QUEM E MARIA?
«Pedi aos vossos pais e educadores que vos metam na escola de Nossa Senhora.» Papa João Paulo II, em Fátima, no ano 2000
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Estou tão feliz por eles, Zacarias! disse Isabel. As palavras da esposa eram bem confirmadas pela expressão luminosa do seu rosto. Zacarias, como estava mudo, abanou a cabeça em sinal de plena concordância. Apesar de sempre ter conseguido falar, já estava assim há algum tempo. Talvez dois meses! Tinha sido tudo muito estranho. De um momento para o outro. Ninguém sabia explicar porquê. E a única pessoa que podia contar como tudo se tinha passado era o próprio Zacarias, uma vez que estava sozinho. Mas, comunicando agora só por sinais, seria muito difícil de se fazer entender. A verdade é que até parecia que este era um assunto que ele não estava muito disposto a abordar, pois até podia escrever e não o quis fazer! «Pode ser que, quando recuperar a fala, ele queira conversar sobre isso e explique, então, o que se passou naquele dia.» Esta era a esperança de Isabel. Deveria até estar a ser doloroso para Zacarias, pois toda a gente sabia que ele era muito falador. 9
Zacarias era uma pessoa muito estimada por todos. Por isso mesmo, a sua história foi comentada em todos os lugares e espalhou-se pela região. Tudo o que se sabia é que ele teria entrado no templo para queimar incenso, por ser o sacerdote de serviço. Quando lá entrou, falava, e quando de lá saiu, já vinha mudo e só comunicava por gestos. Deve ter sido do fumo do incenso! comentavam uns. Deve ter feito um voto de silêncio! diziam outros. O que mais espantava a todos era ver a sua tranquilidade perante aquela nova e difícil situação. Até parecia que estava tudo certo! Havia opiniões diversas, mas saber o que é que se tinha passado lá dentro do templo é que ninguém sabia. Vendo a forma tão paciente como Zacarias vivia aquela sua realidade, Isabel também estava muito serena e não o forçava a nenhuma explicação. Apenas alimentava a esperança de que aquilo fosse passageiro, o que, felizmente, se veio a comprovar. 10
Zacarias contaria mais tarde o que viveu naquele dia, no interior do templo, a Isabel e aos seus amigos, depois de recuperar a fala. Naquela altura, «não havia palavras para o dizer!». Em resumo, a opinião mais verdadeira que se escutava era esta: «Passou-se lá dentro qualquer coisa muito importante!» Preparemo-nos, porque, quanto a realidades difíceis de explicar, estamos só a começar! 11
Então, como estava a contar, Zacarias e Isabel acabavam de chegar a sua casa, visivelmente felizes mas também muito cansados. Vinham da sua longa viagem a Nazaré, uma cidade da Galileia que ficava bem do outro lado das montanhas. A idade já bastante avançada de ambos não ajudou nada, e esta é uma viagem difícil de fazer até para quem está na força da vida. 12
No entanto, como haviam caminhado por gosto e movidos pela alegria de se encontrarem com a família, que há muito não viam, e como tinham ido participar numa festa, a já esperada dificuldade da viagem até se tornou bastante suportável. Mas estavam mesmo cansados! Todos tinham sido convidados para a festa de noivado de Maria e José. Muito em breve ia ser celebrado o seu casamento, e Isabel e Zacarias lá teriam de voltar a percorrer os mesmos longos e sinuosos caminhos das montanhas que os separavam de Nazaré! 13
Como era hábito Zacarias dizer: «Há sacrifícios que têm de ser feitos e, ainda que sejam grandes, pelo resultado feliz que se espera alcançar, valem bem o elevado preço que se paga por eles!» Ali estavam, agora, finalmente sentados à mesa da sua cozinha. Depois de Isabel colocar na mesa pão, água e vinho, já estavam a recuperar um pouco as forças. Disse ela: Foi uma festa mesmo muito bonita, Zacarias. Eu tenho a certeza de que este matrimónio está de acordo com a vontade de Deus.