Solenidade da Ascenção do Senhor Homilias Meditadas Lectio Divina para a Família Salesiana P. J. Rocha Monteiro, sdb Solenidade da Ascensão do Senhor Mc 16,15-20 1. Breve síntese A Solenidade da Ascensão é um desenvolvimento do acontecimento da Páscoa, a sua plenitude que amadurecerá com o envio do Espírito Santo. Páscoa, Ascensão e Pentecostes não são factos isolados, sucessivos, duma festa anual. São um único e dinâmico movimento de salvação que aconteceu em Cristo. A comunidade cristã alegra-se com a glorificação de Jesus em que Ele se converte em Senhor do cosmos, da história e da Igreja. Subir é um símbolo da glorificação plena do Senhor Ressuscitado. Mas o triunfo de Jesus é também o início da missão para parte da comunidade ao longo dos séculos. Nesta missão todos estamos envolvidos pelo nosso Batismo. 2. Mandato missionário Ide por todo o mundo e anunciai o Evangelho a toda a criatura. É um envio para uma messe abundante, faminta de ideais, com o coração desejoso de ficar a transbordar. Há dois verbos que marcam a ação: partir e anunciar.
Anunciar a boa notícia, o Evangelho, porque o Senhor vai cooperar; é algo que Lhe pertence e que nos enriquece totalmente. Jesus não fala de estruturas. Fala da raiz do anúncio que é o Seu coração amável, a energia, a força de Cristo para todos nós. Diz Bento XVI: A Ascensão não é um percurso cósmico- -geográfico, é a migração do coração que te conduz do encerramento em ti ao amor que abraça o mundo. 3. Consequências Eis os milagres que acompanharão os que acreditarem: expulsarão os demónios em Meu nome; falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem veneno, não sofrerão nenhum mal; e quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados. É uma visita de Jesus a todos aqueles que estão abertos às maravilhas de Deus. Não. Não se trata de uma visita rápida de quem está apenas de passagem. Ele tanto nos ama que vem ficar connosco para sempre. Imensa fraternidade em ascendente movimento filial, como uma seara nova e verdejante a ondular ao vento suavíssimo do Espírito, elevando-se da nossa terra, do Alto visitada e semeada, ternamente por Deus olhada, agraciada, abençoada. Note-se que, neste texto de Marcos, os belos e maravilhosos «sinais» são realizados por todos os que acreditam (Mc 16,17-18). (A. Couto) 4. Elevado ao céu ficou entre nós Depois de ter falado com eles, foi elevado ao Céu e sentou-se à direita de Deus. Eles partiram a pregar por toda a parte e o Senhor cooperava com eles, confirmando a Sua palavra com os milagres que a acompanhavam. Jesus deixa a nossa terra lavrada, semeada, à espera dos dias de luz em que a seara vai ondular ao vento.
É um tempo novo. Tudo em construção. A fé é a energia para avançar no mundo. O cristão é espaço de fronteira de mãos dadas a construir um mundo sem barreiras, aberto ao amor. O irmão é o paraíso, a terra prometida, o lugar onde Deus sempre nos espera. A comunidade, a Igreja, é o ponto de partida e de chegada. Ali há sempre conforto, espaço de conversão e celebração do Divino pelos sacramentos. Em Jesus, as realidades celestes beijaram a terra e as realidades terrestres foram elevadas à intimidade de Deus. Maravilhosa missão que nos é confiada: criar laços com a eternidade, enamorar-se do céu, ser escada do paraíso. A nossa missão é simples: salvar um pedaço do céu na nossa vida e fazer nascer uma semente de Éden no coração da humanidade. (Sementes do Evangelho) Ef 1,17-23 5. Ação de graças O Deus de Nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos conceda um espírito de sabedoria e de luz para O conhecerdes plenamente e ilumine os olhos do vosso coração, para compreenderdes a esperança a que fostes chamados, os tesouros de glória da Sua herança entre os santos e a incomensurável grandeza do Seu poder para nós, os crentes. À ação de graças, Paulo une uma fervorosa oração a Deus, para que os destinatários da carta conheçam a esperança a que foram chamados. Trata-se dum poder que Jesus Cristo deu à Sua igreja. A ideia de que a comunidade cristã é um corpo - o corpo de Cristo - formado por muitos membros.
6. A Ascensão de Jesus é... Um subir ao céu estrelado pisando a lama do caminho; Um dom de amor repartido como o pão dos que se deixam conduzir pelo Espírito; Um aprender a receber a vida como um dom e em cada dia como missão; Um espaço de silêncio gerador do homem interior cansado de ruídos; O apontar para o céu das coisas divinas onde em cada dia Deus Se transfigura para ti; O momento da aparição depois de um longo deserto vazio de tudo: de ti... dos outros... O deixar-se cobrir pelas estrelas que nos falam de Deus alimentando a nossa fé no Criador; O deixar de ver Jesus a partir para senti-lo a meu lado, ombro a ombro, sempre a dar-me força. Lavrador de Deus, lavra a tua jeira! Amanhã mil sementes cantarão: Ergue-Se Deus, o Senhor, em júbilo, ao som da trombeta... e a tua terra dará leite e mel!
Ascensão do Senhor Povos, batei palmas, aclamai a Deus com brados de alegria. Sl46 (47) Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura. Mc16,15 Ascensão, sementeira de luz na nossa eira De apóstolos em missão com olhar divino, Habitados pelo indizível amor maravilhados, Pelo mundo novo que nasce por ele despertados. Toda a terra, todo o céu em movimento, Jesus Se eleva ao céu no firmamento; Ser profetas da esperança testemunhar, De amor colorir o mundo a todos salvar. Aquele que me convenceu e seduziu, Voltará um dia a acolher minha vida, O perfume da açucena, a urze vestida, Todos os sendeiros por mim percorridos. Avança na selva, na água, na mãe terra, Atrás seguidores profetas da beleza Da Boa Nova do Reino; Homem Novo, Jesus parte ficando entre o Seu povo. Peregrino, agarra a tua fé! O que parte é teu Senhor. Há-de voltar. Cristão, enviou-te em missão. Pregado ficaste à Sua Cruz, Cego pela Sua luz.
Teu Senhor partiu Para te preparar um lugar. Voltará um dia Para te buscar. J. Rocha Monteiro in Palavra ardente