada mutação silenciosa não altera a seqüência de aminoácidos na proteína 1
1/6/2010 Mutação de Sentido Trocado A substituição de uma base no DNA altera um aminoácido da proteína. Mutação de Sentido Trocado Anemia falciforme resulta de uma simples substituição de um aminoácido na hemoglobina. 2
1/6/2010 Hemoglobina 4 proteínas globosas em torno de um grupo heme (átomo de ferro): 2 cadeias (141 aminoácidos) duas cadeias (146 aminoácidos) Cadeia Normal da Hemoglobina seis primeiros aminoácidos Valine Histidine Leucine Thr Proline Glutamicacid CTC Cadeia da Hemoglobina S seis primeiros aminoácidos Valine Histidine Leucine Thr Proline Valine CAC 3
1/6/2010 Anemia falciforme Alelo selvagem Alelo mutante Fenótipo selvagem Fenótipo mutante Mutação Sem Sentido A substituição de uma base no DNA gera precocemente um dos códons de parada: a tradução do RNAm cessa quando um códon de parada (UAA, UAG e UGA) é alcançado. 4
1/6/2010 Mutação Silenciosa A substituição de uma base no DNA não altera a seqüência de aminoácidos na proteína. Inserção e Deleção (InDel InDel) Alteram a fase de leitura da proteína. 5
1/6/2010 Inserções Síndrome do X-frágil Forma mais comum de retardo mental herdado (1/1500 homens e 1/2500 mulheres) Repetição de 3 bases, CGG: indivíduo normal 6 a 54 repetições alelo mais frequente 29 repetições pessoas com a doença 200 a 1.300 repetições genitores e avós 50 a 200 repetições Citologicamente sítio frágil que resulta em quebras. 6
1/6/2010 Deleção Mudança na matriz de leitura Ex.: Alelo O Sistema ABO Leu Val Val Thr Pro... Códon finalizador 30 trincas a frente proteína com 1/3 do tamanho normal. A : GAG CAC CAC TGG GGA G... O: GAG CAC CAC X TGG GGA G... O: GAG CAC CAT GGG GAG... Leu Val Val Pro Leu... Deleção de um aminoácido Ex. Fibrose cística Ile Ile Phe Gly Val... Normal: TAG TAG AAA CCA CAA... F508: TAG TAG XXX AAA CCA CAA... Ile Ile Gly Val... 7
1/6/2010 Origem de inserções e deleções Crossing-over desigual durante a recombinação. Origem de inserções e deleções Derrapagem durante a replicação de seqüências repetitivas. Na próxima replicação da: Fita recém-criada inserção Fita-mãe deleção 8
O evento de transposição pode causar deleções ou inserções. A maioria dos elementos transponíveis de um genoma eucariótico é defectiva (não-funcional) e perdeu a capacidade de transpor-se independentemente, embora ainda possam ser reconhecidos como substrato para a transposição por enzimas produzidas por transposons funcionais. 36
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Genoma: conjunto de todo o material genético que estabelece a identidade de uma espécie. Genoma de organismos celulares = DNA nuclear + DNA citoplasmático: genoma nuclear, mitocondrial e genoma cloroplástico (vegetais). Genoma de vírus (DNA ou RNA). Valor C = tamanho do genoma haplóide. Pseudogenes: já tiveram função de genes e, por mutação, perderam a função no processo evolutivo (seqüência semelhante à do gene com algum defeito). Repetições agrupadas (em Tandem): repetições no mesmo sentido. Ex.: AGTCAGTCAGTC... 1- DNA satélite clássico: principalmente no centrômero sem transcrição segmentos grandes em repetição (171 pb). 2- DNA mini-satélites: tamanho da repetição: aproximadamente 10 pb Exemplo: (TTAGGG) n principalmente nos telômeros. 3- DNA microssatélite: 1 a 4 pb (pares de bases) repetitivos distribuição ao longo do genoma herança mendeliana (alelos hipervariáveis). Repetições de mononucleotídeo: A ou T; dinucleotídeo: CA ou CT. Seqüências dispersas: também chamadas seqüências interespaçadas. São seqüências repetitivas que intercalam trechos de DNA de cópia única, presentes em todo o genoma (não são em tandem). Podem ser: 1- SINES = short interespersed elements : curtas sequências intercalares não-codificadoras espalhadas pelo genoma. Podem saltar e se inserir em certos genes, funcionando como elementos de transposição. Ex.: sequências Alu -aproximadamente 300 pb, 25.000 cópias, o que corresponde a 7% do genoma (exclusivas de primatas). 2- LINES = long interespersed elements. Maiores que os SINES (250-500 pb). Também podem se comportar como elementos de transposição, levando a doenças por ruptura gênica. Aproximadamente 6.000 nucleotídeos, 12.000 cópias; componentes repetitivos de introns. 39
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Mutações ocorrem numa taxa alta se elas são induzidas por mutágeno. 41
hot spots : dentro de um gene podem ocorrer pontos quentes ( hot spots ), que são sítios que mutam muito mais que os outros. Podem ser por modificações em uma base nitrogenada (ex.: desaminação de bases) ou pela existência de sequências repetidas próximas, no mesmo gene. A taxa de mutação espontânea também pode variar entre diferentes ambientes: o calor aumenta a taxa metabólica e consequentemente contribui para o aumento da taxa de mutação. 42
1/6/2010 MUTAÇÃO ESPONTÂNEA Erros durante a replicação do DNA pareamentos não-usuais tautômeros Lesões espontâneas oxidação de bases: 8-hidroxi-2'-deoxiguanosina (8-OHdG) produz transversões G T hidroxilação de bases depurinação e depirimidinação quebras no DNA Elementos de transposição Pareamentos não-usuais Pareamentos errados são instáveis e provocam dobras na molécula (alteração espacial) percebidos e corrigidos. Pareamento normal 1
A incorporação de nucleotídeos errados se deve ao fato de as complementaridades padrão entre as bases nitrogenadas (A com T e C com G) não serem as únicas possíveis. Com pequenas distorções na hélice do DNA podem ocorrer outros tipos de emparelhamentos, como entre G e T. 45
Outra fonte de erros de incorporação é a ocorrência transitória de formas tautoméricas de bases, que acontece na frequência de 1 pra 10.000 ou 100.000 bases. 46
Quando a base de um nucleotídeo assume espontaneamente sua forma tautomérica, ocorre um erro de incorporação. 47
Fortes evidências apontam no sentido de que a ocorrência de bases oxidadas no DNA leva ao surgimento de mutações espontâneas ao longo da vida de um indivíduo, podendo contribuir para o desenvolvimento de tumores. A identidade dos oxidantes responsáveis pela oxidação de bases do DNA ainda é matéria de investigação. O radical hidroxila (HO ) é extremamente reativo, podendo se adicionar a bases do DNA ou abstrair átomos de hidrogênio das mesmas e originar muitos dos produtos observados no genoma. É provável que o radical HO desempenhe um papel na oxidação endógena do DNA, mas a sua formação deve ser imediatamente adjacente à molécula de ácido nucléico para que os danos sejam gerados. Neste caso o peróxido de hidrogênio (H 2 O 2 ) seria a espécie que se difundiria até o DNA, onde reagiria com íons metálicos gerando o oxidante. Outro oxidante que pode gerar muitos dos produtos de oxidação observados no DNA é o peroxinitrito (ONOO - ), o qual pode se difundir intracelularmente e ser capturado por algumas células via canais aniônicos. Uma série de complexos mecanismos levam à formação de diferentes espécies reativas de nitrogênio e oxigênio a partir do peroxinitrito, que devem ser responsáveis pelos danos observados. O padrão de produtos gerados pela oxidação do DNA por peroxinitrito é complexo e reflete a diversidade de bases oxidadas detectadas nos tecidos. Uma observação importante é a de que o peroxinitrito é bastante reativo com 8-oxodG (pelo menos 1000 vezes mais em relação à reatividade com 2'-desoxiguanosina) e, à medida que o nível dessa base oxidada aumenta, ela pode competir com as bases não modificadas no DNA pela reação com peroxinitrito, levando à formação de outros produtos. Tal fato faz com que 8-oxodG não seja sempre um bom marcador para danos em DNA induzidos por estresse oxidativo. Óxido nítrico ( NO) e ânion radical superóxido (O 2 - ) são produzidos simultaneamente nos macrófagos e, portanto, níveis elevados de peroxinitrito ( NO + O 2 - ONOO - ) serão produzidos em células inflamatórias ativadas. Condições patofisiológicas de infecções crônicas e inflamações são conhecidos fatores de risco para vários cânceres humanos e uma possível ligação entre inflamação e a indução de mutações é a habilidade de o peroxinitrito oxidar o DNA. Recentemente foi demonstrada uma associação entre a ocorrência de transversões G T no gene p53 de câncer colorretal humano e o nível de expressão da forma induzível da óxido nítrico sintase. Bibliografia: Loureiro, A.P.M.; Di Mascio, P.; Medeiros, M.H.G. Formação de adutos exocíclicos com bases de DNA: implicações em mutagênese e carcinogênese. Quím. Nova 25(5): 777-793, 2002. 48
O produto de oxidação do DNA mais extensivamente estudado, devido à facilidade com que pode ser detectado, é a 8-oxodG. Suas propriedades biológicas foram amplamente investigadas, tendo sido verificado que é uma lesão mutagênica em bactérias e células de mamífero, levando principalmente a transversões G T. Transversões G T são muito encontradas em genes supressores de tumor e proto-oncogenes mutados. Outros estudos de mutagênese sítio-específica mostraram que 8-oxo-adenina, timina glicol, 5- hidroxiuracila, uracila glicol e 5-hidroxi-desoxicitidina também são lesões mutagênicas. Bibliografia: Loureiro, A.P.M.; Di Mascio, P.; Medeiros, M.H.G. Formação de adutos exocíclicos com bases de DNA: implicações em mutagênese e carcinogênese. Quím. Nova 25(5): 777-793, 2002. 49
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O metabolismo dos xenobióticos envolve dois tipos de reações bioquímicas, conhecidos como reações de fase I e de fase II. Em geral, as reações ocorrem sequencialmente. As reações de fase I são catabólicas e, com frequência, os produtos são quimicamente mais reativos e, portanto, algumas vezes mais tóxicos ou carcinogênicos do que a substância original (fase I expõe ou adiciona grupo funcional). As reações de fase II são sintéticas (anabólicas) e envolvem a conjugação, que habitualmente resulta em produtos inativos (embora haja exceções). Em geral, ambas as etapas diminuem a lipossolubilidade, com consequente aumento da eliminação renal do fármaco (os medicamentos são convertidos em metabólitos mais solúveis em água, facilitando sua excreção). GST: glutationa S-transferase NAT: N-acetil transferase ST: sulfotransferase Nem sempre os fármacos são inativados; alguns metabólitos apresentam atividade aumentada (por exemplo, codeína em morfina) ou propriedades tóxicas (entre elas, parathion em paraoxon), incluindo a mutagenicidade, a teratogenicidade e a carcinogenicidade. 51
1/6/2010 MUTAÇÃO Processo reversível? Mutação reversa restaura o fenótipo original. Pode ser de dois tipos: Retromutação uma segunda mutação no mesmo sítio restaurando a seqüência original. Mutação supressora segunda mutação em local distinto do genoma que compensa os efeitos da primeira mutação. a + a a a + a + a D D + Retromutação Mutação supressora MUTAÇÃO REVERSA 1
1/6/2010 MUTAÇÕES INDUZIDAS Podem ser causadas por: análogos de base estrutura semelhante às bases normais: incorporados durante replicação. Ex.: 5-Bromouracil (BrdU) MUTAÇÕES INDUZIDAS Podem ser causadas por: agentes desaminantes: adicionam grupos OH às bases, promovendo desaminação pareamento errôneo. Ex.: ácido nitroso e bissulfito sódico 2
Um dos mais vulneráveis sítios de alquilação é a base guanina, que é particularmente sujeita a metilação do oxigênio-6 do átomo de carbono. O produto O(6)-metilguanina normalmente se pareia erradamente com a Timina, mudando o par de base GC TA quando o DNA é replicado. 56
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1- A transferência de energia do fóton de radiação provoca a deleção de todo o nucleosídeo e a formação de uma quebra de fita simples. 2 - A radiação provoca o rompimento do esqueleto básico do DNA (ligação fosfato ou desoxirribose) quebra de fita simples ou dupla. 3- A radiação provoca a quebra da base nitrogenada ou a sua deleção (depurinação: lesão mais frequente). 59
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Os sistemas de tolerância enfrentam as dificuldades que surgem quando a replicação normal é bloqueada em um sítio danificado. Eles viabilizam que a sequência danificada do molde seja copiada, povavelmente com uma frequência de erros relativamente alta. Eles são especialmente importantes em células de eucariotos superiores. Os sistemas de resgate compreendem um outro tipo de sistema de tolerância. Quando um dano permanece em uma molécula-filha e a replicação foi forçada a ultrapassar o sítio, um sistema de resgate utiliza a recombinação para obter outra cópia da sequência de uma fonte não-danificada. Estes sistemas de reparo por recombinação estão bem caracterizados em bactérias. 61
A fotorreativação envolve enzimas denominadas fotoliases, as quais contêm cromóforos que capturam fótons de luz azul e utilizam essa energia na remoção destes fotoprodutos. Uma característica extremamente interessante dessas enzimas é que elas apresentam especificidade para a lesão a ser reparada, sendo classificadas em CPD-fotoliases e 6-4PP-fotoliases. Embora esse processo seja altamente conservado evolutivamente, essas enzimas estão ausentes em mamíferos placentários, incluindo o homem. Nesses organismos, a remoção de lesões induzidas por UV é feita pelo reparo por excisão de nucleotídeos. 62
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Uma característica importante dessa reação é que cada grupamento metila removido consome uma enzima O6-metilguanina-metiltransferase, a qual não pode ser recuperada para nova utilização. 64
Existem vários caminhos para que o reparo por excisão atue removendo a base ou segmento de DNA. Todos eles levam ao mesmo produto intermediário: uma quebra na fita simples ou um gap no DNA que proporciona o aparecimento de uma 3 -OH terminal, onde a polimerase pode iniciar a síntese de uma nova seqüência. Mutantes para a DNA polimerase I são muito deficientes para realizarem o reparo por excisão. Um exemplo comum de reparo por excisão de base é o que acontece na correção da desaminação da citosina à uracila. O sistema de reparação reconhece a uracila como uma base estranha ao DNA. Primeiramente, a uracila-dna-glicosilase hidrolisa a ligação entre a uracila e a molécula de desoxirribose. Nesse estágio, a cadeia de DNA está intacta, mas a base é perdida. A enzima AP endonuclease reconhece, então, essa fenda e cliva a cadeia em regiões adjacentes à base perdida. A DNA-polimerase insere novamente uma citosina, de acordo com a orientação fornecida pela fita complementar não-danificada, que contém uma guanina. Finalmente, a integridade da fita corrigida é restaurada pela DNA-ligase. Existem outras glicosilases que reconhecem e removem hipoxantina, 3-metil-adenina e purinas com anel imidazol aberto por radiação ionizante ou ph elevado. 65
Ocorre quando a remoção da base defeituosa é feita pela incisão endonucleolítica nos dois lados da lesão, com liberação dos nucleotídeos, seguida pelo preenchimento da região por ação da DNA-polimerase. Em todos os organismos onde já foi estudado, o processo de reparo por excisão de nucleotídeos (REN) consiste em cinco etapas: 1. Reconhecimento da lesão por um complexo multienzimático. 2. Incisão da fita anormal em ambos os lados da lesão a alguma distância Desta. 3. Excisão do segmento contendo a lesão. 4. Síntese de um novo segmento de DNA utilizando a fita não-danificada como molde, por ação da DNA-polimerase. 5. Ligação/restauração da molécula de DNA por ação da enzima DNA-ligase. A extensão média do fragmento de DNA removido é de 12 nucleotídeos. Este sistema, que tem sido estudado com maior ênfase em bactérias, repara vários tipos de lesões, incluindo dímeros de ciclobutil pirimidina e dímeros 6-4 de piridimidina induzidos pela radiação ultravioleta (luz UV). As enzimas chave formam um complexo chamado de endonuclease de excisão ABC (produto dos genes UvrA, UvrB e UvrC). Ao se ligar no DNA no sítio da lesão causada pelo agente físico o complexo ABC cliva a fita contendo a lesão duas vezes, em cada lado da mesma. A lesão é removida do DNA como parte de um resíduo de 12 a 13 oligonucleotíos. Os detalhes da reação são os seguintes: UvrA é a enzima de reconhecimento da lesão. Ela forma um complexo com UvrB, se liga no sítio da lesão, desenrola o DNA causando uma modificação comformacional em UvrB que facilita a sua adesão no sítio da lesão. UvrA se dissocia do complexo UvrB-DNA, que forma um sítio específico para a ligação da enzima UvrC. Com a ligação de UvrC, UvrB faz uma incisão 3' que causa uma mudança comformacional no complexo, facilitando UvrC a fazer uma incisão 5". A remoção da lesão requer a ação da helicase, Helicase II (UvrD), que retira o oligomero excisado e UvrC e o "gap" que resulta disto é reparado pela ação de uma polimerase (DNA polimerase I) que retira UvrB e a DNA ligase. O modelo proposto para o sistema de REN em mamíferos é o seguinte: 1. As proteínas XPB, XPD e XPA estão envolvidas na detecção da lesão, sendo que as duas primeiras percorrem a hélice e a segunda reconhece a lesão. 2. Após encontrar a lesão, o DNA do local do dano é desnaturado (helicase) e as endonucleases XPF e XPG fazem a dupla incisão na cadeia. 3. O oligonucleotídeo contendo a lesão é removido e ocorre ressíntese do DNA utilizando a fita não-danificada como molde. 5. Ligação da extremidade 5 da região recém-sintetizada à seqüência original, pela DNA-ligase. 66
1/6/2010 Reparo de malpareamentos Base naturalmente não encontrada no DNA distorção estrutural na molécula. remoção e restauração do tipo selvagem. As sequências GATC são alvos para a metilação após a replicação. Durante o período que antecede a metilação, a fita não-metila é o alvo para a remoção de bases malpareadas. Reparo por recombinação 1- Sistema de Tolerância Não remove a lesão, mas possibilita a continuidade da replicação. Ocorrência: durante a replicação do DNA, quando uma forquilha de replicação encontra uma lesão; anterior ao reparo por excisão. Parada da replicação na lesão reparo por recombinação. Especialmente importantes para eucariotos superiores. 1
1/6/2010 Reparo por recombinação 2- Sistema de Resgate Aproveita o duplex-filho normal troca de fita simples: lacuna oposta ao sítio danificado é preenchida sequestrando a fita simples homóloga do duplex normal. Processo comum em bactérias e leveduras. Reparo por recombinação homóloga Resulta na troca de material genético entre dois genes homólogos. 2
Quebras nas duas fitas de uma mesma molécula de DNA ocorrem nas células em diversas circunstâncias e constituem uma das principais ameaças à integridade do genoma. Se não forem reparadas, podem causar a morte celular e, em organismos multicelulares, podem causar o câncer. Uma grande variedade de agentes exógenos, incluindo a radiação ionizante e um número considerável de quimioterápicos (como a bleomicina), causam essas quebras, bem como agentes endógenos, a exemplo dos radicais livres. O principal mecanismo de reparação dessas quebras duplas, que ocorre comumente em mamíferos, é chamado de união de extremidades não-homólogas. Neste mecanismo, as extremidades de uma molécula de DNA, apesar de terem perdido alguns nucleotídeos por degradação espontânea, são justapostas para recombinar. O mesmo complexo enzimático realiza o processo de ligação entre as duas extremidades. Desta forma, a seqüência original de DNA acaba sendo alterada. 71
1/6/2010 ALGUNS DISTÚRBIOS DE REPARO EM HUMANOS Distúrbio Frequência Defeito Cancer de cólon Herediário 1/200 Reparopor malpareamento deficiente Xeroderma Pigmentosum 1-2/100.000 Reparo por excisão de nucleotídeos deficiente Síndrome de Bloom 100 casos desde 1950 DNA ligase inativa/ sensível ao calor Replicaçãolenta Anemia de Fanconi Tricotiodistrofia 1/22.000 em algumas populações 112 casos reportados até 2008 Reparo por excisão deficiente Reparo por excisão deficiente Síndrome de Werner 3/1.000.000 Helicase deficiente Xeroderma Pigmentosum Alta susceptibilidade a câncer de pele e extrema sensibilidade à luz solar Aparecimento de bolhas e manchas na pele mesmo em períodos curtos de exposição ao sol. Envelhecimento prematuro nas áreas expostas ao sol. Cegueira causada por lesões nos olhos ou decorrentes de cirurgias próximas à região ocular. Surgimento de complicações neurológicas, incluindo: retardo mental, comprometimento do desenvolvimento, perda de audição com progressão à surdez. 1
1/6/2010 Tricotiodistrofia (TTD) Proteínas envolvidas DNA helicase; Fator geral de transcrição IIH; Proteína de reparo ERCC-2. Cabelos frágeis, quebradiços e esparsos; unhas quebradiças, com estrias horizontais; levemente distróficas: redução da quantidade de cistina nas proteínas dos cabelos e unhas. Pele ictiótica. Fotossensibilidade (pele e olhos); catarata. Aparência envelhecida. Retardo mental; microcefalia; estatura baixa; baixo peso no nascimento. Ausência de tecido mamário; hipogonadismo. Infecções recorrentes e outros. LINKS INTERESSANTES http://www.ib.unicamp.br/caeb/eduardo%20becker/art%201 7.pdf http://www.educacaopublica.rj.gov.br/oficinas/ed_ciencias/g enetica/verde/mecanismos_de_reparo_de_dna.pdf http://www.icb.ufmg.br/big/genegrad/genetica/genetica/rep aro.htm http://www.ncbi.nlm.nih.gov/bookshelf/br.fcgi?book=cooper &part=a796 Animação em Flash: http://www.ufrgs.br/leo/danos3.swf 2